domingo, 23 de agosto de 2009

Acordo que Lula assinou com o Vaticano privilegia a Igreja Católica

O acordo assinado entre Lula e a Santa Sé na calada da noite representa um grave retrocesso em relação às liberdades e à separação entre Estado e religião no Brasil, segundo entidades como a AMB. Abaixo, a reportagem do JB, na íntegra:
O Estatuto Jurídico da Igreja Católica, em tramitação no Congresso Nacional, é um "retrocesso" no que se refere à separação entre Estado e religião, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), Daniel Sottomaior. O estatuto é um acordo diplomático assinado entre a Santa Sé e o governo brasileiro no final do ano passado, regulamentando as atividades da Igreja Católica no país. O documento tem 20 artigos e trata de pontos como os bens da Igreja e o ensino religioso em escolas públicas.
"É o maior retrocesso em termos de laicidade do Estado nesses 120 anos de república, porque o documento, de uma maneira só, estabelece uma série de privilégios para a Igreja Católica", disse Sottomaior em entrevista à Agência Brasil.
Uma afirmação semelhante foi feita pela Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), por meio de nota divulgada na última semana. "O acolhimento do Acordo pelo Congresso Nacional em que tramita como a Mensagem n° 134/2009 implicará em grave retrocesso ao exercício das liberdades e à efetividade da pluralidade enquanto princípio fundamental."
Como a Constituição proíbe a associação do poder público com representantes religiosos, o acordo é também inconstitucional, na avaliação da professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Roseli Fischmann. "Seria o Estado brasileiro mantendo uma relação de aliança com uma instituição religiosa que escapa as exceções previstas na Constituição."
Um dos pontos mais criticados do acordo é o que trata da religião nas escolas públicas do país. Ele determina que o "ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental."
Segundo Roseli Fischmann, apesar de haver a previsão constitucional de ensino religioso nas escolas públicas de nível fundamental, a inserção do "católico" extrapola a lei. Ela explica que a Constituição estabelece o Estado laico, separado da religião, mas abre algumas exceções restritas, como o ensino religioso. "As exceções devem ser interpretadas de maneira restritiva. Não pode ter religião católica como está falando no acordo", destacou.
A colocação da palavra "católico" vai também contra a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, na visão de Daniel Sottomaior. O texto da lei na parte que regulamenta o ensino religioso diz que estão "vedadas quaisquer formas de proselitismo apologia a determinado credo ". "Como o ensino vai ser católico e não proselitista? Ensino confessional relacionado a uma religião é proselitista por definição", explicou.
Sottomaior contesta ainda o uso de dinheiro e infraestrutura pública para disseminação de uma determinada crença. Ele reclama que o acordo determina o uso de "dinheiro do cidadão para financiar uma atividade que é da Igreja Católica: fornecer formação religiosa para os seus fiéis".
Para o presidente da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, "o acordo em nada atinge a laicidade do Estado brasileiro e muito menos a Constituição da República do Brasil". Para ele, é importante diferenciar Estado laico, separado da religião, de país arreligioso ou ateu, que não possui ou permite religião.

47 comentários:

Maria do Espírito Santo disse...

Não entendi o argumento de Dom Geraldo Lyrio Rocha, embora para o presidente da CNBB a distinção que ele proclama pareça ser claríssima.

Parece, mas não é.

Estado laico é Estado arreligioso, sim. Ou será que sou eu que não estou interpretando corretamente? Não estou não.

Outra mistura interessante que Dom Geraldo fez foi a de Estado e a de "país". Qualquer um sabe que Estado, país e nação não são sinônimos. Dom Geraldo, no entanto, usa Estado e país como se fossem sinônimos. E ainda acrescenta que país arreligioso ou ateu é aquele que não possui ou PERMITE religião...

Isto é que é utilizar a retórica para fins de sugestiva ideologia, valha-me são Espertinho!

O que é mesmo importante diferenciar é Estado de país, pra início de conversa.

O "nosso país" tem maioria católica em termos populacionais; sem dúvida, esse é um dado estatístico verdadeiro. Mas isso não tem nada a ver com o fato de o Estado brasileiro ser laico.

O Estado brasileiro é laico, ou seja, não possui religião: se possuísse, seria uma teocracia, o que não é o caso. Quanto a não permitir religião, só seria o caso do Estado brasileiro se a prática de qualquer religião fosse declaradamente proibida no Brasil, como foi na Rússia, como todos sabem.

