segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A política do ressentimento


Não há registro histórico de regime autoritário ou totalitário que não tenha subjugado a Justiça e a imprensa. Eis a permanente ameaça do tiranete Lula, assim destacado por editorial do Estadão: "Lula atenta contra a ordem democrática e isso, venha de onde vier – até de um mentiroso fanfarrão como ele –, é um perigo":


Não há registro histórico de um regime autoritário que não tenha subjugado ao menos uma de duas instituições basilares da democracia: Justiça e imprensa independentes. Pois o sr. Luiz Inácio Lula da Silva põe ambas sob suspeição no Brasil. É um perigoso sinal emitido por alguém que, a despeito dos gravíssimos crimes pelos quais responde judicialmente – já tendo sobre si uma condenação, em primeira instância, a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro –, quer voltar à Presidência da República.

Na quinta-feira passada, o ex-presidente concedeu uma entrevista coletiva à imprensa estrangeira. Lula da Silva falou com a arrogância de quem já tira as medidas para um novo terno de posse, e não como um condenado que se vê diante da possibilidade crescente de ir para a cadeia.

Sua fala reflete um delírio megalomaníaco e leva a imaginar como seria um novo governo lulopetista pautado por uma política embebida em ressentimento que, a julgar pelo que Lula vem dizendo, nortearia suas ações do primeiro ao último dia de mandato.

Antes de tudo, Lula da Silva acredita ser vítima de uma implacável perseguição engendrada por um conluio de agentes, alguns indeterminados, como o “mercado”, a “elite”, a “mídia”, os “coxinhas”, em suma, “eles”; e outros com nome e sobrenome, como o juiz Sérgio Moro e os três desembargadores da 8.ª Turma do TRF-4, Leandro Paulsen, João Pedro Gebran Neto e Victor Laus, que na próxima quarta-feira irão julgar um recurso interposto por sua defesa que, a depender do resultado, pode torná-lo inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

“Eu acho que essas pessoas que estão lidando com o meu processo não me conhecem direito. Se me conhecessem, não teriam a coragem e a desfaçatez de dizer que eu sou ladrão. Como eu tenho orgulho de tudo o que eu fiz, eu quero que um dia eles peçam desculpas para mim”, disse Lula da Silva aos jornalistas, deixando claro que a única Justiça legítima é aquela que o absolve. Afinal, é ele o juiz de si mesmo, o senhor das moralidades e das virtudes cívicas. Não tem de dar satisfações a ninguém, pois é superior a todos.

A concepção de um sistema de Justiça ao qual todos devem se submeter em prol da harmonia social é uma das mais brilhantes criações do gênio humano, pois eliminou a barbárie do justiçamento e nos trouxe um elevado estágio civilizatório. O que Lula da Silva faz não deve ser confundido com o legítimo direito de questionar uma decisão judicial. A afronta está na escolha que faz dos tipos de “justiça”: aquela a que admite se submeter, sendo ele próprio o juiz e o formulador único de seu código de justiça; e a “outra”, ilegítima por natureza, pois não saiu de sua cabeça. Lula contesta agora a legitimidade do TRF-4 porque sabe que seu caso, do ponto de vista legal, não lhe permite esperanças de absolvição.

Perguntado pelo jornalista do El País se não precisaria fazer uma “autocrítica”, se tinha algum “arrependimento”, Lula da Silva disse que sim: não ter implementado a censura que ele, ardilosamente, chama de “regulação da mídia”. Em um recente evento com artistas no Rio de Janeiro, destacou o tema que lhe é tão caro ao pedir à imprensa que trabalhasse para ele não voltar, “porque se eu voltar vai haver uma regulação dos meios de comunicação”.

É compreensível que Lula da Silva se sinta mesmo um perseguido. Para alguém que deixou a Presidência com índice de aprovação acima de 80% deve ser difícil compreender as agruras por que passa agora. Só mesmo causas externas para infortúnios tão grandes, deve pensar. O que mais explicaria? Certamente, não os seus próprios erros.

Os brasileiros que não fazem parte do grupo que apoia o ex-presidente incondicionalmente devem refletir sobre o ânimo de Lula da Silva em relação ao futuro. Seria um exercício de vingança contra injustiças imaginárias que desgraçaria a Nação além do suportável.

É claro que nem tudo o que Lula diz pode ou deve ser levado a sério. Mas também não se pode ignorar que ele vem fazendo, com inusitada desenvoltura, uma campanha de descrédito das instituições republicanas. Lula atenta contra a ordem democrática e isso, venha de onde vier – até de um mentiroso fanfarrão como ele –, é um perigo.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Cotas para transgêneros: decadência da universidade pública.

O lulopetismo destroçou a economia do país, o que começa a ser remediado, mas o mal que gerou na cultura brasileira persistirá por muito tempo ainda. O sistema de cotas para as "minorias" nas universidades públicas é o coroamento da decadência por ele legada:


A intenção original das ações afirmativas, de onde os progressistas brasileiros importaram a ideia do sistema de cotas nas universidades, foi a de reparar um sistema de segregação que durou até a década de 1960 nos Estados Unidos. Lá, o governo violava a noção de igualdade ao tratar negros como cidadãos inferiores, que eram impedidos de frequentar certas universidades e escolas, e de ocupar certos cargos. 

Pode-se discutir se esta era a melhor solução para remediar o problema. Mas, de fato, havia uma razão clara para a adoção de um sistema de cotas, posteriormente convertido nas chamadas ações afirmativas.

No Brasil, a adaptação dessa ideia sempre foi problemática.

Primeiro, porque não houve, após a abolição da escravidão, um sistema oficial que impedisse os negros ou indígenas de frequentar instituições de ensino. 

Em segundo lugar, por causa da falta de delimitação clara entre brancos e negros. 

Agora, parece que o próximo passo das universidades públicas é estender a transexuais e transgêneros o critério diferenciado de seleção que já é aplicado (por lei federal) a alunos de baixa renda, oriundos de escolas públicas, negros e indígenas.

E isto gera ainda mais problemas.

Como mostrou a Gazeta do Povo, uma das pioneiras nesse quesito é a Universidade Federal do Cariri (UFCA). Inicialmente, a reserva de vagas será aplicada apenas no mestrado e no doutorado. Outras instituições, como a Universidade Federal da Bahia, debatem o assunto.

O problema se torna evidente no critério de seleção: basta se autodeclarar transexual ou transgênero para concorrer uma das vagas reservadas. Ou seja: especialmente no caso dos transgêneros, em que não é preciso ter qualquer aparência externa característica, é impossível haver um exame objetivo. Bastará a um homem dizer que, em sua mente, é uma mulher.

Pessoas que se identificam como transexuais ou transgêneros sempre puderem ir à escola, ter empregos e concorrer livremente no vestibular (que, a propósito, impede discriminação porque os candidatos não são identificados, ao contrário do sistema americano). Não há empecilhos no sistema legal que os impeçam de chegar a uma universidade. 

