segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Cuidado, Brasil: a beata Marina se baseia na Bíblia, não na Constituição.

A matéria da Folha Poder é estarrecedora: a pentecostalista Marina Silva - que já mudou de religião várias vezes, assim como de partido - segue a "roleta bíblica" antes de tomar alguma decisão importante. A candidata do PSB é, portanto, uma fundamentalista - e tem que explicar, também, sua posição criacionista, contrária à teoria da evolução de Darwin e base das ciências de fronteira. Este blogueiro nada tem contra o livro sagrado, mas considera que questões públicas não podem ser "resolvidas" a partir da Bíblia. Religião é assunto privado; Estado é assunto público:


Em momentos difíceis, a presidenciável Marina Silva (PSB) costuma recorrer em seu processo decisório à orientação de uma companheira que esteve ao seu lado em boa parte de seus 56 anos de vida, a Bíblia.

Católica que quase se tornou freira na adolescência, ela converteu-se à evangélica no fim da década de 1990. Adotou o pentecostalismo, corrente que professa a intervenção direta do Espírito Santo na vida das pessoas, após receber de médicos "a terceira sentença de morte" devido a problemas de saúde.

Curada, segundo diz, graças a uma mensagem divina, Marina Silva, desde 2004, missionária da Assembleia de Deus do Plano Piloto (Novo Dia), na capital federal. Antes, pertenceu Assembléia Bíblica da Graça, de Brasília.

Em pelo menos dois momentos serviu-se da chamada "roleta bíblica" para tomar decisões. Trata-se de uma escolha aleatória de versículos das escrituras para obter orientaçao espiritual.

Uma delas, conforme um auxiliar próximo, foi na madrugada de 4 de outubro de 2013, horas antes de surpreender o mundo político com o anúncio da adesão ao projeto presidencial de Eduardo Campos (PSB).

O então governador de Pernambuco, morto em um acidente aéreo no último dia 13, também relatou à Folha, na ocasião, que a união decorrera de uma inspiraçao bíblica.

A outra experiência é descrita em sua biografia autorizada, "Marina, a Vida por uma Causa", de Marília de Camargo César (Editora Mundo Cristo, 2010).

Antes de concordar com o livro, Marina precisou "ouvir a opinião de outra pessoa". "Levantou-se do sofá e foi buscar uma Bíblia", descreveu a autora. O aval para o projeto veio após "um recado pessoal de Deus", expresso no salmo obtido na abertura aleatória.

"Ela, para tomar uma decisão, santo Deus, demora, porque, além de consultar a terra, ela tem que consultar o céu. Tem de ouvir todo mundo, aí amadurece", afirma a pastora Valnice Milhomens, da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, amiga de oração há mais de uma década. "Ela nunca [misturou f e política], não faz parte da bancada evangélica."

Apesar da forte religiosidade, Marina sofre resistência de setores da igreja por nÃo se posicionar firmemente em questões como aborto e casamento gay. Entretanto, desidratou sua proposta para a comunidade LGBT em meio a críticas do pastor Silas Malafaia na internet no sábado (30).

Nos tempos de ministra do Meio Ambiente (2003-2008), além de frequentar cultos junto a servidores nas dependências do ministério, costumava levar pastores para orar pelo então presidente Lula.

Sobre o acidente de Eduardo Campos, atribuiu "providência divina" o fato de não ter embarcado no aviÃo. (Continua).

A farsa orçamentária do governo petista

Vergonhosamente, a farsa foi representada uma vez mais na semana passada. Mera encenação, diz editorial do Estadão:

A velha farsa foi representada mais uma vez, na quinta-feira passada, com o envio do projeto de lei orçamentária de 2015 ao Congresso Nacional. Como se fosse um documento sério, um resumo foi entregue pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ao presidente do Senado, Renan Calheiros. Ele recebeu a papelada como se o Parlamento estivesse de fato empenhado em cumprir o papel, muito importante nas democracias modernas, de vigilante das finanças públicas. Mera encenação. Se a cena fosse mais séria que uma pantomima, as grandes linhas do Orçamento já teriam sido examinadas e aprovadas pelos congressistas. Mas onde estão essas linhas, se a proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviada ao Parlamento em abril, continua empacada no Legislativo, ainda sem aprovação?
Como se isso fosse irrelevante - e talvez seja mesmo, nas condições políticas e administrativas do Brasil de hoje -, o Executivo projetou o Orçamento com base em parâmetros definidos na proposta de uma LDO ainda sem aprovação. Para estimar a receita e a despesa do próximo ano, os técnicos tomaram como base um crescimento econômico real de 3% acompanhado de uma inflação de 5%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esses números talvez tivessem algum sentido em abril, embora isso seja discutível. Hoje é muito difícil levá-los a sério, principalmente como bases de um plano financeiro.
No último relatório trimestral de inflação, com data de junho, o Banco Central (BC) projetou inflação de 6,4% para este ano, 5,7% para 2015 e 5,1% para os 12 meses terminados em junho de 2016. O crescimento econômico para os quatro trimestres até março de 2015 ficou em 1,8%. Pelas contas do mercado financeiro, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentará 1,2% e a inflação chegará a 6,28%. Nas projeções divulgadas em julho pelo Fundo Monetário Internacional, o avanço do produto brasileiro no próximo ano será de 2% - melhor, em todo caso, que o de 2014, estimado em 1,3%.
A crise está passando, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar a possibilidade de um resultado fiscal melhor que o esperado para este ano. Para o governo central está previsto, em princípio, um superávit primário - dinheiro para o pagamento de juros - de R$ 114,7 bilhões, equivalente a 2% do PIB. Mas já se antecipa no projeto um possível abatimento de R$ 28,7 bilhões, ou 0,5% do PIB. A justificativa, como sempre, seria a destinação dessa quantia a investimentos. Com isso, o esforço fiscal de 2% do valor produzido na economia brasileira já se reduz, preventivamente, a 1,5%. Se tudo correr muito bem, os governos de Estados e municípios poderão produzir 0,5% de superávit primário, elevando o total a 2%.
O resultado prometido para este ano, equivalente a 1,9% do PIB, é assunto já superado. O governo central só entregará a sua parte, de R$ 80,7 bilhões, se conseguir juntar uma boa soma de receitas fora da rotina fiscal, como dividendos, bônus de concessões de infraestrutura e parcelas de tributos refinanciados. Essas parcelas, segundo Mantega, podem ficar entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões.
Outro recurso usado com frequência pelo Tesouro tem sido a chamada pedalada - o atraso no desembolso de transferências, pagamentos de benefícios e assim por diante. Os bancos federais têm adiantado o dinheiro.
Não há nada irregular em pedaladas, disse o ministro. Essa é uma opinião discutível, mas, de toda forma, o ponto mais importante é outro. Quem chamará de sério um governo, quando o Tesouro só consegue fechar suas contas com pedaladas e receitas ocasionais, como dividendos, bônus e recebimentos de impostos refinanciados?
O ministro ainda apresenta como sinal de austeridade a manutenção do gasto com pessoal na faixa de 4,1% a 4,2% do PIB. Será mesmo? Só aumentando mais que os índices de inflação essa despesa se mantém mais ou menos constante como porcentagem do PIB. Isso é crescimento real em termos monetários. Qual tem sido o benefício desse aumento para a administração e para o público? As autoridades normalmente ficam longe desse assunto.

