sábado, 11 de julho de 2009

Intelectuais e anticapitalismo

O blog tinha, na seção Arquivos à margem direita, um texto do filósofo Robert Nozick ("Por que os intelectuais são contra o capitalismo?") em espanhol. Só agora descobri que há uma tradução portuguesa. Merece (re)leitura. Aí vão alguns picles, observando-se que Nozick se refere principalmente a acadêmicos e jornalistas. O escrito mostra a tendência preferencial de certos grupos ao esquerdismo (a América Latina que o diga).

Não entendo por intelectuais todas as pessoas inteligentes com certo grau de instrução, mas aqueles que, por vocação, lidam com as idéias, expressam-se em palavras, moldando o fluxo de palavras que outros recebem. Esses forjadores de palavras incluem poetas, romancistas, críticos literários, jornalistas e numerosos professores. Não incluem aqueles que primordialmente criam e transmitem informação formulada de maneira quantitativa ou matemática (os forjadores de números) ou os que trabalham com meios visuais, pintores, escultores, câmeras. Contrariamente aos forjadores de palavras, as pessoas que se dedicam a essas profissões não se opõem ao capitalismo de maneira desproporcionada. Os forjadores de palavras de concentram em certos âmbitos de ocupação: as instituições acadêmicas, os meios de comunicação de massa, a administração.

6 comentários:

Anônimo disse...

Alô Tambosi.
este é o "cara"

no texto que vou ler mais detalhadamente,tem uma correção:
"os forjadores de palavras de concentram em certos âmbitos de ocupação: as instituições acadêmicas, os meios de comunicação de massa, a administração."
-os forjadores de palavras"""SE"""....

No popular eu diria que esta turma não quer é pegar no "pesado" e por se julgarem semideuses desejam uma sociedade(não capitalista)que lhes forneça tudo enquanto ficam divagando em pensamentos tocando uma harpa á beira mar ou rio, curtindo la dolce vita.
A sociedade capitalista é mais alérgica para encontrar e sustentar esta situação.
Fazendo uma analogia,é o que acontece com a classe política,que se julga e se mantém acima da plebe aqui embaixo,pelo menos em países tupiniquins e não capitalistas.
abraços
karlos

Anônimo disse...

A distância que separa intelectuais de vendedores de elixir cura-tudo nem sempre é grande. Muitas vezes é inexistente. Para serem levados a sério pelos tolos eles precisam dar a entender que são detentores do conhecimento de uma fórmula mágica capaz de criar um mundo perfeito e o que propõe sempre resulta em autoritarismo, na supressão da liberdade e dos direitos individuais.

Renato disse...

Tambosi

Não posso concordar totalmente com o autor. Na época em que ele escreveu, isso poderia ser verdade. Mas a realidade que vemos, pelo menos no Brasil, é diferente. Os 'intelectuais' esquerdistas brasileiros não são pessoas tão cultas assim. Muitas vezes, as pessoas que tem o melhor desempenho escolar são os menos afetados pelo esquerdismo.

Portanto, tem de haver um outro mecanismo válido hoje para a tendência esquerdista dos intelectuais. Já pensei sobre isso, tenho algumas idéias parciais. Posteriormente, gostaria de coloca-las aqui.

Anônimo disse...

Sugiro lerem o excelente artigo em:

http://www.dicta.com.br/edicoes/edicao-1/hayek-e-os-intelectuais/

Marcos-DF

Anônimo disse...

Poucos comentários neste post.

Cadê a Maria? Tão presente e os seus comentários acidos... Senti falta.

Tambosi, podes emitir sua opinião sobre a nova enciclica Caritas in veritate?

Marcos-DF

Maria do Espírito Santo disse...

Cá estou, Marcos.
É um artigo interessante, que eu já havia lido e comentado quando o Tambosi fez um post com a tradução para o espanhol.
Talvez eu repita o que já disse daquela outra vez, sei lá... Mas acho que o autor pega demais no pé dos artistas...
E penso que se os artistas fossem se "inspirar" no mercado para as suas produções estéticas, teríamos, talvez, Paulos Coelhos em série.
Mas, com relação às safras universitárias das ciências humanas, o cara não deixa de ter razão.