terça-feira, 29 de março de 2011

A Vale para os pelegos?

Lula, quando presidente, fez o diabo para derrubar a presidência da Vale do Rio Doce, mas não conseguiu. Agora, enfim, o acionista Bradesco joga a toalha e Dilma pode oferecer a cabeça de Roger Agnelli ao Pequeno Timoneiro. Quanto à empresa, que teve crescimento fenomenal sob Agnelli, talvez vá para os pelegos, que já mandam na Caixa Preta que é a Petrobras. Quando o Estado avança, é a sociedade que perde.

O governo venceu, depois de quase dois anos e meio de campanha contra o presidente da Vale, maior empresa privada do Brasil, segunda maior mineradora do mundo e líder mundial na extração de minério de ferro. Roger Agnelli deixará o posto, afinal, porque o Bradesco desistiu de enfrentar a pressão do Palácio do Planalto. Sem a rendição do banco, o governo federal não teria os votos necessários para forçar a mudança na cúpula da empresa. O acordo foi concluído em reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão, na sexta-feira. O resultado já era dado como certo por fontes do governo e, portanto, não surpreendeu. Mas a disputa em torno da presidência da mineradora foi muito mais que um embate entre dois grandes acionistas. Este é o ponto mais importante, não só para os diretamente envolvidos nesse confronto, mas, principalmente, para o País.

Se houve algo surpreendente, não foi a rendição do Bradesco, na semana passada, mas sua longa resistência. Há uma enorme desproporção de forças entre o governo federal e uma instituição financeira privada, mesmo grande. Os dirigentes do banco acabaram levando em conta seus interesses empresariais e os possíveis custos de um longo confronto com as autoridades. A pressão exercida a partir do Palácio do Planalto foi "massacrante", segundo uma fonte do banco citada pelo jornal O Globo.

Ao insistir no afastamento de Roger Agnelli, a presidente Dilma Rousseff seguiu no caminho aberto por seu antecessor. Derrubar o presidente da Vale foi um dos grandes objetivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Continua).


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28 comentários:

lgn disse...

Olha a república sindicalista aí, gente!

Anônimo disse...

Não é república sindical, é república MARGINAL! São um bando de bandidos que se fazem de heróis para um povo baixo e sem vergonha!

Anônimo disse...

E não é reestatização, não. É uma intervenção numa empresa privada. Ou melhor em mais de uma. Para quem via a nova presidente como diferente do antecessor, agora, tem mais padrões de comparação. A intervenção, quem está fazendo é ela. Por mais que o antecessor tenha pressionado antes, ela é que está concretizando a intervenção. Ou ela não teria peso para ir contra isso tudo?
Dawran Numida

Cfe disse...

Isso não é república sindical.

É capitalismo de estado, praticado abundantemente pelos espanhóis e portugueses, que de tão rentável chamou a atenção aqui.

E é muito, mas muito pior do que que se as empresas fossem públicas.

Vcs acham que a Telefônica ou a Portugal Telecom conseguem bons negócios devido ao talento de seus administradores ?

lgn disse...

Olha Cfe. Se for, acredito que não seja, igual ao praticado pelos espanhóis e portugueses,então podemos deixar as barbas de molho, pois a situação desses dois países está prá lá de complicada economicamente. Terão de fazer ajustes que obrigarão seus cidadãos a apertarem o cinto até o último buraquinho, se é que não terão de furar o couro com prego adicionando novos buracos para ficar mais apertado. Quanto mais o Estado interfere na vida dos cidadão, maior é o rombo e maior é a fatura a ser paga. E quem a paga? O cidadão comum, o eterno bestalhão.

Anônimo disse...

Como eu gosto de viajar na maionese, na batatinha e de surfar no yogurte, lá vou eu...

A Vale do Rio Doce perdeu seu sobrenome em 29 de novembro de 2007. Virou Vale, simplesmente, embora tenha sido mantida a razão social original Companhia Vale do Rio Doce. Houve depois, em 22 de maio de 2009, uma assembléia geral e foi aprovada a alteração da razão social da empresa para Vale S.A.

E por que será que estou dando tanta ênfase ao que parece insignificante?

Porque tem um significado simbólico muito forte. Desaparecer com o "do Rio Doce" do seu nome fez com que a Vale fosse associada diretamente ao Brasil de Lula, ao Brasil de "todos os brasileiros" e esta pataquada, esta changuana, que todos nós nos acostumamos a ouvir durante a 1ª e a 2ª República Sindicalista do Grotão.

Quem será que teve a idéia da mudança da razão social? E visando a que finalidades? Tentar de uma forma sutil acalmar a fúria prepotente de dom Luís LI? Mostrar que a Vale, depois de privatizada e apresentando os brilhantes resultados financeiros que vem apresentando, continuava sendo "do Brasil", "de todos os brasileiros", ou seja, da megalômana necessidade de poder de Lula?

