segunda-feira, 24 de abril de 2017

Eleições na França: a ilusão pós-nacional.

Brilhante artigo do professor João Carlos Espada sobre as eleições francesas, que demonstraram a persistência do Estado-nação e do "sentimento nacional", tão repudiado pelo racionalismo dogmático: "a democracia liberal", ressalta ele, "não pode nem deve ignorar o sentimento nacional. Os partidos centrais da democracia francesa, agora seriamente enfraquecidos, fariam bem em refletir sobre este tema":


No rescaldo da primeira volta das perturbantes eleições presidenciais francesas de ontem, limito-me por agora a salientar dois aspectos:

Em primeiro lugar, os dois partidos centrais da democracia francesa — os Republicanos, ao centro-direita, e os Socialistas, ao centro-esquerda — ficaram em ruínas. Nenhum dos seus candidatos estará na segunda volta. Em conjunto, não terão alcançado 30% dos votos. Isto merece uma análise ponderada, pois terá necessariamente consequências muito sérias para a democracia em França. E deve ser olhado em perspectiva comparada com o que sucedeu no Reino Unido e nos EUA.

No Reino Unido, uma ruptura política radical — a decisão de sair da UE — não afectou a solidez dos partidos tradicionais. O partido político que associou essa decisão a uma revolta popular contra “o sistema” — o Ukip de Nigel Farage — tem hoje 7% nas sondagens e não detém neste momento nenhum deputado no Parlamento britânico (o único que tinha acabou de se demitir).

No caso dos EUA, a vitória presidencial de Donald Trump ocorreu em simultâneo com uma muito expressiva vitória dos candidatos republicanos nas duas Câmaras do Congresso e na maioria dos estados. Mas a candidatura de Donald Trump não recebera o apoio da maioria dos congressistas e governadores republicanos entretanto reeleitos. Isso significa que, à semelhança do que ocorrera no Reino Unido, uma ruptura política radical — a eleição de Trump — não conseguiu abalar os partidos tradicionais.

Em França, pelo contrário, não apenas um, mas os dois partidos centrais foram eclipsados. Simultaneamente, e este é o segundo aspecto que gostaria de sublinhar, o apagamento dos partidos centrais em França ocorreu numa campanha eleitoral dominada pelo sentimento nacional. Pelo menos oito, talvez mesmo nove, dos onze candidatos centraram a sua mensagem, de uma maneira ou de outra, na restauração da identidade e da soberania gaulesas.

O fenómeno parece acompanhar o que terá sucedido noutros lugares: no referendo britânico de Junho passado, centrado na restauração da soberania do Parlamento nacional; na campanha de Donald Trump nos EUA; nas turbulentas eleições da Holanda em Março; e certamente também no discurso político crescentemente dominante em vários países da Europa central e oriental. Como interpretar este regresso do sentimento nacional ao núcleo das paixões políticas de democracias liberais desenvolvidas e abastadas?

Para iniciar a reflexão sobre esta pergunta crucial, recomendo vivamente a leitura da mais recente “Seymour Martin Lipset Lecture on Democracy in the World”, acabada de publicar na edição de Abril do Journal of Democracy. Ghia Nodia, um respeitado académico da Geórgia, desenvolve aí uma profunda e muito estimulante reflexão sobre a relação entre o sentimento nacional e a democracia.

O ponto de partida de Nodia é muito saudável: ele confronta as teorias dominantes sobre o chamado “nacionalismo” com os factos. Recorda, em primeiro lugar, que no século XIX o sentimento nacional esteve sobretudo associado ao crescimento da ideia de auto-governo democrático; em segundo lugar, que a resistência ao comunismo soviético esteve sempre associada ao sentimento nacional dos povos da Europa central e oriental; e, como referi acima, que o sentimento nacional parece estar de volta em democracias liberais tão desenvolvidas como o Reino Unido, os EUA, a Holanda e a França.

Os factos parecem por isso indicar uma séria dificuldade nas teorias dominantes sobre a obsolescência do Estado-nação e do sentimento nacional. De acordo com essas teorias, o Estado-nação estaria condenado a desaparecer, sobretudo devido à globalização e ao alegado atavismo do sentimento nacional. No entanto, as previsões dessas teorias parecem estar a ser refutadas pelos factos. Porquê?

Uma profunda razão filosófica, que não é possível discutir neste espaço, prende-se com o equívoco do Iluminismo continental. Ghia Nodia correctamente observa que houve vários Iluminismos, uns mais sóbrios do que outros. Mas, no continente europeu, foi sobretudo o Iluminismo francês (a que Karl Popper chamou de racionalismo dogmático) que perdurou. Esse racionalismo dogmático (por contraposição ao racionalismo crítico, de base céptica e experimental) acredita que sabe, sem saber que acredita. Aspira por isso a eliminar todas as tradições que não possam ser geometricamente demonstradas e a desenhar um mundo novo através da chamada engenharia social.

Para este racionalismo dogmático (a que F.A. Hayek também chamou “racionalismo construtivista”), o sentimento nacional é certamente uma das expressões primordiais (a par da religião) de tradições que não podem ser demonstradas geometricamente. Isto explica por que motivo o racionalismo dogmático gera uma profunda hostilidade contra o sentimento nacional, bem como contra o sentimento religioso. Em contrapartida, essa hostilidade racionalista em regra produz uma reacção crispada dos sentimentos nacional e religioso — gerando aquilo que Tocqueville designou por “estéril conflito entre revolução e contra-revolução”.

Em segundo lugar, existe um erro mais prosaico na hostilidade do racionalismo dogmático contra o sentimento nacional: o racionalismo dogmático ignora o papel crucial do sentimento nacional na viabilização da democracia liberal (ou constitucional). Sem sentimento de pertença a um todo superior às partes — em regra, o todo nacional — não é possível auto-governo em liberdade: as minorias tenderão a não aceitar as vitórias eleitorais das maiorias; as maiorias tenderão a perseguir as minorias.

Por outras palavras, é em última análise o sentimento nacional partilhado que viabiliza o princípio demo-liberal do “governo da maioria, direitos das minorias.” Esta razão (que, como vimos, não é a única) seria suficiente para concluir que a democracia liberal não pode nem deve ignorar o sentimento nacional. Os partidos centrais da democracia francesa, agora seriamente enfraquecidos, fariam bem em reflectir sobre este tema. (Observador).

Corrupção é resultado do estatismo expandido por Lula

Editorial do Estadão afirma que a corrupção só atingiu esse nível em razão da expansão estatal promovida por Lula. De fato, "quanto maior o Estado, maiores as oportunidades de assaltá-lo – especialmente quando se tem na Presidência alguém que, como Lula, não diferencia o público do privado":


Levou mais de uma década, mas finalmente alguns dos simpatizantes petistas que morriam de amores por Lula da Silva começam a perceber que seu guru talvez não seja, como diz, a “viva alma mais honesta deste país”. Intelectuais que ainda festejam o chefão do PT como o mágico que, da noite para o dia, “fez o pobre viajar de avião” e “o filho da empregada entrar na universidade” estão sendo obrigados a admitir uma certa decepção com Lula, especialmente depois dos depoimentos da Lava Jato que expuseram as relações promíscuas entre ele e os principais empreiteiros do Brasil.

É espantoso que pessoas com relativo preparo acadêmico tenham demorado tanto para perceber aquilo que a maior parte dos brasileiros, inclusive os de poucos estudos, já sabe pelo menos desde 2005, quando estourou o escândalo do mensalão. Já naquela oportunidade foi necessário um grande esforço de negação da realidade para não admitir que o PT não tinha a pureza ética que apregoava ter. Também era necessária uma boa dose de ingenuidade para acreditar em Lula quando ele dizia nada saber sobre a compra de parlamentares em troca de apoio no Congresso e alegava ter sido “traído”.

Nem mesmo a prisão de alguns dos principais companheiros de Lula em razão do escândalo foi capaz de despertar a consciência desses intelectuais. Eles passaram, pelo contrário, a dizer que José Dirceu e os tesoureiros petistas colocados na cadeia eram “guerreiros do povo brasileiro” e “presos políticos”. E passaram a cerrar fileiras com Lula na tarefa de convencer os brasileiros de que o mensalão não havia sequer existido.

