A revolução sem sangue
As revoluções sempre foram sangrentas e pouco geraram além de ditaduras. A exceção foi a revolução que desmantelou o socialismo, a partir da derrubada do muro de Berlim. Ela trouxe liberdade, ao invés de opressão. Abaixo, a reportagem publicada na Veja desta semana, que surrupiei quase na íntegra.
A revolução que salvou o mundo
Há vinte anos, os alemães-orientais derrubaram o Muro de Berlim, libertando-se de quatro décadas de totalitarismo e enterrando parasempre a experiência comunista. Os efeitos do regime falido são sentidos até hoje na antiga Alemanha Oriental, mas prevê-se queem dez anos não haverá diferenças no país reunificado
Diogo Schelp, de Berlim
Em Berlim, para lembrar é preciso olhar para baixo. As cicatrizes estão marcadas no chão da capital da Alemanha. Discreta, quase imperceptível, uma estreita faixa de paralelepípedos corta uma avenida de asfalto impecável, invade a calçada e desaparece sob a parede de um moderníssimo prédio. Em outros trechos, a menção ao símbolo maior da Guerra Fria traz uma mensagem mais direta: placas de metal encravadas no solo com a inscrição "Muro de Berlim – 1961-1989" informam que por ali passava a barreira que dividiu a Alemanha, a Europa, a Terra. A queda do muro, em 9 de novembro de 1989, foi um desses eventos raros em que a ruptura com o passado é tão brusca que uma única data marca o início de uma nova era. O efeito mais óbvio daquela noite de outono berlinense, em que os alemães-orientais forçaram a abertura das fronteiras para o oeste, foi dar um fim ao conflito entre Estados Unidos e aliados no mundo civilizado e União Soviética. A Guerra Fria, como se chamava esse conflito, se não resultou em embate direto entre as duas superpotências nucleares, por causa do risco de aniquilamento total, configurou o planeta em metades capitalista e comunista que descarregavam a tensão permanente em guerras localizadas, como a da Coreia e a do Vietnã. Com a queda do muro, a Alemanha voltou a ser uma só nação e ficou evidente quem eram os vencedores: o capitalismo, a democracia, a liberdade. O ano de 1989 representou, assim, o fim da história para o comunismo, um regime que, nos países em que se instalou à força de baionetas, ceifou 100 milhões de vidas e eliminou o horizonte de progresso material e espiritual de quem estava sob seus tacões. Nos dois anos seguintes, o império soviético esfacelou-se por completo. Hoje, o sistema que o engendrou sobrevive como curiosidade quase que zoológica apenas numa ilha do Caribe e na metade de uma península asiática. Até a poderosa China, nominalmente comunista, aderiu ao capitalismo, embora esteja a milhões de anos-luz de ser democrática.
Evidentemente, não foi preciso esperar até 1989 para constatar o fracasso do socialismo. A própria construção do Muro de Berlim, iniciada em 13 de agosto de 1961, foi motivada pela incapacidade do sistema de cumprir as promessas de uma vida melhor à população. Até aquela data, 3 milhões de pessoas haviam fugido da Alemanha Oriental para a Ocidental. "Para evitar o colapso do país por falta de gente, o regime comunista precisou prender os seus cidadãos, e não havia maneira mais barata de fazer isso do que construir um muro", diz o historiador inglês Frederick Taylor, autor de Muro de Berlim – Um Mundo Dividido – 1961-1989. Na órbita soviética, cultivava-se a ideia de que, como os alemães eram um povo eficiente, seriam capazes de fazer o socialismo funcionar e, assim, transformar o seu país numa vitrine do sistema. De fato, os alemães-orientais eram mais eficientes do que os seus companheiros do Leste Europeu. Tanto que exacerbaram, mais do que em qualquer outra latitude, o único atributo comunista: o total controle do estado sobre os cidadãos. Controle este que se estendia aos intestinos das crianças. Na pré-escola, todas eram obrigadas a ir ao banheiro na mesma hora.
Não havia uma Polônia Ocidental ou uma Hungria Ocidental, mas havia uma Alemanha Ocidental. Para além de se haver com a total irracionalidade de um sistema que havia banido a propriedade privada e a liberdade de opinião e associação, a República Democrática Alemã (RDA), como era chamada oficialmente a Alemanha Oriental, tinha de se confrontar com a laboriosidade dos alemães-ocidentais, que, dos escombros da II Guerra, construíram uma das nações capitalistas mais pujantes do planeta. No fim da década de 70, os dirigentes da Alemanha Oriental admitiram, para sua vergonha, que o desenvolvimento tecnológico da RDA estava duas décadas atrasado em comparação ao da República Federal da Alemanha (RFA). Provavelmente o abismo era ainda maior, e ele só fez aumentar com o passar do tempo. Em Berlim Oriental, a paisagem urbana era dominada por Trabants, um modelo de carro da década de 50 produzido na RDA. Enquanto no Ocidente a indústria automobilística equipava os veículos com acessórios eletrônicos cada vez mais modernos, o Trabant funcionava com um motor de dois tempos. Para comprar um, era preciso colocar o nome numa lista e esperar quinze anos. "Como resultado, um Trabant usado era mais caro do que um novo", diz o historiador berlinense Hanno Hochmuth. Uma contradição mais do que dialética.
A baixíssima produtividade da indústria da RDA é considerada um dos principais fatores que levaram à queda do muro. Não havia imprensa livre no país, mas não era preciso recorrer aos jornais para verificar o desastre econômico. As fábricas obsoletas, muitas das quais com equipamentos da década de 30, ora não contavam com peças de reposição para as máquinas, ora ficavam sem matéria-prima para produzir. A oferta de produtos era muito limitada. Café e banana, por exemplo, eram artigos de luxo. Como em outros países comunistas, as pessoas acostumaram-se a sair de casa sempre munidas de sacolas. Se encontrassem uma fila na porta de uma loja, entravam, mesmo sem saber o que estava à venda.
A falta de produção e, consequentemente, de recursos explica em parte por que a RDA gostava tanto de fazer presos políticos. A liberdade de cada um deles podia ser vendida por até 100 000 marcos ao governo da Alemanha Ocidental, o equivalente hoje a 50 000 euros. Entre 1963 e 1989, 3,5 bilhões de marcos ocidentais foram parar nos cofres do regime comunista por causa desse tipo de sequestro oficial. O principal objetivo do estado policial da Alemanha comunista, no entanto, era manter a submissão ideológica de seus cidadãos. Nisso, a eficiência também era germânica. A Stasi, corruptela em alemão para Segurança de Estado, era um ministério que abarcava inúmeras funções de repressão, desde a espionagem internacional e doméstica até a investigação criminal. Seus mais de 90 000 funcionários diretos e 180 000 informantes vasculharam em detalhes a vida de um em cada três habitantes da Alemanha Oriental. "Não dava para saber em quem confiar, pois houve casos de dedos-duros entre casais, irmãos e até pais e filhos", diz o historiador Bernd Floriath, pesquisador da repartição pública que administra os arquivos da Stasi. "Na minha ficha, por exemplo, descobri que minha vizinha contava até o número de garrafas de vinho da minha lata de lixo." Uma questão incômoda na Alemanha atualmente é se pessoas que espionaram para a Stasi no passado podem ocupar cargos públicos de destaque. Muitos ex-colaboradores da repressão comunista estão hoje ascendendo na política. A maioria é filiada ao partido Die Linke (A Esquerda), um herdeiro do Partido Comunista da RDA cuja representação no Parlamento alemão aumentou em 30% após as eleições deste ano. A chanceler Angela Merkel é um dos poucos políticos oriundos da Alemanha Oriental sem um passado a esconder.
As informações recolhidas pela Stasi eram usadas para punir os cidadãos que não se mostrassem "bons comunistas". Função semelhante tinham as diversas organizações militares ou paramilitares da RDA. "A militarização da sociedade tinha como objetivo quebrar a vontade própria do indivíduo e começava já no jardim de infância", diz Tom Sello, um dos 3 000 alemães-orientais que se arriscaram a fazer oposição na Alemanha Oriental. Entre outras atividades, as crianças tinham de fazer simulações de manobras contra hipotéticas invasões capitalistas. Na adolescência, os alunos eram pressionados a aderir à Juventude Livre Alemã, uma organização paramilitar que tinha entre suas atividades quebrar as antenas de TV dos moradores que assistiam aos canais ocidentais. Impedidos de viajar, era assim que os cidadãos sob o regime comunista verificavam que a vida do outro lado era muito melhor. A região de Dresden, onde as características topográficas dificultavam a captação de sinais de TV do Ocidente, era chamada de Vale dos Inocentes.
Muro derrubado, a Alemanha voltou a ser um só país em 1990. Até agora, o custo da reunificação já bateu em 1,5 trilhão de euros. No início, o processo produziu uma espécie de milagre alquímico: os alemães-orientais puderam trocar seu dinheiro por marcos alemães-ocidentais, então uma das moedas mais fortes do mundo, na proporção de 1 para 1. No mercado negro a proporção era de 1 para 5. Quase vinte anos depois, os efeitos são vistosos na infraestrutura. A porção oriental de Berlim reluz como a parte ocidental e as rodovias no antigo território oriental são melhores do que as do resto da Alemanha. Mas os problemas permanecem, se não insuperáveis, bastante grandes. Os subsídios governamentais atraíram empresas para o leste, mas não na proporção necessária para empregar todos os trabalhadores. Além disso, os sindicatos alemães não aceitaram que os salários fossem mais baixos nos estados que compunham a Alemanha Oriental, o que seria natural dada a menor qualificação dos trabalhadores de lá. Desse modo, as empresas em busca de mão de obra mais barata preferiram instalar-se, em sua maioria, nas outras ex-repúblicas comunistas – que adoraram, é claro, receber o investimento.
O corolário do sindicalismo míope é que o desemprego entre os alemães-orientais é o dobro do registrado no restante da Alemanha e, nos últimos vinte anos, a migração para a parte ocidental fez a região perder 8% de sua população. Um passeio a pé por Halle, uma importante cidade industrial nos tempos da RDA, deixa claro o perfil dos que saem do leste: há poucas mulheres jovens nas ruas. Uma em cada cinco residências de Halle está abandonada, e o governo chegou a demolir modernos conjuntos habitacionais cons-truídos após a reunificação, por falta de gente para morar. "O erro maior é acreditar que os problemas econômicos e demográficos são culpa da reunificação ou da transição para o capitalismo", diz Udo Ludwig, do Instituto de Pesquisas Econômicas de Halle. "Na verdade, tudo isso ainda é efeito das décadas em que estivemos apartados do resto da Alemanha." É como um braço amputado: depois de reimplantado, custa a fun-cionar normalmente.
