sexta-feira, 20 de julho de 2018

A desgraça do relativismo nas universidades

Geleiras, gênero e ciência sob a perspectiva feminista e gatos (sim, gatos) como coautores de estudo; exemplos recentes levantam questões sobre a natureza das investigações acadêmicas na educação superior. É o resultado do relativismo epistemológico e moral que campeia nas universidades desde os anos 80. Tudo é relativo, não existe verdade etc. Combati isto em minha vida acadêmica - em vão. A propósito, segue artigo de Mary Clare Amselem, publicado pela Gazeta do Povo:



Universidades americanas estão enfrentando um problema de percepção. Entre protestos desordeiros, custos astronômicos, e alguns materiais didáticos ridículos, estudantes estão começando a pensar se vale a pena gastar tanto dinheiro. 

Apesar de algumas universidades e professores se dedicarem a estudos acadêmicos sérios, pesquisa recente publicada pela “Qualitative Inquiry” levanta questões significativas sobre a natureza das investigações acadêmicas na educação superior. 

Susan Nordstrom, professora assistente de pesquisa educacional que está se especializando em metodologia de pesquisa qualitativa pela Universidade de Memphis, publicou recentemente um artigo intitulado “Guilty of Loving You: A Multispecies Narrative” (“Culpado por amar você: uma narrativa multiespécies”, em tradução livre).

Susan Nordstrom não é a única autora do artigo. Os coautores listados são Amelie Nordstrom e Coonan Nordstrom – os gatos dela. Depois que um dos gatos morreu, Susan Nordstrom escreveu: 
“Reconhecemos a urgência de nossa investigação multiespécies compartilhada, com a morte recente de um dos gatos, Amelie. Na intensa singularidade da morte, nos tornamos conscientes de como sintonizamos e cuidamos juntos – práticas do dia a dia nas quais humanos (que também são animais) e animais vivem e percebem juntos – e de como essas práticas moldam nossa vida diária. Essas práticas são atos de sobrevivência multiespécie nas quais aprendemos como viver e morrer juntos. Tecemos a teoria da “vide-morte multi-espécie” junto com as teorias de Haraway e Rautio. Escrevendo juntos enquanto causamos uma ruptura nas categorias entre humanos e animais, nos conceitos filosóficos centrados no humano, e na investigação da narrativa centrada no humano. Fazendo isso, oferecemos uma narrativa multiespécies evocativa que conta uma história diferente”. 
Deixando de lado o aspecto lunático de listar gatos como coautores, é difícil que isso seja aceito como um estudo sério. Apesar de ter sido publicado em um jornal aberto, que tem padrões menos rigorosos do que publicações acadêmicas tradicionais, os contribuintes teriam todo o direito de questionar a eficácia de um professor em uma universidade renomada que recebe fundos federais para publicar um artigo sobre como lidou com a morte de sua gata. 

Infelizmente, esse caso não é uma exceção. Outros exemplos estranhos publicados por universidades americanas incluem: 


De acordo com os autores Mark Carey, M. Jackson, Alessandro Antonello e Jaclyn Rushing, o estudo tem como objetivo conseguir “ciência e interações homem-gelo mais justas e igualitárias” ao unir “estudos feministas pós-coloniais e política ecológica feminista”. 


O resumo da obra afirma que “esse artigo apresenta o ato de vestir, a experiência corporal de vestir, e o corpo juntos como ferramenta de desenvolvimento do conhecimento de ‘estar dentro’ ou ‘estar com’ ao invés de ser um observador exterior”. 


De acordo com a professora Jennifer Lum, da Universidade da California Berkeley, a maneira com que a doença de Alzheimer é retratada na televisão é profundamente problemática da perspectiva feminista. Ela argumenta que “... um domínio tão visual, e ainda assim material, precisa de intervenções feministas, que se engajem com as ideias que circulam sobre envelhecimento, medicina, incorporação humana, e não humana”. 

Professores universitários são – e deveriam ser – livres para explorar buscas intelectuais de interesse para eles e avanços em seu campo de estudo. Mas os estudantes de graduação americanos têm uma dívida de US$ 1.5 trilhão em empréstimos estudantis, e há um crescimento da percepção da diminuição do retorno do investimento. 

Não é surpresa que a maioria dos eleitores republicanos agora acreditam que universidades têm um efeito negativo no país, de acordo com uma pesquisa recente da Pew Research. 

A educação superior precisa de mudanças significativas em suas políticas para restaurar sua missão. Acesso virtualmente ilimitado a dinheiro através do Title IV (empréstimos e bolsas federais) certamente amplia o problema. 

Talvez se a educação superior operasse mais como um mercado e dependesse menos de ajuda federal, com uma saudável mistura de empréstimos estudantis privados e medidas que assegurem a qualidade, pudéssemos ver aprendizagem acadêmica e baseada em habilidades melhores alinhadas com as necessidades da economia. 

Até lá, pelo menos os donos de gatos em todos os lugares podem ficar tranquilos com a certeza de que os professores americanos estão prontos para tratar da “urgência de nossas investigações multi-espécie compartilhadas”.

©2018 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês

Tradução: Carlos Eduardo Carvalho.

No alvo: "não queriam que os EUA fossem como os outros?"

Por mais que se custe a admitir, Trump é fundamentalmente o presidente de uma época em que os EUA voltaram a ser um país que faz o que os outros países fazem. Artigo esclarecedor de Rui Ramos, via Observador (desses que você não verá na Rede Globo):

Às antigas potências da Europa ocidental, deu sempre jeito a protecção dos EUA, que as dispensou de se preocuparem com a sua própria defesa. Isso, porém, não impediu que ressentissem a “hegemonia” americana. Daí, a recorrente exigência de que os EUA se portassem como um país igual aos outros. Mas agora, que essas preces foram atendidas, parece que os europeus não gostam.

A história torna-se mais complexa quando inclui a ambivalência americana sobre a sua missão no mundo. Os EUA emergiram como primeira potência, não no fim da Segunda Guerra Mundial, mas da primeira. Só que em 1918, escusaram-se a pagar o preço de zelar pelo planeta. Não apenas pelos custos, mas porque recearam que o policiamento internacional subvertesse o seu regime de governo limitado e administração mínima. O máximo que se propuseram fazer, nos anos 20, foi ajudar a restabelecer o comércio livre internacional. Mas quando, no fim da década, a crise lhes bateu à porta, não tiveram dúvidas em recolher-se, cancelando créditos e protegendo-se com barreiras alfandegárias (sobre tudo isto, ver o livro de Adam Tooze, The Deluge. The Great War and the Remaking of Global Order). São conhecidas as dificuldades de Roosevelt em romper esse “isolacionismo” entre 1939 e 1941. Em 1945, porém, com os tanques soviéticos na Alemanha e enormes partidos comunistas em França e em Itália, qualquer retirada americana teria significado a entrega da Europa a Estaline. Foi preciso ficar. As elites americanas aderiram então à ideia de um destino mundial, como guardas do “mundo livre”. Para muitos críticos dessa opção internacionalista, foi apenas o começo da transformação da velha república num império. Desde 1989, sem o comunismo, houve logo quem exigisse os “dividendos da paz”. Os europeus, muito ocupados a resmungar sobre o “mundo unipolar”, não deram por isso. Mas Bill Clinton foi o último internacionalista genuíno, convencido de que os EUA podiam precipitar o “fim da história”. Em 2001, George W. Bush começou por condenar as intervenções humanitárias, e só o 11 de Setembro o desviou do “neo-isolacionismo” que todos previram. Barack Obama, porém, já pôde aproveitar a extinção da crença na universalização da democracia para cruzar os braços sempre que possível, como na Síria.

