O resto é autoritarismo
Não vou falar sobre 1964. Ditaduras merecem resistência e, depois, findas, o silêncio das anistias. Os comandantes militares da época já morreram. O que vem depois alimenta as posições político-ideológicas tanto da chamada direita quanto da esquerda, todas em busca de alguma vingança ou indenização sem-vergonha, principalmente no caso das "esquerdas".
Para mim, essa dicotomia morreu em 1989. Apenas observo que, no Grotão, tanto o que se tem por direita quanto o que se tem por esquerda não passa de autoritarimo, isto é, antiliberalismo.
O divisor de águas, hoje, é a questão da democracia: contra ela, temos autoritários e ditatoriais tanto à esquerda quanto à direita. Nunca existiu liberalismo por aqui, apesar das siglas e nomes reivindicados. Temos apenas vertentes autoritárias dos dois lados, igualmente antidemocráticos.
Meus valores: defesa da democracia e das liberdades. Mesmo que fale sozinho e seja maldito entre nostálgicos de um mundo que já morreu. E morreu tarde. Chega de discurseira antiquada! Basta de ideologias!
P.S: aliás, já falei disso aqui em 2006.
7 comentários:
Mas que anticomunista!!!!
Não resisti à ditadura militar brasileira: tinha muito medo e pouca idade.
O pior mal que a ditadura me causou foi ter-me transformado numa rebelde sem causa, ou talvez fosse melhor dizer numa rebelde das causas difusas e confusas.
Hoje sou capaz de perceber com clareza que entre o "Sou eu quem manda" e o "Agora é a nossa vez" não há nenhuma diferença.
Democracia descontaminada de radioatividade ideológica é o que há de mais difícil. Há quem encha a boca pra falar de Gramsci e não perceba estar ruminando grama velha de um pasto esgotado em 1989.
Democracia não resolve todos os problemas do mundo, mas uma mente de fato democrática resolve, pelo menos, suas próprias querelas com as onipotentes pretensões de ser absoluto e atuar em cima dessas ridículss pretensões.
O século XX amanheceu pedindo mais liberdade e, ao meio-dia, arfava sufocado sob o peso de ditaduras. No apagar das luzes, deixou a lição de que é melhor irmos nos acostumando com o estado democrático e de direito mesmo. Mas sempre há quem sinta saudades do almoço e viva a revirar as latas de lixo da História.
Só acho que, se os termos direita e esquerda esvaziaram-se de conteúdo para descrever a realidade, do mesmo mal, penso, não estão isentos os conceitos de democracia e de liberdades, bastando lembrar os desatinos que foram cometidos em seus nomes.
Minha proposta é mais modesta: utopias versus experiência.
Quão sensível é a sua bengala branca, Tirésias!
Não é apenas uma bengala branca e sim uma cruza de bengala com tromba de elefante!
Bengalante ou Elengala, viva a cegueira (e)vidente!
Tirésias, sua proposta está mais para epistemologia do que para política.
Democracia é o que restou na história, apesar de ser a mais frágil das formas de governo. Ela permite que seus próprios inimigos a derrubem, por fora ou por dentro, como o fascismo chavista.
Desatino se pode cometer em nome de qualquer coisa, mas isto não significa que a tal coisa seja contaminada.
Fora da democracia e das liberdades, só a longa noite do autoritarismo e das ditaduras.
Maria,
A sua generosidade é o óbulo que, apesar de mim mesmo, torna virtuosa a minha errância por mares tão contraditórios. Obrigado, mais uma vez.
Orlando,
A questão não é de contaminação, mas, sim, de fluidez. Pergunte a um liberal, a um social-democrata e a um comunista o que entendem por democracia e por liberdade. Posso estar enganado, mas creio que obterá três respostas diferentes, que se traduzirão em três propostas diferentes de ação política. Você pode até mesmo restringir o campo, limitando-o ao libertarianismo, por exemplo. Pergunte a Ayn Rand e a Milton Friedman como vêem as liberdades. Serão duas respostas diferentes. Não tenho dúvidas, contudo, que estamos de acordo no essencial. No balaio das ilusões perdidas, só resta mesmo o estado democrático e de direito.
Abraços.
Não basta ser contra isso ou aquilo, ser a favor de idéias lindas sem lutar por elas. A liberdade, como bem já falaram, é frágil, fugaz. A hora de reagir sempre chega, alguns a percebem tarde demais.
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