domingo, 31 de agosto de 2014

As raízes fascistas do "socialismo do século XXI"

O escritor e ensaísta chileno Mauricio Rojas observa que o populismo latino-americano, mais que socialista, é fascista. Chávez, por exemplo, nunca passou de um Mussolini tropical. Mas a desgraça fascista começou, mesmo, com Juan Domingo Perón na Argentina. Segue o texto:


Friedrich Hayek inicia “Camino de servidumbre” con las siguientes palabras de Lord Acton: “Pocos descubrimientos son tan irritantes como aquellos que revelan el origen de las ideas”. Y así es, no menos en el caso de las diversas variantes actuales del populismo latinoamericano. 

El populismo contemporáneo gusta de vestirse con ropajes socialistas y hasta se autodenomina “socialismo del siglo XXI”. Desde su perspectiva, esta sería una forma de adquirir cierta respetabilidad intelectual y revolucionaria. Pues bien, como casi todas las cosas que predican los líderes populistas, esta también es una falsedad. Su verdadera historia ideológica es bastante distinta y tiene mucho más que ver con el fascismo que con el socialismo. Es del mundo simbólico del discurso fascista (pueblo contra elites vendidas y enemigos foráneos), su culto a la fuerza de la voluntad (encarnada en la voluntad supuestamente titánica del líder) y su talento mediático (la política como espectáculo) que se nutre el populismo en sus diversas variantes. Por ello el populismo de hoy, más que el socialismo, es el fascismo del siglo XXI. 

Esto lo captó bien Carlos Fuentes, que ya en 2006 dijo sobre Chávez: “Montado sobre la quinta producción mundial del petróleo, Hugo Chávez se pasea como gobernante de izquierda cuando en verdad es un Mussolini tropical, dispuesto a prodigar con benevolencia la riqueza petrolera, pero sacrificando las fuentes de producción de empleo”. 

La conexión entre Mussolini y su versión tropical está históricamente mediada por Juan Domingo Perón, arquetipo insuperado del populismo latinoamericano. Su punto de partida fue el tiempo que pasó en Italia, a donde Perón llegó en junio de 1939 y permaneció 20 meses. Conoció allí la experiencia fascista en un momento de gran exaltación y la figura del Duce lo impactó profundamente. No pudo dejar de advertir, tal como lo señala Joan Benavent en su libro “Perón: luz y sombras” que: “La popularidad de Mussolini se basaba en su difundido origen plebeyo y en un olfato político que lo orientaba a tutelar a las clases bajas (…) Tampoco caben dudas acerca de su encandilamiento con el fenómeno de masas y (…) el vínculo irracional de estas con el jefe supremo, en medio de escenarios cargados de rituales, ceremonias, cánticos, el entusiasmo desbordante de los partidarios y la oratoria encendida como mensaje final del mesías de la nación”. 

De esa manera, Perón encontró su futuro: una imagen, un estilo y un método que pondría en acción tras el golpe de Estado de 1943, que llevó al poder a los oficiales argentinos con simpatías nazi-fascistas. El coronel Perón se convirtió en el hombre fuerte del nuevo régimen y desde la Secretaría del Trabajo empezó a edificar su movimiento usando para ello una hábil combinación de premios y castigos: los líderes sindicales dóciles podían contar con su apoyo generoso, pero los que no estaban dispuestos a someterse a sus propósitos serían combatidos por todos los medios a su alcance. Así, Perón formó su fiel clientela y se transformó en un líder con una capacidad de convocatoria popular tan notable como la de Mussolini o Hitler. 

Su exito fue tan arrollador que en 1946 pudo llegar, tras una elección democrática, a la Presidencia de Argentina. Una vez instalado en la Casa Rosada, inició un proceso de conculcación de las libertades y destrucción de la democracia que conformará el modelo de acción que luego imitarán los caudillos del socialismo del siglo XXI. Esta vía democrática a la destrucción de la democracia no fue, sin embargo, un invento de Perón: fue el camino seguido por Hitler después del fracaso de su intento golpista de 1923. 

Esta es la matriz peronista-fascista tan evidente en el accionar del chavismo. Por ello no es sorprendente que Hugo Chávez, en un discurso de 2008, haya declarado con orgullo: “Yo soy peronista de verdad”. Destacando luego su identificación con la persona del gran populista argentino. 

Andrés Oppenheimer resumió así las similitudes entre ambas figuras, a propósito de la muerte de Chávez: “Contrariamente a la suposición generalizada en los medios de prensa internacionales de que Chávez fue el heredero político del otrora líder guerrillero de Cuba, Fidel Castro, es muy posible que el difunto Presidente venezolano pase a la historia como un fenómeno político más cercano al del hombre fuerte argentino Juan D. Perón. Lo mismo que Perón, Chávez fue un oficial de las Fuerzas Armadas y un maquinador de golpes de Estado que coqueteó primero con el fascismo, luego se inclinó a la izquierda (…) Y, lo mismo que Perón, Chávez era un narcisista que creó a su alrededor un culto a la personalidad y que impulsivamente regaló miles de millones de dólares en su país y en el extranjero sin rendición de cuentas alguna, a expensas de destruir las instituciones de su país y gran parte de su economía”. 

Las consecuencias de ambos regímenes también fueron similares: la ilusión populista termina siempre en la bancarrota. Como toda droga, produce una seudo-realidad en la que todo parece posible, especialmente si se dispone de los ingresos petroleros de Venezuela o los de la pampa argentina. El problema es que un día el sueño del pibe se paga con creces, como bien lo saben todos los pueblos que se han dejado seducir por sus caudillos, sean estos abiertamente fascistas o socialistas del siglo XXI. (Fundación para el Progreso).

Não, dona Dilma, o Pibinho é culpa sua.


Cinquenta e oito países já divulgaram o crescimento do PIB no segundo trimestre de 2014 em comparação com o mesmo período do ano passado. O índice do Brasil recuou 0,9%. Os únicos países com números piores são Ucrânia (-4,7%) e Chipre (-2,2%).

Os números não mentem e mostram que o governo está errado. A culpa pelos números cada vez mais desencorajadores não pode ser jogada na crise externa. Enquanto a grande maioria dos países se recupera e mostra crescimento, o Brasil vai ficando para trás. (Continua).

Dilma já perdeu a eleição, diz Aécio.