A fixação doentia em Donald Trump impede-nos de ver o que se está a passar. O primeiro agravamento dos direitos alfandegários sobre aço e alumínio é de Bush, em 2002. A tentação de apaziguar a Rússia é antiga: Bush deixou Putin invadir a Georgia em 2008, e Obama entregou-lhe o que ele quis da Ucrânia em 2014.

Não, Trump não é o começo desta história. E também não será o seu fim. Trump tem as suas excentricidades. Mas é fundamentalmente o presidente de uma época em que os EUA voltaram a ser um país como os outros: um país que propõe “negócios”, e não alianças, e que exige aquilo que desde 1945 já ninguém esperava dos EUA — “reciprocidade”. Um país, em suma, que faz o que os outros fazem. Os europeus acusam Trump de complacência para com Putin, mas eles próprios financiam a autocracia russa através da sua dependência energética. Exaltam-se porque Trump protege o aço e o alumínio, mas não se envergonham do seu próprio proteccionismo agrícola, um dos maiores obstáculos ao comércio livre no mundo.

A Europa tem razão para estar inquieta. Porque tal como o seu papel internacional afectou o regime americano, a responsabilidade pela própria defesa afectará os regimes europeus. Durante décadas, os europeus puderam deixar o Estado social absorver os seus orçamentos, confiantes em que a despesa militar estava por conta dos americanos. Sem os EUA, vão ter de aprender a viver de outra maneira.

O Lula nicaraguense e o Ortega brasileiro

Os dois tiranetes saíram da História para cair na vida, crava Augusto Nunes em Veja.com:


Ambos nascidos em 1945, Lula e Daniel Ortega chegaram à presidência da República fantasiadas de protetores dos injustiçados e pais dos pobres. O comandante da revolução sandinista livraria a Nicarágua dos horrores da ditadura de Anastasio Somoza. O chefão do PT libertaria o Brasil da elite exploradora que saqueava o país desde 1500.

Aos 72 anos, os dois reduziram a frangalhos as fantasias que vestiram no século passado. Tanto Lula quanto Ortega jogaram no lixo promessas, amigos honestos, normas éticas e valores morais, fora o resto. Saíram da História para cair na vida. Serão lembrados em asteriscos de pé de página como mais dois tiranetes destes trêfegos trópicos. Dois vigaristas que se venderam aos ricaços que fingiam odiar.

Lula é um Ortega brasileiro. Ortega é um Lula nicaraguense. A diferença é que um deles está fora da cadeia. Por enquanto.

Black blocs condenados no Rio. Ao inferno, Sininho!

Lembram da arruaceira petista Sininho?
Aos que praticam atos de violência como manifestação política, a lei, apenas a dureza da lei. Editorial do Estadão:


Passados cinco anos daquele agitado mês de junho de 2013, quando uma série de violentos protestos irrompeu em várias cidades do País, a Justiça do Rio de Janeiro condenou 23 ativistas pelos crimes de associação criminosa, agravado pelo emprego de arma, e corrupção de menores, praticados durante protestos na cidade em 2013 e 2014. A maioria dos réus foi condenada a 7 anos de prisão em regime fechado, apenas três deles receberam pena de 5 anos e 10 meses de cadeia. Todos poderão recorrer em liberdade.

No rol de condenados estão nomes bem familiares aos que sofreram com o pandemônio e acompanharam o noticiário da época, como Elisa Quadros Pinto Sanzi, conhecida no meio da baderna como “Sininho”, e Luiz Carlos Rendeiro Júnior, vulgo “Game Over”. Também foram condenados Caio Silva de Souza e Fábio Raposo Barbosa, que no momento respondem em liberdade por outro crime, ainda mais brutal, o assassinato de Santiago Andrade, cinegrafista da TV Bandeirantes morto por um disparo de rojão na cabeça. Os quatro estão entre os que receberam a pena maior, de 7 anos de cadeia.

A sentença condenatória assinada pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27.ª Vara Criminal do TJ-RJ, deve ser recebida como um libelo pró-democracia. A Constituição assegura o livre exercício de associação para fins pacíficos e a livre manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. São mais do que direitos, são garantias constitucionais ao protesto, instrumento genuíno de que dispõe o cidadão para emitir suas opiniões e manifestar suas inquietações, desde que, é evidente, o faça sem causar danos ao patrimônio e às pessoas. Coisa muito diferente é o que fazem os tais “black blocs”. Ao condená-los pelos graves crimes que cometeram, o juiz traça uma linha divisória entre violência pura e simples e o legítimo direito de protestar, o que fortalece a democracia. A absolvição dos réus serviria apenas para cobrir de dúvidas o que deve estar muito bem delineado para a sociedade.

Já não era sem tempo uma resposta do Poder Judiciário à altura daquela balbúrdia. O que começou como um protesto contra o aumento das tarifas de ônibus, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, logo derivou para manifestações convocadas quase diariamente pelas redes sociais para a defesa de uma agenda bastante heterodoxa. Milhares de pessoas foram às ruas por pautas tão difusas que agrupavam no mesmo balaio a crítica aos bilionários gastos públicos com a organização da Copa do Mundo de 2014 e a “reforma política”, assim, entre aspas, porque havia uma proposta de reforma para cada cabeça de manifestante. 

Invariavelmente, aqueles protestos terminavam com a depredação de bens públicos e privados, incêndios provocados, bloqueios de ruas e avenidas e violentos confrontos com a Polícia Militar.

A tal “Sininho” teve destacado papel de liderança nos incendiários gran finales dos protestos. Como se lê na sentença, “a ela cabia, com sua ascendência sobre os demais, arrecadar as doações e organizar as manifestações, deliberando sobre a participação de membros e as ações diretas (atos de violência e vandalismo) contra policiais militares e símbolos do poder e do capitalismo”.

A política é a arte de ordenar e hierarquizar as inquietações populares. Na democracia, não há solução para as mazelas sociais fora da política, seja ela exercida por meio dos partidos constituídos e dos representantes eleitos, seja por meio de outros tipos de associação garantidos pela Carta Magna. O que é inconcebível, e fez bem a Justiça do Rio de Janeiro ao deixar isso claro com a sentença que condenou os “black blocs” à prisão, é o emprego de violência como forma de manifestação.

O País ganharia muito mais se os cidadãos aproveitassem a facilidade de congregação que as redes sociais proporcionam para defender pacificamente suas pautas de reivindicações. Aos que ainda veem a prática de atos de violência como recurso de manifestação política resta o rigor da lei.

O jogo do centrão: chantagem.

Por melhores que possam ser suas intenções, o futuro presidente dificilmente conseguirá implementar sua agenda sem se submeter à chantagem, aponta, com precisão, editorial do Estadão:


Deveria ser proibido para menores de 18 anos o noticiário sobre as articulações do chamado “centrão” em torno da sucessão presidencial.

