quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Blog voltará à carga

Não, o blogueiro não morreu, isso é intriga da ralé petista. A partir da próxima segunda, o blog voltará ao normal, ou seja, a malhar o lulopetismo e asseclas.

Até breve!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Blog em viagem

Em viagem e sem computador por enquanto. Até breve

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ciro merece a presidência do clube dos veteranos velhacos

Algum amigo poderia dizer-lhe que o papel de moleque boquirroto, que sempre desempenhou, já não combina com o Ciro sexagenário. Texto de Augusto Nunes (Veja.com):


A caminho do terceiro fiasco numa disputa pela Presidência da República, Ciro Gomes mantém intocados o vocabulário de bordel e a argumentação tão rasa que, na imagem definitiva de Nelson Rodrigues, qualquer formiga pode atravessá-la com água pelas canelas.

A cada campanha de Ciro, o que muda é o partido que lhe serve de coiteiro. No momento é o PDT, de Carlos Lupi, o bizarro ex-ministro do Trabalho de Dilma. Também mudam, claro, os alvos da discurseira de esgoto berrada com sotaque de coronel nordestino.

Quando foi ministro de Lula, por exemplo, Ciro enxergava no chefe o maior presidente da história. Hoje vê na mesma figura “um merda”, como revelou num palavrório recente.

Diretores de redação que antes bajulava para mendigar entrevistas e reportagens – eu fui um deles – agora se tornaram “jornalistas alugados que precisam garantir o emprego na idade provecta”. Eu seria um deles.

Para essa caricatura degenerada do Menino Maluquinho, envelhecer é crime. Ele nem desconfia que, nascido num clã de oligarcas, já era velho ainda nos trabalhos de parto. É compreensível que o cérebro grisalho tenha ordenado ao caudilho com pouco mais de 20 anos que começasse a carreira política no PDS.

Permaneceu até 1983 no partido que surgira das cinzas da Arena, concebido para dar sustentação parlamentar ao regime militar. Um ano antes da redemocratização, filiou-se ao PMDB para ampliar as chances de virar deputado estadual.

Foi o começo da romaria partidária que o levaria a alugar-se, arrendar-se ou vender-se ao PSDB, ao PPS, ao PSB e ao PROS antes de homiziar-se no PDT. É hora de algum amigo misericordioso dizer-lhe que o papel de moleque boquirroto, que passou a vida interpretando, já não combina com um sexagenário.

Desde 6 de novembro, Ciro Gomes desfruta dos privilégios concedidos aos idosos: filas preferenciais, meio ingresso em cinemas e circos, viagens rodoviárias gratuitas, estacionamento cativo — tudo isso está ao alcance do jurássico oportunista que se imagina jovem.

Queira ou não, ele foi incorporado à grande tribo dos provectos. Se criar juízo, deixará de chamar eleitores de “burros”, afirmar que o papel da mulher de um político é dormir com o candidato ou qualificar Fortaleza de “um puteiro a céu aberto”.

Caso mantenha o estilo, o sessentão idiotizado pela certeza de que o Brasil é uma imensa Sobral ficará alguns anos-luz mais longe do Planalto. Em contrapartida, estará cada vez mais perto da presidência perpétua do clube dos veteranos velhacos.

O ridículo em política

Paulo Tunhas, professor de Filosofia no Porto e colaborador do jornal Observador, chama a atenção para algo quase sempre esquecido em termos de política: o ridículo. Sirva de exemplo a América Latina - particularmente a Venezuela -, onde não faltam políticos ridículos nem ridicularia. "Quando o ridículo se repete e se torna por assim dizer um hábito tolerado, de uma coisa podemos estar certos: o sentimento de impunidade aumenta. E com o sentimento de impunidade vem inescapavelmente o arbitrário e o seu costumeiro cortejo de horrores. O que, num primeiro momento, pode perfeitamente ser insignificante, arrisca-se a, pouco a pouco, contribuir para a destruição da nossa vida comum": 


Cada um, de vez em quando, vê-se apanhado por uma questão à qual volta repetidamente. Comigo, de há uns tempos para cá, é a do ridículo em política. Sublinho: em política. Na longa lista dos ridículos possíveis, a maioria pertence à categoria geral do indiferente. E há até alguns que podem ascender ao estatuto do admirável, como no caso do amor, em que o medo do ridículo se arrisca muitas vezes a condenar os indivíduos à infelicidade eterna. Mas em política o ridículo possui uma natureza própria, que em certos momentos se confunde com a do ameaçador.

Nada como um exemplo. A Assembleia Constituinte venezuelana aprovou no outro dia uma Lei Constitucional Contra o Ódio. Já o nome é todo um programa. Não que a legislação sobre as paixões seja propriamente uma invenção do regime do camarada Maduro. Num certo sentido, toda a legislação visa sempre condicionar o exercício das paixões ou encaminhá-lo numa certa direcção. Platão explicou-o na República e a lição não foi esquecida pela filosofia. O problema não está, é claro, aí. O problema começa com a ideia de que as paixões podem ser abolidas por decreto. E continua com a escolha da paixão a abolir. O ódio, como se sabe, opõe-se ao amor. A Assembleia Constituinte venezuelana vê-se como a fiel depositária desta última e nobre paixão e como um corpo particularmente habilitado para detectar e punir tudo o que se lhe oponha. Em vez de “ódio” podia, é claro, lá estar “mal”. Não há grande diferença entre uma coisa e outra. Em qualquer dos casos, estamos num plano mítico. O Bem contra o Mal, o Amor contra o Ódio. E as regras mandam que o primeiro elemento de cada par destrua, no fim dos tempos, o segundo. A Venezuela vai por óptimos caminhos.

Tanto mais que a Lei Constitucional contra o Ódio se apresenta também como uma lei contra o particular flagelo da intolerância. “A Venezuela põe hoje esta lei à disposição do mundo. Não exportamos somente petróleo, queremos exportar paz, amor e tolerância num mundo gravemente ameaçado pelos poderes imperiais”, proclamou Delcy Rodríguez, a presidente da Assembleia Constituinte. A exportação do Bem sob as suas várias formas promete. O problema fica no interior da Venezuela. Porque os fautores do ódio e apóstolos da intolerância se encontram perfeitamente designados pela Assembleia Constituinte. Com efeito, a lei esclarece que serão doravante ilegais os partidos e os meios de comunicação social que não jurem muito depressinha pelo amor e pela tolerância e que promovam os seus contrários. E, atenção, a intolerância paga-se caro: vinte anos de prisão. Sem tanta magnífica tolerância, presume-se que seriam mais.

Esta fantochada pode certamente fazer rir. O ridículo indiscutível da fantasia cósmica de uma luta imemorial entre o amor e o ódio terminada por decreto revolucionário com a vitória do primeiro não convida certamente a reflexões sérias. Mas, se tivermos em atenção os seus antecedentes históricos, o riso devia gelar-nos. Não só porque tudo obedece a um padrão bem estabelecido que sempre presidiu às tentativas de criar um “homem novo”: o da excisão das “más paixões” do coração dos humanos, como, por exemplo, a paixão pela propriedade privada. Toda a gente conhece os exércitos de cadáveres que resultaram do exercício, ainda por cima condenado ao fracasso. Mas também por outra razão, que se prende com a natureza própria do ridículo: a contradição ostensiva que a Lei Constitucional contra o Ódio exibe quando se refere à tolerância. A intolerância não será tolerada. Não se trata apenas aqui do velho “paradoxo da tolerância”, tema importante da filosofia política sobre o qual Diogo Pires Aurélio escreveu há já vários anos, um excelente pequeno livro (Um fio de nada. Ensaio sobre a tolerância): pode a tolerância tolerar os seus inimigos?, como estabelecer os limites no capítulo? Não: aqui há mesmo contradição. A tolerância é definida a partir do ponto de vista de uma intolerância que pretende nominalmente eliminar. E funciona como um nome sem substância real, produzido por uma máquina de palavras. O ridículo é indiferente para quem funciona como uma máquina de palavras.

