Quarta-feira, 11 de Outubro de 2006

O fascismo bate à porta

Lulistas queimam revista em praça pública

Estudantes de um comitê pró-Lula em Teresina (PI) queimaram a revista Veja hoje na rua. Motivo: a edição desta semana traz na capa o candidato Alckmin. Durante o ato, que lembra os anos truculentos do nazi-fascismo, "os estudantes acusaram a revista de ser tendenciosa e ter realizado, desde o início do governo Lula, uma campanha para desmoralizá-lo através de suas reportagens."

O pensamento único se consolida cada vez mais no Acampamento. Quem pensa diferente é inimigo. A crítica, hoje, é menos tolerada do que foi na ditadura, que Lula faz tanta questão de lembrar no aspecto econômico.

Este lamentável episódio no Piauí é um aviso para o que pode acontecer no país com a reeleição de Lula.

Update: e relembre-se Arthur Koestler, aqui evocado outro dia. Vale repetir: "Hitler est mort, vive le fascisme" é uma possível variação para os futuros anos e seria melhor se nos compenetrássemos disto de uma vez, se não quisermos ter surpresas, exatamente como no caso do domador que foi dormir com a cabeça na boca do leão. O fascismo não será vencido somente nos campos de batalha; deve ser vencido no interior dos cérebros, dos corações e das glândulas; pois é simplesmente uma palavra nova para um estado de espírito muito velho.

27 comentários:

Blogue da Magui disse...

Vai acontecer.Eu já lhe digo,amigo meu que votar no Lula vira meu inimigo.

ph disse...

Por isso é que estou arrumando a papelada pra me mandar daqui. Se der certo, bye, bye!
abs

Cfe disse...

Lembram, ainda há pouco tempo, quando o PT adorava criticar o PFL e outros por ser um partido dos rincões?
Pois ilha o absurdo que eles estão dizendo:

(Como se o Luis Fernando Verissimo se preocupasse com o Sertão...)

Do Blog do Zé Dirceu:

“ - Non pasarán! – os mineiros têm a obrigação de dizer. A trajetória política do Lula serviu para provar que a alma humana é que atrapalha todos os mais nobres planos de salvação de um povo. A verdade é que ninguém, mas ninguém mesmo, ama o povo. É tudo conversa.”

“As pessoas se movem em torno do poder e só depois é que descobrem uma causa para justificar sua luta por ele (o poder). Enquanto o ser humano, como indivíduo, mover-se em função do rancor, da carência afetiva e da inveja, não haverá possibilidade de êxito para qualquer causa coletiva.”

“Mas isso é outra história. O Luis Fernando Veríssimo descobriu a pólvora: Lula é o sertão – vejam sua vitória no Norte e Nordeste; na alma do povo ele é mais de lá do que de São Bernardo – e o Alckmin é da Daslu.”

“Delenda Daslu! Não é possível que nós, mineiros – depois de termos cometido o erro que o Itamar cometeu, este de inventar essa deletéria figura do Fernando Henrique – vamos agora eleger o Alckmin.”

“ - Um erro, nós admitimos, dois, não. – como diria o macaco que não devolveu o troco a mais na primeira compra e exigiu o troco a menos na segunda.”

O MULTIFÁRIO disse...

PH,
daqui aonde ? Se não se mandar deste planeta, você sempre estará presente na Internet,

ph disse...

É verdade, Multifário :) Digo, me mandar do "acampamento", como diz o professor.
abs

Anônimo disse...

Que ato triste. Vem sempre à mente a fúria do piromaníaco (ou vários incêndios) da Biblioteca de Alexandria. Não se queima a palavra que encerra uma idéia, é incendiar a inteligência. O pensamento fica reduzido a cinzas, tudo acabado e nada mais. O texto afasta a definição de vandalismo e desordem pública.

Tambosi disse...

PH,

vou contigo!

NARA disse...

Fahrenheit no sertão. A coloração dos petralhas nunca me enganou. Tem vermelho por cima, mas embaixo a cor é pretíssima

Anônimo disse...

É absurdo queimar a revista, mas que há páginas de muito má qualidade nela, isso há. Exemplo: dizer que o Geraldo já tem um plano de governo... conta outra.

romeu martins disse...

Há um tempinho comentei aqui o caso de um estudante de História (!) e dono de banca de revistas, lá do Rio Grande do Sul, que andava boicotando a Veja e estava sendo considerado herói em alguns sits de esquerda.

É isso, sinal da nova democracia que se anuncia.

Renato C. Drumond disse...

Que a Veja é tendenciosa contra o Lula e o governo do PT, estamos carecas de saber. Mas, até onde eu saiba, isso não é crime. E eles não se fazem de isentos.

A loucura chegou a tal ponto que alguém acha inteligente acusar um veículo declaradamente parcial de ser...parcial!

Que eles continuem lendo Carta Capital e Caros Amigos, que fazem jornalismo imparcial e "inteligente" e que, só por uma desas coincidências do destino, apóiam Lula.

Tambosi, eu não sei nada de jornais, mas me corrija se eu estiver errado: eles não surgiram justamente para defender uma determinada causa, se colocar contra um governo específico e tal?

shirlei horta disse...