Para quem não está familiarizado com o subdialeto do baixo clero do Congresso, “centrão” é o nome que se dá ao ajuntamento de partidos fisiológicos que se mobilizam sempre que existe a oportunidade de aumentar seus ganhos em barganhas que, de tempos em tempos, lhes são oferecidas – ou procuradas, que ninguém é de ferro. Nada ali lembra nem remotamente a política como deve ser, isto é, o embate democrático de ideias em torno dos interesses dos eleitores. Tudo o que importa para esses partidos é defender uma divisão equânime do butim estatal entre seus caciques e agregados, e ninguém ali faz muita questão de esconder esse comportamento obsceno.

Somente os incautos acreditam que “centrão” seja o nome de um bloco político legítimo, com aspirações programáticas ideologicamente discerníveis. O “centrão” é apenas um rótulo para vários partidos nanicos, pequenos e médios que buscam avidamente orbitar o poder para auferir benefícios políticos e pecuniários e sabem que, juntos, ganham maior capacidade de constranger o governo ou outra presa qualquer a atender às suas demandas – que se resumem a facilidades, cargos e verbas.

Em circunstâncias normais, candidatos de partidos tradicionais, com compromissos mais sólidos com seus eleitores, rejeitariam de pronto o apoio do “centrão” em suas campanhas, por tudo de nefasto o que esse bloco representa. Afinal, o que esperar de um governo formado a partir da associação com notórios oportunistas? Mas o sistema político-eleitoral brasileiro infelizmente é talhado para produzir aberrações que praticamente inviabilizam a formação de candidaturas competitivas sem coligação com partidos explicitamente fisiológicos.

Assim, o País tem assistido nos últimos dias ao leilão do “centrão” entre diversos candidatos a presidente, de todos os matizes ideológicos. A adesão do bloco, é óbvio, não será definida conforme o posicionamento dos candidatos acerca de questões fundamentais, como tamanho e formato do Estado, modelos de desenvolvimento, políticas sociais e inserção internacional. Termos tradicionais da política como “esquerda”, “centro” e “direita” são, portanto, irrelevantes – é por isso que a expressão “centrão” deve ser lida como uma ironia, pois de centro, naturalmente, esse bloco nada tem. Somente à luz disso é possível entender, por exemplo, a declaração do líder do PR na Câmara, José Rocha (BA), segundo a qual a bancada de seu partido “está meio a meio, há deputados que preferem Jair Bolsonaro e outros que são favoráveis a apoiar Lula”. Afinal, Lula e Bolsonaro só se igualam na geleia geral.

Enquanto o gelatinoso “centrão” não se decide, quase todos os candidatos mais competitivos guardam lugar em suas chapas para um candidato a vice-presidente indicado pelo bloco. Tudo isso na expectativa de adicionar precioso tempo de TV às suas campanhas, algo que, para muitos analistas, pode ser decisivo.

É espantoso, mas ao mesmo tempo revelador dos tempos esquisitos que o País vive, que o apoio do “centrão” seja mesmo considerado o fiel da balança nesta eleição. Depois de todo o movimento em prol do saneamento da política, que tem mobilizado a opinião pública desde a eclosão da Lava Jato, a eleição presidencial mais importante dos últimos tempos pode ser decidida justamente por alguns dos partidos e caciques mais identificados com as baixarias que aviltam a política.

Assim, um governo formado a partir de uma aliança com o “centrão” não augura coisa boa. Por melhores que possam ser as intenções do vencedor da eleição, na hipótese de ser alguém comprometido com as reformas de que o País tão urgentemente necessita, o futuro presidente dificilmente conseguirá implementar sua agenda sem se submeter à costumeira chantagem do “centrão”. E os estragos causados por essa turma na atual legislatura, inviabilizando votações cruciais e aprovando projetos que sabotam o esforço fiscal mesmo depois de arrancar dedos e anéis do governo, deveriam ser suficientes para mostrar que o preço de um punhado de segundos a mais na propaganda eleitoral pode ser alto demais para o País.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Ciro derrotado: Alckmin encaminha aliança com o centrão.

Líderes do bloco partidário dizem que termos de acordo com o tucano foram fechados, restando agora uma validação interna formal nos partidos para ser anunciado. Reportagem da Gazeta do Povo:


Depois de uma reunião com o pré-candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) nesta quinta-feira (19), em São Paulo, líderes do Centrão disseram que os termos do acordo com o tucano foram fechados, restando agora uma validação interna formal nos partidos para que seja anunciado. A aliança deve mudar a correlação de forças da eleição, dando a Alckmin capilaridade e o maior tempo de TV.

Os partidos do Centrão têm, juntos, 171 segundos por bloco. Sozinho, Alckmin já tinha 78 segundos. Com a aliança, o tucano chega a 249 segundos (4 minutos e 9 segundos). Com os 111 segundos (1 minuto e 51 segundos) de PPS, PV, PTB e PSD, com quem já está aliado, Alckmin chega a 360 segundos (6 minutos). Adversário histórico do PSDB, o PT tem 95 segundos (1 minuto e 35). Alckmin disse, por meio de sua assessoria, que nada foi definido e anúncios ficarão para a próxima semana.

Uma das principais resistências à aliança com o tucano foi vencida, a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). Ele foi convencido a desistir de Ciro Gomes (PDT) por seus rompantes e incompatibilidade ideológica, especialmente depois de uma conversa entre economistas dos dois grupos.

O bloco, formado por DEM, PP, Solidariedade, PR, Avante, PRB e PHS sugeriu Josué Alencar (PR) para a vice na chapa. Alckmin não demonstrou resistência, ao contrário, disseram participantes. O tucano se encontrou em uma casa nos Jardins com o presidente do DEM, ACM Neto, Rodrigo Maia, os deputados Paulinho da Força (SD-SP) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Marcos Pereira (PRB), e Luís Tibé (Avante-MG).

Segundo relatos, o presidenciável tucano se comprometeu a estudar uma forma de compensar o fim do imposto sindical de forma a garantir a sobrevivência dos sindicatos. Outro ponto a ser ainda trabalhado são os palanques estaduais, sendo Minas Gerais o principal foco de atenção. O DEM havia dado legenda para Rodrigo Pacheco se lançar ao governo mineiro. Com a aliança, precisa redefinir a chapa, já que PSDB tem o ex-governador Antonio Anastasia como pré-candidato.

A recondução de Maia na presidência da Câmara está subentendida no acordo, disseram líderes do bloco.

Tordesilhas e as fake news

Custa conceber como Portugal e Castela dividiram o Mundo, mas ainda hoje se notam as consequências de Tordesilhas, em especial na América do Sul, onde a parte leste fala português e a oeste, castelhano. Artigo de Nuno Crato para o jornal português Observador:


Há muito que desejava conhecer o Museu de Tordesilhas, alojado nas célebres Casas do Tratado. Tinha passado ao lado da pequena povoação castelhana dezenas de vezes, sem a notar. Depois, tinha feito algumas vezes o desvio, alertado pelo nome da vila, e chegado à entrada do museu. Mas os estranhos horários espanhóis, com intervalo para almoço até às quatro ou cinco da tarde, e a minha falta de planeamento, estragavam-me a vida.

Desta vez cheguei a horas e entrei nas Casas do Tratado.

O museu não é espetacular, os visitantes não abundam. Há uma pequena exposição, com mapas e algumas reproduções de documentos históricos. Há uma sinalética muito razoável, há um sistema de guia áudio, há legendas em castelhano, português e inglês.

