terça-feira, 31 de março de 2009

Sobre 64: nem esquerda nem direita, democracia!

O resto é autoritarismo
Não vou falar sobre 1964. Ditaduras merecem resistência e, depois, findas, o silêncio das anistias. Os comandantes militares da época já morreram. O que vem depois alimenta as posições político-ideológicas tanto da chamada direita quanto da esquerda, todas em busca de alguma vingança ou indenização sem-vergonha, principalmente no caso das "esquerdas".
Para mim, essa dicotomia morreu em 1989. Apenas observo que, no Grotão, tanto o que se tem por direita quanto o que se tem por esquerda não passa de autoritarimo, isto é, antiliberalismo. 
O divisor de águas, hoje,  é a questão da democracia: contra ela, temos autoritários e ditatoriais tanto à esquerda quanto à direita. Nunca existiu liberalismo por aqui, apesar das siglas e nomes reivindicados. Temos apenas vertentes autoritárias dos dois lados, igualmente antidemocráticos.
Meus valores: defesa da democracia e das liberdades. Mesmo que fale sozinho e seja maldito entre nostálgicos de um mundo que já morreu. E morreu tarde. Chega de discurseira antiquada! Basta de ideologias!

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Os hipócritas da ong PETA

Peta (People for the Ethical Treatment of Animals) é a ong multinacional que supostamente trata eticamente os animais sob seus cuidados. Pura hipocrisia: o que ela faz é matá-los, apesar de arrecadar mundos e fundos em nome de cães e gatos.
Não me surpreende. Não acredito em ong, a começar pelo falso nome. Todas elas mordem mais dinheiro junto a governos que a empresas privadas, isto é, são governamentais, sim.
Confira aqui.
(Obrigado, Adam).

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Dá-lhe, Sponholz!



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Os dois Brasis

Do livro A cabeça do brasileiro (RJ, Record, 2007), resultado da gigantesca pesquisa realizada pelo professor Alberto Carlos Almeida sobre o que pensa o brasileiro a respeito de ética, sexualidade, família, cor, política etc.:

A grande diferença no julgamento que a população faz do jeitinho é entre Nordeste, de um lado, e Sul e Sudeste, do outro. Os resultados indicam que nas regiões Sul e Sudeste o jeitinho é menos tolerado, ao passo que no Nordeste acontece o extremo oposto. Isso é importante porque indica, com bastante clareza, que - na média - não apenas quem mora no Nordeste é mais tolerante com situações consideradas erradas no Sul e no Sudeste, mas que, mesmo quando se trata de algo ambíguo - o jeitinho -, no Nordeste isso tende a ser visto mais como positivo (certo) do que como negativo (errado).
Pode-se perceber que, para aqueles que acreditam que o jeitinho mina e solapa as bases da cidadania moderna, uma vez que a noção de direitos se relaciona com a clareza quanto ao que é certo e o que é errado, o Nordeste é a região do país que mais tem a fazer para realizar o ideário da cidadania liberal.

E, já que perguntar não ofende: qual é a região do país que mais apoia o governo Lula, certa vez definido por um de seus ministros (Mangabeira Unger) como o "mais corrupto da História brasileira"?
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Gilmar Mendes e a demarcação de terras

Não percam a entrevista que o ministro Gilmar Mendes, do STF, deu a Renaldo Azevedo sobre a demarcação de terras indígenas:
Concluído o julgamento que decidiu pela demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, enviei ao ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, algumas questões. As respostas, que me foram enviadas ontem à noite, seguem abaixo. Segundo Mendes, o julgamento estabeleceu novos parâmetros para a demarcação de terras indígenas, disciplinando a questão.
Para o ministro, a decisão do Supremo estabeleceu “um novo modelo para as demais demarcações, superando-se o paradigma do índio isolado, que está na base das reservas indígenas gigantescas e contínuas em toda sua extensão”. Ele acredita que as demais demarcações devem afastar-se “do paradigma do índio nômade, isolado e desintegrado do restante da sociedade, que precisa de uma área enorme para viver.” (Continua).

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Na madrugada, Pat Metheny.



Não sei porque, mas isto me lembra a música mineira dos anos 70: Milton Nascimento e sua turma da esquina, antes de descambarem na xaropada latino-americana e se lambuzarem na pieguice politicamente correta do tal "Coração de estudante" (argh!).

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segunda-feira, 30 de março de 2009

Quando é que vão apedrejar os fumantes?

Não sou nem nunca fui fumante (bem, um charutinho uma vez ou outra vai bem),  mas não acho que os fumantes devam ser apedrejados nas ruas - falta pouco para que isto aconteça, nessa escalada contra os famigerados tabagistas. Bueno, agora o governo quer arrancar-lhes o couro aumentando os impostos sobre os cigarros, já altíssimos. Sobretaxar a cachaça, responsável por violência familiar e mortes em botecos Grotão afora, ah, isto não. Nóis têm direito a um traguinho, né, Lula?
Todo mundo sabe que o fumo é cancerígeno etc. Cuidar da saúde, porém, é uma questão privada, ao contrário do que pensa a mentalidade saudavelmente correta. Alguns dirão que os fumantes doentes vão, lá pelas tantas, parar nos hospitais públicos e todos pagam a conta, tabagistas ou não. Mas isto acontece com todos os tipos de doença, e nunca se tem certeza (a não ser em casos especialíssimos) que um determinado câncer foi ou não gerado pelo vício.
Se a questão é realmente erradicar os males do fumo, por que o governo não proíbe o cigarro? Ora, porque arrecada fábulas em impostos. Compensa até o que ele gasta em hospitais...
Dito isto, espero que os meus amigos fumantes não exagerem nas baforadas em minha mesa...
Detalhes aqui.

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Chávez abre banco com Ahmadinejad

O tirano venezuelano se aproxima cada vez mais da teocracia iraniana, com quem compartilha o mal-disfarçado antissemitismo e o gosto pelo atraso. Acaba de abrir um banco em Teerã, injetando quase dois milhões de dólares. 
Eita, mundo variado: é o "socialismo do século XXI" abraçado a uma ditadura religiosa. Que coisa mais pós-moderna! 
(Gracias, CFE).

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Lula entre os branquelos


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Sem-terra, sem-teto e sem-vergonha.


