domingo, 29 de novembro de 2009

Jornalistas criam nova igreja. É rápido e barato.

Abrir uma empresa, no Brasil, leva muito tempo e custa caro. Em compensação, você pode criar uma nova igreja em dois dias, a um custo mínimo. E tem a vantagem que nenhuma empresa tem: isenção do IR e outros impostos. O articulista Hélio Schwartsman e dois repórteres da Folha criaram a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio e relatam sua experiência, que surrupio na íntegra:
Bastaram dois dias úteis e R$ 218,42 em despesas de cartório para a reportagem da Folha criar uma igreja. Com mais três dias e R$ 200, a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio já tinha CNPJ, o que permitiu aos seus três fundadores abrir uma conta bancária e realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Seria um crime perfeito, se a prática não estivesse totalmente dentro da lei. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja. Tampouco se exige um número mínimo de fiéis.
Basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório. Melhor ainda, o Estado está legalmente impedido de negar-lhes fé. Como reza o parágrafo 1º do artigo 44 do Código Civil: "São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento". A autonomia de cada instituição religiosa é quase total. Desde que seus estatutos não afrontem nenhuma lei do país e sigam uma estrutura jurídica assemelhada à das associações civis, os templos podem tudo.
A Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, por exemplo, pode sem muito exagero ser descrita como uma monarquia absolutista e hereditária. Nesse quesito, ela segue os passos da Igreja da Inglaterra (anglicana), que tem como "supremo governador" o monarca britânico.
Livrar-se de tributos é a principal vantagem material da abertura de uma igreja. Nos termos do artigo 150, VI, b da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com suas finalidades essenciais.
Isso significa que, além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos), ISS (serviços), para citar só alguns dos vários "Is" que assombram a vida dos contribuintes brasileiros. A única condição é que todos os bens estejam em nome do templo e que se relacionem a suas finalidades essenciais -as quais são definidas pela própria igreja.
O caso do ICMS é um pouco mais polêmico. A doutrina e a jurisprudência não são uniformes. Em alguns Estados, como São Paulo, o imposto é cobrado, mas em outros, como o Rio de Janeiro e Paraná, por força de legislação estadual, igrejas não recolhem o ICMS nem sobre as contas de água, luz, gás e telefone que pagam.
Certos autores entendem que associações religiosas, por analogia com o disposto para outras associações civis, estão legalmente proibidas de distribuir patrimônio ou renda a seus controladores. Mas nada impede -aliás é quase uma praxe- que seus diretores sejam também sacerdotes, hipótese em que podem perfeitamente receber proventos.
A questão fiscal não é o único benefício da empreitada. Cada culto determina livremente quem são seus ministros religiosos e, uma vez escolhidos, eles gozam de privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (CF, art. 143) e o direito a prisão especial (Código de Processo Penal, art. 295).
Na dúvida, os filhos varões dos sócios-fundadores da Igreja Heliocêntrica foram sagrados minissacerdotes. Neste caso, o modelo inspirador foi o budismo tibetano, cujos Dalai Lamas (a reencarnação do lama anterior) são escolhidos ainda na infância.
Voltando ao Brasil, há até o caso de cultos religiosos que obtiveram licença especial do poder público para consumir ritualisticamente drogas alucinógenas.
Desde os anos 80, integrantes de igrejas como Santo Daime, União do Vegetal, A Barquinha estão autorizados pelo Ministério da Justiça a cultivar, transportar e ingerir os vegetais utilizados na preparação do chá ayahuasca -proibido para quem não é membro de uma dessas igrejas.
Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas. Templos de qualquer culto poderão, por exemplo, reivindicar apoio do Estado na preservação de seus bens, que gozarão de proteção especial contra desapropriação e penhora.
O diploma também reforça disposições relativas ao ensino religioso. Em princípio, a Igreja Heliocêntrica poderá exigir igualdade de representação, ou seja, que o Estado contrate professores de heliocentrismo.
Colaboraram os bispos CLAUDIO ANGELO, editor de Ciência, e RAFAEL GARCIA, da Reportagem Local

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11 comentários:

Anônimo disse...

Não vai ser difícil achar fieis para a Igreja Heliocêntrica. Basta os "pastores" enganarem bem.



Nelson

Hugo disse...

