domingo, 30 de agosto de 2009

Uma boa introdução a Kant

Immanuel Kant (1724-1804) talvez seja o filósofo clássico que mais tem a dizer aos ouvidos contemporâneos. Ele promoveu uma virada em relação à filosofia antiga e mesmo em relação aos modernos que o antecederam (Descartes, Spinoza):
Com Kant, não é mais a figura divina do Absoluto, da onisciência, que vem relativizar a finitude humana, defini-la como ser menor. Muito pelo contrário, é em nome da finitude insuperável, que é aquela de todo conhecimento humano, que a figura divina do absoluto é, por sua vez, relativizada, rebaixada à categoria de uma simples "Ideia", cuja realidade ojetiva passa a ser indemonstrável pelas vias de uma teoria filosófica ou científica qualquer.
O trecho em itálico é de uma boa introdução ao pensamento kantiano, acessível a leitores não especializados: o livro Kant (Uma leitura das três "Críticas"), de Luc Ferry, lançado neste ano pela Difel (ver à margem direita).

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4 comentários:

Hugo disse...

Acho que a filosofia pós-Kant ao rebaixar a idéia do divino a uma idéia indemonstrável via meios elucubrativos filosóficos-científicos deu um empuxe vigoroso ao evoluir da ciência mas também pode-se notar que baseando-se no viés filosófico do século XIX e XX o homem também foi rebaixado a um animal tão somente dotado de inteligência e com sentimentos e instintos em nada diferentes dos outros animais.Prefiro filosofias que exaltem o homem como um ser especial distinto dos animais do que ser caracterizado como um monstrengo destruidor cheio de incertezas e temores como é caracterizado pelas filosofias modernas.

Debora disse...

Hugo, para sua tristeza, o homem nao eh o centro do universo.

http://symbiosisgathering.com/2009/workshops/

No link acima um show de relativismo e pseudo-ciencia

Hugo disse...

Só existe ciência por causa do ser humano.Por isso somos superiores aos demais animais.Não somos o centro do Universo mas temos capacidade de modificá-lo e se quisermos de proteger os demais animais.Inteligência e conhecimento são as marcas da superioridade do homem sobre as demais criaturas.Infelizmente tem gente ou doutrinas que querem equivaler o homem aos demais animais ou até rebaixá-lo.

Maria do Espírito Santo disse...

Descartes morreu de pneumonia, não sei se virótica ou bacteriana, Hugo.

Nós todos somos frágeis, frágeis. Tão frágeis que serezinhos microscópicos dão cabo da gente num estalar de dedos, muitas vezes.

E isso apesar de todo avanço da ciência médica. Entre todos os animais, o animal humano é o que tem a infância mais longa. A inteligência dos homens é apenas um mecanismo de defesa contra esta extrema fragilidade. Mas, no final das contas, não resolve nada: somos mortais como todos os outros animais, ou talvez sejamos até mais mortais do que as bactérias, por exemplo.

O homem é finitíssimo e o conhecimento que o homem produz é finito também, como Kant disse. Deus é uma boa Idéia humana, diferente, sem dúvida da boa idéia que Lula consome.

E se o homem e todo o conhecimento humano é insuperavelmente finito, como provar a existência do infinito incomensurável do divino?

E convém lembrar que os filósofos operam idéias no âmbito da arquitetura dos conceitos.

Dizer que isso não interessa, que é balela e etcétera, é dar uma de Augusto Cury.