quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Impeachment, a fórmula para reequilibrar os três poderes da República.

O jornal português Observador é muito mais analítico que qualquer jornal brasileiro sobre a nossa própria situação. De longe, às vezes, podemos ver com mais clareza. Sirva de exemplo o texto de Nelson Camanho, intitulado "Coup d'état ou Guilhotina?":


Um coup d’état ou golpe de estado é, de acordo com o Cambridge Dictionary, um evento repentino no qual se derruba ilegalmente um chefe de estado que foi eleito de acordo com a Constituição, e quase sempre de forma violenta e com o envolvimento de militares.

No dia 31 de agosto de 2016, após cumprir 608 dias do mandato de reeleição oferecido por 51,6% dos eleitores brasileiros, Dilma Rousseff foi afastada legalmente e definitivamente da presidência do Brasil através de um processo longo, sem surpresas, seguindo o rito constitucional e com zero participação dos militares. [O fatiamento do impeachment foi o único desrespeito à Constituição: no mesmo dia que o Senado decretou o impeachment de Dilma, votou que ela não estaria inelegível pelos próximos oito anos. A Constituição previa que o presidente impedido deveria ser inelegível por oito anos.] Houve muitas manifestações dos que concordavam e dos que discordavam com o impeachment, como assim deve ser numa democracia vibrante.

Dilma foi impedida por cometer um crime de responsabilidade. Ela usou e abusou do uso de dinheiro de bancos estatais e de recursos do FGTS (a poupança que o trabalhador brasileiro é forçado a fazer para a reforma) para financiamento de programas sob a tutela do Tesouro Nacional, as malfadadas “pedaladas fiscais”. Não foi a primeira presidente a utilizar este recurso, mas certamente foi a única que não deixou dúvidas que o fazia para diminuir artificialmente o rombo das contas do governo federal. Segundo dados de um relatório do Banco Central do Brasil e divulgado pelo jornal Folha de São Paulo, durante o governo FHC (1995-2002), a dívida acumulada com os bancos não passou de 0,1% do PIB. O correligionário e principal responsável pela eleição de Dilma, Lula (2003-2010), não presenciou durante o seu mandato níveis maiores que 0,2% do PIB. Dilma, por sua vez, autorizou ou aceitou dívidas em torno de 1,0% do PIB, com forte tendência de alta. O uso extensivo e crescente das “pedaladas” e o seu nível relativo aos dois presidentes anteriores funciona como uma fácil denúncia a qualquer auditor de contas que algo estava fora de controle. Assim pelo menos no dia 7 de outubro de 2015 denunciou o Tribunal de Contas da União que as contas do governo de Dilma relativas a 2014 estavam reprovadas.

No dia 2 de dezembro de 2015, o então presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha aceitou a abertura de processo de impeachment, após a recusa de mais de 30 pedidos anteriores. Em 17 de abril de 2016, a mesma Câmara admitiu o processo de impeachment com 367 dos 513 deputados votando a favor, 25 a mais do que o necessário. Finalmente, no último dia 31 de agosto, 61 dos 81 senadores (7 a mais que o necessário), votaram definitivamente a favor do impeachment. Num último ato em 8 de setembro, envolvendo o Judiciário, o Supremo Tribunal Federal negou uma liminar protocolada pelo advogado de defesa de Dilma para anular a derradeira sessão do Senado.

Decerto, o impeachment é um acontecimento drástico em um regime presidencial, mas certamente respeitou mais as tradições democráticas brasileiras – que já haviam presenciado o impeachment de Collor em 1992 – do que a formação do governo português em 2015 respeitou as tradições democráticas portuguesas. Estas foram quebradas ao não se respeitar a não união de partidos moderados com partidos extremos, a fim de que o Partido Socialista (moderado), ao se unir ao Bloco de Esquerda (extremo) e Partido Comunista (extremo) negassem o voto da maioria de 38,5% de eleitores que deram um amplo mandato à coalizão moderada de direita, entre PPD/PSD e CDS-PP.

Mas visto sob a perspectiva de um continente que se acostumou com o populismo de esquerda, que muitas vezes visou mais à conquista e perpetuação no poder pelos que se dizem defensores dos pobres – Peron, Vargas, Chavez, Kirchners, Maduro, Lula, etc… – em comparação a um governo que tivesse como objetivo a implantação de medidas estruturais, quase sempre impopulares, com o fim de diminuir as diferenças sociais, visto sob esta perspectiva, o impeachment é uma solução natural e uma forma de reequilibrar os três poderes, quando o Executivo, em governos dominados por líderes populistas, desrespeita o Legislativo e o Judiciário.

Vale ressaltar que se Dilma não tivesse tomado decisões económicas desastrosas e não fosse tão desprovida de habilidades políticas, talvez não houvesse motivação política para se levar o impeachment a cabo. Não é certo se o Robespierre dos trópicos, o juiz Sergio Moro, teria força para aprofundar o processo judicial que talvez mais tenha influenciado a história do Brasil, o temido “Lava Jato”, uma verdadeira caça às bruxas, que já cumpriu mais de 100 mandados de busca, apreensão, prisão temporária, preventiva e coercitiva e não poupou nenhum lado do espectro político brasileiro.

Claro que assim como Chavez e Maduro acusam qualquer indício de mudança de poder como golpe, assim como Erdogan afastou juízes, proibiu a saída de professores universitários e persegue jornalistas para “proteger” o seu país de um “golpe” cujos fatos não estão muito claros, Dilma e sua turma adoram propalar para todos e, em particular, para a imprensa internacional que há um golpe no Brasil. Há até membro da turma da Dilma (a filósofa e professora da USP Marilena Chauí) que acusa Sergio Moro de ser um espião infiltrado do FBI. Claro, aos olhos dos estrangeiros menos informados que veem Lula e seu partido como os representantes do povo contra a velha elite branca machista, a explicação simples dos fatos cai como uma luva. Mas por que não ao menos considerar a perspectiva de que as instituições brasileiras passam por um amadurecimento, e a turbulência a curto prazo trará um país onde os incentivos para corrupção, principalmente de políticos, se reduzirão fortemente, com imensos benefícios a longo prazo?

Fábula do golpe ou revolução francesa à brasileira?

Tropeço na democracia


Petistas foram eficientes, sim. Na destruição.

Carlos Alberto Sardenberg observa que o PT montou sistemas ineficientes e corruptos, tanto na economia quanto nos mais simples serviços públicos. Aliás, petistas são como cupins e gafanhotos:


Quanto tempo, dinheiro, energia e criatividade o pessoal da Odebrecht gastou para montar e manter por tantos anos o tal “Departamento de Operações Estruturadas”? O sistema supervisionava, calculava e executava os pagamentos de comissões — propinas, corrige a Lava-Jato — referentes a grandes obras no Brasil inteiro e em diversos outros países. Considere-se ainda que os pagamentos deviam ser dissimulados, o que trazia o trabalho adicional de esconder a circulação do dinheiro e ocultar os nomes dos destinatários. Coloquem na história os funcionários que criavam os codinomes dos beneficiários — Casa de Doido, Proximus, O Santo, Barba Verde, Lampadinha — e a gente tem de reconhecer: os caras eram eficientes.

Nenhuma economia cresce sem companhias eficientes. Elas extraem mais riqueza do capital e do trabalho e, com isso, reduzem o custo de produção, entregando mercadorias e serviços melhores e mais baratos.