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A tarefa dos filósofos segundo Berlin

Continuo lendo as obras do filósofo Isaiah Berlin (1905-1997, portanto, um homem que viveu integralmente o século XX), sobre o qual ninguém me falou no colégio, na graduação ou na pós-graduação. Ah, sim, é um maledetto liberal! Para iniciar esta segundona, presenteio os amigos com uma citação de sua obra A Força das Ideias (sim, também acredito que elas têm força, para o bem ou para o mal):
A tarefa perene dos filósofos é examinar tudo o que não parece suscetível aos métodos das ciências ou à observação cotidiana, por exemplo, categorias, conceitos, modelos, modos de pensar ou agir, e particularmente os modos como eles colidem uns com os outros, com a intenção de construir outras metáforas, imagens, símbolos e sistemas de categorias com menos contradição interna e (embora isso nunca possa ser plenamente alcançado) menos suscetíveis de perversão. É certamente uma hipótese razoável que uma das principais causas de confusão, desgraça e medo seja, quaisquer que possam ser as suas raízes psicológicas ou sociais, uma adesão cega a noções gastas, uma suspeição patológica de qualquer forma de auto-exame crítico, esforços furiosos para impedir qualquer grau de análise racional aquilo de que e para que vivemos.
Essa atividade socialmente perigosa, intelectualmente difícil, frequentemente torturante e ingrata, mas sempre importante, é o trabalho dos filósofos, quer lidem com as ciências naturais, quer tratem de questões morais, políticas ou puramente pessoais. A meta da filosofia é sempre a mesma, ajudar os homens na compreensão de si mesmos e assim operar na claridade, e não loucamente, no escuro.
Aqui, um documentário da BBC sobre Berlin.
Bom dia.

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domingo, 29 de março de 2009

Tarso "Illich" quer controlar a Internet

Se a chamada "Lei Azeredo", cujo objetivo é vigiar e controlar a Internet, é autoritária, ditatorial se tornará com a ingerência do ministro da Justiça Tarso "Illich" Genro. É isto mesmo: ditatorial, bem ao gosto do leninista que Tarso nunca deixou de ser.
Tarso "Illich" sempre estará presente quando o assunto for controlar, tolher, proibir, restringir as liberdades e expandir a ação do governo sobre a sociedade. Sempre estará presente, também, para proteger terroristas condenados no exterior e extraditar, na calada da noite, fugitivos da ditadura cubana. É questão de formação político-ideológica - indelével em mentes "esquerdistas", mais propensas às ideologias que ao pensamento científico.
O ministro da Justiça deve sonhar com um Stasi à brasileira.
Se depender da vontade do governo, a lei de crimes da internet será muito mais restritiva do que gostariam os senadores. Na minuta do projeto, o Ministério da Justiça quer que os provedores de acesso mantenham por três anos todos os dados de tráfego de seus usuários. Ou seja: que hora se conectou à internet, em que sites entrou e quanto tempo ficou.
O Congresso em Foco teve acesso na quarta-feira (25/3), com exclusividade, a um trecho da minuta elaborada pelo MJ. O texto modifica a redação do artigo 22 do substitutivo ao Projeto de Lei 84/99, elaborado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). É justamente essa parte da peça em tramitação na Câmara que tem causado polêmica entre internautas e sociedade civil, pois obriga os provedores de acesso a armazenarem os dados de conexão dos usuários.
Agora, o MJ, influenciado por setores da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), quer radicalizar. Pelo substitutivo do senador tucano, ficariam guardados os hórários de log on (entrada) e log off (saída). Já na minuta do ministério, além de todos os dados de tráfego, os provedores seriam obrigados a registrar o nome completo, filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica.(Continua).
Críticas à mão grande de Tarso também no blog Imprensa Marrom.
(Obrigado pela dica, Paulo Araújo).

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Jornalismo da UFSC comemora 30 anos

Criado em 08 de março de 1979, o Curso de Jornalismo da UFSC está completando 30 anos. Como parte das comemorações, receberá amanhã, às 15 horas, para uma aula inaugural no auditório do Centro de Comunicação e Expressão (CCE), quatro ex-professores que participaram do processo de criação e implantação do curso.
Os jornalistas catarinenses Moacir Pereira, Paulo Brito e César Valente vão apresentar, ao lado da chilena Maria Elena Hermosilla, um panorama das três décadas do curso e sua importância na formação profissional.
Mais informações aqui.

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Blogs em destaque

O blog deste escrevinhador - junto com O Indivíduo, Da Cia, Balaio de Siri, entre outros - foi destaque da semana no Programa Dr. Negociação, transmitido para todo o país pela TV Climatempo e Sky (canal 102).

Você também pode ver o programa, apresentado por Nacir Sales, neste endereço. Os comentários sobre a blogosfera estão na parte final (Moratória já).
Grato, Nacir.

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Já para o Grotão!


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sábado, 28 de março de 2009

Ecochatos das trevas!

Deixarei todas as luzes da casa acesas das 8:30 às 9:30 (eu disse todas!), em discordância à convocação da rede WWF, que propôs ao mundo apagar as luzes nesse horário.
Inventaram que isto seria "A Hora do Planeta". Não, é a hora de os pilantras demonstrarem que têm alguma força e morder ainda mais dinheiro dos governos mundiais, pois não existe organização não-governamental, neste planeta de macacos, que não mame fartamente nos cofres públicos.
Escolheram bem o símbolo: trevas! E a mídia paspalhona do Grotão vai atrás desse circo. Aqui na província até teve manchete desse tipo: "Dia de ligar a consciência".
Ora, vão lamber sabão, vão se roçar nas ostras, vigaristas!

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Ela não é branca nem tem olhos azuis

Isabel dos Santos, filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos, é uma "grande empresária" associada à ralé branca de olhos azuis da Europa, inclusive banqueiros, especialmente de Portugal.
Chego a pensar que o milionário Lulinha é fichinha (desculpem a rima miserável) diante dela. Aos 34 anos de idade, a mocinha se revela um talento na terra destroçada pelo socialismo e pelo "pedagogo" Paulo Freire e governada pelo papai. Ah, sim, estudou em Londres. É engenheira eletrotécnica.
O maninho, que também não tem olhos azuis, deverá ser o próximo presidente de Angola, com apoio de banqueiros brancos de olhos azuis que Lula responsabilizou pela crise mundial.
(Grato, CFE).

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Espalhafato jurídico-policial

