terça-feira, 31 de maio de 2011

Quem entende dos efeitos nocivos das drogas são os psiquiatras. O resto é palpiteiro ou usuário. Ou picareta mesmo.

Vale a pena reproduzir, na íntegra, o e-mail enviado pelo médico-psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que tem sido usado como bucha de canhão dos usuários de drogas: última foi no "Fantástico", numa matéria-salada que não deixou claro se os entrevistados - maioria a favor claro - defendiam a descriminação da maconha ou de todas as drogas. Falta de objetividade da minha ex-aluna Sônia Bridi, hoje uma esnobe estrelinha global. MInha solidariedade ao psiquiatra, que tempos atrás teve que sair escoltado da Folhona, um jornal que ainda ainda não chegou a 1989 e dá abrigo a fascistas que se acham "progressistas".

Quanto ao ex-presidente FHC, súbito defensor da "causa", que vista o pijama e vá fumar um "baseado". E aproveite para rever a sua nefasta "teoria da dependência", que ajudou a desencaminhar a sociologia latino-americana.

Caro Reinaldo,

Sou leitor diário do seu blog e respeito muito o que você escreve e concordo com a maioria das idéias. Em especial, concordo com o falso debate sobre a legalização das drogas. No fundo, é um tema que tem um apelo para a população de Ipanema e Vila Madalena, ou o seu equivalente em cada estado.

Tenho adotado a política pessoal de sempre atender aos jornalistas, mesmo quando fica claro que sou o “caretão de plantão”. Minha intenção é tentar pelo menos fazer um contraponto às muitas das idéias que considero simplistas e salvacionistas. Ou seja, as pessoas defendem que, ao termos maiores facilidades de acesso às drogas, resolveremos os problemas. Somente a força da irracionalidade e do pensamento mágico pode sustentar esse castelo de areia conceitual.

Você mencionou que, na matéria do Fantástico, a proporção foi de 12 pessoas favoráveis e somente eu fui o contraponto. E você usou até mesmo a expressão “desrespeitoso”. Isso tem ocorrido sempre. O pior que passei foi num debate naFolha de S. Paulo, manipulado pelo jornalista Gilberto Dimenstein. Ele colocou quatro favoráveis à maconha contra dois. Além disso, tinha uma platéia absolutamente hostil e que não deixava nem mesmo eu começar qualquer tipo de argumento contra a legalização. Aquela, com certeza, foi uma experiência de desrespeito. Pela primeira vez na minha vida, eu saí de um debate intelectual escoltado por dois seguranças da FSP, pois o lobby dos maconheiros queria me bater.

Enfim, desculpas por me alongar, mas esse debate, infelizmente, vai longe, não porque seja uma prioridade, mas porque um grupo significativo de pessoas, como FHC, Globo, jornalistas, parte do judiciário e o lobby da maconha vão querer fazer história.

Eu defendo um plebiscito para esse assunto. Valeria a pena.

Abraços,
Ronaldo Laranjeira
Professor Titular de Psiquiatria da UNIFESP


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segunda-feira, 30 de maio de 2011

De graça, 20 lições sobre vinho. Deixem o champanhe com lingüiça para os petistas.


Como ninguém é de ferro - à exceção do impoluto e criativo milionário Palocci, blindado com armadura governamental -, aqui vai um post, digamos, relaxante. Deveria ser algo para final de semana, mas não fica mal num começo de semana precedido dos costumeiros escândalos. Preparem o paladar para 20 aulas sobre vinho, ministradas por Aguinaldo Albert e Ennio Federico - todas de graça, disponíveis no site da Winexperts.

Deixem a cachaça e o champagne com lingüiça para a etnia petista, cujo gosto é inversamente proporcional à sofreguidão pelo dinheiro público, e bom proveito!

O vinho sempre exerceu enorme fascínio sobre o homem e o tem acompanhado em sua trajetória pelo mundo desde os primeiros passos das antigas civilizações. Porém, nunca se viu tamanho interesse pelo vinho – e também pela gastronomia – como nos nossos dias . O fenômeno é mundial mas, no Brasil , país de pouca tradição vinícola, ele se apresenta de forma muito marcante.