Veio então a Lava Jato, que desmontou o espetacular esquema de corrupção do PT e de seus associados para dilapidar o Estado. O mensalão havia sido apenas um ensaio do grande assalto. Quase nenhuma área importante da máquina pública ficou imune à pilhagem. Como resultado, mais petistas foram para a cadeia e começaram a surgir informações de que Lula talvez tivesse sido beneficiado pessoalmente pelo propinoduto.

Foi o bastante para que uma onda de indignação tomasse intelectuais e artistas, empenhados em assinar diversos manifestos em desagravo a seu grande líder. A acusação, invariavelmente, era de que a “República de Curitiba”, em referência à força-tarefa da Lava Jato, só tinha um objetivo: alijar Lula da corrida presidencial de 2018, para impedir a volta do projeto “popular” de governo depois do “golpe” que derrubou a presidente Dilma Rousseff. O último manifesto dessa turma, aliás, dizia que foi Lula quem “deu significado substantivo e autêntico à democracia brasileira” e que somente ele seria capaz de “garantir ao povo brasileiro a dignidade, o orgulho e a autonomia que perderam”.

Enquanto isso, mais e mais evidências de que Lula recebeu favores de empreiteiros desafiavam a versão segundo a qual as suspeitas que pesavam sobre o petista eram apenas parte de um novo “golpe”. Veio então o depoimento de Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira que leva o nome da família, que contou detalhes sobre seu relacionamento com Lula desde os anos 70.

A revelação de que é antiga, calorosa e proveitosa a relação de Lula com a empreiteira que está no centro do maior escândalo de corrupção da história brasileira parece ter sido demais mesmo para os mais dedicados lulistas. Alguns já anunciaram ruptura total; outros apenas ensaiam um discurso para salvar as aparências depois de décadas reverenciando o mito agora questionado. Estes últimos dizem que estão decepcionados com Lula porque ele se deixou levar pelas benesses do poder, mas ainda defendem o petista como o “melhor presidente” do País por seu espírito estatizante.

Ora, não é preciso ser um grande pensador para saber que a corrupção que tanto decepciona esses intelectuais só atingiu o atual nível em razão justamente da expansão da máquina estatal promovida por Lula. Quanto maior o Estado, maiores as oportunidades de assaltá-lo – especialmente quando se tem na Presidência alguém que, como Lula, não diferencia o público do privado.

Herança maldita do lulopetismo: fundos de pensão têm rombo de R$ 70 bilhões.

Previ, do Banco do Brasil.
Os participantes dos fundos estão preocupados com a explosão ocorrida nos últimos anos - prejuízos gerados nos governos Lula e Dilma, populistas que destruíram a economia do país:


Os fundos de pensão fecharam 2016 com rombo de R$ 70,6 bilhões, segundo levantamento da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), o xerife do setor. O dado preocupa por causa da rápida expansão do déficit do sistema, que subiu 700% em quatro anos – em 2012, o buraco era de R$ 9 bilhões. O rombo subiu para R$ 21 bilhões em 2013 e para R$ 31 bilhões no ano seguinte. O déficit atingiu seu ápice em 2015, quando somou R$ 77,8 bilhões. 

A indústria dos fundos de pensão é composta por 307 entidades, que administram 1.137 planos de benefícios. Juntas, elas detêm quase R$ 800 bilhões em investimentos, que representam 12,6% do PIB nacional. São 7,2 milhões de associados, entre participantes que estão na ativa, dependentes e assistidos.

Um plano de aposentadoria registra déficit quando os ativos não são suficientes para pagar os benefícios previstos até o último participante vivo do plano. A nova regulação não exige o equacionamento de todo o déficit. A norma em vigor permite que planos com população mais jovem tenham mais tempo para administrar os desequilíbrios. Para cobrir o déficit, participantes e patrocinadores precisam injetar mais dinheiro nos planos por meio de contribuições extras.

Fundo de pensão é uma poupança formada por trabalhadores de uma mesma empresa com a finalidade de complementar a aposentadoria. O dinheiro é gerido por um colegiado com representantes indicados pelas empresas e pelos trabalhadores. Os maiores fundos são de empresas estatais, criados há mais tempo. 

Dez planos concentram 88% do déficit de todo o sistema. Dos maiores, apenas a Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) já informou que fechou 2016 com superávit de R$ 2 bilhões. Os balanços da Petros (Petrobrás), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios) ainda não foram divulgados, mas o Estado apurou que o déficit das três fundações somado deve ultrapassar R$ 30 bilhões. Entre participantes que ainda estão trabalhando, dependentes e assistidos, as três têm mais de um milhão de associados. 

Ápice. O novo diretor-superintendente da Previc, Fábio Coelho, afirma que o “ápice” do déficit do segmento foi verificado em dezembro de 2015, quando bateu na ordem de 9% do total dos ativos. “A tendência é que nos próximos meses tenhamos uma redução maior”, afirma, em sua primeira entrevista exclusiva. Os elementos que devem contribuir para essa reversão, segundo ele, são a inflação mais controlada, a retomada da atividade e o comportamento mais benigno da Bolsa. “Nossa expectativa é que 2017 seja um ano de transição tanto do ponto de vista da mudança da supervisão como também da retomada dos ativos”, diz.

Coelho afirma que grande parte dos rombos registrados nos últimos anos teve origem em “agendas econômicas”: “Ao mesmo tempo em que o passivo aumentou por conta da longevidade e por pressões inflacionárias, tivemos também uma redução dos ativos por conta da recessão econômica e de investimentos não ‘performados.” 

Conselheiros que representam os participantes, porém, afirmam que os prejuízos também foram causados por investimentos que eram considerados apostas nos governos Lula e Dilma, como Sete Brasil, Invepar e Oi. Na visão deles, os governos anteriores pressionaram as entidades a dividir o risco desses projetos e deixaram aos participantes os prejuízos. 

Casos de fraude e má gestão motivaram a criação de uma CPI na Câmara dos Deputados para apurar irregularidades dos fundos ligados às estatais. O relatório final apontou prejuízos de R$ 6,6 bilhões causados por má gestão, fraudes e ingerência política nos quatro maiores fundos de pensão das estatais. Abastecida de informações da própria Previc, a Polícia Federal já deflagrou duas fases da Operação Greenfield, que investiga supostos desvios nessas fundações.

“A fotografia do nosso sistema continua sendo favorável. Esses são casos fora da curva, casos de polícia, que precisam ser investigados e punidos”, afirma Luís Ricardo Marcondes Martins, presidente da associação que representa o setor (Abrapp): “Um sistema que paga R$ 12 bilhões de benefícios por ano não admite amadorismos”. (Estadão).

Metade dos franceses votou contra a União Europeia e o Euro

Em artigo publicado pelo Observador, Rui Ramos constata um dado inquietante para os franceses e os europeus em geral: a França está tão dividida sobre a questão europeia quanto o Reino Unido no ano passado. Derrotada a esquerda e os partidos tradicionais, a "classe trabalhadora" votou em Le Pen, enquanto a elite ficou com Macron. Qualquer que seja o vencedor no segundo turno, será difícil que seja "um presidente efetivo":


Esta primeira volta das eleições presidenciais não trouxe boas notícias para a Europa da integração. Com Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon , mais de 40% dos eleitores franceses manifestaram-se contra o euro e a União Europeia: quase tantos como os que, através de Emmanuel Macron, François Fillon e Benoit Hamon, se manifestaram a favor. A França revelou-se tão dividida acerca da questão europeia como o Reino Unido estava o ano passado, aquando do Brexit. Mas no Reino Unido, os partidos tradicionais mantiveram a iniciativa política (o Brexit é conduzido pelo Partido Conservador, não pelo UKIP), enquanto em França, os grandes partidos do regime, representados por Fillon e Hamon, ficaram pela primeira vez ambos de fora de uma segunda volta das presidenciais.