A "Carta o leitor" da revista Veja desta semana faz uma análise ponderada do espalhafato jurídico-policial que tem levado à prisão os "ricos". É de se lembrar, aliás, que coisa semelhante aconteceu na Venezuela sob as botas do coronel Chávez, desde o início de sua escalada para a ditadura consentida que hoje mergulha aquele país numa luta contra empresários, industriais e comerciantes - os "ricos", enfim. Nem se fala no fabuloso enriquecimento do séquito do tiranete, que institucionalizou a corrupção, algo que o PT também perpetrou na sua chegada ao governo. Aqui, corremos o mesmo risco, sempre e sempre, enquanto a forma mentis do lulo-petismo for senso comum entre os ocupantes de cargos institucionais, nos diversos poderes. Reproduzo a carta na íntegra:
A empresária paulista Eliana Tranchesi, dona da Daslu, sacerdotisa da moda para os ricos e poderosos de todas as regiões do Brasil, não pode ser demonizada como o símbolo da desigualdade e da injustiça social no país. Eliana foi condenada por uma série de crimes relacionados com a importação fraudulenta de produtos de luxo, que resultaram na sonegação de mais de 600 milhões de reais. Ela foi presa na semana passada e recolhida a uma penitenciária em São Paulo. Seu irmão e o principal importador da Daslu também foram presos, acusados dos mesmos crimes. Eliana e seus sócios, porém, devem ser punidos apenas por seus desvios de conduta. É preciso desestimular as tentativas de enxergar na punição da dona da Daslu uma condenação também a todos aqueles que, apenas por desfrutar uma boa situação material, parecem aos olhos do populismo rasteiro cidadãos privilegiados e inimputáveis. A caça aos ricos é uma tentação suicida que, como demonstra a história, só produz mais miséria moral, política, econômica e social.
Deve-se refrear também o impulso de ver no comércio de artigos caros e requintados apenas mais uma demonstração viciosa das classes abastadas. As pessoas que fabricam e vendem essas mercadorias, desde que respeitem as leis, são cidadãos tão úteis à comunidade quanto quaisquer outros. Como toda indústria, a do luxo cria empregos, produz riqueza e qualifica a mão de obra – e permite que as pessoas exerçam sua liberdade individual também na maneira como dispõem de seu dinheiro. Se a condenação de Eliana Tranchesi a 94 anos e seis meses de prisão tem algum significado maior – fique ela efetivamente presa ou não –, é o de marcar, talvez, o fim da era em que os ricos e com boas conexões em Brasília podiam tocar seus negócios livres dos impostos, fora do alcance das leis e ao arrepio de todas as regras comerciais, em prejuízo flagrante para os concorrentes – e, consequentemente, para o bom funcionamento da economia de mercado. O Brasil daria também um passo gigantesco na luta contra os que roubam dinheiro público se aos corruptos do mundo oficial fosse dispensada a mesma e diligente orquestração de esforços de polícia e Justiça que levou à condenação e prisão da dona da Daslu.

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Os brancos daqui que se danem

A resposta virá em 2010. Votos catarinenses para o Dilmão, só da seita petralha. E a pit bull do lulismo, Ideli Salvatti, ainda tem bom tempo de mandato no senado, mas um dia acaba, para honra e glória dos brancos de olhos azuis (e verdes também).
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sexta-feira, 27 de março de 2009

O Direito contra a lei

Eis o "Direito achado na rua"
O tal do "Direito achado na rua", que moldou a cabecinha de muitos advogados, promotores e juízes do Grotão, só poderia mesmo ter nascido numa data anterior a 1989, que decretou o fim das ilusões ideológicas, pelo menos em países civilizados. O monstrengo nasceu em 1987, parido por gente da UnB, com o objetivo de desenvolver o "pensamento jurídico crítico, não conformista, voltado para a concepção jurídica de transformação social". Em poucas palavras, ideologia acima da lei.
O laboratório do monstro segue a "Nova Escola Jurídica Brasileira" (Nair), de Roberto Lyra Filho, e conta com nomes que ajudaram a ideologizar o ensino de Direito em Santa Catarina, como Edmundo Lima de Arruda Jr. e Antônio Carlos Wolkmer. É a turma do "Direito alternativo" (alternativo à lei, bem entendido), dedicada a movimentos sociais, "sujeitos coletivos" e que tais: socialismo macerado nos fragmentos gramscianos dos Cadernos do Cárcere. A realidade do século XXI é lida com as lentes dos anos 30 do século passado.
Graças a essa ideologia, o MST viola propriedades, universidades, destroi plantações e laboratórios de pesquisa, quando não mata peões de fazenda. Este é, de fato, o "Direito achado na rua". Tudo é permitido em nome da "transformação social".
Informações aqui.
UPDATE: acabo de descobrir que um dos organizadores do "Direito achado na rua" achou algo para si próprio: nada menos que a reitoria da UnB! É José Geraldo de Sousa.

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Boa companhia

Depois de uma sexta-feira trabalhosa, nada melhor que sorver uma meia dúzia dessas aí: La Biere du Demon, 12 graus. Postagens mais tarde (se possível...).
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Grotão, Bananão? Não, é Cortiço mesmo!

Tibiriçá, o atento observador de Piratininga, faz uma incursão pelas metáforas críticas em relação ao nosso Brasil do berço esplêndido e chega à conclusão: Aluízio de Azevedo foi o pioneiro. É dele a metáfora antecipatória: isto aqui não passa de um Cortiço.
O professor Orlando Tambosi chama o Brasil de Grotão. Reinaldo Azevedo fala em Banânia. Ivan Lessa, em outros tempos, chamou-o de Bananão. Lima Barreto, de Bruzundanga. Em matérias de metáforas para a nossa pátria-amada-idolatrada-salve-salve (o que o Bechara diria dessa hifenização?), acho que a mais precisa data de 1890. Seu autor é Aluísio Azevedo. Aluísio Tancredo Gonçalves Azevedo.
Existe metáfora mais representativa do país que O cortiço?
Para mim, esse e não O Guarani, do Alencar, é o verdadeiro romance fundador da nacionalidade brasileira. Mais: O cortiço está para o Brasil assim como Os Lusíadas estão para Portugal. (Continua).
Obrigado, Tibiriçá, por me situar em tão ilustre e imerecida companhia. Lembro também que, quando comecei o blog, chamava este Cortiço de Acampamento. Quase tudo cabe e serve...

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quinta-feira, 26 de março de 2009

Coltrane para sempre



Para fechar a noite...


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Política do bode expiatório

Não boto a minha mão no fogo pela dona da Daslu, Eliana Tranchesi. Mas a pena a ela atribuída, de 94 anos, é a justiça - ou melhor, política - do bode expiatório. 
Escolhe-se alguém para punição exemplar: estão vendo como os juízes, na era lulista, punem rigorosamente também os ricos?
Que ela seja julgada e punida, com provas, pelo que cometeu. O resto é circo que alegra o curral eleitoral do lulo-petismo, em plena campanha eleitoral - que só o TSE não enxerga. 
Panis et circensis.

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Alô, Dona Marisa! Esconda a garrafa!

O Pequeno Timoneiro do Grotão se supera a cada dia. Desta vez, culpou a "gente branca e de olhos azuis" (os capitalistas europeus e norte-americanos, claro) pela crise financeira internacional. Sponholz respondeu bem!

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Bolsa também para filhos de bandidos

Mais esta! Agora pagamos a conta também do criminoso que mantém aventuras sexuais com a mulher ou companheira na prisão.
Acaba de sair a "Bolsa-bandido", cuja denominação judicial - politicamente correta, é claro - é auxílio-reclusão. Trocando em miúdos, o bebê gerado pelo facínora já sai com bolsinha do INSS.
Controle de natalidade, que é bom, nem pensar.