Obscurantismo. Eu estudei isso aí na escola como obscurantismo. Foi um dos maiores pesadelos da minha adolescência, eu que sempre gostei de ler e escrever.

Zappi disse...

Já que ninguém lê livros no Brasil eles queimam revistas (1984...1984...).

Uma certa revista, que não quer ser queimada, mostra claros sinais de emlulamento: veja aqui

Valentina Wainer disse...

Queimar uma revista em ato público, seja ela qual for, sim é errado.

Mas mesmo que a veja tenha declarado guerra ao Lula e demontrado todo esse ódio semanalmente e mesmo que admita sua parcialidade, ela tem sim feito um jornalismo muito irresponável.

Seu complô anti-lulista passou do aceitável para o irresponsável na materia em que a revista dizia que o Lula tinha contas no exterior, sem que tivesse provas nenhuma.

No final da matéria o repórter mesmo anula tudo que havia dito antes ao dizer que a veja não conseguiu provar se o Lula tinha ou não contas no exterior.

Isso é certo? Existe alguma justificativa para uma revista publicar uma matéria inteira sobre suposições de um editor maluco que quer fazer a critica pela critica ao Lula?

Não voto e nem sou à favor do candidato Lula. Sou sim defensora de um bom jornalismo. Longe do que que a Veja tem feito.

Agora vou ler minha Carta Capital Renato c. Drumond...E você continue acreditando no que a Veja diz...

Fausto disse...

A MOÇA AÍ DEVE SER NETA DAQUELE JORNALISTA CANASTRÃO, O SAMUEL; ESSE SIM É QUE FAZIA JORNALISMO DE PRIMEIRA, HEIN?

Valentina Wainer disse...
Esta postagem foi removida pelo administrador do blog.
Valentina Wainer disse...

Não tenho nenhuma relação de parentesco com Samuel Wainer.

Fausto disse...

ENTÃO É UMA PETRALHA COM PSEUDÔNIMO HEHEHE
SEJA BEM-VINDA

Renato C. Drumond disse...

Cara Valentina, em nenhum momento eu disse que acho o jornalismo da Veja bom, apenas comparei as posições declaradas das duas publicações. Se a Carta declarar que apóia Lula, de maneira aberta, ok. Mas agora se dizer imparcial e objetiva, aí já é demais.

Também acho que a Veja exagerou em muitos matérias de capa e não gosto do tom simplista das reportagens. Mas não vejo grande diferença para o jornalismo feito pela carta, também simplista e acusatório.

Até uma próxima.

Renato C. Drumond disse...

Só mais uma observação: é verdade que a Carta declarou apoio a Lula, mas o fez como se fosse meramente uam decisão sobre a eleição, como se não tivesse apoiado o governo ao longo desses 4 anos.

Renato C. Drumond disse...

Tambosi, desculpe escrever terceiro comentário seguido mas é que as idéias me vem aos poucos. Tentando esclarecer meu ponto:

1-a Veja é criticada por muitos por tomar partido. Acho que o jornalismo deve sim poder tomar partido, e que, no fim, sempre toma. Outros veículos tomam partido apenas de maneira velada, não explícita.

2-que se critique o jornalismo da Veja, a sua qualidade, é uma crítica distinta da tomada de partido feita por ela. Mesmo o jornalismo "isento" pode fazer mau jornalismo. Inclusive a preocupação por "não tomar partido" acaba retirando do jornalista a capacidade crítica, fundamental para destrinchar certos fatos.

3-Estamos, portanto, diante de duas questões distintas: a tomada de partido e a qualidade do jornalismo. Da primeira, a tomada de partido, não se deduz a segunda, a qualidade do jornalismo. Da motivação de um ato não se deduz as conseqüências desse ato.

Kenji disse...

eu sou contra comprar a veja para queimar em praça pública.

afinal, estão dando dinheiro para a revista.

felizmente não queimaram a banca de jornais. Igual se fazia neste país uns 30-40 anos atrás...

marcelo soares disse...

Vamos lá, ponto a ponto.

a) Numa democracia, a opinião é livre. Faz parte do jogo democrático haver idéias diferentes sobre como organizar e gerir o Estado. Anti-democrático é julgar que apenas uma corrente está correta e que as outras só podem ser formadas por imbecis ou golpistas.

b) Numa democracia, qualquer publicação tem o sagrado direito de ter a opinião que seus donos bem-entenderem.

c) Ter uma opinião, porém, não justifica dar as costas às notícias que nela não se encaixem. Também acho complicado editorializar a notícia. Não acredito que isso "manipule mentes influenciáveis". Mas, por qualquer medida razoável, tudo isso é mau jornalismo.

d) Publicar na capa a foto de um político em campanha não é "golpismo", como li por aí. Aliás, o que estranhei foi a demora pra publicar a foto do Alckmin na capa. Fazer outdoors a respeito pode ferir a draconiana lei eleitoral brasileira, mas isso o TSE já julgou.

