sábado, 26 de agosto de 2006

E viva a ideologia!

AMÉRICA LATINA É O NOVO FAROL DA CIVILIZAÇÃO !?!

Depois do escritor paquistanês Tariq Ali, agora é o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, figurinha carimbada em encontros de esquerda, que identifica na América Latina o novo farol da civilização. A região seria, nada mais, nada menos que "o centro de resistência ao capitalismo global", que mostra ao mundo "os limites da democracia liberal" e cria "substâncias e formulações caseiras". E onde estão os exemplos dessa solução caseira? Ora, ora, na Venezuela de Chávez e na Bolívia de Morales.

A platéia para a qual ele disse isso não poderia ser mais atenciosa: os sociólogos, ideólogos e cientistas sociais reunidos na IV Conferência Latino-Americana de Ciências Sociais (Clacso), realizada na UERJ, no Rio de Janeiro, para discutir a "reinvenção da democracia" (toc, toc, toc). Um encontro que só poderia culminar, sem surpresa, na eleição de Emir Sader como novo secretário-executivo da Clacso. Agora vai!

Quanto a Boaventura, sua posição também não surpreende. Relativista pós-moderno lá na velha Coimbra (!), escreveu livros como Introdução a uma ciência pós-moderna e Um discurso sobre as ciências, onde afirma coisas assim:

A ciência social será sempre uma ciência subjetiva e não objetiva como as ciências naturais; tem de compreender os fenômenos sociais a partir das atitudes mentais, e do sentido em que os agentes conferem às suas ações, para o que é necessário utilizar métodos de investigação e mesmo critérios epistemológicos diferentes dos correntes nas ciências naturais, métodos qualitativos em vez de métodos quantitativos, com vista à obtenção de um conhecimento intersubjetivo, descritivo e compreensivo, em vez de um conhecimento objetivo.

Bom, isso aí pode ser tudo, menos ciência. Aliás, o velho sociólogo também já escreveu que "a ciência moderna não é a única explicação possível da realidade", nem é "melhor que as explicações alternativas da metafísica, da astrologia, da religião, da arte ou da poesia." Feyerabend, o pai do "anarquismo metodológico, aplaudiria de pé.

Diante de um relativismo tão elástico, também não espanta que Boaventura se entusiasme com "soluções caseiras" para a democracia. Desde que seja na casa dos outros, claro.

Mas reconheça-se: aqui no Bananão ele estava na campanhia certa para dizer o que disse. Viva a ideologia, abaixo a ciência.

18 comentários:

Aluizio Amorimn disse...

Caríssimo Tambosi:

conheço esse portuga sempre festejado pelos pós-modernos e toda essa turma palavrosa e que não sabe nada da teoria do conhecimento. Em suma: não tem a mínima idéia do que seja ciência. Esse trecho que vc reproduz do portuga (admira-me, é professor de Coimbra e doutor! e sempre reverenciado pelos esquerdóides), dá a medida exata do tamanho do equívoco no qual labora o indigitado professor de Coimbra. Ora, a análise de quaisquer fenômenos, sejam eles do âmbito das ciências idiográficas ou nomotéticas, terão que ir além de mera interpretação metafísica. É uma velha querela das ciências sociais que perdura até hoje. O que mais se aproximou do viés científico no exame de questões da ordem idiográfica, foi Max Weber. Como não viajava na maionese, criou o famoso conceito de "tipo-ideal" que a maioria desses sociólogos de araque até hoje não entendeu. Claro, nunca estudaram filosofia da ciência. Daí fazem uma brutal e estúpida confusão entre ciência e ideologia. Argh! Como o primeiro requisito para se fazer ciência é afastar o fantasma do preconceito, torna-se praticamente impossível que toda essa gente que lidera as hostes esquerdistas um dia possa ter um lampejo de sabedoria.

abs
Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net

O MULTIFÁRIO disse...

América latina, berço de sexta raça da humanidade, liderará o mundo do terceiro milênio. Está aí o Chaves, candidato da China para o Conselho de Segurança da ONU, que confirma o vaticínio de Dom Bosco

Passarim disse...

Professor,

Segundo meu amigo Guilherme, o posicionamento "indica que eles estão mais perdidos do que cego em tiroteio. Pode reparar: primeiro, confundem democracia com Estado, depois mascaram a democracia com vestes de tirania, ou seja, no paraiso democrata todos são iguais. Isso me lembra mais o "centralismo democratico" de Lenin do que uma democracia de igualdade e oportunidades. O mais interessante é que o Avritzer diz sobre Estado forte e Estado fraco. Ora, ou é uma coisa ou outro: ou oprime a sociedade e deixa a as outras funções livres, mas acaba com as liberdades individuais, ou deixa as pessoas livres ou oprime por meio das outras funções estatais, mas isso redunda em um contra senso contra a democracia de escolha e oprtunides! Esses sociologos... acho que na verdade democracia para eles é o que menos importa. Importa mesmo é er um bom emprego dado pelo Estado." Concordo com o Professor e Guilherme. Abs. Jarbas

Nara disse...