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De Sanctis em êxtase

Vi ontem, no Jornal Nacional, o olhar extasiado do juiz Fausto De Sanctis depois da operação contra a Camargo Correa. Ah, sim, é aquele que gosta de mandar algemar os ricos. Seu olhar de intensa satisfação me deixou com um pé atrás - já não bastasse o carinho que ele tem pelas idéias do nazista Carl Schmitt (ver abaixo), hoje ídolo das "esquerdas". Nessas horas, estou com o "reacionário" Reinaldo:
A íntegra da decisão do juiz Fausto De Sanctis, que autoriza as prisões, está aqui. INTEGRALMENTE REDIGIDA COM VERBOS NO FUTURO DO PRETÉRITO. As pessoas foram presas com base em coisas que teriam acontecido. “A investigação criminal teria apurado que Kurt se ligaria a diretores da Camargo Corrêa (...) que, em tese, seria diretor da aludida construtora (...) bem como com a sua secretaria, que agendaria alguns encontros (...) que também integraria a diretoria...” O parágrafo de onde extraio esse trecho tem sete linhas e cinco verbos indicando suposições. (Continua).

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Sindicalismo da JF critica Gilmar Mendes

A liderença sindical do judiciário federal (sim, também lá há sindicalismo, e sabe lá se não é da CUT) ergue a voz contra o presidente do STF, Gilmar Mendes, mas nunca vi a própria dizer alguma coisa contra o banditismo do MST, Via Campesina et caterva, nem recriminar o juiz De Sanctis por citar citar Carl Schmitt, o jurista do nazismo. A notícia é da Folha:

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) considera "desrespeitosas" e "ofensivas" as declarações do ministro Gilmar Mendes, feitas na sabatina promovida pela Folha anteontem, sobre a segunda prisão do banqueiro Daniel Dantas, em julho do ano passado. Segundo Mendes, "houve uma tentativa de desmoralizar-se o Supremo Tribunal Federal" e juízes "intimidaram desembargadores a não conceder habeas corpus".

Em nota oficial assinada pelo presidente da entidade, Fernando Cesar Baptista de Mattos, a Ajufe lembra que, ao julgar habeas corpus impetrado no STF em favor do banqueiro, o ministro Marco Aurélio "negou a ordem, reconhecendo a existência de fundamento para a decretação da prisão".

"Não se pode dizer que, ao assim decidir, esse ministro, um dos mais antigos da corte, o tenha feito para desmoralizá-la", afirma a nota da Ajufe.

"Em nenhum momento, repita-se, em nenhum momento, qualquer juiz tentou intimidar qualquer desembargador. É leviano afirmar o contrário." A entidade sugere que as afirmações do presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça "devem ser feitas com a máxima responsabilidade".


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Jornalistas contra blog de jornalistas

Recebi do blog A Nova Corja (links), que não dá trégua à governadora do Bovinão (RS), "Yoda Crusius", a seguinte nota:
Depois dos processos cívil e criminal movidos pelo jornalista e advogado Polibio Braga contra Walter Valdevino, ex-integrante da Nova Corja, e da liminar movida pelo Banrisul contra o blog A Nova Corja, agora é a vez do jornalista e âncora da Band RS, Felipe Vieira, entrar com ação criminal contra Rodrigo Oliveira Alvares, Leandro Demori, Walter Valdevino Oliveira Silva, Mário Camera e Jones Rossi, todos integrantes ou ex-integrantes do blog.
A turma criou até uma página para quem quiser acompanhar, ahn, a movimentação processual...
Eita, ferro! Na era petralha, é jornalista contra jornalista.

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Melhor governador é o vice!

Os jornais estamparam ontem que o playboy Aécio Neves, que vive namorando entre uma praia e outra, lidera o ranking dos governadores. Sejamos justos: melhor governador é o Anastasía, seu vice. Quem trabalha é ele. Em Minas, todo mundo sabe disso.
Entre uma festa e outra, Aecinho busca, tancredianamente, arranjos com os petralhas.

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quarta-feira, 25 de março de 2009

O milagre das casas


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Vem aí a conferência nacional de chapas-brancas e pelegos contra a mídia independente

A pelegada da CUT e o jornalismo chapa-branca se assanham novamente contra a mídia. A data da Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada em dezembro, foi agendada dentro do Palácio do Planalto! Aliás, Lula já havia anunciado o encontro no nostálgico Fórum Social Mundial. Tudo em nome da "democratização da comunicação" (leia-se: pressão sobre a TV e os jornais privados e proliferação de mídias estatais apetralhadas).
Entre os participantes, Rosane Bertotti (na nota do Sindicato dos Jornalistas do DF chamada de "Roseli Bertoti"), da CUT, uma gramsciana de carranca stalinista que vive falando em construir uma nova "hegemonia" que acabe com o "caráter perversamente anti-democrático dos meios de comunicação" (ressaltei isto aqui em 2007). Num artigo estampado hoje no site da CUT ela volta à carga, desta vez culpando a "hegemonia neoliberal" pela crise e pelo desemprego e clamando por mais Estado para derrotar "o inimigo":
Mas, como sabemos que para os donos da mídia, que se apropriaram de concessões públicas, o que vale é a virtualidade dos seus patrocinadores - grandes bancos e multinacionais - e não a verdade dos fatos, nunca é demais sublinhar o papel dos instrumentos próprios de que as nossas entidades dispõem para comunicar, estabelecendo um contato mais íntimo com a base, aumentando o grau de mobilização e consciência da classe trabalhadora e dos diversos segmentos sobre as causas reais da crise. Uma vez identificada a fragilidade do inimigo, fica mais fácil derrotá-lo.
Na disputa de hegemonia que está colocada contra a lógica dos que submeteram o país à globalização neoliberal, à privatização e à desnacionalização do patrimônio, que durante os anos FHC agravaram o desemprego, o arrocho e a miséria, há os que querem apagar o fogo com gasolina, como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Blindado pela mídia, Meirelles tenta de todas as formas manter a política de juros altos e elevado superávit primário, que atenta contra os interesses nacionais e se choca com o setor produtivo. O caminho é outro, dissemos nós: é preciso potencializar o papel do Estado, canalizar recursos para as áreas sociais, fortalecer a agricultura familiar, acelerar a reforma agrária e as obras de infraestrutura, valorizar os serviços públicos e os servidores, reduzir a jornada sem reduzir os salários, garantir direitos, ampliar conquistas. É necessário investir no mercado interno os bilhões de dólares esterilizados com o pagamento das taxas de juros mais altas do mundo à meia dúzia de famílias que enriquece especulando com títulos públicos. (Continua).
Esse ranço ideológico é mais uma prova de que a forma mentis do lulo-petismo estacionou nos anos 80. Pelegos e chapas-brancas agem e pensam como se não tivesse havido 1989 (derrubada do Muro de Berlim, seguida, em 1991, da implosão da URSS).

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Festa dos blogueiros em Florianópolis

Reinaldo Azevedo esteve ontem em Florianópolis para o lançamento do livro O país dos petralhas. Aproximadamente 200 pessoas participaram do evento, que começou com uma exposição do blogueiro e colunista da revista Veja e prosseguiu com um debate com os presentes - coisa que durou quase três horas, sem que ninguém demonstrasse cansaço.

