sábado, 24 de junho de 2006

Por que os intelectuais são anticapitalistas?


Em busca de uma resposta, o filósofo norte-americano Robert Nozick (1938-2002) escavou algumas razões. Num texto provocativo (de 1998), ele identifica os intelectuais "forjadores da palavra" (escritores, críticos literários, jornalistas e "muitos professores") como os mais propensos ao ressentimento contra o capitalismo.
E adivinhem onde tudo começa...

Curiosidade: Nozick não inclui na lista aqueles que primordialmente criam e transmitem informação formulada de maneira quantitativa ou matemática, isto é, os "forjadores de números." Proporcionalmente, estes teriam menos ojeriza ao capitalismo.

Para ler e refletir. Sem preconceitos.

(Há tradução brasileira)

10 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Quando um PIMBA não consegue se inserir no mundo capitalista, seja não fazendo sucesso como escritor (né Paulo Coelho, Bruna Surfistinha), pintor, ator ou outra coisa que o valha claro que tem que haver ressentimentos. Afinal todo mundo gosta de grana.

Marilia Mota disse...

Oi, professor Tambosi!
Esse artigo, se fosse "desbastado" em 1/3 das palavras, ficaria melhor ainda. Acho que o autor abordou um aspecto interessante: a escola, seu sistema de avaliaçao, valorizaçao, etc.
Faz tempo que observo, analiso, fico intrigada com os cinco amigos anticapitalistas (mas usufruindo alegre e intensamente de seus frutos), intelectuais, do sexo masculino, que tenho. Eles nem se conhecem entre si mas têm em comum, além do amor às palavras, uma vaidade imensa, sem relação com a realidade do que eles são; um desejo de proteçao, de serem cuidados, de um governo forte, de um pai; o que nos leva à figura do professor; um ressentimento contra tudo, um sentimento de ultraje em relação aos bem sucedidos em qualquer área. Quer dizer, bate com essa teoria da escola, é por aí mesmo, parece, mas acho que tem algo mais, está faltando alguma coisa. Grande abraço,
M

Tambosi disse...

É isto, Marília. Aqui, além de tudo, prolifera não apenas o ressentimento, mas um sentimento de inveja. Procura-se a todo custo derrubar quem consegue algum sucesso, do futebol às artes etc.

Blogue da Magui disse...

O pensamento e livre.Para mim , quem nao gosta do capitalismo e quem nao sabe ganhar dinheiro.
http://somagui.blogspot.com

shirlei horta disse...

O texto inteiro - da primeira à última palavra - me lembrou alguns "intelectuais" que se fixaram como tal durante a ditadura militar. Hoje, ricos, um ego maior que o continente, saem correndo atrás de dinheiro sem nenhum pudor, e mantendo o discurso útil de "direita raivosa" e outras imbecilidades. Pessoas que vão ao palácio do planalto buscar medalhinhas, tiram foto com o presidente, voam de primeira classe para o pied-à-terra à Paris onde usufruem o que roubam dos pobres do Brasil. Garanto que minha maturidade tem pena da minha juventude: enriquei muita gente besta por aí.

Santa disse...

Tambosi, o texto é claro como água.

Queria entender certos intelectuais, artistas que defendem o anticapitalismo mas na hora H sucumbem a grana. Muuuuita grana. Acho uma imoralidade pagar R$ 100 mil a Chico Buarque para cantar durante 15 minutos. No que ele se defende: se fosse para uma multinacional pagar seria barato. Ah,tá!

Bjs

Fernando Bertoldi disse...

Realmente, o argumento é simples e verdadeiro.
No meu curso, Ciências da Computação, existem dois tipos de mentalidades, os tecnólogos e os "nerds". Os primeiros acreditam que se trata de um curso técnico para jogá-los no mercado, não se interessando pelo fundamento matemático e lógico da matéria. Geralmente estes se dão bem no mercado, apesar de terem apenas arranhado o conhecimento. São os usuários da tecnologia. Os segundos vão a fundo na parte teórica, estudando aquilo que justifica o curso ter o nome de "ciência" da computação. É um curso que eu gosto porque vc pode se dedicar
a coisas mais teóricas ,como lógica e matemática, e ainda assim ser razoavelmente bem pago. Nele não existe esse ressentimento do mercado.

shirlei horta disse...

Santa pegou na veia.... Chico não dá entrevistas, mas se o cachê for $100 mil..... Bom, aí ninguém é de ferro, né? Faz campanha politicamente correta pela proibição da venda de armas (dizendo um dos textos mais imbecis que já ouvi na vida - "vote pela vida" - do que deduzo que votei pela morte), mas se cala quando uma associação de bairro do Leblon faz campanha para "afastar os pobres do local", para que procurem outro lugar para mostrar sua feiúra aos ricos bien nées. Como faz falta ler Baudelaire hoje em dia!!!!!

Serjão disse...

Obrigado pela Dica. Imprimirei e depois relato as impressões. Parece ser bom. Um abraço

O Direitista disse...

O argumento é tentador, mas devo me opor. É possível que existam de fato alguns fatores "psicológicos" que ajudem a definir uma ideologia política. No entanto, esta abordagem é traiçoeira. Da mesma forma como foram sugeridos motivadores para a ideologia de esquerda, é possível determinar (talvez até motivadores parecidos) alguns traços da personalidade dos direitistas. O que interessa não é o sujeito da ideologia, mas a ideologia ela mesma. Direita e esquerda ou capitalismo e anti-capitalismo (ou alguma outra oposição qualquer) devem ser julgadas (trata-se de julgar e escolher, por quê não?) pelo que são e pelos princípios que defendem.

Abs