terça-feira, 21 de outubro de 2014

Caos nas prisões: Dilma dispõe de 2 bilhões, mas não aplica.

Dinheiro para a reestruturação e modernização do sistema penitenciário existe, mas o governo Dilma segura. A quem interessa o caos nos presídios? Matéria do Contas Abertas:


As rebeliões em duas penitenciárias no Paraná nos últimos meses são mais uma prova dos diversos problemas do sistema carcerário brasileiro. Enquanto isso, cerca de R$ 2 bilhões estão disponíveis para Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), que angaria recursos para construção, reforma e ampliação de penitenciárias, mas não são aplicados. 

Em 2000, o saldo disponível e não aplicado atingiu apenas R$ 175,2 milhões. A partir de 2004, as disponibilidades do fundo superaram os R$ 300 milhões. Em 2008, 2009 e 2010, os valores foram de R$ 514,7 milhões, R$ 610,3 milhões e R$ 795,6 milhões. 

Desde 2011, entretanto, o saldo contábil do fundo ultrapassou a barreira dos bilhões. Em 2012, o valor das disponibilidades alcançou R$ 1,4 bilhão, passando para R$ 1,8 bilhão em 2013. Um novo patamar deve ser atingido a partir de 2014. 

A elevação do saldo é consequência direta das dotações orçamentárias anuais não saírem do papel. Em 2014, o orçamento previsto é de R$ 494 milhões para 2014, mas já passados quase dez meses do ano, apenas R$ 183,3 milhões foram realmente executados (37%). 

Neste ano, a ação “Reestruturação e Modernização do Sistema Criminal e Penitenciário”, por exemplo, recebeu apenas 12,1% do total de R$ 279 milhões autorizados no orçamento do ano. A iniciativa prevê a implementação de ações que apoiem, fomentem e promovam a melhoria dos sistemas prisionais estaduais, o fortalecimento da gestão penitenciária, a otimização da aplicação dos recursos destinados ao sistema prisional brasileiro, a redução do déficit carcerário nas Unidades Federativas e o fomento de ações que assegurem os direitos da mulher no Sistema Penal. 

Já os recursos previstos para a ação “Consolidação do Sistema Penitenciário Federal” tiveram melhor execução. Do total de R$ 41 milhões, 59% (R$ 24,4 milhões) foram aplicados para a desarticulação do crime organizado. 

Não utilizar a totalidade dos recursos é recorrente no Fundo. Entre 2001 e 2013, R$ 6,8 bilhões foram autorizados para o orçamento do Funpen, porém somente 46% dos recursos foram efetivamente desembolsados, o equivalente a R$ 3,1 bilhões. Nos dois últimos anos, por exemplo, a execução não passou dos 20%. Os valores foram atualizados pelo IGP-DI, da FGV. Confira tabela. 

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em estudo divulgado no início de junho, a população carcerária brasileira atual bate recorde, atingindo 711,5 mil presos, sendo que 147,9 estão em prisão domiciliar. Sendo assim, a população encarcerada é de 563,5 mil pessoas. Considerados os recursos já aplicados, pode-se dizer que o governo destinou, até agora, apenas R$ 325,26 para cada preso da verba do Funpen. 

Levando em conta as prisões domiciliares, o estudo da CNJ revela que o Brasil passa a ter a terceira maior população carcerária do mundo, só fica atrás da China e dos Estados Unidos. Além disso, é também possível calcular um novo déficit de vagas no sistema. Atualmente, o país possui cerca de 357 mil vagas em penitenciárias e abrigam 206 mil presos a mais. Esse deficit atinge 354 mil vagas se considerado os presos que estão em domicílio. 

“Se contarmos o número de mandados de prisão em aberto, de acordo com o Banco Nacional de Mandados de Prisão – 373.991 –, a nossa população prisional saltaria para 1,089 milhão de pessoas”, afirmou o conselheiro da CNJ Guilherme Calmon. 

De acordo com o último Funpen em Números, “os repasses do fundo são classificados como transferências voluntárias, ou seja, não decorrem de obrigação constitucional ou legal e dessa forma, suas dotações orçamentárias fazem parte da chamada base contingenciável que o governo federal dispõe para obtenção do superávit primário”. 

Segundo o relatório, publicado pelo próprio Ministério da Justiça, o contingenciamento das verbas do fundo impede que os seus objetivos sejam alcançados. O controle dos recursos a serem gastos para que possa ser atingida a meta de superávit todo o ano, é realizado por meio do Decreto de Contingenciamento dos ministérios da Fazenda e Planejamento. 

A norma dispõe sobre a programação orçamentária e financeira e estabelece o cronograma de desembolso do Poder Executivo. “A diferença entre o Orçamento Autorizado e o Orçamento Utilizado representa o crédito orçamentário que não pôde ser utilizado em razão do contingenciamento”, explica o Funpen em Números. Este ano, R$ 151,8 milhões estão “parados” na Reserva de Contingencia. 

Debate eleitoral 
O assunto sobre segurança pública, que abarca a discussão sobre o sistema penitenciário brasileiro, esteve em pauta em todos os debates, desde os realizados no primeiro turno. No último debate realizado, apenas entre os dois candidatos que disputam o segundo turno, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), houve troca de acusações sobre a segurança pública. 

Aécio criticou a gestão de Dilma por conta o alto número de assassinatos de jovens no país e indagou as razões pelas quais, segundo ele, apenas 0,3% o orçamento em segurança pública foi aplicado. 

A candidata petista, fazendo uso de dados oficiais do Mapa da Violência, retrucou ao afirmar que o número de jovens assassinados cresceu durante a gestão do peessedebista em Minas Gerais, com aumento de 52,3% dos homicídios entre 2002 e 2012. É possível verificar tais dados no Mapa da Violência 2014, que trabalha com os dados de homicídios do período em questão. (Veja aqui, na página 29) 

Abrangidos os anos em que Aécio assumiu o governo do estado, no entanto, houve diminuição. Em 2003, foram 3.822 homicídios; em 2004, 4.241 homicídios; em 2005, 4.208 homicídios; em 2006, 4.155 homicídios; em 2007, 4.103 homicídios; em 2008, 3.869 homicídios; em 2009, 3.714 homicídios; e em 2010, 3.627 homicídios. Houve, então, uma alta de 28,4% os homicídios em seu primeiro ano de governo, já que em 2001, os assassinatos em Minas Gerais foram 2.977. Depois, baixas contantes, até a taxa de homicídios voltar a subir em 2011. 

Dilma ainda exaltou sua proposta de atuação em conjunto dos mecanismos de inteligência e tecnologia de segurança do Estado para impedir que o crime organizado assuma liderança. Em resposta, Aécio disse que isso deveria ter sido feito antes e não apenas para a Copa do Mundo. 

Funpen 
O Funpen foi instituído pela Lei Complementar nº 79, de 7 de janeiro de 1994, com a finalidade de proporcionar recursos e meios para financiar e apoiar as atividades e programas de modernização e aprimoramento do Sistema Penitenciário Brasileiro. O Fundo é coordenado pelo Ministério da Justiça (MJ). 

Os recursos, segundo a legislação, deveriam ser aplicados na construção, reforma, ampliação e aprimoramento de estabelecimentos penais, na manutenção dos serviços penitenciários e na formação, aperfeiçoamento e especialização do serviço penitenciário. 