Que viagem! Viagem não só minha, mas dos que tentaram aplacar a sanha petralha com este suposto e talvez imaginário artifício sutil! Lula queria e Dilma conseguiu mais um cabidão de empregos para seus acólitos.

Dilma quer a Vale para consolidar e ampliar ainda mais o seu poder de distribuir cargos e barganhar ainda mais apoio político para si.

A Vale vale muito para a perpetuação do petralhismo. E não é só dona Dilma que sabe disso.

Orlando Tambosi disse...

Excelente comentário, anônimo!

Maria do Espírito Santo disse...

Gostei do comentário do Anônimo, mas este negócio de deitar a politicagem petralha no divã partindo da mudança de razão social da Vale-Sempre-do-Rio-Doce é demais pra mim!

Foi você, Dawran?

Anônimo disse...

Maria do Espírito Santo, não. Não fui eu não...hehehehe...Mas, lembro que houve uma grande campanha promocional da marca "Vale". Na ocasião, pareceu-me ser de iniciativa da própria direção da empresa. Uma coisa que pouco se fala é sobre a "golden share", tipo de ação especial que a União possui na empresa. Dá vários direitos, mas, dentre eles, não está o de poder destituir o presidente. O que está ocorrendo é pura intervenção política, mesmo. Jogando o peso do Estado numa coisa sem sentido algum.
Dawran Numida

Anônimo disse...

Golden Shares
As ações preferenciais de classe especial, golden shares, devem ser obrigatoriamente de titularidade da União Federal.
O detentor das ações preferenciais de classe especial tem os mesmos direitos (incluindo àqueles relativos a voto e preferências de dividendo) dos detentores de ações preferenciais Classe A.
Adicionalmente, o detentor das ações preferenciais de classe especial tem o direito de vetar quaisquer propostas em relação aos seguintes assuntos:
1. alteração de nossa denominação social;
2. mudança de nossa sede social;
3. mudança do nosso objeto social relativamente à exploração de jazidas minerais;
4. liquidação de nossa empresa;
5. qualquer alienação ou encerramento das atividades de uma ou mais das seguintes etapas dos sistemas integrados de nossa exploração de minério de ferro:
- Jazidas minerais, depósitos de minério, minas
- Ferrovias
- Portos e terminais marítimos
6. qualquer modificação dos direitos atribuídos às espécies e classes das ações de nossa emissão;
7. qualquer modificação de quaisquer dos direitos atribuídos por nosso Estatuto Social à ação preferencial de classe especial.


Fonte: http://www.vale.com/pt-br/investidores

Dawran Numida
P.S.: mudança de razão social está dentre os poderes da "golden share", mas, não sei se tal poder fora utilizado pela União nesse caso.

Maria do Espírito Santo disse...

Sem sentido nenhum, Dawran, foi os "cidadões e as cidadanas" brasileiros terem elegido uma presidenta de proeminente dentadura, muito bem disposta a mordeduras letais no desenvolvimento político do Brasil.

Maria do Espírito Santo disse...

Só agora li sobre o(a?) Golden Shares que você postou, Dawran.

Pode apostar que a União utilizou este pudê de modificá a razão social da Vale O Quanto Pesa.

Pelo que entendi, o Brasil é uma espécie de acionista de ouro da Vale. É isto mes?

Por falar em ouro, é a Vale que explora o ouro de Carajás?

Cfe disse...

Ign,

Eu morei em Portugal. Modéstia a parte sei muito bem do que eu estou falando porque eu tive de mover céu e terra poder voltar para o Brasil. Julgo que não saiba o que é tomar uma decisão dessas e as consequências no nível de vida a que estamos acostumados.

Me chamaram de "maluco", "exagerado" e "alarmista" por eu dizer que o país iria a falência quando tudo estava aparentemente bem na ótica da maioria, a maior parte dela encostada no estado.

Digo com todas as letras que o caminho aqui é rigorosamente igual ao de lá: desorçamentação das contas de várias empresas; empréstimos ao amigo do rei; financiamento, alavancado pelo estado, a perder de vista no ramo imobiliário induzindo o encarecimento dos preços a níveis altos; orientação do desenvolvimento olhando para grupos que possam num passe de mágica fazer crescer o PIB em décimas ou pontos percentuais através de projetos megalómanos; opção da sociedade em fornecer educação voltada aos cursos de papel e caneta e por último o pior: a priorização do estado administrador (e gastador) face as empresas sobrecarregadas de impostos e obrigações.

Até uma Copa e Olimpíadas servem de paralelo a Eurocopa e Expo 98 feita em Lisboa...

A única diferença entre lá e aqui é o berço esplêndido, que diga-se de passagem não é pouca coisa.

Mas não se preocupe que eles lá vão saber o que fazer quando cortar nos salários e não receberem o 13º e "14º".

Cfe disse...

Agora, insisto com todos na comparação que fiz Espanha e Portugal.

Só como exemplo: ainda na época o Aznar, o presidente da Telefónica foi demitido porque ao separar-se de sua esposa, alegadamente, entrou em choque com a mulher do 1º ministro, sua amiga.