E chegamos aqui ao que me interessa e que extravasa largamente o caso dos bravos deputados venezuelanos. Tão largamente que este assunto poderia, sem dificuldade, tornar-se objecto de uma coluna semanal: exemplos não faltariam. O riso face à contradição patente devia assinalar-nos o perigo. Nestas matérias, a indiferença face ao ridículo não é apenas sinal da falta daquele pudor que, para Platão, era uma virtude política eminente. É, mais afirmativamente, a declaração de um fechamento sobre si que representa a recusa explícita de nos colocarmos no lugar dos outros. Certas formas de ridículo político exibem na perfeição essa recusa. O caminho para o grotesco e, de seguida, para o horror, encontra-se já traçado. Tudo é possível para quem decidiu não se pôr mais no lugar do outro.

Há uma extensa literatura que lida com a questão da mentira em política. Ela deveria ser acompanhada por uma reflexão sobre o papel do ridículo. Em muitos casos, é de admitir, ele pode ser insignificante. Os mecanismos democráticos servem perfeitamente, em princípio, para o conter e para manter algum do tal pudor de que Platão falava e que é indispensável para a decência das sociedades. Mas nada é infalível. Não é preciso lembrar o exemplo de Hitler: quanta gente não o levou, durante um tempo tragicamente excessivo, a sério? Não é preciso nem talvez seja conveniente. Há um excesso em Hitler que o torna quase incompatível com a descrição da nossa experiência política mais comum, por muito que esta se incline nas piores direcções.

Mas há exemplos menores que nos convêm melhor. E há sobretudo uma espécie de escala à qual não nos faria mal estarmos atentos. Quando o ridículo se repete e se torna por assim dizer um hábito tolerado, de uma coisa podemos estar certos: o sentimento de impunidade aumenta. E com o sentimento de impunidade vem inescapavelmente o arbitrário e o seu costumeiro cortejo de horrores. O que, num primeiro momento, pode perfeitamente ser insignificante, arrisca-se a, pouco a pouco, contribuir para a destruição da nossa vida comum. Kant, seguindo o filósofo inglês Shaftesbury, dizia que o riso provocado é a pedra de toque da má filosofia. A frase (que se pode, é claro, discutir) pode talvez ser transportada para o plano político. O ridículo é, à sua maneira,uma pedra de toque da má política. Rir faz sentido, certamente, mas na condição de estarmos conscientes de que o pior pode vir aí.

Mexendo nos milhões do "mais honesto"


Herança petista: 4,1 milhões de famílias da "nova classe média" foram rebaixadas.

Devido à recessão do governo Dilma, milhões de famílias que figuravam na classe C voltaram para as classes D/E:


A pior recessão da história do Brasil acabou, mas os seus efeitos ainda serão sentidos com força nos próximos anos. Um dos mais perversos foi o “rebaixamento” de 4,1 milhões de famílias que deixaram de fazer parte da classe C e voltaram para as classes D/E. A “ex-classe média” sofreu sobretudo entre 2015 e 2016 – e reverteu todo o processo de mobilidade social ocorrido entre 2006 e 2012, quando 3,3 milhões de famílias haviam avançado para a classe C.

As famílias das classes D/E são aquelas com rendimentos mensais de até R$ 2,3 mil. Já a classe C tem renda entre R$ 2,3 mil e 5,5 mil. As conclusões fazem parte de um estudo dos economistas Camila Saito e Adriano Pitoli, da Tendências Consultoria Integrada.

Os economistas lembram que entre 2005 e 2013, o número de famílias das classes D/E encolheu 1% ao ano. Nesse período, houve uma forte migração para a classe C, que cresceu em média 6,2% ao ano e ajudou a impulsionar a economia do país graças ao consumo. “No entanto, com a mudança da dinâmica econômica, menos atrelada ao consumo daqui para a frente, a classe C – que já deixou de ser a mais dinâmica – deve seguir com desempenhos mais modestos”, alertam.

Com a reversão desse processo de mobilidade social, a expectativa para o cenário de 2018 a 2026 é de que haja migração de famílias nas classes mais altas, enquanto as classes C e D/E terão desempenhos modestos e estáveis. As projeções indicam que a massa de renda total das classes D/E deve ficar estável, num ritmo de 0,4% ao ano neste período. Para comparação, entre 2006 e 2014, a evolução de renda dos mais pobres era de 1,3% ao ano.

Já para a classe C, a expectativa é de manter um desempenho modesto, com evolução de massa de renda de 2,4% ao ano entre 2018 e 2026. Esse indicador é muito inferior ao registrado entre 2006 e 2014, quando a renda da classe C cresceu em média 7,9% ao ano.

Retomada mais demorada

As famílias das classes D/E vão ter a retomada da massa de renda mais lenta que as demais. A estimativa dos economistas da Tendências mostra que a melhora será gradual, mas entre 2017 e 2019 ainda haverá uma queda de renda. Só a partir de 2020 é que a possibilidade de ganhos reais volte para essas famílias mais pobres. Já para a classe C, a recuperação já começou, mas é modesta.

A evolução é lenta e o número de famílias que voltam para as classes D/E já começa a diminuir a partir deste ano. A expectativa é de que 2017 feche com 475 mil famílias adicionadas a essas classes. Para 2021, a projeção é de adição de 121 mil famílias.

A classe C deve ter uma adição de 352 mil famílias neste ano. O acréscimo anual deve subir ano a ano. Em 2021, segundo a Tendências, 515 mil famílias devem chegar à classe média. (Gazeta do Povo).

Atire a primeira pedra

Não é injúria racial ou racismo o motivador da campanha: é o pensamento de William Waack que desagrada a militância politicamente correta. Texto do jornalista Carlos Brickmann, via Chumbo Gordo:


Não consegui ouvir direito a frase que motivou o afastamento de William Waack da Rede Globo de Televisão. Mas minha eventual incapacidade auditiva, e a de vários colegas que também tentaram ouvi-la sem êxito, não entra na discussão: admitamos que Waack tenha mesmo dito que as buzinadas na rua, que atrapalharam a gravação de seu programa e o irritaram, eram “coisas de preto”.
Mas, como minha surdez, a frase de Waack não tem nada a ver com o caso. A campanha contra ele, um ano depois da gravação da frase, não tem como motivo algo que tenha dito, mas o fato de ter sido dito por ele. Não é a injúria racial, ou racismo, o motivador da campanha: é o pensamento de Waack, que desagrada militantes de tendências opostas.

Imaginemos que, em vez de Waack, outras pessoas, de outras tendências político-partidárias, tivessem pronunciado frases do mesmo teor. Melhor, em vez de imaginar, lembremos frases já enunciadas por pessoas tão ou mais influentes que William Waack:

Do presidente Ernesto Geisel, referindo-se a um economista liberal (e, portanto, adversário de sua política econômica), professor Eugênio Gudin: “Esse judeu filho da puta!” O episódio é narrado na excelente obra de Elio Gaspari sobre o regime militar. Alguém protestou contra a frase preconceituosa de Geisel? OK, era perigoso falar mal de Geisel durante a ditadura. Mas nas dezenas de anos que se passaram, e com o caso voltando ao debate com os livros de Gaspari, houve protestos? A propósito, o professor Gudin não era judeu.

Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o prefeito de Pelotas, RS: “Pelotas é um pólo exportador de veados”. Homofobia? Ninguém chegou a falar nisso, que me lembre. Ah, se Waack fosse o autor da frase!

… cá entre nós, quem nunca fez piada de português, de loira burra, de preto, de judeu, de turco, de veado, de sapatão? Apresente-se…

Do governador paulista Orestes Quércia, brincando ao telefone com o prefeito de Pelotas (que ficou furioso): “Podemos fazer uma estrada ligando Campinas a Pelotas, a Transviadônica”.

E há, é óbvio, o caso de Caetano Veloso. Paula Lavigne disse que, aos 13 anos, foi à festa de aniversário de Caetano, que fazia 40, com a intenção (bem sucedida) de fazer sexo com ele. Agora, na mesma guerra ideológica que tenta vitimar Waack, mas com sinal partidário trocado, quiseram atribuir a Caetano o crime de pedofilia, como querem atribuir a Waack o de racismo. E, semelhante em ambos os casos, há a má intenção de atingir uma pessoa de quem não gostam usando pretextos politicamente corretos.

E, cá entre nós, quem nunca fez piada de português, de loira burra, de preto, de judeu, de turco, de veado, de sapatão? Apresente-se. E atire a primeira pedra.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Pobres meninos ricos

Ana Paula do Vôlei dá uma sarrafada no socialismo de butique que reúne a nata de apoiadores do Partido Democrata. "Essa gente que ficou estupidamente rica na iniciativa privada agora quer a estatização da solidariedade? O PSOL nasce para todos, até em terras ianques. Para alguns correspondentes que vivem na bolha democrata por aqui, a Síndrome de Estocolmo venceu a ganância e um outro mundo é possível. O velho discurso marxista de botequim ganhou os palácios da elite branca, culpada e cansada de guerra. Que homens!":


Esta semana, aqui nos EUA, o Partido Republicano anunciou o plano para uma reforma tributária profunda com significativas reduções de impostos para alguns setores. A idéia é estimular o crescimento econômico deixando mais dinheiro na mão da sociedade. Um grupo de 400 milionários ligados ao Partido Democrata (não confundir com a própria imprensa) reagiu dizendo que eles não querem deduções tributárias. Sim, você leu direito: ricos que querem pagar mais impostos. Hum. Como não querer apertar as bochechas de quem está comprando a ideia de que algumas das maiores fortunas americanas querem mais impostos para elas próprias? Vendo as matérias na TV, confesso que fico com uma ponta de inveja de tanta inocência engajada.

Algumas raposas felpudas do jornalismo caíram, meio “sem querer, querendo”, na fábula do rico com consciência social, do banqueiro com coração, do bilionário altruísta que está cansado de tanto dinheiro e agora quer que os companheiros do governo intervenham ainda mais na economia e confisquem o que eles ganharam em tempos de liberdade. Sei.

Essa gente que ficou estupidamente rica na iniciativa privada agora quer a estatização da solidariedade? O PSOL nasce para todos, até em terras ianques. Para alguns correspondentes que vivem na bolha democrata por aqui, a Síndrome de Estocolmo venceu a ganância e um outro mundo é possível. O velho discurso marxista de botequim ganhou os palácios da elite branca, culpada e cansada de guerra. Que homens!

A verdade inconveniente é que, não contem para os valorosos militantes do jornalismo engajado, o milagre do capitalismo está na geração de riqueza. A visão jacobina de que a emancipação da classe trabalhadora e do povo virá da pilhagem do dinheiro dos ricos é um dos mitos mais antigos que existe mas que, até hoje, só enriqueceu burocratas do governo, intelectuais e, curiosamente, bilionários com coração. Quando a geração de riqueza desacelera, a mobilidade social também pisa no freio e os ricos continuam ricos, assim como pobres continuam pobres. Não precisa ser economista pra saber isso.

A riqueza criada do país que adotei foi fruto direto do trabalho de empreendedores incomparáveis durante a segunda metade do séc. XIX e a primeira do séc XX. A terra dos livres e lar dos bravos deu certo, e o mundo sabe disso, muito pelo grande estímulo ao empreendedorismo. Os números da imigração não mentem, inclusive de intelectuais que ficam por aqui fazendo biquinho para o país enquanto choram pelos 100 anos da revolução russa (que vergonha alheia, Deus pai).

Se os inimigos da América antigamente usavam martelo e foice, hoje aparecem de terno e gravata em salões refrigerados pedindo a importação de regimes que nunca funcionaram em qualquer lugar, especialmente se comparados aos resultados incomparáveis daqui. Não faz sentido, mas ideólogos e revolucionários de butique não precisam fazer sentido, uma bobagem burguesa.

O Partido Republicano quer agora repetir Reagan, outro direitista (tirem as crianças da sala!) que aposta no, perdoem o palavrão, liberalismo. O caubói de filmes B, tão ridicularizado pela imprensa engajada na época quanto o presidente atual, pegou um país com inflação de dois dígitos, recessão, desemprego e cabisbaixo. Depois de oito anos de gestão, iniciados em 1981 com um discurso histórico que disse “governo não é a solução, o governo é o problema”, Reagan mostrou ao mundo que com menos impostos temos mais investimentos, mais empregos, mais inovação e mais riqueza para todos, iniciando um período de 25 anos ininterruptos de crescimento e desenvolvimento. Nada mau para um caubói de filme B, o que ainda irrita intelectuais e jornalistas engajados e com consciência social.

Um pouco de racionalidade e honestidade intelectual no debate reconheceria que riqueza na mão da sociedade, como a história americana prova, é sempre preferível à pilhagem governamental. Quando um bilionário, que entende mais de dinheiro que nós todos juntos, quer o governo com poderes de saquear parte do patrimônio da sociedade coercitivamente, desconfie. Ninguém, até a última vez que eu chequei, está impedido de dar voluntariamente parte ou todo seu dinheiro para filantropia ou para o próprio governo.

Os milionários travestidos de bastiões da bondade que apoiam o Partido Democrata demandam que o Partido Republicano não passe a reforma tributária alegando uma falsa bondade dos ricos a favor dos pobres. Não sou economista, mas não é tão difícil entender que uma economia engessada e regulada, que estrangula a classe média, os empreendedores, a pequena e média empresa, que tira os recursos dos investidores e criadores de empregos enquanto joga migalhas para o povo, é o sonho de qualquer senhor feudal desde sempre.

A oposição democrata ao pacote é puramente ideológica, já que cortar impostos de investidores e empreendedores é o combustível do crescimento e da livre concorrência, algo que dá calafrios e pesadelos em bilionários com consciência social. A nobreza, desde o feudalismo, prefere a economia controlada pela coroa para que nenhum servo ouse se tornar o próximo duque, garantindo as capitanias hereditárias e todo tipo de concessão estatal para que a família continue controlando oligopólios. As esmolas assistencialistas são um preço muito pequeno a pagar perto do lucro gerado pela proteção dos seus mercados. O falso assistencialismo ainda é o melhor e mais rentável balcão de negócios.

A elite branca do partido de Hillary Clinton quer tantos impostos e regulações quanto possíveis para impedir que o próximo Steve Jobs crie a nova Apple numa garagem. John Kennedy, um democrata que hoje estaria no Tea Party, também cortou impostos radicalmente para anabolizar a economia. Hoje seria chamado de nazista.