É uma povoação realmente pequena, com um largo, algumas ruas e as históricas Casas do Tratado viradas para o rio Douro. Desfruta-se uma vista desafogada para a planície. E todo o ambiente modesto contrasta com a grandiosidade do evento que aí teve lugar em 1494: as negociações finais para a divisão do mundo entre dois reinos.

As “Casas do Tratado”, em Tordesilhas. Na realidade, as negociações finais e a assinatura realizaram-se na casa da esquerda, onde sobre a porta principal se notam ainda hoje as armas dos proprietários, encimadas pelas armas reais

Ainda hoje nos custa conceber como Portugal e Castela tenham podido decidir, entre si, como o planeta que estava a ser descoberto pelos navegadores seria distribuído entre os dois. Mas ainda hoje se notam as consequências desse acordo, nomeadamente na América do Sul, em que a parte leste fala português e a oeste comunica em castelhano.

Na escola aprendemos que os portugueses insistiram para que o meridiano do tratado fosse situado mais a ocidente do que o desejavam os espanhóis. Dizem-nos que os castelhanos cederam, inocentemente. Explicam-nos que os cartógrafos portugueses já conheciam ou já suspeitavam da existência das terras a que hoje chamamos Brasil. Forçando o meridiano para oeste, essas terras couberam a Portugal.

Curioso foi conhecer a versão espanhola. Num dos painéis, diz-se que os Reis Católicos conseguiram “marcar as pautas da negociação mas sem revelar o seu grande segredo por medo dos espiões portugueses: que estavam a conceder só mar a Portugal.”

Onde está a verdade e onde estão as ‘fake news’? Na realidade, os castelhanos cederam, essencialmente, grande parte do “mar oceano”, mas deixaram escapar a ponta leste da América do Sul. Os portugueses conseguiram depois expandir-se em terra muito para lá do meridiano de Tordesilhas. Mas os castelhanos alcançaram grande parte do continente. E será que em 1494 havia cartógrafos que sabiam da existência da América do Sul?

A complicar as coisas, tem-se hoje perfeita consciência de uma fragilidade da cartografia da época, que é o deslocamento significativo de alguns registos, nomeadamente o deslocamento para leste dos registos de África e da América do Sul. Os pilotos e homens de ciência portugueses terão sido os primeiros a notá-lo. Em 1514, João de Lisboa observa que alguns registos cartográficos se apresentam deslocados em relação à verdadeira longitude, e explica que esses registos se teriam construído a partir de indicações dadas por pilotos que não corrigiam a declinação magnética das bússolas. Ou seja, quando alguns pilotos diziam que um ponto tal se encontrava a norte de um outro, eles seguiam apenas as indicações das suas bússolas, sem atender a que o norte dado pela bússola, o chamado norte magnético, na maior parte dos locais não coincide com o norte verdadeiro. Sabe-se, e sabia-se já na época, que a diferença pode atingir, até em latitudes moderadas, valores da ordem dos 10, 20 ou mesmo 30 graus.

O grande homem de ciência, marinheiro e militar que foi D. João de Castro (1500-1548) investigou a declinação magnética e revelou a extensão do problema cartográfico. Num trecho célebre, intitulado “Notação famosa e muito proveitosa”, incluído no seu Roteiro de Lisboa a Goa, clarifica a questão com uma notável perspicácia e rigor científico. E exemplifica com o caso que aqui nos interessa: “as praias do Brasil que se opõem ao vento leste estão mais apartadas do meridiano de Lisboa para a banda do ocidente do que jazem situadas nas cartas de marear”.

Na realidade, uma coisa são mapas geográficos, que registam as posições dos diversos pontos num referencial graduado em latitude e longitude. Outra coisa são as cartas de navegação, que pretendiam apenas facilitar os movimentos dos navios, seguindo as indicações da bússola e não tinham pois pretensões de representar corretamente o globo. Só que as representações destas cartas se inseriram naturalmente nos mapas.

O contraste entre estes dois instrumentos geográficos, se bem que tenha sido sentido durante séculos por cosmógrafos e pilotos, só recentemente começou a ser globalmente entendido. O problema foi estudado de forma sistemática pelos historiadores de ciência portugueses Joaquim Alves Gaspar e Henrique Leitão, que publicaram recentemente os primeiros resultados da sua pesquisa. Utilizando métodos numéricos, realizáveis com os modernos recursos computacionais, estes dois historiadores analisaram as deformações introduzidas nos mapas geográficos pela interferência da variação de declinação magnética.

As deformações nos mapas do Brasil do século XVI são agora claramente entendidas não como erros, mas como resultado dos objetivos primeiros das cartas: ajudar a navegação com a agulha magnética.

Linhas da costa do Brasil e de África do célebre Planisfério de Cantino (1502), comparadas com os limites estabelecidos numa projeção moderna. Nota-se o deslocamento para leste do Brasil, favorecendo involuntariamente as pretensões portuguesas sobre a América do Sul. Imagem reproduzida do artigo J. A. Gaspar e H. Leitão (2018), «What is a nautical chart, really? Uncovering the geometry of early modern nautical charts», Journal of Cultural Heritage, 29, p. 133, gentilmente cedida pelos autores.

Foi assim que, ajudados pela sua persistência, e talvez por alguma intuição geográfica, certamente favorecidos pelos erros cartográficos derivados da declinação magnética, os portugueses exploraram as terras brasileiras e nelas espalharam a nossa cultura e a nossa língua. Foram mais longe do que Tordesilhas.

Por trás das agências "checadoras de fatos", um Ministério da Verdade para as redes sociais.

Antônio José Chinchetru, do Instituto Juan de Mariana, critica o projeto do governo socialista espanhol de "combater as fake news" - como já fazem certas agências de "fact checking" no Brasil -, pretexto para intervir nas redes sociais. É o Estado querendo "defender" o cidadão. A única defesa, responde o articulista, é "o bom critério de cada pessoa e um jornalismo rigoroso, que seja merecedor de crédito do público". Assino embaixo:

El Gobierno de Pedro Sánchez tiene prisa por sacar adelante la nueva Ley Orgánica de Protección de Datos. El proyecto tendrá que seguir los trámites parlamentarios habituales, por lo que se hará de esperar todavía un tiempo, pero no sabemos cuánto. El Ejecutivo apremia para que se apruebe antes del fin de la legislatura. Si se cumplen los planes del presidente por sorpresa que ahora reside en La Moncloa, esto significa hasta dos años. Pero en el Ejecutivo son conscientes de que nada garantiza que la alianza a múltiples bandas en la que se sustenta vaya a durar tanto tiempo. Por lo tanto, los plazos que manejan, posiblemente sean más cortos.

El proyecto de ley que se debate es obra del Ejecutivo de Mariano Rajoy, por lo que podría resultar extraño el interés en sacarlo adelante por parte del actual gabinete. La clave está en las enmiendas al articulado. Los diferentes grupos parlamentarios presentaron un total de, nada más y nada menos, 369. El récord lo ostenta PSOE. El partido de Pedro Sánchez propuso 93 modificaciones al texto original. Entre todas ellas se cuela una que, con la excusa de combatir las fake news, resulta especialmente peligrosa para la libertad de expresión.