A maior parte das disponibilidades contábeis do Fundo possui como origem 3% do montante arrecadado nos concursos de prognósticos, sorteios e loterias da Caixa Econômica Federal. Os recursos do Funpen são oriundos ainda de convênios, contratos ou acordos firmados com entidades públicas ou privadas, multas decorrentes de sentenças penais condenatórias com trânsito em julgado e 50% das custas judiciais recolhidas em favor da União Federal. 

Atenção, eleitor: ou Aécio, ou ditadura bolivariana.

Trazendo para cá algumas tuitadas:


1- Mais um mandato para Dilma será um empate técnico com a ditadura.

2- No próximo dia 26, o eleitor decidirá pela permanência da mentira ou pela libertação da verdade.

3 - Decidam: ou mais 4 anos de escândalos, ou 4 anos de faxina no país. Aécio 45!


4 - Você, eleitor, vai escolher entre um projeto criminoso de poder e um projeto de recuperação do Brasil, encarnado por Aécio.

5 - Não há terceira via: ou Aécio, ou ditadura bolivariana.

Vaccari, homem do Petrolão, ainda é o poderoso tesoureiro do PT e da campanha de Dilma.

Pior: João Vaccari, ex-presidente do famigerado Bancoop, não cuida apenas do "setor financeiro" do PT; tem posto privilegiado no projeto de reeleição de Dilma. É um escândalo atrás do outro:


Desde que o depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa veio a público, a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) entrou em pânico: criou uma força-tarefa para evitar que as novas revelações causassem estrago no projeto de reeleição da petista, redobrou os ataques ao adversário Aécio Neves (PSDB) e barrou o depoimento do tesoureiro João Vaccari Neto à CPI da Petrobras. Não à toa: nove anos após o estouro do escândalo do mensalão, outro homem-forte responsável por cuidar das contas do partido aparece às voltas em um caso de corrupção, agora como o pivô de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Paulo Roberto Costa afirmou que parte da propina desviada da estatal chegou às mãos de Vaccari. “Dentro do PT, a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele”. Ainda segundo o delator, dois terços da propina ficavam para o PT quando a diretoria era comandada pelo PP. Já nos setores diretamente controlados por petistas, a propina seguia diretamente para o caixa do partido.

A função de Vaccari, no entanto, vai além de cuidar do financeiro do PT: ele tem posto privilegiado no projeto eleitoral da presidente Dilma. Documento obtido pelo site de VEJA mostra que o tesoureiro foi nomeado delegado da campanha de Dilma e tem a função-chave de representar a candidata no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tamanha é a autonomia que Vaccari, tem, inclusive, a prerrogativa de fazer petições e assinar as credenciais dos fiscais da coligação.

Ao lado dele estão outros quatro delegados – todos ocupam posições no projeto de reeleição de Dilma: o secretário-geral do PT, Geraldo Magela, deputado federal derrotado na única vaga ao Senado pelo Distrito Federal; o ex-presidente do diretório paulista do PT e tesoureiro da campanha, Edinho Silva; o ex-ministro do TSE, Arnaldo Versiani, e Luis Gustavo Severo, ambos responsáveis pela área jurídica da campanha.

Embora tenha sido apontado como a ponte para o recebimento da propina, o PT tem se mostrando reticente a afastar o tesoureiro. Ao contrário: saiu em defesa dele e processou Paulo Roberto Costa por difamação.

Durante debate entre os candidatos à Presidência realizado no último domingo, Dilma evitou se voltar contra Vaccari. Questionada por Aécio se confia no tesoureiro, a presidente tergiversou: “Da última vez que um delator denunciou pessoas do seu partido, no caso do metrô e da compra dos trens, o senhor disse que não ia confiar na palavra de um delator. Eu sou diferente. Eu sei que há indícios de desvio de dinheiro. O que ninguém sabe é quanto foi e quem foi. Isso é muito importante”, disse. 

O tucano insistiu na pergunta, ressaltando os tentáculos do esquema de propina podem alcançar outros órgãos, como a hidrelétrica de Itaipu, da qual Vaccari integra o Conselho de Administração. Mas a presidente novamente se esquivou: “Eu mando investigar. Eu faço questão que a Polícia Federal investigue. Eu não transferi nenhum delegado para outro Estado, eu não engavetei processos. É isso que não pode ocorrer no Brasil”, disse.

Conforme mostra o site da Itaipu, também faz parte do Conselho de Administração do órgão o ministro licenciado da Casa Civil e braço-direito de Dilma Aloizio Mercadante, cotado para assumir o Ministério da Fazenda caso a petista seja reeleita. Mas a relação de Mercadante e Vaccari vem de longa data: nas eleições de 2002, quando conquistou a vaga no Senado, o ex-ministro tinha Vaccari como segundo suplente. (Veja.com).

Eleitor, esta é sua única arma contra a corrupção petista.


Déficit em bens industriais sobe 150% em cinco anos. É Dilma quebrando o país.

O estudo foi feito pela Confederação Nacional da Indústria, com dados das 20 maiores economias do mundo. O Brasil ficou entre as lanterninhas e está numa posição muito vulnerável: indústria está perdendo para outros países.


O desempenho do Brasil no comércio de bens industriais só não foi pior que o da Arábia Saudita nos últimos anos, segundo estudo feito a pedido da Folha pela Confederação Nacional da Indústria com dados das 20 maiores economias do mundo.

O trabalho compara dados divulgados pela Organização Mundial do Comércio sobre exportação e importação de manufaturas em 2013 com os de 2008 nos países do G20.

A análise mostra que o deficit comercial de manufaturados, que ocorre quando o país importa mais do que exporta, aumentou 150% no Brasil entre 2008 e 2013.

Outros 12 países também registraram queda no saldo, mas só na Arábia Saudita o recuo foi maior que no Brasil.

A Índia, que teve o melhor desempenho do grupo, saiu de um saldo negativo de US$ 26 bilhões em 2008 para um superavit de US$ 5 bilhões em 2013. Já o Brasil ampliou o deficit de US$ 35 bilhões para US$ 88 bilhões no período, de acordo com a OMC (a metodologia usada pelo órgão para classificar os bens manufaturados difere da utilizada pelo governo brasileiro).

Os manufaturados são a "elite" dos bens industriais. Por dependerem de maior sofisticação na produção, têm maior valor agregado.

O aumento das importações dessas mercadorias por si só não é ruim, já que os insumos comprados no exterior podem ser usados pela indústria na produção de mercadorias que serão exportadas.

O problema, mostra o estudo, é que o Brasil não aumentou as exportações. Dos 20 países analisados, só 6 não recuperaram em 2013 o nível de embarques de 2008, afetado pela crise mundial.

Com isso, o país ficou vulnerável. Só Canadá, União Europeia, França, Itália e Japão também registraram queda do saldo comercial e das vendas ao mesmo tempo.

Os dados da OMC indicam que a indústria brasileira está ficando para trás. Enquanto as exportações mundiais de manufaturados chegaram a US$ 11,8 trilhões em 2013, um crescimento de 13,4% ante 2008, as do Brasil caíram 1% no período.

Para o setor privado, as dificuldades de logística, a burocracia alfandegária e o elevado peso tributário explicam boa parte da desvantagem.

"O que a indústria quer é isonomia para lutar com as mesmas armas", diz Carlos Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

Segundo ele, as medidas para dar mais competitividade às empresas foram tímidas nos últimos anos. "O Brasil precisa ter acordos. Nossas tarifas estão elevadas. A parte de facilitação do comércio não está concluída", afirma.

