quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dudu Beleza, o bom filho.

Neto de Miguel Arraes (o político mais carrancudo que o Brasil já teve), o governador pernambucano Eduardo Campos - que é também presidente nacional do PSB - mobilizou uma máquina de guerra para botar a mãe no Tribunal de Contas da União. Conseguiu, claro. Eis o socialismo à brasileira. Tudo pela família.


À parte a surpresa de 17 senadores terem votado contra a homologação do nome da deputada Ana Arraes, do PSB pernambucano, para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), ante 48 a favor e uma abstenção, a ratificação era apenas, como sempre foi, uma formalidade. Aos 64 anos, filha do lendário governador populista Miguel Arraes (1916-2005) e mãe do atual, Eduardo Campos, tendo sido no ano passado a candidata mais votada em seu Estado para a Câmara, ela não vinha propriamente se destacando no exercício do mandato. Quaisquer que sejam os méritos de sua biografia e as qualificações para a função vitalícia que irá assumir, a sua escolha em votação secreta, prevalecendo sobre quatro outros candidatos - entre eles o ex-presidente da Casa Aldo Rebelo, do PC do B -, resultou exclusivamente do rolo compressor posto em marcha pelo filho.
Presidente nacional do PSB, reeleito para o governo de Pernambuco com 83% dos votos válidos, Campos vinha já emergindo, aos 46 anos, como o primeiro entre os seus pares da nova geração de políticos brasileiros. "Dudu Beleza", como os conterrâneos o apelidaram, precisava, no entanto, de uma oportunidade para demonstrar poder e prestígio além dos limites de seu Estado e do Nordeste. A vacância, por aposentadoria do titular, da cadeira do TCU que cabia à Câmara preencher, veio a calhar. Patrocinou o nome da genitora e foi um filho exemplar como articulador político. Mas não um exemplo para o decoro e a integridade das instituições políticas. (Continua).

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4 comentários:

Dawran Numida disse...

Essa "façanha", não vai dar certo. Foi capturada no nascedouro e ocorreu o desfecho que todos já haviam mapeado devidamente. O rosário de nomes ficaram e estão à mostra de todos. E todos vinculados às afirmações da nova ministra sobre as atribuições do TCU. Assim, as atividades dela estarão vinculando todos e a todos vinculadas. Realmente, foi uma ação de gênio político: comprometeu todos e ficou devedor de todos. E todos são devedores e cobradores ao mesmo tempo. Um feudalismo quase perfeito. Isso, porque, de forma impressionante, todos são vassalos. Confuso.

Cfe disse...

Com licença, mas achei muito bem escrito esse ponto de visto que há muito defendo:

http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/4549961.html

Dawran Numida disse...

Cfe, quando até reclames são censurados...

Cfe disse...

Pois,pois...

;oP