Propone añadir un nuevo artículo que lleva el irónico título de “Libertad de expresión en internet”. La ironía radica en que su redacción lo que hace es atentar, en el ámbito digital, contra tan elemental derecho. El punto 2 es especialmente preocupante. Dice:
“Los responsables de redes sociales, plataformas digitales y servicios equivalentes de la sociedad de la información garantizarán la veracidad informativa”.
Continúa:
"A tal fin, se adoptarán y ejecutarán protocolos efectivos para, previa queja o aviso, eliminar contenidos que atenten contra el derecho constitucional a comunicar o recibir libremente información veraz por cualquier medio de difusión”.
En la actualidad corresponde a los tribunales decidir si una información es veraz o no. Eso ya de por sí es peligroso y un recorte a la libertad de expresión. Se explicó en este mismo espacio hace seis años. Un juez podría considerar que equivocarse al dar una noticia no es un derecho constitucionalmente protegido. Incluso podría aplicar el mismo criterio a una información ofrecida de forma correcta cuando se tienen unos datos que se creen completos pero estos resultan parciales, lo que obliga a una modificación posterior de la información. Un ejemplo trivial, pero evidente, sería que un locutor gritara “gol” al transmitir un partido de fútbol y después el árbitro anulara el tanto. La información no habría resultado veraz, puesto que para ser considerada como tal se tendría que haber esperado a que se confirmara que dicho gol fuera válido.

Pero el PSOE, con su propuesta, va más allá. Pretende que los responsables de las redes sociales estén obligados a eleminar contenidos sin que lo ordene un juez. El partido ahora en el gobierno quiere que Facebook, Twitter y similares lo hagan cuando alguien diga que el texto publicado, o la noticia enlazada, no es veraz. Bastaría con que un usuario dijera que una información no responde a la realidad para que los responsables de las redes sociales estuvieran obligados a actuar contra ella.

Las consecuencias de este texto no se quedan ahí. La pregunta obvia es qué ocurriría si un usuario denuncia un contenido como no veraz y este no es retirado. Obviamente, la red social podría ser sancionada por algún órgano administrativo que, de hecho, funcionaría como un Ministerio de la Verdad. El PSOE no sólo pretende dictar qué versiones de la historia pueden ser difundidas y cuáles deben ser proscritas (lo cual ya es grave). También quiere establecer verdades oficiales sobre el presente.

Y toda esta pretensión se basa, por supuesto, en una gran mentira. En contra de lo que dice el texto presentado por el partido de Pedro Sánchez, no existen contenidos que atenten contra el derecho a comunicar o recibir libremente información veraz. Que alguien cuente una mentira no impide que otro diga una verdad. Si un usuario enlaza a una información falsa en una red social no está bloqueando el acceso de sus contactos a noticias verídicas. El PSOE nos dice que quiere combatir las fake newsamparándose en una gran falacia.

En realidad pretende ampararse en dos grandes mentiras. La otra gran falsedad en la que se basa la propuesta del partido del presidente del Gobierno español es que el Estado puede proteger a los ciudadanos de las fake news. Y esa sí que es la mayor de las fake news. La única defensa posible es el buen criterio de cada persona y un periodismo riguroso que sea merecedor del crédito del público.

Os "loucos" da CIA vão pegar Trump? Ou preferem o outro lado?

Ex-diretor do serviço de espionagem acha que o presidente é um traidor da pátria. É mais um de uma cadeia de mestres espiões inesperados e aloprados, resume Vilma Gryzinski em Veja.com:


John Brennan votou no candidato a presidente do Partido Comunista dos Estados Unidos. John Brennan quer derrubar Donald Trump de qualquer maneira. John Brennan possivelmente se converteu à religião muçulmana para se casar com uma mulher da Arábia Saudita.

Ah, sim, John Brennan também endossou o uso de drones para matar inimigos dos Estados Unidos, incluindo cidadãos americanos que haviam passado para o lado da Al Qaida.

Como foi durante o governo Obama, o responsável em última instância pela autorização, ninguém fala mais nisso. De alvo de protestos de esquerda, Brennan virou um ídolo dos antitrumpistas mais exaltados.

O que pode ser melhor do que um ex-diretor da CIA afirmando em termos normalmente impensáveis para a categoria dos mandarins aposentados que as batatadas de Trump na entrevista ao lado de Vladimir Trump foram equivalentes a um ato de traição a pátria, por prestar ajuda e conforto ao inimigo?

E insistir que as atitudes do presidente se incluem no tipo de crime inerente ao exercício do poder que pode ser abrangido por um processo de impeachment?

Brennan é um dos maiores inimigos públicos de Trump desde antes de sua eleição. Coordenou o manifesto de ex-altos funcionários da enorme e influente casta relacionada à segurança nacional que denunciou Trump como um candidato perigoso.

Foi este um dos elementos que delinearam a ideia de que o “deep state”, as instituições operadas por funcionários de carreira do alto escalão, funciona 24 horas para detonar Trump.

Iniciativas já reveladas no âmbito dos Departamentos de Justiça e de Estado, no FBI, na Receita Federal e na própria Casa Branca, onde até uma estenógrafa escreveu um livro para contar seu romancezinho com um assessor do adorado Barack Obama e o horror diante do sucessor, comprovam o boicote a Trump do qual Brennan se tornou a figura mais conhecida.

O AMIGO JOE

A dúvida fulcral, que faz a diferença entre oposição democrática e delírio de poder, ainda continua: o “deep state” age contra Trump porque ele é um potencial e perigoso agente inimigo ou porque o considera um bufão mentiroso, indigno do cargo para o qual foi eleito por um eleitorado incapaz de ver seus defeitos estruturais?

Os erros crassos de Trump na entrevista com Putin não são exatamente inéditos.

“Eu gosto de Stálin. Ele é direto, sabe o que quer e faz concessões quando vê que não vai conseguir.”

Alguém pensaria em Harry Truman como um traidor da pátria por escrever isso numa carta à mulher em 29 de julho de 1945?

Uma semana depois, Truman, um caipira lá do interior do Missouri, autorizou que fosse jogada a primeira bomba atômica da história da humanidade em Hiroshima, para apressar a rendição do Japão.

Stálin, aliás, havia incentivado o uso da nova e terrível arma numa conversa informal com Truman durante a Conferência de Potsdam.

“Eu posso lidar com Stálin, ele é honesto – embora esperto como o diabo”, anotou Truman em seu diário no primeiro dia da conferência, quando conheceu “Joe”, o apelido simpático usado para justificar a aliança com o cão, necessária para vencer a Alemanha nazista.

O presidente americano havia assumido o poder num dos ápices mais momentosos da história, no mês em que as “três mortes de abril” de 1945 desembocaram num mundo completamente mudado .

Franklin Roosevelt morreu de derrame cerebral em 12 de abril de 1945, alçando seu vice à presidência. Benito Mussolini foi executado por partigiani comunistas e pendurado de cabeça para baixo numa praça de Milão em 28 de abril. Adolf Hitler suicidou-se no bunker de Berlim em 30 de abril.

Truman ascendeu ao posto máximo tendo que decidir as condições finais da rendição da Alemanha, a divisão da Europa do pós-guerra (e depois, a recuperação da parte sob influência americana via Plano Marshall) e o fim menos cruento possível para os americanos, entre todas as péssimas opções que tinha, para a guerra com o Japão.

Baseado durante toda a guerra no território neutro da Suíca, o diplomata americano Allen Dulles (irmão do futuro secretário de Estado John Foster Dulles), transformado em agente de inteligência do Departamento de Serviços Estratégicos, negociava a rendição das forças alemãs no Norte da Itália, para horror de Stálin, o velho “Joe” que viria a causar tão boa impressão em Truman.

