Vale a pena reproduzir, na íntegra, o e-mail enviado pelo médico-psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que tem sido usado como bucha de canhão dos usuários de drogas: última foi no "Fantástico", numa matéria-salada que não deixou claro se os entrevistados - maioria a favor claro - defendiam a descriminação da maconha ou de todas as drogas. Falta de objetividade da minha ex-aluna Sônia Bridi, hoje uma esnobe estrelinha global. MInha solidariedade ao psiquiatra, que tempos atrás teve que sair escoltado da Folhona, um jornal que ainda ainda não chegou a 1989 e dá abrigo a fascistas que se acham "progressistas".
Quanto ao ex-presidente FHC, súbito defensor da "causa", que vista o pijama e vá fumar um "baseado". E aproveite para rever a sua nefasta "teoria da dependência", que ajudou a desencaminhar a sociologia latino-americana.
Caro Reinaldo,
Sou leitor diário do seu blog e respeito muito o que você escreve e concordo com a maioria das idéias. Em especial, concordo com o falso debate sobre a legalização das drogas. No fundo, é um tema que tem um apelo para a população de Ipanema e Vila Madalena, ou o seu equivalente em cada estado.
Tenho adotado a política pessoal de sempre atender aos jornalistas, mesmo quando fica claro que sou o “caretão de plantão”. Minha intenção é tentar pelo menos fazer um contraponto às muitas das idéias que considero simplistas e salvacionistas. Ou seja, as pessoas defendem que, ao termos maiores facilidades de acesso às drogas, resolveremos os problemas. Somente a força da irracionalidade e do pensamento mágico pode sustentar esse castelo de areia conceitual.
Você mencionou que, na matéria do Fantástico, a proporção foi de 12 pessoas favoráveis e somente eu fui o contraponto. E você usou até mesmo a expressão “desrespeitoso”. Isso tem ocorrido sempre. O pior que passei foi num debate naFolha de S. Paulo, manipulado pelo jornalista Gilberto Dimenstein. Ele colocou quatro favoráveis à maconha contra dois. Além disso, tinha uma platéia absolutamente hostil e que não deixava nem mesmo eu começar qualquer tipo de argumento contra a legalização. Aquela, com certeza, foi uma experiência de desrespeito. Pela primeira vez na minha vida, eu saí de um debate intelectual escoltado por dois seguranças da FSP, pois o lobby dos maconheiros queria me bater.
Enfim, desculpas por me alongar, mas esse debate, infelizmente, vai longe, não porque seja uma prioridade, mas porque um grupo significativo de pessoas, como FHC, Globo, jornalistas, parte do judiciário e o lobby da maconha vão querer fazer história.
Eu defendo um plebiscito para esse assunto. Valeria a pena.
Abraços,
Ronaldo Laranjeira
Professor Titular de Psiquiatria da UNIFESP
3 comentários:
Plebicito para tratar de leis sobre drogas é uma droga (desculpe o trocadilho). Antes é necessário fazer a lei que descriminaliza, depois um referendo. Se fizer plebicito estarão autorizando a fazer qualquer lei sobre drogas, com um referendo o povo pode avaliar se a lei trará ou não benefícios.
Que todas as drogas - e a porcaria do cigarro caretão inclusive - só fazem mal e não há benefícios no uso de qualquer uma delas (o que há é uma hierarquia de danos, apenas)qualquer pessoa bem informada sabe.
E concordo com o psiquiatra quando diz "as pessoas defendem que, ao termos maiores facilidades de acesso às drogas, resolveremos os problemas. Somente a força da irracionalidade e do pensamento mágico pode sustentar esse castelo de areia conceitual".
Ele tem razão. Quem tenta largar o vício do cigarro sabe muito bem que é muito mais difícil abandonar o vício nesta droga "legal" não só por causa da dependência química, mas pela facilidade que é lutar contra a dependência psíquica quando, em qualquer esquina, você pode comprar o maledetto do cigarro!
Nem plebiscito, nem referendo sobre descriminação de drogas. O Parlamento é que deve discutir à exaustão, até que se chegue a alguma coisa que coloque o tema equacionado e legisle adequadamente. Todo mundo sabe que não há a mínima condição de liberalizar a posse e o uso de drogas. Um País pobre, carente de estrutura de Saúde e Educação, para os aspectos dos mais básicos dos temas, não pode perder tempo com gostos de duvidosa eficácia.
Dawran Numida
Postar um comentário