O problema, porém, não é apenas a marginalização dos gaullistas e dos socialistas. O maior problema é que nem Emmanuel Macron, o europeísta, nem Marine Le Pen, a anti-europeísta, são uma verdadeira alternativa. Macron é apenas o cartaz de ocasião, calculado para agradar ao eleitorado, da elite de diplomados das grandes escolas que domina o regime. Não é de direita nem de esquerda. Acha que tudo tem um lado positivo e negativo: o dirigismo estatal e o mercado livre, o proteccionismo e a globalização… Macron é como se a França tivesse chegado finalmente, com vinte anos de atraso, à década de 1990 de Bill Clinton, Tony Blair e Gerhard Schroeder. A esse respeito, foi interessante constatar que a velha Terceira Via consubstancia, hoje, o europeísmo, como se viu pelo entusiasmo com que o porta-voz de Angela Merkel logo desejou boa sorte a Macron.

Enquanto Macron é o candidato favorito dos quadros superiores, Marine Le Pen é a candidata favorita da classe trabalhadora. Le Pen vai apelar aos “patriotas” contra um “sistema” rendido à “globalização selvagem”. Mélenchon, pela extrema-esquerda, quis explorar a mesma vaga anti-euro e anti-globalização. Mas a direita nacionalista é mais coerente e completa do que a esquerda internacionalista nessa guerra, porque rejeita toda a livre circulação, não só a de bens e de capitais, mas também a de pessoas. Em 2002, a “disciplina republicana” mandou toda a gente votar em Chirac contra o pai Le Pen. A filha Le Pen, com alguma razão, espera que essa disciplina não funcione agora. Como podem os conservadores que apoiaram Fillon (20%) votar num crente do progressismo urbano? Como podem os esquerdistas revolucionários que seguiram Mélenchon (19%) entusiasmar-se com um fanático do euro e da globalização? Na noite eleitoral, Mélenchon recusou-se, aliás, a apelar ao voto em Macron, para gáudio dos comentadores da Frente Nacional.

Um deles, Macron ou Le Pen, vai ser presidente. É mais duvidoso que qualquer deles consiga ser um presidente efectivo. As eleições de 11-18 de Junho podem impor logo ao vencedor das presidenciais a coabitação com uma maioria parlamentar hostil ou desconfiada. É muito difícil que o novo partido de Macron, En Marche, ou a Frente Nacional, sempre bloqueada pelo cruzamento de votos da esquerda e da direita “republicanas”, consigam impedir isso. Pelo seu lado, Le Pen tornou ainda mais complicada uma sua hipotética vida presidencial, ao prometer que se demitiria se perdesse um referendo sobre a saída do euro.

As elites do regime não estão rendidas. Ninguém à direita sonha submeter-se ao clã Le Pen. Muitos, à direita e à esquerda, podem prestar-se a colaborar com Macron, mas nesse caso o novo presidente terá uma maioria de gente em que não pode confiar e em que muitos estarão a trabalhar para o substituir. Alguma vez Manuel Valls ou Nicolas Sarkozy se conformarão com a chefia de um banqueiro de 39 anos que desembarcou na política há três anos?

A vantagem dos europeístas é apenas esta: os anti-europeístas, divididos entre Le Pen e Mélenchon, não se conseguirão unir, enquanto apesar de tudo os europeístas de direita e de esquerda talvez possam colaborar. Mas isso não quer dizer que consigam dar à França, com Macron, o governo de que precisa um país economicamente estagnado e em estado de sítio.

domingo, 23 de abril de 2017

Maduro está com os dias contados

O tirano Nicolás Maduro e o chavismo cairão se os venezuelanos continuarem tomando as ruas. Acabarão triunfando, como aconteceu na Ucrânia, lembra Carlos Alberto Montaner:


Maduro y el chavismo caerán, pero no por su propio peso, sino por el esfuerzo de sus adversarios. El síntoma inequívoco está en esos millares de jóvenes venezolanos dispuestos a enfrentar a las fuerzas represivas. Los venezolanos menores de 25 años no conocen otro régimen que el confuso guirigay chavista. Si persisten, acabarán por triunfar, como sucedió en Ucrania.

Los estados totalitarios tienen un tiempo crítico de gestación. Las revoluciones no se pueden hacer en cámara lenta y el manicomio venezolano fue inaugurado en 1999, hace 18 años. Las ingenuas ilusiones de aquel instante fueron progresivamente aplastadas bajo el peso de una nefasta experiencia gerencial que ha destruido al país trenzada con la corrupción, el narcotráfico y la idiotez.

El tiempo es un factor crítico. Cuando las revoluciones comienzan cuentan con muchos adeptos y con la curiosa expectativa del conjunto de la población, pero los caudillos totalitarios saben que deben actuar rápidamente porque la luna de miel será corta. Lenin tomó el poder en octubre de 1917 y antes de los dos años ya había echado el cerrojo. A Fidel Castro sólo le tomó 18 meses apoderarse de todos los medios de comunicación, de la enseñanza privada y de las grandes y medianas empresas.

Probablemente Hugo Chávez tuvo que someterse a otro calendario por la forma en que tomó el poder y porque hizo redactar una Constitución garantista con bastantes elementos de la democracia liberal. Enterró un texto “moribundo”, pero parió otro que hablaba de separación de poderes y de libertades, y que dejaba la puerta abierta a la insurrección en caso de que la estructura republicana estuviera en peligro.

¿Cómo se sostiene Nicolás Maduro pese al manifiesto rechazo popular al régimen?

Su poder se fundamenta en la capacidad represiva del régimen y ésta, a su vez, depende de la información que recibe y del daño que les puede infligir a quienes no obedecen. De ahí la importancia del terror. El sistema juega con la ilusión de que conquista el corazón de los ciudadanos, pero no es verdad. Se trata de apoderarse de las vejigas de los súbditos. La intención es que se orinen de miedo.

Como se sabe, la información es poder. Maduro tiene acceso a los informes de la inteligencia cubana, organismo dedicado a explorar la vida y milagro de las personalidades venezolanas –opositores y chavistas–, especialmente de quienes merodean el poder y tienen la posibilidad potencial de descabezar al gobierno, sustituirlo y darle un vuelco instantáneo a la situación política.

Luego viene la represión. Los servicios cubanos aprendieron de la Stasi alemana, madre y maestra de la represión, que basta un 0.5% de la población para manejar a cualquier sociedad en la que, además, el gobierno controle férreamente los tribunales y el aparato propagandístico para construir el relato que le permita perpetrar cualquier canallada.

¿Cómo llegaron los soviéticos y los alemanes a ese porcentaje? Según la leyenda, la cifra surge de la observación de los rebaños ovinos hecha por la eficiente policía política zarista: la temible Okhrana. Bastaba un perro feroz para mantener a raya a 200 temblorosas ovejas. Entre sus actividades estaba, fundamentalmente, la información, la desinformación, la penetración y la disgregación del enemigo.

En Alemania Oriental apenas necesitaron ochenta mil personas para sujetar a 16 millones de aterrorizados súbditos. En Cuba son unas cincuenta y cinco mil para 11 millones. En Venezuela se trataría de 150,000 personas dedicadas a maniatar a casi 30 millones.

Sin embargo, en Venezuela no alcanzan, y ahí está “el bravo pueblo” en las calzadas y plazas para demostrarlo. Maduro quiere armar una milicia de un millón de paramilitares. ¿Para qué? Porque no se fía de las Fuerzas Armadas. Esas milicias son para evitar que un día algunos militares se cansen de su incompetencia y de sus necedades, como hicieron con el general Juan Velasco Alvarado en Perú, aunque, en su caso, tal vez termine en un avión rumbo a Cuba, rodeado de los handlers del G-2 isleño, que lo manejaban como a una marioneta inepta que hablaba con los pajaritos y bailaba salsa en medio del naufragio.

La hambruna está a la vuelta de la esquina por la falta de dólares para importar alimentos. La catástrofe es mucho peor en sociedades urbanas, como la venezolana, en las que el 78% de la población carece de habilidades campesinas. Súmese a este cuadro la falta de medicinas, de insecticidas, y de todos los factores que mantienen a raya las enfermedades. El resultado es obvio: Venezuela se hunde si Maduro continúa instalado en Miraflores. Todos los venezolanos, incluso los chavistas, saben que tiene que irse.

