domingo, 30 de maio de 2010

Estatismo brasileiro cuida até de lingerie

Que o Estado brasileiro (administrado pelo governo federal) seja um monstrengo, pouca gente duvida, a não ser os diretamente interessados na manutenção, ou melhor, ampliação desse escoadouro do dinheiro público
A tal da União - sem contar as perdulárias estatais - invade até os recônditos da economia. Conta com hoteis, indústria de bebidas, cooperativas agrícolas e, não riam, fábrica de lingerie!
Cevada no estatismo e no autoritarismo da cultura brasileira - que passou da monarquia ao positivismo religioso, pelo namoro com o fascismo do Estado Novo, pelo getulismo, pela ditadura civil-militar e pelo marxismo difuso ainda hoje -, a forma mentis do brasileiro concebe o Estado como pai e provedor.
Os partidos brasileiros apenas reforçam essa herança ibérico-católica, gregária, anti-individualista e anticapitalista. Temos socialismo e social-democracia (um mais estatista do que o outro), mas não contamos ainda, à diferença dos países mais avançados, com ideias liberal-democráticas.
Esta é a razão de sempre flertarmos com o autoritarismo, a ditadura, o sacrifício das liberdades individuais. Com o beneplático da Igreja Católica e do marxismo de orelha, as ideias coletivistas têm ainda longo fôlego, para nossa própria desgraça. (Leia aqui).
P.S.: aos que se espantarem com a irrisória participação do Estado na indústria de lingerie, apenas digo que vale o princípio. Estado não tem que participar de indústrias, bancos, hoteis etc. Leilão já!
Estado que provê segurança, saúde e educação faz o que lhe compete. E é isto que não temos por aqui.

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20 comentários:

Anônimo disse...

positivismo religioso....hum....

Orlando Tambosi disse...

O DF certamente nunca ouviu falar da igreja positivista. Vá ao RJ e veja.
Estude, DF, estude!

Anônimo disse...

Professor,

Aqui abaixo sou eu! Então, creio que a solução seja a implantação do preconizado por Hayek em sua vasta obra sobre o liberalismo.

Marcos-DF

Maria do Espírito Santo disse...

O Brasil é uma nação patrimonialista e paternalista, sim, e isso se deve à herança histórica política e religiosa, desde os tempos das capitanias hereditárias, desde a educação no Brasil Colônia, deixada nas mãos dos padres jesuítas.

A influência do pensamento liberal iluminista pairou como luz tênue e difusa entre os inconfidentes mineiros, a que o obscurantismo português respondeu com o degredo de todos os envolvidos, o enforcamento e esquartejamento de Tiradentes, além do salgar o corpo e a casa do tal mártir, determinado pela rainha louca, dona Maria I.

E salgado está, até hoje, o terreno do pensamento liberal em nossas grotas. O patrimonialismo - e não a liberdade - floresceu em Minas Gerais. A violência empregada contra os inconfidentes ficou marcada de tal maneira na forma mentis(Danke, Tambosi!) mineiresca, que não há estado brasileiro com uma população mais lambe-botas dos poderosos, mais servil, mais de acordo com valores arcaicos do provincianismo.

A maior parte das mulheres mineiras, mesmo trabalhando "fora", entende que o seu dinheirinho serve apenas pra ser torrado em cremes, salões de beleza, roupas e acessórios femininos. Com relação às despesas cotidianas de uma casa, acha que o homem - pai ou marido - tem obrigação de arcar com todas os gastos "sérios".

Houve uma ocasião, numa greve de professores da rede estadual, em que um governador de Minas teve a coragem de dizer que as professoras não eram mal remuneradas: o que elas eram mesmo eram mal casadas!

Nada combina melhor com patrimonialismo do que o machismo, como se pode notar.

Deus, presidente, marido e pai... E as mulheres - as conservadoras mulheres - não são vítimas coisa nenhuma! Esse estado lamentável de emperramento da livre iniciativa econômica e social deve muito a todas elas. E digo elas, sim, porque nós é muita gente!

