domingo, 31 de janeiro de 2010

O "colaboracionismo" dos intelectuais franceses com as ditaduras comunistas

Do historiador britânico Tony Judt, num devastador retrato da intelectualidade francesa do pós-guerra (ver, ao lado, Passado Imperfeito):
Toda fé implica em recusa, assim como em afirmação. O verdadeiro crente, quando diante de uma evidência empírica ou lógica que está em aparente contradição com as exigências da fé, não tem outra escolha sensata a não ser negar o que ele vê, ouve ou pensa. Até onde isso vai criar um problema, depende da força do compromisso do indivíduo - e das exigências de sua inteligência.
O filósofo Sartre (foto) foi um bom exemplo do que Judt afirmou. Em 1950, ele disse o seguinte:
"Eu procurei, mas não consigo encontrar qualquer evidência de um impulso agressivo por parte dos russos nas últimas três décadas".
Aliás, a intelectualidade francesa condenou e "expurgou" os que colaboraram com o nazismo (um deles foi executado - por "delito de opinião"), mas silenciou quanto ao "colaboracionismo" em relação às ditaduras comunistas.
Não por acaso, os intelectuais gauleses identificavam no liberalismo seu grande inimigo...
Para encerrar: Sartre dizia que "o inferno são os outros"; inferno dos outros foi ele próprio, com seu existencialismo que lavava as mãos diante dos crimes e atrocidades da tirania comunista. Tudo em nome da tal fé na História (em maiúscula).

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12 comentários:

Anônimo disse...

Com esses olhos vesgos aí ele não via nada mesmo.



Nelson

Maria do Espírito Santo disse...

O nome do livro do Judt é mais que perfeito para a crítica da intelectualidade francesa do pós-guerra. A entificação da "História" - seria ela a "deusa mãe" do frei Betto? - fez com que os pensadores franceses se curvassem diante dos Seus imaginários desígnios como clérigos fervorosos. Afinal de contas, o que é a morte de milhões de pessoas diante da futura redenção que a História haveria de propiciar à humanidade inteira?

É mesmo impressionante o poder das ideologias! Querer justificar Stalin "racionalmente" é de uma irracionalidade patética.

Sartre e Simone: eita duplinha SS!

Anônimo disse...

Quando um filósofo escreve difícil, é porque tem coisa. Ou melhor dizendo, não tem coisa alguma. É só enrolação. Até há pouco tempo atrás você era chamado de ignorante se nunca tivesse lido Sartre. Felizmente está saindo de moda...

Maria do Espírito Santo disse...

E tem mais uma coisa, Anônimo: filosofia e literatura são duas maravilhas, mas não dá pra misturar os territórios de cada uma delas. E o casal SS fazia essa esdrúxula mistura numa ótima!

Dizer que o homem está condenado à liberdade, como disse o caranguejo existencialista, e não criticar, ou, pior ainda, apoiar Stalin, é mais do que um paradoxo, é mais do que ilógico: é um absurdo total.

Pra variar, as idéias defendidas pelo casal SS, me fazem lembrar a distinção entre fatos e valores que o Tambosi sempre enfatiza.

Para Sartre e Simone, os valores teleológicos do comunismo eram a encarnação da liberdade e da felicidade futuras para a humanidade, independentemente do mar de cadáveres que o comunismo produzia no presente do pós-guerra.

Mas o pior de tudo, foi a nefasta influência que a intelligentzia francesa do pós-guerra conseguiu exercer sobre muito além das fronteiras "de França".

Até hoje, a ideologia de "um outro mundo possível" sobrepuja as nuas e cruas realidades do mundo contemporâneo.

Anônimo disse...

tô na área...
não entende patavinas da filosofia,psicologia,pedofilia francesas,mas existe um ditado.
Se a Europa depender da França falariam Alemão ou Russo hoje.

e vou dar uns links que eventualmente foram suprimidos por reclamação dos franceses,que assim como o Sarkozy tem ÓDIOOO de sua estatura amoriana e usa e abusa de artifícios para aparecer maior em fotos,detestam A PRÓPRIA HISTÓRIA MILITAR.

http://www.strategypage.com/humor/articles/military_humor_complete_list_of_french_jokes.asp

http://www.strategypage.com/humor/articles/military_humor_french_victories.asp

http://www.strategypage.com/humor/articles/military_jokes_200411422.asp

http://www.strategypage.com/humor/articles/20030213.asp

http://www.strategypage.com/humor/articles/20030214.asp

http://www.strategypage.com/humor/articles/military_joke_french_threat_levels.asp

bom proveito e divertimento

fui.....mas voltarei

Anônimo disse...

Boa sacada: colaboracionismo não é patrimônio da direita.

Maria do Espírito Santo disse...

Ora, ora... Mas quem disse que colaborar com o comunismo é "colaboracionismo"?

Colaborar com o comunismo é seguir o curso racional da HISTÓRIA! A noiva do Espírito Absoluto cujas núpcis serão celebradas no altar da Demência Atemporal.

Anônimo disse...

Os gauleses e esnobes uspianos estão quietos, embora sejam tão falastrões como seus mestres.



Nelson

DD disse...

Faltou dizer que eles ostracizaram Camus quando saiu "O Homem Revoltado".

Anônimo disse...

e para iniciar a semana

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u687252.shtml

parece o Brasil,não é mesmo?,vamos para a LUNARDELI.


fui,,,,mas voltarei

Anônimo disse...

"O inferno são os outros"

Ele afirmou isso crente de que os outros é que são um inferno mesmo, ou ele ironizava?

Eu uso muito essa frase, e sabia que era de autoria de Sartre. Eu só não imaginava que ele era um canalha, embora desconfiasse - afinal, ele é francês.

É uma frase que explica muito a América Latina: os culpados por suas mazelas são os EUA, o liberalismo etc etc...

Anônimo disse...

Oi, Tambosi.

Tudo bem, fui seu aluno na pós de jornalismo, segunda turma. E lembrei de você pois estou lendo Hume, e deixo uma questão sobre o empirista e Deus no meu blog, é uma dúvida, mais que afirmação. gostaria da sua opinião;

leia em assimfalavaluciano@blogspot.com

abraço