Lá em Minas, a gente desconfiaria se alguém dissesse que quer abrir a porta do próprio cofre para o ladrão, mas os tempos são outros. A estatização da caridade nunca deu tão certo (e tanto lucro!) e todo mundo sabe disso, mas nada impede da mentira ser repetida mil vezes até virar verdade. Dinheiro na mão da sociedade é investimento, mesmo quando depositada no banco, página um de economia básica, essa coisa da extrema-direita. Deus nos salve da caridade do socialismo de butique.

100 anos de comunismo: 100 milhões de mortos.

Memorial das Vítimas do Comunismo, em Praga.
Javier Fernández-Lasquetty, vice-reitor da Universidade Francisco Marroquín, sustenta que o comunismo causou 100 milhões mortes e aponta algumas ideias para vencê-lo:


El comunismo le ha costado a la humanidad 100 millones de muertos, como recopilaron concienzudamente Stéphane Courtois y un equipo de historiadores en ese libro imprescindible que es El libro negro del comunismo, que la izquierda se ha cuidado de convertir hoy en imposible de encontrar incluso en Amazon.

El comunismo fue una ideología dedicada al crimen desde el primer minuto de su existencia, como han recordado en días recientes autores tan relevantes como Richard Pipes o Stanley Payne, y que ya muy pronto fue denunciado por quienes —como describe Ayn Rand en Los que vivimos— vivieron en carne propia lo que significaba la dictadura del proletariado.

En estos días se cumplen 100 años de la revolución bolchevique, y abundarán los balances y valoraciones. Verán ustedes como habrá unas cuantas, desde la izquierda autodenominada “progresista”, que condenarán los crímenes de Stalin, tal vez incluso los de Lenin… pero salvarán al comunismo, alegando que era un ideal digno de encomio.

No es así. No es que Stalin, Lenin o Mao falsearan o desviaran el ideal comunista. No se puede condenar a estos megacriminales sin condenar al comunismo en sí, como idea y como concepción del poder. El problema no fue que los líderes soviéticos se equivocaran o exageraran en su aplicación del dogma comunista. El problema fue que hicieron exactamente lo que el comunismo es en sí mismo.

El comunismo es en sí mismo una idea criminal, que elimina de raíz la libertad humana, sometiendo minuciosamente la vida de cada persona a los designios y las decisiones de otros. Por eso toda expresión de individualismo o de libertad de pensamiento y de expresión fueron cuidadosamente prohibidos, como George Orwell ilustra en 1984.

El comunismo es criminal porque aniquila la igualdad de los seres humanos, estableciendo quiénes tienen derecho a vivir y quiénes no. Por eso a Mao, a Stalin, o a Lenin, les tuvo sin cuidado que millones de personas murieran de hambre, como describe magistralmente Martin Amis en Koba el Temible.

El comunismo es criminal porque es en su esencia opuesto a la condición humana y a la propia dignidad, a la que reduce a una despreciable insignificancia que no merece mayor atención. Vasili Grossman, que lo conoció bien y en días de guerra, lo describe perfectamente en todos sus libros, y especialmente en el estremecedor Todo fluye.

Por eso en estos 100 años la ideología comunista ha sido culpable de la muerte de 100 millones de personas. El régimen maoísta en China se llevó por delante a más de 60 millones de seres humanos, entre asesinatos, saltos hacia adelante, revoluciones culturales, y hambrunas deliberadamente provocadas. Otros 20 millones cayeron en la Unión Soviética, muchos en el gulag y en las purgas, pero otros muchos —ucranianos, especialmente— en sus casas, hambrientos, requisado por el soviet todo lo que pudiera ser comido. Sin duda el comunismo es la ideología política que ha causado mayor dolor a la humanidad por un período de tiempo más largo, que ni siquiera ha terminado aún.

Por eso es necesario recordar el centenario de la revolución bolchevique, como ha hecho en estos días la Universidad Francisco Marroquín, o como va a hacer Victims of Communism, una fundación que cada vez programa actividades más interesantes. Escuchar el testimonio de las víctimas directas del comunismo, como Armando Valladares en Cuba, o Natan Sharansky en la URSS, ayuda a no olvidar de lo que es capaz el comunismo cuando llega al poder.

El comunismo demostró una capacidad innegable de extender la agitación a través del mundo y a lo largo del tiempo. Mucho sufrieron Europa y Asia, pero también Latinoamérica y África. Aún hoy hay tres estados —Cuba, Corea del Norte y Venezuela— que ponen en jaque la libertad y la tranquilidad de continentes enteros. Movimientos recientes como Podemos son una forma renacida de comunismo, que disfraza su leninismo entre círculos y coletas.

La única forma de vencer al comunismo es la que aplicaron Reagan, Thatcher y, a su manera, el Papa Juan Pablo II: negando de raíz que esa doctrina tuviera nada de idealista, ni parte positiva alguna. No puede tenerla quien en 100 años de poder omnímodo no ha traído otra cosa que tiranía, empobrecimiento y muerte. (Instituto Cato).

(Este artículo fue publicado originalmente en Libertad Digital (España) el 6 de noviembre de 2017).

O próximo alvo da patrulha ideológica: a matemática.

Como a estupidez ideológica não tem fim, sobrou preconceito politicamente correto também para a matemática, que privilegiaria os estudantes com base na etnia. Ideologia, de fato, emburrece:


Tradicionalmente considerada uma disciplina objetiva, a matemática ensinada nas escolas não debate questões sociais e culturais comuns a disciplinas como sociologia, história e filosofia. Mas deveria? Para alguns acadêmicos, a resposta é sim. 

Nos últimos anos, tem ganhado força uma corrente segundo a qual a matemática tradicional privilegia os estudantes com base na etnia. 

“Em muitos níveis, a matemática opera como a branquitude. Quem é creditado por fazer e desenvolver a matemática e quem é visto como parte da comunidade matemática é visto geralmente como branco”, escreveu Rochelle Gutiérrez em seu livro “Building Support for Scholarly Practices in Mathematics Methods” (“Construindo suportes para práticas acadêmicas em métodos de matemática”, em tradução livre), de acordo com o site CampusReform

Segundo ela, a ênfase em conhecimentos produzidos por pensadores europeus, como o teorema de Pitágoras (um grego), ou o número pi, popularizado pelo matemático suíço Leonhard Euler, reforçam a ideia de que as bases da matemática como ciência foram lançadas na Europa. E com essa abordagem, indivíduos de grupos minoritários são afastados da matemática. “Se uma pessoa não é vista como pertencente à matemática, sempre haverá um senso de inferioridade que emergirá”, argumenta Gutiérrez. 

Representatividade 

Essa ideia foi defendida em uma nota oficial conjunta de duas organizações que tem se dedicado a combater o“eurocentrismo” da matemática: a TODOS: Mathematics for All e o National Council of Supervisors of Mathematics (NCSM). No documento, as organizações apontam que “líderes e professores de matemática devem reconhecer que o atual sistema educacional de matemática é injusto e baseado em um legado de discriminação institucional com base em raça, etnia, classe e gênero”. 

Um estudo realizado pelo matemático Trevor Thayne Warburton defende que a noção de que a matemática como conhecimento abstrato, ou uma ciência pura, também é uma abordagem branca. Segundo ele, isso ocorre porque o ensino delimita os conhecimentos matemáticos de acordo com noções europeias, sobretudo da Grécia Antiga, do que seria o pensamento matemático. 