O presidente recém-empossado mandou acabar essas negociações. Ninguém, remotamente, pensaria que estava favorecendo o simpático Stálin, cujas abominações já eram vastamente conhecidas, por inclinação ideológica ou algum outro interesse escuso.

GUERREIRO FRIO

Allen Dulles se tornou praticamente o criador e primeiro civil a ser diretor da Agência Central de Inteligência, o novo órgão de espionagem e contraespionagem nascido das novas condições criadas pela Guerra Fria.

Com o jeito de patrício americano, com óculos sem aro e cachimbo (além de um longo prontuário de casos extraconjugais), ele virou o protótipo do “cold warrior”, o combatente de uma guerra travada num tabuleiro planetário em lances de geopolítica, propaganda, espionagem, criação e eliminação de regimes alinhados, assassinatos políticos e disputa incessante com os formidáveis oponentes russos e seus satélites.

Na sua conta, entraram o golpe no Irã para eliminar a interferência soviética e fortalecer o xá Mohamed Reza Pahlevi, o golpe na Guatemala que foi um antecessor do modelo de intervenção típica da Guerra Fria em países latino-americanos e a desastrada invasão da Baía dos Porcos, quando os cubanos livres que queria derrubar Fidel Castro se transformaram em cubanos presos e executados.

Durante e além do reino de Allen Dulles, o mais ativo e incrivelmente complicado diretor de contrainteligência, aquele que realmente põe a mão na massa, foi James Jesus Angleton.

Boêmio, poeta e supremo caçador de espiões, foi um operador “legendário que aplicou as técnicas da crítica literária aprendidas em Yale para descobrir padrões e significados ocultos nas operações da KGB contra o Ocidente”.

A descrição é de Jefferson Moley, autor de um livro sobre Angleton e de um blog que já diz tudo no título sobre seu interesse em teorias conspiratórias: JFK Facts. Angleton, conhecido pelo codinome de Kingfisher, foi um dos caciques convidados a investigar o assassinato de John Kennedy. Para muitos conspiradores, obviamente, era o clássico da raposa e do galinheiro.

Curiosamente, a mulher e as duas filhas de Angleton converteram-se à religião sikh, tal como pregada por um guru chamado Habhajan Singh Khalsa. Elas adotaram nomes da seita. Bill Richardson, que foi embaixador na ONU continuou muito ligado à família Clinton, também se tornou seguidor do guru.

O “mundo dos espelhos”, como é chamado o ambiente de conspirações e armações de alcance global onde vivem os mestres da espionagem, tem desses subprodutos interessantes. A conversão de John Brennan, quando foi chefe da CIA na Arábia Saudita, nunca foi confirmada.

Já ele próprio contou que votou em Gus Hall, o líder comunista que durou mais tempo no poder do que Stálin justamente por ter tão pouco poder, para presidente. Não numa data perdida no tempo, mas em 1980. Estava “decepcionado” com os dois partidos americanos, que tinham como candidatos Jimmy Carter e Ronald Reagan.

Parece coisa de filme de espião, mas Brennan não só votou num notório sabujo de Moscou como contou a verdade quando fez o teste do polígrafo para entrar na CIA.

DRONE ERRADO

Ao contrário do que os inimigos espalham, não é Brennan o personagem que aparece fazendo a prece muçulmana no filme A Hora Mais Escura, sobre a morte de Osama bin Laden.

O “Roger” do filme é Michael D’Andrea, que adotou a religião islâmica para se casar com uma muçulmana, a quem conheceu também como espião no exterior.

Conhecido como “Príncipe Negro” e “Agente Funerário”, foi um pioneiro no uso de drones para eliminar dirigentes da Al Qaeda em vários países.

Num desses ataques, foram mortos, sem querer, dois sequestrados pela organização terrorista, o americano Warren Weinstein e o estudante italiano Giovanni Lo Porto, ambos ligados a ONGs.

Barack Obama pediu desculpas publicamente pela tragédia involuntária. Imaginem o que aconteceria se o presidente fosse Donald Trump?

Michael D’Andrea foi chamado de volta à CIA, para chefiar as operações contra o Irã. Brennan virou colaborador da MSNBC, um dos canais a cabo mais furiosamente antitrumpistas. A CIA é chefiada atualmente por Gina Haspel, funcionária de carreira que trabalhou com ambos. Foi nomeada por Donald Trump.

Qual deles está certo por trabalhar para o governo Trump? Ou por pregar o impeachment do presidente por traição à pátria? Algum foi tomado pela “loucura” que o mundo das conspirações eternas parece desencadear?

Novos e emocionantes capítulos já estão se desdobrando. Só podemos esperar que em algum momento fiquemos sabendo, pelo menos, de seu resultado.

O golpe dos burocratas de Bruxelas contra o Google

Longe de promover a competência tecnológica, escreve Juan Ramón Rallo, diretor do Instituto Juan de Mariana, a investida da União Europeia contra o Google promove a visão ideológica dos burocratas de Bruxelas, com sua pretensão de governo mundial:


Cerca del 80% de los dispositivos móviles del mundo utilizan un sistema operativo basado en Android. No porque Google fabrique el 80% de todos los smartphones, sino porque los fabricantes de teléfonos móviles —como Samsung, Sony, HTC o Xiaomi— escogen libremente instalar Android en sus terminales. ¿Por qué deciden usar Android en lugar de desarrollar sus propios sistemas operativos siguiendo el modelo de Apple con el iOS o el de Microsoft con Windows Phone? Porque Google desarrolló originalmente Android y lo regaló a todo aquel que quisiera comercializarlo en sus móviles; de hecho, hizo algo más que regalarlo: dio acceso gratuito al código de Android para que cualquiera pueda crear su propia versión de este sistema operativo e incorporarla a sus dispositivos sin pagarle por ello comisión alguna a Google.

Como es obvio, muchos de estos fabricantes prefirieron —y siguen prefiriendo— usar Android antes que desarrollar desde cero sus propios sistemas operativos. Gracias a la supresión de ese enorme coste de entrada, nuevos fabricantes accedieron a esta industria comercializando dispositivos a un precio mucho más bajo que hasta entonces: a día de hoy, contamos con una amplia gama de smartphones cuyo precio se ubica entre 150 y 250 euros, posibilitando la entrada de muchísimos nuevos consumidores que previamente quedaban fuera del mercado. Fue así como Android conquistó más del 70% de los terminales móviles: ofreciéndose gratuitamente a los fabricantes para que éstos pudieran multiplicar su base de consumidores.

En la actualidad, a partir de ese código originalmente ofrecido en abierto, existen diversas versiones de Android en competencia: la versión de Android de Google es sólo una más entre todas ellas; sí, es la más popular y exitosa entre los usuarios, pero no deja de ser una versión más que se ve forzada a competir día a día con otras versiones de Android, como el Fire OS de la todopoderosa Amazon o el MIUI de Xiaomi (desarrollados sin haberle pagado nada a Google por el código abierto de Android). ¿Qué ofrece Google a cambio de su versión de Android? Un amplio paquete de aplicaciones pre-instaladas (y con un nivel de integración perfectamente compatibilizado con Android) que son altamente demandas por los usuarios finales: la tienda de Apps Play Store, el navegador Chrome, el buscador Google o el servicio de mapas Google Maps. Es decir, la versión Google de Android es tremendamente competitiva frente a las rivales y, por eso, muchos fabricantes quieren incorporarla a sus dispositivos.