A área de sociologia da UERJ virou um "emirado" (comandado pelo Emir hehe)

Augusto disse...

Se isto é luz, prefiro o breu da escuridão.

Abraço

Saramar disse...

Tambosi, boa tarde.

A América Latina, coitada, parece predestinada a acolher esses loucos mal intencionados e mentirosos.
Cansados de saber que sua pregração é falsa e seu discurso é cego diante do mundo moderno, conseguem aqui, encontrar acolhida, eles que são aventureiros que jamais pensam na realidade do país ou do mundo.
É triste, muito triste.
Quando será que conseguiremos nos livrar desses mistificdores, como o mundo quase todo já o fez?

Anônimo disse...

Tambosi,

porque será que algum jornal impresso não o contratou como articulista?

Abs., Amadeu (pensando aqui, melhor seria dizer Amadiaboli).

Renato C. Drumond disse...

Pelo menos o Feyerabend, se bem interpretado, faz algum sentido. Mas esse "ociólogo" é vigarista mesmo.

ph disse...

Sobre isso, sugiro dois livros: Filosofia da Ciência Social (Rudner) e Uma Teoria Econômica da Democracia (Downs). O primeiro comprei num sebo em São Paulo e o segundo numa livraria da UFSC. Ambos ótimos.

Felipe disse...

Sobre isto o que, ph? Esse pessoal tá dizendo que a AL é a salvação?

Tambosi disse...

Caríssimos,

até aqui sigo o Augusto: se isto é luz, prefiro as brumas (da Inglaterra, é claro).

Ricardo Rayol disse...

"A ciência social será sempre uma ciência subjetiva e não objetiva como as ciências naturais" DISSE O ÓBVIO "; tem de compreender os fenômenos sociais a partir das atitudes mentais, e do sentido em que os agentes conferem às suas ações, para o que é necessário utilizar métodos de investigação e mesmo critérios epistemológicos diferentes dos correntes nas ciências naturais, métodos qualitativos em vez de métodos quantitativos, com vista à obtenção de um conhecimento intersubjetivo, descritivo e compreensivo, em vez de um conhecimento objetivo." E COMPLEMENTOU FALANDO ABSOLUTAMENTE NADA. Essa raça é de lascar. É óbvio que se avaliar qualquer processo envolvendo ações sociais deve-se utilizar formas qualitativas. Afinal não é ciência exata. Porém, quando se trata de qualidade o subjetivismo aparece e daí cada um prova o que quer.

Saramar disse...

Tambosi, preciso lhe enviar um email.
Pode me escrever? saramar104@yahoo.com.br
Obrigada.

Tambosi disse...

Querida Saramar,

o e-mail está disponível ao lado, na página, mas já mandei.
Em todo caso, repito: o.tambosi@uol.com.br

Zappi disse...

Olá Tambosi!
Sei que você pensa assim também mas só para deixar registrado para os leitores: a Ciência moderna não é uma explicação da realidade, nem quer ser. A Ciência é uma maneira de descrever o universo que compete com todas as outras. Tem uma incrível vantagem sobre todas as metafísicobruxoparanormalíticas: funciona para fazer previsões e é consistente. Sua âncora no método experimental é o que garante a sua conexão com a realidade. O resto é pura balela. O que é inacreditável é que pessoas ditas inteligentes vem com essa história de que a Ciência compete com outras explicações... a Ciência ganhou há muito tempo! Só não vê quem não quer ver. Não estaria teclando estas linhas em um computador se não fosse assim. E ele não veio do além, não...

Nemerson Lavoura disse...

E são esses medíocres aí que vão dar "aulas de sociologia" (só botando entre aspas mesmo!) para as nossas crianças. Salve-se quem puder!

ph disse...

Desculpe-me Felipe, ficou mesmo confuso. São livros que tratam do que vem a ser a ciência social, se ela pode ou não seguir os padrões epistemológicos das ciências naturais, etc. Bom, Rudner diz que há, sim, conhecimento social objetivo e Downs (como diz o título do livro) vai na mesma linha, com uma abordagem dos fenômenos políticos do ponto de vista da teoria econômica neoclássica (racionalidade dos agentes); ou seja, contra o relativismo ideológico deste pessoal.

Tambosi disse...

Zappi,

é isto. Não há "ciência alternativa", como pensam os que falam em ciência "oficial" ou "tradicional". Ou a gente conhece, ou ignora. A "alternativa" ao conhecimento é a ignorância, coisa farta e incentivada aqui no Acampamento Brasil.

PH,

boas dicas,

vou atrás dos dois livros, que o ignorante aqui não leu....

Abs.