No Ordem Livre, interessante artigo sobre a crise europeia:
(...) O euro da Alemanha é o mesmo euro da Grécia, Itália, Portugal ou Espanha. Mas se Portugal, por exemplo, tem mais feriados do que a Alemanha, o português precisaria compensar a diferença sendo ainda mais produtivo nos outros dias – ou ganhando ainda menos ao longo do tempo. Da mesma forma, se o grego se aposenta mais cedo do que o alemão, ele teria que ter trabalhado com ainda mais afinco do que o germânico para manter a paridade entre os países. Só que em vez de terem mantido ou reduzido as diferenças encontradas quando da formação da zona do euro, o que se viu foi um agravamento das disparidades estruturais entre esses países. Essas diferenças foram camufladas através da moeda única e de déficits governamentais. Teria sido mais fácil fazer as reformas num momento de bonança, mas agora elas terão que ser feitas na forma mais dolorosa, suprimindo salários e até mesmo feriados santos. (Continua).
4 comentários:
O índice de produtividade está muito mais ligado ao meio do que ao tempo.
Vejamos, o Luxemburgo é um dos países mais produtivos do mundo e no entanto 1/3 da população é de origem portuguesa, originária de um país pouco produtivo.
Sul-coreanos x norte-coreanos, outro exemplo...
O Euro apenas veio enterrar o modo de vida dos europeus do sul. Praticamente toda a estrutura empresarial está indo por água abaixo devido a inviabilização da concorrência dos mediteranicos face aos orientais, que tem suas divisas depreciadas. Quem conhece países como a Itália e Portugal sabe que praticamente o tecido empresarial é (era?) composto por Pequenas e Médias Empresas que viram-se esmagadas por produzirem muito mais caro do que a concorrência.
Isso juntanente com uma economia dirigista como a ditada por Bruxelas colocou os sulistas a deriva e a guerra financeira dos britânicos e americanos ao Euro apenas mostrou as entranhas.
Em 1811 deu-se início à construção da Fábrica de Ferro de Ipanema, próxima a Sorocaba. Em uma das cartas do diretor sueco Hedberg ao governador da capitania de São Paulo ele reclamava, e não foi atendido, das constantes interrupções nos trabalhos devido aos feriados, o que ameaçava o cronograma de obras.
Em outra carta, na qual estima a produção de ferro pelos dias trabalhados no ano, ele explicita o número de dias úteis: 280 por ano. Portanto, entre domingos e dias santos temos 85 por ano. Nessa época, como sabemos, não havia férias e os demais direitos trabalhistas.
Comparando
Em Portugal dos dias de hoje [em 1811 o Brasil era parte de Portugal dos dias de antanho] são 14 feriados nacionais mais 48 domingos, isto é: 62 dias por ano. Grosseiramente e sem ponderar, se somarmos com os 30 dias de férias o total de dias não trabalhados no ano soma 92.
A conta é meio grosseira, mas não deixa de ser curiosa.
Cfe
A conta é grosseira e não considerei a semana inglesa de hoje. O regime de 1811 servia aos trabalhadores livres, que eram os mestres e artífices dos vários ofícios. Os escravos não gozavam o mesmo regime. Estes homens eram empregados sobretudo nos trabalhos de corte de árvores e, literalmente, como bestas de carga.
Posso estar enganado mas o número de feriados de Portugal será semelhante ao de Espanha e até França.
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