Bem-humorado e incansável, depois dos autógrafos o jornalista foi, já na madrugada, a um jantar com admiradores e blogueiros de Floripa (Nariz Gelado, Álvaro Junqueira, Aluízio Amorim, o coronel do Coturno Noturno, a curitibana Brasileira Insone e este escrevinhador, além do fundador da Comunidade Fora Lula, do Orkut). Reinaldo é bom papo e, ao contrário do que supõem alguns, uma pessoa afável. Foi um prazer conhecê-lo pessoalmente.

Apenas três jornalistas compareceram, e da minha geração. Prova de que a maioria ainda se arrasta nos anos 80. Nenhum aluno de jornalismo vi por lá; mas tive o prazer de reencontrar dois ex-alunos. Quanto aos alunos, certamente compareceriam se a conversa fosse com algum chapa-branca como Ricardo Kotscho, Paulo Henrique Amorim et caterva. Azar deles.
Jornalistas e alunos, claro, não vão se reunir com "direitistas", "reacionários", "capitalistas", "neoliberais", "tucanos" etc. Pois assim são chamados, nestes tempos obscuros, os defensores da democracia e das liberdades. Afinal, vivemos a era petralha.

(As fotos foram gentilmente enviadas por Clóvis Medeiros, da Chef Magazine, a quem agradeço; na foto do meio, o abraço de Reinaldo e este blogueiro - sem beijos, é claro; acima, Aluízio e Reinaldo).

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terça-feira, 24 de março de 2009

A noite é do Reinaldão

Do Reinaldo Azevedo:

Chegou o dia do encontro de Florianópolis. Estou muito animado. As manifestações que recebo dos leitores indicam que vai ser um bate-papo muito agradável. Sou grato aos bambas da cidade que estão fazendo o "trabalho de agitação" (risos).

DATA - 24 de março, a partir das 19h30
LOCAL – Livrarias Catarinense, no Beiramar Shopping

ENDEREÇO – Rua Bocaiúva, nº 2468 – Piso Joaquina

Sobre o livro:
- VEJA – Por Diogo Mainardi;
- O Globo – Por Demétrio Magnoli;
- No Blog do Gerald Thomas – pelo próprio;
- Gazeta Mercantil e JB – Por Augusto Nunes;
- GloboNews - Espaço Aberto Literatura – com Edney Silvestre;
- Estadão – por Rui Nogueira;
- Folha - por Eduardo Graeff


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segunda-feira, 23 de março de 2009

Curral eleitoral ganha "vale-cultura"


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Mencken e as crenças

* A fé pode ser definida como uma crença ilógica na ocorrência do improvável.

* Digam o que quiserem sobre os Dez Mandamentos, devemos nos dar por felizes por eles não passarem de dez.
* Para mim, um homem rezando e outro portando um pé de coelho para lhe dar sorte são igualmente incompreensíveis.

H. L. Mencken (1880-1956).

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Floripa 283 anos


Aos nativos e aos habitantes de Florianópolis em geral, o grande abraço de um ilhéu por adoção. E que a nossa ilha - aqui vista de longe, lá nas alturas - sobreviva à ocupação desordenada e depredação de que é vítima. Alô, prefeito: BASTA!
(A foto é do Blog do Solano, via Google).

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domingo, 22 de março de 2009

Reinaldo em Floripa na terça-feira



Reinaldo Azevedo, blogueiro e colunista da revista Veja, estará em Florianópolis na terça-feira, dia 24, para o lançamento do livro O País dos Petralhas. A noite de autógrafos será na Livrarias Catarinense, no primeiro piso do Beiramar Shopping, a partir das 19:30.

Estaremos todos lá!

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sábado, 21 de março de 2009

O fantasma de Huberman ronda a escola

É inacreditável, mas um dos melhores colégios de São Paulo ainda impinge Leo Huberman aos alunos. Mais especificamente, o capítulo 18 de A história da riqueza do homem, aquele mesmo em que o jornalista e professor norte-americano (falecido em 1998) sustenta que "Marx e Engels anteciparam o colapso do capitalismo" e que "o socialismo é inevitável". Trata-se de uma obra velhíssima, escrita nos anos 30 e muito utilizada nos anos 60 e 70 inclusive nas universidades, principalmente na área de "ciências sociais".

Quem lembra o fato é Carlos Alberto Sardenberg. Em seu recente livro Neoliberal, não. Liberal (SP, Edit. Globo, 2008), escreve o jornalista:

Hoje, nem seria preciso dizer, a história está clara para quem quiser ver. Na prova sobre o capítulo 18 de A história da riqueza do homem, deveria tirar nota dez o aluno que escrevesse: a história, tão cara a Huberman, o traiu completamente: o colapso foi o do socialismo, e o inevitável é o capitalismo.

Sardenberg observa - com razão - que por aqui ainda domina o pensamento anti-capitalista. Nossas elites estudaram Huberman, mas não leram nem estudaram Adam Smith:

E parece que estão transmitindo o mesmo viés às novas gerações. Os colégios que fazem provas com A história da riqueza do homem não mandam os alunos ler A riqueza das nações. O equívoco escolar leva a uma dificuldade na vida prática, pois, formado, o aluno cai no mundo de Adam Smith, não no de Huberman, que jaz na lata de lixo da História.

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Bolivarianismo enlouquecido

A Venezuela continua afundando sob as botas de Chávez: a última do tirano foi ocupar os aeroportos. Por aqui, nenhum protesto pela morte das liberdades no país vizinho.

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Turbulências


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sexta-feira, 20 de março de 2009

O socialista Ortega

O líder sandinista - agora também bolivariano - Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, vive até hoje numa luxuosa mansão que, na época da "revolução", tomou de um empresário.
Socialismo cucaracho é isso aí: ficar com os bens da "burguesia". Locupletar-se é a especialidade dessa bugrada que atrasa a América Latina.
Mas a folha corrida de Ortega apresenta coisas piores. Por exemplo, o estupro de sua filha adotiva, de quem abusou desde os 11 anos de idade (o Mr. X encontrou o depoimento dela).

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Retratos do Grotão



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quinta-feira, 19 de março de 2009

Oligarquia nordestina


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As religiões segundo Weinberg e Gray

A revista espanhola/mexicana Letras Libres publica dois textos que analisam as crenças religiosas. Um deles, do físico Steven Weinberg, Prêmio Nobel de Física e notório descrente, que escreveu Sonhos de uma teoria final, lançado pela Rocco em 1996. Outro, do filósofo John Gray, autor de Cachorros de palha e Missa Negra (já anunciados neste blog), que assume uma posição quase pós-moderna em relação às religiões, mas igualmente não é um crente.