Além disso, diferentemente da negritude, o transexualismo não necessariamente é permanente: não há ex-negros, mas existem pessoas que acreditam ser transgêneros e depois deixam de se identificar como tal. 

O que se fará com um aluno que, porventura, declarar-se transgênero, for aprovado pelo sistema de cotas e depois decidir que deixou de sê-lo? 

Por fim, há um debate mais profundo a ser feito.

Se a função da universidade é combater desigualdades ou fazer a "justiça social", é o caso de se indagar por que ainda existe um processo competitivo de seleção, em vez de um sistema que distribua as vagas àqueles considerados mais oprimidos e desfavorecidos. 

Se o mérito intelectual ainda é um fator relevante, e se o sistema de cotas é mesmo a melhor forma de corrigir injustiças, melhor seria restringir o sistema de cotas àqueles que mais precisam. E, como os dados mostram, a barreira econômica, não o preconceito, é o principal entrave no acesso à educação de qualidade. (Gazeta do Povo).

O politicamente correto é retrógrado

Publico outro artigo do professor Alberto Benegas Lynch (h), desta vez sobre o politicamente correto, uma anacrônica postura conservadora (conservadora no pior sentido), bloqueadora do progresso, patrulhadora dos costumes e extremamente intolerante:


El progreso significa cambio para mejor. Como nuestra ignorancia es enorme, la forma de reducirla consiste en abrir debates en todas direcciones al efecto de poder refutar lo anterior y avanzar en la buena dirección. En otros términos, la faena del intelectual estriba en convertir lo políticamente imposible en políticamente posible. Esto se lleva a cabo en el plano de las ideas, mostrando las ventajas de dejar atrás lo inconveniente para adoptar lo mejor.

Todos los buenos descubrimientos siempre comenzaron con un sueño que parecía imposible. Como ha escrito John Stuart Mill “todas las buenas ideas pasan por tres etapas: la ridiculización, la discusión y la adopción”. En otros términos, el progreso está indisolublemente atado a la creatividad y al esfuerzo por correr el eje del debate hacia mejores metas, hacia objetivos de una mayor excelencia, a la curiosidad por explorar lo que aparece como mejor, en definitiva por apartarse de la trampa del status quo, al coraje moral por diferenciarse del espíritu rabiosamente conservador.

Los debates abiertos de par en par sin restricción alguna permiten confirmar lo que está bien y revisar todo lo que se estima está mal o que puede mejorar la marca. Lo políticamente correcto encaja cerrojos mentales que no permiten ver más allá de la nariz acorde con los perezosos para cambiar, a saber, los que se oponen al progreso que inexorablemente se traduce en cambio.

Pues bien, como queda dicho, el lenguaje “políticamente correcto” significa quedarse estancado y paralizado en lo que es sin percatarse lo que debe ser, lo cual significa imposibilitar que se suba la vara con lo que en verdad se renuncia a lo esencial de la condición humana cual es el pensamiento. Recordemos el lema de la Royal Society de Londres: nullius in verba, es decir, no hay palabras finales…en ningún tema.

El lenguaje “políticamente correcto” está íntimamente vinculado a un concepto errado de lo que significa la discriminación. En este sentido reitero parcialmente lo que hemos consignado antes en cuanto a intentar que se despeje la aludida confusión semántica.

Según el diccionario, discriminar quiere decir diferenciar y discernir. No hay acción humana que no discrimine: la comida que elegimos engullir, los amigos con que compartiremos reuniones, el periódico que leemos, la asociación a la que pertenecemos, las librerías que visitamos, la marca del automóvil que usamos, el tipo de casa en la que habitamos, con quien contraemos nupcias, a que universidad asistimos, con que jabón nos lavamos las manos, que trabajo nos atrae más, quienes serán nuestros socios, a que religión adherimos (o a ninguna), que arreglos contractuales aprobamos y que mermelada le ponemos a las tostadas. Sin discriminación no hay acción posible. El que es indiferente no actúa. La acción es preferencia, elección, diferenciación, discernimiento y, por ende, implica discriminar.

Esto debe ser nítidamente separado de la pretensión, a todas luces descabellada, de intentar el establecimiento de derechos distintos por parte del aparato estatal que, precisamente, existe para velar por los derechos y para garantizarlos. Esta discriminación ilegítima echa por tierra la posibilidad de que cada uno maneje su vida y hacienda como le parezca adecuado, es decir, inhibe a que cada uno discrimine acerca de sus preferencias legítimas. Otro modo de referirse a este uso abusivo de la ley es simple y directamente el del atropello al derecho de las personas.

La prueba decisiva de tolerancia es cuando no compartimos las conductas de otros. Tolerar las que estamos de acuerdo no tiene mérito alguno. En este sentido, podemos discrepar con las discriminaciones, elecciones y preferencias de nuestro prójimo, por ejemplo, por establecer una asociación en la que solo los de piel oscura pueden ser miembros o los que tienen ojos celestes. Allá ellos, pero si no hay violencia contra terceros todas las manifestaciones deben respetarse, no importa cuan ridículas nos puedan parecer.

Curiosamente se han invertido los roles: se tolera y alienta la discriminación estatal con lo que no le pertenece a los gobiernos y se combate y condena la discriminación que cada uno hace con sus pertenencias. Menudo problema en el que estamos por este camino de la sinrazón, en el contexto de una libertad hoy siempre menguante.

Parece haber una enorme confusión en esta materia. Por un lado, se objeta que una persona pueda rechazar en su propia empresa la oferta laboral de una mujer embarazada o un anciano porque configuraría una “actitud discriminatoria” como si el titular no pudiera hacer lo que estima conveniente con su propiedad. Incluso es lícito que alguien decida contratar solo a quienes midan más de uno ochenta. Como es sabido, el mercado es ciego a religiones, etnias, alturas o peso de quienes se desempeñan en las empresas, por tanto, quien seleccione personal por características ajenas al cumplimiento y la eficiencia pagará el costo de su decisión a través del cuadro de resultados, pero nadie debiera tener el derecho de bloquear un arreglo contractual que no use la violencia contra otros.

Por otra parte, en nombre de la novel “acción positiva” (affirmative action), se imponen cuotas compulsivas en centros académicos y lugares de trabajo “para equilibrar los distintos componentes de la sociedad” al efecto de obligar a que se incorporen ciertas proporciones, por ejemplo, de asiáticos, lesbianas, gordos y budistas. Esta imposición naturalmente afecta de forma negativa la excelencia académica y la calidad laboral ya que deben seleccionarse candidatos por razones distintas a la competencia profesional, lo cual deteriora la productividad conjunta que, a su vez, incide en el nivel de vida de toda la población, muy especialmente de los más necesitados cuyo deterioro en los salarios repercute de modo más contundente dada su precariedad.