Desde 2010, o Brasil não firma acordos comerciais com outros países, e a rodada de negociações com a União Europeia para um acordo de livre-comércio não prosperou.

METODOLOGIA

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior sobre o Brasil diferem dos apurados pela OMC e mostram aumento de 0,4% nas exportações em 2013 ante 2008.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho, o câmbio teve influência no fraco desempenho do Brasil. Com o real mais caro ante o dólar, ficou vantajoso importar e caro exportar.

Além disso, nota Godinho, o peso das importações na formação do deficit foi expressivo.

"Dois terços do que importamos são insumos ligados ao investimento e à produção. Isso mostra abertura do Brasil e demanda aquecida." (Folha).

DataNunes desmente o Datafalha e sua mania de "empate técnico". Aécio continua 10 pontos acima de Dilma.

O naufrágio do Datafolha e do Ibope mal completou duas semanas, mas parece que os dois institutos já se esqueceram do festival de erros. A pesquisa Datafolha de ontem é apenas "outro chute de longa distância", diz o "DataNunes", do jornalista Augusto Nunes. Em números absolutos, Dilma teria subido, em apenas quatro dias, 4 milhões de votos. É simplesmente inacreditável! Datafalha! Cito a conclusão de Augusto: no próximo dia 26, o Brasil não vai decidir apenas entre Aécio Neves e Dilma, mas entre a decência e o crime, o Estado de Direito e o autoritarismo bolivariano:


Até recentemente, o Brasil esquecia a cada 15 anos o que havia acontecido nos 15 anos anteriores. O intervalo entre os surtos de amnésia foi dramaticamente reduzido. No caso das pesquisas eleitorais, por exemplo, o país agora esquece a cada 15 dias o que aconteceu faz 15 dias. O afundamento do Datafolha e do Ibope consumado em 5 de outubro mal completou duas semanas. Mas parece mais antigo que o naufrágio do Titanic, informa a credulidade de incontáveis nativos reapresentados a levantamentos estatísticos que prenunciam a reprise do desastre.

A pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta segunda-feira é apenas outro chute de longa distância que vai mandar a bola às nuvens ou fazê-la roçar o pau de escanteio. Na sopa de algarismos servida pelo instituto na semana passada, Aécio Neves tinha 51% dos votos válidos e Dilma Rousseff, 49%. Nesta tarde, ela apareceu com 52% e ele com 48%. Quer dizer que a candidata à reeleição ultrapassou o adversário tucano e lidera a corrida? Não necessariamente, previne a margem de erro de 2% (para cima ou para baixo). O que há é um “empate técnico”, expressão que quer dizer “em cima do muro”. Tanto ela quanto ele podem ganhar, descobriram os videntes de acampamento cigano.

Em números absolutos, Dilma teria subido em quatro dias 4 milhões de votos. (Ou 2 milhões, murmura a margem de erro para baixo; ou 6 milhões, grita a margem de erro para cima). Sejam quais forem as reais dimensões da multidão, é gente que não acaba mais. De onde teria saído? Das grutas dos indecisos ou dos porões que abrigam os que pretendem votar em branco é que não foi: segundo o mesmo Datafolha, esse mundaréu de eleitores não aumentou nem encolheu.

Teriam legiões de aecistas resolvido mudar de lado? Pode ser que sim, avisa a margem de erro para cima. Pode ser que não, replica a margem de erro para baixo. A coisa fica mais confusa quando se fecha a lente sobre as quatro regiões em que se divide o mapa nacional. Os dois institutos enxergam Aécio na dianteira em três. Dilma só reina no Nordeste. Seria esse império eleitoral suficientemente poderoso para vencer o resto do Brasil? (“Nem que a vaca tussa”, diria a presidente cujo vocabulário anda tão refinado quanto o figurino).

Os horizontes se turvam de vez com a contemplação isolada das unidades da federação. Sempre segundo as usinas de porcentagens, Aécio já superou Dilma no Rio Grande do Sul, equilibrou a disputa no Rio, assumiu a liderança em Minas Gerais, cresceu extraordinariamente em Pernambuco. Cresceu em praticamente todos os Estados. Mas a soma dos levantamentos estaduais avisa que foi Dilma quem cresceu mais. As alquimias dos ibopes, decididamente, não são acessíveis a cérebros normais.

Para acabar com a lengalenga, e botar ordem no bordel das porcentagens, o DataNunes acaba de divulgar o terceiro boletim sobre o segundo turno. Como se sabe, é o único instituto que, em vez de pesquisas, faz constatações, com margem de erro abaixo de zero e índice de confiança acima de 100%. Como o crescimento de Dilma no Nordeste foi neutralizado pelo avanço de Aécio nas demais regiões, os índices não mudaram: com 55%, o senador do PSDB continua 10 pontos percentuais à frente de Dilma, estacionada em 45%.

A troca de acusações intensificada nos últimos dias nada mudou. Os simpatizantes do PT não ficaram chocados com as agressões verbais de Dilma, nem estranharam o vocabulário de cabaré vagabundo usado por Lula. Sempre foi assim. Os partidários de Aécio, exaustos do bom-mocismo que contribuiu para a derrota de Serra em 2002 e 2010 e para o insucesso de Alckmin em 2006 aplaudiram o desempenho do líder oposicionista. Graças à altivez e à bravura de Aécio, pela primeira vez os vilões do faroeste não conseguiram roubar até a estrela do xerife.

Enfim desafiados publicamente, os campeões da insolência piscaram primeiro. No debate da Record, Dilma escancarou já na entrada do saloon a decisão de fugir do tiroteio verbal que esquentou o confronto no SBT. Compreensivelmente, Aécio resolveu levar a mão ao coldre com menos frequência. Mas a sensatez recomenda que se mantenha na ofensiva. Ele conseguiu transformar-se no porta-voz dos muitos milhões de indignados. Hoje, Aécio Neves representa o Brasil que resiste há 12 anos a um bando para o qual os fins justificam os meios.

No domingo, o país não vai simplesmente optar entre Aécio Neves e Dilma Rousseff. A nação decidirá entre a decência e o crime, a honradez e a corrupção, o Estado de Direito e o autoritarismo bolivariano, os democratas e os liberticidas, a luz e a treva. Mais que o segundo turno da eleição presidencial, vem aí um plebiscito: o PT continua ou cai fora? A primeira opção mantém o país enfurnado na trilha do atraso. A segunda pavimenta a estrada que leva para longe do primitivismo e conduz ao mundo civilizado.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Olavo de Carvalho e a importância de Aécio Neves nas eleições 2014



O filósofo Olavo de Carvalho, atualmente vivendo nos EUA, faz uma boa análise sobre o papel de Aécio Neves nas eleições. É uma aula que também os petistas, que o odeiam, deveriam assistir - pelo menos para ter noção do mal que fizeram ao país. (Obrigado, Henriqueta Cáceres).

Dilma na escola traduzindo o dilmês


Na reta final, PT mostra a sua carranca fascista.