Mas aí entra o pulo do gato de batina, ainda que só em "espírito": fazendo referência ao "permitir religião", ele sutilmente atrai para seu moinho teo-ideológico a simpatia de leitores ingênuos que irão associar a separação entre Estado e Religião às passadas proibições da religiosidade em "países ateus", como foi o caso da Rússia.

Os padres sempre foram hábeis esgrimistas da palavra... E continuam sendo, como provou mais uma vez Dom Geraldo Lyrio Rocha.

Orlando Tambosi disse...

Perfeito, Maria,

você destroçou a ardilosa arenga do bispo.

Cfe disse...

O texto não exprime de forma fidedigna o que foi dito por D. Geraldo.

Coloquei uma parte do texto no Google e achei página que indico abaixo onde nota-se a diferença entre o que a entrevista e o que foi relatado. Ainda de notar o contexto em que a afirmação é feita na entrevista.

A página tb faz referências a concordatas semelhantes com outros países (islâmicos e até a insuspeita França) e tb destes com outras denominações religiosas e daí podemos ver os reais contornos da questão.

Isso td acontece porque o Igreja católica dispõe de um estatuto de Estado reconhecido internacionalmente separando os comuns estados nacionais de sua estrutura. Se outras religiões seguissem seus passos seria melhor ou pior?

http://www.procade.com.br/noticias/presidente-da-cnbb-fala-sobre-acordo-da-santa-se-com-o-brasil/

Cfe disse...

A pergunta fatídica que desmonta qualquer tipo de favorecimento e põe a descoberto a questão é só uma:

O acordo bloqueia outro qualquer tipo de acordo com outras denominações religiosas?

Não pelo contrário: estrutura numa forma jurídica atual, o início um certo tipo de diálogo e relacionamento entre o civil e o religioso.

Cfe disse...

O âmago da questão para muitos, inclusive da muito isenta opinião do presidente da Atea, não é haver um acordo com a Igreja Católica mas de haver um acordo entre o estado e uma religião.

Anônimo disse...

Acordo entre Estado e religião é voltar à Idade Média. O negócio é o seguinte: Estado aqui, religião lá.

NF

Anônimo disse...

Quer dizer que a opinião da IC é isenta, CEF?


NF

Cfe disse...

"Quer dizer que a opinião da IC é isenta, CEF?"

Eu não afirmei isso. Mas já agora: alguem será?

Maria do Espírito Santo disse...

No endereço que você colocou no seu comentário, CFE, Dom Geraldo diz: O Estado brasileiro é laico desde a proclamação da República, porém laicidade não é sinônimo de Estado anti-religioso ou ateu.

Ora, pra mim não foi nada diferente do que foi apresentado na matéria que o Tambosi mostrou aqui. Trocaram o seis pelo meia dúzia.

Laico quer dizer leigo, como nós sabemos. No âmbito da igreja católica laico se contrapõe a eclesiástico, mas no plano do Estado, Estado laico se contrapõe a Estado teocrata.

Isso só não é sinônimo de "Estado ateu" porque o Estado é uma estrutura organizacional que não é, portanto, nem ateu nem crente.

Dom Geraldo, na reportagem que você indicou, separou Estado de sociedade. Mas eu achei meio esquisito aquele negócio de que o Estado tem que garantir (não sei bem se foi esse o termo) as práticas religiosas da sociedade...

Eu acho que quem tem que garantir as práticas religiosas de uma determinada sociedade são as igrejas, as mesquitas, as sinagogas, os terreiros de macumba, os templos dos hare Krishnas ou os mosteiros budistas.
O Estado tem que promover a educação, a segurança e a saúde da sociedade. O resto lhe será dado "por acréscimo".

No caso específico das igrejas, pelos representantes eclesiásticos delas, que já têm muitas vantagens do governo brasileiro, sendo que algumas, como a do bispo Macedo, tem vantagens e promove as maiores roubalheiras aos olhos de todos, inclusive aos olhos dos fiéis da Universal que pra mim não passam de um bando de tontos.

Hugo disse...

Posto aqui a discussão sobre crucifixos nos tribunais.É uma peça exemplar sobre a diferença entre laicidade e irreligiosismo(consultem um dicionário,por favor!):

A Razão ganhou! O Comando de Caça ao Crucifixo perdeu!

A Razão ganhou! O Comando de Caça aos Católicos perdeu!

A Razão ganhou! A brutalidade do preconceito contra o cristianismo, disfarçado de laicismo, perdeu!