Por todo esto es que resulta necesario insistir una vez más en que el precepto medular de una sociedad abierta de la igualdad de derechos es ante la ley y no mediante ella, puesto que esto último significa la liquidación del derecho, es decir, la manipulación del aparato estatal para forzar pseudoderechos que siempre significa la invasión de derechos de otros, quienes, consecuentemente, se ven obligados a financiar las pretensiones de aquellos que consideran les pertenece el fruto del trabajo ajeno.

Desde luego que esta atrabiliaria noción del “derecho” como manotazo al bolsillo del prójimo, entre otros prejuicios, se basa en una idea errada, cual es que la riqueza es una especie de bulto estático que debe “redistribuirse” (en direcciones distintas a la distribución operada en el supermercado y afines) dado que sería consecuencia de un proceso de suma cero. No conciben a la riqueza como un fenómeno dinámico y cambiante en el que en cada transacción libre y voluntaria hay un proceso de suma positiva puesto que ambas partes ganan. Es por esto que actualmente podemos decir que hay más riqueza disponible que en la antigüedad, a pesar de haberse consumido recursos naturales en el lapso de tiempo trascurrido desde entonces. Es cierto el principio de Lavoisier, en cuanto a que “nada se pierde, todo se transforma” pero lo relevante es el crecimiento de valor no de cantidad de materia (como hemos dicho antes, un teléfono antiguo tenía más material que uno celular, pero este último presta servicios mucho mayores y a menores costos).

Vivimos la era de los pre-juicios, es decir el emitir juicios sobre algo antes de conocerlo (y conocer siempre se relaciona con la verdad de algo, ya que no se conoce que dos más dos son ocho). La fobia a la discriminación de cada uno en sus asuntos personales y el apoyo incondicional a la discriminación de derechos por parte del Leviatán es, en gran medida, el resultado de la envidia, esto es, el mirar con malevolencia el bienestar ajeno, no el deseo de emular al mejor, sino que apunta a la destrucción del que sobresale por sus capacidades.

Y esto, a su vez, descansa en la manía de combatir las desigualdades patrimoniales que surgen del plebiscito diario en el mercado en donde el consumidor apoya al eficiente y castiga al ineficaz para atender sus reclamos. Es paradójico, pero no se condenan las desigualdades patrimoniales que surgen del despojo vía los contubernios entre el poder político y los así llamados empresarios que prosperan debido al privilegio y a mercados cautivos otorgados por gobiernos a cambio de favores varios. En realidad, las desigualdades de la época feudal (ahora en gran medida replicadas debido al abandono del capitalismo) son desde todo punto de vista objetables, pero las que surgen de arreglos libres y voluntarios, no solo no son objetables sino absolutamente necesarias al efecto de asignar los siempre escasos factores productivos en las manos más eficientes para que los salarios e ingresos en términos reales puedan elevarse. No es relevante la diferencia entre los que más tienen y los que menos poseen, lo trascendente es que todos progresen, para lo cual es menester operar en una sociedad abierta donde la movilidad social constituye uno de sus ejes centrales.

Como las cosas no suceden al azar, para contar con una sociedad abierta cada uno debe contribuir diariamente a que se lo respete.

Podemos extrapolar el concepto del polígono de fuerzas de la física elemental al terreno de las ideas. Imaginemos una enorme piedra en un galpón atada con cuerdas y poleas y tirada en diversas direcciones por distintas personas ubicadas en diferentes lugares del recinto: el desplazamiento del bulto será según el resultado de las fuerzas concurrentes, ninguna fuerza se desperdicia. En las faenas para diseminar ideas ocurre lo propio, cada uno hace lo suyo y si no se aplica a su tarea la resultante operará en otra dirección. Los que no hacen nada solo ven la piedra moverse y habitualmente se limitan a despotricar en la sobremesa por el rumbo que toma.

Como hemos visto, lo de la discriminación tiene muchas ramificaciones y efectos. Por ello es que resulta imprescindible comprender sus alcances y significados para lo que hay que despejar el ambiente de prejuicios. Como ha escrito en 1775 Samuel Johnson “Ser prejuicioso es siempre ser débil”, es revelar complejos y fallas propias, en cuyo contexto, sentenció en 1828 William Hazlitt: “ningún hombre ilustrado puede ser contemplativo con los prejuicios de otros”, puesto que el no denunciarlos agrava el mal, incluso para los resentidos que alegando anti-discriminación, discriminan de la peor manera.

En resumen, es llamativo e increíble que los llamados “progresistas” se estanquen y bloqueen el progreso con su empecinado uso de lo “políticamente correcto” que, como queda apuntado, se traduce en una anacrónica postura conservadora en el peor sentido de la expresión y en una inaceptable intolerancia.

Comida de cachorro

Esta é a Venezuela que Lula e o PT elegeram como modelo para o Brasil, escreve J. R. Guzzo (Fatos, Veja.com):


Ninguém conta tão bem a história íntima do PT como o próprio PT — e ninguém, como ele mesmo, mostra com tanta clareza como são as coisas na sua vida real. Nesta reta final do julgamento do Tribunal Regional Federal-4, de Porto Alegre, que vai confirmar ou não a sentença de nove anos e meio de cadeia que o ex-presidente Lula recebeu por corrupção, o partido todo entra numa espécie de apoteose na exibição do que tem de pior. Seu tema, agora, é a Venezuela. Depois de romper com o sistema democrático em vigor no Brasil, ao propor abertamente o combate a qualquer sentença contrária à Lula, o PT decidiu dobrar a meta, como faria a ex-presidente Dilma Rousseff. Resolveu ir à Venezuela para denunciar o processo “político” contra Lula, e a “utilização” da Justiça para dar mais um “golpe” e impedi-lo de “concorrer às eleições”. Isso mesmo: foram reclamar justiça na Venezuela, a estrela-guia infalível da esquerda brasileira de hoje. Como poderiam ter escolhido melhor?

A Venezuela, como demonstram os fatos a cada dia, é justamente o país latino-americano que eliminou o seu próprio sistema judiciário — só Cuba pode comparar-se a ela neste quesito atualmente. Não há mais juízes. Há apenas funcionários do governo encarregados de executar as ordens que vêm de cima. Há prisões diárias de manifestantes da oposição. Há tortura contra presos políticos. Como ir falar de “justiça” numa tirania bananeira como essa? Na prefeitura de Caracas, a capital, o governo sempre perdia as eleições. Solução: eliminaram a Prefeitura de Caracas, com a explicação de que ela não era mais necessária. A oposição tem maioria no Congresso? Nenhum problema: o governo nomeou um outro Congresso e decretou que é esse o que vale. Não há outro país no continente em que a repressão policial nas ruas seja tão selvagem — ainda no Natal, uma mulher grávida foi assassinada a tiros por um guarda na fila onde deveria receber a esmola de fim de ano do governo — um pernil. A grande ideia do governo de extrema-esquerda da Venezuela é eliminar as forças armadas e colocar em seu lugar uma milícia de 500.000 homens armados, que funcionarão como uma guarda particular dos donos do governo.