A Alemanha Ocidental tornou-se uma potência exportadora nos anos 50 e 60, quando tinha pouca concorrência internacional. Já a Alemanha Oriental fez a transição para a economia de mercado em um momento em que a disputa é bem mais acirrada: além de todo o Leste Europeu, há a China, o novo chão de fábrica do mundo. Pouco a pouco, no entanto, a diferença entre os alemães está diminuindo. O PIB per capita no leste da Alemanha é de 75% da média nacional. "Os alemães-orientais devem alcançar a proporção de 85% em dez anos", diz Wolfgang Tiefensee, até o mês passado titular do Ministério para a Reconstrução do Leste. Desde 2005, as ofertas de emprego na região aumentaram. E mesmo os que não têm trabalho vivem melhor com a renda do seguro-desemprego do que há vinte anos sob o comunismo. Como explicar, então, a onda de "ostalgia" (neologismo que une as palavras ost, leste em alemão, e nostalgia)? "A questão é que centenas de milhares de pessoas perderam a posição de destaque que tinham na RDA e hoje têm de se contentar com atividades de status mais baixo", diz Rainer Eckert, diretor do Fórum de História Contemporânea de Leipzig.
Como não poderia deixar de ser, a reunificação alçou a Alemanha a um novo patamar de liderança externa e a queda do muro deu impulso à União Europeia. "A UE expandiu-se rapidamente para o leste, onde se mostra fundamental para melhorar a gestão pública e manter a estabilidade", diz o historiador inglês Tony Judt, especialista em Europa. O fim do comunismo, representado pela derrubada do muro, também propiciou a aceleração do processo de globalização econômica e o enfraquecimento das visões estatizantes em países como o Brasil e a Índia, hoje duas potências emergentes. Há vinte anos, porém, a primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher e o presidente francês François Mitterrand tinham calafrios ao imaginar a possibilidade da reunificação do país. "Gosto tanto da Alemanha que prefiro duas", dizia Mitterrand. Recentemente, a divulgação de gravações feitas pelos russos revelou que Thatcher chegou a pedir ao líder soviético Mikhail Gorbachev que impedisse a reunificação. Em 1990, Thatcher disse a Gorbachev: "Toda a Europa está assistindo a tudo isso não sem uma dose de temor, lembrando muito bem quem começou as duas guerras mundiais". Lothar de Maizière, o último governante da RDA, diz que foi o chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl, quem conseguiu convencer Mitterrand de que não era preciso se preocupar com as ambições da Alemanha. Thatcher era mais resistente. "Eu próprio tentei tranquilizá-la, dizendo que ninguém na Alemanha pensava em fazer reivindicações de território ou colocar em dúvida as fronteiras existentes", conta De Maizière.
As preocupações de Thatcher eram perfeitamente justificadas para alguém que conheceu as agruras da II Guerra e se criou politicamente no período de tensões da Guerra Fria. Para não causar mais problemas, a Alemanha derrotada em 1945 emergiu do conflito partilhada pelas forças de ocupação. Foram criados um setor americano, um francês, um inglês e um soviético. Esse padrão se repetiu na capital, Berlim, encravada no coração do território alemão sob influência soviética. Em 1949, a Alemanha foi dividida em dois estados, um comunista e um capitalista. Nesse contexto, Berlim tornou-se o palco de alguns dos momentos mais críticos da Guerra Fria. Em 1948, Stalin, que queria Berlim inteira para si, ordenou um bloqueio à parte ocidental – furado por uma ponte aérea organizada pelos americanos. Ninguém resumiu tão bem o significado de Berlim como centro de resistência ao totalitarismo comunista quanto o presidente americano John Kennedy, em visita à cidade, em 1963. Em discurso aos moradores da parte ocidental, ele disse: "Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim. E é assim, como um homem livre, que me orgulho dessas palavras: eu sou berlinense!".
O Muro de Berlim não teria caído em 1989 se não fosse pelo líder soviético Mikhail Gorbachev. "O russo, ele próprio às voltas com reformas na União Soviética, deu espaço às outras repúblicas comunistas do Leste Europeu para experimentarem algum tipo de abertura", diz o americano Michael Meyer, autor do livro 1989 – O Ano que Mudou o Mundo. O presidente americano Ronald Reagan, Thatcher e Kohl souberam aproveitar a disposição de Gorbachev de reduzir as tensões entre os blocos comunista e capitalista, e a nova realidade política foi interpretada da seguinte forma no Leste Europeu: "O líder soviético não está disposto a usar a força para salvar o comunismo". Em maio de 1989, Miklós Németh, o primeiro-ministro reformista da Hungria, mandou desativar a cerca elétrica na fronteira de seu país com a Áustria. Estava aberta a primeira brecha na Cortina de Ferro. Atropelado pelas reformas iniciadas nos países vizinhos e pela crescente onda de protestos, o governo da RDA ensaiou uma tímida lei que permitiria aos cidadãos viajar ao exterior. No dia 9 de novembro, ao final de uma entrevista coletiva com jornalistas ocidentais, o porta-voz do regime Gunter Schabowski comentou as novas regras para viagens. "Quando isso entra em vigor?", perguntou um jornalista. "Imediatamente", respondeu Schabowski, um pouco confuso.
Na verdade, o plano era que as viagens pudessem ser feitas a partir do dia seguinte e de maneira organizada. Mas, logo nas primeiras horas após a entrevista, uma multidão começou a se aglomerar nos postos de controle do muro e a exigir o direito de passar para o outro lado. Um chefe da guarda acabou cedendo. A festa atravessou a madrugada e continuou no dia seguinte, quando marretas e picaretas começaram a ser empregadas para arrancar os primeiros pedaços do muro. A razão imediata que levou à queda dessa barreira ignóbil foi a mesma que justificou a sua construção: o desejo dos cidadãos de deixar para trás a claustrofobia do regime comunista. Vinte anos após a queda do muro, os pés dos berlinenses ignoram as linhas que sinalizam a localização da barreira da vergonha. Eles cruzam de um lado para outro sem tomar conhecimento da extinta divisão entre leste e oeste. Não podia haver exaltação maior à liberdade.
O herói das fugas
A história do muro é a história de Hartmut Richter. Aos 13 anos, ele viu a barreira ser construída. Em 1966, aos 18 anos, foi preso em uma tentativa frustrada de fugir do país pela fronteira da então Checoslováquia com a Áustria. Foi condenado a dez meses de cadeia, cumpriu três por demonstrar arrependimento e, no mesmo ano, fez uma nova fuga. Dessa vez, bem-sucedida: Richter cruzou a nado o canal de Teltow, ao sul de Berlim, em quatro horas, sem ser visto pelos guardas de fronteira, que tinham ordens para atirar. "Eu fugi porque não suportava ter de reiterar o tempo todo a submissão ao estado e à ideologia comunista", diz. Na década de 70, uma anistia permitiu a fugitivos como Richter visitar novamente a RDA. Ele aproveitou a oportunidade para ajudar outros alemães-orientais a fugir. Ao todo, Richter contrabandeou 33 pessoas para o lado ocidental, todas escondidas em seu carro. Em 1975, ele foi pego pela polícia secreta enquanto tentava cruzar a fronteira com a irmã e o cunhado no porta-malas. Durante meses, Richter foi pressionado nas masmorras do regime comunista para entregar o nome de outras pessoas que planejavam escapar para o oeste. "Eu passava várias semanas na solitária e era interrogado quase diariamente", diz Richter. Condenado a quinze anos de cadeia por "tráfico humano", o herói do muro passou cinco anos e sete meses preso até ter sua liberdade comprada pelo governo da Alemanha Ocidental. Ainda hoje, Richter, de 61 anos, comemora o dia de sua fuga pelo canal de Teltow como se fosse seu aniversário.
Há vinte anos, os alemães-orientais derrubaram o Muro de Berlim, libertando-se de quatro décadas de totalitarismo e enterrando parasempre a experiência comunista. Os efeitos do regime falido são sentidos até hoje na antiga Alemanha Oriental, mas prevê-se queem dez anos não haverá diferenças no país reunificado
Diogo Schelp, de Berlim
Em Berlim, para lembrar é preciso olhar para baixo. As cicatrizes estão marcadas no chão da capital da Alemanha. Discreta, quase imperceptível, uma estreita faixa de paralelepípedos corta uma avenida de asfalto impecável, invade a calçada e desaparece sob a parede de um moderníssimo prédio. Em outros trechos, a menção ao símbolo maior da Guerra Fria traz uma mensagem mais direta: placas de metal encravadas no solo com a inscrição "Muro de Berlim – 1961-1989" informam que por ali passava a barreira que dividiu a Alemanha, a Europa, a Terra. A queda do muro, em 9 de novembro de 1989, foi um desses eventos raros em que a ruptura com o passado é tão brusca que uma única data marca o início de uma nova era. O efeito mais óbvio daquela noite de outono berlinense, em que os alemães-orientais forçaram a abertura das fronteiras para o oeste, foi dar um fim ao conflito entre Estados Unidos e aliados no mundo civilizado e União Soviética. A Guerra Fria, como se chamava esse conflito, se não resultou em embate direto entre as duas superpotências nucleares, por causa do risco de aniquilamento total, configurou o planeta em metades capitalista e comunista que descarregavam a tensão permanente em guerras localizadas, como a da Coreia e a do Vietnã. Com a queda do muro, a Alemanha voltou a ser uma só nação e ficou evidente quem eram os vencedores: o capitalismo, a democracia, a liberdade. O ano de 1989 representou, assim, o fim da história para o comunismo, um regime que, nos países em que se instalou à força de baionetas, ceifou 100 milhões de vidas e eliminou o horizonte de progresso material e espiritual de quem estava sob seus tacões. Nos dois anos seguintes, o império soviético esfacelou-se por completo. Hoje, o sistema que o engendrou sobrevive como curiosidade quase que zoológica apenas numa ilha do Caribe e na metade de uma península asiática. Até a poderosa China, nominalmente comunista, aderiu ao capitalismo, embora esteja a milhões de anos-luz de ser democrática.