Para Warburton, essa noção está enraizada na educação e define os modelos e metodologias de ensino de matemática. “Esses discursos dominantes definem os relacionamentos que são estabelecidos com os alunos, o conhecimento do que significa ser um bom professor de matemática e o que é reconhecido como matemática escolar”, diz. 

De acordo com a análise de Trevor, essa concepção deve ser desafiada na formação dos professores de matemática, devem desafiar a noção da matemática pura. 

“Esses discursos podem ser desafiados ao tratar sobre a separação entre matemática pura e aplicada, a separação da matemática em vários ramos e falta de reconhecimento de concepções alternativas do que é matemática e o que significa fazer matemática”, sugere. 

Brasil 

No Brasil, uma iniciativa nesse sentido é a inclusão de disciplinas de etno-afromatemática no curso de licenciatura em Matemática da Universidade Federal do ABC (UFABC). O objetivo é incluir no currículo de formação de professores o estudo de contribuições africanas e afrodescendentes à matemática contra uma “supervalorização do pensamento de matriz europeia em detrimento da produção intelectual de origem africana”. 

Uma justificativa para esse tipo de mudança é a ideia de que o ensino de matemática está ligado a uma doutrinação. “A matemática é tradicionalmente ensinada de uma maneira que os alunos são expostos a um ensino por si só já doutrinário”, explica Adonai Schlup Sant'Anna, professor do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Do mesmo modo, análise realizada por Brian Katz, professor de matemática na Augustana College, e publicada pela American Mathematical Society aponta que a matemática é política e que a determinação dos conteúdos e conhecimentos trabalhados no ensino da disciplina são uma escolha guiada por essa orientação política. 

“A matemática é política porque é aprendida por pessoas. A escola é uma instituição cultural que busca recriar uma cultura”, explica Katz. “Dentro das nossas salas de aula, como algumas vozes, ideias e questões se tornam centrais enquanto outras são desconsideradas?” 

Divergência 

Para Guilherme Rodrigues especialista em Matemática e professor dos cursos de Engenharia da Universidade Positivo (UP), a escolha dos conteúdos ensinados em matemática está mais relacionada às necessidades do mercado. “Vivemos em uma sociedade que trabalha no âmbito do mercado, e há exigências externas. Claro que há também exigências sociais. Essas duas correntes têm que conversar. O que vemos hoje é uma histeria dos dois lados”, diz. 

Segundo ele, determinadas abordagens e métodos de ensino podem ser considerados elitistas porque desconsideram as dificuldades específicas de certas camadas da sociedade, mas esse elitismo não teria base racial. “Considero que o elitismo é a pior de todas as expressões e o racismo também é. Mas vejo que o elitismo nos cerca. Ele não agride só um grupo especifico, ele agride a sociedade como um todo.” (Gazeta do Povo).

Só Lula lucrou com a refinaria mais cara do mundo

Para autorizar a construção da Abreu e Lima, o ex-presidente ganhou, só da construtora OAS, a bagatela de R$ 2,5 milhões. Coluna de Augusto Nunes:


Em maio deste ano, durante o primeiro depoimento de Lula sobre o caso do triplex do Guarujá, o juiz Sergio Moro perguntou ao réu qual tinha sido sua participação na concepção da refinaria Abreu e Lima. A resposta foi recitada com a placidez e a candura de quem perdeu a vergonha ainda no berçário.

“Essa refinaria de Pernambuco era assim: Espírito Santo queria a refinaria, Ceará queria a refinaria, Rio de Janeiro queria a refinaria em Campos e Pernambuco queria a refinaria”, disse, antes de prosseguir. “E todos tinham uma empresa chamada Marubeni, que todo mundo falava que iria participar. Acontece que fiz um encontro em Pernambuco com o presidente Hugo Chávez e lá em Pernambuco o Chávez demonstrou interesse em fazer uma associação com o Brasil para fazer uma refinaria”.

Simples assim. E por que a ideia pareceu interessante ao réu?

“Era um jeito do Brasil equilibrar a balança comercial com a Venezuela. Nós tínhamos um superávit de US$ 5 bilhões e não é sadio que um país grande como o Brasil tenha um superávit tão grande com um país pequeno como a Venezuela”.

Simples assim.

É de doer. O acordo entre Lula e Chávez previu que o Brasil pagaria 60% das despesas e a Venezuela arcaria com os 40% restantes. Chávez desistiu do negócio sem ter desembolsado um único centavo e sem justificar o calote. A conta foi espetada na Petrobras.

Em 2005, quando o projeto foi oficialmente anunciado por Lula, a refinaria custaria US$ 2,3 bilhões, seria inaugurada em 2014 e produziria 230 mil barris por dia. As obras continuam (sem data para se encerrarem). Já engoliram mais de US$ 20 bilhões. E a refinaria não consegue processar mais de 100 mil barris por dia.

Lula não tem do que se queixar. Por ter autorizado a construção da refinaria mais cara e inútil do mundo, só da OAS ganhou mais de R$ 2,5 milhões. É compreensível que continue berrando contra a privatização da Petrobras. Ainda existem vizinhos bolivarianos sonhando com obras faraônicas. E nunca faltarão empreiteiros prontos para enriquecer presidentes com propinas milionárias.

Delírio da vida real: o elo entre o filho de Trump e Assange.

O jogo dos espelhos - e das manobras de espionagem - fica ainda mais espantoso com a revelação de contatos do homem da WikiLeaks e a turma de Trump. Artigo de Vilma Gryzinski (Veja.com):


Eleição nos Estados Unidos, independência da Catalunha, plebiscito que deu no Brexit, movimentos de extrema-esquerda e de extrema-direita. É longa a lista de manipulações pendurada na conta do serviço de espionagem da Rússia.

A mais grandiosa, evidentemente, é a tentativa de interferência na eleição presidencial americana, cheia de reviravoltas, algumas críveis, outras suspeitas. As revelações mais recentes merecem ser desdobradas:

FILHINHO DE PAPAI

Donald Trump Jr. chegou muito perto de “combinar com os russos” algum tipo de estratégia eleitoral.

Recebeu uma emissária altamente suspeita que pretendia abrir segredos sobre Hillary Clinton. Agora, espetacularmente, a revista The Atlantic revelou que ele trocou emails com o WikiLeaks, ou seja, com Julian Assange, durante a campanha presidencial e depois da inesperada vitória do pai.

“Adoro o WikiLeaks”, escreveu num deles.

ÍDOLO CAÍDO

Em todo o planeta e talvez até fora dele, Assange foi cultuado durante anos como o ícone da transparência com a criação do WikiLeaks, o lugar onde todos os podres podiam aparecer.

Autoexilado na embaixada do Equador em Londres, ele recebe expoentes da esquerda mundial, mas sua total falta de apetite por revelações sobre a Rússia já havia despertado suspeitas até nos mais crédulos corações. Quando os emails do comitê do Partido Democrata foram divulgados através do WikiLeaks, os corações crédulos ficaram partidos.

Agora, o golpe final. Assange, através do WikiLeaks, falava com Trump Jr. Don, para os íntimos. Assuntos: contestar o resultado da eleição se Hillary ganhasse e pescar informações valiosas, como a declaração de renda de Trump, até hoje sigilosa.

Os interesses de Vladimir Putin e as atitudes de Julian Assange vão ficando cada vez mais coincidentes.

AUDÁCIA, SEMPRE

Esta é difícil de acreditar: um dos emails da WikiLeaks propõe que Trump, à época presidente eleito, sugerisse à Austrália mandar Julian Assange como embaixador dos Estados Unidos.