É esse o país que Lula e o PT elegeram como o modelo para o Brasil. Já foi o tempo em que tentavam fugir da questão, dizendo que “cada país escolhe o seu caminho” e outras bobagens do mesmo tipo. Hoje deixam absolutamente claro, sem disfarce algum, que o regime da Venezuela é o que querem para o Brasil — e que o seu único “projeto político” é chegar lá, com Lula no papel de “comandante supremo”. O ex-presidente já disse que o único problema da Venezuela é ter “democracia demais”. Ainda há pouco a presidente do PT manifestou seu apoio integral às últimas medidas totalitárias do governo para criar um tipo de eleição em que eles ganharão sempre. Mais recentemente, um deputado do partido (o mesmo que deu “voz de prisão” à uma mulher que o criticava num corredor do Congresso) esteve em Caracas para se queixar, em portunhol extremo, que a Justiça brasileira persegue Lula — e para louvar a sorte dos venezuelanos, que, segundo o PT, vivem num país de judiciário independente, sob o império da lei e com a proteção de todos os direitos. Aproveitou para explicar as presentes calamidades que o governo criou na Venezuela (já tem gente comendo comida de cachorro, na penúria geral de alimentos), como resultado da “guerra econômica” que “a burguesia” move contra o povo.

Lula, se condenado, será um mártir para o PT. Só mesmo na Venezuela a Justiça seria capaz de lhe fazer justiça.

E o tal do Bitcoin?

Alberto Benegas Lynch (h) analisa a nova moeda virtual denominada Bitcoin, que tem levantado muitas dúvidas. A vantagem, diz ele, é não ser gerido pelo aparato estatal. A ver no que isto vai dar:


Debido al hartazgo de la manipulación gubernamental del dinero y del consecuente empobrecimiento de la gente que ve succionado una y otra vez el fruto de su trabajo, apareció en escena un instrumento virtual (no-material) denominado Bitcoin.

Se venía meditando sobre esta posibilidad desde 1998 (principalmente Satashi Nakamoto y Nick Szabo) y se lanzó al mercado en 2009 al efecto de posibilitar transferencias directas vía Internet en base a llaves de encriptado y concebido de modo que la cantidad total no pueda superar 21 millones de unidades (hoy son 10 millones que aceptan treinta sitios en la web) subdividibles hasta la 100 millonésima parte. Su cotización ha variado grandemente en una y otra dirección, lo cual ha incentivado a repetidos arbitrajes, lo cual ocurre en al ámbito de cualquier cotización independientemente de la opinión económica de quienes se embarcan en las respectivas transacciones.

Ya sabemos las cuatro funciones del dinero que se enseñan a cualquier colegial: unidad de cuenta, medio generalizado de intercambio, depósito de valor y cancelación de deudas. El asunto es si eso lo puede cumplir el Bitcoin puesto que no encaja en el teorema de la regresión monetaria.

Recuerdo que este último teorema alude a que para que un bien se utilice como dinero antes que ello debe haberse valorado como de uso no monetario que es precisamente lo que le otorga el sentido para hacer de medio común de intercambio. La sal, el ganado, el tabaco, las sedas, el oro, la plata y otros bienes se usaron en el cambio indirecto porque se les otorgaba valor como mercancías para alimento, usos industriales etc.

Las casas de depósito -luego denominadas bancos- entregaban recibos por la mercancía depositada (billetes) en el contexto de reserva total o el free banking (dicho sea al pasar, esta es la genuina convertibilidad y no el canje entre papeles moneda inconvertibles). Solo con el advenimiento de la banca central y el consecuente curso forzoso irrumpió el billete con un patrón en la práctica virtual y el sistema bancario de reserva fraccional junto al consiguiente efecto multiplicador en la creación de dinero secundario. Esta moneda fiat se acepta porque deriva de lo anterior, la cual desaparecería ni bien se abrogue el curso legal y la gente pueda elegir los activos monetarios de su agrado (hoy eso sucede pero principalmente entre dineros fiat).

La inflación se debe exclusivamente a la expansión de la base monetaria debida a causas exógenas al mercado, es decir, debida a razones políticas y los efectos de la inflación se traducen en la alteración en los precios relativos que, a su vez, implican derroche de capital y, como resultado, la disminución en los salarios en términos reales. Por su parte, la deflación es causada por una contracción exógena que se traduce en los mismos resultados solo que la espiral de precios opera en sentido contrario.

No hay tal cosa como “las expectativas” como causa de la inflación monetaria puesto que si éstas no son convalidadas por la mencionada expansión, no hay posibilidad de incrementar precios. Los costos de un producto clave como el petróleo tampoco son inflacionarios ya que en ausencia de expansión monetaria o se consume menos petróleo o se reduce el consumo de otros bienes.

Entonces, la inflación no es “el aumento generalizado de precios” sino, tal como queda dicho, la expansión monetaria debido a causas exógenas y su efecto consiste en la distorsión en los precios relativos. Si fuera el aumento generalizado de precios, como el salario es también un precio, resultarían irrelevantes esos incrementos aunque fueran el cincuenta por ciento mensual. Es la distorsión en los precios relativos lo que genera el desequilibrio entre precios e ingresos por una parte y, por otra, el desequilibrio entre los diversos precios entre si. Finalmente, como se ha hecho notar en repetidas ocasiones, el banco central solo puede operar en una de tres direcciones (expandir, contraer o dejar igual la base monetaria) las cuales inexorablemente alteran los precios relativos con todas las consecuencia malsanas apuntadas (dejar inalterada la base será deflacionaria o inflacionaria según sea la demanda de dinero, y si coincidiera con lo que hubiera hecho la gente carece de sentido la intervención monetaria)

Pues bien, observo que los colegas más destacados en materia monetaria del momento que he consultado (sobre todo franceses y estadounidenses) son más bien escépticos con el Bitcoin, especialmente en conexión al antedicho teorema de la regresión monetaria y, por consiguiente, escépticos con la posibilidad que pueda cumplir con las referidas cuatro funciones del dinero. Además, el hecho de que no pueda aumentarse el stock de Bitcoin quita la posibilidad por parte de los usuarios de que se incremente el dinero debido a fenómenos endógenos al mercado como consecuencia de la respectiva apreciación en su poder adquisitivo, lo cual eventualmente indicaría que debe producirse más de la divisa en cuestión.

Por otro lado, conjeturo que nadie arreglará un televisor si se anticipa que se le pagará con Bitcoins. Por mi parte, yo no trabajaría una jornada para recibir dinero virtual y tampoco vendería mi casa si como contrapartida me entregaran anotaciones digitales. En fin, mis preferencias no necesariamente son compartidas por otros: no me gustaba para nada el canto, la música y el baile de Michael Jackson pero a muchísima gente les deleitaba.

Estas elucubraciones en modo alguno significan descartar la posibilidad de que en el futuro cambie lo insinuado en éstas líneas respecto al Bitcoin (que por ahora es e carácter especulativo en el sentido más extendido de la expresión debido a la fluctuación en la cotización y solo muy marginalmente para transacciones). Tengamos presente que el conocimiento es siempre de carácter provisorio sujeto a refutación. Al fin y al cabo, el dinero es lo que la gente estima es dinero aunque no parece viable el patrón aire, es decir, en este contexto, la elección de algo sin valor previo.