Pois o “Departamento de Operações Estruturadas” foi eficiente na geração de uma enorme ineficiência. Tudo aquilo é parte do custo Brasil — encarece as obras, elimina a competição, afasta empresas de qualidade e simplesmente rouba dinheiro público.

Há aqui dois roubos: um direto, o sobrepreço que se coloca nas obras para fazer o caixa que alimenta as propinas; o outro roubo é indireto e mais espalhado. Está no aumento dos custos de toda a operação econômica.

Na última terça, a Fundação Dom Cabral divulgou a versão 2016 do ranking mundial de competitividade, que produz em associação com o Fórum Econômico Mundial. O Brasil apareceu no 81º lugar, pior posição desde que o estudo é feito, atrás dos principais emergentes, bem atrás dos demais países do Brics.

Mais importante ainda: se o Brasil caiu 33 posições nos últimos seis anos, os demais emergentes importantes ganharam posições com reformas e mais atividade econômica. Prova-se assim, mais uma vez, que a crise brasileira é “coisa nossa”, genuína produção nacional.

Os governos Lula 2 e Dilma foram tão eficientes na geração do desastre quanto a Odebrecht com suas operações estruturadas. Uma política econômica que provoca recessão — por três anos seguidos — com inflação em alta, juros elevadíssimos e dívida nas alturas, tudo ao mesmo tempo, com quebradeira geral das maiores estatais — eis uma proeza que parecia impossível.

Para completar, a eliminação de qualquer critério de mérito na montagem do governo e suas agências arrasou a eficiência da administração pública e, por tabela, da empresa privada que tinha negócios com esse governo.

Em circunstâncias normais, numa economia de mercado, a empresa privada opera tendo como base as leis e as regulações que devem ser neutras e iguais para todos. A Petrobras precisava ter regras públicas para contratação de obras e serviços.

Em vez disso, o que a Lava-Jato nos mostrou? Um labirinto de negociações escondidas, operações dissimuladas, manipulações de lei e regras.

Às vezes, a gente pensa: caramba, não teria sido mais simples fazer a coisa legal? Sabe o aluno que gasta enorme energia e capacidade bolando uma cola eficiente e acaba descobrindo que gastaria menos estudando?

A diferença no setor público é que o estudo não dá dinheiro. A cola dá um dinheirão para partidos, seus políticos, amigos e companheiros.

Nenhum país fica rico sem ganhos de produtividade. O Brasil da era PT perdeu produtividade. Mas, pior que isso, criou sistemas ineficientes e corruptos desde os principais setores da economia — construção civil, indústria de óleo e gás — até os mais simples serviços públicos, como a concessão de bolsa-pescador ou auxílio-doença.

SOBRANDO DINHEIRO

Como o Brasil do pré-sal, a Noruega também descobriu enormes jazidas de petróleo. Também constituiu uma estatal — a Statoil — para extração e produção.

Mas os noruegueses tomaram a decisão de guardar a receita do óleo. Constituíram um fundo soberano, alimentado com os ganhos da Statoil, fundo este que passou a investir sobretudo em ações pelo mundo afora. Esses investimentos deram lucros — e este dinheiro, sim, é gasto pelo governo. E o fundão é reserva para as aposentadorias.

O fundo norueguês é hoje o maior do mundo — tem um capital investido de US$ 880 bilhões.

Já o Brasil gastou antes de fazer o dinheiro.

O pré-sal está atrasado, perdemos o boom dos preços astronômicos do petróleo e a Petrobras é a empresa mais endividada do mundo. Outro dia mesmo, vendeu um poço para a Statoil, para fazer caixa. E Dilma dizia que estava construindo o futuro. De quem? (O Globo).

Lula lá: o cerco da Lava-Jato está se fechando.

O lamaçal se aproximada cada vez mais de Lula, que é duas vezes réu na Lava-Jato. Pegue cadeia ou não, o fato é que não escapará de uma longa condenação. E vem muito mais por aí. Editorial do Estadão:


Como se estivesse sendo seguido o método da escalada hierárquica no processo de investigação e apresentação de denúncias da Operação Lava Jato e congêneres, nos últimos dias o chefão Lula da Silva tornou-se réu, pela segunda vez, e dois ex-ministros da Fazenda dos governos petistas, Guido Mantega e Antonio Palocci, tiveram prisão temporária decretada. Figuras de menor expressão política, camaradas espertos, operadores obedientes e empresários inescrupulosos, todos beneficiários do maior esquema de corrupção no governo federal de que se tem notícia no País, já estão atrás das grades. Aperta-se o cerco agora em torno dos responsáveis maiores por esse esquema que, conforme se torna cada dia mais evidente, tinha como objetivo principal financiar o projeto lulopetista de perpetuação no poder. Tudo leva a crer, diante da devastadora evidência de um conjunto probatório meticulosamente trabalhado pela polícia e pelo Ministério Público, que o Judiciário continuará condenando os larápios do dinheiro público, até esgotar o primeiro escalão dessa hierarquia de delinquentes.

O mais recente desses eventos, a prisão temporária do ex-ministro Antonio Palocci, provocou mais uma vez reações que colocam a nu as incoerências e contradições do lulopetismo e dos “progressistas” a ele atrelados, quando se trata do combate à corrupção. Como a Lava Jato se tornou símbolo da resistência à bandidagem dos maus políticos, ninguém ousa a ela se opor abertamente. Mas a cada figurão do PT que cai em suas malhas, imediatamente surgem os protestos contra o que seria uma atuação “seletiva” dos investigadores, movidos pela intenção de atingir “apenas um lado”, preservando os “outros”.

A Operação Lava Jato foi criada para investigar a prática de corrupção no governo, a partir do escândalo do petrolão, que acabou se revelando o desdobramento do mensalão, esquema que inaugurou a opção pragmática de Lula e sua tigrada de comprar apoio parlamentar para viabilizar seu projeto de poder. Nunca é demais repetir, o PT não inventou a corrupção, mas promoveu-a à condição de método de ação política. A Lava Jato, portanto, é um fenômeno da era lulopetista, e surgiu a partir do momento em que, confiantes na impunidade, PT et caterva organizaram quadrilhas para o assalto generalizado aos cofres públicos.

Assim, o PT é o “lado” que montou o propinoduto da Petrobrás e, sabe-se hoje, de praticamente todas as grandes estatais, dos fundos de pensão e até mesmo de órgãos da administração direta como o Ministério do Planejamento, onde se chegou a tungar aposentados dependentes do crédito consignado. É inevitável, portanto, que os petistas e seus associados surjam como os principais alvos do combate à corrupção. Principais, mas não únicos, porque o “outro lado” também aparece, com a frequência proporcional a seu poder para corromper e a disposição para ser corrompido, em investigações policiais.

Mas há um certo embaralhamento da questão do “nós” e “eles” que os petistas e agregados não explicam. Se é verdade que a Lava Jato é obra dos inimigos do PT, por que os petistas acusam o atual governo “golpista”, “usurpador” e “ilegítimo” de conspirar contra a operação?

A reação que manifestam mais uma vez os petistas, agora à prisão de Antonio Palocci, é perfeitamente compreensível diante do devastador efeito de mais essa ação da Lava Jato sobre a já desmoralizada imagem do PT. Palocci é um político articulado e competente que prestou relevantes serviços a seu partido, como a famosa Carta aos Brasileiros, que abriu caminho para a eleição de Lula em 2002, e teve uma atuação eficaz à frente do Ministério da Fazenda, sob Lula, e da Casa Civil, sob Dilma. Mas as abundantes evidências do tráfico de influência por ele praticado com a Odebrecht e depois com os clientes de seus serviços de consultoria revelam que seu calcanhar de aquiles é a irresistível cobiça pelo vil metal. Essa fraqueza, que não pega bem quando assola homens públicos, tem produzido efeitos devastadores quando dela trata a Lava Jato. Seja um lado ou seja outro, os delinquentes estão indo para a cadeia, purgar seus crimes.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Hillary na frente? Devagar com o andor, otimistas.