Não se trata de discussão resultante de congresso ou seminário acadêmico. Aliás, nem é discussão, e muito menos um diálogo: os ensaios foram pescados aleatoriamente para referendar duas posições supostamente antagônicas. O físico norte-americano vê um debilitamento das religiões e dá lições de como viver Sem Deus, caso dos ateus e agnósticos. O filósofo inglês critica militantes ateus como Richard Dawkins, Christopher Hutchins e Sam Harris - não aprovados também por Weinberg -, que combatem as religiões (eis O delírio ateu) e diz que elas são inextirpáveis

Pois bem, Weinberg diz com razão que a ciência é o melhor instrumento para desvendar a realidade, sem que necessite combater as crenças religiosas. E Gray, por sua vez, considerando que estas jamais serão erradicadas, igualmente tem razão. Reprimi-las, diz ele, é como reprimir o sexo. De fato, não se extirpa a fé das pessoas por decreto (os regimes comunistas são o símbolo desse fracasso), assim como nenhum decreto tem força para impor uma crença.

Ciência e religião são campos distintos. O primeiro produz crença verdadeira e justificada, isto é, conhecimento. O segundo é crença independente de justificação, isto é, certeza a priori. Nas ciências, a verdade - quando alcançada, e a duras penas - é o ponto de chegada; nas religiões, ela está na linha de partida. Não há como conciliar: uma busca a verdade, a outra se arroga o direito de já possui-la.

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quarta-feira, 18 de março de 2009

O imperador do púlpito e as mulheres

Publico abaixo um artigo sobre o Padre Vieira, enviado por Maria do Espírito Santo G. Canedo, colaboradora deste blog. O título é o do post. Com meus agradecimentos.

Para além da mais fáustica e festejada retórica barroca conhecida, a vida do padre António Vieira foi também um jogo apoteótico de luzes e sombras: sobreviveu a dois naufrágios - isso no século XVI -, foi réu no Tribunal da Santa Inquisição, mas conseguiu sair livre e ileso, e converteu ao catolicismo a rainha Cristina da Suécia, que ouvira na Itália as pregações do mais famoso jesuíta português e ficara fascinada, tendo o ilustre padre, no entanto, se recusado a tornar-se seu confessor.
Quais seriam as razões que levaram Vieira a não aceitar ser o confessor de uma rainha por ele convertida? Os motivos, por certo barrocos motivos, não estão elencados nos seus "Cinco Cansadíssimos Sermões da Rainha". Desconfio, porém, de que o principal entre eles seria o fato de Vieira não acreditar na existência de mulheres de carne e osso, fossem elas rainhas ou não.
E por que desconfio eu de que Vieira não acreditava na existência de mulheres de carne e osso? Porque as mulheres eram apenas idéias, para o ilustre sermonista. O corpo feminino era abstraído da retórica vieiriense e o que restava nessa retórica era apenas a generalização e a tipificação de seres etéreos pertencentes a duas classes antagônicas: as de luz perfeita ou as de abjeta sombra.
Mulheres-luz ou mulheres-sombra, convenhamos, não são mulheres: são palavras leves e rarefeitas, ou densas e pesadas, são somente efeitos raros, feitos na forma polimórfica do agudo verbo jesuítico, descritos em claro e escuro, em brilho e treva.
Mais do que misoginia, Vieira fazia transparecer em sua voluptuosa escrita a transmutação das mulheres em ícones. Insisto: não eram mulheres, ou se mulheres eram, tendo sido deserdadas de seus corpos se manifestavam no corpo barroco da escrita de Vieira em forma ou de sublime ou de vil alegoria.
Poderiam ser citados exemplos vários, extraídos dos "Sermões Da Glória de Maria, Mãe de Deus, Do Nascimento da Virgem Maria" ou do já citado "Cinco Cansadíssimos Sermões da Rainha", como também de vários outros textos do maior sermonista da literatura portuguesa. Quem se interessa pelo tema pode conferir o Projecto Vercial, a maior base de dados sobre literatura portuguesa.
Assim sendo, a característica mais marcante da retórica barroca de Vieira em relação às mulheres não é a aversão ao belo sexo e sim a abstração eficaz do corpo das filhas de Eva.
Com audácia, persuasão e conveniência, Vieira transformou as mulheres em modelos circunscritos ao paraíso ou ao inferno. As mulheres, para o sermonista, são apenas espíritos incorrompidos ou dissolutos: um contrastante couvert que precederia o repasto a ser servido um pouco mais tarde no banquete Absoluto hegeliano.
Mas isso já é outra história... Ou seria melhor dizer estória?

* * *

A propósito, saiu no ano passado, pela Editoral Campo das Letras, do Porto, o livro O Padre António Vieira e as mulheres, de José Eduardo Franco e Maria Isabel Morán Cabanas. Sobre a premiada obra há uma resenha aqui.
Acesse também o verbete dedicado a Vieira pelo Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico (volume VII, págs. 447-453).

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Homens X mulheres

No Gravataí Merengue, 10 coisas que os homens odeiam nas mulheres:
Sim, eu sei, nós somos horríveis. Homens espalham coisas pela casa, não são cheirosos como vocês, falam asneiras quando estão entre amigos, em geral bebem além do recomendável etc. etc. etc.
Conheço umas várias coisas deploráveis do universo masculino e provavelmente as mulheres, quando irritadas, saberão enumerar outras tantas. Mas será que conhecem ao menos dez coisinhas horripilantes que fazem o tempo todo?
Pois é... Então, prestem atenção:
UPDATE: e aqui, relembrando, mulheres x homens: "Eles não valem nada".

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terça-feira, 17 de março de 2009

A senhora da foice

Não que eu esteja
com medo de morrer.
Apenas não queria estar lá
quando isso acontecesse.
(Woody Allen)
* * *
vida e morte
amor e dúvida
dor e sorte
quem for louco
que volte
(Paulo Leminski)

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Construtor-ladrão virtual


Claro que todo mundo sabe que os construtores, os reais, que nos vendem casas e casebres, cobram os olhos da cara. Mas um jovem inglês que perscruta (argh, que termo!) o Google Earth achou algo para se tornar rico sem dispor, ahn, de suficiente provisão de materiais.

O carinha surfava no Earth e escolhia materiais valiosos nos telhados para meter a mão. Deparou com valiosas telhas de chumbo de igrejas e museus e, solitariamente, ia buscá-las de madrugada.

Como a velha Grã-Bretanha não é um perau (eita, regionalismo!), o criativo "empresário" já está na cadeia: 18 meses de grade e reparação dos locais danificados. (Leia aqui). Estranha profissão, a dele: construtor.

P.S.: aqui no Grotão ele seria considerado gênio, seria líder petista e já teria um cargo no governo.

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Lulismo toca fogo no Grotão


Não advertiram, antes das eleições, que o PT botaria fogo no país? Pois então...Literalmente.