En todo caso, esta nota sobre el Bitcoin constituye un buen pretexto para pensar en voz alta y preguntar a los lectores más que concluir sobre su futuro, sobre todo si es pactado libre y voluntariamente. Hay que seguir meditando sobre la manera de liberarse de las garras de los aparatos estatales que sistemáticamente y en todos lados han arrasado con el poder adquisitivo del dinero desde que se arrogaron el monopolio de la acuñación, momento en el que limaban las monedas y decretaban el curso forzoso indefectiblemente devaluando la unidad monetaria.

La causa de los problemas monetarios radica en la obsesión por mantener atada la moneda al monopolio de la fuerza, tal como lo pone de manifiesto la nutrida bibliografía que apunta en esa dirección. Como se ha consignado, el eje central consiste no solo en abrogar el curso forzoso sino en liquidar la banca central como responsable de dañar severamente los patrimonios de la gente y, consecuentemente, toda la coordinación social.

Tengamos en cuenta que no es serio proponer que el dinero gubernamental “compita” con el sector de la banca privada puesto que los privilegios oficiales inexorablemente anulan la competencia (y si no hay privilegios no tiene sentido mantener el sistema) ni tampoco aplicar la noción de soberanía a la moneda, lo cual es tan insensato como aplicarla a las manzanas. En ese nuevo contexto, cuales han de ser los activos monetarios de mayor aceptación dependerá de las características de la demanda de dinero, lo cual eventualmente puede incluir al Bitcoin (a pesar de mis reparos y dudas). En un sistema libre, las auditorías privadas en competencia se ocuparán del resto, de la misma manera que lo hacían en el antes aludido free-banking donde, además, las compañías de seguros aseguraban los depósitos al efecto que los clientes se anoticien que cuando las primas subían mostraban riesgo en el banco en cuestión respecto a la ratio depósitos-reservas. (Instituto Independiente).

O gato de Alice

Coluna dominical de Carlos Brickmann, via Chumbo Gordo:


No País das Maravilhas, Alice perguntou a um gato sorridente qual o caminho a seguir para sair dali. “Depende: aonde você quer chegar?”, perguntou-lhe o gato. Alice disse que o lugar não importava muito. O gato respondeu: “Então não importa o caminho que você vai seguir”.

Sábio gato: mesmo aqui, no País das Armadilhas, como saber para onde as pessoas vão se não sabemos aonde querem chegar? A resposta é simples: querem ir aonde for melhor para eles. Mas o que é melhor para eles? Gleisi Narizinho Hoffmann, presidente do PT, diz que para Lula ser preso muita gente vai morrer – como se multidões fossem lutar para manter solto o Grande Líder. Lindbergh Faria, Lindinho, senador petista pelo Rio, diz que a esquerda precisa estar “mais preparada para o enfrentamento, para as lutas de rua”. Nenhum dos dois concordará com uma sentença contra Lula: a Justiça só existe, acreditam, se Lula for absolvido. E que acontece caso nenhum dos dois concorde com a sentença? Pois é: absolutamente nada.

Eles sabem disso. Mas aonde querem chegar? À intimidação da Justiça. Gleisi enfrenta dez processos; Lindbergh, sete. Podem ser absolvidos em todos, mas ambos parecem não acreditar nessa possibilidade. Preferem a tática da ameaça disfarçada em advertência; agem em benefício próprio, mas disfarçado em luta pela liberdade de um companheiro. Aceita a pressão, Lula será beneficiado, mas quem ganha são Narizinho e Lindinho.

Serra fora

José Serra decidiu manter-se no Senado, “cuidando dos projetos que elaborou”, e desistindo de vez de sair para o Governo ou a Presidência. Que é que Serra quer, que o leva a desistir de tentar realizar o sonho para o qual se preparou, de ser presidente da República? Não, não são seus projetos, pois várias vezes já deixou mandatos pela metade para tentar novos cargos.

O que Serra quer, agora, é um pouco de anonimato, longe da máquina de moer carne que é uma campanha. Acusado por delatores, o que quer é paz.

Alckmin dentro

Fernando Henrique, o cacique-mor do PSDB, determinou: o candidato do partido será Geraldo Alckmin, Ignorou numa boa o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, que em 4 de março enfrenta Alckmin nas prévias tucanas. Alckmin já tomou uma surra histórica de Lula em 2006, tendo menos votos no segundo turno do que no primeiro; não está bem situado nas pesquisas; seu inegável charme é sintetizado pelo apelido de Picolé de Chuchu; deixou de defender, quando teve oportunidade, as privatizações de Fernando Henrique – pior, vestiu uma ridícula jaqueta com símbolos de estatais, para garantir que não era privatizante. Ora, estatista por estatista, Lula é mais tradicional. E Alckmin nunca foi sócio-atleta da ala de Fernando Henrique.

Por que, então, Fernando Henrique o apoiou? Porque viu em Alckmin melhores chances de vencer ou de atrapalhar o candidato oficial (perder para Meirelles, Rodrigo Maia ou Temer seria pior do que para Lula, pois os centristas poderiam engolir os tucanos). Ruim com Alckmin, pior sem ele.

Boa troca

Enfim, uma proposta de negociação sobre a reforma da Previdência boa para a população: os parlamentares, em vez de cargos e verbas, pedem que os juros dos bancos sejam reduzidos. A inflação em 2017 foi de 2,95%; os juros básicos fecharam o ano em 7%; os juros bancários foram, em média, de 325% ao ano, no cheque especial. Os cartões chegaram a 340% ao ano. O deputado Fábio Ramalho, emedebista de Minas, diz que, baixando-se os juros bancários, haverá apoio para reduzir as regalias do setor público. Por que a proposta? Para que os candidatos à reeleição mostrem ao eleitor que há algumas barganhas no Congresso em benefício da população.

E se chama Brasil

Por que o presidente Temer insiste em nomear Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho, recorrendo a instância após instância judicial? O colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) dá a resposta: “Falta coragem ao presidente para desconvidar Cristiane Brasil, tanto quanto para extinguir o Ministério do Trabalho, de gritante inutilidade”.

Guerra conjugal

O governador paraibano Ricardo Coutinho, do PSB, foi notificado pelo STJ em ação movida por sua ex-esposa Pâmela Bório, com base na Lei Maria da Penha. O processo corre em segredo de Justiça. Mas alguns fatos são conhecidos: Pâmela Bório responsabiliza o ex-marido por hackear seu celular, no qual, segundo se comenta, haveria fotos do casal em momentos íntimos. O relator do processo no STJ é o ministro Francisco Falcão. O processo tende a esquentar por dois motivos: primeiro, o hackeamento das fotos da bela primeira-dama; segundo, a posição política de Coutinho.