"Diz-se que Hillary deverá ganhar vantagem nas sondagens. Sou mais pessimista. A minha aposta é que o debate não terá qualquer impacto relevante. Excepto, claro, no ego de Hillary e dos seus apoiantes".  Do texto de Luís Aguiar-Conraria, publicado no Observador e reproduzido abaixo na íntegra:


Nas eleições presidenciais de 2004, eu estava nos Estados Unidos. Na altura, o confronto era entre John Kerry e George W. Bush. E, claro, toda a gente em Portugal queria que Kerry ganhasse. George W. Bush era um bronco, que todos sabiam ser incapaz de liderar um grande país. Eu, português nos EUA, não era excepção e apoiava John Kerry.

Como se de uma Super Bowl se tratasse, juntei cerca de 15 colegas do doutoramento para ver os debates. Como é evidente, na minha perspectiva imparcial, John Kerry ganhou todos. Mas, há sempre um mas, havia uma colega que achava que Bush ganhava sempre. Por coincidência, ou não, era também a única que apoiava George W. Bush. Era a nossa mascote republicana.

Lembro-me de, logo no primeiro debate, o jornalista ter pedido explicações a George W. Bush por se terem esgotado as vacinas para a gripe naquele ano. George W. Bush dedicou toda a sua resposta a explicar como era muito importante que as crianças, os velhinhos e os doentes fossem vacinados. Por isso, ele próprio tinha dispensado a sua vacina. Nada sobre as causas da falha, nada sobre o que ia ser feito para evitar situações destas no futuro, enfim nada de substancial. Apenas se limitou a dizer que, como era muito boa pessoa, não tinha levado a sua dose para que alguém que necessitasse mais não ficasse sem ela. Ia eu começar a gozar com esta (não) resposta, quando reparo que a nossa mascote republicana olhava embevecida para a televisão. Os seus olhos perguntavam: como era possível alguém não votar numa pessoa tão boa? Já quando Kerry respondeu à mesma pergunta, usando argumentos inteligíveis e falando da hipótese de trazer vacinas do Canadá, essa minha colega simplesmente desligou. Se nessa altura houvesse iPhones, com certeza que teria aproveitado a resposta de Kerry para consultar o email. O resto da história é conhecida. Bush perdeu todos os debates e, para surpresa de todo o comentariado nacional, ganhou a eleição.

Um dos meus amigos jurou que ia mudar de nacionalidade. E assim foi: quando acabou o doutoramento, foi dar aulas para uma universidade inglesa e adquiriu nacionalidade britânica. Hoje, com a saída do Reino Unido da União Europeia, quer adquirir uma outra nacionalidade europeia. Já me perguntou se conheço alguém que queira casar com ele. Assim adquire a nacionalidade portuguesa por casamento e, em troca, dará a nacionalidade britânica. Pode ser com um homem, desde que fique claro que é um casamento de conveniência sem qualquer probabilidade de consumação do acto. Se houver alguém interessada ou interessado, por favor contactem-me pelo email que vêem aí no fim do artigo.

Voltando às eleições, com a (re)eleição de Bush, percebi que não podia aplicar os nossos critérios tradicionais para avaliar as hipóteses dos candidatos do Partido Republicano. Todo aquele universo me era estranho. Lembro-me, por exemplo, de, em 2007, perguntarem aos candidatos republicanos se acreditavam no evolucionismo. Depois de John McCain ter dito que sim, que acreditava, sentiu necessidade de acrescentar que quando vê o pôr-do-sol no Grand Canyon sente a mão de Deus. Caso contrário arriscava-se a perder as bases.

Foi por esta altura que passei a seguir atentamente Ann Coulter e fiz dela a minha especialista em assuntos republicanos. Escolhi-a por diversos motivos. Tem um sentido de humor corrosivo, usa argumentos que me parecem completamente incoerentes, apesar de ser obviamente muito inteligente, tem tiradas racistas, machistas e, last but not least, é alumnada Cornell University. Ann Coulter é uma espécie de indicador avançado da retórica da direita americana. Por exemplo, já há muitos anos que defende que muçulmanos devem ser impedidos de andar de avião nos Estados Unidos. Ficou até famosa a resposta que deu a uma estudante muçulmana (Fatima de seu nome) dizendo-lhe que se não pudesse apanhar um avião que apanhasse um camelo.

Foi em meados de 2015 que publicou o livro “Adios, America: The Left’s Plan to Turn Our Country into a Third World Hellhole!”, onde abriu o caminho para o discurso anti-imigração e acusou os imigrantes latinos de serem de uma cultura onde a violação sexual é rotina. Foi Ann Coulter que, antes de ninguém, e perante a galhofa geral, previu que Trump ganharia a nomeação republicana.

Para os nossos padrões, ninguém razoável deixará de achar que Hillary Clinton ganhou, por larga margem, o debate de segunda-feira passada. Teve tiradas excelentes, mostrou um grande domínio de todos os assuntos, soube lidar como ninguém com, literalmente, várias dezenas de interrupções. A vitória foi tão clara que, no fim, Donald Trump se queixaria de lhe terem sabotado o microfone. A maestria dela já tinha ficado comprovada nos diversos debates em que participou com Barack Obama nas primárias de 2008, ganhando quase todos.

Mas a verdade é que os nossos padrões não contam. Como explica a minha especialista em assuntos republicanos, Ann Coulter, quem vota em Trump está apenas preocupado com a imigração e com os imigrantes. Mais do que ser o tema mais importante, é, simplesmente, o único relevante. Sobre esse assunto, quase nada se discutiu ontem, nem sequer se falou no muro que Trump quer construir. Na verdade, dadas as peculiaridades do sistema eleitoral americano, os Estados decisivos são a Florida, Michigan, Ohio ou a Pensilvânia. E, que eu tenha dado conta, o único candidato que falou para estes eleitores foi Trump quando se referiu aos empregos que deixaram de existir.

Veremos como evoluirão as sondagens na próxima semana. Para já, Nate Silver não consegue apontar um claro favorito, mas acha que depois da vitória no debate, Hillary deverá ganhar alguma vantagem nassondagens. Sou mais pessimista. A minha aposta é que este debate não terá qualquer impacto relevante. Excepto, claro, no ego de Hillary e dos seus apoiantes.

Ô, miséria: BC bloqueia 30,8 milhões de reais de Palocci.

Não passa dia sem escândalo da corja petista, cujo partido deveria ser erradicado, para bem dos cofres públicos e da moralidade. Vejam mais esta do pobre Palocci:


O Banco Central bloqueou R$ 30,8 milhões em contas bancárias do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci e de sua empresa, a Projeto Consultoria Empresarial e Financeira Ltda.

Em três contas pessoais de Palocci, a malha fina do Banco Central encontrou R$ 814.648,45. Na conta da Projeto, R$ 30.064.080,41.

O bloqueio ocorreu por ordem do juiz federal Sérgio Moro, no âmbito da Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato que coloca Palocci no centro de um esquema de corrupção envolvendo a empreiteira Odebrecht e propinas de R$ 128 milhões– parte desse valor teria abastecido o caixa do PT.

Palocci foi preso na segunda-feira, 26.