No Rio de Janeiro, o candidato Aécio Neves, do PSDB, afirmou que o governo petista fracassou e não será reeleito. Ele também  criticou Marina Silva, que defende em seu programa temas historicamente defendidos pelos tucanos:

Candidato do PSDB à presidência da República, o senador Aécio Neves afirmou no início da tarde deste domingo, 31, que já é certa a derrota de Dilma Rousseff (PT) na eleição. "O atual governo fracassou, essa é a questão central, e não vencerá as eleições o grupo que está hoje no poder", cravou o tucano, que voltou a criticar o programa de governo da adversária Marina Silva, do PSB.
Segundo Aécio, que participou de jogo com artistas e políticos no centro de futebol do ex-jogador Zico na zona oeste carioca, o PSB traz em seu programa temas defendidos historicamente pelo PSDB, e já criticados num passado recente por Marina e pela presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT.
Depois de dizer que Dilma não vencerá, Aécio afirmou que das "duas alternativas competitivas que aí estão", uma é a do PSDB (a outra, a do PSB). "Apresentamos uma alternativa absolutamente coerente com nosso passado, com aquilo que pensamos lá atrás, e com o que queremos fazer pelo Brasil. E a população brasileira terá a oportunidade de avaliar entre essas propostas, até porque não há nada mais velho na política do que o discurso adaptado às circunstâncias do momento", disse, em referência às corriqueiras críticas que Marina Silva faz ao que tem chamado de "velha política".
Aécio rebateu as críticas do candidato a vice de Marina, Beto Albuquerque. Nesse sábado, 30, à noite, em evento no Rio, Albuquerque afirmou que, para criticar o programa de Marina, Aécio deveria primeiro lançar o seu. "As diretrizes foram lançadas. Talvez o candidato Beto não esteja acompanhando de perto as discussões que fizemos ao longo dos últimos anos. Será lançado nos próximos dias, em data pré-estabelecida, mas não é pra se ofender", disse Aécio.
"Eu apenas encontrei no programa do PSB as defesas das mesmas posições que nós defendemos historicamente, no ponto de vista da macroeconomia, da transformação do Bolsa Família em um programa de estado, a meritocracia no setor público. Lamento apenas que, no momento em que implementamos essas medidas, nenhum deles estava ao nosso lado para ajudar", afirmou.
Participam do jogo, além de Zico e Aécio, os ex-atletas Bebeto (campeão mundial de futebol em 1994 e candidato à reeleição como deputado estadual no Rio) e Giovanni (ex-jogador de vôlei, candidato a deputado federal pelo PSDB em Minas Gerais) e artistas como o ator e cineasta Márcio Garcia. Aécio jogou com a camisa 45 no mesmo time de Zico, que vestiu a 10. (Estadão).

Zico promove "Futebol entre Amigos" com Aécio Neves


O ex-jogador Zico promoveu hoje no Rio o evento "Futebol entre Amigos", com a participação do candidato à presidência pelo PSDB Aécio Neves. Vários artistas e ex-jogadores de futebol também participaram, usando a camiseta de campanha de Aécio.

No palanque de Dilma, a "companheira" recessão.

Dilma não estará sozinha nos palanques: terá a companhia dos sérios problemas que seu governo criou, entre eles a recessão - mais uma mancha em sua biografia. Editorial do jornal O Globo:


Se fosse possível, os responsáveis pelas campanhas de Dilma e Aécio eliminariam do calendário a semana que passou. Não teriam a má notícia da lépida subida de Marina Silva na última pesquisa do Ibope, confirmada na noite de sexta pelo Datafolha. E a presidente e candidata à reeleição, em particular, escaparia do dissabor de manchar a biografia com a primeira recessão da economia brasileira desde o último trimestre de 2008. A queda de 0,6% do PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro — quando já houve uma retração de 0,2%, numa sequência que configura a recessão — consolida, por enquanto, a expectativa do mercado de que a economia não deve conseguir crescer sequer 1% este ano.

“Recessão” é termo forte, de fácil exploração política. Mas estão no palanque de Dilma vários outros problemas, nem todos de fácil entendimento, mas nem por isso menos espinhosos. A baixa confiabilidade do governo Dilma se expressa na queda de 5,3% dos investimentos, no trimestre, também calculada pelo IBGE. É nítida a postura de “esperar para ver” do empresariado neste ano eleitoral.

Há problemas semeados pelo próprio governo. Um deriva da decisão de Dilma/Mantega de manter valorizado o real, para segurar uma inflação renitente. Para isso, o Banco Central executa as tais operações de “swaps”, pelas quais oferece dólares com compromisso de recompra futura. Não gasta o dólar físico das reservas — bastante altas, em mais de US$ 300 bilhões —, mas assume bilionários compromissos futuros. O saldo líquido dessas operações, no momento, seria de US$ 90 bilhões. Tudo isso faz a alegria de especuladores, que realizam a seguinte arbitragem, em explicação simplificada: financiam-se lá fora a juros muito baixos, pegam o dólar e o vendem no “spot”; com os reais, adquirem títulos no Brasil que rendem 11% ao ano. Fazem ainda “hedge” para garantir dólares a uma determinada cotação, num determinado prazo. E toda essa ciranda quase não tem risco porque o BC evita a desvalorização do real, com os “swaps”. Consta que muitos dos bilhões que entram hoje como “investimento externo direto” de multinacionais vêm, na verdade, participar desta ciranda. Eis porque, numa economia em recessão, bilhões de dólares chegam como se fossem investimento. E cuja taxa continua baixa, em relação ao PIB (14%).

Trata-se de uma manobra que não pode durar muito, até porque o Fed está prestes a anunciar que voltará a subir os juros nos EUA. Isso deflagrará mais uma onda de desvalorização de moedas, e o nosso BC não poderá enfrentar essa queda de braço cambial. Na verdade, os “swaps” são mais um puxadinho de política econômica. E com efeitos contraditórios: seguram artificialmente a inflação, junto com o congelamento de tarifas, mas desestimulam as exportações de manufaturados, já com dificuldade de competição por problemas de infraestrutura, burocracia, etc. Dilma e assessores devem torcer para chegar logo outubro.

Aécio: "nem velha, nem nova; fico com a boa política".

Em entrevista ao jornal Extra, o candidato do PSDB Aécio Neves fez críticas à candidata petista e alfinetou Marina Silva, que vive falando em "nova política":


Na semana em que caiu de um confortável segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para uma aflitiva terceira posição, o senador Aécio Neves (MG), candidato do PSDB a presidente, era um misto de tensão e entusiasmo ao receber o EXTRA num hotel em São Paulo. Não poderia ser diferente. Se, por um lado, o Ibope e o Datafolha apontam que hoje o mineiro estaria fora do segundo turno, Aécio está agora a um mês da eleição para a qual se prepara há mais de uma década.

Neto do presidente Tancredo Neves, foi deputado federal por quatro mandatos, governador de seu estado duas vezes e é senador por Minas desde 2010. Carismático, o economista de 54 anos é considerado por muitos um nome mais forte do que José Serra e Geraldo Alckmin, os tucanos derrotados pelo PT nas últimas três eleições. Terceiro entrevistado pelo EXTRA na série de conversas com os presidenciáveis, Aécio atacou a presidente Dilma Rousseff (PT) e, mudando de tática, alfinetou Marina Silva (PSB). “Nem velha nem nova: fico com a boa política”. A reta final da campanha promete.