Ainda há juízes em São Paulo. Maria Lúcia Lencastre Ursala, da 3ª Vara Cível Federal de São Paulo, indeferiu pedido do Ministério Público Federal, que queria a retirada de símbolos religiosos dos prédios públicos — leia-se: de crucifixos e Bíblias.

Sabem o que escreveu a juíza?

1 - que é natural a presença de símbolos religiosos cristãos num país de formação cristã — isso pertence à nossa história;
2 - que, “sem qualquer ofensa à liberdade de crença, garantia constitucional, eis que, para os agnósticos, ou que professam crença diferenciada, aquele símbolo nada representa, assemelhando-se a um quadro ou escultura, adereços decorativos”;
3 - que estado laico não quer dizer estado anti-religioso. Dando uma pequena aula de lógica e de história à boçalidade do CCC, escreveu: “O Estado laico foi a primeira organização política que garantiu a liberdade religiosa. A liberdade de crença, de culto, e a tolerância religiosa foram aceitas graças ao Estado laico, e não como oposição a ele. Assim sendo, a laicidade não pode se expressar na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos.”

A partícula i de irreligioso que r dizer NÃO-RELIGIOSO ou seja NÃO ADMITE RELIGIÃO,NÃO POSSUI RELIGIÃO MAS PODE MUITO BEM TORNAR-SE ANTIRELIGIOSO.

Saudações em Cristo Nosso Senhor(enquanto eu puder escrever isto pq do jeito que anda a vanguarda dos sem Deus....)

Hugo disse...

Mais Reinaldo Azevedo:


Sabem qual é o paraíso dessa gente tão escandalizada com o tal acordo Brasil-Vaticano — que, de fato, não muda coisa nenhuma em relação ao que temos hoje? A Venezuela.

Não é por acaso que um delinqüente como Chávez tenha chegado tão longe. E vai avançar muito mais, até que provoque um grande desastre e seja destituído, mas depois de muita dor, muita miséria, muito sangue e muitos mortos.

A reforma educacional daquele grande democrata extingue o ensino religioso em instituições oficiais, justamente baseado no princípio do Estado laico. Laico, porém bolivariano… E também cria tais e tão graves restrições ao ensino privado, anda que não-religioso, que, se levada a efeito, torna a atividade praticamente impossível.

É o sonho dourado dos nossos progressistas. Como é mesmo? Ensino público, gratuito e laico! Igual ao de Chávez! Escrevo assim apenas para evidenciar que palavras de ordem libertárias podem esconder a ordem ditatorial da não-palavra.

"Liberdade,Liberdade!Quantos crimes são cometidos em teu nome!"

Anônimo disse...

O comentário não é seu, furioso Hugo, e o que isto tem a ver com o que se está a discutir aqui?

Hugo disse...

Mais Reinaldo Azevedo e a falácia dos irreligiosismo laico:

RELIGIÃO DISTORCIDA
Diz-me um leitor que, na escola de seu filho, católica, o ensino religioso é só uma variante da Educação Moral e Cívica, só que, desta feita, com inclinação marxista. A ser assim, afirma, melhor ensino religioso nenhum.

Sim, concordo. E sei que essa distorção está em curso. Escolas católicas, com vergonha injustificada de ser o que são, transformam o ensino religioso numa variante da papagaiada coletivista. De dividir o lanchinho a dividir as terras alheias, prega-se qualquer porcaria, substituindo os Evangelhos pela Luta de Classes para Crianças, contada pela Fadinha Vermelha.

DE TODO MODO…
De todo modo, as escolas católicas, como provam todos os exames oficiais, estão entre as melhores do país — e as melhores são católicas. E, vejam que coisa, quanto mais perto da tradição, melhor o desempenho. A razão é simples: quanto mais próximas da tradição, mais próximas da disciplina e mais distantes das teorias educacionais modernosas que confundem exercício da vontade com vontade de fazer o exercício….

SIM, EM BREVE
Em breve, os valentes laicistas e ateus brasileiros tentarão chutar as portas do Colégio São Bento, por exemplo, no Rio, para exigir qualidade no ensino, mas sem qualquer apelo de natureza religiosa e aquela certa rigidez que há por lá.

Laico sim.Irreligioso=pseudo-laico não.

Orlando Tambosi disse...

Hugo, conheço o Reinaldo pessoalmente, mas não concordo com tudo o que ele diz. Não reproduza os textos dele aqui, por favor, porque todos o lemos.