Desesperados com a perda do poder e o consequente desemprego de milhares de militantes que entraram nas instituições pela janela, os petistas farão nesta semana a campanha descer ao lixo, difamando e injuriando o candidato da oposição Aécio Neves. O truculento Lula e a própria Dilma já deram o tom. Procurarão atingir até os familiares de Aécio. Que ninguém se iluda: o PT não um partido democrático nem respeita as regras do jogo democrático. É um ajuntamento de ressentidos antiliberais, anticapitalistas e antiamericanos, reunindo o pior do fascismo e do comunismo. O Estadão oferece uma amostra do que pode vir:


A campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff chegou à conclusão de que há poucas chances de obter mais apoiadores daqui até o dia da votação, no domingo que vem, razão pela qual não pretende abandonar os ataques ao adversário Aécio Neves. Com isso, o comitê petista espera aumentar a rejeição do adversário, reduzindo suas chances. A tática da vitimização, já ensaiada no final da semana passada com discursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também será explorada. 

A própria Dilma entrou no assunto ontem, antes do debate da TV Record. Disse que Aécio precisa "aprender a respeitar as mulheres". "Com mulher não pode ser assim", disse. Na internet, o comitê de Dilma lançou a campanha "Mais Dilma, Mais Amor", na qual combate o "ódio eleitoral" e usa como exemplos casos de petistas agredidos nas ruas por tucanos nas últimas semanas. Os petistas tem uma preocupação especial com o debate da TV Globo, nesta sexta-feira, que classificam como decisivo. "Sempre tem aquele impacto", diz o presidente do PT, Rui Falcão. 

Enquanto isso as propagandas na TV e principalmente no rádio e na internet continuam divulgando denúncias contra Aécio. Ontem, um texto sobre a "dificuldade de Aécio em respeitar as mulheres" teve destaque especial na página da campanha da petista na internet. Os integrantes do comitê da campanha à reeleição estão guardando munição contra o tucano. Afirmam que Dilma "não vai apanhar calada" caso seja agredida pelo adversário. 

Em outra frente, o PT vai tentar atrair o eleitorado que votou em Marina Silva (PSB) no 1.º turno. O principal alvo é a classe média que historicamente votava no PT e hoje rejeita o partido. Para isso a campanha de Dilma convocou artistas e intelectuais para um ato hoje no Tuca - histórico teatro na PUC de São Paulo -, com a presença de intelectuais petistas, além de reforços de última hora, como o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB, e o antigo desafeto Francisco Oliveira, cientista político que estava afastado do PT desde o início do governo Lula, em 2003. 

Nas viagens, o foco da campanha será o Sudeste, com destaque para São Paulo, onde o PT sofreu uma derrota acachapante no 1.º turno - obteve apenas 26% dos votos. A estratégia é explorar a crise de abastecimento de água, como fez na propaganda eleitoral na TV ontem. "Mostraremos propostas para saúde e emprego, mas em São Paulo é água, água e água", diz o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Para consolidar a liderança no Nordeste, Dilma vai colar sua imagem à de Lula. Ambos participarão de ato no centro do Recife amanhã. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, finalmente foi convencida a se integrar à campanha. Ela vai ao evento no Tuca e deve participar de atividades na periferia da capital paulista. (Estadão).

Lula: um tiranete desbocado, grosseiro, incitador do ódio.

Enfim, o jornalista Ricardo Noblat vê Lula tal como sempre foi: desbocado, grosseiro, um homem incapaz de se desculpar mesmo quando trata um assessor a pontapés. É ele quem incita o ódio conta Aécio Neves e a oposição. Eu acrescentaria: Lula é um tosco com inclinações totalitárias.


Qual Lula é o verdadeiro?

O bem educado que aparece no programa de propaganda eleitoral de Dilma na televisão, defende os 12 anos de governos do PT e, ao cabo, sorridente, pede votos para reeleger sua sucessora?

Ou o moleque de rua que pontifica em comícios país a fora, sugerindo, sem ter coragem de afirmar diretamente, que Aécio é capaz, sim, de dirigir embriagado, agredir mulheres e se drogar?

O segundo é o mais próximo do verdadeiro Lula. Digo por que o conheço desde quando era líder sindical. Lula é uma metamorfose ambulante. Não foi ninguém quem o disse, foi ele quem se rotulou assim.

A esquerda tudo perdoaria a Lula desde que chegasse ao poder. Chegou, cavalgando-o. Uma vez lá, se corrompeu. Quanto a ele... Não sabia de nada. Nunca soube.

Justiça seja feita a Lula: por desconhecimento de causa e preguiça, ele jamais compartilhou as ideias da esquerda. Assim como ela se aproveitou dele, Lula se aproveitou dela. Um casamento não por amor, mas por interesse.

Na primeira reunião ministerial do seu governo em 2003, Lula se irritou com um ministro e desabafou: “Toda vez que me guiei pela esquerda me dei mal”.

Retifico: ele não disse que se deu mal. Usou um palavrão. Nada demais para o sujeito desbocado que nunca pesou o que diz. Grossura nada tem a ver com infância pobre.

Lula é um sucesso do jeito que é. Mudar, por quê? Todos admiram sua astúcia. Muitos se curvam à sua sabedoria. E outros tantos temem ser apontados como desafetos do retirante nordestino que se deu bem.

Uma das chaves do sucesso de Lula é a coragem de dizer o que lhe apetece – às favas a verdade.

No último sábado, em comício em Belo Horizonte, Lula disse que nunca foi grosseiro com adversários.

Textualmente: “Não tive coragem de ser grosseiro contra Collor, Serra, Alckmin, Fernando Henrique. Pega uma palavra minha chamando candidato de mentiroso e leviano”. É fácil.

Lula chamou Sarney de ladrão. E Itamar Franco de filho da puta.

Resposta de Itamar em maio de 2003: “Gostaria de saber o que aconteceria se a situação fosse inversa, ou seja, se esse indivíduo arrogante e elitista fosse o presidente da República e alguém lhe chamasse disso. (...) Minha mãe se chamava Itália Franco. Mas fosse um filho da p., certamente teria por ela o mesmo amor filial”.

Você pensa que Lula ficou constrangido com a resposta de Itamar? Foi ao velório dele. Assim como foi ao velório de Ruth Cardoso, mulher de Fernando Henrique. Chorando, lançou-se aos braços do ex-presidente.

Pouco antes da morte de Ruth, a Casa Civil da então ministra Dilma montara um dossiê sobre despesas com cartão de crédito do casal FH. Depois, a ministra se desculpou.

Lula não é homem de se desculpar. Nem mesmo quando trata um assessor a pontapés. Como governador de Minas Gerais, no auge do escândalo do mensalão, Aécio lutou para que o PSDB não pedisse o impeachment de Lula. Conseguiu.

Mais tarde, Lula tentou convencê-lo a aderir ao PMDB para disputar a presidência com o seu apoio. Aécio não quis.

De volta ao comício de Belo Horizonte.

Antes de Lula falar, foi lida a carta de uma psicóloga acusando Aécio de espancar mulheres e de ser megalomaníaco. Ele ainda foi chamado de "coisa ruim", "cafajeste" e "playboy mimado".

Por fim, a plateia foi ao delírio ao ouvir Lula dizer sobre o comportamento de Aécio em debates: “A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”.

A tontura de Dilma


Desemprego aumenta no Nordeste, que os petistas consideram seu curral eleitoral.

Considerem, eleitores do Nordeste: a região pretensamente privilegiada pelo governo Dilma e por Lula teve a mais alta taxa de desemprego no primeiro trimestre do ano. Dados do IBGE, antes de ser calado pela censura petista:


O Nordeste apresentou a maior taxa de desemprego no primeiro trimestre deste ano dentre as regiões do país, de 9,3% da população economicamente ativa (PEA). Na outra ponta, apareceu o Sul, onde o desemprego alcançou 4,3% da força de trabalho. Os dados fazem parte da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Norte, o nível de desemprego atingiu 7,7% no período, enquanto no Sudeste ficou em 7% e no Centro-Oeste, em 5,8%. 