Chamam qualquer troço ou simulacro de religião de Igreja.São é seitas mesmo.Espero que a reportagem sirva pra abrir o olho das autoridades quanto ao número fabuloso de seitas e afins que estão pululando neste país.Pregam de tudo menos o que interessa.É lastimável que haja tantos simoníacos assim.

Anônimo disse...

A seita "Lullocêntrica", que é das mais obscurantistas e perniciosas que se possa imaginar, comete vários pecados mortais, como, por exemplo, confundir o público com o privado. Outro: achar que o seu Deus, Lulla da Silva, é o único Deus existente.

Devido a pecados como esses, seus adversários chegam a considerá-la como u'a seita satânica.

Rodrigo Castelan Carlson disse...

Tive um professor de Administração Financeira que era também consultor. Um dia os alunos começaram a perguntar para ele coisas sobre o mundo "real". Ele revelou que os principais clientes dele eram as igrejas. Obviamente ele não deu detalhes, mas deu a entender que os montantes eram bem elevados e iam desde simples investimentos até compras de dívidas.

Anônimo disse...

Ué... bem parecido como são criadas e funcionam as ONGs da religião ecomarxista...

Montserrat disse...

Que ridículo!!! Qualquer um faz da casa uma igreja, registra todos os bens no nome da igreja e não paga impostos sobre eles.A igreja deixa de ser um templo de louvor e de busca por paz espiritual, e se transforma em uma empresa fingindo-se de ONG. Pois é, isso não sei porque, me fez lembrar do Bispo Edir Macedo.

Bia Silva disse...

Ra ra ra ra
eu dei muita risada lendo isso
ta bom, ta bom, eu sei que é serio, mas é ironico
como diz minha mãe
seria tragico se naum fosse comico

muitas igrejas, e religiões, e ceitas, e blah blah blah's, fazem isso mesmo, eu tambem pensei em abrir a minha, mas xá pra lá, não sei se muitas pessoas iam kerer me adorar =P

Anônimo disse...

OH BRAZILZAO, NAO E NOVIDADE, FOI CONSTITUIDA A IGREJA, PIOR E A ROBALEIRA E A IMPUNIDADE QUE VEMOS TODOS OS DIAS, O ROUBO E A MISERIA SO EXISTE EM REALIDADE POR CAUSA DO POVO QUE NAO REAGE A TANTAS IMPUNIDADES E DESCASO. NO PAIS DO SAMBA DA BUNDA E DO FUTEBOL, VAI TUDO BEM, TAMBEM GOSTO, POREM A REALIDADE E QUE PODERIA SER MUITO MELHOR. SO FALTA voce TOMAR PARTE, PORQUE EU JA ESTOU FAZENDO A MINHA PARTE.

Jorge Leberg disse...

Em primeiro lugar, "seita" é o nome que muitos dão à religião alheia.

Já sabia meio que de superfície como funciona o esquema da abertura de igrejas/templos no Brasil. É um comércio extremamente rentável, até porque livre de impostos como o IR e por vivermos num país onde a religiosidade é o anestésico por excelência. Não é a toa que templos evangélicos se reproduzem aos borbotões no país como. Alô Edir Macedo!

E como é bom ser agnóstico!

lovantino disse...

O problema maior é que existe mercado, basta abrir uma nova igreja ou ceita que aparecem os membros, isso é incrivel, mas pura verdade.
Moro numa pequena cidade do interior de minas gerais. alto caparaó aqui tem 5 mil habitantes e 22 religiões diferente.
E tem público para elas todas, na verdade a justiça deveria olhar melhor esse caso, pois tem muitos por ai tirando proveito de muitos analfabetos e ignorantes religiosos.
Tem que ter uma fiscalização para o comércio que virou a fé brasileira.

Pensamento: "É tão estranho Os bons morrem antes." disse...

Olá, muito interessante o artigo!
Copiei e postei no meu blog bloguedorenato.blogspot.com para poder estar divulgando para todos sobre como funcionam as coisas no nosso país.
Igrejas existem muitas por aí, mas aquela que vive conforme o evangelho são algumas, ou quase nenhumas; E sabe qual o versículo preferido de todas elas? Aquele: Dê sua oferta R$ 50,00 irmão, ou então, aquele outro: Dê seu tudo que Deus vai te abençoar!!!!
Incrivél como as pessoas ainda frequentam esses lugares!!
É pra ficar de boca aberta!!
Até mais