O prefeito Eduardo Paes chamou a aliança de Sérgio Cabral, Pezão e Cesar Maia para apoiá-lo de “bacanal”. O senhor acha que o eleitor também viu essa aliança como fisiológica?

Não. O termo é impróprio, sobretudo para quem reconhece a natureza do quadro partidário brasileiro. As realidades locais se sobrepõem ao ordenamento nacional. Partidos que são da base de sustentação do governo do PT fazem oposição a esse mesmo governo em muitos estados. Então, para tratarmos essa questão com a seriedade que ela merece, precisamos de uma intervenção, que viria na reforma política, com diversas mudanças, entre elas a volta da cláusula de barreira — que defendi quando era deputado federal e que impedia a criação desordenada de partidos — e o fim da reeleição.

Não concorreria à reeleição, então, se ganhasse agora?

É uma possibilidade que eu admito. Se for para dar um bom exemplo, se esse for o caminho, eu não concorreria, sou a favor.

Eduardo Campos disse ao EXTRA que, num eventual governo dele, José Sarney e Renan Calheiros iriam para a oposição. Qual será a sua relação com o PMDB?

Eles (Sarney e Calheiros) já são adversários dos candidatos que apoio nos estados deles. Não farei uma aliança em troca de espaços no governo ou que permita a continuidade da mercantilização da política. É claro que essas forças adversárias estarão na oposição. Tenho um projeto para o Brasil. Sempre digo que, na política, não fico nem com a velha, nem com a nova: fico com a boa política.

Tem alguma proposta para frear a entrada de cocaína e maconha produzidas em países vizinhos?

Sim. Só teremos parcerias com países vizinhos produtores de drogas quando eles efetivamente conduzirem internamente uma política de inibição da produção da droga. Teremos uma relação mais dura com aqueles que traficam para o Brasil. Usarei todos os instrumentos que tivermos para levar esses países a ter uma política de controle da produção de drogas em seus países.

É a favor do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo?

Sou. Isso já está absolutamente enraizado na sociedade brasileira.

É a favor de mudança na legislação sobre o aborto?

Não. Acho que a legislação atual atende à complexidade da sociedade brasileira.

Mas, pela lei atual, uma mulher que faça o aborto responde criminalmente por isso. Uma mulher que faça aborto merece ir presa?

Não acho que devemos mexer na lei atual.

Manterá o programa Mais Médicos? Como seria o plano de carreira que propõe para os médicos?

Manteria. A carreira nacional de médicos funcionaria nos moldes daquilo que ocorre no Ministério Público. O médico faria concurso no âmbito do SUS e seria designado para uma região onde há carência de médicos. Com o tempo, teriam a possibilidade de serem transferidos para outras regiões do país, e médicos mais novos preencheriam essas vagas.

Vai controlar o preço da gasolina, a exemplo do governo Dilma, ou pretende aumentá-lo?

O meu governo será o governo da previsibilidade. Terá regras claras. A presidente Dilma, por exemplo, deixa uma bomba-relógio, prestes a explodir no colo do próximo governante, porque, mesmo com preços represados, não consegue manter a inflação dentro do teto da meta. Serão feitos reajustes, mas só posso afirmar quando e como quando souber o conjunto do impacto efetivo disso na Petrobras e na economia.

Vai criar mais algum vínculo para que uma família receba o Bolsa Família?

Não. Mas eu quero combater a pobreza em outra vertente também. Além de manter o Bolsa Família, vamos classificar as famílias que recebem o benefício em cinco níveis de carência. No meu governo, vamos atuar para que nenhuma família fique mais de um ano na mesma faixa de carência. É uma política de superação da pobreza, e não apenas a administração dela.

Qual seria sua política de reajustes do funcionalismo público, considerando que, no governo FHC, alguns setores ficaram oito anos sem aumento?

Precisamos compreender circunstâncias históricas. O governo do presidente Fernando Henrique não teve espaço fiscal para avançar nisso. Nós vamos dar crescimentos reais, como vamos dar para os aposentados também. Estamos buscando formas engenhosas para isso.

Em 2011, após a sua carteira ser apreendida na Lei Seca, no Leblon, o senhor recusou-se a passar pelo bafômetro. Também circula na internet um vídeo em que o senhor entra num bar, em Copacabana, aparentemente embriagado. Essas condutas não são um mau exemplo para a sociedade ?

Olha, eu sou um homem do meu tempo. Esse vídeo é uma grande bobagem, uma armação certamente dos meus adversários. Em relação à blitz, minha carteira estava vencida inadvertidamente há mais de 30 dias. Hoje, eu teria feito o teste do bafômetro, até para que não houvesse dúvida. Foi um equívoco.

sábado, 30 de agosto de 2014

A elite vermelha está pronta para se esverdear

A racialista elite lulista, tão embusteira ao demonizar a "elite branca", está prontinha para assumir tons verdolengos. Tudo para se manter no poder, mesmo com a ex-ministra Marina Silva, que saiu do partido e não tem partido, parasitando o PSB. Artigo de Guilherme Fiuza, no jornal O Globo:


Pela primeira vez em 12 anos, os companheiros avistam a possibilidade real de ter que largar o osso. Nem a obra-prima do mensalão às vésperas da eleição de 2006 chegara a ameaçar a hegemonia dos coitados sobre a elite branca. A um mês da votação, surgem as pesquisas indicando que o PT não é mais o favorito a continuar encastelado no Planalto. Desespero total. 

Pode-se imaginar o movimento fervilhante nas centrais de dossiês aloprados. Há de surgir na Wikipédia o passado tenebroso dos adversários de Dilma Rousseff. Logo descobriremos que foram eles que sumiram com Amarildo, que depenaram a Petrobras, que treinaram a seleção contra os alemães. É questão de vida ou morte: como se sabe, a elite vermelha terá sérias dificuldades de sobrevivência se tiver que trabalhar. Vão “fazer o diabo”, como disse a presidente, para ganhar a eleição e não perder a gerência da boca.

O Brasil acaba de assistir à queda de um avião sobre o castelo eleitoral do PT. Questionada sobre as investigações acerca da situação legal da aeronave que caiu, Dilma respondeu que não está “acompanhando isso”, e que o assunto não é do seu “profundo interesse”. Altamente coerente. Se a presidente e seu padrinho não “acompanharam” as tragédias no governo popular — mensalão, Rosemary e grande elenco — não haveria por que terem “profundo interesse” numa tragédia que veio de fora. Eles sempre fingiram que estava tudo bem e o povo acreditou, não há por que acusar o golpe agora. Avião? Que avião?