Na comparação com o quarto trimestre de 2013, houve elevação da taxa de desocupação em todas as regiões. Em relação ao primeiro trimestre de 2013, porém, a taxa de desocupação recuou em todas as regiões. 

O Nordeste também continuou com o maior percentual (43,1%) de pessoas fora da força de trabalho entre as regiões. As regiões Sul (36%) e Centro-Oeste (35,1%) registraram os menores percentuais. No Sudeste, 38,1% das pessoas em idade de trabalhar estavam fora do mercado e, no Norte, 38,9%. (jornal Valor).

Dilma atrasa 9 das 11 obras prioritárias do PAC

Açude seco: à espera da transposição do São Francisco.
Entre as obras atrasada estão os projetos mais caros do governo: a transposição do Rio São Francisco e refinaria Abreu e Lima (que enfrenta denúncias de corrupção). E dona Dilma cascateia nos programas de TV, tentando enganar o eleitor incauto com suas obras empacadas:


Os compromissos do governo para este último trimestre de mandato deveriam incluir a inauguração de 11 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Essa foi a meta estabelecida pela presidente Dilma Rousseff no início de 2011, quando assumiu o governo e apresentou seu primeiro balanço do PAC.

Quase quatro anos depois, apenas dois empreendimentos previstos para ser concluídos entre outubro e dezembro de 2014 terão, de fato, obras entregues dentro do prazo: as hidrelétricas Santo Antônio do Jari e Ferreira Gomes, ambas construídas no Amapá. A primeira iniciou suas operações neste mês e a segunda deve ligar suas turbinas até dezembro.
Entre as nove obras que tiveram suas conclusões adiadas estão alguns dos mais caros e emblemáticos projetos do governo, como a transposição do rio São Francisco e a refinaria Abreu e Lima, da Petrobrás, em construção em Pernambuco. Esses empreendimentos já sofriam, na realidade, com frustrações de prazos acumuladas durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Custos. Além do atraso, o estouro nos prazos dos cronogramas veio acompanhada de um aumento de 46% nos custos. As 11 obras, que no início de 2011 somavam investimentos de R$ 37,6 bilhões, chegam agora a R$ 54,9 bilhões - um gasto adicional de R$ 17,3 bilhões.
Os projetos de saneamento básico tocados na região Nordeste do País lideram a lista dos empreendimentos problemáticos. O eixo leste da transposição do São Francisco, canal de 220 km que corta a região de Pernambuco e Paraíba, teve as suas obras iniciadas em 2007. Lula pretendia inaugurá-lo no último semestre do seu governo, em 2010. Mas foi obrigado a deixar a missão para Dilma. Quando assumiu o governo, a presidente reprogramou a data para 19 de dezembro deste ano. Agora, a previsão mais otimista para o São Francisco é verter água no agreste pernambucano em 31 de dezembro de 2015.
Rescisões. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão argumenta que o projeto foi alvo de rescisões e renegociações de contratos, o que exigiu a realização de novas licitações para tocar a construção. "No segundo semestre de 2013, o Ministério da Integração Nacional concluiu os procedimentos licitatórios para a contratação dos saldos remanescentes de obra. Com isto, garantiu a mobilização de mão de obra e equipamentos para execução da totalidade do eixo leste. Atualmente, todos os eixos estão em obras e em ritmo normal, com 65,3% realizados", informou.
Outros dois projetos ligados às bacias do São Francisco e do Parnaíba enfrentam dificuldades. As obras de esgotamento sanitário das bacias de ambos os rios, ações que se espalham por sete Estados do Nordeste, deveriam ser concluídas neste mês, mas acabaram prorrogadas para o fim de 2015. O mesmo destino foi dado para as ações de recuperação de solo e controle de processos erosivos nos dois rios, além das obras da adutora do Agreste, em Pernambuco, e da Vertente Litorânea (PB), sistema adutor de 94,8 km em construção na Paraíba.
Custo. Na área de transporte, o arco rodoviário do Rio de Janeiro (RJ), que estava orçado em R$ 400 milhões, em 2011, e estaria pronto neste fim de ano, viu seu custo saltar para R$ 1,083 bilhão no balanço mais recente do PAC, divulgado em junho. A entrega da obra ficou para o réveillon de 2016.
Na área de transporte, a BR-101, em um trecho de 199 km que envolve o contorno de Recife (PE), de 41 km de extensão, também corre atrás do prejuízo. Uma nova licitação para tocar a obra foi realizada, após determinações feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
No setor elétrico, a hidrelétrica de Colíder, em construção no rio Teles Pires, em Mato Grosso, tinha previsão de ligar sua primeira turbina na última semana deste ano, mas a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já esticou o cronograma para dezembro de 2015. (Estadão).

Cuidado com as pesquisas. As urnas é que decidem.

Em artigo no Estadão, o professor Denis Rosenfield recomenda cautela em relação às pesquisas, que contam com um histórico nada confiável. Ibope e Datafolha que o digam, agora com os persistentes "empates técnicos" na reta final. Segue o texto, "Fora da margem de erro":