Orlando Tambosi disse...

Vira essa boca pra lá, CFE.

O diabo é que você tem razão...

Anônimo disse...

Maria do Espírito Santo-Terça-feira, Março 29, 2011 7:45:00 PM. A Vale atuou por lá sim. Na época do boom da mineração de Serra Pelada. Hoje, sei a quantas anda a área de ouro da empresa. E realmente, a União é uma espécie de acionista de ouro da Vale. O governo precisa saber que se tentar ampliar os negócios da Vale, além da mineração, que é o seu core business, pode correr o risco de causar prejuízos à empresa. poderá mesmo enfraquecê-la perante outras empresas mineradoras mundiais.
Dawran Numida

Anônimo disse...

Retificando: "Hoje, NÃO sei a quantas anda a área de MINERAÇÃO de ouro da empresa".

Dawran Numida

Maria do Espírito Santo disse...

Tanto a Vale quanto o Marcos Valério guardam mistérios incomensuráveis.

Quem é você, Dawran Numida?

Anônimo disse...

tõ na área
Uma ajuda;busquem "projeto Carajás e Vale".
Tem também: "DOCEGEO",coisa antiga.
E se alguém souber de "algo" para SINDROME DE ESCRIVÃO",me repassem.
fui..

Anônimo disse...

Vale da morte: Os petralhas são os novos hunos. Por onde passam só deixam terra devastada.

Cfe disse...

Ô Professor,

Apenas opinião porque as variantes são muitas, mas olha que tenho mais convicção nesse assunto do que aquela história lá do texto do Alemão.

;0p

Anônimo disse...

Maria do Espírito Santo,Terça-feira, Março 29, 2011 10:53:00 PM.

Talvez, só um cafuzo-mameluco-negro-meio branco-mulato-inzoneiro-molegato-cheio de ginga...

Tem mais, mas é pouco...hehehehe...
Bom Dia!!!

Dawran Numida

Anônimo disse...

Anônimo-Terça-feira, Março 29, 2011 11:07:00 PM. É verdade. Muitas coisas aparecem, também, como CVRD.

Dawran Numida

Maria do Espírito Santo disse...

Dawran-Quarta-feira, Março 30, 2011 10:58:00 AM

Hummm... Entendi! Um hábil negociador, espécie da advogado sem kaô, avatar multidisciplinar, um pouco de história, muita memória, economia as pampa, política externa nem se fala e você vai levando...

Os tigres asiáticos, os tigres de bengala e os três tigres tristes, diplodoclos de carreira, os cabreiras e os infantes, a tirada genial e a infame.

O mundo é grande e é Zé Pequeno, as cidades de Deus e dos homens, a Bruna Surfistinha e a ONU, a UNESCO e o Bradesco.

Atirei o pau no gato mas a lebre não morreu, dona Chica da Silva admirou-se com o berro do de-menor.

Entre acordes de sol, os acordos assimétricos são favas contadas, disse Sherazade de burka pra uma nega maluca.

Talvez seja sua sina curtir os dias aqui e as noites na China.

Anônimo disse...

Genial, Maria do Espírito Santo. Acrescentaria a merencória luz da lua ou o fazer de estrela nosso chão. Vai barracão, pendurado no morro, pedindo socorro a cidade a seus pés. E antes mesmo do galo cantar/Eu te neguei três vezes...Na garupa leve do vento macio/Que vem caminhando/Desde muito longe, lá do fim do mar/ Vamos visitar a estrela da manhã raiada...Surf no yogurt!!!
...hehehehe...
Dawran Numida

Maria do Espírito Santo disse...

O meu surf tem sido na tina da gelatina, Dawran. Surfo sobre o que não é líquido nem sólido, entremezzo solilóquio.

Não digo o que disse um certo capitão Rodrigo: digo o que sinto, e sinto muito se o que digo incomoda muita gente: um elefante velho e loiro incomoda muito mais.

Tenho idade de sobra pra relevar veleidades, mas o meu relevo mental é jovem como o Japão com manteiga e escorrega pelas mãos de Euridice como o fio de Ariadne.

O meu lado grego é gregário, o meu lado romano é otário e por isso mesmo perco todas as disputas com a Bruna Surfistinha ou quaisquer outras louras burras ou espertas.

Anônimo disse...

...tais Marylin? Ou Iracemas, Potiras...?
No Brasil, em momentos, Ariadne teria de ter o fio penhorado e levado a arresto...hehehehe...
Tal qual Pandora, na fila de penhores da Caixa...hehehehe...

Dawran Numida

Maria do Espírito Santo disse...

Pandora na fila de penhores da Caixa penhorando o único bem que lhe sobrou na caixa, ou seja, a Esperança, Dawran?

Quanto vale a pandórica Esperança penhorada? Algo entre duzentos trilhões e nada?

Esperança tem um ranço violento de mofo. É uma eterna aposta no passado, e num passado de resguardo indígena, onde a mãe parteja e o pai descansa.