O juiz Moro ordenou o bloqueio de até R$ 128 milhões de Palocci e de outros alvos da Omertà.

As investigações sobre o ex-ministro, na Lava Jato, apontam que Palocci tratava com a empreiteira Odebrecht assuntos relacionados a quatro esferas da administração pública federal: a) a obtenção de contratos com a Petrobrás relativamente a sondas do pré-sal; b) a Medida Provisória destinada a conceder benefícios tributários ao grupo econômico Odebrecht (MP 460/2009) c) negócios envolvendo programa de desenvolvimento de submarino nuclear – PROSUB; d) e financiamento do BNDES para obras a serem realizadas em Angola.

A força-tarefa da Lava Jato sustenta que a atuação de Palocci e de seu ex-chefe de gabinete Branislav Kontic ocorreu mediante o recebimento de propinas pagas pela Odebrecht, dentro de uma espécie de ‘caixa geral’ de recursos ilícitos que se estabeleceu entre a Odebrecht e o PT.

Conforme planilha apreendida durante a operação, identificou-se que entre 2008 e o final de 2013, foram pagos mais de R$ 128 milhões ao PT e a seus agentes, incluindo Palocci.

“Remanesceu, ainda, em outubro de 2013, um saldo de propina de R$ 70 milhões, valores estes que eram destinados também ao ex-ministro para que ele os gerisse no interesse do Partido dos Trabalhadores.” (Estadão).

Lula, o bandoleiro chorão.

Juan Claudio Lechín, colunista do site Perú.21, diz o que o servil jornalismo brasileiro não diz sobre o tiranete Lula, que se comporta como trombadinha. Lula, diz ele, é tão inocente quanto Al Capone. Sabe das coisas:


Igual que los ladrones callejeros ampayados, “disculpe, señorita, tengo hambre, robo por dignidad”, Lula irrumpió en llanto por las acusaciones de corrupción en el caso Lava Jato. La estirpe del socialismo del siglo XXI destruye, roba, corrompe y mata, pero cuando los arrinconan se victimizan, lloran, acusan al imperialismo y enarbolan la moral. Lula no cambió el manual. Convocó a una manifestación e hizo noticia dando un discurso de lágrimas atragantadas mientras, sincronizadamente, los acólitos coreaban “¡guerrero!”, un artificio propagandístico para que sus lágrimas parecieran heroicas y no cobardes.

Lula es tan inocente como Al Capone. Fue ficha principal de los Castro desde sus inicios metalurgistas y estuvo en todo sarao internacional “anti-imperialista” que la isla hizo entonces. Fue figura y orador del Encuentro de la Deuda Externa (1985), con tres mil invitados del más alto nivel político, desde ex presidentes hasta guerrilleros. Junto al Partido Comunista de Cuba auspició el Foro de San Pablo (1990), el proyecto de la reinserción cubana en América Latina con un modelo de democracia controlada: el socialismo del siglo XXI.

El primer gran resultado fue Hugo Chávez y con dinero venezolano apalancaron las candidaturas triunfantes de Lula y Kirchner (2003), Evo Morales (2005), del nicaragüense Ortega (2006), Correa del Ecuador (2007), Lugo del Paraguay (2008) y Zelaya de Honduras (2009).

En su sollozada intervención, Lula alegó no tener dinero, aunque en Ginebra contrató a los carísimos abogados de Mike Tyson y Julian Assange (del caso Wikileaks) para levantar un caso ante las Naciones Unidas. Su gimoteo de niño maltratado tuvo también algo de cierto: ya no gozará nunca más del juguete anhelado del poder para daño de América Latina.

A trajetória de Palocci nos desvios criminosos do lulopetismo

Editorial do jornal O Globo examina o itinerário do ex-ministro Antônio Palocci na roubalheira promovida pelo lulopetismo em 14 anos de dilapidação do patrimônio público:


A prisão temporária do ex-ministro Antonio Palocci, o segundo ministro da Fazenda da era lulopetista a ser detido pela Lava-Jato — Mantega, o primeiro —, ajuda a compor um quadro amplo dos maus costumes que o PT desenvolveu no trato com o dinheiro público. Não começaram em Brasília. Vêm de muito longe os desvios neste campo; desde quando o partido começou a vencer eleições municipais e a conquistar as primeiras prefeituras no entorno da São Paulo e interior do estado.

É de 1997 a denúncia do militante e dirigente petista Paulo de Tarso Venceslau contra o amigo do peito de Lula, Roberto Teixeira, advogado e próximo do ex-presidente até hoje. Mantêm relação de compadres. Incomodado com consultorias que Teixeira oferecia a prefeituras petistas, Tarso, ainda crédulo com o PT, relatou à cúpula da legenda a preocupação com aqueles negócios.

Criou-se — por certo, a contragosto de Lula — uma comissão para examinar o assunto. Ela propôs a abertura de processo ético-disciplinar sobre o companheiro Teixeira. A Executiva Nacional acolheu a proposta, nas nada mais aconteceu. A não ser a expulsão de Paulo de Tarso, a decisão de um dos membros da comissão, Hélio Bicudo, fundador do partido, de se desligar — viria a ser um dos signatários do pedido de impeachment de Dilma — e o desgaste junto ao lulopetismo do jovem José Eduardo Cardozo, reabilitado no partido só agora, na defesa que fez de Dilma.

Essa passagem pode ser considerada a pedra fundamental de um contumaz comportamento delinquente de desviar dinheiro público para o projeto de poder hegemônico da legenda, e o enriquecimento de alguns, o que só ficaria à vista da sociedade a partir do mensalão, em 2005.

A atuação de Palocci nessa engrenagem, em investigação pela Lava-Jato, é coerente com este lado sem ética do lulopetismo, ativo há muito tempo. Médico sanitarista, prefeito competente de Ribeiro Preto (SP) — responsável pela privatização parcial da telefônica da prefeitura, algo inédito naquele tempo —, e hábil ministro da Fazenda num momento grave, no início do primeiro governo Lula, Antonio Palocci repetiria o caminho subterrâneo de muitos outros dirigentes.

Tendo assumido a coordenação da campanha de Lula em 2002, com o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André — outra história envolta em brumas —, Palocci cresceu dentro do partido e, depois, no governo.

Agora, pelas revelações da Lava-Jato, começa-se a saber como o ex-ministro passou a servir de intermediário nas sombras entre a Odebrecht e o PT. De 2008 a 2013, teriam saído do caixa dois da empreiteira para o partido R$ 128 milhões.

Já eram conhecidos os sinais de enriquecimento de Palocci. Depois que saiu do governo enxotado pela revelação do caseiro Francenildo sobre a frequência com que visitava uma casa em Brasília destinada a festas e negócios, Palocci parece ter se dedicado com afinco a consultorias, atividade que o derrubou da Casa Civil de Dilma. Sempre essas consultorias.

Palocci se junta a outros “capas pretas” petistas apanhados em delitos, além do próprio Lula: José Dirceu, Genoíno, João Paulo Cunha, Delúbio Soares, para citar alguns poucos. Tudo muito coerente com o que aconteceu em 1997, na denúncia de Paulo de Tarso Venceslau.

Felizmente, acontece um processo dialético no conflituoso relacionamento entre o PT e a democracia representativa brasileira: pressionada pelo partido, aliados e satélites, ela ganha força, cria anticorpos.

Constituição violada: impeachment implica inabilitação para funções públicas.