Até pelos padrões de Assange, que é cidadão australiano, é uma proposta de dimensões alucinantes. Ele foi o transmissor de informações sigilosas, muitas comprometedoras, sobre militares, diplomatas e espiões americanos.

Só para lembrar: ele está enfurnado na embaixada equatoriana para não ser enviado à Suécia, onde seria interrogado sobre acusações esquisitas de estupro (uma das acusadoras disse que ele fez sexo sem camisinha com ela enquanto dormia, na cama dividida de comum acordo).

Uma hora, Assange alega que pode ser extraditado da Suécia para os Estados Unidos e enfrentar até pena de morte – alucinação total. Outra, trama para ser embaixador no país que o executaria. Será que é alguma coisa na comida que chefs famosos de Londres mandam por simpatia para a embaixada do Equador?

CABRA DA PESTE

Tudo o que se refere a manipulação da opinião pública e contatos suspeitos entre políticos americanos e agentes russos está sendo investigado pelo durão Robert Mueller, ex-diretor do FBI. Já indiciou três pessoas do entorno de Trump durante a campanha por motivos não diretamente relacionados a ela.

Outras virão. Na lista, o próximo deve ser o general da reserva Michael Flynn, que escondeu contatos com a Rússia e a Turquia antes de se tornar o brevíssimo conselheiro de Segurança Nacional de Trump.

O filho Trump Jr. e o genro, Jared Kushner, também terão que dar explicações convincentes. Os contatos de Júnior com o WikiLeaks engordam o dossiê.

SUJOS E MALVADOS

O mundo opaco da espionagem e o jogo duplo das campanhas de desinformação formam uma combinação estonteante. Um exemplo: a mesma empresa encarregada de levantar a ficha de Trump com os russos, prestando serviços ao Partido Democrata durante a campanha eleitoral, também ajudava os russos em outro caso de seu interesse nos Estados Unidos.

Outro exemplo: Tony Podesta se afastou de sua empresa de lobby em Washington assim que Paul Manafort foi indiciado. Podesta e Manafort faziam exatamente a mesma coisa: prestavam serviços a políticos ucranianos alinhados com os interesses de Moscou.

Manafort dirigiu, por curto período, a campanha de Trump. John Podesta, irmão de Tony, era o chefe de campanha de Hillary Clinton. Seus emails foram vazados pelo WikiLeaks. Existe uma convicção generalizada de que a fonte original vinha de Moscou.

E tem mais um detalhe circulando nos meios especializados: os russos estão plantando a ideia de que existem muitos vídeos íntimos de Trump. Alguns parecem falsos, como o citado no dossiê que mencionava atos heterodoxos num hotel de Moscou. Outros podem ser verdadeiros. Todos, evidentemente, são sujos.

Donald Trump, Julian Assange e Vladimir Putin agindo em conjunto, cada qual com seus interesses e convencidos de que são mestres da manipulação, sugerem um mundo de conspirações no qual os maiores adeptos do conspiracionismo parecem tolinhos inocentes.

Para quem gosta de enigmas, tudo fica cada vez mais interessante.

Em busca da impunidade perdida

Para manter mandato e foro, nossa casta política aposta tudo em leis em proveito próprio. Texto de José Nêumanne, publicado no Estadão:


De hoje, aniversário do golpe militar que “proclamou” a República, em diante, a camarilha dirigente dos negócios públicos prosseguirá em seu ingente esforço para ter de volta a impunidade que, na prática, tem gozado, mercê de foro e de outros privilégios acumulados em 118 anos legislando prioritariamente em proveito próprio.

Com a chancela de uma Constituição promulgada pelo Congresso abusado e abusivo, nossa privilegiada casta dirigente se viu imprensada na parede pelo povo, que em 2013 foi às ruas reclamar de seus maus-tratos à sociedade explorada, humilhada e espoliada. No ano seguinte, graças à renovação dos quadros de agentes concursados da Polícia Federal (PF) e de procuradores da República e juízes federais treinados para combater crimes de colarinho-branco, como lavagem de dinheiro, teve início a Operação Lava Jato,

A união de esforços de corporações divididas internamente e rivais entre si – PF e Ministério Público Federal – levou aos juízes de primeiro grau e, em consequência, às celas do inferno prisional tupiniquim, até então exclusivas de pretos, pobres e prostitutas, uma clientela, branca, poderosa econômica e politicamente e abonada (em alguns casos, bilionária). Como nunca antes na História deste país, no dizer do ex-presidente em cuja gestão a total perda de proporções e do mínimo de sensatez produziu o maior escândalo de corrupção da História, ora nos é dado ver os príncipes de grandes firmas corruptoras tomando banho de sol nos pátios das prisões.

O foro privilegiado, que reserva o julgamento de 22 mil (ou 55 mil?) otoridades (em mais um desses absurdos colapsos de estatística a serviço de meliantes de luxo) à leniência do Supremo Tribunal Federal (STF), mantém um placar absurdo de 118 condenados em primeira instância pela Lava Jato contra zero (isso mesmo, zero) apenado no último e mais distante tribunal do Judiciário. Em caso extremo e inédito, o presidente da República só pode ser acusado por delitos cometidos no exercício do cargo.

Com pânico de perder com o mandato os privilégios, a borra política nacional permitiu-se abrir mão de anéis para manter os longos dedos das mãos que afanam. Mas nestes três anos e oito meses de Lava Jato alguns fatos permitiram a seus maganões investir contra essa progressiva redução da impunidade. A chapa vencedora em 2014, Dilma-Temer, foi absolvida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por excesso de provas. E quando o leniente STF sai um milímetro da curva que interessa aos congressistas, estes logo o reduzem à posição de última defesa de suas prerrogativas de delinquir sem ser perturbados. Até Aécio, derrotado na eleição e guindado ao governo Temer, mantém-se “impávido colosso” no ninho.

Na negociação pelo impeachment da desastrada Dilma, Jucá, o Caju do propinoduto da Odebrecht, definiu “estancar a sangria” como meta de seu grupo, alcunhado pelo ex-procurador-geral Janot de “quadrilhão do PMDB”, para o comparsa Sérgio Machado, cuja delação tem sido contestada. Embora isso esteja sendo confirmado pelas Operações Cadeia Velha e Papiro de Lama, no Rio e em Mato Grosso do Sul, desmascarando os dignitários peemedebistas Picciani e Puccinelli.

Faltam provas, alegam. Mas sobram fatos. Com alguns votos tucanos e todos do Centrão, que defendeu tenazmente Eduardo Cunha, a maioria da Câmara mandou para o lixo investigações contra Temer pedidas por Janot ao STF. O presidente até agora não citou um fato concreto para se defender das acusações de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa, meio ano após ter sido divulgada a gravação de sua conversa com um delinquente que usou identidade falsa para adentrar o palácio. E agora se sente à vontade para trocar na Procuradoria-Geral da República, em causa própria, o desafeto Janot por Raquel Dodge, indicada pelo parceiro de convescotes em palácio Gilmar Mendes, do STF.

Caso similar é o de Fernando Segóvia, cujo currículo fala por si. No Maranhão, tornou-se comensal e afilhado do clã Sarney. E não deve ter sido a atuação de adido na África do Sul que inspirou Padilha a lutar por sua nomeação. Ao assumir, sem o aval do chefe direto, o ministro Jardim, ele prometeu mudanças “paulatinas” na Lava Jato e reconheceu que terá atuação política. Atuação política na chefia da polícia que investiga os políticos? Hã, hã! O velho Esopo diria que se trata do caso da raposa disposta a assumir a segurança do galinheiro. Mas a fábula é antiga!