En este sentido, y como requisito para evitar la fragmentación de sistemas operativos Android que impliquen riesgos reputacionales para Google (fabricantes que distribuyan versiones deficientes de Android) así como sobrecostes para los desarrolladores de Apps (evitar que deban crear muy distintas versiones de una misma aplicación), la compañía exige a los fabricantes que quieran vender dispositivos con su versión de Android que no comercialicen versiones de Android no adheridas a unos estándares mínimos de compatibilidad (Compatibility Test Suite o CTS).

Nótese, primero, que Google no obliga a los fabricantes a comercializar en exclusiva su versión de Android, sino que condiciona la comercialización de su versión a la no comercialización de otras versiones que no superen unos estándares mínimos de compatibilidad. Cualquier fabricante, sin embargo, puede optar por comercializar versiones no compatibles: Alibaba, por ejemplo, vende dispositivos móviles con un sistema Android no compatible que se ha convertido en el segundo más usado de China, AliOS.

Nótese, segundo, que Google tampoco vincula la adopción de un sistema Android que cumpla tales estándares mínimos de compatibilidad con la instalación de su paquete de aplicaciones: se pueden instalar sistemas Android que superen el CTS y que no usen aplicaciones de Google. Por ejemplo, la versión de Android desarrollada por Amazon (Fire OS) no ofrece pre-instalados ni la Play Store (sino la Amazon Appstore) ni el navegador Chrome (sino el Amazon Silk), ni el buscador Google (sino Bing).

Y nótese, tercero, que pre-instalar el paquete de aplicaciones de Google en su versión de Android no implica prohibir la post-instalación de otros navegadores o motores de búsqueda. Sólo implica que, al menos de entrada, el usuario que ha comprado la versión Google de Android comienza navegando con Chrome y efectuando búsquedas con Google. Pero si prefiere otra configuración, basta con que la adopte: el Android de Google no lo impide.

En definitiva, en el mercado actual de los smartphones existen innumerables opciones competitivas que sobrepasan cualquier control que Google pudiera querer ejercer. En un primer nivel, cabe escoger entre sistemas Android y no Android (iOS o Windows Mobile, por ejemplo). En un segundo nivel, entre versiones de Android compatibles o no compatibles (como AliOS). En un tercer nivel, entre las diversas versiones compatibles de Android (la de Google o Amazon o MIUI, por ejemplo). Y en un cuarto nivel, entre las múltiples aplicaciones que ofrece la versión Google de Android (estén pre-instaladas o no).

Pues bien, en este entorno tecnológico tan dinámico, cambiante y complejo, acaba de irrumpir la Comisión Europea como un elefante en una cacharrería multando a Google con 4.340 millones de euros por, según dice, limitar la competencia al, por un lado, pre-instalar integradamente todas sus aplicaciones en su versión de Android y, por otro, limitar la proliferación de versiones incompatibles de Android merced a sus acuerdos antifragmentación. Sí, repito, Bruselas sanciona a Google: probablemente la compañía que más ha hecho por potenciar la competencia en el mercado de sistemas operativos para móvil con la cesión gratuita del código abierto de Android.

En su irracional invectiva contra la tecnológica estadounidense, Bruselas dice querer fomentar la competencia en el sector de los sistemas operativos, pero lo que realmente quiere hacer es imponer su modelo de competir. A la postre, si se le impide a Google pre-instalar integradamente todo su paquete de aplicaciones para móvil o si se fomenta la fragmentación del ecosistema Android, lo que estará haciendo es, por un lado, erosionar la posición competitiva de Google frente a otros de sus pujantes rivales dentro del ecosistema Android (como Amazon, Xiaomi o Alibaba) y, por otro, erosionar la posición competitiva de Android frente a otros ecosistemas rivales como iOS. Es decir, no tendremos ni más ni mejores productos, sino otro tipo de productos más alejados de las preferencias y las necesidades de los consumidores. Eso sí, Bruselas volverá a imponerse como el matón de la clase demostrando quién manda en el Continente: ni los consumidores, ni las empresas innovadoras, sino los burócratas antimercado.

Este artículo fue publicado originalmente en el blog Laissez Faire de El Economista (España) el 19 de julio de 2018.

Preparativos de Toffoli para setembro


Futebol feminino goela abaixo: saiba a quem isto interessa.

Em artigo publicado pelo Instituto Liberal, Ricardo Bordin critica a decisão da CBF, que imporá, a partir de 2019, um time feminino disputando as competições nacionais. É a inclusão pela bola:


As destilarias existem porque as pessoas bebem uísque, e não o contrário. Ludwig Von Mises tinha este axioma muito claro em sua mente, mas o mesmo não podemos dizer dos membros da Confederação Brasileira de Futebol: a partir de 2019, os clubes brasileiros que se classificarem para a disputa da Taça Libertadores da América precisarão comprovar que possuem um time feminino disputando competições nacionais, sob pena de serem desqualificados.

O canal Esporte Interativo publicou em seu website uma entrevista sobre o assunto com Rosana, jogadora do Santos e da seleção brasileira. Em determinado trecho, ela afirma:
Infelizmente, não foi no amor, então vai na dor, né? Os times vão ser obrigados a ter uma equipe feminina para poderem participar de competições sul-americanas. Isso, com certeza, é de grande valia, porque faz com que as pessoas vejam que o futebol feminino existe.
“Infelizmente” digo eu, Rosana.

A ordem dos fatores, neste caso, altera totalmente o resultado. O que esta normatização busca é conferir ao futebol feminino um status que ele jamais fez por merecer. Surgimento de novos times, criação de novas ligas, maior repercussão dos jogos na imprensa e melhor valorização das atletas deveria ser consequência do sucesso e do aumento da popularidade da modalidade — exatamente como ocorreu entre os homens.

Mas o que se busca aqui é inverter a equação: já que não há demanda suficiente pelo produto, vamos obrigar os investidores a produzi-lo e vendê-lo mesmo assim.

Qual seria então o próximo passo, neste esforço de empurrar para os consumidores mercadorias encalhadas no estoque? Quem sabe forçar as agremiações a apoiarem outros esportes menos queridos pelas massas, como badminton ou squash, por que não?

Ou então determinar que os meios de comunicação transmitam e deem visibilidade a campeonatos de várzea — coitados, tão esquecidos pelo grande público também — , sob pena de cassação da licença de funcionamento.

Melhor: vender ingressos para jogos de futebol masculino em pacote casado com entradas para as partidas das mulheres. E se o estádio ainda assim ficar vazio nos jogos delas, é só dizer que a sociedade é machista, patriarcal e misógina.

Percebam os caminhos tortuosos pode onde esta sanha igualitarista nos conduz. Chama muito a atenção ainda a frase da jogadora supracitada: ou todos atendemos aos desejos de uma minoria organizada e barulhenta, ou ela vai dar um jeito de nos obrigar a assim proceder.

Nem sonha a moça que o futebol masculino partiu do mesmíssimo ponto onde ela e suas colegas ora se encontram. Toda a badalação em torno de nomes como Cristiano Ronaldo ou clubes como o Barcelona não surgiu do nada — muito menos da imposição de terceiros. Mais de um século foi necessário para moldar a figura de ídolos inesquecíveis e escretes clássicas (como as seleções de 82 e 70) no imaginário popular. Até mesmo Pelé só conseguiu enriquecer após encerrar a carreira, pois o futebol, em sua época, ainda engatinhava como espetáculo midiático.