O segundo turno da eleição presidencial é imprevisível. Por isso se recomenda cautela, devendo-se evitar qualquer tipo de entusiasmo, para um lado ou para outro. Os gregos chamavam tal atitude de phronesis, que normalmente se traduz por prudência ou cautela. E significa orientar-se com cuidado na imprevisibilidade, na particularidade das coisas do mundo.
Nesse contexto, deve-se ter a maior prudência na reação à divulgação das pesquisas de opinião, pois os institutos erraram, e feio. Há problemas evidentes de metodologia ou de execução que ficaram flagrantes. Os números dissociaram-se da realidade. O argumento, por exemplo, do diretor de um dos institutos mais importantes, de que eles medem apenas tendências é para incautos ou desavisados. Se assim fosse, não deveriam alardear que a sua margem de acerto se faz, por exemplo, num universo de 2 mil entrevistas, com dois pontos para mais ou para menos. Nem tal margem de erro correspondeu à realidade.
A observação faz-se necessária porque os parâmetros de orientação a partir de pesquisas perderam completamente a credibilidade. Seus números devem ser vistos com cuidado. Deixaram de constatar mudanças importantes que estavam ocorrendo. Seria necessário, isso sim, um reconhecimento dos erros, uma pesquisa séria sobre por que ocorreram, e não tentativas reiteradas de mascarar a realidade.
Poderíamos considerar os erros em pesquisas eleitorais e de opinião como sendo de duas ordens: erros amostrais e erros não amostrais.
Erros amostrais são os originados do desenho da amostra da pesquisa. A amostra, vale lembrar, precisa ser representativa da população que está sendo pesquisada. No Brasil, para a construção da amostra das pesquisas eleitorais utilizam-se cotas. As entrevistas seguem critérios de seleção de entrevistados, como sexo, faixa etária, escolaridade, região e renda familiar mensal. Um tipo de erro amostral seria, por exemplo, atribuir maior peso aos entrevistados da Região Sudeste do País. Se uma amostra correta, que seja representativa da população, sinaliza que é preciso aplicar 500 entrevistas nessa região e determinado instituto aplica 550, isso significa que a amostra se torna desproporcional à população pesquisada, redundando em erro.
Para evitar erros amostrais é preciso que um estatístico produza a amostra baseando-se em dados estatísticos oficiais, entre os quais os resultados do Censo de 2010 e da Pnad (IBGE) mais recente.
Erros não amostrais são os que poderíamos denominar de execução. Vejamos alguns:
Questões enunciadas de forma errada, seja por apresentarem dúvidas sobre sua interpretação ou por serem tendenciosas em relação às respostas possíveis.
A ordem das perguntas dos questionários também pode contaminar as respostas dos entrevistados.
Pesquisadores mal treinados, sem experiência e ávidos por um "trabalho extra" em períodos eleitorais. Institutos precisam contratar pesquisadores, e não "perguntadores".
A inflação do mercado de pesquisas em períodos eleitorais, com escassez de mão de obra qualificada, leva os institutos a contratar pessoas sem o mínimo domínio dos procedimentos metodológicos necessários para aplicação de um questionário de pesquisa eleitoral.
No período eleitoral os institutos, além de trabalharem com falta de pesquisadores qualificados, também deparam com a escassez de tempo. Quase 3 mil entrevistas - às vezes, muito mais - precisam ser feitas em 2 dias, ou em até em dia e meio. Trata-se, além de uma enorme operação logística, de uma grande possibilidade de que fraudes ocorram. Acossados pelo tempo, os próprios pesquisadores, sem encontrar o perfil desejado, podem muito bem "inventar" questionários.
A hipótese de questionários serem inventados é extremamente razoável, uma vez que não haveria tempo necessário para a conferência, conforme sustenta a literatura especializada, de um mínimo de 20% dos questionários aplicados.
Essa conferência pode ser realizada in loco, por fiscais, ou por telefone, sendo esta última modalidade a mais comum. De posse dos questionários, os conferencistas ligam para confirmar se a pessoa foi mesmo entrevistada e se suas informações sobre perfil socioeconômico são coerentes com o que está declarado no questionário.
A conferência é um processo demorado porque, em muitos casos, é preciso tentar contato várias vezes com o entrevistado selecionado para conferência. Não é, poderíamos dizer, trabalho de uma tarde ou um dia. Leva tempo, conferindo às pesquisas maior confiabilidade e certeza de que fraudes não ocorreram durante o processo de aplicação dos questionários.
Em períodos "normais" esses erros de execução tendem a ser menores, pois há mais tempo para fazer as pesquisas, realizar as conferências e, ainda, treinar novos pesquisadores.
Mas durante o período eleitoral é diferente. Há falta de tempo, escassez de mão de obra qualificada e urgência em divulgar os resultados. Essas variáveis fazem com que a qualidade das pesquisas eleitorais tenda a diminuir.
Por fim, uma nota: os eleitores também podem ser "culpados" pelos erros, uma vez que sempre se mostra possível a mudança de opinião a partir de "ondas" que ocorrem, por exemplo, de um dia para outro. As ondas, contudo, quase se transformaram em verdadeiros tsunamis, dados os erros das pesquisas. Mas isso parece ser menos válido para os levantamentos de tipo boca de urna, em que o eleitor já votou.
Mas nada disso deve servir de ensejo para que se estabeleça qualquer restrição à divulgação de pesquisas. A censura deve - ou deveria - ser coisa do passado. Trata-se de um problema que o próprio mercado resolve, pois a perda de credibilidade dos institutos incide diretamente sobre eles. A sua perda de imagem é algo grave.

domingo, 19 de outubro de 2014

Nas urnas, o antipetismo é a nova força política.

Dilma obteve o pior desempenho presidencial desde 2002, o partido sente a queda da legenda e os candidatos estaduais escondem o vermelho. É a decadência do lulopetismo:

O PT se "disfarçou", escamoteou o vermelho do material de campanha e os botons estrelados escassearam das lapelas dos candidatos e de parte dos eleitores. Mas a reforma estética não impediu que o partido se desidratasse politicamente. Resultado: qualquer que venha a ser o vencedor da eleição presidencial, os números do 1.º turno mostram que a disputa deste ano consolidou o antipetismo como a principal força política que rivaliza com o PT no País.
As urnas sinalizaram isso. Na disputa ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff teve a menor votação no 1.º turno entre candidatos petistas desde a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, ficando com 41,6% dos votos, porcentual menor do que o obtido em 2010 (46,9%). A bancada de deputados federais da sigla foi de 86 para 70. Em relação a 2010, a perda de votos do PT para a Câmara dos Deputados foi de 3 milhões.
Também houve queda no voto na legenda - que normalmente identifica a confiança do eleitor na sigla. Menos pessoas apertaram apenas o "13" na urna, e nessa queda há um dado simbólico: pela primeira vez em 24 anos, o PT não é o partido com maior participação do voto de legenda no total obtido.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que, desde 1990, o PT era o partido com mais votos de legenda. Em 1994, metade da bancada foi formada com esse tipo de apoio, e não pelo voto dado a um determinado candidato. Em 2014, 21,6% dos votos do PT para a Câmara foram para a legenda, e não para um político específico, abaixo dos 23,8% que digitaram apenas "45", número do arquirrival PSDB, em relação ao total de votos obtidos pelos tucanos.
Sem vermelho. Ao identificar o movimento contrário ao PT, candidatos a governador chegaram a evitar o uso da estrela petista e da cor vermelha, a exemplo de Delcídio Amaral, em Mato Grosso do Sul. Ele disputa o 2.º turno com o tucano Reinaldo Azambuja. No Paraná, Gleisi Hoffmann evitou o vermelho, mas não adiantou: a ex-ministra ficou em terceiro lugar. Em outros Estados com 2.º turno, a identificação dos candidatos também se divide entre "petistas" e "antipetistas", independentemente da filiação partidária.
O próprio meio político identifica esse movimento. O presidente do PDT, Carlos Lupi, da base aliada de Dilma, diz que "existe uma polarização no País que aglutina as duas maiores forças, uma a favor do PT e outra contra". "Sempre que há esse tipo de divisão na sociedade, a tendência é que duas forças antagônicas se oponham."
"Há um claro movimento antipetista nesta eleição", diz outro aliado, o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI). Da oposição, o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), atesta: "O antipetismo é um fato. E o candidato Aécio Neves (PSDB) se tornou o galvanizador desse movimento".
Sob análise. Vice-presidente do PT, o deputado reeleito José Guimarães (CE) acredita que a rejeição ao partido e a falta de votos em candidatos precisam ser mais estudadas. "Claro que existe um movimento contrário ao PT. Isso precisa ser analisado mais à frente. Mas é preciso lembrar que fomos muito mal em São Paulo não só por causa disso. E que em outros Estados fomos muito bem, elegendo três deputados no Acre, oito na Bahia, dez em Minas Gerais." (Estadão).

Hoje à noite, segundo round na Record. Espero que Aécio leve Dilma a nocaute outra vez.


O debate começa às 22:15. Que Aécio não se esqueça da grande obra de Dilma em Cuba.

E quem vai ressarcir, dona Dilma?


Dalrymple: um antídoto contra o coitadismo e a miséria moral alimentados pelo PT.