Enquanto Segóvia, o “tranquilo”, assume o paulatino como pauladas em subordinados e pagantes, o chefe do governo tenta obter a própria superimpunidade por meios sibilinos. Seu advogado Carnelós pediu toda a vênia possível a Fachin para convencê-lo a desistir de encaminhar Cunha, Geddel, Henriquinho, Rodrigo da mochila e Joesley, entre outros, para a primeira instância de Moro e Vallisney. E assim evitar que surjam delitos desconhecidos em seus depoimentos ou delações dos quais o chefe não tomaria conhecimento no gozo de sua indulgência plena com data marcada para terminar: janeiro de 2019.

Na manchete do Estado anteontem, Pauta-bomba no Congresso põe em risco ajuste fiscal, a reportagem de Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes, de Brasília, relata o perdão das dívidas dos ruralistas, depois da dispensa de multas e pagamentos de parlamentares empresários, seus sócios e compadres em outro Refis amigo. E, segundo o texto, a Lei Kandir será alterada. Sem despesas, mas com graves danos ao combate à corrupção, vêm, depois deste feriado, a lei do abuso de autoridade e a redução das punições da Ficha Limpa, só para quem a tiver violado após sua vigência. Rogai por nós!

Na adaptação da obra-prima de Proust, Em Busca do Tempo Perdido, a memória não tem o olor das madeleines, mas dos miasmas de uma República apodrecida, convenientemente distante do Brasil real, que não a suporta mais.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

História da infâmia brasileira: o apedrejamento de William Waack.

A história que a Rede Globo e a mídia em geral sustentam sobre a execução do jornalista William Waack é um hino à mentira - e talvez um crime. Texto de J. R. Guzzo, "A respeito de crime":


O assassinato a pedradas da reputação e da carreira do jornalista William Waack, numa operação conjunta entre a Rede Globo, as “redes sociais” e os veículos de comunicação deste país, que correram para prestar apoio imediato aos patrões no ato de apedrejamento do colega, já tem lugar garantido na miserável história da infâmia brasileira. É uma história construída de atos rasteiros, algozes pequenos e justiceiros hipócritas – sejam eles os autores do linchamento ou seus cúmplices. No momento ela se faz em nome das pessoas que, segundo determina o evangelho corrente, “não tinham voz”, nem “atenção”, nem “acesso à mídia” – negros, gays, mulheres, ecologistas, quilombolas, índios, vegetarianos, ciclistas e quem mais der um jeito de entrar nesse bonde. O problema, como sempre acontece em casos de linchamento, é a obrigação, por parte dos linchadores, de criar uma mentira para justificar o que fizeram. A mentira, no caso de William é dizer que ele “mereceu” a punição aplicada pelos empregadores. A mensagem que tentam passar é a seguinte: “Sim, claro, é preciso cuidado com essas denúncias das redes sociais. Não se pode ir linchando as pessoas assim sem mais nem menos. Mas num caso de racismo como esse o castigo foi justo.”

Só que não há racismo nenhum nos atos do jornalista, nunca houve, e tanto é assim que não existe um único fiapo de manifestação racista em nada do que disse na televisão ou escreveu em jornais e revistas durante mais de 40 anos de profissão. Mais: na sua vida pessoal, na qual teve contato frequente com colegas negros ou de outras etnias, há repetidos episódios de comportamento impecável diante de todos – algo perfeitamente verificável a qualquer momento, se alguém, na Globo ou no resto da imprensa, tivesse tido o interesse de verificar alguma coisa antes de sair gritando “racismo”. Mas ninguém perguntou nada. A verdade, no Brasil de hoje, é uma nota da Globo e as “pesquisas” sobre o que está sendo dito nas “redes sociais”.

Racismo é crime, dizem todos. Tem de haver mais punição para William. A demissão é pouco. Eis aí um aspecto muito interessante dessa história. Sim, racismo é crime. Mas quando você acusa alguém de um crime, qualquer crime, e não prova a sua acusação, você está praticando um outro crime – a calúnia, descrita no artigo 138 do Código Penal Brasileiro. A Globo, como foi escrito e não pode mais ser apagado, disse que “ao que tudo indica” William proferiu ofensas raciais. Como assim, “ao que tudo indica”? Ofendeu ou não ofendeu? Um estagiário de advocacia sabe que precisa muito mais do que isso para chegar na frente de um juiz com uma acusação – ainda mais uma acusação que foi aceita pelos chefes como fato consumado, sem qualquer investigação séria, e gerou o afastamento imediato da vítima. Para se defender da acusação de ter praticado calúnia, a Globo terá de dizer que não acusou seu funcionário de ter cometido o crime de racismo. Nesse caso, porque tirou-lhe o cargo e contou para todo mundo em nota oficial? A alternativa é abandonar o “ao que tudo indica” e dizer, com todas as letras, que William fez, sim, insultos raciais em público – só que aí vai ser obrigatório provar isso. Talvez não seja o jornalista, na verdade, quem está mais necessitado em demonstrar inocência à essa altura.

Mercenários do MST à procura de outra freguesia

Inimputáveis até hoje por sua longa lista de crimes, os mercenários de Stédile, um troglodita ideológico, perderam o rumo faz tempo e agora procuram nova clientela que se enquadre em suas estratégias liberticidas. Num país em que Stédile jamais foi preso, não dá pra acreditar na justiça:


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nunca se preocupou de fato com os agricultores sem-terra, mera massa de manobra para alimentar sua agenda política e ideológica, que se confunde com a do Partido dos Trabalhadores (PT). Sendo assim, não é difícil para esse grupo, que faz da baderna sua principal forma de atuação, escolher a clientela que melhor se enquadre em suas estratégias liberticidas, a depender das circunstâncias. E, no momento, a circunstância manda deixar os agricultores sem-terra de lado – já que a bandeira da reforma agrária faz cada vez menos sentido em um país que é hoje uma das maiores potências agrícolas do planeta – e procurar outra freguesia.

Recente reportagem do Estado mostrou com números a mudança de foco do MST. Em 2016, houve 83 invasões de terra promovidas pelo movimento, contra 502 em 1997. Já a invasão de prédios públicos, além de bloqueios de estradas para extorquir dinheiro de motoristas, disparou: houve 87 ações desse tipo em 2016, e neste ano o número saltou para 126. Já os protestos supostamente “contra a corrupção” foram de 72 em 2016 para 139 em 2017. Mesmo quando invadiu algumas fazendas neste ano, o MST não o fez para discutir a reforma agrária propriamente dita, e sim para reivindicar para o “povo” a propriedade dessas terras, porque teriam sido adquiridas pela “oligarquia corrupta” de forma violenta, “assassinando indígenas, escravizando e cometendo atrocidades no processo de formação da sociedade brasileira”, conforme explicou uma das líderes do grupo na ocasião.

Com isso, o MST pretende buscar apoio a outras reivindicações além da questão fundiária, como o combate ao desemprego e à corrupção, além da oposição pura e simples ao governo de Michel Temer.

Não se pode levar a sério a pauta do MST. Nenhum programa que o grupo diz defender é capaz de gerar mais empregos ou de reduzir a corrupção. Ao contrário, o ideário estatizante e antidemocrático que está na essência de seu discurso é responsável, por exemplo, pelo desastre econômico na Venezuela chavista, não por acaso um modelo para o MST. Uma versão “light” desse modelo foi adotada pelos governos do PT, e as consequências são bastante conhecidas tanto pelos milhões de desempregados que gerou como pelos milhões de cidadãos que a corrupção lulopetista lesou.