Podemos creditar isso (entre outras coisas) à recente abertura de nosso mercado às importações. Tivemos nossas prateleiras inundadas por vinhos das mais variadas procedências, inclusive de regiões produtoras desconhecidas do consumidor comum como, por exemplo, Austrália e África do Sul. Num primeiro momento, o consumidor – ainda pouco informado bebeu de tudo, indiscriminadamente.

Diante de tal profusão de oferta, as pessoas ficaram um tanto confusas e começaram a se perguntar: Como escolher? Como ler um rótulo de vinho? O que é um bom vinho? etc. As informações começaram a circular por toda a mídia; cursos de vinho como os dados por associações de enófilos como a SBAV e a ABS, começaram a fazer enorme sucesso e - pouco a pouco – as pessoas começaram a ter condições de escolher melhor, depurando o mercado. Além disso, alargaram-se os horizontes daqueles que começaram a ler e a estudar sobre o vinho: afinal, vinho é cultura.


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Vade retro, falastrão de Garanhuns!


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OAB acorda e pede afastamento de Palocci

Enfim, uma das entidades que se destacaram pela democratização do país diz o que todo mundo quer que se diga: fora, Palocci. Afastamento é o mínimo para quem tem algum resto de dignidade - mas, talvez, não seja este o caso:


O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, defendeu nesta segunda-feira (30) o afastamento imediato do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) do cargo. Segundo o presidente da entidade, a medida "soaria muito bem" até que o ministro desse as devidas explicações sobre o crescimento do seu patrimônio nos últimos anos.

Reportagem da Folha mostrou que Palocci multiplicou seu patrimônio por 20 entre 2006 e 2010, período em que atuou como consultor e exerceu o mandato de deputado federal. A Projeto, empresa do ministro, faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando Palocci também chefiou a campanha de Dilma Rousseff à Presidência. (Continua).


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Chega de armaduras em cima de Palocci!

O lulopetismo transformou o Brasil num esgoto. Tudo fede e ninguém diz nada: tanto a população quanto os poderes estão anestesiados. Parodiando o falastrão de Garanhuns, "nunca antes na história desse país" proliferou tanta podridão. Depois de Zé Dirceu, Erenice Guerra e outros corruptos impunes, instalou-se o vale-tudo. Faça-se o que se fizer, ninguém é culpado de nada. Dá nojo.

Artigo no Instituto Millenium:

Nem Palocci, nem José Dirceu, nem Erenice Guerra, nem ninguém de vida pública (política) pode se negar a prestar esclarecimentos oficiais à sociedade. Quem não deve não teme. O político tem que ser um livro aberto para todos lerem. Que pouca vergonha é essa que se instalou no Brasil? O Art. 50 da Constituição Federal não pode ser considerado letra morta. Vamos respeitar os valores democráticos constitucionais.

Infelizmente o país foi tomado em todos os segmentos por aquilo que o falecido senador amazonense, Jefferson Peres, já havia alertado: a “mexicanização brasileira” pelo PT. E tudo está se confirmando. O PT se armou e contaminou de corruptos as instituições públicas brasileiras, para poder agir do baixo ao alto clero. Veja o pipocar de denúncias de prefeituras comandadas pelo PT em todos os rincões brasileiros. Veja como até hoje os mensaleiros continuam impunes pelo STF, que mascara o exame dos processos. Aliás, esse tribunal, de indicação política, é uma vergonha. Veja o imberbe e desconhecedor de Direito, que foi reprovado em dois concursos para juiz, Dias Toffoli, ex-advogado do PT, hoje como ministro do STF. Veja a audácia do ex-ministro político de toga, do STF, Nelson Jobim, hoje comandante do Ministério da Defesa, ao convidar para ser seu secretário o ex-deputado José Genoino, dependurado em processo no STF. (Continua).

E o governo não investiga Palocci nem com decreto.


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domingo, 29 de maio de 2011

O médico e o monstro


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FMI, o queridinho do petismo.