Distante da linha partidária, que oscila entre candidato próprio e o apoio a Geraldo Alckmin ou a Marina Silva (Rede), o governador fecha com Lula.

O ensino superior no inferno

Na cabeça de grande parte dos professores, ensinar é um ato com ramificação na política; para eles, sem o político, o ensino não tem sentido. Artigo de Anthony Esolen, publicado pela Gazeta do Povo:


Uma educação politizada é iliberal por suas próprias compulsões internas. Tem quase o horror e o caos do próprio inferno, tão inseparavelmente acoplado que está à lama e às paixões do dia que passa.

Em “A perfeição do Intelecto”, escreveu o lúcido John Henry Newman em “A ideia de uma Universidade”: 

“e seu belo ideal, para ser transmitido aos indivíduos em suas respectivas medidas, é a visão e compreensão clara, calma e precisa de todas as coisas, na medida em que a mente finita possa abraçá-las, cada um em seu lugar e com suas próprias características sobre isso. É quase profético do seu conhecimento da história; é quase uma busca pelo cerne do seu conhecimento da natureza humana; tem uma caridade quase sobrenatural a partir da liberdade da pequenez e do preconceito; tem quase o repouso da fé, porque nada pode assustá-la; tem quase a beleza e a harmonia da contemplação celestial, tão íntima é com a eterna ordem das coisas e a música das esferas.” 

Cada uma das cinco qualidades da mente que Newman descreve é quase algo que Deus pode conceder aos mais abençoados dos santos em suas vidas na terra: a previsão de Isaías, a visão de John Vianney no coração de um pecador, a caridade infinitamente paciente Madre Teresa, a sólida equanimidade de Tomás de Aquino e o olhar arrebatado de Bernard de Clairvaux. Talvez possamos dizer que, assim como a razão chega às verdades que são preâmbulos para a fé, assim como a universidade habita nos recintos da Igreja. Newman teve que distinguir uma educação liberal e católica do treinamento de uma habilidade, defendendo-a dos impulsos utilitários e seculares da Inglaterra industrial. Ainda assim, ele poderia dar por certo que seus leitores reconheceriam a bondade do ideal que ele estava delineando, embora eles não se sintam atraídos por alcançá-lo em si mesmos. Nós, afinal, precisamos de engenheiros, arquitetos e inventores. 

Uma coisa uniu os dons filológicos e teológicos de Oxford com os químicos de Manchester: um compromisso com a verdade, na medida em que pudessem descobri-la, apreciá-la ou aprofundar seu olhar em sua beleza. Nessa busca, os sentimentos de ninguém tinham nenhuma consequência. Os oponentes podem ter entregue os golpes do corpo uns aos outros nos salões do debate ou nos pubs depois, mas todos desprezaram a ideia de que a possibilidade de sentimentos feridos poderia ditar o que um homem poderia dizer ou como ele poderia expressá-lo. O que Newman chama de “pequenez e preconceito” seria explorado não por acusação, mas por desmantelamento intelectual. A verdade estava acima deles como um claro céu noturno polvilhado de estrelas. Para esse céu, eles podem virar e forjar essas preciosas amizades intelectuais que não falham, porque o fundamento da união não muda com a passagem dos anos, muito menos com a ascensão e queda do mercado de ações ou de um partido político. 

Bem, estamos longe do Monte da Contemplação. O homem moderno, afligido com uma variedade de incômodos, não vê utilidade em poesia ou no resto das artes liberais, a menos que possam ensinar-lhe habilidades comercializáveis, como escrever um memorando meio razoável. Daí o estudo da literatura, com seu rico conteúdo imerso na história, dar lugar a “comunicações”, um assunto que desconsidera tanto a história quanto a cultura. Defensores das artes liberais, tendo esquecido a origem divina e o fim da busca da sabedoria, não apelam para a liberdade, mas para a compulsão: em primeiro lugar, as compulsões do local de trabalho, e agora as compulsões da defesa partidária, ou da autocriação e autoapresentação da política de identidade. 

Newman defendeu a leitura de Homero enquanto seus oponentes utilitaristas estavam construindo ferrovias e navios. Agora temos que defender a leitura de Homero, enquanto nossos oponentes estão ocupados reduzindo castelos culturais, prefeituras e catedrais a escombros e criando – com grandes gastos – milhões de graduados cujo conhecimento de arte, história, literatura, filosofia e teologia é perverso, na melhor das hipóteses, e mórbido na pior das hipóteses. São pessoas que não possuem as artes práticas e necessárias do agricultor e que trocaram sua ignorância honesta e natural por uma ignorância que é mendaz, feita pelo homem e reativa. 

“Ensinar é um ato político”, disse uma ex-freira que costumava ensinar na minha faculdade, Providence College. Ela perdeu sua fé junto com seu hábito, e então o que restava para ela, senão a política? Naquela época, ela parecia uma radical chique pronunciando um slogan vazio. O seu dito poderia agora servir de lema para alguns dos nossos departamentos e programas e muito mais em faculdades em todo o país. Embora talvez pareça muito cauteloso. Não só, na mente de muitos professores, ensinar é um ato com ramificações políticas; sem o político, seu ensino não tem razão de ser. Mesmo o político então perde seu caráter especial, mas subordinado. O político se torna um manto de forma humana, recobrindo o vazio. 

O construtor de ferrovias tem uma ideia bastante clara da utilidade pela qual ele julga o valor de sua educação; é manifestado em trilhos que não se deformam e eixos que não se quebram. Ele ainda está vinculado a uma verdade salutar, embora severamente rígida. O jogador político – o homem que cai em adoração diante do vazio da política como o bem maior – não consegue ter uma ideia tão clara, porque o homem sempre frustrará quem exigir a perfeição na terra, ou mesmo uma prosperidade e paz confiáveis. O construtor de ferrovias, quando uma engrenagem fica desgastada ou desdentada, altera o design da engrenagem ou procura uma liga mais durável. O jogador político, quando se encontra com desapontamentos e reversões inevitáveis, se vira com raiva contra seus oponentes, que devem ser perversos ou contra a humanidade que ele pretende levantar. 

O construtor de ferrovias está interessado em ferrovias; o político acadêmico está interessado na vitória. Ele tem o código moral de Maquiavel, mas, porque ele é muito impaciente para se submeter à instrução da história, ele não tem o senso perspicaz do velho mestre de limitações e contradições humanas. Ele é o pior dos governantes: ele não é um amante da verdade, nem um homem prático do mundo, nem um examinador habitual de suas falhas demasiado humanas e persistentes. 

Se um jovem acredita que a educação deve ser valorizada como preparação para a ação política – se seus professores de inglês escolherem romances não por sua beleza e sua visão da condição humana, mas por sua utilidade no avanço de uma causa política; se seus professores de história não incentivem essa tolerância que tende a perdoar as faltas daqueles que vieram antes de nós ou que viveram em condições de que não temos experiência, mas sim um julgamento fácil e autoconfiante de sua escuridão moral porque não eram como nós em todas as coisas; se seus professores de arte promovem o desprezo pela paciência e pela busca da precisão, e substituem-no pela indulgência do que é supostamente “inovador”, mas é apenas cansativo e politicamente tendencioso – então receio que ele seja, estritamente falando, ineducável, um monólito de robustez fabricada. 