Melhor continuar arremessando gaivotas de papel, para distrair o público. Até o ministro decorativo da Fazenda foi chamado para atirar a sua. Guido Mantega, como Dilma e toda a tropa, é militante de Lula. O filho do Brasil ordena, eles disparam. Mantega já chegou a apresentar um gráfico amestrado relacionando o PAC com o PIB — um estelionato intelectual que o Brasil, como sempre, engoliu. Agora o homem forte (?) da economia companheira entra na campanha para dizer que Armínio Fraga desrespeitou as metas de inflação. Uma gaivota pornográfica.

Para encurtar a conversa, bastaria dizer que Armínio Fraga foi um dos homens que construíram aquilo que Mantega e seu bando há anos tentam destruir. Inclusive a meta de inflação. Armínio foi o comandante da etapa de consolidação do Plano Real — última coisa séria feita no Brasil — enfrentando o efeito devastador da crise da Rússia, que teria reduzido a economia nacional a pó se ela estivesse nas mãos de um desses bravateiros com estrelinha. Mantega e padrinhos associados devem a Armínio Fraga e aos realizadores do Plano Real a vida mansa que levaram nos últimos 12 anos. E deve ser mesmo angustiante desconfiar pela primeira vez que essa moleza vai acabar.

Se debate eleitoral tivesse alguma ligação com a realidade, bastaria convidar os companheiros a citar uma medida de sua autoria que tenha ajudado a estruturar a economia brasileira. Uma única. Mas não adianta, porque, como o eleitorado viaja na maionese, basta aos petistas dizer — como passaram a última década dizendo — que eles livraram o Brasil da inflação de Fernando Henrique. A própria Dilma foi eleita em 2010 com esse humor negro, e jamais caiu no ridículo por isso. Com a fraude devidamente avalizada pelo distinto público, Guido Mantega pode se comparar a Armínio Fraga e entrar em casa sem ter que esconder o rosto.

Em meio às propostas ornamentais, aliás, Armínio é o dado concreto da corrida presidencial até aqui. Nada de poesia, de “nova política”, de arautos da “mudança” — conceito tão específico quanto “felicidade”, que enche os olhos da Primavera Burra e dos depredadores do bem. Armínio não é terceira, quarta ou quinta via, nem a mediatriz mágica entre o passado e o futuro. É um economista testado e aprovado no front governamental, que não ficará no Ministério da Fazenda transformando panfleto em gaivota. 

O PSDB, como os outros partidos, adora vender contos de fadas. Mas seu candidato, Aécio Neves, resolveu anunciar previamente o seu principal ministro. Eis a sutil diferença entre o compromisso e a conversa fiada.

Marina Silva também é uma boa notícia. Só o fato de ser uma pessoa íntegra já oferece um contraponto valioso à picaretagem travestida de bondade. Nunca é tarde para o feminismo curar a ressaca dos últimos quatro anos. O que seria um governo Marina, porém, nem ela sabe. Se cumprir a promessa de Eduardo Campos e empurrar o PMDB S.A. para a oposição, que grande partido comporia a sua sustentação política? Olhe em volta e constate, com arrepios, a hipótese mais provável: ele mesmo, o PT — prontinho para a mudança, com frete e tudo.

Marina vem do PT e está no PSB, cujo ideário é de arrepiar o maior sonho cubano de José Dirceu. E tentar governar acima dos partidos foi o que Collor fez. Que forças, afinal, afiançariam as virtudes de Marina?

A elite vermelha está pronta para se esverdear.

Alô, turma do jaleco branco: Aécio criará a carreira nacional de médicos.

Em visita a Ribeirão Preto, o candidato à presidência Aécio Neves, do PSDB, disse que em seu governo o BNDES financiará a instalação de consultórios para médicos recém-formados:


Nós queremos criar e criaremos a partir do próximo ano a carreira nacional de médicos. Nós temos que encontrar soluções definitivas com mais médicos, mas também com mais saúde, com mais qualidade no atendimento. Infelizmente, atualmente, o governo federal ano a ano diminui a sua participação no financiamento. Vamos garantir uma participação maior da União no financiamento da saúde pública. Vamos criar a carreira nacional dos médicos, as clínicas de especialidades e mais do que isso, vamos fazer com o que o BNDES tenha o seu S aumentado. O BNDES vai financiar a instalação de consultórios de especialidades para médicos recém-formados, que pagarão ao BNDES com atendimento na rede pública. Portanto, uma parcela dos atendimentos dessas novas clínicas que serão instaladas, nas regiões a serem definidas pelo Ministério da Saúde, as regiões de maior carência de atendimento de especialidades, uma parte desses atendimentos será gratuita atendendo a rede SUS. Portanto, será a forma desses médicos se instalarem nas regiões que mais necessitam desse atendimento e a forma deles pagarem ao BNDES. No nosso governo, o S, social do BNDES era muito maior do que era hoje.

Governo Dilma: incompetente e trapalhão.

O governo Dilma é, simplesmente, um desastre. Incrível é que pretenda repetir a dose mortal para o país. Editorial do Estadão:

Está confirmado oficialmente: a presidente Dilma Rousseff conseguiu levar o Brasil a uma recessão, com dois trimestres consecutivos de produção em queda. Depois de encolher 0,2% no primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu mais 0,6% no período de abril a junho. Mas o governo, além de trapalhão, foi criativo na incompetência. Enfiou a economia brasileira no atoleiro enquanto os países desenvolvidos, com Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido à frente, começavam a vencer a crise. Mas quem, na cúpula federal, se dispõe a reconhecer o desastre e sua causa, o rosário de erros agravados a partir de 2011? A presidente Dilma Rousseff e seus ministros continuam culpando o mundo pelo desempenho brasileiro abaixo de pífio. Esse mundo malvado só existe como desculpa chinfrim para um fiasco indisfarçável. O comércio internacional voltou a crescer, a China continua comprando um volume enorme de matérias-primas e até os países mais afetados pela crise global, como Espanha, Portugal e Grécia, saíram da UTI e estão em movimento. Mesmo em desaceleração, outros emergentes estão mais saudáveis que o Brasil.
No segundo trimestre, o PIB dos Estados Unidos cresceu em ritmo equivalente a 4,2% ao ano. A rápida melhora da maior e mais desenvolvida economia é boa notícia para todo o mundo, mas desmente a lengalenga da presidente Rousseff e de sua equipe. O crescimento americano foi puxado, principalmente, pelo investimento produtivo, base para novos avanços.
No Brasil ocorreu o contrário. O investimento em máquinas, equipamentos, instalações e infraestrutura foi 5,3% menor que no primeiro trimestre do ano e 11,2% inferior ao de um ano antes. No segundo trimestre de 2013, o total investido correspondeu a 18,1% do PIB. Outros emergentes têm exibido taxas frequentemente acima de 24%. Mas o governo ainda conseguiu piorar esse indicador, derrubando a formação bruta de capital fixo para 16,5% do PIB. Foi uma taxa igual à do segundo trimestre de 2009, quando o Brasil estava em recessão, arrastado - naquele momento, sim - pela crise global.
O governo é obviamente culpado pela indigência na formação de capital fixo. Os seus erros prejudicam as ações oficiais - o fiasco do Programa de Aceleração do Crescimento é uma prova disso - e ainda criam insegurança entre os empresários. Empresário assustado com as intervenções do governo e muito inseguro quanto à evolução da economia só investe em máquinas, equipamentos e instalações se for irresponsável.
O investimento baixo e ainda em queda compromete o potencial de crescimento econômico. A recessão no primeiro semestre é parte de um desastre incompleto e ainda em curso. A produção industrial diminuiu 1,5% no trimestre e ficou 3,4% abaixo da de um ano antes. No Brasil, a indústria é a principal fonte de empregos decentes e o mais poderoso motor para o conjunto da economia. Há anos o governo tem cuidado muito mais do consumo que do investimento e, de modo especial, do fortalecimento da indústria. O resultado é inconfundível.
A criatividade na incompetência é evidenciada também pela combinação de baixo crescimento com inflação elevada e contas públicas em deterioração. Em julho, o setor público teve déficit primário de R$ 4,7 bilhões. Pelo terceiro mês consecutivo esse indicador ficou no vermelho. Isso é uma enorme anomalia. Incapaz de equilibrar suas contas, o governo tem-se comprometido, há muito tempo, a separar pelo menos o dinheiro suficiente para pagar juros e estabilizar ou reduzir sua dívida. Esse dinheiro posto de lado é o superávit primário.
A equipe econômica prometeu um resultado primário de R$ 99 bilhões para todo o setor público. O governo central - Tesouro, Previdência e Banco Central - deveria contribuir com R$ 80,7 bilhões. Até julho, o governo central acumulou apenas R$ 13,47 bilhões. O setor público total, R$ 24,68 bilhões. Alcançar a meta, só com muita criatividade e muitos truques. O desastre fiscal combina os efeitos de dois fracassos - da política econômica em geral e, de modo especial, dos incentivos tributários concedidos a setores selecionados. Não funcionaram. (Estadão).