Evidentemente, não foi preciso esperar até 1989 para constatar o fracasso do socialismo. A própria construção do Muro de Berlim, iniciada em 13 de agosto de 1961, foi motivada pela incapacidade do sistema de cumprir as promessas de uma vida melhor à população. Até aquela data, 3 milhões de pessoas haviam fugido da Alemanha Oriental para a Ocidental. "Para evitar o colapso do país por falta de gente, o regime comunista precisou prender os seus cidadãos, e não havia maneira mais barata de fazer isso do que construir um muro", diz o historiador inglês Frederick Taylor, autor de Muro de Berlim – Um Mundo Dividido – 1961-1989. Na órbita soviética, cultivava-se a ideia de que, como os alemães eram um povo eficiente, seriam capazes de fazer o socialismo funcionar e, assim, transformar o seu país numa vitrine do sistema. De fato, os alemães-orientais eram mais eficientes do que os seus companheiros do Leste Europeu. Tanto que exacerbaram, mais do que em qualquer outra latitude, o único atributo comunista: o total controle do estado sobre os cidadãos. Controle este que se estendia aos intestinos das crianças. Na pré-escola, todas eram obrigadas a ir ao banheiro na mesma hora.
Não havia uma Polônia Ocidental ou uma Hungria Ocidental, mas havia uma Alemanha Ocidental. Para além de se haver com a total irracionalidade de um sistema que havia banido a propriedade privada e a liberdade de opinião e associação, a República Democrática Alemã (RDA), como era chamada oficialmente a Alemanha Oriental, tinha de se confrontar com a laboriosidade dos alemães-ocidentais, que, dos escombros da II Guerra, construíram uma das nações capitalistas mais pujantes do planeta. No fim da década de 70, os dirigentes da Alemanha Oriental admitiram, para sua vergonha, que o desenvolvimento tecnológico da RDA estava duas décadas atrasado em comparação ao da República Federal da Alemanha (RFA). Provavelmente o abismo era ainda maior, e ele só fez aumentar com o passar do tempo. Em Berlim Oriental, a paisagem urbana era dominada por Trabants, um modelo de carro da década de 50 produzido na RDA. Enquanto no Ocidente a indústria automobilística equipava os veículos com acessórios eletrônicos cada vez mais modernos, o Trabant funcionava com um motor de dois tempos. Para comprar um, era preciso colocar o nome numa lista e esperar quinze anos. "Como resultado, um Trabant usado era mais caro do que um novo", diz o historiador berlinense Hanno Hochmuth. Uma contradição mais do que dialética.
A baixíssima produtividade da indústria da RDA é considerada um dos principais fatores que levaram à queda do muro. Não havia imprensa livre no país, mas não era preciso recorrer aos jornais para verificar o desastre econômico. As fábricas obsoletas, muitas das quais com equipamentos da década de 30, ora não contavam com peças de reposição para as máquinas, ora ficavam sem matéria-prima para produzir. A oferta de produtos era muito limitada. Café e banana, por exemplo, eram artigos de luxo. Como em outros países comunistas, as pessoas acostumaram-se a sair de casa sempre munidas de sacolas. Se encontrassem uma fila na porta de uma loja, entravam, mesmo sem saber o que estava à venda.
A falta de produção e, consequentemente, de recursos explica em parte por que a RDA gostava tanto de fazer presos políticos. A liberdade de cada um deles podia ser vendida por até 100 000 marcos ao governo da Alemanha Ocidental, o equivalente hoje a 50 000 euros. Entre 1963 e 1989, 3,5 bilhões de marcos ocidentais foram parar nos cofres do regime comunista por causa desse tipo de sequestro oficial. O principal objetivo do estado policial da Alemanha comunista, no entanto, era manter a submissão ideológica de seus cidadãos. Nisso, a eficiência também era germânica. A Stasi, corruptela em alemão para Segurança de Estado, era um ministério que abarcava inúmeras funções de repressão, desde a espionagem internacional e doméstica até a investigação criminal. Seus mais de 90 000 funcionários diretos e 180 000 informantes vasculharam em detalhes a vida de um em cada três habitantes da Alemanha Oriental. "Não dava para saber em quem confiar, pois houve casos de dedos-duros entre casais, irmãos e até pais e filhos", diz o historiador Bernd Floriath, pesquisador da repartição pública que administra os arquivos da Stasi. "Na minha ficha, por exemplo, descobri que minha vizinha contava até o número de garrafas de vinho da minha lata de lixo." Uma questão incômoda na Alemanha atualmente é se pessoas que espionaram para a Stasi no passado podem ocupar cargos públicos de destaque. Muitos ex-colaboradores da repressão comunista estão hoje ascendendo na política. A maioria é filiada ao partido Die Linke (A Esquerda), um herdeiro do Partido Comunista da RDA cuja representação no Parlamento alemão aumentou em 30% após as eleições deste ano. A chanceler Angela Merkel é um dos poucos políticos oriundos da Alemanha Oriental sem um passado a esconder.
As informações recolhidas pela Stasi eram usadas para punir os cidadãos que não se mostrassem "bons comunistas". Função semelhante tinham as diversas organizações militares ou paramilitares da RDA. "A militarização da sociedade tinha como objetivo quebrar a vontade própria do indivíduo e começava já no jardim de infância", diz Tom Sello, um dos 3 000 alemães-orientais que se arriscaram a fazer oposição na Alemanha Oriental. Entre outras atividades, as crianças tinham de fazer simulações de manobras contra hipotéticas invasões capitalistas. Na adolescência, os alunos eram pressionados a aderir à Juventude Livre Alemã, uma organização paramilitar que tinha entre suas atividades quebrar as antenas de TV dos moradores que assistiam aos canais ocidentais. Impedidos de viajar, era assim que os cidadãos sob o regime comunista verificavam que a vida do outro lado era muito melhor. A região de Dresden, onde as características topográficas dificultavam a captação de sinais de TV do Ocidente, era chamada de Vale dos Inocentes.
Muro derrubado, a Alemanha voltou a ser um só país em 1990. Até agora, o custo da reunificação já bateu em 1,5 trilhão de euros. No início, o processo produziu uma espécie de milagre alquímico: os alemães-orientais puderam trocar seu dinheiro por marcos alemães-ocidentais, então uma das moedas mais fortes do mundo, na proporção de 1 para 1. No mercado negro a proporção era de 1 para 5. Quase vinte anos depois, os efeitos são vistosos na infraestrutura. A porção oriental de Berlim reluz como a parte ocidental e as rodovias no antigo território oriental são melhores do que as do resto da Alemanha. Mas os problemas permanecem, se não insuperáveis, bastante grandes. Os subsídios governamentais atraíram empresas para o leste, mas não na proporção necessária para empregar todos os trabalhadores. Além disso, os sindicatos alemães não aceitaram que os salários fossem mais baixos nos estados que compunham a Alemanha Oriental, o que seria natural dada a menor qualificação dos trabalhadores de lá. Desse modo, as empresas em busca de mão de obra mais barata preferiram instalar-se, em sua maioria, nas outras ex-repúblicas comunistas – que adoraram, é claro, receber o investimento.
O corolário do sindicalismo míope é que o desemprego entre os alemães-orientais é o dobro do registrado no restante da Alemanha e, nos últimos vinte anos, a migração para a parte ocidental fez a região perder 8% de sua população. Um passeio a pé por Halle, uma importante cidade industrial nos tempos da RDA, deixa claro o perfil dos que saem do leste: há poucas mulheres jovens nas ruas. Uma em cada cinco residências de Halle está abandonada, e o governo chegou a demolir modernos conjuntos habitacionais cons-truídos após a reunificação, por falta de gente para morar. "O erro maior é acreditar que os problemas econômicos e demográficos são culpa da reunificação ou da transição para o capitalismo", diz Udo Ludwig, do Instituto de Pesquisas Econômicas de Halle. "Na verdade, tudo isso ainda é efeito das décadas em que estivemos apartados do resto da Alemanha." É como um braço amputado: depois de reimplantado, custa a fun-cionar normalmente.
A Alemanha Ocidental tornou-se uma potência exportadora nos anos 50 e 60, quando tinha pouca concorrência internacional. Já a Alemanha Oriental fez a transição para a economia de mercado em um momento em que a disputa é bem mais acirrada: além de todo o Leste Europeu, há a China, o novo chão de fábrica do mundo. Pouco a pouco, no entanto, a diferença entre os alemães está diminuindo. O PIB per capita no leste da Alemanha é de 75% da média nacional. "Os alemães-orientais devem alcançar a proporção de 85% em dez anos", diz Wolfgang Tiefensee, até o mês passado titular do Ministério para a Reconstrução do Leste. Desde 2005, as ofertas de emprego na região aumentaram. E mesmo os que não têm trabalho vivem melhor com a renda do seguro-desemprego do que há vinte anos sob o comunismo. Como explicar, então, a onda de "ostalgia" (neologismo que une as palavras ost, leste em alemão, e nostalgia)? "A questão é que centenas de milhares de pessoas perderam a posição de destaque que tinham na RDA e hoje têm de se contentar com atividades de status mais baixo", diz Rainer Eckert, diretor do Fórum de História Contemporânea de Leipzig.
Como não poderia deixar de ser, a reunificação alçou a Alemanha a um novo patamar de liderança externa e a queda do muro deu impulso à União Europeia. "A UE expandiu-se rapidamente para o leste, onde se mostra fundamental para melhorar a gestão pública e manter a estabilidade", diz o historiador inglês Tony Judt, especialista em Europa. O fim do comunismo, representado pela derrubada do muro, também propiciou a aceleração do processo de globalização econômica e o enfraquecimento das visões estatizantes em países como o Brasil e a Índia, hoje duas potências emergentes. Há vinte anos, porém, a primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher e o presidente francês François Mitterrand tinham calafrios ao imaginar a possibilidade da reunificação do país. "Gosto tanto da Alemanha que prefiro duas", dizia Mitterrand. Recentemente, a divulgação de gravações feitas pelos russos revelou que Thatcher chegou a pedir ao líder soviético Mikhail Gorbachev que impedisse a reunificação. Em 1990, Thatcher disse a Gorbachev: "Toda a Europa está assistindo a tudo isso não sem uma dose de temor, lembrando muito bem quem começou as duas guerras mundiais". Lothar de Maizière, o último governante da RDA, diz que foi o chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl, quem conseguiu convencer Mitterrand de que não era preciso se preocupar com as ambições da Alemanha. Thatcher era mais resistente. "Eu próprio tentei tranquilizá-la, dizendo que ninguém na Alemanha pensava em fazer reivindicações de território ou colocar em dúvida as fronteiras existentes", conta De Maizière.
As preocupações de Thatcher eram perfeitamente justificadas para alguém que conheceu as agruras da II Guerra e se criou politicamente no período de tensões da Guerra Fria. Para não causar mais problemas, a Alemanha derrotada em 1945 emergiu do conflito partilhada pelas forças de ocupação. Foram criados um setor americano, um francês, um inglês e um soviético. Esse padrão se repetiu na capital, Berlim, encravada no coração do território alemão sob influência soviética. Em 1949, a Alemanha foi dividida em dois estados, um comunista e um capitalista. Nesse contexto, Berlim tornou-se o palco de alguns dos momentos mais críticos da Guerra Fria. Em 1948, Stalin, que queria Berlim inteira para si, ordenou um bloqueio à parte ocidental – furado por uma ponte aérea organizada pelos americanos. Ninguém resumiu tão bem o significado de Berlim como centro de resistência ao totalitarismo comunista quanto o presidente americano John Kennedy, em visita à cidade, em 1963. Em discurso aos moradores da parte ocidental, ele disse: "Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim. E é assim, como um homem livre, que me orgulho dessas palavras: eu sou berlinense!".
