sábado, 20 de janeiro de 2007

Os exilados da era Lula


A data de hoje, 20 de janeiro, marca os cinco anos do desaparecimento do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, seqüestrado em circunstâncias estranhas numa rua de São Paulo ao sair de uma churrascaria com um amigo (o "Sombra"), e torturado e assassinado dias depois. Para manter vivo o caso, ainda envolto em mistério, Shirlei Horta criou um blog em que juntará material sobre o tema e colaborações dos cidadãos interessados na apuração e esclarecimento desse assassinato.

Como lembra o
Blog do Deu no Jornal, há duas teses conflitantes sobre o caso: as investigações da Polícia Civil de Santo André concluíram que se tratou de crime comum; já o Ministério Público de SP sustenta que o assassinato teve motivação política, uma vez que Celso Daniel teria se rebelado contra um esquema de corrupção política instalado na prefeitura.

A gigantesca rede de corrupção montada, logo depois, naquilo que o país estarrecido conheceu como "valerioduto", levantaria suspeitas ainda maiores sobre os motivos e circunstâncias da morte do ex-prefeito. E mais suspeitas vieram com a estranha morte de testemunhas do crime, agravadas com o desaparecimento, igualmente, do legista que constatou marcas de tortura no cadáver de Daniel.

Foi tudo acaso, mera coincidência?

O fato é que Celso Daniel não era apenas um ex-prefeito interiorano: seria o coordenador da campanha de Lula à presidência da República e, vivo fosse, certamente teria ocupado um lugar de destaque no governo. A quem interessaria seu desaparecimento? É esta a pergunta que o país ainda se faz.

Numa república que merecesse o nome, não pairariam dúvidas sobre esta sucessão de crimes, nem a investigação sofreria embaraços. Mas o que se viu? O que se viu foi que os próprios familiares de Celso Daniel foram ameaçados, perseguidos, intimidados - e, sem amparo, muitos deles estão no exílio.
São os exilados da era lulo-petista.

Que este caso não fique em descaso.

10 comentários:

shirlei horta disse...

Perfeito, tudo que se quer dizer mas alguém tem que juntar, letrinha após letrinha, até formar o conjunto harmônico. Obrigada, por sua adesão, obrigada por sua ajuda, às vezes na madrugada, obrigada por ser alguém que vale a pena conhecer.

Zappi disse...

Muito boa iniciativa.

Eu estou iniciando uma outra:
"Vamos consertar o Brasil", veja o post aqui.

Gostaria de saber sua opinião. Por que não adotar algum ítem e mandar bala?

Um abraço,

julia disse...

Tambosi,

Vou acompanhar tudo mas não posso dizer nada sobre o assunto por não ter vivido a situação deste caso.Abrs

Anônimo disse...

Amigo Tambosi,

Numa investigacao criminal nao existe a figura do acaso, da coincidencia.

Um bom policial sabe disso.

O que houve, eh que nao havia interesse em descobrir a verdade.

Porque? Isso eh que tem que descobrir.


Abs.

Pedro Goulart

Tambosi disse...

Shirlei,

a louvável iniciativa é sua, e o mérito todo seu. Apenas colaborarei no que puder, aqui no matão (rs).

Fábio Max disse...

Só o fato do desaparecimento de 7 testemunhas, já enseja qualquer afastamento da idéia de crime comum, porque em crimes comuns isso não acontece.

Qualquer policial sabe disso, qualquer promotor de Justiça também.

Nara disse...

O "divino" assessor de Lula, nas festanças alcunhado de Frei Betto, não vai rezar nem uma missa para o seu correligionário? O ex-padre Boff não vai dizer nada? Entendo, eles só tem tempo para malhar os Estados Unidos e louvar as ditaduras; que gente repugnante

Blogue da Magui disse...

Seu texto está excelente na transmissão das dúvidas e das coisas obscuras.Vc conseguiu transmitir muito bem.Eu acompanhei o caso de longe e estes detalhes que vc citou passaram tb longe da minha percepção.Mas vc colocou mt bem para todos que estiverem iguais a mim e possam captar as suas sutilezas.

Ricardo Rayol disse...

Um caso para hercule Poirot sem duvida

Debora disse...

Professor,
Nesse caso se esconde "o lado negro da força"...