Jamais se espere coerência dos petistas, e muito menos que façam as contas com o passado. Incapazes de reconhecer seus próprios e abundantes erros, julgam-se portadores da verdade (como se verdade fosse uma questão meramente político-ideológica, e não epistemológica). Ontem cuspiam, hoje bajulam. Formam o único partido ocidental que não fez as contas com a história - para a qual, aliás, fazem questão de virar as costas. Arrogância e ignorância, nesse caso, sempre andaram juntas.

A ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, iniciará nesta segunda-feira, no Brasil, visitas a países emergentes como parte de sua campanha para o posto de diretora-presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela disse que iniciará as viagens pelo Brasil porque o país foi o primeiro a responder à sua solicitação.

Lagarde deve chegar a Brasília na manhã desta segunda-feira. Em seguida, ela almoça com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. À tarde, será recebida pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

"Eu decidi visitar todos os países emergentes", declarou a ministra no domingo à emissora de rádio francesa Europe 1. "Eu pedi para visitar o Brasil, a China, a Índia e alguns países da África", afirmou, acrescentando que provavelmente fará um giro também pelas nações do Oriente Médio.

Os países emergentes "são aqueles que expressam atualmente uma preocupação e uma frustração. Eles querem que seus interesses e sua situação econômica sejam reconhecidos e expressados na direção dos órgãos internacionais", declarou a ministra francesa. "Querem saber se os candidatos (à direção do FMI) têm vocação universal." (Continua).


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Palocci, o imaculado.

Da Folha de S. Paulo (nem comento):

O período em que a empresa de consultoria Projeto ganhou mais dinheiro, cerca de R$ 10 milhões, foi quando o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) tinha poder para acessar dados reservados e planos de investimentos do governo federal.
Metade dos R$ 20 milhões de faturamento da empresa em 2010, revelado pela Folha, se deve ao período entre novembro e dezembro.
Nesses meses, Palocci acumulou a atividade empresarial com a coordenação da equipe de transição da presidente Dilma Rousseff.
Um coordenador da transição pode solicitar qualquer documento do governo.
Além disso, já no início de novembro, Palocci teve acesso a informações sobre contratos a cumprir, lista de projetos e programas pendentes do governo Lula.

MORADIA DE R$ 4 MI
Duas leis obrigam os titulares dos órgãos a fornecer as informações solicitadas pelo coordenador da equipe de transição. Basta um ofício.
Ontem, a revista "Veja" revelou que o apartamento em que o ministro vive em São Paulo, que é alugado, tem valor de mercado estimado em R$ 4 milhões. Com quatro suítes e três salas, o imóvel teria 640 m2 e condomínio de R$ 4.600 mensais.
Segundo administradoras de imóveis ouvidas pela revista, o valor médio de locação no prédio é de R$ 15 mil. Com o condomínio e impostos, as despesas do ministro chegam a 83% de seu salário. (Mais, para assinantes).

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Dilma está ótima, é?

Com esta lista de males e tomando 28 tipos de medicamentos - e com Lula enchendo o saco?Tenham dó:

- Inflamação pulmonar;
- diabetes
- dores no estômago
- fígado sobrecarregado, e por aí vai.

Confiram aqui.

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sábado, 28 de maio de 2011

Um cacoeteiro marxista fala aos órfãos do comunismo


O filósofo (esloveno, se não me engano) Slavoj Zizek, que ainda se diz marxista, tornou-se mais conhecido no Brasil por culpa da Folhona, que sempre deu amplo espaço às suas diatribes anticapitalistas. Quando o vi pela primeira vez, num desses programas da TV a cabo, fiquei surpreso com a profusão de cacoetes que o revolucionário exibe: pisca, sacode os ombros, joga a cabeça para o lado etc. Fala tão furiosa e prolixamente quanto escreve, por inabilidade com a navalha de Ockham. Aliás, nunca consegui ler na íntegra nenhum dos tijolaços que ele publicou no diário paulistano. Zizek foi festejado recentemente pelos órfãos do comunismo no Rio de Janeiro, em debate lado a lado com o stalinista Emir Sader.