O Muro de Berlim não teria caído em 1989 se não fosse pelo líder soviético Mikhail Gorbachev. "O russo, ele próprio às voltas com reformas na União Soviética, deu espaço às outras repúblicas comunistas do Leste Europeu para experimentarem algum tipo de abertura", diz o americano Michael Meyer, autor do livro 1989 – O Ano que Mudou o Mundo. O presidente americano Ronald Reagan, Thatcher e Kohl souberam aproveitar a disposição de Gorbachev de reduzir as tensões entre os blocos comunista e capitalista, e a nova realidade política foi interpretada da seguinte forma no Leste Europeu: "O líder soviético não está disposto a usar a força para salvar o comunismo". Em maio de 1989, Miklós Németh, o primeiro-ministro reformista da Hungria, mandou desativar a cerca elétrica na fronteira de seu país com a Áustria. Estava aberta a primeira brecha na Cortina de Ferro. Atropelado pelas reformas iniciadas nos países vizinhos e pela crescente onda de protestos, o governo da RDA ensaiou uma tímida lei que permitiria aos cidadãos viajar ao exterior. No dia 9 de novembro, ao final de uma entrevista coletiva com jornalistas ocidentais, o porta-voz do regime Gunter Schabowski comentou as novas regras para viagens. "Quando isso entra em vigor?", perguntou um jornalista. "Imediatamente", respondeu Schabowski, um pouco confuso.
Na verdade, o plano era que as viagens pudessem ser feitas a partir do dia seguinte e de maneira organizada. Mas, logo nas primeiras horas após a entrevista, uma multidão começou a se aglomerar nos postos de controle do muro e a exigir o direito de passar para o outro lado. Um chefe da guarda acabou cedendo. A festa atravessou a madrugada e continuou no dia seguinte, quando marretas e picaretas começaram a ser empregadas para arrancar os primeiros pedaços do muro. A razão imediata que levou à queda dessa barreira ignóbil foi a mesma que justificou a sua construção: o desejo dos cidadãos de deixar para trás a claustrofobia do regime comunista. Vinte anos após a queda do muro, os pés dos berlinenses ignoram as linhas que sinalizam a localização da barreira da vergonha. Eles cruzam de um lado para outro sem tomar conhecimento da extinta divisão entre leste e oeste. Não podia haver exaltação maior à liberdade.
O herói das fugas
A história do muro é a história de Hartmut Richter. Aos 13 anos, ele viu a barreira ser construída. Em 1966, aos 18 anos, foi preso em uma tentativa frustrada de fugir do país pela fronteira da então Checoslováquia com a Áustria. Foi condenado a dez meses de cadeia, cumpriu três por demonstrar arrependimento e, no mesmo ano, fez uma nova fuga. Dessa vez, bem-sucedida: Richter cruzou a nado o canal de Teltow, ao sul de Berlim, em quatro horas, sem ser visto pelos guardas de fronteira, que tinham ordens para atirar. "Eu fugi porque não suportava ter de reiterar o tempo todo a submissão ao estado e à ideologia comunista", diz. Na década de 70, uma anistia permitiu a fugitivos como Richter visitar novamente a RDA. Ele aproveitou a oportunidade para ajudar outros alemães-orientais a fugir. Ao todo, Richter contrabandeou 33 pessoas para o lado ocidental, todas escondidas em seu carro. Em 1975, ele foi pego pela polícia secreta enquanto tentava cruzar a fronteira com a irmã e o cunhado no porta-malas. Durante meses, Richter foi pressionado nas masmorras do regime comunista para entregar o nome de outras pessoas que planejavam escapar para o oeste. "Eu passava várias semanas na solitária e era interrogado quase diariamente", diz Richter. Condenado a quinze anos de cadeia por "tráfico humano", o herói do muro passou cinco anos e sete meses preso até ter sua liberdade comprada pelo governo da Alemanha Ocidental. Ainda hoje, Richter, de 61 anos, comemora o dia de sua fuga pelo canal de Teltow como se fosse seu aniversário.








98 comentários:
Esse artigo me lembrou um outro que li recentemente, sobre os anos em que David Bowie morou em Berlim [1] (por indicação da Dicta & Contradicta [2]).
Mas passei aqui mesmo é prá perguntar se já viste o último post da Yoani, onde ela relata seu seqüestro e etc [3]? Ainda estou chocado demais prá comentar...
[1] http://standpointmag.co.uk/node/713/full
[2] http://www.dicta.com.br/essa-musica-dos-diabos/
[3] http://www.desdecuba.com/generaciony/?p=2468
Alô Tambosi
Esta derrubada salvou o mundo dos olhos azuis e loiros,pois a tchurma veio acampar por aqui.
E ninguém tem a mínima idéia de onde construir muros por aqui,senão os vermelhinhos especialistas em paredón.
abraços
karlos
Só achei que texto menosprezou o papel do Papa João Paulo II. Do Reagan tb.
Tambosi:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/11/07/blogueira-cubana-detida-agredida-por-agentes-de-seguranca-914653127.asp
Concordo com o Cfe.O saudoso João Paulo II muito lutou pra acabar com esse mal que destruiu seu país e que tantas cicatrizes e sofrimentos deixou por todos os lados onde medrou tal qual uma hera venenosa.Também Ronald Reagan merece ser citado pois se hoje tivéssemos alguém com a grossura e firmeza dele este renascimento do comunismo em meio a selva Sul-Americana talvez não fosse tão fácil assim.
Esta Revolução não teve felizmente sangue porque simplesmente o comunismo era pó dentro de si mesmo.Só havia uma casca tão podre que a reação foi quase nula.O comunismo apodreceu em si mesmo e bastou uma bafejada de democracia e liberdade para toda a estrutura monolítica ruir.Um gigante com aspecto de aço mas feito de barro fino.
CFE e Hugo,
a Polônia de João Paulo não foi a primeira a tomar o caminho da mudança.
Não fosse Gorbachov, que jamais esperava, aliás, tal desfecho, e uns gatos pingados da Hungria (Nemeth na linha de frente) que, estes, sim, planejaram a derrubada do muro, junto com Kohl, nada teria mudado.
Recomendo a leitura do livro de Michael Meyer, "1989: o ano que mudou o mundo".
Vacilações e acasos também contribuíram.
J. Paulo teve papel importante apenas na sua Polônia natal - e Reagan chegou meio tarde...
"...a Polônia de João Paulo não foi a primeira a tomar o caminho da mudança."
O Papa foi o líder mundial que mais lutou contra a campanha comunista no mundo.
Viva o PAPA!
Menos opinião e mais estudo, anônimo.
Claro que é mais cansativo...
Alô Tambosi
ao anônimo 23:13
Seria bom recordar que os mandatos nos EU são de 4 + 4 anos(quando ocorrem) e no Vaticano são vitalícios,assim que a política e as decisões seguem e se balizam nesta escala de tempo.
abraços
karlos
karlos, so what?
Caro Tambosi:Acho que deverias ser menos preconceituoso.O papa João Paulo II trabalhou e muito nos bastidores da queda do muro de Berlim.João Paulo II sempre apoiou as resitências lá dentro dos regimes e através de seus bispos,arcebispos,cardeais e freiras auxiliou sempre as parcas vozes de oposição que conseguiam murmurar alguma coisa contra o nefando regime.Procure pesquisar e ver a biografia dos cardeais que lutaram lá dentro da cortina e pare de se guiar apenas por uma fonte bibiliográfica que lhe apetece pois isto não é com certeza a postura de quem se diz um homem da ciência no sentido lato da palavra.
Quanto ao Reagan Não se esqueça que a partir de seu governo uma ação anticomunista bem orquestrada evitou que outros regimes comunistas brotassem como foi no caso de Granada e foi graças a firme intervenção de Reagan que a URSS não interviu no levante do Solidariedade.Reagan ameaçou a URSS com o corte do trigo e outros alimentos-na época a URSS teve quebras de colheita-se a URSS interviesse na Polônia.Também foi sua ação decisiva que livrou o Afeganistão do espectro comunista.Diminuir o valor que Reagan teve é flertar com uma falsificação da história e assumir uma atitude de menosprezo com relação a este grande americano.
Alô Tambosi
Alô anônimo 00:22
so what?
Ora,ora, enquanto o ou (os)americanos tem um prazo definido e um congresso para vigiá-lo no fazer e executar algo,o PAPA não possue este limite e assim as ações podem ser mais elaboradas e menos visíveis.
O papado não é exatamente uma "democracia"como desenhamos normalmente assim que as cobranças terão um peso muito distinto das usuais do mundo "normal"mesmo que não admitamos.
ok?.
abraços
karlos
Hugo,
estudo o o tema há 20 anos. J. Paulo II e e Reagan tiveram papeis secundários.
Se estudar é preconceito, é bom que eu mande este blog para as cucuias.
Está ficando cansativo ter que responder à arrogânca de alguns e à má-educação de outros.
Leiam os livros recomendados o lado, todos publicados neste ano. Não há menção ao Papa,
Tambosi,
Como sabe, “a queda do muro de Berlim” pode ter dois significados: a física, propriamente dita, do qual o artífice do derrube foi, por inércia e erro de calculo, Gorbachov e o significado metonímico da queda do regime que assolava o Leste Europeu.
O desaparecimento do regime comunista foi obra de muitos homens que tinham não só essa intenção como agiam para concretizá-la, destes sobressaem João Paulo II e Reagan. Cabe lembrar, por exemplo, o apoio incondicional que os países saídos do pacto de Varsóvia deram aos EUA na invasão do Iraque, com a fundamentação deste último ter sido o verdadeiro libertador da Europa; e o entendimento tácito entre Jaruzelski e o Papa João Paulo II na aplicação da lei marcial na Polônia por causa do Solidariedade, antes do Gorbachov assumir.
Contrariamente aqueles que pretendiam o fim do regime comunista Gorbachov queria reformá-lo e suas ações, apesar de apressar o fim deste, apenas visavam a robustecê-lo.
"Hugo,
estudo o o tema há 20 anos. J. Paulo II e e Reagan tiveram papeis secundários."
E daí? Isso o tornou mais radical ou melhor no assunto?