Não se constrói uma cultura de adoração a um esporte na base da porrada: ou ela surge de forma espontânea e orgânica, ou só vai produzir ojeriza entre os fãs.

Não se pode perder de vista: futebol são apenas 22 indivíduos correndo e uma bola rolando em um gramado. Trata-se de uma prática que, em princípio, não possui valor intrínseco algum. Seus eventos só se tornam lucrativos e seus agentes bem remunerados e famosos na medida em que as pessoas se envolvem emocionalmente com tudo o que cerca cada jogo — as zoações com os amigos, a alegria da vitória, o sofrimento na derrota, tudo isso acaba por estabelecer um laço sentimental entre torcida e esporte.

É nesse contexto que escudos e camisetas de clubes deixam de ser apenas desenhos e peças de roupas e convertem-se em símbolos e fardamentos. É neste cenário que brota o amor (e o ódio) entre as partes, que gera o fenômeno de marketing que permite a evolução de uma simples brincadeira de bola para uma atividade econômica que gira bilhões.

Dito de outro modo: o desenvolvimento do esporte é diretamente proporcional a paixão que ele desperta em seus aficionados. Quer dizer, esta iniciativa tão “bem intencionada” nada mais é do que um patético grito de “me ame, eu estou mandando”. O quão autoritário precisa ser um grupo para ordenar isso?

Não vai rolar, companheiras. E isso nada tem a ver com o fato de vocês serem mulheres. Vejam o caso dos Estados Unidos, onde o futebol feminino desenvolveu-se, ganhou patrocinadores e tornou-se popular sem precisar apelar para relações de mutualismo quaisquer.

Lá, em decorrência do elevado nível de impacto físico do esporte favorito local (o Football), o Soccer acabou “sobrando” para elas como opção menos perigosa de desporto, e as meninas fizerem do limão uma limonada. Isto é, todo o processo deu-se naturalmente, sem interferências de justiceiros sociais. E por isso deu certo.

Outro aspecto curioso deste movimento pela superlativação artificial do futebol feminino no Brasil é o notável engajamento dos canais esportivos: comentaristas de Sportv, ESPN, FOXsports, Esporte Interativo, bem como da TV aberta em geral, apoiam e dão suporte a tais medidas intervencionistas.

E não é difícil entender o porquê: o jornalismo tradicional bem que gostaria de “lacrar” transmitindo jogos de mulheres dia e noite, mas o que eles não querem é arcar com os prejuízos da pífia audiência (acredite, já há jogos de mulheres na grade de programação, e nem mesmo quem reclama da falta de apoio ao futebol feminino deve assistir). A Globo já tentou fazer algo parecido com o beach soccer, e não parece querer repetir a experiência traumática.

Qual a solução vislumbrada por eles então? Simples: constranger outros a cobrirem o rombo financeiro. Os clubes gastam parte de seu orçamento com algo que não é demandando por seus associados, alguma estatal passa a patrocinar os torneios femininos, e a televisão fica com o lucro. Observe Marco Aurélio Cunha, que já foi dirigente do São Paulo, dando nos dedos de uma entrevistadora que tentou coloca-lo contra a parede politicamente correta (veja o vídeo aqui).

Quais seriam os possíveis desdobramentos deste decreto da CBF que, com o perdão do trocadilho, só pretende “jogar para a torcida”? Vejamos:

Muito em breve as feministas começarão a cobrar igualdade salarial para mulheres e homens que vestem as cores da mesma equipe— ainda que 100% do faturamento venha do futebol masculino — , pleiteando tabelamento de remunerações e tetos salariais (salário máximo, quem sabe);

Por conta da decorrente redução salarial dos homens, eles serão negociados ainda mais cedo com clubes estrangeiros, e o nível do futebol praticado no Brasil vai cair consideravelmente, causando desinteresse crescente dos brasileiros;

Para conter esta sangria de atletas, o Estado vai atender a pedidos de “intelectuais” da USP e passar a tributar pesadamente estas transferências;

Por conta disso, atletas e seus agentes começarão a tentar driblar o fisco, praticamente fugindo do país — e pronto: estaremos vivenciando uma realidade de países comunistas.

Este episódio lembra, ainda, o que ocorreu recentemente em algumas escolas americanas, onde foram abolidas as premiações nas competições esportivas escolares para que os perdedores não se sentissem “oprimidos” — o que retira por completa a motivação dos melhores em vencer. Ora, se o futebol masculino atrai mais recursos, dividir os louros com qualquer outra modalidade esportiva é premiar quem não faz jus e desmotivar quem tem potencial.

Impossível não correlacionar tudo isso também com os milhares de estudantes que gastam rios de dinheiro em diplomas universitários inúteis para o mercado. Com uma formação que não lhes permite arranjar um emprego decente, políticos se oferecem prontamente para usar o dinheiro dos pagadores de impostos para criar vagas de trabalho para esses frustrados na máquina estatal, em ONGs ou em obras públicas.

O mesmo se aplica, pois, às mulheres que resolveram virar jogadoras de futebol sabedoras de que se tratava de um esporte pouco apreciado pela população em nosso país, e que acabaram virando massa de manobra de turbas histriônicas, que impõe sua vontade na base do grito e da intimidação.

Ninguém precisa me convencer com discursos empoderados que na patinação artística, por exemplo (dentre tantos outros campos e áreas de atuação humana), as mulheres dão de dez a zero nos homens. E merecem receber mais holofotes e serem melhor remuneradas nestes casos, sem sombra de dúvida.

Um dia desses foi destaque no portal G1 uma matéria informando que “a presença de mulheres e negros cresceu em campanhas publicitárias”. O autor do texto lamentava, porém, que ainda era “pequeno o percentual em relação a participação deles na população”. Fiquei curioso para saber se havia, então, um percentual de no mínimo uns 30% de adolescentes com espinhas no rosto entre os modelos jovens, e em torno de uns 20% de obesos entre os adultos. É exatamente este tipo de visão de mundo avessa ao mérito, que trata cada um apenas como membro de uma comunidade identitária, que origina este clamor por cotas femininas no futebol a despeito de sua incapacidade de autossustentar-se.

O mais importante a notar neste imbróglio é que não foi necessário o Estado imiscuir-se na questão para que a mentalidade coletivista prevalecesse. Fica evidenciado que Nelson Rodrigues tinha razão: no Brasil, basta respirar para ser socialista, pois o ideário avesso ao esforço e a recompensa individual está impregnado no ar. Se o governo não se apresenta para a missão, outros coletivos dão conta de patrulhar a sociedade e coagi-la a seguir seus ditames, sempre instigando a inveja e o ressentimento como combustível revolucionário.

A esta altura, já deve ter gente pensando “mas simplesmente não assista ao futebol feminino então, ou mesmo deixe de ver futebol masculino se ele virar uma porcaria depois de tanto ser usado como instrumento de implantação de uma agenda política”. Resposta errada: se não reagirmos sempre a este tipo de ingerência, em breve este furor distributivista atingirá todo e qualquer aspecto de nossas vidas. E aí a hegemonia esquerdista planejada por Antonio Gramsci no cárcere terá atingido seu ápice. Nem me pergunte o que vem depois…