quinta-feira, 29 de abril de 2010

Contra os relativistas "pós-modernos"

Mais um trechinho - contra o relativismo "pós-moderno" - do livro aparentemente maldito que ainda não alcançou as livrarias:
Chegamos à seguinte constatação: o mundo já não é a totalidade das coisas, mas a totalidade dos significados. Como anota o filósofo e antropólogo Ernest Gellner, também ele um crítico mordaz do que denomina "movimento" pós-moderno, agora "tudo é significado e o significado é tudo, sendo a hermenêutica o seu profeta. Para os membros desse movimento, tudo o que existe só existe em função do significado que lhe é conferido. Crer na existência de fatos objetivos, e, ainda mais, que esses fatos sejam acessíveis e explicáveis por meio de uma teoria objetiva, independente do observador, eis a ilusão do "positivismo".
Na ótica pós-modernista, tal era a crença do colonialismo, que a todas as culturas impunha a objetividade, ao passo que o subjetivismo hermenêutico dos pós-modernos é emancipatório, ou seja, conduz à descolonização, situando todas as culturas em pé de igualdade. Afinal, pressupor um conhecimento à margem das culturas - uma verdade objetiva, única - não passa de quimera, pois cada cultura, repita-se, possui seu próprio conhecimento, seu próprio mundo."
Resumo pós-livro: viva o opinionismo, viva a ideologia, ou, trocando em miúdos, realidade é o que cada qual pensa que é. Resumindo de novo: a história é coisa dos "vencedores", a matemática é "burguesa" e por aí vai...
(Ver, ao lado, A cruzada contra as ciências: quem tem medo do conhecimento? ).

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9 comentários:

Maria do Espírito Santo disse...

Bem, para mim, o que é passível de ser interpretado - e mesmo assim com todo o cuidado e muita sutileza - são as manifestações subjetivas, como as obras de arte, ou inconscientes, como nos sonhos.

O grande problema foi que a pós-modernice quer aplicar as regras da análise estética ao mundo político e ético, quer deitar a realidade no divã.

Ora, se a realidade é criada pelo "olhar" que cada um deita sobre ela, como romper essas infinitas mônadas simbióticas e criar um conhecimento comum?

Cada área do conhecimento, da arte, da ciência, da filosofia e da psicanálise deve atuar de acordo com seus particulares métodos.

Transpor um método de uma área para outra só pode dar em merda, ou, em outras palavras, em "pós-modernidade".

Bacci mille.

Orlando Tambosi disse...

Bacci anche per te, Maria.

Anônimo disse...

Ah, não fala de religião? Então os furiosos não vem, até aí eles estão de acordo.

Escatopholes disse...

O grande problema do mundo moderno é o excesso de "especialistas" que vão sendo ejetados ou até mesmo evacuados nessas universidadezinhas caça níqueis que andam por aí.

Maria do Espírito Santo disse...

Tem razão, Escatopholes. São especialistas que não sabem nem a hora em que estão com fome!

Mas não se pode jogar fora a água suja da bacia com a criança junto.

Há muitos especialistas, mestres e doutores cheios de competência e excelência.

Não se pode fazer, de maneira nenhuma, apologia da ignorância. Qualquer 3º grau singelo, mesmo que cursado em uma dessas universidades caça níqueis é preferível a um nível de ensino fundamental incompleto.

Paulo Henrique disse...

Quando o post não fala de religião, os comentários se reduzem. Os carolas ficam quietinhos. Mas é só falar de Darwin que eles sacodem as batinas. Haja hóstia!!

Anônimo disse...

Tambosi, ecocentrismo ou antropocentrismo?

Anônimo disse...

Cabe aos cientistas sociais retratar a realidade com fidedignidade. Infelizmente a maioria adapta a realidade à sua ideologia. Características culturais são muitas vezes consideradas politicamente incorretas. Consequentemente não entram nas equações desses cientistas sociais.

Anônimo disse...

tô na área
Para interessados em ciências,um novo site muito interessante:

http://scienceforcitizens.net/

fui...