Pelo visto...
Tambosi,
Agora reparei que escreveu que nos livros que refere não há menção ao Papa: tudo bem pode não haver.
Mas há um aspecto crucial que temos de aceitar acerca da dominação. Esta só é eficaz quando o dominado deixa-se ficar na posição que está, o que acontece na maior parte das vezes por ignorância quanto a sua condição. Na Polônia houve uma altura em que quase todas as famílias rezavam, em casa, o terço. Esse aspecto (desconsiderando completamente o lado espiritual) serve para demonstrar o desprezo da população ao regime.
Em relação ao domínio e suas consequências não se pode subestimar nunca quem usa saias. Foi a Igreja, incisiva no prelado de João Paulo II, que forneceu toda a base de sustentação a oposição ao regime.
"...quase toda a base..."
Não exageremos...
CFE,
J. Paulo teve papel ativo somente na Polônia, catolicíssima até o fundo de um barril de vodka.
E na Polônia a "refolução", como a designou T. Garton Ash, foi feita de cima para baixo.
Meyer foi o primeiro a documentar o 89 e entrevistar sobreviventes da queda do muro. Sem o papel de alguns gatos pingados húngaros, nada teria mudado. O governo norte-americano, aliás, foi pego de supresa e correu atrás do prejuízo.
Esse o grande insight do livro de Meyer.
Gorbachov disse que não repetiria 1956 e 1968 - e os húngaros, auxiliados pela Alemanha Ocidental, aproveitaram a "deixa".
Quanto ao anônimo que foi cortado, que modere a língua. Não confundir opinião ou fortes convicções com conhecimento, que exige rigor e método.
Fora, Marcos, DF.
Correção: surpresa.
O anônimo das 15:26 é o Marcola do DF, Tambosi. A falta de estilo denuncia o lustrador de sapatos do petismo que agora pega carona no comentários dos outros.
Fazes em mandá-lo de volta ao lixo.
Nelson
"J. Paulo teve papel ativo somente na Polônia"
Engano...engano.
Um líder desperta determinação na ação e isso não circunscreveu>se a Polónia mas a todo mundo cristão e não só. Se, por exemplo, fosse Bento XVI, o efeito, provavelmente, não seria mesmo.
"O governo norte-americano, aliás, foi pego de supresa e correu atrás do prejuízo"
Julgo que ninguem poderia dizer com exatidão que o Muro iria cair na data x, da forma y e nesse sentido a surpresa sempre existiria.
A queda do muro poderia ser em 1989 ou em anos subsequentes, isso para mim é irrelevante. Gobarchov foi o pedreiro, o artífice; já o Papa Joao Paulo II e Reagan foram os engenheiros que cavaram a vala para provocar erosão dos alicerces. Sem a orquestração das elites que houve na Polônia o comunismo teria vida redobrada, isso foi reconhecido por vários governantes na época.
Eu não considero o papel do Gorbachov como central porque para ele aquilo foi uma barbeiragem. É como se algum bebado atropelasse um assassino em fuga, recebendo os louros de herói.
Mas quando puder vou ler o tal livro do Meyer que, pelo nome, deve ser boa gente.
O papismo corre solto por aqui.
Nelson
Difícil, ou melhor, de acordo com os comentários do CFE e do Hugo, praticamente impossível entender que 1989 foi uma revolução sem líder.
Lá vem vocês dois querendo transformar João Paulo no líder de 1989.
Tenham a laica paciência!
A marca de 1989 foi justamente essa: revolução sem líder.
E foi justamente isso que aconteceu, quer vocês queiram, quer não.
Mas como a maioria está viciada em achar culpados absolutos ou líderes absolutos para tudo o que acontece na história, dá nisso.
Maria, é isto; parece que quem viveu os acontecimentos, como é o caso do Michel Meyer citado na reportagem, é completamente ignorante. Testemunha presencial vale menos que a suposta participação do Papa?
Nelson
Suposta participação do papado?A luta da Igreja começou em 1898 contra o comunismo na encíclica Rerum novarum de Leão XIII,passou pelos pontífices Pio XI e Pio XII que em suas encíclicas e documentos oficiais sempre condenaram o comunismo,passou até por João XXIII que nomeou de modo clandestino padres e bispos para a China vermelha e a URSS-muitos dos quais foram mortos mas cujos discípulos começaram a luta lá dentro de oposição aos crimes do comunismo,seguiu com Paulo VI reforçando a doutrina anticomunista,nomeando até cardeais atra´s da cortina de ferro e que deu amplo apoio às vozes que denunciavam os horrores dos democidas vermelhas e culminou no trabalho de João Paulo II na libertação de sua amada Polônia e de seu firme apoio aos católicos alemães que após a queda foram os que amis ajudaram aos pobres alemães orientais....
A raiva dos irreligiosistas que se dizem laicos contra qualquer mérito da Igreja é lamentável e qualquer testemunha que fale contra é válida só pra ter o gostinho de fulminar a participação da Igreja nestes eventos tão importantes.
Um lembrete pra vocês:
"Um testemunho ocular é a prostituta das provas".Adágio Romano antigo.
Boa questão, Nelson.
Acontece que, para os católicos, o "ver para crer" do são Tomé é visto como algo anômalo, como algo antitético à fé.
Fé verdadeira, para os católicos, prescinde necessariamente das comprovações sensoriais, em especial da visão, o sentido dito privilegiado.
Fé e cegueira são praticamente sinônimas.
E quando se opta por crer em dogmas, testemunhas oculares se tornam desprezíveis, insignificantes, dispensáveis.
Privilegiar a palavra em detrimento do ver é típico da cultura idólatra na qual estamos quase todos imersos e da qual poucos escapam.
E nem o Reagan escapa:Diminuem sua importância mas se esquecem de que foi Reagan que fomentou movimentos militares armados em contra das guerrilhas de esquerda que pululavam na América Central,Denunciou crimes dos Sandinistas,Isolou a Nicarágua e limitou a expansão de sua revolução comunista na América Central.Reagan também jogou duro contra os satélites da URSS fazendo com que limitassem suas ações de espalhamento da peste vermelha apenas em suas fronteiras.
Meyer omite tudo isto ou dá relevância secundária a tudo.É apenas uma opinião pessoal como é muito comum na história.Se não fosse a ajuda de fora que receberam a oposição alemã oriental já teria deixado de existir a um longo tempo.A queda do muro de Berlim em 1989 pode ter sido de surpresa mas já eram visíveis desde 1986 que o comunismo estava na UTI e que era como um paciente em coma que nunca se sabe se vai acordar ou morrer.
Alô Tambosi
Não esquecendo que o mundo maravilhoso das repúblicas socialistas soviéticas estava na m... e a pressão econômica foi demasiada TAMBÉM.
Um pequeno apanhado do pós-muro e vemos o desmantelamento com a venda de ativos(ouro,urânio,armas,petróleo e gás com prêços de pai para filho)buscando recompor um pouco a economia e com o violento aparecimento de máfias mais fortalecidas por falta de mão de ferro(estado)que controlasse.
abraços
karlos
As verdadeiras prostitutas das provas são as afirmações teológicas.
Isto porque se amparam em verdades dogmáticas, sempre incomprováveis, sempre dadas a priori.
E em termos práticos, se a palavra de uma testemunha ocular não vale nada, por que é que redes mundiais de jornalismo enviam para os locais onde algo de importante acontece no mundo seus "enviados especiais"?
Sei, sei: os acontecimentos mundiais precisam ser visto sob o prisma da metafísica, a única interpretação possível da realidade têm necessariamente que emanar do seio do divino...
Entre homem e mundo, só pode haver um mediador: Deus.
Então tá.
Frei Hugo, tu não leste o Meyer e já faz julgamentos sumário. Tens a postura de alguém que jamais erra porque está do lado dos Papas e da história de uma das igrejas.
Nelson
É isto, Karlos,
ideologia só reproduz a si própria: discurso, muito discurso. Produção, que é bom, só com o capitalismo.
Eu cá aguento com eu disse, mas não coloquem palavras na minha boca.
Eu não disse que a revolução de 1989 teria este ou aquele líder, aliás o conceito de revolução nem é unânime entre os historiadores.
Pelo contrário: afirmei que o precipitar de acontecimentos que levou a derrubada física do muro foi feito a revelia de qualquer chefe, chefinho ou chefão, mas teve um precipitador não intecional que foi Gorbachov.
Não falei em nada metafísico ou divino, e tomei o cuidado, quando citei o terço dos poloneses, de estar deixando de fora a espiritualidade da ação. Inclusive, apontei a probabilidade de Bento XVI não ter tido tanta eficácia quanto seu antecessor.
Não coloquei em dúvida o que o Meyer escreveu (nem poderia porque desconheço) mas o texto da materia de Veja. Mas surpreende>me que a utilização de uma fonte que filtrou, selecionou e escolheu vários testemunhos seja elevada a condição de única, sem importar com diversos outros argumentos.
Mas não é em vão que se chega num nível em que a patuléia resolve não respeitar guardas armados e autoridades tidas como violentas, e estas estarem tão debilitadas que não agem conforme o habitual script.
É preciso ter em conta que para o muro cair foi necessário que as pessoas acreditassem nessa possibilidade: Reagan e João Paulo II forneceram essa esperança (para de agir a outros níveis)
Às fontes, CFE, onde estão os textos comprovando o papel do Papa?
Eu li os livros citados, que recebi das respectivas editoras. Gostaria de ler outros sobre o mesmo tema que contrastem com esses aí. Indicações?
Nelson
Semelhanças...
As vezes quando falo de religião com certas denominações cristãs é>me atirada a Bíblia como fonte única.
Acreditar na não ação das lideranças e julgar que a massa solta é capaz de discernir e agir em conjunto foi o que a oposição fez na altura do mensalão. "Sangraram" tanto que Lula taí, leve e solto.
Ora,Maria.Você não conhecia este adágio Romano?Ele diz tudo:uma testemunha ocular pode ser corrompida.Era através de testemunhas oculares que os comunistas preferiam condenar quem quer que fosse sendo desnecessário a apresentação de provas...bastava o testemunho.Na Revolução Francesa idem.
Os hierófobos de plantão ficaram indignados com o que escrevi?Então vão pesquisar melhor e verão que o que comentei tem base e argumento em documentos e registros e também é sustentado por testemunhas oculares...Ah!Mas testemunho ocular de religiosos não vale não é?Dois pesos,duas medidas como sempre...
Já disse aqui um monte de vezes:História é uma das ciências menos científicas de todas.Muita coisa escrita até hoje em história é contraditória e sempre se persegue um viés para este ou aquele lado.Não há nenhum historiador 100% isento.Sempre há um lado.Só porque questionei Meyer já querem me lapidar?