Crítico ferrenho da doutrina politicamente correta das esquerdas, de seu relativismo moral e do coitadismo que elas alimentam, o psiquiatra e ensaísta britânico Theodore Dalrymple é traduzido pela primeira vez no Brasil: acaba de sair, com muito atraso, A Vida na Sarjeta (É Realizações). Não é à toa que ele é praticamente desconhecido por aqui: a era lulista consolidou entre nós a falência da educação e a "miséria moral" que ele tanto critica. Dalrymple já havia concedido entrevista à Veja há dois anos (ver no blog):

De manhã, no hospital de um bairro pobre de Birmingham, ele atendia às vítimas. À tarde, no prédio vizinho, um grande presídio da segunda cidade mais populosa da Inglaterra, ouvia os algozes. Foi dessa perspectiva singular que Theodore Dalrymple, pseudônimo do psiquiatra inglês Anthony Daniels, investigou por 14 anos a miséria das camadas mais baixas da Grã-Bretanha. São os milhares de histórias de vida de pacientes e detentos que embasam o duro e desencantado retrato da Vida na Sarjeta (É Realizações, 280 pg, R$ 34,90), título do livro que chega ao Brasil na semana que vem.
Na obra, o psiquiatra sustenta que, se a miséria material foi praticamente varrida do mundo desenvolvido, a "pobreza da alma" se aprofunda e galga velozmente a escala social, patrocinada pelo assistencialismo irrefletido e guiada por conceitos irresponsavelmente ventilados por intelectuais de esquerda. Tendo conhecido a miséria dos países africanos, onde trabalhou quando jovem, ele é taxativo: "Nada do que vi – nem a pobreza ou a opressão ostensiva – jamais teve o mesmo efeito devastador na personalidade humana que o indiscriminado Estado de Bem-Estar Social", escreve. "Nunca vi a perda de dignidade, o egocentrismo, o vazio espiritual e emocional ou a absoluta ignorância de como viver que vejo diariamente na Inglaterra."
Dalrymple nunca havia sido editado no Brasil, embora seja um dos expoentes da melhor tradição do conservadorismo britânico – ou exatamente por causa disso...​ De qualquer forma, A Vida na Sarjeta é uma boa introdução à sua vasta bibliografia (mais de 20 títulos) e passeia por alguns dos temas que lhe são mais caros, e que critica impiedosamente, como o relativismo moral, a falência da educação, o esgarçamento dos laços familiares, o egotismo dos acadêmicos, o coitadismo, o politicamente correto, entre outros assuntos.
O livro chega com atraso de nada menos que 13 anos, mas isso, paradoxalmente, pode torná-lo mais oportuno. O Brasil do Bolsa-Família e das cotas; da "nova classe C" e do Minha Casa, Minha Vida; que viu a desnutrição recuar e a obesidade ganhar contornos epidêmicos; em que quase todas as crianças vão à escola, mas a maioria chega ao fim do ensino fundamental sem competências básicas de escrita e matemática – esse país tem muito a aprender com a miséria moral da "abundância" britânica.
O médico admite que nos países que ainda convivem com pobreza material, como o Brasil, seus argumentos podem parecer frívolos. Não são. "Com um pouco de sorte, A Vida na Sarjeta terá relevância para os brasileiros em alguns poucos anos", ironiza, em entrevista ao site de VEJA. Dalrymple aproveita para explicar a escolha do pseudônimo, com que protegeu sua identidade quando começou a assinar artigos mordazes e inconformados na imprensa britânica sobre as condições do hospital e da prisão em que trabalhava. "Theodore Dalrymple soa antigo, algo vitoriano, aristocrático, escocês. Pense em alguém muito mal-humorado, observando o mundo de seu clube em Londres, tomando uma taça de vinho do Porto, e dizendo que está tudo perdido (risos)."
Reprodução/VEJACapa de 'A Vida na Sarjeta'
Capa de 'A Vida na Sarjeta: o círculo vicioso da miséria moral', de Theodore Dalrymple
Como é a 'vida na sarjeta'? 
Na Europa e nos Estados Unidos, a pobreza é hoje definida em termos relativos. Em termos absolutos, os pobres já desfrutam de comodidades que teriam deslumbrado Luís XIV. Eles são pobres apenas em comparação com a média da população. Seu problema é outro: eles não sabem como viver. Não têm nenhum propósito mais elevado na vida. Não são religiosos, não têm crença política, não têm cultura própria. E não precisam lutar pela vida. Não passam fome e dá para ir levando a vida, sem grande esforço. Não falta assistência médica nem escola para os filhos. Não faz muita diferença se eles têm um emprego ou não. Eles não têm esperança de progredir economicamente, nem medo de quebrar. Vivem numa espécie de limbo, e seu mau comportamento é a única coisa que pode tornar a vida interessante.
Este fenômeno é restrito à "subclasse" (underclass, no original)? 
Na verdade, não gosto muito do termo 'subclasse', porque implica afirmar que há uma grande diferença entre essa parcela da população e o resto, o que não é verdade. Há uma continuidade, e eu argumento no livro que certas atitudes disfuncionais estão se disseminando pela escala social, para além do que Marx poderia chamar de 'lumpemproletariado'. Não estamos falando de cerca de 5% da população. Se fosse assim, seria muito triste para esses 5%, mas não seria tão sério para a sociedade como um todo. O que ocorre é que certos fenômenos disfuncionais se disseminaram das classes mais baixas para as mais altas, com um decréscimo do nível geral de cultura.


Por que o senhor põe a culpa nos intelectuais? 


Porque eles criaram essa noção, ao longo de mais de cem anos de propaganda, de que se as pessoas tivessem um lugar para morar, aquecimento adequado, comida suficiente etc., todos os problemas estariam resolvidos. Bom, eu acho ótimo que o padrão de vida das pessoas melhore, e que as pessoas tenham um lugar para morar, com aquecimento adequado etc. Mas o que acontece é que os problemas mudam de natureza. As políticas aplicadas sob influência de intelectuais liberais destruíram a família na Grã-Bretanha. Onde eu trabalhava, por exemplo, simplesmente não havia uma família em que o pai cuidasse dos filhos. Essa mudança aconteceu em pouquíssimo tempo, como efeito de políticas sociais e econômicas desastradas. Eu diria que o Estado de bem estar social foi uma condição necessária para a desagregação social a que assistimos na Inglaterra, mas não a única. Não observamos a mesma situação nos países da Escandinávia, por exemplo, e acho que há duas razões para esta diferença. Uma é escala. Você tem de lembrar que Londres é quase duas vezes a Dinamarca inteira, em termos de população. A outra razão é o nível de educação, que na Dinamarca é muito mais alto. Os dinamarqueses provavelmente escrevem melhor em inglês do que a maior parte dos ingleses. Assim, uma população com baixo nível educacional pendurada no assistencialismo, essa é a receita do desastre.

O que há de errado com as escolas britânicas? Temos muitas escolas, mas o ensino é muito ruim em várias delas, principalmente nas áreas em que a escolaridade é mais necessária, ou seja, onde não há o apoio das famílias. Cerca de 20% das crianças inglesas deixam a escola sem saber ler direito. Isso não tem nada a ver com o dinheiro que se gasta com elas. Na verdade, dá para ensinar a ler gastando muito pouco e bem depressa. E, no entanto, isso não está sendo feito. E quem mais sofre são as crianças mais vulneráveis, que vêm de famílias que não dão muita atenção à educação.


E isso também é culpa dos intelectuais? 