O lulismo e seus tentáculos


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O inferno é aqui. As pesquisas confirmam.

No Brasil, o ruim sempre pode piorar. Predomina a mentalidade autoritária, populista, esmoleira, utópica. Não há noção de indivíduo. Aqui temos somente "o Estado" e "o povo", seja lá o que isto significar. Temos uma sub-ideologia esquerdista, antiliberal, isto é, contrária às liberdades individuais e civis. Neste Grotão, o Estado confere e retira direitos. Sem protestos. Dilma e Marina são o exemplo desse inferno:

A candidata à Presidência do PSB, Marina Silva, abriu 10 pontos porcentuais de vantagem em relação à presidente Dilma Rousseff (PT) no segundo turno, mostra pesquisa Datafolha divulgada na noite desta sexta-feira, 29. No último levantamento, feito há 11 dias, Marina aparecia com 47% e agora tem 50%. Dilma tinha 43% e agora tem 40%. O total de brancos e nulos oscilou de 6% para 7%. E não souberam ou não opinaram, oscilou de 4% para 3%. 
No segundo cenário avaliado pela pesquisa, Dilma venceria o candidato do PSDB, Aécio Neves. Nessa simulação, a presidente tinha 47% e agora registrou 48%. Já o tucano tinha 39% e oscilou para 40%. Brancos e nulos se mantiveram em 9% e não souberam ou não opinaram oscilou de 5% para 4%.
No primeiro turno, Marina ganhou 13 pontos porcentuais na intenção de voto em relação à última pesquisa Datafolha. A candidata do PSB tinha 21% das intenções no dia 18 de agosto e agora tem 34%. Dilma oscilou de 36% para 34%. Com esse resultado, Marina e Dilma estão empatadas no primeiro turno. 
O candidato do PSDB teve uma queda de 5 pontos porcentuais e agora tem 15% das intenções, ante 20% do levantamento anterior. O Pastor Everaldo (PSC) tinha 3% e agora tem 2% das intenções de voto. Os demais candidatos não atingiram 1% das intenções. Brancos e nulos eram 8% e agora são 7%. Não souberam ou não opinaram oscilou de 9% para 7%.  
Rejeição. O índice de rejeição da presidente Dilma está em 35%, contra 34% da pesquisa anterior. A rejeição do candidato Aécio Neves (PSDB) subiu de 18% para 22%. Já a de Marina Silva, do PSB, caiu, de 15% para 11%.
O levantamento do Datafolha, encomendado pela Folha de S. Paulo e pela Rede Globo, foi feito entre 28 e 29 de agosto, com 2.874 eleitores em 178 municípios do País. A pesquisa foi registrada no TSE sob o protocolo BR-00438/2014 e tem margem de erro máxima de 2 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%. (Estadão).

Marina, a filha bastarda de Gandhi.


O que esperar da "equipe" econômica de Marina? Dúvidas, apenas dúvidas.

Enquanto Aécio Neves, o único candidato verdadeiramente de oposição, já anunciou o competente Armínio Fraga como ministro da Fazenda, Marina Silva conta apenas com opinionistas como Eduardo Giannetti da Fonseca, conhecido por seus livros filosófico-literários, mas com pouca experiência na área econômica pública ou privada:


Reduzir gastos do governo, dar início à reforma tributária, zelar pela autonomia do Banco Central (BC) e manter o tripé macroeconômico (composto pelo sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e rigor fiscal) são algumas das tarefas que devem ser executadas com urgência pela equipe econômica do próximo governante do Brasil, caso tenha a intenção de recuperar o crescimento e a credibilidade do país. O mercado acredita que o candidato tucano Aécio Neves não deve ter dificuldades em empreender medidas necessárias, dado seu DNA político e a presença do ex-presidente do BC Armínio Fraga em seu governo. No caso da presidente Dilma, o sentimento é de que uma política de ajustes aconteça de forma mais lenta e frouxa. Já Marina Silva, que despontou rapidamente na corrida presidencial, é a candidata que suscita mais dúvidas nesse aspecto. Seu compromisso com a ortodoxia agrada o mercado. Porém, a falta de um time econômico que valide seu discurso provoca desconfiança. A pouco mais de um mês do primeiro turno, o coordenador da campanha de Marina, Walter Feldman, afirmou ao site de VEJA que não há perspectivas de divulgação de nomes nos próximos dias. “Ainda não há, na cabeça da candidata, esse tipo de discussão”, afirmou. Segundo o peessebista, a prioridade ainda é debater o programa de governo. "É um momento para o eleitorado conhecer os candidatos, que serão os protagonistas maiores do novo papel que o Brasil pode ter. Apresentar a equipe é um modelo de ação. Mas nossa prioridade é debater o programa", afirma. O programa de governo do PSB será apresentado na tarde desta sexta-feira em São Paulo. 