Em artigo publicado no Estadão, o ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro ressalta a "sanção constitucional do impeachment". Quem perde o cargo deve ser inabilitado por 8 anos, reza a Constituição. E ela deve ser cumprida:


A Constituição federal estabelece que, na hipótese de condenação do presidente da República no julgamento de impeachment pelo Senado Federal, a sanção deverá ser “a perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública” (artigo 52, parágrafo único). E a Constituição deve ser cumprida.

Aliás, a Constituição dos Estados Unidos – na qual o regime presidencialista no Brasil se inspirou desde o início da República – estabelece igualmente como consequência da condenação do presidente no julgamento do impeachment pelo Senado “removal from Office, and disqualification to hold and enjoy any Office of honor, Trust or Profit under the United States (...)” (US Constitution, Article 1, Section 3).

A sanção constitucional do impeachment é inerente à responsabilidade política do presidente pelos atos atentatórios à Constituição e às leis do País – crimes de responsabilidade –, o que implica não apenas a perda do cargo, mas também a inabilitação temporária para o exercício de função pública, pois, na verdade, foi julgado irresponsável e incapaz de exercer o cargo de presidente. Seria absoluto contrassenso admitir seu retorno de imediato a mandato eletivo ou a função com dimensão política – como ministro de Estado, secretário de Estado, etc. – logo após a condenação.

Por outro lado, o julgamento do mérito do impeachment pelo Senado – insuscetível de judicialização, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Suprema Corte dos Estados Unidos – evidentemente se refere à apuração dos fatos objeto da acusação – admitida pela Câmara dos Deputados –, à avaliação das provas e à verificação da ocorrência ou não de crimes de responsabilidade, como previstos na Constituição da República e na lei especial. A decisão definitiva de mérito do Senado pela condenação ou absolvição – esta, sim, é que é insuscetível de controle judicial – e, na hipótese de condenação, a sanção constitucional do impeachment devem ser aplicadas na sua plenitude e inteireza.

Nesse sentido, aliás, é a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Nos Mandados de Segurança 23.885-DF e 20.941-DF – relatores, respectivamente, os ministros Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence –, relativos ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, o STF decidiu que “(...) a instauração e decisão final são decisões de natureza predominantemente política – cujo mérito é insuscetível de controle judicial (...)”. E no Mandado de Segurança 34.193-DF, relativo ao processo de impeachment recentemente julgado pelo Senado, observou o relator, ministro Teori Zavascki: “(...) não há base constitucional para qualquer intervenção do Poder Judiciário que, direta ou indiretamente, importe juízo de mérito sobre a ocorrência ou não dos fatos ou sobre a procedência ou não da acusação (...)”.

Assim é que o Supremo Tribunal Federal – por ampla maioria: dez votos a um – reconheceu a sua jurisdição constitucional para julgar o Mandado de Segurança 21.689-DF, de que foi relator o ministro Carlos Velloso, impetrado pelo já então ex-presidente Collor, logo após sua condenação pelo Senado, visando a invalidar sua inabilitação para função pública por oito anos. Collor alegara, em síntese, que o processo de impeachment estaria prejudicado em razão de sua renúncia. A questão relativa à sanção constitucional do impeachment na sua plenitude, portanto, foi reconhecida como questão jurídica suscetível de controle judicial pelo Supremo Tribunal Federal, coerente com sua jurisprudência sobre o mérito do impeachment. Como observou o ministro Sepúlveda Pertence: “É verdade que, no caso presente, ataca-se a sentença definitiva do processo, em princípio imune à apreciação do Judiciário. Mas, não se lhe ataca o mérito”. E o ministro Celso de Mello asseverou que a jurisprudência do STF “jamais tolerou que a invocação do caráter político das resoluções tomadas pelas Casas Legislativas pudesse configurar (...) manto protetor de comportamentos abusivos ou arbitrários, praticados à margem da Constituição”.

O mandado de segurança foi denegado, por maioria: sete votos a quatro. O ministro Carlos Velloso ponderou que “ambas as penas deverão ser aplicadas em razão da condenação”. Invocou monografia da professora Cármen Lúcia, hoje presidente do Supremo Tribunal Federal, na qual esta afirmou: “(...) a Constituição cuidou de não apenas afastar o agente do cargo (o que não teria exequibilidade com sua anterior renúncia), mas, ainda, preocupou-se em não permitir que o poder público, por qualquer de suas funções, pudesse vir a ser, pelo período de oito anos subsequentes à condenação, tangível à mão daquele que destratou a República, lesou a ordem jurídica e afrontou o povo do Estado brasileiro”.

O ministro Sepúlveda Pertence observou que, desde a Constituição de 1934, a redação do texto constitucional tornou “imperativa a cumulação de ambas as sanções”. Mencionou, como “irretocável”, no ponto, trecho do livro Elementos de Direito Constitucional, de Michel Temer, hoje presidente da República, que diz: “A inabilitação para o exercício de função pública não decorre da perda do cargo, como à primeira leitura pode parecer. Decorre da própria responsabilização. Não é pena acessória. É, ao lado da perda do cargo, pena principal”.

E, finalmente, ponderou o ministro Celso de Mello, hoje decano da Corte: “(...) há uma única sanção constitucionalmente estabelecida, que compreende, na abrangência do seu conteúdo, a destituição do cargo com a inabilitação temporária. A unidade constitucional da sanção prevista torna-a indecomponível, incindível, impedindo, dessa forma, que se dispense tratamento jurídico autônomo às projeções punitivas que dimanam da condenação senatorial”.

Rotatividade criminosa na Casa Civil dos governos petistas

Tem razão Dora Kramer: "nunca tantos infratores ocuparam a Casa Civil como nos governos do PT". Não à toa, ficou conhecida como Casa Covil. Cinco desses ministros foram acusados e condenados ou investigador por corrupção:


O titular é a pessoa que avalia e monitora atos presidenciais – aqui incluído o exame prévio da constitucionalidade de cada um deles –, acompanha a execução de ações governamentais da Presidência e demais ministérios, supervisiona o andamento das propostas do Executivo no Congresso, passa o pente-fino em cada palavra a ser publicada no Diário Oficial, analisa o mérito dos projetos, fiscaliza o andamento das propostas, faz a interface com o Parlamento, toca, enfim, a República.

Explicito isso para que o prezado leitor e a cara leitora tenham a exata noção do que significa o posto ocupado nos governos dos variados partidos e do PT por nove titulares. Daí talvez lhes facilitem a compreensão sobre a gravidade de cinco deles serem acusados, condenados ou investigados por corrupção.

O primeiro e mais poderoso, José Dirceu, cumpriu pena em decorrência do processo do mensalão e foi preso outra vez por decisão do juiz responsável pelo caso do petrolão. Certamente sofrerá novas condenações. Dirceu é aquele cujo braço direito nos primórdios do governo de Luiz Inácio da Silva, Waldomiro Diniz, foi pego pela exibição de um vídeo em que tentava extorquir o bicheiro, dito empresário, Carlos Cachoeira.

Um tempo risonho. Franco e de alguma forma até ingênuo a julgar o que viria depois. Dirceu sucumbiu ao escrutínio do Supremo Tribunal Federal e antes sofreu a cassação do mandato na Câmara numa situação muito semelhante à de Eduardo Cunha, sendo um todo-poderoso que não resistiu aos fatos. Isso numa época em que a votação para esses casos era secreta. Deu-se um trauma no governo Lula que, para superá-lo, nomeou Dilma Rousseff, a ministra de Minas e Energia de então, para o posto. Já na ideia de construção da candidatura de uma “mulher honesta” que viria a parecer tudo menos honesta. Elegeu-se presidente e no mandato subsequente sofreu o segundo impeachment em menos de 25 anos da história brasileira. 