Macron terá uma vitória de Pirro. Só adiará a chegada da direita ao poder.

R. A., do blog português Blasfémias, afirma que o candidato centrista Emmanuel Macron certamente vencerá as eleições na França, mas será um presidente fraco, pois não tem partido e terá que negociar tudo passo a passo. Sua vitória, diz o blogueiro, apenas adiará "um desenlace fatal da vitória da extrema-direita". O terrorismo e o conflito político persistirão:


É bem provável que Emmanuel Macron ganhe, à segunda volta, as presidenciais francesas. Apesar do voto em Mélenchon e em Fillon não ser automaticamente transferível para o ex-ministro socialista, até porque, sobretudo no primeiro dos dois candidatos votaram eleitores sociologicamente muito mais próximos de Le Pen, o elevado índice de rejeição à líder da FN deverá ser suficiente para que ela perca estas eleições. Esta será, porém, uma vitória de Pirro, que poderá não ter outro efeito que não seja o de adiar, por cinco anos, um desenlace fatal da vitória da extrema-direita. 

Os sinais disso são claros. Primeiro, já nestas eleições, 41,2% dos franceses votou contra a União Europeia e não se antevê que a União lhes venha a dar motivos para reverem a sua posição, num futuro próximo. Segundo, porque a islamização de França, onde reside a origem do terrorismo que tem assolado o país, não se resolve com «políticas» de imigração ou outras, porque o tempo para isso já lá vai. Hoje, a comunidade muçulmana francesa é gigantesca, não se acultura, cresce enormemente e continuará a querer ver o Islão implantado nas terras gaulesas. O fim do terrorismo nesse país é uma distante miragem. Por fim, porque Macron, sendo eleito, será um presidente sem partido, o mesmo é dizer, sem exército, que terá de negociar, a par e passo, qualquer medida estrutural que pretenda pôr em marcha. 

Ora, com um Partido Socialista à beira da destruição e com a Frente Nacional a ultrapassar a direita republicana clássica, não se imagina que o sistema partidário se submeta ao novo presidente, que tratará de desgastar o mais que puder. E como Marcon não é, seguramente, de Gaulle, será no quadro da V República que o próximo presidente será eleito. Daqui por cinco anos, com mais terrorismo, mais contestação europeia e mais conflitualidade política. Não vai dar bom resultado.

O centrista Macron e a direitisa Le Pen disputarão o segundo turno

Pesquisas de boca de urna dão vitória ao candidato centrista Emmanuel Macron e à candidata da direita (sempre chamada de extrema-direita pela imprensa esquerdista). Pelo que já se vê, será o fim da V República, criada nos anos 50 do século passado. A derrota dos socialistas significa, enfim, que a burocrática e esquerdista política francesa pode mudar de rumo, passando por uma atualização sempre adiada:


O ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, do movimento En Marche! (social-liberal), teria vencido neste domingo, 23, o primeiro turno das eleições presidenciais na França. Considerada favorita durante grande parte da campanha, a eurodeputada Marine Le Pen, do partido nacionalista Frente Nacional (extrema direita), acabou em segundo lugar, segundo o instituto Ipsos.

Ambos encerraram a hegemonia de socialistas e republicanos, que durante 36 anos se alternaram no Palácio do Eliseu, e disputarão o segundo turno em 7 de maio. 

O ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, do movimento En Marche! (social-liberal), teria vencido neste domingo, 23, o primeiro turno das eleições presidenciais na França. Considerada favorita durante grande parte da campanha, a eurodeputada Marine Le Pen, do partido nacionalista Frente Nacional (extrema direita), acabou em segundo lugar, segundo o instituto Ipsos.

Ambos encerraram a hegemonia de socialistas e republicanos, que durante 36 anos se alternaram no Palácio do Eliseu, e disputarão o segundo turno em 7 de maio. 

As primeiras projeções de boca de urna divulgadas às 20h – 15h de Brasília – indicam que Macron terá em torno de 23,7% dos votos. Com 21,7%, Marine Le Pen, que dominou as pesquisas em 2016 e no início de 2017, acabou vencendo o conservador François Fillon, do partido Republicanos. A disputa, apertada como previam as sondagens, segue m aberto pelo terceiro lugar, disputado entre o conservador e o radical de esquerda Jean-Luc Mélenchon, do movimento França Insubmissa, ambos com 19,5% dos votos.

O cenário final ficou de acordo com as projeções de institutos de pesquisa, que nas últimas duas semanas indicaram a consolidação da candidatura de Emmanuel Macron. (Estadão).

De Hillary a Marine. Alô, feministas!

André Azevedo Alves, do Insurgente, faz uma boa provocação aos "progressistas" - particularmente às feministas - sobre as eleições de hoje na França (lembro que Marine Le Pen é sempre tachada pela imprensa de pertencer à "extrema-direita"; extrema-esquerda, claro, não existe):

Em Novembro passado, muitos defendiam a eleição de Hillary Clinton com o argumento de que seria um grande avanço ter pela primeira vez uma Presidente mulher nos EUA.

Aplicando o mesmo critério, o que acharão das opções nestas eleições presidenciais em França?

E Lula acordou num sítio que não era dele

Artigo de Percival Puggina sobre Lula, esse pobre homem que nada sabe e nada tem:


Para contar desde o começo essa história do sítio de onde Lula se autodespejou, eu preciso começar por seu personagem mais estranho - Fernando Bittar. Ele é dono de um local aprazível onde não chegava telefonia celular. A propriedade precisava de cuidados e reformas para cuja execução não dispunha de renda suficiente. Mas não se deixou abater por isso.

Disposto a transformar o Santa Bárbara num pequeno paraíso serrano, para onde nunca ia nem iria, o remediado Bittar, em vez de pedir orçamento para três empreiteiros e escolher o de menor preço, como faríamos nós, perguntou a seus universitários botões: qual é a maior empreiteira do país, universitários? E os botões, em coro lhe responderam: a Odebrecht. Não havendo discordância entre os informantes, Fernando decide. Que seja a Odebrecht.

A poderosa construtora de hidroelétricas, portos e rodovias, despacha engenheiros para Atibaia. E a obra foi feita, ficando pronta bem antes da Linha 6 do metrô de São Paulo. Mas faltavam detalhes. Se alguma vez na vida você tentou falar com empresa de telefonia celular por telefone, deve saber o quanto isso é difícil. Imagine, então, conseguir dela a instalação de uma torre, só para você, em meio aos matagais e matacões de despovoada serra. Impossível? Não ao Fernando. Ele ligou para a OI e conseguiu sua torre. Também a velha cozinha não estava legal. Era preciso melhorar aquela parte da casa. Para a impressionante e complexa tarefa, nosso herói chamou outra grande empreiteira, a OAS, terceira no ranking das maiores do país.

Agora, pasmem. Quando tudo ficou pronto, num lance de fazer inveja a João Pedro Stédile, o ex-presidente Lula irrompe no Santa Bárbara, sem foices nem bandeiras vermelhas, com aquela entourage que a nação lhe disponibiliza vitaliciamente para que nunca mais na vida necessite ir até a adega buscar uma garrafa. E de tudo, a partir daí, usou e abusou em 111 visitas até seu autodespejo.

Gostaria de haver assistido aquela alvorada de uma nova consciência na alma de Lula. Só pode ter sido algo assim. Veja se não. Ele acordou, esfregou os olhos, contemplou assustado seu entorno, sacudiu a galega até despertá-la e disparou: "O que estamos fazendo aqui, mulher? Não me chamo Fernando e não moro em Atibaia! Vamos embora deste lugar!". E se foram para nunca mais voltar.

Nem Luiz Inácio, nem Fernando. Só alguns milhares de garrafas de vinhos finos, se não resgatadas, dormem serenas na fria encosta da Serra do Itapetinga.