Sabe-se que há dois economistas de peso assessorando oficialmente a candidata: o acadêmico Eduardo Giannetti da Fonseca e o ex-presidente do BNDES André Lara Resende, que também foi um dos principais assessores econômicos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Alexandre Rands, sócio da consultoria Datamétrica e um dos membros da equipe que montou o programa da ex-senadora, considera que Giannetti passou a ter mais influência na campanha após a morte de Eduardo Campos. “Como Eduardo tinha experiência em gestão pública, acabava ouvindo mais pessoas e não relegava sua avaliação a apenas uma opinião. Suas ideias eram mais diluídas. Como Giannetti é mais próximo de Marina, que não é economista, sua figura sai fortalecida", afirma. Contudo, Giannetti já afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que não vai integrar a equipe de um eventual governo de Marina. Lara, por sua vez, tem circulado nos bastidores da campanha, sem assumir qualquer responsabilidade como porta-voz econômico.

Outros nomes, como Marcos Lisboa, vice-presidente do Insper, Bernard Appy, ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Loyo, ex-diretor do BC e Tiago Cavalcanti, professor de Cambridge, são apontados como consultores, mas negam ter vínculo direto com a campanha. Eles colaboraram com artigos e discussões em oficinas temáticas realizadas por Eduardo Campos e Marina em todas as regiões do Brasil, que ajudaram na composição do programa de governo. Neca Setúbal, uma das pessoas mais próximas de Marina atualmente, afirmou ao site de VEJA que a candidata já possui uma equipe gabaritada que dá respaldo ao seu projeto político, o que, segundo ela, é suficiente para o momento. "Não há necessidade em já apresentar ao mercado uma lista de futuros ministros", afirmou Neca, que é uma das herdeiras do Itaú.

O anúncio de um time concreto de economistas, tal como fez Aécio Neves, poderia dissipar grande parte das dúvidas que pairam sobre o discurso econômico da candidata. A necessidade se faz ainda mais presente porque Marina não é economista — e faz questão de criticar o comportamento de "gerente" de certos governantes. É considerada uma liderança política, não técnica. Situação que colocaria em maior evidência, caso vença as eleições, a figura de seu ministro da Fazenda. “Nesse sentido, Marina se aproxima mais de Lula do que de Dilma e Aécio. Isso aumenta a responsabilidade de sua equipe, que terá um papel fundamental, pois gestores de perfil mais político tendem a delegar mais e interferir menos em temas econômicos”, explicou Bernard Appy, cujo mandato no Ministério da Fazenda ocorreu durante o governo Lula. (Continua na Veja.com).

Aécio: Marina não tem rumo.

Em Campinas, o candidato do PSDB Aécio Neves criticou Marina Silva, que não sabe "qual direção seguir". Os assessores da Beata da Selva estão rachados: parte quer seguir o lulopetismo, parte quer FHC. É o poço de contradições do marinismo, que nem partido tem:


O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou na noite desta quinta-feira (28) em evento em Campinas, no interior de São Paulo, que a candidata do PSB, Marina Silva, precisa escolher "qual direção seguir" em sua campanha. O candidato disse que parte dos assessores da adversária defendem um governo ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e outros apoiam Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

Marina, que entrou na disputa após a morte de Eduardo Campos, aparece à frente do tucano na última pesquisa Ibope. Enquanto a pesquisa aponta Aécio com 19% das intenções de voto, Marina aparece com 29%. A candidata do PT, Dilma Rousseff, permanece em primeiro lugar, com 34%.

As declarações de Aécio foram feitas durante evento para o lançamento da candidatura à reeleição do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP). “Respeito muito a candidatura da Marina pelas boas intenções que ela tem, mas ela precisa escolher como vai governar. Alguns assessores da campanha dela querem governar com o Lula, e outros com o Fernando Henrique. Ela precisa escolher qual direção seguir”, disse Aécio.

Em entrevista publicada no jornal "Folha de S.Paulo" no último dia 25, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos conselheiros econômicos da campanha de Marina, afirmou ter interesse de que tanto Lula quanto Fernando Henrique sejam "aliados de projetos que interessem ao país" num possível governo de Marina.

'Adversário do PT'

Em Campinas, Aécio também foi questionado sobre o fato de ter Marina como principal adversária. "Eu sou adversário do governo PT, que fracassou na gestão na economia, que deixou a inflação, que fracassou na melhoria de políticas públicas e deixou a saúde uma tragédia. Eu tenho um projeto capaz de transformar sonhos em realidade", declarou.

O tucano disse, ainda, não ter se referido a Marina quando afirmou, na quarta-feira, que o Brasil "não é para amadores". Mais cedo, acandidata do PSB rebateu, sem citar nomes, a declaração de Aécio ao dizer que o país tem a possibilidade de escolher "entre os que tem esse sonho amador de ver o Brasil eficiente" ou "os que querem continuar na mão dos profissionais das escolhas incorretas".

"Me surpreende que ela tenha se considerado amadora. Eu não a citei. Eu considero apenas que existem alguns improvisos na candidatura dela. Nós temos uma direção clara para o Brasil", afirmou Aécio. (G1).

A "nova política": um poço de contradições. Com cheiro de pneu queimado.

Diante de tantas contradições, a candidata Marina Silva está, no mínimo, em uma "situação delicada". Apenas observo: onde há contradição, não há verdade. Artigo de Merval Pereira no jornal O Globo:


O caso do jato Cessna que vem dando dor de cabeça à direção do PSB por ser, ao que tudo indica, produto de uma obscura transação que envolve laranjas e dinheiro não contabilizado, trouxe para a herdeira política Marina Silva uma questão adicional, que reforça as supostas contradições de sua candidatura.

Uma das empresas envolvidas na compra do jato é a Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda, que importa pneus usados, negócio considerado como dos mais danosos ao meio-ambiente. A autorização de importação de pneus usados, por sinal, foi uma das muitas brigas que Marina travou à frente do ministério do Meio-Ambiente, e perdeu.

Em 2003, foi convencida pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, a recuar em sua posição contrária à importação de pneus em nome de um “bem maior”, no caso a unidade do Mercosul. Isso por que, apesar de oficialmente proibir a importação de pneus remodelados, o Brasil acata desde 2002 uma decisão do Tribunal Arbitral do Mercosul que obriga o país a aceitar a entrada de pneus vindos do Uruguai.

Essa posição provocou decisões judiciais que trouxeram para o país pneus usados dos Estados Unidos e da União Européia. Marina sempre reclamou que a questão dos pneus era tratada como puramente comercial, sem que fosse levado em conta seu lado ambiental. Seu objetivo, dizia, era fazer com que o Brasil deixasse de ser uma "lata de lixo global" para os pneus usados em outros países.

Sabe-se agora que a então denominada Bandeirantes Renovação de Pneus foi beneficiada por um decreto assinado em 2011 pelo governador Eduardo Campos, que ampliou seus benefícios fiscais, eliminando limites de importação fixados anteriormente por decreto do ex-governador e hoje deputado federal Mendonça Filho. Um dos sócios da hoje denominada Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda, Apolo Santana Vieira, responde a processos de sonegação fiscal estimados em cerca de R$ 100 milhões devidos pela importação de pneus pelo porto de Suape, em Pernambuco.