A culpa é dos educadores que impuseram às escolas métodos que não funcionam e que não mudam há 30 ou 40 anos. Nós sabemos por experiência que mesmo as crianças que vêm dos piores lares podem aprender a ler e escrever corretamente. As experiências mostram isso. E tudo que é necessário são métodos educacionais eficientes - como os que eram usados 50 anos atrás. Só que há uma teimosa recusa em reconhecer isso. No antigo sistema, crianças inteligentes e habilidosas eram selecionadas para seguir cursos acadêmicos puramente na base da competência e do mérito. Mesmo em áreas bem pobres, havia escolas muito boas, com um padrão bem alto. Foi assim durante muitos anos. Meu pai frequentou uma dessas escolas em Londres e se lembra de alunos que iam às aulas sem sapatos. Esse modelo garantia um certo grau de mobilidade social. É claro que só uma minoria de crianças era beneficiada, mas pelo menos era um sistema de genuína meritocracia.
Por que essas ideias não têm o mesmo efeito perverso sobre a classe média? 
Há duas razões. A primeira é que a classe média se preocupa muito mais com a educação. Se as crianças não vão bem na escola, os pais tomam alguma providência para melhorar a situação. E a segunda é que, na verdade, esses métodos não são impostos com a mesma firmeza sobre a classe média, porque ela reagiria a isso. Assim, a experiência é feita com os mais vulneráveis, que não sabem protestar, nem reclamar - a não ser através da violência física. Se fôssemos ceder à teoria conspiratória marxista, poderíamos dizer que o sistema educacional inglês é o meio pelo qual a classe média se assegura de manter fora de competição a metade mais pobre da população.


O senhor escreve que a "pobreza da alma" é muito pior que a pobreza material. Que lições países que ainda lidam com a miséria material, como o Brasil, devem tirar da "subclasse" dos países mais desenvolvidos? 


Mesmo em países miseráveis da África, onde trabalhei, nunca vi tamanha pobreza espiritual ou psicológica como a que observei na Inglaterra. E isso, eu acho, só pode ser explicado pela privação do sentido da vida. São pessoas capturadas por esse ciclo de dependência, em que nada parece tornar a vida melhor ou pior. Não há esperança, nem medo. Isso é algo que os brasileiros devem saber e evitar. Deixe-me dar um exemplo. Na Inglaterra, em 2006, antes da crise econômica, nós tínhamos 2,9 milhões de pessoas vivendo graças ao auxílio-doença. Elas não eram considerados desempregadas, mas doentes. Acontece que a grande maioria não tinha enfermidade nenhuma – ou teríamos mais doentes do que na 1ª Guerra Mundial. Essa corrupção moral tem um efeito profundo sobre a sociedade, tanto sobre as pessoas que pedem o benefício, como os médicos que dão os atestados e até sobre o governo, que pôde melhorar seu indicador de desemprego.

O assistencialismo tem um peso grande na vida dos brasileiros. Um em cada quatro pessoas é beneficiado por programas de transferência de renda, que praticamente todos os políticos apoiam. É possível erguer uma rede de proteção social que atenda à população necessidade sem incentivar os vícios que o senhor identifica? 
Eu não conheço muito bem o Brasil. Mas é certamente perigoso permitir que transferências regulares se tornem mais importantes que a renda das pessoas, porque haverá uma pressão para aumentá-las cada vez mais, em detrimento não só de toda a economia, mas também do caráter dos beneficiados. E é claro também que esses benefícios, quando elevados, acabam se tornando um direito divorciado de qualquer forma de merecimento. Se você tem direito a uma casa, renda, educação, assistência médica e tudo o mais, qual o sentido do esforço? Acho que, se bem controlada, não há razão para não ter uma rede de proteção social. O problema é que na Europa, particularmente na Grã-Bretanha, o sistema saiu de controle.
Qual o peso da revolução sexual na equação da "miséria da alma"? 
Não quero soar como um puritano, porque não sou, mas o verdadeiro problema é que o conceito de paternidade mudou. Na região em que eu trabalhava, nenhuma mãe levava em consideração se o pai do seu filho era adequado ou não. E isso me parece catastrófico. Quando eu perguntava para uma criança quem era o seu pai, ela às vezes dizia algo como "você quer dizer o meu pai no momento?". Nenhum pai assumia a responsabilidade por seu filho. Muitas crianças não tinham ideia do que era uma família. Para elas, o pai era um padrasto serial, que vinha e passava um tempo com elas e depois ia embora. Logo haveria um outro. Isso é terrível para as crianças. Uma geração de intelectuais vendeu a ideia de que conforto material e relacionamentos sem qualquer tipo de amarra tornariam a humanidade livre. Mas sem relações estruturadas, não pode haver confiança entre um homem e uma mulher. Isso leva ao ciúme e à violência. O custo das relações estruturadas por obrigações sociais, claro, é um certo grau de hipocrisia, porque, bem, o ser humano é o que ele é: não obedece às regras, mas finge que obedece. De qualquer forma, isso é melhor do que relações sem nenhuma amarra. Uma das razões de os homens serem tão ciumentos é que sabem o quanto eles próprios são predatórios. O tipo de promiscuidade que eu vi não seria relevante se esses homens aceitassem que a mulher também fosse promíscua, mas não é isso que acontece. Os homens querem a posse exclusiva da mulher, ao mesmo tempo que dão em cima da mulher de qualquer um, e é fácil ver que isso gera violência, tanto entre homens e mulheres como entre rivais que disputam uma mesma mulher.
Como nasceu seu interesse pela 'subclasse'? 
Eu trabalhava numa região complicada, como psiquiatra em um hospital. Vi algo como dez a quinze mil casos de tentativas de suicídio. E cada pessoa me falava sobre a sua vida e a vida de pessoas próximas. Isso significava ouvir a história da vida de 60, 70, 80 mil pessoas. Minha amostra é seletiva, claro, mas não é pequena. E também trabalhei numa prisão, com mais ou menos 1.400 detentos, que ficava ao lado do tal hospital. Eram prédios vizinhos. A principal diferença entre eles era que havia muito menos violência... na prisão. De manhã eu ouvia histórias de vítimas de crimes, e à tarde eu ouvia seus algozes. Foi assim que eu desenvolvi um interesse por tais assuntos.


Sente falta desse trabalho? 

Sim, mas resolvi me aposentar enquanto eu ainda sentia prazer em trabalhar. Isso pode parecer absurdo, mas queria parar com um certo número de boas recordações. O que eu presenciei não era lá muito agradável, mas era extremamente interessante.


Alguns textos deste livro foram publicados nos anos 1990. A sorte da subclasse melhorou desde então? 

Acho que continua a mesma coisa. E eu também não mudei de opinião. Aliás, para ser honesto, acho que já disse tudo que tinha a dizer sobre esse assunto. Atualmente faço crítica de arte e de literatura. E estou escrevendo minhas memórias da prisão. É que passei mais tempo na prisão do que a maioria dos presos...


'A Vida na Sarjeta' é seu primeiro livro publicado no Brasil, o que parece refletir certa hostilidade do mercado editorial contra autores conservadores. 
Esse viés também existe na Inglaterra. Durante muitos anos não houve uma edição inglesa de A Vida na Sarjeta. Embora trate do que vi na Grã-Bretanha, foi primeiro publicado nos Estados Unidos, assim como outro livro meu em que argumento que o vício em heroína não deve ser tratado como uma doença. Nos dias da Amazon, contudo, isso já não importa mais. De qualquer forma, espero que meu livro tenha alguma relevância para os brasileiros. Vejo que pode ser difícil para os brasileiros aceitar o tipo de coisas que afirmo, por ainda conhecerem a pobreza material. Com um pouco de sorte, porém, A Vida na Sarjeta terá relevância para os brasileiros em alguns poucos anos.