Em seguida a Dilma, ocupou a Casa Civil Erenice Guerra, até então o chamado braço direito dela. Não durou no cargo, do qual precisou abrir mão quando das evidências de prática de influência dela e da família no governo. Erenice hoje está na mira de Curitiba. 

Por breve período de dois meses durante a campanha eleitoral de 2010, Carlos Eduardo Esteves foi o chefe da Casa Civil enquanto Dilma cuidava da própria campanha da qual, uma vez eleita, nomeou Antonio Palocci para a Casa Civil. Isso a despeito de o personagem já ter tido várias denúncias, dentre as quais as do recebimento de propinas por causa de um repentino aumento de patrimônio e de ter, por isso, perdido o cargo de ministro da Fazenda.

Hoje Palocci está preso, sob a acusação de extorquir R$ 128 milhões da empreiteira Odebrecht. Sua sucessora, Gleisi Hoffmann, encontra-se nas malhas da Lava Jato por obra do caixa 2 da Petrobrás do qual, segundo os investigadores, teria recebido R$ 1 milhão resultante de propinas acertadas por ocasião de contratos firmados pelo governo com a Petrobrás.

Depois de Gleisi foram nomeados Aloizio Mercadante, Jaques Wagner e Eva Chiavon (militante do MST), descontada a fracassada tentativa de acolitar Lula na Casa Civil para protegê-lo da ação do juiz Sérgio Moro. Não se protegeu nem impediu abertura de procedimento por obstrução de Justiça. 

De onde é de se concluir que a Casa Civil foi tratada nos anos do PT no poder como a casa da mãe Joana.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Lula tem 10 dias para responder acusação na Lava-Jato

Custou, mas enfim o oficial de Justiça conseguiu encontrar o casal fujão, Lula e Marisa Letícia. Agora os rábulas a soldo do tiranete terão 10 dias para responder:


O ex-presidente Lula e sua mulher, Marisa Letícia, foram intimados pela primeira vez após a denúncia do Ministério Público Federal que acusou o ex-presidente de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Depois de não encontrar Lula e Marisa em sua residência em duas ocasiões, a oficial de Justiça citou e intimou ambos no último sábado após ler os termos do mandado para o caaal. A certidão, com as assinaturas do ex-presidente e de Marisa Letícia, foi anexado hoje ao processo.

A citação demorou quatro dias a ser feita devido ao desencontro entre a oficial de justiça e o ex-presidente. Na última quarta-feira, o casal não estava no local. A oficial de justiça voltou à residência do ex-presidente na sexta-feira e entregou um bilhete ao porteiro do prédio informando que retornaria no dia seguinte. No sábado, então, encontrou Lula e Marisa Letícia no prédio. Outro acusado pelo Ministério Público Federal, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também foi citado e intimado por meio de sua vizinha.

Em outros casos da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro teve dificuldade em intimar alguns dos réus, como Claudia Cruz, mulher do deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

A citação e intimação tem como objetivo avisar o réu do recebimento da denúncia e em relação ao prazo de 10 dias para que seus advogados apresentem uma resposta à acusação.

ARQUIVO X

O empresário Eike Batista, cujo depoimento foi uma das bases para a 34ª fase da Operação Lava-Jato, que teve como alvo o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu para fazer parte do processo que investiga Mantega e mais 15 como interessado. Eike lembrou que compareceu espontaneamente na Procuradoria da República no Paraná para prestar depoimentos, que vieram a fazer parte da acusação do Ministério Público Federal. (O Globo).

PSOL, o PT de ontem: um embuste ideológico.

O PSOL é uma costela do PT e tenta compatibilizar o impossível: socialismo e liberdade. Onde imperou o socialismo, a liberdade desapareceu. Como água e azeite, não se misturam, ressalta bem o artigo do historiador Ney Carvalho publicado no Instituto Liberal:


A sigla da instituição é PSOL, que representa as ideias a nortear a entidade: Partido Socialismo e Liberdade. Seu logotipo é a caricatura de um sol semirrisonho. Nasceu como costela do PT, em meio a mais uma das eternas e constantes dissidências entre grupamentos de esquerda.

No entanto, o objetivo deste artigo não é analisar as divergências ideológicas ou de ação política do esquerdismo militante. Mas exibir, em poucas linhas, a inafastável contradição histórica entre socialismo e liberdade.

Não existe nenhuma experiência de implantação do socialismo, desde a Revolução Russa de 1917, que não tenha degenerado em opressão das liberdades no território respectivo. Desde os regimes de Lênin e Stalin na própria Rússia, passando pela Cortina de Ferro estabelecida sobre a Europa Oriental após a Segunda Guerra, a China de Mao Zedong, os anos de Pol Pot no Camboja, a dinastia Kim na Coréia do Norte, a ditadura dos irmãos Castro, em Cuba e, nos dias atuais, o socialismo do século XXI na Venezuela de Chávez e Maduro. Todos esses sistemas tiveram a destruição das liberdades políticas e econômicas como ferramenta central de sua manutenção no poder.

Socialismo e liberdade são como água e óleo, não se misturam. Não há socialismo com liberdade, assim como inexiste liberdade onde o socialismo prospera.

A juventude dourada da Zona Sul do Rio de Janeiro tende a se encantar com promessas edulcoradas de que socialismo pode conviver com liberdade. O PSOL é, hoje, o centro dessa farsa. Como o próprio nome revela, é o coração de uma mentira que a história já se encarregou de desnudar.

Eleitor, o título é a sua arma.


Acordo colombiano: vitória dos narcoterroristas a serviço da ditadura cubana.

Carlos Alberto Montaner relembra a trajetória das Farc, manejadas por Fidel Castro. Que quer a ditadura cubana? Eis a resposta:


La celebración de los diálogos de paz en La Habana entre las FARC y el gobierno del presidente Juan Manuel Santos fue una excelente jugada de los comunistas colombianos y de sus camaradas cubanos.

Nunca debe olvidarse que las FARC son el brazo armado del Partido Comunista local, y que los lazos entre esta organización narcoterrorista y el régimen de los hermanos Fidel y Raul Castro data de los años 60 y nunca se han interrumpido, dado que la isla siempre fue parada y fonda para todos los grupos subversivos. Por ejemplo, dos de los hijos del comandante Raúl Reyes –liquidado en un campamento de Ecuador por la aviación de Colombia– estudiaron en Cuba, becados por la Revolución.

El escritor Juan F. Benemelis, diplomático y exmiembro destacado de los servicios de inteligencia de Cuba, cuenta en ‘Las guerras secretas de Fidel Castro (2003)’, que la contribución de Castro a la formación de las FARC fue “absoluta”.

Benemelis relata –y así fue publicado en la revista Cuba-Encuentroen un artículo escrito e investigado por Michel Suárez–, que el 17 de marzo de 1965 los hombres de Tirofijo saquearon el municipio de Inzá (Cauca), quemaron los edificios públicos y asesinaron a varios vecinos. “Dos días después –acota la publicación–, el ejército arrestó a nueve personas que habían recibido adiestramiento en Cuba”.

Pero había más: según Benemelis, el embajador cubano en Colombia, “Fernando Ravelo, logró un acuerdo entre el M‑19, el Cartel de Medellín y otros grupos guerrilleros, con el fin de que las facciones se apoyasen mutuamente”.