e) Já faz algum tempo que a Veja editorializa suas matérias, especialmente as de política, do começo ao fim. Chega a me doer no fígado quando leio. Ergo, não compro. Desde que o Lula se tornou presidente, a CartaCapital faz o mesmo, com viés contrário. Também me dói no fígado quando leio. Ergo, não compro.

f) Uma revista vive de suas vendas, que garantem a receita dos anúncios. Qualquer leitor tem o sagrado direito de simplesmente não comprar uma publicação cuja opinião não lhe agrade e instar seus amigos a fazer o mesmo.

g) Queimar uma revista cuja opinião não feche com a sua é um tiro no pé de quem a queima. Primeiro, porque para garantir alimento à fogueira é preciso comprar a revista (e ela vai embolsar seus trocados da mesma forma, pelo que certamente o departamento de circulação é muito grato). Segundo, porque garante uma imagem forte para a revista se dizer perseguida por intolerantes, o que é o caso mas não é nada saudável para a democracia.

h) Quem ganhou com o episódio todo? Possivelmente, a revista. Os sem-noção do Piauí é que não foram...

Tambosi disse...

Renato, fique à vontade para comentar sempre que quiser.

Algumas considerações, que acho também que contemplam algumas idéias postas pelo Marcelo.

Acho que uma revista não deve se ater ao factual. O factual já nos é dado pelos jornais. E é rotina miserável ver que os jornais dão no dia seguinte o que a TV mostrou ontem e as revistas fazem um "apanhadinho" da semana. Jornalismo pobre.

Uma revista deve analisar e comentar os fatos da semana, e, bem ou mal, a Veja faz isto melhor que as concorrentes. Destoa do pensamento único que tentam nos impingir. Revista é crítica, interpretação, análise. A factualidade que fique com os jornais e a TV. Se as poucas análises que saem por aí são inconsistentes, que se critique, mas não é necessário tocar fogo.

No geral, o fato é que a imprensa antes tida como crítica - caso da CartaCapital e publicações semelhantes - silenciou vergonhosamente ante o governo Lula e seus desvarios. Resumindo: eram críticos, não são mais.

Veja mantém sua posição crítica. Não se pode acusá-la de ter silenciado na época de FHC (e o que está em jogo não é FHC, mas os quatro horrendos anos do lulo-petismo). Bem ou mal, mantém um padrão - e acho ótimo que desagrade a maioria dos que lidam com a mídia.

No mais, pretendo fazer um artigo, para depois das eleições, sobre a miséria do jornalismo brasileiro. Perderei as últimas amizades que me restam. Picles: a minha geração de jornalistas é um absoluto fracasso profissional, moral e intelectual. Talvez por isso tenha simpatias com um governante semi-alfabetizado.

Abs.

marcelo soares disse...

Concordo que revistas têm que ter mais interpretação, mas a interpretação das revistas brasileiras decaiu muito. Eu pessoalmente sinto saudade da CartaCapital da época do governo FHC. A crítica que ela fazia era de alta qualidade. De fato, a Veja não se calou no governo FHC como a CartaCapital se calou no governo Lula. Enfim: entre Veja e CartaCapital, minha favorita continua sendo a britânica Economist...

Valentina Wainer disse...

(teclado sem acento ou usuario sem habilidade)

Caro Renato, que bom saber que voce nao concorda com o tipo de jornalismo realizado pela Veja.

O jornalismo impresso de hoje em dia precisa, definitivamente, de um diferencial. Assim como comentou Tambosi, qual o interesse que um jornal ou revista escrevendo no ultrapassado estilo que/quando/onde/porque desperta num leitor que ja recebeu todas essas informacoes pela internet e televisao?

Sim, as revistas brasileiras precisam nos mostrar a analise do fato, o que ele significa no contexto em que vivemos. E isso ainda pode ser escrito de uma forma diferente, mais maleavel do que nos textos "duros" de jornais, feitos dessa forma pelo tempo escasso.

Toda a empresa jornalistica pode tambem ter sua opiniao. Nao sou contra isso, ate porque o jornalismo imparcial e uma grande utopia. Deixe que eles assumam sua opiniao. Mas que ela seja assumida no editorial da revista.

O que discordo e de quando a opiniao da revista ultrapassa seu espaco delimitado e passa a prejudicar a qualidade da informacao. Antes de qualquer coisa o papel das revistas e com o leitor. Ela deve informa-lo e respeita-lo.

Nao sou contra a Veja ter uma linha editorial anti-lula ou a Carta uma a favor. Sou contra a publicacao de inverdades, de criticas sem fundamentos. So para difamar tal candidato. E e isso que a veja tem feito.

Mas a verdade e que sao poucas ou inexistentes as boas revistas brasileiras. Ja folhei muitas e continuo com a Carta. Para mim, ela ainda devota certo respeito ao seu leitor. Tem responsabilidade.

A Economist deve ser boa, sim. Mas reflete uma realidade muito diferente da nossa. Quem me dera fosse a realidade brasileira. Leitura complementar, talvez...

César disse...

"Onde queimam livros, acabam queimando homens."(Heinrich Heine, Almansor, 1821)

Com uma pequena adaptação, essa frase diz tudo sobre onde manifestações como essas podem nos levar...

Abraços

César