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segunda-feira, 16 de março de 2009

Santo Alberto e as mulheres

O post que fiz outro dia sobre o velho livro de Uta Ranke-Heinemann, Eunucos pelo reino de Deus (1996), valeu ataques indiscriminados à teóloga alemã por suas críticas à misoginia católica. Foi chamada até de "sapatona", além de leviana.
Filha do presidente Heinemann, da então Alemanha Ocidental, a teóloga estudou em Oxford, Bonn, Basiléia e Montpellier, após ter abandonado o protestantismo. Se foi impiedosa com Agostinho, não deixa de fazer severas críticas também aos teólogos posteriores. Quando trata do século XIII, que considera "a idade áurea da teologia e o apogeu da difamação misógina", Uta dedica especial atenção a Alberto Magno (também santificado), que chama de "grande depreciador das mulheres".
Que dizia Santo Alberto? Entre outras coisas, que "a mulher é menos qualificada (que o homem) para o comportamento moral." Eis as razões:
A mulher contém mais líquido que o homem, e é uma propriedade dos líquidos fazer com que as coisas subam com facilidade mal se apegando a elas. Os líquidos se movem com facilidade, portanto as mulheres são inconstantes e curiosas. Quando uma mulher tem relações com um homem, gostaria, tanto quanto possível, de deitar com outro homem ao mesmo tempo. A mulher não sabe o que é fidelidade. Acreditai-me, se lhes derdes a vossa confiança, ficareis desiludidos. Confiai num professor experiente. Por essa razão os homens prudentes partilham de seus planos e ações com qualquer outra pessoa, menos com as esposas. A mulher é um homem vil e bastardo e tem uma natureza imperfeita e deficiente em comparação com a dele. Portanto, é insegura de si. O que não pode conseguir, tenta obter através de mentiras diabólicas. E assim, para abreviar, deve-se estar de guarda ante toda mulher, como se ela fosse uma cobra venenosa e um demônio com chifres. Se eu pudesse dizer o que sei sobre as mulheres, o mundo ficaria espantado (...). Assim nos atos malignos e perversos, a mulher é mais esperta, ou seja, mais maliciosa do que o homem. Seus impulsos a impelem em direção a todos os males, assim como a razão impele o homem para todo o bem (Quaestiones super de animalibus XV q. 11). (Grifos meus).
Pronto. Podem dizer que a teóloga foi seletiva, mas ninguém pode acusá-la de ter forjado o texto.
Ainda a propósito do livro, recomendo a leitura da ampla matéria "Sexo e pecado" (sete páginas) redigida por Roberto Pompeu de Toledo na Veja de 20 de março de 1996 (todo o acervo digitalizado já está disponível). E não me venham com excomunhões, pois já me auto-excomunhei na adolescência.

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Rolando na grana


Confiram a gastança aqui


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Gulag do Butantã

O Observatório de Piratininga (links), que de politicamente correto nada tem, conhece bem as "humanidades" da USP. Dá a receita de como as coisas funcionam por lá sob o pontificado de Marilena Chauí, seus pares et caterva:
Tome uma frase qualquer da obra de Bertolt Brecht e use como epígrafe.
A seguir, escolha um tema aleatório, independente de sua relevância, e dê um jeito de relacioná-lo com a luta de classes, empregando o tempo todo um tom de denúncia, se possível temperado com alguma profecia revolucionária.
Adicione uma pitada de psicanálise, duas colheres de chá de semiótica, polvilhe quatro ou cinco trocadilhos e mexa bastante para desarticular a sintaxe, produzindo parágrafos incompreensíveis que dêem aparente densidade à mistura.
Para aumentar a consistência, cite Marx, Gramsci, Althusser e Derrida, despejando ao mesmo tempo alusões a Roberto Schwarz, Marilena Chauí e Florestan Fernandes, de modo a garantir um sabor brasileiro.
Enrole bem e deixe descansar numa gaveta durante no mínimo quatro semestres. Em seguida, leve à banca examinadora previamente conchavada com o seu orientador e simule um debate por duas horas.
Depois de obter o seu diploma de mestre ou doutor, sirva uma festa para professores e colegas num bar da Vila Madalena. (Leia final aqui).

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Lula: mordomia vitalícia.

No apagar das velas, o Pequeno Timoneiro legisla em causa própria. Terá mordomia que rivaliza com a dos príncipes e reis sauditas deitados no petróleo.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 7.474, de 8 de maio de 1986,
DECRETA:
Art. 1° Findo o mandato do Presidente da República, quem o houver exercido, em caráter permanente, terá direito:
I - aos serviços de quatro servidores para atividades de segurança e apoio pessoal;
II - a dois veículos oficiais, com os respectivos motoristas; e
III - ao assessoramento de dois servidores ocupantes de cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, nível 5.
Art. 2° Os servidores e motoristas a que se refere o art. 1o serão de livre escolha do ex-Presidente da República e nomeados para cargo em comissão destinado ao apoio a ex-Presidentes da República, integrante do quadro dos cargos em comissão e das funções gratificadas da Casa Civil da Presidência da República.
Art. 3° Para atendimento do disposto no art. 1o, a Secretaria de Administração da Casa Civil da Presidência da República poderá dispor, para cada ex-Presidente, de até oito cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, sendo dois DAS 102.5, dois DAS 102.4, dois DAS 102.2 e dois DAS 102.1. (Continua).

(Dica do Diplomatizzando).

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domingo, 15 de março de 2009

Réquiem para os jornais?

Clay Shirky, professor e estudioso dos efeitos sociais e econômicos das tecnologias da Internet, responde positivamente:
A discussão continua, com as pessoas comprometidas com a salvação dos jornais querendo saber: 'Se o modelo antigo está quebrado, o que funcionará no seu lugar?' A resposta é: Nada. Nada vai funcionar. Não existe um modelo geral para os jornais que substitua o que a internet quebrou. Com os fundamentos econômicos antigos destruídos, formas organizacionais criadas para a produção industrial precisam ser substituídas por estruturas otimizadas para os dados digitais. Faz cada vez menos sentido falar de uma indústria de publicação, porque o principal problema que a publicação resolve - a dificuldade, complexidade e custo incríveis para tornar alguma coisa disponível ao público - deixou de ser um problema." (Continua).
Bene, se é para abrir o jornal no dia seguinte e ver repetido o que a TV e a Internet já mostraram no dia anterior, que morram os quotidianos de papel.

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TV Lula: rumo ao quarto mundo.

A TV Brasil, dirigida pela chapa-branca Tereza Cruvinel, mandará programas da tv que ninguém vê para a potência São Tomé e Príncipe. Ah, sim, já há em entendimentos também com Angola.
É Lula iluminando a África, com a bênção da tia Marilena.
UPDATE: vi agora que o Ângelo fez um belo trabalho sobre os chapas-brancas recompensados com cargos na TV Lula. Ninguém vê essa porcaria, que não é de graça, não: você paga os salários desses bajuladores.