Perdoa-me por me traíres

Coluna de Carlos Brickmann sobre as delações do fim do mundo e a possível delação de Antônio Palocci, que tira o sono dos petistas. Estaria o prisioneiro de Curitiba advertindo os bancos, com os quais sempre lidou nas negociatas do PT:


Se quiser conhecer o caráter de um amigo, perca o poder. Lula, que manteve os maiores empreiteiros do país como companheiros nos quase 14 anos de governo do PT, sofre agora em suas mãos. Emílio Odebrecht já colocou em toda a sua gestão a suspeita de só agir pensando em propinas. E Léo Pinheiro, da OAS, com quem, já fora da Presidência, mas com Dilma em seu lugar, conversava nos fins de tarde, em caprichadas happy-hours, entregou-o impiedosamente: não só disse que Lula era o dono oculto do famoso apartamento no Guarujá, mas também que o ex-presidente lhe pediu que destruísse provas das propinas entregues ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. É uma acusação que, se comprovada, configura obstrução de Justiça, e pode justificar uma ordem de prisão (foi por algo assim, embora menos específico, que Marcelo Odebrecht parou na cadeia).

Vaccari – ele e José Dirceu, reconheçamos, ficaram fiéis ao chefe, mesmo tendo ele perdido o poder, mesmo presos. Não aceitaram virar delatores para livrar-se de sentenças duríssimas. Já Antônio Palocci teve outro comportamento: disse muito, sem delação premiada, e se ofereceu em público para contar ao juiz Sérgio Moro “muito mais coisas” de interesse da Lava Jato, cuja investigação “levará um ano de trabalho”.

Michel Temer acaba de sancionar a lei que cria o Dia Nacional do Perdão. Perdão? Difícil: aproveita-se a delação, mas despreza-se o delator.

Tudo em público

É importante conhecer as condições em que Palocci depôs e as palavras exatas de sua proposta ao juiz Sergio Moro. Ele não fez delação premiada. É processado por lavagem de dinheiro e corrupção ocorridas na entrega, à Odebrecht, de contratos com a Petrobras de afretamento de 29 sondas; e por pagamentos em caixa 2 para João Santana e Mônica Moura, o casal de marqueteiros do PT (e de candidatos de esquerda em vários países latino-americanas, apoiados pelo partido, com financiamento da empreiteira).

O alvo oculto

Palocci começou seu depoimento surpreendendo o partido com fartos elogios à Lava Jato – abominada pelo PT. Respondeu tranquilamente às perguntas de Moro, e terminou oferecendo ao juiz “nomes e operações do interesse da Lava Jato.”

Segue-se a frase completa: “Todos os nomes e situações que optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o senhor quiser”.

Siga o dinheiro

Por que é importante saber exatamente o que Palocci disse?

Por dois motivos: primeiro, as delações premiadas de 78 dirigentes da Odebrecht, organizadíssimas, já trazem nomes e informações de interesse da Lava Jato, e foram completadas pelo devastador depoimento de Léo Pinheiro, da OAS. Que restaria acrescentar ao dossiê empreiteiras? Segundo, Palocci sempre foi, desde a primeira campanha presidencial de Lula, o encarregado do relacionamento do PT com os meios financeiros.

Estaria Palocci, com seu pedido público de delação premiada, advertindo os bancos de que abandoná-lo quando perdeu o poder talvez não seja uma boa ideia? O poder passou, mas a memória continua.

Talvez Palocci nem pense nisso. Mas a possibilidade de que possa pensar nisso é suficiente para deixar preocupados os donos do dinheiro.

Um dia de problemas

O depoimento de Palocci, caso seja aceita sua proposta, não assusta só os donos do dinheiro. Para o PT, o risco é alto: até agora, o partido foi atacado na Lava Jato e operações conexas por “companheiros de viagem”, aliados eventuais mas não gente de dentro. Palocci é do núcleo duro.

Mas o que mais irritou os petistas foi o depoimento de Léo Pinheiro. Primeiro, por reforçar a tese de que o apartamento no Guarujá e o sítio de Atibaia são de Lula, enquanto Lula sustenta que nem o apartamento nem o sítio são seus. Segundo, por oferecer um motivo novo para que Lula seja preso, a obstrução das investigações. O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, acusou Léo Pinheiro de ter contado uma versão, criada de acordo com os promotores, para sustentar a tese de que Lula é o dono do apartamento do Guarujá. “A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo – não presenciado por ninguém – no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-presidente”, diz Zanin em nota oficial.

Lula, o verdadeiro

Lula, façamos justiça, falou a verdade, embora muitos duvidassem dele. Sempre disse que o apartamento triplex no Guarujá era do Amigo e que o sítio de Atibaia era do Amigo. Agora, com as delações da Odebrecht, ficamos sabendo qual o apelido de Lula na empreiteira: Amigo.

Breve retrato do jovem progressista

Agustín Laje analisa, em artigo publicado na Prensa Republicana, o progressismo, essa outra face do politicamente correto. Ideologia, convém lembrar uma vez mais, sempre emburrece:


Progreso no es lo mismo que progresismo. Lo primero designa la cualidad de un hecho o una serie de hechos específicos que permiten el avance en algún campo de la realidad; lo segundo es la ideología según la cual todo hecho novedoso entraña esta cualidad. Es en virtud de esta diferenciación conceptual que debemos retratar al joven progresista de la sociedad occidental contemporánea.

En efecto, deslumbrado por toda novedad —por su mera condición novedosa— el joven progresista es parte del paisaje socio-político de nuestros tiempos. Podemos verlo en Facebook dedicando algunos minutos de su día a despotricar contra las “multinacionales”, a través de su MacBook último modelo que compró en su último viaje a Europa debidamente financiado por papá; en Change.org firmando peticiones para proteger al tigre de bengala y, al mismo tiempo, otras para legalizar el asesinato del ser humano por nacer que indulgentemente denomina “interrupción del embarazo”2; en Twitter condenando al “heterocapitalismo patriarcal” en 140 caracteres por la violación que una joven sufrió ayer, en manos de un violador que la justicia (con minúscula) soltó anteayer en virtud de la ideología garantista que el joven progresista también defiende en sus próximos 140 caracteres.

El joven progresista es un producto bien diseñado por la institución educativa y los medios de comunicación dominantes. Probablemente no lo sepa, pero es el hijo necesario de la crisis histórica del marxismo clásico que derivó de la absorción de la clase obrera por el capitalismo avanzado. Habiendo quedado huérfana de su sujeto revolucionario arquetípico, la izquierda se replegó sobre la juventud que protagonizó en la década del ’60 hechos de trascendencia mundial como el Mayo Francés, los movimientos contraculturales y la emergencia de la New Left norteamericana.

Claro: quienes en aquellos tiempos eran jóvenes, hoy son los adultos que educaron al joven progresista contemporáneo. El problema, no obstante, es que a diferencia de sus antepasados progresistas, el joven progresista de nuestros días ha dejado de ser contracultural: se ha convertido en una figurita repetida y verdaderamente mainstream de un espacio ideológico4 que intercambió la guerra de guerrillas por los viajes de mochileros, también financiados por mamá y papá.

Debe remarcarse a este respecto que el desprecio que el joven progresista siente por los mayores, sus valores y jerarquías “alienantes”, es directamente proporcional sin embargo al uso que aquél hace de los frutos del también “alienante” trabajo que éstos desarrollan. Algo debe quedar claro: no hay joven progresista sin acceso a la tarjeta de crédito de mamá y papá. Aquélla siempre está lista para ser reventada, preferentemente en viajes multiculturales capaces de encubrir la vorágine de consumo capitalista (en la que el progresista tanto adora zambullirse) detrás de algún famélico ser humano del mundo sub-desarrollado que será congelado en una fotografía de IPhone, debidamente subida a las redes sociales con alguna nada novedosa reflexión que culpabilice al “capitalismo salvaje” del hambre de este pobre hombre, que jamás conoció ningún capitalismo por cierto.