Maria do Espírito Santo disse...

O Reinaldo é católico e ele opina e se expressa como um ótimo católico.

Quer dizer então que o princípio do Estado laico é uma "porta aberta" para os desmandos e demências de um Chávez bolivarianista?

Como disse, Reinaldo é um excelente católico praticante. E é exímio também no estilo retórico.

Hugo disse...

Trecho do artigo de Reinaldo Azevedo "MAS QUE MAL FIZERAM OS CATÓLICOS A ESSA GENTE?":

A reação negativa de certos setores a esse acordo do Brasil com o Vaticano, que a Associação dos Magistrados Brasileiros repudia com tanta veemência em nome do “exercício das liberdades”, toca as raias do absurdo. NÃO HÁ UM SÓ TRECHO, UMA MISERÁVEL LINHA, NADA MESMO, que ameace a liberdade religiosa, que imponha o viés de uma denominação, que atrele a nacionalidade a uma crença, que fira a laicidade do estado. Atenção! Quando digo “nada”, é NADA! NÃO ACREDITEM EM MIM. LEIAM VOCÊS MESMOS O DOCUMENTO que tem sido omitido por seus críticos de maneira deliberada.

SIM, SENHORES! O NOME DISSO É PRECONCEITO. Como é um acordo celebrado entre o Brasil e o Vaticano, não pode ser, evidentemente, coisa boa. Reportagens e editoriais são escritos acusando o que chamam de “redação ambígua” do artigo 11, que trata da educação. Ambígua? Alguém está precisando de aula de “Massinha I” de Interpretação de Texto? Eu o reproduzo aqui:

Artigo 11
A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.
§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação.

O que há de ambíguo? Qual é a discriminação? O adjetivo “católico” aparece ali, creio, porque, afinal, é um acordo celebrado com o Vaticano, sabem? Não há no texto nem a sombra de uma imposição ou coisa semelhante. Ocorre que o texto dos “novos judeus” não vale por aquilo que está escrito, mas sim por suas supostas intenções secretas. O que está no documento é ignorado em nome daquilo que dizem estar lá. Acaba de surgir Os Protocolos dos Sábios do Vaticano… Tenham paciência!

No próximo post foi colocar o endereço do documento.

Orlando Tambosi disse...

Que próximo post? Quem faz post aqui é o administrador do blog.

Há católicos e católicos. Leia o que disse o filósofo católico do pos lá em cima.

Maria do Espírito Santo disse...

As escolas católicas são as melhores? São boas, sim. Sempre estudei em escolas católicas.

Mas as escolas judaicas são excelentes, a escola americana aqui de BH é espantosamente boa, a escola da Fundação Torino é ótima...

Meu filho estudou praticamente a vida inteira numa escola judaica, que, aliás, nunca teve religião nas matérias ofertadas. A única coisa que a escola respeitava era os feriados judaicos... Que são muitos, o que fazia a alegria da meninada...

Hugo disse...

Errei a nomenclatura e por isso peço desculpas a você,Tambosi.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/documentos/integra-do-acordo-entre-o-brasil-e-o-vaticano/

Cfe disse...

Maria, ali em cima vc referiu a confusão de estado e país.

Maria do Espírito Santo disse...

Eu me referi mesmo, CFE. E acho que a população de um país tem todo o direito de crer ou descrer no que bem e melhor entender.

Mas continuo achando que o Estado não tem nada a ver com isso.

Cfe disse...

Hugo, assim complica porque a caixa fica muito cheia e dificulta a leitura.

Maria do Espírito Santo disse...

Sem contar que comentários muito extensos e citando figuras de suposta autoridade, têm um quê de "discurso do cala a boca".

Reinaldo deve ter herdado alguma coisinha da retórica do Vieira, pelo menos quando se inflama de paixão na defesa do que ele acredita.

Acontece que, no mundo de hoje, se surgisse um novo Vieira, ele seria conhecido como o chato falastrão, independentemente das incríveis qualidades de pregador que tivesse.

Cfe disse...

Maria,

Separemos as questões: uma é a simples existência dum acordo entre a administração do país e uma entidade religiosa e a outra é o teor desse acordo.

Há pessoas que não querem acordo porque não concebem sequer que o estado reconheça um relacionamento com religiosos. E há outros que não querem que o governo suporte despesas que deveriam ser obrigação das confissões religiosas.