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O piromaníaco

O tirano Hugo Chávez não se cansa de brincar com fogo:

O general da Força Aérea russa Anatoli Zhikharev disse que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ofereceu a Moscou um aeroporto militar na ilha de La Orchila como base para os bombardeiros estratégicos do país."Se houver decisão política, o uso da base será possível", disse Zhikarev em entrevista à agência local Interfax. Ele também mencionou pistas de pouso em Cuba adequadas às necessidades russas. Mais tarde, o Kremlin disse que seu militar falou de "hipóteses". O governo de Caracas não quis comentar. (Da Folha).

O embusteiro venezuelano bem que gostaria de ver o mundo em guerra novamente.
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Berlin e a questão do conhecimento

Andei lendo neste final de semana A força das idéias, de Isaiah Berlin (ver ao lado). Num artigo publicado pela primeira vez em 1969, ele fez boas observações sobre a importância da educação e da expansão do conhecimento, hoje visto com desconfiança por algumas vertentes da cultura contemporânea (sem falar nas religiões). Cito um trecho:

(...) Vale a pena fazer um esforço para conseguir um conhecimento mais amplo. Não é necessário acreditar que todo conhecimento sempre torna os homens mais felizes, mais livres ou moralmente melhores. As aplicações da ciência moderna, pode-se argumentar, têm aumentado a opressão, o perigo, a miséria em algumas esferas, bem como os diminuído imensamente em outras. Basta apenas aceitar, primeiro, que a descoberta da verdade é um grande bem em si mesma; segundo, que o único remédio real para as más consequências, quer da ignorância, quer do conhecimento, é mais conhecimento: uma compreensão mais clara do que está implicado, do que vale a pena buscar, dos meios e fins, das consequências e de seu valor. (...) O fato de nunca ser provável que saibamos o bastante não é razão para não procurarmos conhecer todo o possível; optar por menos é um derrotismo gratuito: uma rendição cega a forças que podem ser controladas.
E olha que Berlin não tinha lá muita simpatia pelo Iluminismo.
(Caricatura: James Ferguson).

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sexta-feira, 13 de março de 2009

Sorry, nacionalistas...


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Animal racional?

A filosofia antiga define o homem - a humanidade, bem entendido - como "animal racional". Bobagem. O tal homem é, no máximo, racionável (ave, Kant!), isto é, pode se tornar racional. Mas - e agora a conclusão é minha-, a grande maioria da humanidade jamais chegará à racionalidade. A credulidade antropocêntrica se alastra (e nem estou falando das religiões), mas o fato é que não há teleologia na história: caminhamos dentro de um labirinto, como insisti ad nauseam por aqui, me desculpem.
Conclusão: não há nenhuma garantia de que, apesar de nossa ciência e nossa tecnologia, tenhamos um destino diferente do de milhões de espécies que nos antecederam - e desapareceram.
É soberba antropocêntrica pensar que somos eternos só porque pensamos, ou só porque, segundo algumas religiões, fomos criados "à semelhança de Deus". Em nenhum lugar do universo está escrito que seremos eternos - e ainda menos que seremos felizes com o conhecimento de que dispomos.
Mas temos, isto sim, o direito de buscar a felicidade, o amor, a felicidade, por mais transitórios que sejam. O resto é a pior metafísica, o supra-sensível, o inefável. Felizes sejam os que se livraram do inefável.
P.S.: não adianta se impressionar com atos inomináveis como o do aviador assassino de Goiânia. Esses atos fazem parte da nossa cultura. Racionalidade não é para qualquer um.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

Maroleiro naufragado


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Filósofo do terror defende Battisti (é claro!)

Enquanto Tarso Genro dizia, no Senado, que o terrorista Cesare Battisti "não teve amplo direito de defesa" na Itália, a Folha ouvia o filósofo do terror, Toni Negri, pelo telefone. Mentor das Brigadas Vermelhas, que assassinaram o primeiro-ministro Aldo Moro, Negri sempre foi um defensor da violência (a "violência auroral"), assim como da rejeição do trabalho. Rejeitar o trabalho, escrevia ele no final dos anos 70, "é ao mesmo tempo desestruturação do capital e autovalorização de classe". O que ele e seu grupo queriam - contra o "compromisso histórico" entre o então Partido Comunista Italiano e a Democracia Cristã - era instalar uma ditadura comunista na Itália. Eis o "perseguido" que a Folha ouviu. Eis o "outro lado".

Negri passou pouco tempo na cadeia. Lá deveria permanecer para sempre, junto com o assassino Battisti, protegido de Tarso "Illich" Genro.

P.S.: na apresentação, o jornal diz que Negri "condenava tanto a direita quanto o stalinismo". Bobagem. Negri queria algo pior que Stálin.

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Mulher de coragem enfrenta o Islã



Em entrevista à rede Al Jazeera, a psicóloga Wafa Sultan (ex-muçulmana) não poupa críticas ao islamismo. É o império da barbárie e da ditadura, que trata as mulheres como animais. Vale a pena ouvir o que essa mulher corajosa diz.(Obrigado, Paulo).
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Marilena sai do asilo

A revista Cult foi buscar no asilo a ideóloga Marilena Chauí, guru do lulismo, que o Tibiriçá apropriadamente chama de "velhinha de Taubaté do petismo". Há tempos que ninguém lhe dava bola.
E o que faz Marilena na revista? Ah, o que sempre fez: defender Lula. Afinal, basta o Pequeno Timoneiro falar que o mundo se ilumina, disse ela certa vez.
Cega de tanto fulgor, a filósofa nunca mais se recuperou. Havia sumido depois de trombetear que o mensalão era "invenção da mídia". Agora sai do asilo pelas mãos da tigrada da Cult para dizer, entre outras coisas, que "é preciso dar um basta à tentativa de caracterizar o presidente como um populista". E por aí vai. Confiram no Observatório de Piratininga.
Volta para o asilo, Marilena!

P.S.: e a madame - que a revista incensa como "a maior filósofa" do Grotão - diz que as escolas têm que mergulhar cada vez mais fundo na história da filosofia. Em suma, quer que a filosofia permaneça sendo o que já é por aqui: mera história da filosofia. É a velha cantilena européia, uma brincadeirinha entre eruditos. Prefiro os ingleses, que não fogem à análise da realidade e dos problemas atuais. Reduzir a filosofia à sua própria história traz à lembrança a imagem de um cão correndo atrás do próprio rabo.

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Cobras mandadas

As mascaradas da Via Campesina, do MST e das batinas sujas da CPT berraram contra o presidente do STF, Gilmar Mendes - a única figura da república a dizer alguma coisa contra a violação da lei financiada pelo próprio Estado.

Triste Grotão. Pela milésima vez ofereço: troco meu RG por um bom livro.

Saia você na rua com facão e máscara pra ver o que acontece...

P.S.: cadê o chefão do MST, João Pedro Pol Pot Stédile? Debaixo de alguma batina? Está na mansão paulistana ou viajando? E como é que é: "sem terra" gritando contra a Corte Suprema do país?

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