Mais um trechinho - contra o relativismo "pós-moderno" - do livro aparentemente maldito que ainda não alcançou as livrarias:
Chegamos à seguinte constatação: o mundo já não é a totalidade das coisas, mas a totalidade dos significados. Como anota o filósofo e antropólogo Ernest Gellner, também ele um crítico mordaz do que denomina "movimento" pós-moderno, agora "tudo é significado e o significado é tudo, sendo a hermenêutica o seu profeta. Para os membros desse movimento, tudo o que existe só existe em função do significado que lhe é conferido. Crer na existência de fatos objetivos, e, ainda mais, que esses fatos sejam acessíveis e explicáveis por meio de uma teoria objetiva, independente do observador, eis a ilusão do "positivismo".
Na ótica pós-modernista, tal era a crença do colonialismo, que a todas as culturas impunha a objetividade, ao passo que o subjetivismo hermenêutico dos pós-modernos é emancipatório, ou seja, conduz à descolonização, situando todas as culturas em pé de igualdade. Afinal, pressupor um conhecimento à margem das culturas - uma verdade objetiva, única - não passa de quimera, pois cada cultura, repita-se, possui seu próprio conhecimento, seu próprio mundo."
Resumo pós-livro: viva o opinionismo, viva a ideologia, ou, trocando em miúdos, realidade é o que cada qual pensa que é. Resumindo de novo: a história é coisa dos "vencedores", a matemática é "burguesa" e por aí vai...
(Ver, ao lado, A cruzada contra as ciências: quem tem medo do conhecimento? ).
9 comentários:
Bem, para mim, o que é passível de ser interpretado - e mesmo assim com todo o cuidado e muita sutileza - são as manifestações subjetivas, como as obras de arte, ou inconscientes, como nos sonhos.
O grande problema foi que a pós-modernice quer aplicar as regras da análise estética ao mundo político e ético, quer deitar a realidade no divã.
Ora, se a realidade é criada pelo "olhar" que cada um deita sobre ela, como romper essas infinitas mônadas simbióticas e criar um conhecimento comum?
Cada área do conhecimento, da arte, da ciência, da filosofia e da psicanálise deve atuar de acordo com seus particulares métodos.
Transpor um método de uma área para outra só pode dar em merda, ou, em outras palavras, em "pós-modernidade".
Bacci mille.
Bacci anche per te, Maria.
Ah, não fala de religião? Então os furiosos não vem, até aí eles estão de acordo.
O grande problema do mundo moderno é o excesso de "especialistas" que vão sendo ejetados ou até mesmo evacuados nessas universidadezinhas caça níqueis que andam por aí.
Tem razão, Escatopholes. São especialistas que não sabem nem a hora em que estão com fome!
Mas não se pode jogar fora a água suja da bacia com a criança junto.
Há muitos especialistas, mestres e doutores cheios de competência e excelência.
Não se pode fazer, de maneira nenhuma, apologia da ignorância. Qualquer 3º grau singelo, mesmo que cursado em uma dessas universidades caça níqueis é preferível a um nível de ensino fundamental incompleto.
Quando o post não fala de religião, os comentários se reduzem. Os carolas ficam quietinhos. Mas é só falar de Darwin que eles sacodem as batinas. Haja hóstia!!
Tambosi, ecocentrismo ou antropocentrismo?
Cabe aos cientistas sociais retratar a realidade com fidedignidade. Infelizmente a maioria adapta a realidade à sua ideologia. Características culturais são muitas vezes consideradas politicamente incorretas. Consequentemente não entram nas equações desses cientistas sociais.
tô na área
Para interessados em ciências,um novo site muito interessante:
http://scienceforcitizens.net/
fui...
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