A rigor e num mundo perfeito o estado não tem absolutamente nada que gastar dinheiro algum fora de suas funções essenciais, mas não é assim...

Se vão gastar em educação então
os católicos tem o direito de propor esse gasto: se dão dinheiro para uma porção de coisas não é essa mixaria que vai fazer a diferença.

Cfe disse...

Vou sair, aqui já é 1:30 e amanhã já sei que vou ter uma porção de problemas para resolver.

Boa Noite

Anônimo disse...

As concordatas da SAnta Sé, antes da concordata com Lula: com Mussolini, com Hitler, com Salazar, com Franco etc. Que companhias ilustres!


Carlos

Hugo disse...

Teve chance de ter concordata com o Stálin?com o Mao?Com o Fidel teve um entendimento não conccordata....Teve um acordo com a URSS-ela desistia de implodir as Igrejas e mosteiros que sobraram da limpa do Stálin....Teve concordata com a Inglaterra,França,Bélgica,Holanda,Argentina....Só os bárbaros intolerantes comunistas não fizeram.Não tem um caso de bispo ou padre executado na cadeia.Já os comunas tem uma longa ficha corrente....Estes tu não citas como "boa companhia".

Cfe disse...

"As concordatas da SAnta Sé, antes da concordata com Lula: com Mussolini, com Hitler, com Salazar, com Franco"

Carlos,

Não compare Franco e muito menos Salazar aos dois primeiros. Nem sequer Lula a todos.

Existem mais de 100 países atualmente com concordatas.

Morena Flor disse...

lógico, como "bom católico", ele defende a concordata do estado com a PRÓPRIA religião.

Queria ver se ele iria defender uma concordata com tanta paixão e fervor se, ao invés de católica, ela fosse protestante, judaica, budista, etc.

Concordata e privilégio católicos por cima da religião/descrença dos outros é refresco.

cfe disse...

"lógico, como "bom católico", ele defende a concordata do estado com a PRÓPRIA religião."

Vc não leu o que eu escrevi, pois não?

Eu por acaso nem estou defendendo a presente concordata em questão porque simplesmente não conheço o teor. Supnho que seja parecido com o acordo português ou espanhol sobre o qual já li.

O que eu defendo é o direito dum estado assinar uma concordata, ou documento semelhante, com qualquer denominação religiosa. E o presente documento (que está sendo contestado) abre um precedente na normatização jurídica do estado com uma religião: por isso que tanta gente não quer esse acordo de maneira nenhuma.

Cfe disse...

"presente concordata em questão" ficou meio esquisto...

Maria do Espírito Santo disse...

CFE,

o Estado brasileiro está sendo literalmente crucificado: pendura-se cruzes nas repartições públicas, assim como se penduram as bandeiras nacionais, estaduais e municipais.

Será que o crucifixo pode ser considerado um símbolo nacional? Além disso, não levaram em conta que pode haver algum vampiro desavisado passeando pelas nossas repartições. Ora, vampiros sofrem muito ao se depararem com crucifixos, como é sabido. Assim sendo, esta pregação de cruzes nas paredes é uma atitude discriminatória, não-inclusiva e politicamente incorreta.

Eu, de minha parte, vou pendurar na minha salinha, alhos e cebolas não transgênicos: são elementos naturais, usados desde a Idade Média, para afastar vampiros, inclusive os atuais desavisados que por desventura estejam passeando nas repartições públicas.

E como agora parece ter virado moda também a distribuição em repartições públicas do Novo Testamento da Bíblia por parte de grupos evangelhizadores internacionais, vou solicitar ao presidente do meu órgão o direito de distribuir o pemba utilizado na umbanda para afastar o mau olhado.

Pensando bem, este "admirável mundo novo" do Shakespeare e do Huxley anda cada vez mais divertido. Pra quem tem estômago de ema e humor de hiena.

cfe disse...

Maria,

Não goza...

A bem da verdade, nesse assunto não tenho opinião. O que eu faria era proibir em todos as novos edifícios públicos qualquer tipo de imagem religiosa e os nos antigos ficava como está.

Vc esqueceu os novos testamentos nos hotéis...

Cfe disse...

Pemba é uma cidade de Moçambique.

Maria do Espírito Santo disse...

Então, tá bom, CFE, vou parar com a gozação.

Para mim tanto faz como tanto fez pendurarem crucifixos onde bem entenderem. Ou calendários de borracharia, com mulheres melão ou melancia.

Eu preferiria que pendurassem cópias de quadros de Van Gogh, por mais kitche que sejam.