“Desde inicios de los ochenta se había hecho evidente —por las cartas náuticas, los diarios de navegación y los aviones que se estrellaban en Colombia— que Cuba facilitaba el tráfico transcaribeño de narcóticos. Los funcionarios colombianos comentaron por esa época que los aviones transportadores de la droga retornaban con cargamentos militares para las FARC. Para el otoño de 1981, las evidencias eran incuestionables”, alegó Benemelis.

El autor cita en la edición del 3 de agosto de 1987 del diario El Tiempo, que “varios desertores de la FARC revelaron que en varios frentes guerrilleros existían asesores cubanos. La historiadora venezolana Elizabeth Burgos cree que sí existieron negocios de narcotráfico entre Marulanda y los Castro. El ELN fue una creación cubana; pero las FARC y los paramilitares eran los que dominaban el mercado de la droga. Hubo una economía de la droga en la que La Habana participó”.

Los Castro han sido unos maestros en la estrategia de jugar simultáneamente con dos barajas. Con una de ellas el ELN –hechura total de La Habana— secuestraba en 1983 a Jaime Betancur Cuartas, magistrado y hermano del entonces presidente Belisario Betancur, y con la otra conseguía que lo pusieran en libertad.

Exactamente la misma estrategia fue utilizada con Juan Carlos Gaviria, hermano del presidente César Gaviria, secuestrado en 1996 por Freddy Geofrey Llanos (alias Santiago el Gordo). El secuestro fue resuelto por Fidel Castro y el secuestrado y siete secuestradores terminaron en Cuba, mediación por la que César Gaviria le quedó muy agradecido al dictador cubano sin percatarse de que acaso había caído en una curiosa trampa.

Como seguramente cayó el presidente venezolano Carlos Andrés Pérez en 1989 cuando, a poco de inaugurar su segundo mandato, fue secuestrado su cuñado, Norberto Rodríguez, también en Colombia, y luego resultó liberado por intercesión de Fidel Castro en ese rol de padrino que tanto disfruta el viejo comandante cubano.

En definitiva, ¿qué buscan los Castro y las FARC utilizando la capital cubana como sede de las conversaciones de paz?. Procuran, claramente, tres objetivos:

1. Pulirle la imagen a un régimen como el cubano, que en el 2013 fue descubierto enviándole de manera oculta armas y aviones a Corea del Norte en un barco detenido en Panamá.

2. Tener a los negociadores colombianos bajo la pupila y las escuchas incansables de la poderosa inteligencia cubana, tanto en la isla como en Bogotá. Esto le servía a las FARC para saber exactamente las posiciones de Juan Manuel Santos y hasta dónde estaba dispuesto a llegar.

3. Tercero, cambiar la estrategia y prepararse para tomar el poder por otros medios, con el auxilio de los experimentados operadores cubanos.

Plinio Apuleyo Mendoza, uno de los grandes escritores colombianos, lo explicó muy bien en una carta abierta dirigida a Mario Vargas Llosa publicada en El Tiempo:

“Es un triunfo de la nueva estrategia de lucha que años atrás ideara su máximo comandante ‘Alfonso Cano’ cuando debió abandonar para siempre el mito castrista de una revolución armada después de que sus tropas fueran diezmadas bajo el gobierno de Uribe”.´(Blog de Montaner).

STF bate o martelo: Narizinho e PB viram réus na Lava-Jato.

Paulo Bernardo e sua mulher, Gleisi Hoffmann, pit bull de Dilma, são réus na Lava-Jato. Ele meteu a mão no bolso dos funcionários públicos que assumiram crédito consignado; ela recebeu um milhão de reais no criminoso esquema da Petrobras. Que baixe o narizinho e perca o mandato:


A 2ª Turma de ministros do Supremo Tirbunal Federal recebeu, por unanimidade, na tarde desta terça-feira, 27, denúncia criminal contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), acusada de receber R$ 1 milhão do esquema de propinas da Petrobrás para sua campanha em 2010.

O ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento/Governo Lula), marido de Gleisi, também virou réu.

A 2ª Turma do Supremo é formada pelos ministros Teori Zavascki, relator da Lava Jato na Corte, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

A acusação contra Gleisi, no STF, tem base nas delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff. Eles revelaram que, em 2010, R$ 1 milhão do esquema de propinas da Petrobrás foi destinado à campanha eleitoral da petista ao Senado.

Paulo Bernardo já é réu em uma ação penal em curso na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, por envolvimento no suposto esquema Consist – desvios de R$ 102 milhões em contratos de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento em sua gestão. O ex-ministro chegou a ser preso pela Polícia Federal, mas o ministro Dias Toffoli, do Supremo, mandou soltá-lo.

A criminalista Verônica Sterman tem reiterado que a senadora Gleisi e Paulo Bernardo não receberam valores ilícitos nem na campanha de 2010 e nem no Esquema Consist. (Estadão).

Pondé na Transilvânia: lembrando os estoicos.

O afastamento do mundo e a busca da solidão, diz Luiz Felipe Pondé em sua coluna na Folha, "resvalam em valores positivos":


Quando você estiver lendo esta coluna estarei nalgum lugar dos Cárpatos, quase plenamente desconectado do mundo. Desde que conheci a Romênia, a Transilvânia e a cadeia de montanhas que a rasga de ponta a ponta, os Cárpatos, me apaixonei pelo país.

Seu povo, seu cenário, seu isolamento por centenas de anos, sua agonia comos comunistas, seu sofrimento ancestral sob o jugo dos turcos otomanos. País de mistérios e crenças sobrenaturais, a Romênia é mesmo um lugar de beleza ainda não devastada pelos bárbaros em férias.

Lugar ideal para quem quiser experimentar um pouco de distanciamento da vida imediata e corrida de sempre, cercado de construções medievais quase intocadas, os Cárpatos propiciam muito daquele tipo de paz que muitos buscam, mas poucos encontram.

A solidão e o isolamento são tema ancestral na espiritualidade. No cristianismo, por volta do século 2º, já temos indícios claros de homens e mulheres que buscavam o isolamento em montanhas e desertos a fim de lá enfrentarem seus demônios na busca de Deus. Esses homens e mulheres ficaram conhecidos como "monachoi", os monges do deserto.

Apesar de sermos uma espécie social e gregária, a ideia de que a solidão"cura" de algum modo é persistente ao longo dos milênios, associada ou não a conteúdos religiosos de fato. Hoje em dia, nas grandes cidades, milhares de pessoas optam por viver sozinhas, porque, simplesmente, a vida "em conjunto" exaure suas forças.

Imersos numa rede infernal de conexões, muitos de nós identificam a"recusa" do celular e das redes sociais como indício de autenticidade. Em que pese o alto índice de modismo presente em tudo que existe num mundo como o nosso - em que o marketing, passo a passo, se torna a "ciência primeira", como a ontologia (ciência do ser) era pra Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), e, portanto, nada seja autêntico, na medida em que existe uma contradição profunda entre marketing e autenticidade -, a busca de "desconexão" é verdadeira em muitos casos, devido ao cansaço que sentimos em ficarmos ligados 24 horas, sete dias por semana ("twenty four seven", como dizem os americanos).
 
Quando analisamos o comportamento de luxo em propaganda, a busca de isolamento e solidão e, portanto, um certo "desprezo" pelas redes sociais e pelo mundo sempre aparecem como índice de elegância. Por que o afastamento do mundo, um certo desprezo por ele, a busca da solidão, sempre resvala num valor positivo de algum modo?