As dondocas mineiras - e não apenas as mineiras - querem os bônus das tais conquistas femininas, mas não querem arcar com nenhum ônus.

Quanto aos patetas dos homens, só resta a eles duas saídas: abandonar a velha esposa por uma mais jovem (que salafrário...) ou continuar bancando o Atlas num contexto que o espolia, apenas para seguir honradamente com o título de pater familias!

Talvez a conversa tenha mudado de rumo demais... Mas o trânsito entre o mundo público e o privado não é tão truncado assim como se imagina.

Tanto é assim que o presidente Lula, com seus 87% de aprovação ingênua e ignóbil é idolatrado pelo tal de bolsa família...

Então ele é o quê, na cabeça pobre dos brasileiros e brasileiras? Ele é o "provedor", o pai e o marido das esposas-mentalidades sem o menor sentido de empreendedorismo, sem autonomia de pensamento, sem o menor senso do que venha a ser liberdade.

E se a mentalidade nacional é assim, não se pode culpar apenas o espertíssimo elemento que ocupa hoje o posto de salvador da pátria.

Defunto balança porque acha quem carregue. E se houve e há espaço para a existência do petralhismo, responsabilize-se a mentalidade do povo brasileiro em geral e às mulheres folgazãs e alienadas em particular.

Anônimo disse...

"querem os bônus das tais conquistas femininas, mas não querem arcar com nenhum ônus."
Cáspita, vi muito isto.

"Quanto aos patetas dos homens, só resta a eles duas saídas: abandonar a velha esposa por uma mais jovem (que salafrário...) ou continuar bancando o Atlas num contexto que o espolia, apenas para seguir honradamente com o título de pater familias!"
Bem, e qual sua sugestão? (Hilária a menção 'as folgazâs...

SHAMI disse...

Colombianos cruzam fronteira com Venezuela até de bóias para votarem e darem um tremendo PRIMEIRO CHUTE nos bolivarianos.

http://www.eltiempo.com/elecciones2010/colombianos-residentes-en-venezuela-pasaron-a-votar-por-las-trochas_7731738-1

Maria do Espírito Santo disse...

O padre António Vieira acreditava que a inteligência era um atributo específico dos elementos masculinos da espécie. Segundo ele, uma mulher inteligente era um fenômeno derivado de um "erro metafísico": uma característica masculina "informando" um corpo feminino.

Acho que o dito imperador do púlpito tinha toda razão: mulheres não são inteligentes e sim espertalhonas, velhacas. As verdadeiramente inteligentes são consideradas aberrações da natureza e como aberrações são tratadas.

A minha sugestão aos homens é que aprendam sobre espertalhonicine e velhacaria com as mulheres "normais".

Só assim eles conseguirão se livrar do jugo feminino - sempre suave e subreptício -, conselho extensivo às mulheres verdadeiramente inteligentes.

Sejamos todos espertos e velhacos! Vence na vida quem diz sim? Que bobagem! Vence na vida quem se cala e verte rios de lágrimas!

Chorar é uma arma quase invencível!

Anônimo disse...

"Sejamos todos espertos e velhacos! Vence na vida quem diz sim? Que bobagem! Vence na vida quem se cala e verte rios de lágrimas!"

Não Maria! As mulheres estão com a bola toda. Só não gosto da histórinha: machismo X feminismo.


Hedda Gabler

"Publicada em 1890 e encenada pela primeira vez em 1891 em Munique, a peça Hedda Gabler, de Henrik Ibsen é ambientada na Europa do final do século XIX e mostra a complexidade de uma mulher à frente do seu tempo. Com um discurso contraditório e sofisticadamente irônico, Hedda Gabler questiona e se confronta com valores morais estabelecidos pela sociedade patriarcal da época."

Anônimo disse...

Maria, você é cruel!

Maria do Espírito Santo disse...

Há uma diferença óbvia entre heroínas teatrais - literalmente teatrais como Hedda Gabler - e a atuação anônima das mulheres nos palcos do poder político.