Deixe-me exemplificar. Suponhamos que você esteja falando com um jovem sobre o estudo de uma grande diversidade de culturas em vários continentes e quatro mil anos, como nós visitamos no nosso Programa de Desenvolvimento da Civilização Ocidental. O estudante fica atônito ao dizer que ele não está interessado no passado, porque ele não sente que isso pertence a ele diretamente. O único sentido que posso fazer dessa demissão sumária é que, para ele, o estudo não é de uso político imediato, ou não reflete sua construção de si mesmo. 

Ou suponha que você esteja falando com outro jovem sobre uma cultura minoritária do sudoeste da Ásia. A cultura respira por aparelhos, com uma linguagem que morre rapidamente e uma perda de memória concomitante. Você diz que teme por essa cultura e outras pessoas gostam disso. Mas o jovem, cuja mensagem é diversidade, é complacente com a morte daquele, dizendo que é o caminho do mundo, que as coisas mudam, e assim por diante. Não importa. A situação daquela língua antiga e modo de vida não suscita simpatia. Não pode ser negociado na troca política. 

Você está discutindo com outra aluna o tributo de Agostinho a sua mãe, Monica. Talvez seja o primeiro tributo literário a uma mulher comum – não uma rainha, nem um objeto de desejo erótico – na história do mundo. A aluna está chateada. Foi ensinado a ela que muitas mulheres de tempos imemoriais eram simplesmente oprimidas e ela está desapontada por encontrar algo que não se encaixa no modelo político. 

Você está desafiando ainda outro estudante a considerar se a cultura, a coisa em si, está decaindo em todo o mundo e sendo substituída por algo novo na história do homem, algo homogêneo e amnésico e jogando nas mãos das elites “globais”. Essa, você pensa, é uma oportunidade para abrir a porta... mas não, a consideração da cultura é uma coisa profundamente humana, transcendendo a ação política, levando-o a conversar com pessoas que andaram pela Terra há muito tempo, e voltando o olhar para o céu. Nada pode distrair das eleições mundiais. 

Um aluno diz que está cansado de aprender sobre a cultura americana na escola. Você diz que você na verdade não acredita que os professores tenham lhe transmitido muito dessa cultura, ou do que costumava ser uma cultura. Você está pensando nas observações à beira-mar de Winslow Homer e as canções de amor lamentáveis de Stephen Foster e as surpreendentes progressões de John Coltrane. Você está pensando em Pickett e seus homens fazendo sua carga desesperada em Gettysburg. Você ouve os ritmos simples e honesto do verso em branco de Robert Frost: “Eu não posso pensar que Si jamais machucou alguém”, diz o agricultor do homem contratado que voltou como um cão perdido e que, sem o conhecimento dele, apenas deu último suspiro. Você está pensando em protestantes cantando “Mais perto, Meu Deus, para ti” em harmonia em quatro partes; John Greenleaf Whittier assobiando ao longo de uma caminhada no campo, e George Washington Carver pacientemente moendo amendoim em um pilão. Henry Adams, John Ford, Herman Melville, Billy Sunday, Billie Holliday – quanto do que é quintessencialmente americano, ele realmente encontrou? Mas antes que você possa fazer uma pergunta investigando mais profundamente a cultura, ele revira os olhos e encerra a conversa. Tal é a certeza de que a posição política está correta. 

Uma educação politizada é iliberal por suas próprias compulsões internas. É uma coisa terrível de impor sobre os jovens. Vemos seus efeitos em todo o país. O que ela produz se for permitido progredir para sua consumação? Permita-me rever as palavras do Cardeal Newman: 

“Trepida e é quase cega em sua ignorância da história; está quase congelada por sua recusa em reconhecer a natureza humana; tem quase um ódio demoníaco em sua remoção redutora de grandes obras e sua rapidez em condenar o que afasta seus projetos políticos; Tem quase a inquietação da infidelidade, e ainda assim é surpreendida pelas falhas de seus demagogos; tem quase o horror e o caos do próprio inferno, tão inextricavelmente acoplado está à lama e às paixões do dia que passa.” 

*Anthony Esolen é professor de inglês na Providence College, em Providence, Rhode Island, é autor de “Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child”(“Dez modos de destruir a imaginação do seu filho”, em português) e “Ironies of Faith” (“Ironias de fé”). Traduziu “Jerusalém Libertada”, de Tasso e “A Divina Comédia”, de Dante.

Publicado em português com permissão. Original em Public Discourse: Higher Education in Hell.

O conluio de Dilma

Ainda sobre Pasadena: "havendo conluio, como houve de fato, Dilma Rousseff é parte dele, não vítima. Vítimas são os milhões de brasileiros que foram gravemente lesados pelos crimes do lulopetismo". Editorial do Estadão:


Um dos retratos mais bem acabados da passagem de Dilma Rousseff pela administração pública federal é a escandalosa compra de uma refinaria de petróleo no Texas pela Petrobrás, na época em que ela presidia seu Conselho de Administração. Tendo seus bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por seu papel na desastrosa operação, Dilma diz, em sua defesa, ter havido um “conluio” para a concretização do negócio. Que houve conluio os brasileiros hoje sabem, mas não aquele do qual Dilma alega ser vítima. A vítima é a sociedade.

Em março de 2014, o Estado publicou documentos, até então inéditos, revelando um dos maiores atentados ao princípio da moralidade pública praticados na história recente do País. Em 2006, quando era ministra da Casa Civil do governo de Lula da Silva e presidia o Conselho de Administração da Petrobrás, a presidente cassada Dilma Rousseff aprovou a compra onerosa de 50% de uma refinaria da Astra Oil em Pasadena, no Texas. Aos ganhos ilegais auferidos pelos mancomunados na obscura transação correspondeu um prejuízo de US$ 792 milhões à estatal e seus acionistas.

Tanto Dilma Rousseff como ex-membros do Conselho de Administração da Petrobrás respondem a processo no TCU pelo enorme prejuízo causado ao erário. Em outubro, o ministro relator do caso no TCU, Vital do Rêgo, decretou, além do bloqueio dos bens de Dilma, o de Antonio Palocci, José Sérgio Gabrielli, Cláudio Luis da Silva Haddad, Fábio Colletti Barbosa e Gleuber Vieira. A medida tem validade de um ano.

Na defesa que entregou ao TCU no final do ano passado, Dilma argumenta ter havido o tal conluio para concretizar o negócio, segundo o jornal Valor. Tal como um relógio parado, a ex-presidente também é capaz de acertar de vez em quando. Mas, com a desfaçatez que a caracteriza, insiste que está fora dessa tramoia da qual alega ter sido vítima, e não uma das agentes fundamentais.