Unindo-se a natureza do empreendimento ao fato de que o uso do avião não fora ainda declarado como doação de campanha eleitoral, com forte cheiro de caixa 2, têm-se que a candidata Marina Silva está em uma situação no mínimo delicada. A "nova política" que ela e Eduardo Campos pregavam era transportada para cima e para baixo por um jatinho todo irregular, financiado em última instância por uma atividade comercial que a ambientalista Marina Silva repudia. E que recebeu estímulos fiscais de seu companheiro de luta política anos antes de os dois se juntarem para tentar chegar ao Palácio do Planalto.

A essa contradição da dupla anterior soma-se a atual, de ter como companheiro de chapa o deputado Beto Albuquerque, que foi um dos líderes da aprovação do uso de transgênicos no Congresso, derrotando a posição da então senadora Marina Silva. Como a própria Marina explica agora, trabalhar com quem discorda de seus pontos de vista mostra apenas que ela não é uma radical como a acusam, e que sabe conviver com contrários.

No caso de Beto Albuquerque é uma verdade, pois trata-se de um político correto que, ao que se sabe, estava em defesa dos agricultores do Rio Grande do Sul no caso dos transgênicos, e não em alguma transação nebulosa. Mas no caso da empresa de pneus usados, não há desculpa para receber doações de campanha fora da legislação e de um empreendimento que considera nocivo ao meio-ambiente.

Nem mesmo dizer que não fora informada de nada. Ao se juntar à campanha de Eduardo Campos, tinha a obrigação de se informar desses detalhes, justamente para não se ver em uma situação delicada como agora. Outra aparente contradição, mas que desta vez trabalha a seu favor, é a nota do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri (Acre), fundado por Chico Mendes, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que não gostou de ver Marina colocá-lo como membro da "elite" brasileira, nem quer vê-lo classificado como um "ambientalista", mas sim como "sindicalista".

O sindicato também condena a política ambiental "idealizada pela candidata Marina Silva enquanto Ministra do Meio Ambiente, refém de um modelo santuarista e de grandes Ong's internacionais". Ora, os próprios termos do debate mostram que a ex-seringueira Marina Silva saiu do Acre para ganhar uma dimensão modernizadora, com uma visão mais ampla da disputa política e da própria defesa do meio-ambiente.

Alô, Marina: quero apenas um presidente, não uma "nova era".

Tenho pavor de gente que quer "mudar o mundo". Os exemplos históricos dessas utopias são catastróficos. A realidade é sempre mais complexa que as idealizações, individuais ou coletivas. Estas, geralmente, não passam de tiro no escuro. A propósito, um interessante artigo de Reinaldo Azevedo, hoje, na FSP:


Tenho me dedicado, nem poderia ser diferente, a tentar entender o pensamento de Marina Silva -- há gente assegurando que ela vai presidir o Brasil. Mas é tarefa difícil. E rio daqueles que, julgando compreendê-lo, criam suas próprias metáforas para desentranhar as da candidata do PSB à Presidência, de sorte que, depois de alguns minutos de conversa, estamos todos no reino da alegoria, lá onde uma coisa puxa a outra rumo a lugar nenhum. Malsucedido no meu esforço, recorro, então, a Eduardo Giannetti, que parece ser o Platão redivivo que, desta feita, encontrou um bom Dionísio.

Marina reuniria as características da "Rainha Filósofa". Se ela fizer como Giannetti recomenda, conseguirá expulsar da política os cartagineses do PMDB e teremos, então, um governo dos "bons e dos virtuosos". A Siracusa do Planalto Central nunca mais será a mesma. Ou, quem sabe?, o pensador de agora se veja no papel de um Pigmaleão a esculpir a mulher ideal.

A esta Folha, Giannetti disse que sua "Tirana (no bom sentido, claro!) de Brasília" pretende governar com o apoio de FHC e de Lula, embora a própria Marina, em suas intervenções públicas, a despeito de reconhecer as contribuições de PSDB e de PT à democracia, anuncie que é chegada a hora de pôr fim à era do confronto entre os dois partidos. Ou por outra: para as elites políticas, o Platão da Marina diz que vai governar com Lula e FHC; para o eleitorado com ódio da política, ela assegura, de modo oblíquo, que não será nem com Lula nem com FHC.

A "Fórmula Marina", que Giannetti reproduz com impressionante ligeireza para quem tem preparo intelectual, é composta de ingredientes falsos ou de baixíssima qualidade. Marina seria o momento da síntese de uma tese e de uma antítese já manifestas. Ou, nas palavras do nosso Platão a este jornal, tentando certamente ser simpático com as duas personagens que cita: "FHC tem compromisso com a estabilidade econômica, nós também. Lula tem compromisso com a inclusão social, nós também. Vamos trabalhar juntos. Acho possível. Se a democracia brasileira tem razão de ser, é para que isso possa acontecer".

Abstenho-me de comentar o fato de o entrevistado, imodesto, ter descoberto nada menos do que "a razão de ser da democracia brasileira", encarnada, por acaso, em Marina, sob seus diligentes cuidados, é certo! Vou considerar que foi apenas uma distração retórica, não uma húbris... Inferir que FHC não teve compromisso com a inclusão social é uma falácia não menor do que a sugestão de que Lula se descuidou da estabilidade. À sua maneira, cada um dos ex-presidentes foi a síntese das contradições dos respectivos governos que lideraram. Ou será que Marina chega agora para ser o fim da história, o "último homem"?

De resto, a versão de que ao PSDB interessava mais a estabilidade do que a justiça social é só uma história porca narrada pelo petismo. A sugestão de que o PT só distribui benesses sem se ocupar das contas é só um reacionarismo tosco. Minhas severas restrições a esse partido têm a ver com suas taras autoritárias, com seu jacobinismo estúpido, não com seu viés social --de valores essencialmente conservadores, diga-se (mas isso fica para outra hora).

Notem que nem me atenho aqui às barbaridades defendidas por Marina durante a votação do Código Florestal ou à sua luta obscurantista contra os transgênicos. Também a preservo do passado mais remoto, quando, fiel ao petismo, ofereceu batalha contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Abstenho-me de tratar da rede de crimes que envolve aquele avião, da qual ela foi, obviamente, beneficiária, o que poderá resultar até na cassação de um eventual mandato se a lei for cumprida (ou me demonstrem que não). Esses são assuntos, digamos, contingentes, do dia a dia do noticiário.

Uma postulação assentada sobre uma fraude intelectual me incomoda muito mais. A leitura que Marina faz das contribuições e malefícios do PSDB e do PT à democracia brasileira é fantasiosa e atende apenas à mitologia erigida a partir de sua lenda pessoal. Os brasileiros deveriam ter o direito de escolher apenas um presidente da República. Marina quer nos oferecer uma nova era. Cuidado, Platão! Se der certo, não tem como não dar errado.