Caro Cfe.Parabéns por ter lembrado destes dois homens que foram sim- a despeito da opinião preconceituosa de alguns- importantes na queda do comunismo e seus esbirros.
Semelhanças com quê? Não havia massa solta, mas também não havia o pontífice polonês como líder.
É verdade que a ICAR sempre se manifestou (exceções, há sempre exceções) contra o comunismo, mas apoiou ditaduras no Brasil, no Chile e na Argentina, sem falar no apoio ao fascismo português e espanhol e o silêncio ante o massacre do povo hebreu.
Nelson
"Muita coisa escrita até hoje em história é contraditória e sempre se persegue um viés para este ou aquele lado.Não há nenhum historiador 100% isento.Sempre há um lado."
Como historiador, fico estupefacto com Hugo. Posso deduzir das tuas afirmações que o holocausto hebreu não passa do viés "de um dos lados". Então tu serias tão revisionista quanto o Muhamad do Irã.
Nelson
A cruz, a foice e o martelo
Como o Vaticano abraçou o capitalismo
americano para derrubar o modelo de
gestão comunista do leste Europeu
Por fábio altman
Castel Gandolfo, casa de campo do Vaticano, 17 de agosto de 1980, um domingo. Véspera do dia de Assunção, o ferragosto, o feriado mais sagrado do verão na Itália. Em companhia de seu secretário particular, Stanislaw Dziwisz, e da irmã Zofia Zdybicka, João Paulo II acompanha o telejornal noturno da RAI. A greve no estaleiro Lênin, em Gdansk, liderada por Lech Walesa, um eletricista desempregado e de amplos bigodes, está a todo vapor. A câmera mostra os homens de braços cruzados. Exibe o logotipo do sindicato Solidariedade e Walesa em cima de uma empilhadeira. Lentamente vira-se para a entrada de número 2. Do lado de uma imagem da Madona Negra de Czestochowa há um retrato de Karol Wojtyla com o solidéu branco. A irmã vira-se para o pontífice: “Isso é uma lição para o mundo todo”, disse Zofia. “Olhe para a contradição, os trabalhadores estão contra o comunismo”. A resposta veio com um aceno positivo de cabeça e um comentário repetido três vezes pelo papa. “Só que o mundo não entende nada, o mundo não percebe.” Esse breve comentário talvez tenha sido o único erro de avaliação de João Paulo II no início do seu mandato. O mundo percebia, sim. O comunismo começava a morrer nos canteiros navais de Gdansk – daria seu derradeiro suspiro nove anos mais tarde, com a queda do Muro de Berlim, e a queda de Mikhail Gorbatchov na hoje extinta União Soviética.
O retrato de João Paulo colado na entrada do estaleiro era o indício de que a visita que ele fizera à Polônia no ano anterior, em 1979, plantara a revolta contra o regime aliado da URSS. A fotografia alimentara o grito dos poloneses tal qual o rosto triste de Che Guevara movera uma geração no final dos anos 60 e início dos 70. O papa, evidentemente, não derrubou o governo polonês sozinho. Era o que faltava, e não era pouco, para expor uma crise econômica mortal. A dívida externa explodia. A escassez deixou milhões de pessoas sem carvão para aquecer suas casas. O governo apelava para o congelamento de salários e aumento de preços. A economia planificada fracassava ao ritmo de greves. “A viagem de Karol Wojtyla em 1979 foi a semente que nos levou a prosseguir a paralisação”, diz Jerzy Waszczuk, ex-dirigente do Solidariedade. Dali para frente, ao longo de uma década, as peças do dominó marxista na Europa do Leste cairiam uma a uma: Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Alemanha Oriental e URSS. Gorbatchov diria, anos depois do fim do regime, que “sem João Paulo II possivelmente tudo seria mais lento”. O próprio papa definiu a virada revolucionária ao escritor italiano Vittorio Messori. “Seria simplista dizer que a Providência Divina causou a queda do comunismo. Ele caiu por si mesmo em conseqüência de seus próprios erros e abusos. Ele caiu por si mesmo devido a suas próprias fraquezas internas.”
Faltou reconhecer, no entanto, um outro auxílio
crucial, quase secreto: o da CIA, a agência central de inteligência dos EUA. Sabe-se hoje, graças ao livro de Carl Bernstein e Marco Politi, Sua Santidade João Paulo II e a história oculta de nosso tempo, que o Vaticano de Karol Wojtyla e a Casa Branca de Ronald Reagan firmaram uma aliança. Em Washington, o núncio papal conversava com William Casey, diretor da CIA, e com William Clark, assessor de Segurança Nacional. Conversavam sobre a Polônia. Dessas conversas brotaram consenso sobre a ajuda de US$ 50 milhões da entidade americana ao Solidariedade para publicações e mensagens na televisão – tudo com o conhecimento e aval da Cúria Romana. O embaixador reformado Vernon Walters era enviado a Roma a cada seis meses para discutir assuntos de interesse comum dos EUA com o Vaticano. A Igreja Católica lutara contra o marxismo desde a época de
Karl Marx. Não havia, portanto, nenhuma novidade histórica em relação ao dogma religioso – o inédito era a parceria com os Estados Unidos.
De mãos dadas com Reagan, personagem crucial dos anos 80, João Paulo II selou uma vitória – mesmo que ele próprio nunca a tenha tratado dessa forma. Em 1993, ao visitar Riga, na Letônia, o papa recorreu a uma de suas armas, a fina ironia, para celebrar o trunfo socioeconômico e ao mesmo tempo lamentar os estragos produzidos pela derrocada do comunismo. “A exploração produzida pelo capitalismo desumano era um mal real e esse é o grão de verdade do marxismo”, disse. ”Essas sementes não devem ser destruídas, não devem ser carregadas pelo vento.” João Paulo II reproduziria essa mesma observação diante de um milhão de cubanos e de Fidel Castro, em Cuba, na visita de 1998. A observá-lo, o imenso painel com o rosto de Che Guevara. O papa polonês morreu recompensado com o fim do comunismo, mas preocupado com o avanço do que ele definira, um pouco antes, como “lumpenkapitalismus”, uma espécie selvagem e miserável de capitalismo, uma luta do homem contra o homem.
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/especiais/papa/cruz_foice_martelo.htm
complemento do link:....../papa/cruz_foice_martelo.htm
Solicitei indicações de obras e não recortes de jornais antigos, que só comprovam a participação do Papa polonês na terra natal. Ou tu achas que uma ou outra aparição do pontífice andarilho desencadearia uma mudança tão grande?
Os papas se calaram diante das ditaduras não comunistas. Na América Latina quem contribuiu para a derrocada das ditaduras foi o batista Jimmy Carter. Aonde estava a ICAR?
Nelson
Vou dormir, Hugo, se tiveres indicações concretas de livros que reforcem apenas a atuação da ICAR amanhã lerei com prazer. Desconheço-as.
Nelson
Caro Nelson:O que me assusta é seu desconhecimento de História.Vamos a um exemplo:Tito Lívio escreveu uma famosa história de Roma.Em seu relato histórico ele jamais diz que os Romanos perderam por incapacidade ou por maior competência do inimigo;ele sempre diz que foi ou por traição ou por jogo sujo dos adversários ou por desrespeito aos deuses ou até a certos rituais realizados de forma incorreta....Dá pra acreditar nisso?E como sabemos que foi por competência dos adversários?infelizmente não sabemos porque é só pela pena de Lívio que temos muitas das informações.
Você fala do holocausto quase como um dogma.Se o holocausto é tão certo assim porque tantas leis que punem quem ousa ao menos querer examinar a questão de um ponto de vista mais acurado?Eu acredito que o holocausto tenha existido mesmo mas tem muita coisa mal-explicada isso tem.Mas se você fala alguma coisa por mais banal que seja sobre o holocausto pronto.Lá vem a patrulha e literalmente te força a se calar.Aprenda de uma vez:História é feita por 1 ou mais lados e suas versões são distintas em vários pontos e concordantes em outros.Veja a Guerra Civil Espanhola;Veja a Guerra dos cem anos;e tantos outros exemplos de que uma visão pode se tornar hegemônica mas pode não ser a certa.
Quanto a Ahmadinejadi ele é o Lula do Irã e portanto é um deficiente intelectual e não deve ser levado a sério.
Entendi... guerrinha de fontes, tipo "chefinho disse". Julgava que isso fosse coisa de que acusassem os católicos, que "não pensam pela sua cabeça". A fonte disse, tá dito.
Antes de mais estou no Brasil, longe da minha (outra) residência. Não é brincadeira porque que tem paciência para ler o que escrevo sabe que eu referi isso anteriormente
Posso lhe indicar um livro que conta, de modo resumido, a história da Europa pós 1945. Não fala da Igreja propriamente dita mas dá conta de diversos fatos para que a pessoa possa se ambientar no encadeamento dos acontecimentos da política européia
http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=4214
Posso lhe dar o exemplo do testemunho insuspeito de alguem que não é complacente com a Igreja Católica: Mário Soares, ex>presidente português, socialista, maçom e que habitualmente apresenta>se como laico. Um tipo de pessoa que está em tudo onde há política e foi presidente da Internacional Socialista. Ele chegou a fazer uns programas onde conversava com o FH, já na condição de ex>presidente e pensa o que foi aí que falou sobre isso.
O testemunho de autoridades polonesas na altura da morte de João Paulo II tb corroborou a importância que este teve.
A suspeita, muito bem fundamentada de que a tentativa de assassinato feita por um turco ao Papa, fosse planejada por Moscou.
Se realmente quiser fontes, e este seu pedido não seja apenas uma tentativa de chega pra lá a minha pessoa, há bastante material disponível em diversa mídia, na altura do falecimento do Papa. O material é muito abundante e está a disposição na internet e pode escolher quem quiser, desde os próximos aos opositores da Igreja.
Nelson,
Estou lendo o que escreveu agora. Olha, não dá bandeira.
O Nelson não leu uma linha sequer do que coloquei aqui.
Mas é bem assim:se eu colocar uma revista não serve;se eu ´colocar uma bibliografia tamvbém não vai servir ...
O que o Nelson se negou a ver:
Carl Bernstein e Marco Politi, Sua Santidade João Paulo II e a história oculta de nosso tempo
"Na América Latina quem contribuiu para a derrocada das ditaduras foi o batista Jimmy Carter. Aonde estava a ICAR?"
Essa foi ótima. Conta outra do Jimmy Carter.
Só para constar: tente saber de onde veio o dinheiro que financiou o crescimento de pentecostais opostas a Igreja Católica. E o motivo para tal.
