segunda-feira, 31 de março de 2008

Idolatria do pobrismo

Denis Rosenfield, um professor de filosofia que se dedicou a Hegel (pensador que eu sempre critiquei, no meu ataque ao marxismo em geral, que é seu verdadeiro herdeiro dialético), escreve um bom artigo hoje no Estadão. O título é "Impostos e fortuna". Valha o trecho citado:

Nem sempre a fortuna dos impostos é a felicidade dos cidadãos. Na maior parte das vezes, o contrário é o verdadeiro. Como não poderia deixar de ser num governo que não consegue equacionar os seus gastos, novos tributos surgem no horizonte, tanto mais imprevisíveis quanto mais se apresentam sob a forma do politicamente correto. Se há algo em que este governo tem sido bem-sucedido é em recorrer a uma argumentação de tipo social, insistindo que busca somente o contentamento dos desvalidos. Esconde, assim, não apenas a sua própria incompetência no trato da coisa pública, como, de forma mais abrangente, oculta o processo de burocratização da sociedade e de fortalecimento da própria máquina estatal. O Estado se torna cada vez mais refém das corporações sindicais, dos movimentos sociais e do PT. Considerando que a partidarização e a sindicalização do Estado não são bem vendáveis junto à opinião pública, o governo lança mão de artifícios retóricos, utilizando-se da demagogia.

Em relação aos impostos, apenas repito o que disse em posts abaixo: a classe média banca o Estado e é demonizada por picaretas que vivem de Ongs e movimentos à sombra do Estado, mas à margem da lei. Hoje, quanto mais fora-da-lei, mais estatal. Vide MST e seus acólitos.

P.S.: por sinal, a revista Época, na reportagem "O movimento dos sem-rumo", enfim mostra o que sempre foi dito aqui: que o MST já não pensa em reforma agrária (extemporânea, uma vez que 87 por cento da população é urbana), mas elege como inimigo a economia de mercado e as empresas privatizadas, como a Vale do Rio Doce. Em poucas palavras, é um partido político nos antigos moldes do comunismo. D. Tomás Balduíno, patrono do exército de Stédile, já ordenou isto faz tempo, promovendo ataques à pesquisa científica e ao "demoníaco" agronegócio.

2 comentários:

Maria do Espírito Santo disse...

Pessoas racionais e adultas sabem reconhecer mérito em pessoas que advogam princípios antagônicos aos delas mesmas...
Já algumas crianças passionais que passeiam por aqui cuja primeira letra do nome é Maria do Espírito Santo...
Valeu, meu também "fessô" por empréstimo e à distância! Só aprendo quando vejo a coisa acontecendo "na prática". E este post foi exemplar!
Um dia eu ainda cresço...

Orlando Tambosi disse...

Deixa pra lá, Maria...