Para el joven progresista, la única cultura que no debe ser conservada es la de su propia sociedad. De ello resulta una de sus acusaciones favoritas: “¡etnocéntrico!”, dirá apuntando con el dedo a todo aquel que ose criticar culturas diferentes de la propia, levantando una suerte de protección epistemológica que, mientras permite escandalizarnos respecto del hecho de que el hombre occidental prefiera una mujer sin vello en las axilas a aquellas que desean dejarse vello y teñirlo de azul o de rosa, cierra la posibilidad de toda crítica por ejemplo a culturas que practican la ablación sobre la mujer: es decir, la mutilación de su clítoris. Las africanas e indígenas son, claro, culturas chic.

No importa que la cultura foránea produzca atraso y pobreza. El progresismo, ya lo dijimos, nada tiene que ver con el progreso: es apenas su deformación ideológica. Nada podría ser más claro para ejemplificar el caso que las culturas indígenas: no importa que sus condiciones culturales impidan todo atisbo de modernización económica; importa “conservarlos” y fomentar ideológicamente su atraso, como quien desea conservar alguna especie en algún zoológico que esporádicamente visita para pasar el tiempo libre mirando ejemplares extraños del mundo animal. ¿No es esto lo que hace, en efecto, el joven progresista cuando al regresar de sus viajes de mochilero comenta a sus amigos —con sonrisa de oreja a oreja, como quien se topa con algún objeto hasta el momento desconocido pero fascinante— sobre “las cholas” que vio en algún destartalado medio de transporte del altiplano sudamericano?

El joven progresista sobreestima su papel y su realidad. Se ve a sí mismo como un ejemplar del “hombre nuevo”, pero no como el “hombre nuevo” que llamaba a construir el Che Guevara, dedicado con rudeza al más duro trabajo por meros incentivos morales, sino más bien como el “hombre nuevo” de Herbert Marcuse, un hombre con “sensibilidades” presuntamente superiores que hoy traducimos en lloriqueos banales y safe spaces universitarios: esos cuartos especiales con los que ya cuenta en Estados Unidos para encerrarse cuando alguien dicen algo “ofensivo”.

Es entendible que esta sobreestimación haga del joven progresista un completo narcisista. Él está convencido de ser poseedor de una mente superior, “de avanzada”, “propia de los tiempos que corren”. Por ello califica de “retrógrado” a todo aquel que no festeje sus trillados slogans, como si la historia tuviera un orden preestablecido de manera necesaria: una suposición que en el marco de la filosofía de la historia nada tiene de novedosa, valga aclarar. Pero el joven progresista cree, en el fondo, ser un “libre pensador”; un tipo hecho a sí mismo, ajeno a las “estúpidas tradiciones y creencias” del medio que lo rodea. La verdad sobre él es que no es mucho más que un pobre diablo fabricado en serie, un muñequito hecho a medida, cuyos moldes pueden ser fácilmente advertidos en cualquier película de Hollywood o en cualquier serie de NetFlix: su arquetipo no es ya el proletariado marxista, sino el protagonista del filme “Into the Wild”.

Producto que se cree a sí mismo original, pero que rebela en su praxis su producción serial, el joven progresista no es tampoco difícil de identificar en sus gustos y usos del lenguaje. “Sensibilidad social”, “Redistribución de la riqueza”, “Pueblos originarios”, “Enfoque de género”, “Popular”, “Pueblo”, son algunos de los sobreutilizados conceptos que forman parte de su lenguaje afirmativo; “capitalismo salvaje”, “afán de lucro”, “neoliberalismo”, “patriarcado”, “cisgénero”, “imperialismo”, “heterocapitalismo”, “genocidio blanco”, “hombre blanco heterosexual”, son algunos de los componentes de su lenguaje condenatorio. Cada vez que pronuncia alguno de estos significantes, se siente parte de los que buscan “un mundo mejor”, por supuesto.

Lo interesante de esta reproducción en masa que está en el origen de nuestro joven progresista, es que esconde relativamente bien su propia dinámica detrás un convencimiento contracultural que ya no puede ser sostenido por mucho tiempo más. En efecto, el joven progresista hoy es hegemónico: su rebeldía hoy es conformismo; su lucha política hoy es divertimento; sus consignas hoy son pose; su estética hoy es tendencia mainstream; su ideología hoy es obligación; su vocabulario hoy es redundancia; su revolución hoy es una cortina de humo que protege al establishment.

Algo de esto debe haber visto Johnny Rotten, vocalista legendario de Sex Pistols, cuando recientemente dijo que el antiprogresismo es, en los días que corren, el “nuevo punk”.

Financiamento público de campanha: crime continuado.

Texto de J. R. Guzzo, na edição impressa de Veja: "o contribuinte, que já é roubado nos leitos hospitalares, nos esgotos, na segurança e em todos os demais serviços públicos que paga e não recebe, será roubado agora para pagar as despesas dos políticos que o roubam":


Um dos muitos balanços do Brasil após as imensas conquistas sociais dos três últimos governos, que a Ope­ração Lava Jato e a direita querem destruir com os processos contra a corrupção ora em andamento na Justiça, mostra que apenas 40% dos hospitais brasileiros têm leitos para o tratamento de crianças. Cerca de metade de todos os municípios do país continua, como há vinte anos, sem esgotos. Nossas “políticas públicas” na economia, feitas para proteger o trabalhador e distribuir renda, resultaram, segundo os últimos números, em mais de 13 milhões de desempregados, cujo rendimento está reduzido a zero. São cometidos hoje no Brasil 60.000 assassinatos por ano, mortandade que só ocorre em países em guerra como a Síria. No Rio de Janeiro, cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado ─ que só existe para evitar que roubem as contas do estado ─ acabam de ser presos por corrupção. Cinco em sete: nesse ritmo vai ficar impossível, daqui a pouco, achar um único homem público no Rio que não seja ladrão. Foi preso também um ex-conselheiro, sendo que todos foram delatados pelo ex-­presidente do próprio TCE, que teve de se afastar no ano passado. Tudo isso acontece no entorno do ex-governador e atual presidiário Sérgio Cabral, o maior larápio que já passou pelo Rio de Janeiro desde Mem de Sá, segundo apontam as acusações feitas contra ele pelos sete lados do sistema judiciário nacional.

Dos 27 tribunais de contas dos es­tados, há investigações por corrupção em vinte. Cerca de 80% de todos os conselheiros atualmente no cargo são políticos, ou parentes de políticos, ou indicados por políticos. Por lei, quem nomeia os sete membros de cada TCE é o governador do estado, cujas contas vão ser fiscalizadas por eles; o mesmo governador tem ainda o direito de escolher um dos sete, e a Assembleia Legislativa, outros quatro. Sobram dois para representar o papel de “técnicos”. Descobriu-se, na recente e tumultuada operação sobre corrupção nos frigoríficos, que a maioria dos chefões que mandam nas áreas de vigilância do Ministério da Agricultura também é nomeada por políticos ─ não entendem nada de segurança sanitária, mas entendem tudo de multas e de fiscais. Roubou-se tanto nos Correios, nos últimos anos, que o governo não tem mais dinheiro para manter as suas operações; é um caso raro de monopólio que vai à falência. E o resto da ladroagem? Fundos de pensão das empresas estatais? Petrobras? Tudo que acaba em “bras”?

O que está dito aí acima, como se vê, é um balanço resumidíssimo do Brasil de hoje. Um balanço mais robusto exigiria, provavelmente, a prosa de um ministro do Tribunal Superior Eleitoral, como aquele que ainda outro dia escreveu 1 032 páginas para dizer se houve alguma coisa errada nas doações de dinheiro para a chapa vencedora das eleições presidenciais de 2014. É algo claramente acima das capacidades desta revista ─ e além dos limites de tolerância dos seus leitores. Fique-se, portanto, no resumo do resumo.