Calma, gente, isto tá parecendo FLA-FLU ou Grêmio-Colorado.
Dedico este link ao Cfe:
http://super.abril.com.br/religiao/papa-historia-445556.shtml
E a todos os que tem boa vontade de ler o que indicamos sobre Karol Woyjtyla e Ronald Reagan.
Boa noite.
Nem Fla, nem Flu, mas Vasco de volta a primeira e com a maior público !
Hugo,
Em primeiro lugar eu agradeço.
Em segundo lugar , eu te dou um puxão de orelhas, não pelo teor do que está escrito mas porque a superinteressante é um revista horrível!
Retiro que disse do teor da página indicada pois aquela matéria é um cavalo>de>tróia.
Diz uma coisa para passar outra mensagem como é habitual nessa publicação.
Que furada, Hugo!
http://www.economist.com/books/displaystory.cfm?story_id=14793111
http://www.thenation.com/doc/20091116/suny/
http://www.newcriterion.com/articles.cfm/Tyranny-set-in-stone-4304
http://www.youtube.com/watch?v=OJQi8nEIj2g&feature=player_embedded#
Barbaridade, quanta agressividade, Hugo! Desqualificar os outros é tática petralha. Estudo história e não sou dono da verdade, mas a História não é tão enviezada e tão relativa como tu pensas, a ponto de levantar dúvidas sobre o Holocausto, o que já diz tudo da tua posição compatível com a dos anti-semitas.
Estamos analisando um exemplo de história contemporânea, recentíssima, e me vens com Tito Lívio? Tenha paciência!
Daqui a pouco tu me vens com a Patrística.
Quer dizer que o testemunho não vale? Então deveríamos fechar boa parte da Justiça e desconsiderar o próprio livro que tu citas, a biografia de João Paulo II, escrita pelo beberrão Bernstein e o chapa-branca do Vaticano Marco Politi.
Os métodos da História recomendam considerar com cuidado os relatos, mas não desqualificá-los, do contrário também não teríamos história. Mas é verdade que as personagens de biografias tendem a realçar além da conta sua participação nos episódios históricos, e isto vale também para o Papa. Biografias e auto-biografias exigem especial cuidado.
Tenha dó, Hugo! Tentaste me desqualificar e me apresentas artiguetes da Super-interessante?!!!!
CFE, conheço Tony Judt, já traduzido no Brasil e se não me engano já propagandeado aqui pelo Tambosi. Não é um livro que demonstre que o trabalho de M. Meyer ou o de Frederic Taylor, para citar os mais recentes que também li, estejam equivocados. As 600 páginas deste último mencionam apenas a eleição de João Paulo II.
Estou com o Tambosi nesse aspecto: o Papa teve alguma participação apenas na Polônia.
Nelson
Nelson,se te incomodaste com o Tito Lívio apenas porque é antigo então vou te incomodar mais um pouco:Já ouviu sobre a Batalha de Kadesh entre Ramsés II e o rei hitita?Ramsés II o faraó mais megalômano que o Egito já teve mandou fazer templos e estelas comemorando seu triunfo nesta batalha.Foram centenas delas por todo o Egito e até fora dele.Enquanto isso sobre a versão dos fatos dada pelo lado hitita só tem 2 estelas e alguns arquivos do palácio real de Hattusa.Nesta versão os hititas é que se consideram vencedores.Quem está com a verdade?Ramsés II e sua enorme propaganda ou o rei hitita e sua sóbria comemoração?Pois segundo fontes modernas e achados arqueológicos recentes a verdade está do lado Hitita.
O que eu quis dizer com tudo isso?Que ás vezes o que é massivamente divulgado pode não corresponder à verdade absoluta dos fatos.Além de Meyer tem outras dezenas de livros que omitem o papel de Reagan e João Paulo II na queda do muro de Berlim sendo alguns destes bem badalados e divulgados.E no entanto segundo palavras dos próprios protagonistas da é poca a influência destes 2 homens foi importante para derrocar o pesadelo comunista.Mas Meyer e outros levaram isto em conta?Não.
Meyer e os outros fizeram o que qualquer historiador sempre fez:selecionaram as fontes,julgaram quais seriam melhores e montaram suas teses em cima delas.Simples.Você desqualificou meu link da superinteressante apenas por ser da decadente superinteressante mas demonstrou que nem chegou a ler o artigo.Em uma parte do artigo está uma observação bem interessante sobre o modus operandi do Vaticano em sua ação pra solapar o comunismo.No outro texto que coloquei e que solenemente ignoraste está bem mais clara a relação CIA-Vaticano mas como bom historiador descartaste este material.Não tenha vergonha não de fazer isso.Quantos historiadores tinham critérios pessoais na escolha de suas fontes-"Esta é confiável,Essa não é,aqueloutra me deixa na dúvida....-.
Se você crê que a história tem o rigor científico das Matemáticas então meu amigo estás redondamente enganado.Tua compreensão de história é débil demais.E ingênua.
Hugo, tu és um relativista linha dura, não respondes a argumentos e, ao modo petralha, só procura desqualificar que não aceita teus pratos feitos.
Hititas, meu caro, ora vá plantar inhame. Estamos falando da história recente e não do passado remoto. Não fuja da questão. O Papa não liderou a queda do comunismo, embora a ICAR tenha sido contra em geral contra o comunismo, ao mesmo tempo que deixava as coisas rolarem nas outras ditaduras. Silênco sobre o fascismo e o nazismo, quando não colaboracionismo.
Mais ainda: órgãos ligados à ICAR brasileira namoram o comunismo dando novo nome ao monstro: teologia da libertação. A ICAR vive de contradições.
Acabei de dar uma gargalhada estrondosa aqui no meu trabalho por causa do "vá plantar inhame".
Hititas em plena segunda-feira "goda" é dose!
Caríssimos,
vejo que a discussão pegou fogo de ontem para hoje.
De minha parte, repito o que disse lá em cima. O Papa João Paulo teve participação na Polônia, mas a libertação desta foi posterior à queda do muro e teve que conviver com o último presidente da era comunista, o general Jaruzelski. A Mesa Redonda foi a forma de convivência arranjada entre os remanescentes do velho regime e o sindicato de Lech Walesa
Na Polônia, a mudança veio de cima, diferentemente da Alemanha e da então Tchecoslováquia. O líder do Solidariedade, admiradíssimo pelo PT nascente por aqui, meteu os pés pelas mãos. Foi um Lula polonês, nada mais.
Concordo, no geral, com o que foi dito pelo Nelson, que tive o prazer de conhecer hoje e ver que temos muitos pontos em comum, mas ele tem uma posição muito mais radical em relação às religiões.
Respeitável também.
A quem possa interessar:
João Paulo II sofreu um atentado no dia 13 de maio de 1981, dia da aparição de Nsa. Sra. de Fátima em Portugal, tal fato mudou o rumo de seu pontificicado porque a mensagem aos pastorinhos videntes previa o atentado e relacionava-o a Russia comunista.
A partir daí o Papa utilizou de todas suas forças e meios para combater o comunismo.
Até aqui acredita quem quer, e nada do que eu disse corrobora sua importância nessa fase histórica.
O problema, para quem coloca em dúvida seu mérito, é que, na Europa, a quantidade de políticos e personalidades que assistiram e estavam de alguma forma envolvidas nas questões de política internacional é muito grande na concordia sobre seu papel determinante.
Tambosi,
Antes da queda do Muro houve eleições semi-livres na Polonia, as quais o Solidariedade ganhou.
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Ok. Admitamos que o Papa não foi a pessoa que mais se bateu pela mudança no leste europeu.
Quem foi então ?
CFE, acho que já respondi com o novo post. Foi uma revolução sem líderes no sentido clássico. Aliás, o conceito clássico de revolução já era.
Repito, incansavelmente: a teocracia vaticana, no papado JOão Paulo, só influenciou na Polônia. E a Polônia foi a reboque. O estopim foi aceso pelos húngaros e pelos alemães.
Gente:
A história é uma coisa complexa; é um "labirinto", como nos diz Bobbio. Leiam Tucídides, vejam como ele mostra a complexidade da realidade política durante a Guerra do Peloponeso e tentem imaginar quão mais complexo deve ter sido um processo como a Queda do Muro, que envolveu mais gente e se deu num mundo mais cheio de nuanças que o de Tucídides.
Façam isso, se quiserem entender alguma coisa. Se não quiserem, abracem uma visão pré-fabricada qualquer.
A visão pré-fabricada a gente compra na mesma região das casas pré-fabricadas?
Im Gottes will!!!
Visão pré-fabricada se compra nas igrejas. De lá sai tudo prontinho.
Nelson
Meu caro anônimo sem cultura:Os papas Pio XI e Pio XII condenaram o fascismo,o nazismo e o comunismo.Se você é da turma que acredita nas teorias montadas pelo opúsculo mentiroso "Pio XII:o papa de Hitler" então lhe indico uma fonte que desconstrói ponto por ponto essa propaganda contra Pio XII:http://www.friesian.com/popes.htm.A Igreja Católica sempre condenou o Fascismo e o Comunismo.A existência da Teologia da libertação é fruto da contaminação esquerdista em diversos setores da Igreja aqui nas Américas.Mas ela nunca teve o pesado apoio que dizes que tem lá de Roma.E pra terminar se quer perguntar pra alguém porque foram coniventes em demasia com os regimes nazista e comunista,pergunte aos Luteranos e Evangélicos alemães(entusiastas desde a primeira hora...) e pros Ortodoxos Russos(o patriarca foi nomeado por Stálin e ficou quieto quando este matou popes e freiras...)
Sem dúvida, Nelson: igrejas são um dos melhores pontos de venda das viseiras pré-fabricadas.
Mas há outros menos citados, como, por exemplo, certas universidades atuais.
E se dizem indivíduos esclarecidos....iguais aos jacobinos e trupe de 1793-1794.Quantos Robespierre e Saint-Juste-com saias e sem....-aparecem aqui proclamando serem amigos da verdade.Da sua verdade será?
E é gente deste naipe que promete o paraíso intelectual na terra mas depois agem como coveiros analfabetos de enterros coletivos...Haverá mais liberdade em Igrejas do que em clubinhos de iluminatis metidos a bestas?
Tu cabes dentro de uma casa, Hugo?
Só tu sabes, tu és iluminado, tu tens a verdade, tu deténs todo o conhecimento; os outros são rodapés. Bah, quanta arrogância!
Nelson
E ainda se mete a conselheiro: vão todos ao blog do Reinaldo Azevedo! O que é, no mínimo, uma descortesia com o dono desta casa aqui.
Imaginem-se numa festa, apreciando um prato que nos foi gentilmente servido, e alguém começa a dizer que o Fulano de Tal é que sabe fazer o prato X como ninguém!