A defesa de Dilma Rousseff sustenta-se na acusação feita ao ex-diretor da área Internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, que teria sido o responsável por montar o tal conluio com funcionários da Astra Oil para, “de modo deliberado”, esconder dos membros do Conselho de Administração “disposições contratuais que tornavam o negócio lesivo aos interesses da estatal”.

À época da divulgação da compra suspeita de metade da refinaria de Pasadena, quando foi questionada pelo Estado a respeito, Dilma Rousseff disse que só apoiou a medida porque recebeu “informações incompletas” contidas em um resumo executivo de apenas duas páginas e meia, documento que, em nota enviada ao jornal, classificou como “técnica e juridicamente falho”.

Ao alegar a formação de um “conluio” para a compra fraudulenta de Pasadena, Dilma Rousseff usa como defesa sua própria incompetência como presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, para não dizer má-fé, algo que ainda haverá de ser apurado pelas instituições competentes. Este é o tamanho da afronta à inteligência dos brasileiros.

A pobreza de informações contidas no resumo executivo que deveria servir como subsídio à decisão do Conselho de Administração era mais do que suficiente para que tal negócio fosse suspenso, no mínimo. Não foi o que ocorreu e a eclosão da Operação Lava Jato mostrou por quê.

Na Comissão Especial que julgou seu impeachment por crime de responsabilidade, no Senado, Dilma Rousseff disse que ali se estava julgando “uma mulher honesta”. Como dito, sua eventual má-fé na autorização de compra da refinaria de Pasadena deverá ser apurada em investigação policial. Como presidente do Conselho de Administração da estatal, contudo, Dilma Rousseff tinha o poder para impedir a nefasta transação. Honestidade também é isso, agir para impedir dano ao interesse público quando é possível.

Havendo conluio, como houve de fato, Dilma Rousseff é parte dele, não vítima. Vítimas são os milhões de brasileiros que foram gravemente lesados pelos crimes do lulopetismo.

sábado, 20 de janeiro de 2018

O péssimo selvagem

O primeiro-ministro de Portugal, o socialista António Costa, que viola o português tanto quanto Dilma, é o alvo da crônica semanal do jornalista Alberto Gonçalves, publicada pelo Observador. "O dr. Costa escreve como fala e, para nossa miséria, provavelmente fala como pensa":


Na quinta-feira, o dr. Costa escreveu no Twitter: “Tive com o Presidente da República da Eslovénia e tivemos uma excelente e amigável reunião de trabalho”. Desconheço o idioma em que a excelente e amigável reunião decorreu, mas rezo aos santinhos para que não fosse o português. Numa única frase, o dr. Costa conseguiu incluir “tivemos”, do verbo “ter”, e “tive”, do verbo “tar”, sem perceber que um dos vocábulos apenas cabe nas sofisticadas conversas mantidas pelas altas esferas do PS.

Vendo bem, pouco surpreende num sujeito que diz “verdeira” (queria dizer “verdadeira”), “poder-lhe-dizia” (“podia dizer-lhe”), “competividade” (“competitividade”), “prelenamente” (“plenamente”), “insintizamos” (“sintetizamos”), “era o que eu estou” (“era o que eu estava”), “pulação” (“população”), “arrepatação” (?), “badéfice” (“défice”), “protividade” (“produtividade”), “mobilição” (“mobilização”), “precalidade” (“precaridade”). E isto numa única ocasião, uma intervenção no parlamento há cerca de um ano (encontra-se facilmente na “net”, sob o adequado título “António Costa desafia Jorge Jesus para um duelo de português”). O dr. Costa escreve como fala e, para nossa miséria, provavelmente fala como pensa.

Mesmo se acertasse na grafia ou na fonética, as palavras que compõem o discurso do dr. Costa são escassas e, em geral, horrendas. “Competitividade”. “Desafio”. “Sustentabilidade”. “Estreitar”. As expressões são ainda piores: “prestação operacional”, “fazer renascer”, “aposta estratégica”, “coesa e competitiva”. Se adicionarmos a desastrosa pontuação (“Reuni hoje em São Bento, com o Primeiro Ministro [sic – nem o próprio cargo escapa à razia gramatical] da Grécia.”), é inevitável que cada texto do homem constitua uma portentosa colectânea de vacuidades, para cúmulo quase sempre mentirosas. O que vale ao dr. Costa é o inadvertido sentido de humor, talento que, em Setembro passado, o levou a louvar a língua portuguesa na ONU. Meses antes, incitara os professores de português a partirem para França – um óptimo conselho, já que, a julgar pelo dialecto do primeiro-ministro, há décadas que aqui não andam a fazer nada.

Muitos acharão que, sendo o dr. Costa um indivíduo que usurpa as eleições para alcançar o poder, abre o poder a forças totalitárias, derruba a austeridade através do generoso aumento dos impostos, nacionaliza subtilmente o que se mexe e o que não se mexe também, regulamenta os comportamentos e não tarda a respiração, compra parcelas da sociedade mediante benesses e a devastação do resto, controla os “media” que consegue controlar e censura o que não controla, subtrai à ralé para resgatar compinchas e “elites” e despreza com estranho descaramento tragédias inéditas, o pormenor dos atentados lexicais é só um pormenor, um anexo, um pechisbeque minúsculo e até divertido. Não é. Sem o analfabetismo, acumulado em militância partidária de décadas, seria improvável que alguém cometesse as proezas acima descritas. A espectacular ignorância da criatura é essencial para compreender a criatura e as respectivas acções.

A História, claro, prova que a sabedoria não garante a virtude. Porém, não faltam histórias sobre a facilidade com que a boçalidade extrema propicia a malvadez, e assegura calamidades proporcionais à influência do boçal. O mito do “bom selvagem” é exactamente um mito. Por definição, o selvagem – incluindo aquele a quem se vestiu um fatinho e largou no Rossio às gargalhadas – é manhoso, cruel e incapaz de experimentar empatia. O selvagem torce a realidade até esta se encaixar nos seus pobres delírios. O selvagem confunde delírios com princípios e convicções com apetites. O selvagem é mau. O selvagem é péssimo. Reduzido ao primitivismo, o ser humano dedica-se a uma actividade exclusiva: a sobrevivência, à custa de tudo e de todos.

A fim de chegar onde pretende, e onde o seu turvo discernimento exige, o selvagem faz (com previsível brutalidade) o que é preciso e diz (com previsíveis calinadas) o que era escusado. Além de atropelar a língua, e justamente por causa disso, o selvagem atropela o que calha. O selvagem fica impecavelmente numa jaula. Às vezes, o azar coloca-o num trono. Numa ocasião ou noutra, nem países civilizados escapam a cair nas mãos de um puro, rematado e perfeito selvagem. No Portugal recente, cujo nível civilizacional está aberto a debate, essa negra hipótese era uma fatalidade adiada por milagre. É evidente que os milagres acabaram. Tamos desgraçados.