E, diante dessa situação de calamidade permanente, universal e progressiva, qual é a proposta que os políticos, partidos e outros donos do Brasil apresentam para curar as doenças atuais do país? Querem dar mais dinheiro público aos políticos. Parece um insulto, e é um insulto. Também é um esforço em favor do que a Justiça chama de “crime continuado”. Não existe, como sabe uma criança com 10 anos, absolutamente nenhuma razão para justificar uma coisa dessas; é impossível, de qualquer ponto de vista lógico, citar um único benefício que qualquer cidadão brasileiro poderia obter com o “financiamento público” da campanha eleitoral, como se apresenta essa aberração – salvo os próprios políticos, é claro. Bem poucos, entre todos eles, estão hoje (e estarão muito menos amanhã) a uma distância segura do camburão da Polícia Federal. O resultado é que estão obcecados por Curitiba, Bangu, Papuda e outros locais “premium” do sistema penitenciário nacional ─ e acham que a melhor maneira de não acabar indo para lá é meter ainda mais a mão no Erário, enquanto estão soltos, para ver se conseguem eleger-se no ano que vem e manter o direito à impunidade que a “imunidade parlamentar” lhes assegura. É isso. O resto é hipocrisia com teor de pureza de 100%.

Temos, assim, que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal preparam uma extorsão legal para obrigar o contribuinte a tirar do bolso 4 bilhões de reais, nos cálculos mais modestos, e entregar esse dinheiro aos candidatos às eleições de 2018. Como as doações das empresas estão legalmente proibidas, os políticos querem que a população pague diretamente as despesas das suas campanhas eleitorais. É o “financiamento público da campanha”. No mundo da conversa, essa sempre foi uma tese sagrada do PT e dos partidos de “esquerda”; pagar os custos dos candidatos com dinheiro do Erário evitaria, imaginem só, a “influência do poder econômico” nas eleições brasileiras. No mundo das coisas práticas, essas piedosas considerações jamais impediram o PT e o seu entorno de ser os maiores tomadores de dinheiro privado (empreiteiras de obras, bancos, grandes grupos, “campeões nacionais” etc.) nas épocas de eleição e adjacências. Para ficar no exemplo mais recente, a funesta eleição presidencial de 2014, a candidata oficial, Dilma Rousseff, foi capaz de gastar 300 milhões de reais em sua campanha. Cabe na cabeça de alguém que um candidato precise gastar 300 milhões para se eleger?

Os demais partidos e políticos, naturalmente, não poderiam estar mais de acordo com o PT e aliados nesse assunto ─ nada como um cofre público aberto para unir esquerda e direita no Brasil. Na verdade, todos já estavam de olho na massa, com ou sem proibição das “doações particulares”; mais dinheiro “do governo” é um sonho permanente. Mas agora o financiamento público virou necessidade de sobrevivência para a classe política. Em muitos casos, é a parte mais importante na busca do habeas-corpus preventivo que, acima de qualquer outra coisa, um mandato parlamentar passou a significar no Brasil de hoje. Pelos planos em discussão, o público será chamado a pagar ─ além do “fundo partidário” e da compensação dada às empresas de comunicação por causa do horário eleitoral obrigatório, gastos que já paga ─ um outro fundo, novo em folha, que servirá exclusivamente para as eleições. E fazer campanhas mais baratas? É a única solução que todos consideram “impossível”. O resultado final é o seguinte: o contribuinte, que já é roubado nos leitos hospitalares, nos esgotos, na segurança e em todos os demais serviços públicos que paga e não recebe, será roubado agora para pagar as despesas dos políticos que o roubam. Para piorar de vez, querem impor a votação em “lista fechada” – uma trapaça pela qual os votos não serão mais dados a um candidato escolhido pelo eleitor, mas a um bloco de políticos que cada partido terá o direito de nomear. Imaginem-se os gigantes que vão parar nas tais listas – sim, são esses mesmos em que o leitor está pensando.

É a nossa grande “reforma política”. (Via Augusto Nunes).

O vergonhoso conluio entre as esquerdas brasileiras e a tirania chavista

O antiamericanismo e o antiliberalismo das esquerdas brasileiras - PT na linha de frente - levaram-nas a apoiar, e continuar apoiando, o chavismo, que destruiu a Venezuela, mergulhada hoje num banho de sangue. Como diz Bolívar Lamounier, em artigo publicado no Estadão, "a famigerada política externa de Lula e Dilma Rousseff primou pela mais absoluta obtusidade, fruto de sua ideologia terceiro-mundista, de sua ignorância e – por que não dizê-lo? – de sua manifesta covardia": 


Passo a passo, o legado chavista vai destruindo a Venezuela. Em vez de agir no sentido da reconciliação da sociedade, Nicolás Maduro, o sucessor de Hugo Chávez, parece querer dividi-la ainda mais. 

A realidade cotidiana do país é o desabastecimento generalizado e a miséria. Dias atrás os jornais estamparam uma foto de venezuelanos disputando restos de comida com urubus num aterro sanitário de Boa Vista (Roraima). A alucinação de Maduro é de tal ordem que a hipótese de uma guerra civil não pode ser descartada. Informações divulgadas na semana passada dão conta de que ele estaria disposto a recrutar e armar 1 milhão de milicianos para “defender a soberania nacional”.

Chefetes fascistas como o atual presidente venezuelano são, em geral, adeptos do blefe como tática política; admitindo, porém, que ele mobilize 300 mil ou 400 mil, as consequências funestas de sua opção logo se evidenciariam. Cumprir tal ameaça seria um passo irreversível no sentido de uma ditadura totalitária, com a supressão do que lá ainda resta de liberdade, instituições e direitos humanos. Num abrir e fechar de olhos, o chavo-madurismo se firmaria entre os piores exemplos de tirania na América Latina; e nem estável seria, pois dificilmente conseguiria desarmar a horda pretoriana que terá criado.

Por mais trágica que seja, poucas vezes a História latino-americana se configurou tão claramente como uma luta entre o mal e o bem, ou entre o mal como realidade e o bem como uma tênue esperança de reconstrução. Nós, brasileiros, tivemos de aguardar 13 anos e meio para nos livrarmos do vergonhoso apoio oficial ao chavismo. A famigerada política externa de Lula e Dilma Rousseff primou pela mais absoluta obtusidade, fruto de sua ideologia terceiro-mundista, de sua ignorância e – por que não dizê-lo? – de sua manifesta covardia. 

Um exemplo egrégio do que acabo de dizer foi o que Lula e sua comitiva nos deram em Cuba no dia 24 de fevereiro de 2010. A cena está no YouTube, caso alguém a queira apreciar visualmente. Ao desembarcar em Havana, nosso então presidente tomou conhecimento da morte de um pobre-diabo chamado Orlando Zapata Tamayo, um encanador, preso como dissidente de consciência. Zapata morreu em sua cela após 85 dias em greve de fome. Claro, Lula, a primeira coisa que fez ao encontrar os irmãos Castro, foi pedir esclarecimentos e manifestar seu desejo de se avistar com dois ou três presos, certo? 

Errado. O que o vídeo no YouTube nos mostra é um Lula subserviente, gaguejando palavras sem nexo e, naturalmente, culpando o miserável Tamayo pelo acontecido. Isso, é bom lembrar, num período em que o governo brasileiro prodigalizava apoio financeiro à ditadura cubana para a construção do porto de Mariel. 

Ora, Lula é o líder inconteste da esquerda brasileira. A maioria dos políticos, clérigos e intelectuais que se autointitulam “de esquerda” se dedica diuturnamente a cultuar sua personalidade. Voltemos, pois, à Venezuela.

Ao evocar o que há anos se vem passando naquele país, é inevitável que nos vejamos como testemunhas da atitude das esquerdas brasileiras. Estas, com as exceções de praxe, notabilizam-se, como diria Nelson Rodrigues, por um silêncio “de estourar os tímpanos”. Não defendem os direitos humanos como conceito universal, e sim os direitos humanos de uma determinada faixa ideológica.

Quem quiser compreender tal atitude deve começar pelo antiamericanismo. Para o esquerdista brasileiro (ou para o latino-americano, em geral), ser indiscriminadamente contra os Estados Unidos é a credencial sine qua non de quem luta pelo progresso social e pelo bem da humanidade. O corolário desse posicionamento é que qualquer regime antiamericano é bom. Cuba é excelente; a teocracia iraniana é excelente; o chavo-madurismo pode não ser excelente, mas não é o caso de criticá-lo. É, no mínimo, um aliado em “nossa” luta contra o imperialismo.