As épocas são distintas, os problemas podem mudar, mas a ideia de que o mundo engana atravessa os séculos. Os exemplos são muitos, dos monges nas mais variadas religiões aos ativistas do Global Strike (proposta de desconexão das redes por alguns minutos e o compartilhamento do relato do que se fez nesses instantes de desconexão), passando pelo isolamento romântico, todos se cansam em algum momento.

Entre tantos exemplos, apontaria o estoicismo como um dos casos mais bem argumentados a favor do engano do mundo e do valor positivo da "fugamundi".

O estoicismo é uma filosofia que floresceu na Grécia por volta do século 3º a.C. e chegou a Roma, tendo o imperador Marco Aurélio (121 d.C.-180 d.C.)como um dos seus maiores luminares. A ética estoica buscava a consciência de que tudo na vida é efêmero e enganoso, quando negamos essa mesma efemeridade. Permanente apenas o logos, esse princípio divino, para muitos, materializado na natureza ou no cosmo. O estoico buscava fugir da cidade e viver próximo à natureza porque esta não engana, enquanto aquela abriga a mentira, a vaidade, o culto ao vazio.

"Tudo está morrendo, menos o logos presente na natureza", isso aprendemos ao convivermos com a natureza. A "pronoia", a "providência" que tudo faz acontecer e tudo ordena, nos ensina que a humildade diante do cosmo é a forma sábia de viver. A arrogância da crença em si mesmo, a vaidade da técnica, a ilusão do social, são formas enganosas, que a prática da solidão combateria.

Num mundo do sucesso e do glamour como o nosso, nunca será pouco buscar a fuga deste mesmo mundo.

Compromissos de Obama com os inimigos da liberdade deixam o mundo mais violento e perigoso

Na América Latina, a situação é ainda pior, escreve Mary Anastasia O'Grady. Sirva de exemplo o acordo do governo colombiano com os terroristas das Farc, que prevê a realização de um plebiscito no próximo dia 2 de outubro. A consulta popular sobre o acordo de Santos com os facínoras é pouco transparente, além de inconstitucional. Agrada apenas a "criminosa família" dos Castro:


La paradoja de la política de relaciones exteriores del presidente de EE.UU., Barack Obama, es que sus compromisos con los enemigos de la libertad en busca de la paz están dejando al mundo más violento, polarizado y peligroso. Esto es especialmente cierto en América Latina.

El 2 de octubre, Colombia realizará un consulta popular en la que los ciudadanos tendrán la oportunidad de aprobar o rechazar un acuerdo entre el gobierno del presidente Juan Manuel Santos y las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC), un grupo designado por el Departamento de Estado de EE.UU. como una organización terrorista. El acuerdo, respaldado por el presidente Obama, les otorga amnistía a las FARC por sus crímenes de guerra, que incluyen el reclutamiento de miles de niños soldados, masacres de pueblos, asesinatos políticos, bombardeos y secuestros.

Bajo el pacto, negociado y firmado en La Habana, las FARC también recibirán escaños en el congreso sin necesidad de someterse a elecciones y beneficios sociales. El grupo recibirá también decenas de estaciones de radio con el fin de que pueda diseminar su propaganda, unprivilegio que no tiene ningún otro partido político.

El acuerdo no requiere que las FARC paguen ninguna reparación financiera a sus víctimas, a pesar de que los capos narcoterroristas tienen un patrimonio estimado en los miles de millones de dólares. Las reparaciones serán pagadas por ciudadanos que respetan la ley a través de aumentos significativos de los impuestos. Las FARC han dicho que no entregaran sus armas hasta que todo esté listo. Entre tanto, recibirán armas y capacitación para hacer cumplir el acuerdo.

¿Qué podría salir mal?

Pregúntele a los cubanos que han tenido que aguantar las consecuencias de otro proyecto con el que Obama busca cimentar su legado: la decisión en 2014 de normalizar las relaciones con la dictadura militar y aumentar el intercambio económico de EE.UU. con la isla. Desde entonces, la represión en Cuba se ha disparado, y el gobierno se ha vuelto más audaz en sus actividades conjuntas con estados peligrosos como Corea del Norte.

Venezuela es también más brutal desde que Obama intentó mejorar las relaciones con Hugo Chávez en 2009. Recientemente, el Departamento de Estado ha pasado meses titubeando sobre “diálogos” entre la asediada oposición y el régimen militar del país respaldado por Cuba, cuando Washington pudo haber estado aumentando la presión internacional para un regreso a la democracia.

El apoyo de Obama al acuerdo entre Colombia y las FARC completa la trifecta latinoamericana. En 2009, Colombia estaba unida contra las FARC y celebrando su casi derrota en el campo de batalla liderada por el presidente Álvaro Uribe Vélez.

Ahora el país está siendo dividido por la firma del acuerdo, que es prácticamente una rendición, y por tácticas de intimidación maliciosas del gobierno diseñadas para silenciar a quienes disienten y obligar a los colombianos a tragarse el pacto. El presidente Santos está abiertamente comprando votos al prometer a poblaciones alrededor del país de que si votan por el “sí” canalizará fondos del gobierno a sus municipios. Puede que el mandatario tenga suficientes trucos electorales bajo la manga para producir una declaración de victoria oficial. Pero solo un tonto creería que producirá la paz.

Los colombianos no confían en Santos porque el presidente tiene problemas para cumplir su palabra, decir la verdad y ajustarse a la ley. He sido testigo de primera mano de esto.

Hablé por teléfono con él en septiembre de 2012, justo después de que filtraciones de prensa lo obligaron a admitir que había estado negociando con las FARC en Cuba por casi un año. Había promedio públicamente que nunca negociaría hasta que las FARC dejaran las armas.

En nuestra conversación telefónica, dijo que cualquier acuerdo con las FARC estaría sujeto a aprobación de los colombianos en un referendo. Este proceso, como se define en Colombia, consistiría de varias preguntas para permitir que el electorado rechazara aspectos del acuerdo.

Pero cuando el presidente se dio cuenta de que si los colombianos tenían el poder de decidir sobre su propio destino, no aceptarían las exigencias de las FARC, incumplió su promesa. El mandatario anunció que en su lugar realizaría un plebiscito con una sola pregunta a favor o en contra de la totalidad del acuerdo.

Dada su amplia impopularidad, era poco probable que el plebiscito de Santos obtuviera el 50% de participación necesario para ser válido. Así que realizó otro truco al lograr que el Congreso colombiano redujera el umbral de participación necesario a 13%.

La Corte Constitucional, que se inclina hacia la izquierda, permitió todo esto. Pero también dijo que la pregunta de la consulta no podía ser redactada en términos de votar a favor o en contra del acuerdo de paz. Santos respondió que podía hacer la pregunta como quisiera.

El acuerdo consta de 297 páginas y no es especulación sugerir que pocos colombianos lo leerán. En lugar de eso, tendrán que responder a la pregunta de “¿Apoya usted el acuerdo final para la terminación del conflicto y la construcción de una paz estable y duradera?”. Como lo ha observado el ex viceministro de Justicia Rafael Nieto, la redacción viola directamente la orden de la Corte Constitucional. También evita mencionar tanto a las odiadas FARC como al poco popular Santos. Tal vez más indignante es el hecho de que engaña al púbico sobre las posibilidades de paz, porque los disidentes de las FARC, sus socios delincuentes en el negocio del narcotráfico y el otro grupo guerrillero, el ELN, seguirán activos.

La familia criminal de los Castro quiere a toda costa este acuerdo, lo cual puede ser la única forma de explicar por qué Obama quiere ponerle el sello de aprobación de EE.UU.