É evidente que o propósito primário do MST não é nem a reforma agrária nem a denúncia da corrupção. Se assim fosse, o grupo teria protestado com veemência contra o governo de Dilma Rousseff, que reduziu drasticamente o assentamento de agricultores sem-terra – um dos poucos acertos de sua gestão, é bom frisar –, e também contra o governo de Lula da Silva, sob cuja administração nasceram o mensalão e o petrolão, os maiores escândalos de corrupção de que se tem notícia no País.

Ademais, por ironia da história, foi no governo de Michel Temer, tão contestado pelo MST, que houve proporcionalmente o maior número de regularizações fundiárias no País. Neste ano, até julho, foram concedidos 7.356 títulos definitivos de posse de terra, contra 6.821 lavrados em 2006, o melhor ano dos governos petistas nesse quesito. Também até julho, foram assinados 58.837 contratos de concessão de uso da terra, enquanto o melhor desempenho petista foi de 47.073 contratos, em 2010, último ano do governo de Lula da Silva.

Portanto, as reivindicações do MST, seja para iludir os trabalhadores do campo, seja para engambelar os moradores das cidades, não valem as faixas em que estão escritas. Trata-se de simples pretextos estratégicos para explorar as liberdades democráticas contra a própria democracia, com o objetivo de instaurar no País um regime dito “revolucionário”. A ideia é fazer a sociedade habituar-se à violência e ao desrespeito à lei travestidos de “luta popular”, que os militantes lulopetistas do MST querem consagrar como legítima, em nome da democracia. Assim, para que a ordem democrática seja preservada contra esses farsantes, é preciso que eles deixem de ser considerados inimputáveis e comecem a sofrer os rigores da lei. (Editorial do Estadão).

A força do recall eleitoral

"Lula não precisa de seu partido vivo para concorrer em 2018 — ou para plantar um novo poste no segundo turno. Precisa apenas do palanque que o PT pode lhe oferecer". Afinal, continua soltinho da silva, digo eu. Artigo do editor de livros Carlos Andreazza, via Globo:

Sim: PT e PSDB estão em ruínas. Mas é decisivo considerar, para efeito político-eleitoral, a altura, o corpo, do palanque que se pode erguer sobre tamanho volume de escombros. Isso, sobretudo, se também considerarmos que depauperados igualmente estão os outros grandes partidos. Uma reflexão se impõe: se são hoje, pois, todos destroços, e se não é possível concorrer sem um deles, como não ponderar sobre a hipótese de que em vantagem — para 2018 — estejam aqueles cujo entulho ocupe maior espaço?

O brasileiro não vota em partido — não em percentual representativo. Mas em indivíduos. Não há novidade nisso. Entre nós, eleição sempre é fulanizada, daí por que também dependa, essencialmente, de palanque. Eleição, aqui, é palanque — e não importa sobre o que tal se monte, desde que firme e alto. Não importa — quero ser explícito — se sobre a bosta da corrupção: palanque se pode armar, palanque sólido se armará, e não faltarão engenheiros para mostrar, com razão, que, se a atividade política se encontra cuspida ao esgoto, se todos os políticos são igualmente imundos, em melhor condição competitiva afinal estará aquele que tiver mais cocô sobre o qual subir e aparecer.

O leitor duvida?

No Brasil, eleição é capacidade de ocupar superfície. Não interessará o que vai por baixo. É falar — poder falar — mais alto e longe. Para isso — como metragem de vitrine — serve um partido aqui. Erro grave, portanto, é confundir absolutamente Lula e PT. Porque o primeiro independe da vitalidade do segundo — sem o qual sobreviveria competitivo. Diga que o Partido dos Trabalhadores se esgotou como fenômeno político — e terá a minha concordância. Mas não se iluda com a ideia de que esse fim também seja de Lula. Não é. O ex-presidente não precisa de seu partido vivo para concorrer em 2018 — ou para plantar um novo poste no segundo turno. Precisa apenas do palanque que o PT — ainda que no caixão (sabemos que não é um problema para ele) — pode lhe oferecer Brasil adentro. Caixão parrudo ou montanha no lixão, tanto faz. Pois plataforma é. Alta. E o homem sobe. Só o volume interessa. O volume a partir do qual se projetar. Isso, esse volume, também significa dinheiro para campanha — mais dinheiro. E tempo de TV — mais tempo.

Convém lembrar a reeleição de Dilma Rousseff em 2014. A Lava-Jato já existia — o PT era então o principal, senão único, atingido — e o país militava, desde 2013, em não raro violentas manifestações de rua contra os políticos. Ainda assim, o establishment se impôs e fez prevalecer os mesmos velhos, publicamente já podres, palanques de sempre — os que, mesmo que levantados sobre merda, alcançavam as maiores altitudes.

Que o leitor, por favor, não subestime a força do que se pode nomear recall eleitoral. Ou desprezaremos o apelo da memória para o fato de que, desde 1994, eleição presidencial no Brasil é — objetivamente — entre PT e PSDB? Que o leitor, por favor, não superestime a capacidade crítica do eleitor médio brasileiro — porque foi o voto desse eleitor-padrão que cindiu o mapa eleitoral brasileiro, quase que à metade, seguramente desde 2006, entre eleitores do PT e do PSDB. E sim, sim: não sou imune ao argumento de que a maioria desses votos jamais foi do PSDB, mas de um concreto antipetismo. É verdade. O que, porém, não desfaz a materialidade de que os votos foram — por circunstâncias derivadas da falta de opções — repetidamente dados ao PSDB. E é isso que conta para efeito de recall.

Falei em circunstâncias derivadas da falta de opções como razão para que o PSDB polarizasse com o PT — o que exige que se trate do fator novo para 2018, elemento que se apresenta como capaz de quebrar essa dobradinha: Jair Bolsonaro. Sua candidatura precisa ser levada a sério. Ele é um player real no tabuleiro — e as pesquisas indicam que parcela significativa do eleitorado que se acomodara com o PSDB se deslocou para o deputado. A pergunta, contudo, é: até quando? Mais: essa base — de 15% — é mesmo integralmente de Bolsonaro, terreno consolidado a servir de piso para que vá além, ou, instável, poderá ser fraturada, ao menos em alguma parte, pelo recall tucano quando a campanha começar a valer? Devemos dar como certo que o eleitor ora declarado do deputado está fechado com ele como estão seus seguidores nas redes sociais? E se os ventos da economia continuarem a soprar favoravelmente? E se chegarmos a 2018 de forma que essa recuperação seja palpável no bolso — no humor — do brasileiro? O voto do ora “insatisfeito com tudo o que está aí” será ainda de Bolsonaro?

Será mesmo um absurdo analisar e apostar na probabilidade de que a candidatura do deputado — que disputará a eleição sem estrutura partidária — desidrate a partir do momento em que confrontada, à vera, com a pujança milionária e onipresente do sistema?

Isso serve, parcialmente, também para Luciano Huck — para quem, claro, não faltaria dinheiro. Mas: e partido, palanque, tempo na TV? Não nos iludamos com a possibilidade de o DEM não formar com o PSDB. De modo que ao outsider sobraria, como chão, algo como o PPS, um partido — o ex-PCB que se tornou linha-auxiliar tucana — sem caráter e alcance nacional. E aí? Vai chafurdar?

A eleição presidencial de 2018 será para — de — profissionais. E o recall, desde a lama, para porco graúdo.