Mas o antiamericanismo é somente a ponta emersa de um vasto iceberg. A parte submersa, em geral estruturada em torno da vulgata marxista, é a missão que as esquerdas se arrogam de conduzir a humanidade a algum paraíso terreno. Toda esquerda julga conhecer de antemão o caminho que leva a tal paraíso. Acredita deter de forma exclusiva o conhecimento e o know-how político necessários para a eliminação da pobreza e das desigualdades sociais, para a construção de um mundo transparente, sem trapaças nem corrupção, e para a implantação definitiva da fraternidade e da paz. A realização desse supremo bem terreno é um dever do qual não se pode abrir mão. No limite, quem se vê dessa maneira não pode coerentemente aceitar o conceito da alternância no poder, pilar inarredável da democracia.

Sim, o meu argumento requer pelo menos duas ressalvas. Primeiro, só uma pequena parcela da esquerda se mantém fiel ao marxismo intelectualizado dos velhos partidos comunistas. O PT, por exemplo, é apoiado por milhares de estudantes, intelectuais e padres que nada leram de Marx. O que os caracteriza é um vago sentimento de justiça. Um anseio francamente utópico de solidariedade social. Uma rejeição da modernidade, a ser substituída por uma espécie de cristianismo das catacumbas. Isso é verdade, mas não altera o meu argumento.

O segundo ponto – e o PT serve outra vez como exemplo – é que a juventude idealista não tem grande influência na ação política. Os atores reais são homens práticos, profissionais e sindicalistas que não servem a ideias, apenas se servem delas. Outra verdade, muito bem ilustrada, aliás, pelo passado brasileiro recente.

Quem é quem nas eleições francesas

No jornal Observador, um panorama sobre as eleições de hoje na França, com o perfil detalhado de todos os candidatos:


Saiba quem são e o que propõem os principais candidatos na primeira volta das eleições presidenciais francesas — as mais renhidas da V República, fundada em 1958. Um guia de Mélenchon a Le Pen. (Leia aqui).

sábado, 22 de abril de 2017

E aí, juiz Moro? Léo Pinheiro entrega documentação sobre o triplex de Lula.

A pergunta é apenas esta: Lula tem voo de volta de Curitiba? Se tiver, continuará sendo o Grande Impune, não é, Reinaldo Azevedo? E olhe que não sou entusiasta do setor jurídico (não segui o Direito, minha graduação):


O Ministério Púbico Federal anexou no último dia 11 uma série de relatórios e documentos na ação penal que investiga o triplex no Condomínio Solares, no Guarujá. As informações são parte dos documentos que os investigadores e o próprio ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, devem utilizar para provar que o imóvel foi uma forma da empreiteira repassar valores indevidos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os documentos mapeiam as ligações entre o empreiteiro e pessoas ligadas a Lula, as viagens de veículos do Instituto Lula para o Guarujá e registros de reuniões entre Lula e Léo Pinheiro, que agora o acusa de ser o real dono do triplex.

O jornal O Globo revelou hoje que Léo Pinheiro pretende entregar documentos para provar o que disse ao juiz Sergio Moro, na última quinta-feira, 20. Pinheiro afirmou que o apartamento era de Lula e o valor do imóvel foi abatido de um encontro de contas de “propina”.

Do material anexado pelo MPF. a cópia de um e-mail, no qual um funcionário do Instituto Lula envia a agenda do ex-presidente do dia três de junho de 2014, revela um encontro entre os dois. Ao juiz Moro, o empreiteiro citou uma conversa no mesmo mês entre os dois em que Lula teria pedido a destruição de provas de possíveis repasses da OAS para Vaccari – ex-tesoureiro do PT. ‘Você tem algum registro de algum encontro de contas feitas com João Vaccari com vocês? Se tiver, destrua’”, teria dito Lula, segundo Léo Pinheiro.

Outro encontro, de acordo com e-mail anexado, teria ocorrido às 16h do dia 25 de julho de 2014. Nos mesmo ano, as agendas de Lula ainda aponta reuniões em 13 de outubro e 10 de novembro.

Um dos documentos juntados ao processo é um relatório sobre as viagens dos veículos do Instituto Lula para o Guarujá. O mapeamento foi feito por meio da análise do dados do sistema de pedágio Sem Parar. O MPF também preparou uma análise de todas as ligações realizadas entre números de telefone em nome de Léo Pinheiro e pessoas próximas ao ex-presidente. Entre os nomes mapeados estão o do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhados, José di Filippi, do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e do segurança de Lula, Valmir Moraes da Silva.


O presidente afastado da OAS Léo Pinheiro. Foto: Beto Barata/AE – Março/2003

O Ministério Púbico Federal anexou no último dia 11 uma série de relatórios e documentos na ação penal que investiga o triplex no Condomínio Solares, no Guarujá. As informações são parte dos documentos que os investigadores e o próprio ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, devem utilizar para provar que o imóvel foi uma forma da empreiteira repassar valores indevidos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os documentos mapeiam as ligações entre o empreiteiro e pessoas ligadas a Lula, as viagens de veículos do Instituto Lula para o Guarujá e registros de reuniões entre Lula e Léo Pinheiro, que agora o acusa de ser o real dono do triplex.

O jornal O Globo revelou hoje que Léo Pinheiro pretende entregar documentos para provar o que disse ao juiz Sergio Moro, na última quinta-feira, 20. Pinheiro afirmou que o apartamento era de Lula e o valor do imóvel foi abatido de um encontro de contas de “propina”.

Do material anexado pelo MPF. a cópia de um e-mail, no qual um funcionário do Instituto Lula envia a agenda do ex-presidente do dia três de junho de 2014, revela um encontro entre os dois. Ao juiz Moro, o empreiteiro citou uma conversa no mesmo mês entre os dois em que Lula teria pedido a destruição de provas de possíveis repasses da OAS para Vaccari – ex-tesoureiro do PT. ‘Você tem algum registro de algum encontro de contas feitas com João Vaccari com vocês? Se tiver, destrua’”, teria dito Lula, segundo Léo Pinheiro.

Outro encontro, de acordo com e-mail anexado, teria ocorrido às 16h do dia 25 de julho de 2014. Nos mesmo ano, as agendas de Lula ainda aponta reuniões em 13 de outubro e 10 de novembro.

Um dos documentos juntados ao processo é um relatório sobre as viagens dos veículos do Instituto Lula para o Guarujá. O mapeamento foi feito por meio da análise do dados do sistema de pedágio Sem Parar. O MPF também preparou uma análise de todas as ligações realizadas entre números de telefone em nome de Léo Pinheiro e pessoas próximas ao ex-presidente. Entre os nomes mapeados estão o do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhados, José di Filippi, do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e do segurança de Lula, Valmir Moraes da Silva.

Para Okamotto, apontado como braço-direito de Lula, são mais de 100 ligações entre 2012 e 2014. Sombra do ex-presidente, o segurança Valmir Moraes recebeu em seu telefone ao menos 12 chamadas de Léo Pinheiro. Do Instituto direto para o empreiteira o MPF elencou apenas uma ligação em 20 de maio de 2014.

O MPF também reuniu na ação penal e-mails e anotações sobre reuniões e encontros entre Léo Pinheiro e Lula no ano de 2013. Na agenda de 3 de setembro de 2013, enviada por um funcionário do Instituto para vários e-mails de pessoas próximas ao ex-presidente, consta que às 17h30 naquele dia ele receberia Léo Pinheiro para um encontro.

Outras anotações juntadas são sobre recados e ligações do pretenso delator ao Instituto Lula para tentar falar com Paulo Okamotto. Em 3 de outubro de 2013, por exemplo, uma funcionário do Instituto manda e-mail para outra pessoa do setor financeiro: “Marta, o Leo Pinheiro disse que está tentando no celular do sr. Paulo, mas sem sucesso. Pediu para transmitirmos o recado, pois tem certa urgência”. Em outra mensagem, a mesma funcionária é avisada que “Léo Pinheiro e Skaf” ligaram há pouco e “os dois pediram retorno.” (Continua no Estadão).