Discursos contraditórios e sofisticadamente irônicos no que concerne à mulher são típicos da dramaturgia e da literatura: Alte Damme, Madame Bovary, Vale Abraão, são meros três exemplos.

Infelizmente, a vida real não é feita de heroínas dramaturgo-literárias.

Existe um fosso entre a realidade e a fantasia. E a mulherada sempre intuiu isso com facilidade: são heroínas no sonho e vilãs na realidade.

Anônimo disse...

então porque um homem que troca sua víbora por uma víbora mais jovem é salafrário, Maria?

Maria do Espírito Santo disse...

O "saláfrario", colocado entre parêntesis aqui, pretendeu (e pelo visto, não conseguiu lá) ser a expressão do senso comum.

Não creio que os homens sejam salafrários; creio antes na ingenuidade masculina, particularmente daqueles que se creem os donos da bola e do jogo.

As víboras mais velhas ou as viborinhas mais novas continuarão ditando subrepticiamente as regras do jogo. Mas os homens continuarão eternamente na sua crença idiota que são eles que dão as cartas.

Anônimo disse...

"Mas os homens continuarão eternamente na sua crença idiota que são eles que dão as cartas."

E quem dá as cartas?

Maria do Espírito Santo disse...

As mulheres comuns dão as cartas. E dão as cartas fazendo de conta que são absurdamente impotentes.

Jogam com o sentimento de culpa - de eterna culpa - masculino.

As raras mulheres que chutam o balde, que viram a mesa, que mandam para as putas que os pariram, são vistas como vilãs.

Vilãs mesmo são as puras, boas e castíssimas mulheres silentes que atuam nos bastidores e cujos nomes não constam nos créditos finais desse filme de terror.

Anônimo disse...

É que eu acho, esse é um mundo das mulheres. Existem autores que acreditam terem provado que mulher bonita derruba temporariamente a inteligência masculina. Eu creio que estamos condicionados geneticamente a cair de 4 para as mulheres bonitas (as feias que me desculpem, mas hoje em dia só sendio muito pobre para continuar feia - se assim quiser, é óbvio).
Então você mais ou menos concorda que as relações de casal são sempre um pacto corrupto?

Maria do Espírito Santo disse...

Os homens são mais infantis que as mulheres. E assim sendo...

As bonitas vencem o 1° round. As inteligentes, o 2°. As que foram bonitas e são perenemente inteligentes vencem a luta.

Isso porque as que se acomodam no quesito "beleza", se esquecem que esse bem não é durável: o tempo passa e com ele a beleza. O que fica é a inteligência.

Quanto às relações entre casais, eu creio que a maioria seja estabelecida - e levada - nos moldes de um pacto corrupto, sim.

Há raros casais que escapam desse pacto degenerante e degenerativo.

Mas isso depende do empenho dos dois. Um só jamais conseguirá evitar a catástrofe irremediável e final.

Anônimo disse...

Você tem um relacionamento corrupto, Maria? Em caso de não ser corrupto, tem uma fórmula, uma receita?

Anônimo disse...

"Jogam com o sentimento de culpa - de eterna culpa - masculino."

Já li o mito da culpa. Mas a culpa a que vc se refere me parece mais antiga. É isso?

Maria do Espírito Santo disse...

Não jogo o jogo da hipocrisia social que vigora como código na maior parte dos relacionamentos oficiais, Anônimo.

Não cumpro papéis, não sigo regras. Dou pra quem eu quero dar: se for marido, ótimo; se não for, melhor.

Sou guiada pelo meu desejo e o meu prazer.

Se isso é receita, eu não sei. Eu sou feliz assim.

Quanto à culpa, as mulheres são as representantes legais e as administradoras mais eficientes dela.

Cobram dos filhos tudo! Desde as dores do parto até o abandono da "mamãe".

Credo! Não suporto, mas não suporto mesmo o mulherio médio!

Anônimo disse...

certamente você não deve ser fácil....