Quanto aos Novos Testamentos, "bão tamem". Por mim...
Nos hotéis, pelo menos, eles ficam guardadinhos nas gavetas dos criados mudos. (Ah, se os criados mudos dos hotéis falassem...) E mesmo assim, só os encontrei em hotéis pouco estrelados: nos cinco e nos quatro estrelas eu jamais encontrei Jesus aprisionado nas gavetas dos criados mudos, os quais, como já disse, para minha sorte não falam!

Eu disse que iria parar com a gozação, não disse?

Não se fie no que diz uma mulher...

Abração, CFE. Cê é gente boa...

Maria do Espírito Santo disse...

Pemba,na macumba, é um pozinho branco com o qual se faz cruzes no corpo de quem passou pela limpeza de "aura". Parece um talco perfumado.

A macumba brasileira tem origem banto ou daomé. E eu não sabia que em Moçambique tem uma cidade com esse nome. De Moçambique só conheço Maputo, ex-Lourenço Marques.

Anônimo disse...

E ninguém fala nada do católico laico lá encima?

Maria do Espírito Santo disse...

Uai, Anônimo... Desde quando eu sou ninguém?

Cfe disse...

Poxa peguei um 4 estreeeelas lá em Maputo cheio de foto de presidente africano na entrada, todo imponente: limpinho e arrumado até que era mas que tinha uma estrela a mais, não tenho dúvida.

"Não se fie no que diz uma mulher..."

Virou católica, é ? ;)

Maria do Espírito Santo disse...

Com o nome de pia que tenho, CFE, como é que eu poderia "virar" católica?

Minha mãe Noeme era católica, minha mãe Constância era católica, fiz a primeira comunhão com quatro aninhos, estudei a vida inteira em colégios católicos e o meu mestrado e doutorado foram feitos na Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais.


Ninguém escapa de sua própria sombra. Tenha ela sido sombria ou não...
O grande paradoxo é que uma sólida educação católica costuma dar subsídios para se questionar inclusive a sólida educação católica.

Creio ter aprendido que o livre arbítrio, supostamente concedido apenas aos humanos entre todos os animais, vá além da escolha entre o bem e o mal. Livre arbítrio para mim é sinônimo de liberdade ilimitada para se pensar infinitamente, para se ponderar infinitamente e fim.

Quanto às escolhas de quaisquer naturezas que elas sejam flexíveis e voláteis como as nossas curtíssimas existências.

Agora eu sou cristã, amanhã pagã e depois Averróis, o aristotélico puro e claro como a clara do ovo...

Morena Flor disse...

CFE, foi vc q não leu direito o q escrevi. Por Júpiter, eu falei de Reinaldo Azevedo, não de vc.

"Ele" = Reinaldo Azevedo, viu??? Se me referisse a vc, colocaria seu nome no post.

Pergunte antes, é melhor.

Hugo disse...

Pra Morena flor:Reinaldo Azevedo defende também as concordatas individualmente conseguidas para cada religião que queira assinar uma com o estado brasileiro.E eu também defendo que cada credo assine a sua.

Cfe disse...

Então tá, Morena.

Morena flor disse...

Hugo, aonde isso?

Ele q defenda o q ele quiser. Eu não defendo concordata com nenhuma religião. Religião e Estado, cada macaco no seu galho.

Hugo disse...

Tem gente que não entende o que é concordata.E que esta foi feita com mais de 115 países inclusive países europeus irreligiosistas.É um ajuste entre um estado soberano(Brasil)e outro estado soberano(Vaticano).É um instrumento legal que se é empregado pela Igreja Católica por que não poderia ser usado pelas outras denominações religiosas?O estado deve ser laico não irreligiosista.

marymuniz disse...

Eu nao concordo que o estado tenha gastos com a religião catolica que ja é muito rica,o papa deveria doar o ouro do vaticano para paises pobres,com fez Francisco de Assis.A provisão de espaços em escolas publicas para ensino relegioso catolico fere sim a liberdade religiosa ,isso é claramente inconstituciional!

Anônimo disse...

O Vaticano é uma seita que mais provocou guerras, genocidios, traições, mentiras, trapassas.
Que visa somente o poder e o dominio do mundo sem amor a humanidade que não tem nada a ver com Deus e com o senhor Jesus Cristo, me engana que eu gosto...
Que vai trazer confusão no Brasil,
como fez na ioguslavia. E mama nos cofres publicos do mundo.