terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sem brandura, Serra!

O candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, será o entrevistado de hoje (0:05h) no Jornal da Globo, dirigido por William Waack, um dos raros jornalistas que não está a serviço da retrógrada ideologia petista. E digo mais: é um dos poucos jornalistas que pensa com clareza e tece bons argumentos.

A maioria - e acho que não estou exagerando - não sai das trivialidades ideológicas do jornalismo declaratório. É gente que nasceu para ser chapa-branca, forma contemporânea de servidão voluntária. Mas há, claro, os que ganham dinheiro com seu servilismo, a exemplo de alguns blogueiros de portais que ostentam propaganda estatal.

Fica aqui minha sugestão ao candidato oposicionista: Serra não deve agir com brandura em relação a Dilma. Deve falar de seu passado de ex-terrorista e empresária fracassada, que trocou de partido para virar secretária do governo petista no RS. Não deve esconder que ela tem personalidade autoritária e, sobretudo, não consegue concatenar ideias com clareza (se é que concatena uma frase com outra...).

Sugiro também que o candidato tucano mostre que o ideario da candidata lulista não é social-democrata, mas complacente com as variantes de socialismo mais autoritárias (se é que já existiu socialismo não-autoritário - ou, pior não-totalitário). A política externa de Lula, que Dilma certamente levará adiante - caso, por desgraça, vença -, já demonstrou que o lulopetismo não tem apreço pelos valores democráticos: é aliado de teocracias e tiranias eleitas.

Muita atenção: brandura queimou Alckmin, que tinha tudo para ganhar de Lula nas eleições passadas.

P.S.: não pertenço a nenhum partido, mas, entre lulopetistas e tucanos, fico com os últimos. Destes, jamais virá alguma ameaça às liberdades. E convém lembrar que Dilma não é Lula - que, pelo menos, aprendeu algum pragmatismo no balcão de negociações com os empresários e é capaz de voltar atrás em algumas decisões. Quem é Dilma Ruimself?

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14 comentários:

Maria do Espírito Santo disse...

O mais importante é dizer o duro do que precisa ser dito com brandura.

A questão não está na forma suave do que precisa vir à luz e sim na precisão verdadeira do conteúdo.

Ir ao cerne dos fatos com voz mansa é mais eficaz e convincente do que um oceano de impropérios.

Os fatos não precisam de nada mais do que serem (re)conhecidos. E a suavidade se mostra mais útil quando aliada a realidades incontestáveis.

Orlando Tambosi disse...

Acho que fui mal entendido: não estou sugerindo que Serra lance impropérios (isto fica para Dilmaligna), mas que seja duro nas críticas. Crítica branda se faz a amigos.

Maria do Espírito Santo disse...

Crítica branda é uma coisa; abrandar na formulação da crítica para conseguir mais eficácia "alvejante" é outra.

Dizer, por exemplo, en passant, que todo mundo sabe que Dilma foi guerrilheira, que fez parte da "equipe" que assaltou o cofre do Ademar de Barros, é ser brando ou pseudobrando na forma e ferino no conteúdo.

Foi isso o que quis dizer, mas não fui bem compreendida pelo visto.

Falhas na comunicação que nós, não candidatos, podemos ter. Serra, por sua vez, não pode se aventurar na seara das falhas comunicacionais.

Na minha imodesta opinião ele deve dizer o que precisa ser dito com ar blasé.

Orlando Tambosi disse...

Então não nos entendemos.
Brandura, na minha acepção seletiva (via Houaiss),é: vagaroso, sem intensidade, moroso, que cede facilmente etc.

Tudo o que Serra não deve ser diante dos elefantes adversários.

Maria do Espírito Santo disse...

De fato, não nos entendemos nessa questão específica.

Não preconizo a brandura no conteúdo como estratégia discursiva para o Serra. Estou falando de outra coisa, certamente mais poética...

Disse o Drummond, nos últimos versos de Consolo na Praia:

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizaram.
Mas, e o humor?

Digamos que o humor não é o forte de Dilmamarga.

Maria do Espírito Santo disse...

Dilma Ruimself é o resultado do entroncamento entre a opressiva tradicional família mineira e o também opressivo delírio de igualdade voluntariosa entre tudo e todos.

Dilma não quer governar um país: quer governar suas paixões (mãe, mãe, mãe!) via realização subjetiva dos seus desejos.

Fujiro Sato disse...
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Francisco Xavier disse...
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Anônimo disse...

O programa ocorreu e a Maria e o Tambosi convergiram pela atuação de Serra. Foi muito boa, incisiva e clara. Passou muito bem a mensagem e desconstruiu várias afirmações da campanha governista em economia, drogas e outros temas. Maria e Tambosi, o Serra deve ter lido o frutuoso debate entre vocês.

Anônimo disse...

Comentaristas de 01/setembro/2010, às 10:26 e às 11:19. Isso vocês têm de dizer lá nos blogs dos governistas. E pergunte a eles se já está conclusa a ocupação dos ministérios. Aproveitem e perguntem também sobre Minas, Pará, Maranhão, São Paulo, Rio Grande do Sul, onde só há amigos nas hostes governistas, não é?

Orlando Tambosi disse...

Não tenho mais paciência com ignorantes petralhas. Deleto.

Orlando Tambosi disse...

Anônimo das 11:20, obrigado.

Serra foi, de fato, incisivo. Que siga assim, para uma virada.
Os ingênuos e corruptos não veem o perigo de um governo Dilma Ruimself.

Nunca os valores foram tão desprezados.

Anônimo disse...

O clima bom está voltando. Com os adversários na defensiva. E defensiva em termos de iniciativas políticas. Sinal de ventos favoráveis. As oposições têm o que os adversários não têm: um ótimo candidato. Basta parar com algumas picuinhas, ou trololós, como diz o Serra que a coisa vai. Outra coisa que ajuda: os aliados devem falar ao menos um segundo Vote em Serra!!!, todo dia, toda hora, todo minuto, todo segundo, em todo lugar. Serra deve dizer, Vote em , !!! da coligação Brasil Pode Mais. Pedir votos funciona. E que não ocorra mais o baixo astral trazido por pesquisas, sejam elas quais forem. O antídoto é ser incisivo e continuar a pedir zitrilhões de votos.

Maria do Espírito Santo disse...

Gostei do seu ânimo, Anônimo. É contagiante, com toda a sinceridade.

Não sei se dou conta de sair pedindo votos para os outros - não gosto de pedir nada a ninguém, nem para mim nem pra quem quer que seja -, mas certamente vou declarar o meu voto o tempo todo, pode deixar.