Isso pra mim é falta de berço.
De mais a mais, eu já li o 1989. Não preciso ir a outro blog para ler o repeteco do Meyer.
Dizem que pretensão e água benta, cada um toma a seu gosto. Mas pra quem lê, não resta a menor dúvida: "a ignorância é indigesta pro freguês."
Alô Tambosi
Vamos jogar gasolina ué!.
O Papa João Paulo não teria sido indicado para "semear"alguma coisa no meio da turma do outro lado do muro?.
Quem sabe ao dar com os burros n'água com o João Paulo 1 os cardeais resolveram bater de forma mais direta.
abraços
karlos
Admirável mundo novo esse, onde os homens guiados pela razão resolvem, numa iniciativa coletiva e espontânea, enfrentar de mãos vazias soldados e polícia, tudo sem ordens, estratégias ou combinações porque nestes sobressaem os que realmente mandam e isso não pode ser porque o futuro é iluminado.
Paira a dúvida se terá sido Mandrake, a Sininho ou a Cuca a mandar o pó de pirlimpim capaz de tal proeza.
PS: após a invasão do Iraque todos aqueles que tinham funções de mando na segurança foram demitidos pelo novo governo suportado pelos EUA: num ápice o país começou a ter graves problemas de segurança até então desconhecido.
Foi uma estratégia oposta a que os americanos utilizaram na Ásia quando enviavam tropas japonesas derrotadas para impor a ordem junto da populações libertas.
Entre uma uma guerra e outra a atitude do Tio Sam mudou: talvez um exemplo de que as convicções mudaram.
Povo junto, sem comando, não é capaz de nada: quando muito grita, em manada, a uma loirinha de vestidinho vermelho.
E a Bíblia, esse livro "formatado" dá conta disso na altura em que Pilatos convence o povaréu a crucificar Jesus.
CFE, desculpe,
mas por que a insistência em enfiar o Papa na queda do comunismo? Digo uma vez mais: ele teve influência na Polônia, apenas na Polônia, onde o catolicismo é forte. Nada disso na RDA, na Tchecoslováquia, na Hungria ou na Romênia.
No mais, não houve nenhum nenhum Robespierre, nenhum Lênin a guiar as massas.
Não insisto mais nesse ponto.
CFE,
leia o 1989, do Meyer.
Para entender a correta crítica que o Tambosi fez à perspectiva desse autor, é preciso primeiro ler o livro.
Dizer que não houve um único líder, com um mega-projeto revolucionário e que buscasse implantar uma nova forma de governo diametralmente oposta à que esse suposto líder pretendeu derrubar, não significa absolutamente afirmar que o povo, a "massa", agiu única e exclusivamente a partir do seu desejo e o direcionou aos seus racionais e lúcidos objetivos.
Houve vários acontecimentos pontuais que formaram uma "constelação" propícia às ações populares na DDR.
Se você preferir chamar esses vários acontecimentos pontuais na Hungria, na Polônia e na própria DDR de ações Sininho, ou Mandrake, ou Pó de Pirlimpimpim, que chame, embora possam vir a soar como sendo apelidos irônicos profundamente inadequados para quem já tenha se dado ao trabalho de se inteirar melhor dos fatos históricos que determinaram a queda do muro de Berlim.
A ingenuidade que você parece atribuir às afirmações fundamentadas dos Tambosi é injustificada.
Alô, arrogante Hugo, tu devias ensacar a viola depois de revelar tua cultura histórica de almanaque. Wikipedia, enciclopédia e almanaque não dão cancha pra ninguém. Curiosidades de história antiga idem.
Deixe um pouco o mundo antigo e encare o presente na dureza que o mundo científico exige, senão é seguir a vida como Weber disse: as portas dos templos estão sempre abertas.
Nelson
Meus caros ultramontanos e liberais:
O Muro de Berlim só caiu porque os Illuminati assim quiseram. E ponto final. Encerrei o assunto.
As versões que vocês endossam nada podem contra a paranoia pura e simples.
Ah... Que pena o assunto ter sido encerrado!
De manhã, ao passar em frente uma livraria, no centro, até pensei em entrar para ver o livro do Meyer mas como estava atrasado não deu. E
Eu respeito a convicção de qualquer um e no tocante a revolução eu não digo que o Papa foi "o líder" apenas o que mais se destacou pela perseverança e importãncia no combate. Estou mesmo convencido de que o regime até duraria mais, porem não posso dizer isso com certeza porque não sou advinho e como o DD disse, muito bem, são muitas as nuances a ponderar.
Mas julgo que vcs estão desmerecendo o papel do Papa na questão porque a Polônia foi o espinho cravado no regime soviético. Se na reta final outros tomaram a dianteira, não discuto. Podem até dizer que o Papa conseguia fazer isso porque era um Papa com suas prerrogativas e seguranças e que não havia outro natural de leste a ocupar uma cargo que pudesse ter a projeção que ele tinha.
Eu insisto nisso porque , como já disse, acompanhei muito a história pessoal de João Paulo II e seu envolvimento com Portugal. Mas não é só uma simples admiração ou um exagero dum católico na biografia do chefe da Igreja de que faz parte. É ter visto muitos líderes em entrevistas dizendo exatamente isso que ora escrevo.
Portanto se o livro do Meyer vos surpreendeu porque é bom, e não dúvido que o seja: eu tambem posso escrever e insistir em transmitir aquilo de que conheço.
Não posso deixar de dizer que num país como Portugal perante a absoluta falta de notícias locais e calma reinante, sobra muito tempo as tvs, jornais e internet falarem sobre os mais diversos assuntos a nível internacional. E quanto ao que insisto, a opinião é amplamente majoritária, mesmo em veículos donde espera-se a crítica e não a conocôrdia ou elogio por causa da religião.
Cmpts
Pois é, CFE, Portugal, Mário Soares et alii são ótimos.
Ruim mesmo é este blog.
"Mário Soares et alii são ótimos."
"Ruim mesmo é este blog."
Vc sabe que eu não disse isso.
Nelson tenho pena de ti.És um fracasso rotundo em matéria de história.Não existe presente sem passado.E não existem fontes presentes sem ter ao menos deitado um olho em fontes do passado.
Desisto de ter de debater com um muro.Desmereces a wikipédia mas se esquece que muitas fontes dela são legítimas e aceitadas amplamente.Desmereces almanaques e enciclopédias mas te esqueces que são nas linhas de uma enciclopédia ou de um simples almanaque que nascem o desejo de se conhecer mais.Seu preconceito com diversas fontes só me faz chegar a uma conclusão:quando escreveres um livro ele com certeza será uma droga.
Caro Cfe:Não ligue pras opiniões que o desmerecem.Aqui é um espaço onde infelizmente alguns usam pra espezinhar os outros ou lhes dar alcunhas.Parabéns pelos teus comentários.
"Aqui" é o espaço virtual de Orlando Tambosi, Hugo, o Espaçoso.
Pare de agir como se fosse o dono da casa.
Uma coisa é ser a pit bull do blog, pois cães são territorialistas. Outra é dar uma de anfitrião na casa alheia.
Humanos são educados, mas cães não o são.
E como cadela do blog eu te digo: baixa a crista, galinho de briga!
O blog é do Orlando Tambosi, não foi nem nunca será seu.
Você, tanto quanto a cadelinha aqui, não passam de visitantes.
Territorialismo é comprensível em cães e cadelas como eu. Em pretenciosos humanos é violenta invasão.
Assim sendo - e assim é! - reduza-se à sua insignificância!
Cansativo Hugo, tu confessas a tua crassa ignorância. Não passaste pela academia nem sabes o que é rigor acadêmico-científico.
Disseste que nos almanaques e nas enciclopédias (e na onipresente Wikip.) é que começa o interesse por conhecer, e eu concordo. Mas é aí que termina o seu pretenso conhecimento, pois isto não é fonte para gente séria que passou por universidade. Tua arrogância é proporcional à tua ignorância, bombachudo alemão.
Vê se tu pára de arrotar o que não sabea e vai ler livros sérios. Não precisa profetizar livros meus, pois nenhum tenho em vista.
Fique com tua cultura de almanaque e vai encher o saco do bispo mais próximo, cão hidrófobo! Cuidado com a carrocinha!
Nelson
Hugo, estou em Campinas (São Paulo) e sei que tu vais atacar só te madrugada, como fizeste na minha ausência por aqui. Limpe a baba islâmica, antes de responder.
Nelson, tomando um chopp no Giovanetti.
A humanidade agradece que não escrevas um livro.E como sempre usa de mentiras e ilações pra se defender.Fazer o quê?
Pra teu governo eu já escrevi 3 livros mas fique tranqüilo:A temática deles não tem nada a ver com este assunto que bagunçastes com tua dogmática oposição a tudo o que for de fontes que não te apetecem.
O que se pode esperar de um anõnimo que se identifica como Nelson?
Paulo Coelho já deve ter escrito pra lá de vinte livros, é autor consagrado pela aurea mediocritas grotense e francesa - além das de outras plagas - e não encontro adjetivo pejorativo capaz de expressar a boçalidade de sua "obra".
Quantidade não é sinônimo de qualidade. E reconhecimento do vulgo também não.
Fernando Pessoa morreu sem ter publicado praticamente nada. E é o melhor poeta português do século XX.
Meus livros são estes:
1-Mineralogia aplicada à Química:Arseniatos e Afins.Editora Ponto Zero,1995(este livro está fora de catalogo).
2-Mineralogia para Químicos, em parceria com o insigne e mui digno Sr.Agnelo de Souza Liuzzi(um dos raros colecionadores sistemáticos de minerais do Brasil),Editora Centelha dos Pampas,1998(fora de catalogo).
3-Genealogia da Família K....,em parceria com meus parentes da Europa-H.K,F.K e S.K.L-Editora Foronovo(Portugal),2003.(tenho alguns exemplares ainda).
"Desisto de ter de debater com um muro.Desmereces a wikipédia mas se esquece que muitas fontes dela são legítimas e aceitadas amplamente."
Hugo,
Os oráculos do mundo virtual:
Google e Wikipédia.
No final todo mundo recorre a eles.
Recorrer a são Google todo mundo recorre. A grande questão é que uns sabem pesquisar melhor do que outros, uns sabem escolher entre a multidão de artigos disponíveis na rede, quais são os mais sérios sobre o tema pesquisado, enquanto outros não têm o menor discernimento.
Não é por acaso que existe a disciplina "metodologia de pesquisa".
Pesquisar é coisa que se ensina e se aprende, e, como todas as disciplinas universitárias, sempre haverá os que não irão nunca aprender nada.
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