Rodrigo Constantino fez um bom comentário, ainda que um tanto prolixo também:

A esquerda festiva carioca entrou em polvorosa estes dias, com a visita do filósofo marxista Slavoj Zizek, que atacou a democracia representativa liberal em palestra no Odeon. O caderno Proza & Verso do jornal O Globo entrevistou o filósofo esloveno e traz matéria de capa hoje com o título “A novidade do comunismo”. Como se a mais ultrapassada ideologia de todas pudesse ter realmente alguma novidade...

Zizek defende as “causas perdidas”, e lamenta a perda do espírito revolucionário da esquerda. Ele não tem tempo para angústias e dúvidas, típicas dos liberais que reconhecem a complexidade da vida em sociedade: “Penso que existe a verdade, que existe a verdade universal, e que ela pode mesmo ser vista politicamente”. Claro que esta verdade seria... a sua. Como disse Bertrand Russell, o problema no mundo é que os tolos e fanáticos estão sempre tão certos de si mesmos, mas as pessoas mais sábias estão repletas de dúvidas.

Para Zizek, o problema de Hitler é que ele não foi violento o bastante. Calma, ele explica: não é que ele deveria ter matado mais judeus; é que ele não foi violento o bastante na revolução, em que violência significa “transformação das relações sociais”. Gandhi é que teria sido mais violento como revolucionário, pois organizou um movimento de massa com o objetivo de impedir o funcionamento do Estado colonial inglês na Índia. Alguém sente o cheiro, ainda que de leve, do duplipensar orwelliano aqui? Paz é guerra. Verdade é mentira.

O filósofo não defende, portanto, a violência. A revolução deve vencer no “dia seguinte”. Agora, como ninguém é de ferro, ele confessa: “Se aqueles no poder resistem, é claro que deve haver alguma violência, mas apenas como forma de defesa”. Entenderam? Sou contra a violência, mas se os demais não concordarem com minha revolução, que afinal de contas é a pura encarnação da verdade absoluta, e disso tenho certeza, então sim, posso usar violência como meio, em legítima defesa. Não é fantástico?

Revolução, para Zizek, não é um estado de emergência, mas apenas “mudança radical”. Ele explica melhor: “Revolução para mim é mudança nas relações sociais de poder”. O filósofo acredita que esta “revolução” não se dá com eventos isolados, midiáticos, com massas nas ruas tacando fogo em carros, mas sim de forma lenta e gradual. Um trabalho árduo, diário, paciente. Quem compreendeu isso foi o comunista italiano Antonio Gramsci, que criou um verdadeiro estratagema de tomada de poder em doses homeopáticas, pelas vias culturais principalmente. Nada novo aqui também.

Como em toda seita, há a esperança no dia da redenção. Para Zizek, “o comunismo vai vencer ou estaremos todos na merda” (na verdade, todos onde o comunismo venceu é que ficaram sempre na merda). Ele reconhece que o resultado geral do comunismo no século XX foi um fiasco, e que a social-democracia está hoje em crise. Mas Zizek ainda defende o comunismo, pois o capitalismo liberal global, em que ele curiosamente inclui a China, não tem condições de resolver os problemas atuais, como a questão ambiental, biogenética e propriedade intelectual. E ele não se considera um utópico. Para Zizek, a única utopia é “acreditar que as coisas podem seguir indefinidamente seu curso atual”.

Aqui ele resgata o pessimismo malthusiano para justificar seu ponto: “É claro por exemplo que se a China continuar se desenvolvendo na escala atual haverá uma demanda materialmente impossível de atender”. Será mesmo? Desde muito tempo que os pessimistas alegam que o crescimento populacional não será acompanhado pelo progresso material, mas os dados insistem em prová-los errados. A qualidade de vida material aumentou e muito no mundo de forma geral, e graças justamente ao progresso capitalista. O mercado tem essa mania de inovar, de aumentar a eficiência e produtividade, ou seja, fazer mais com menos. Os recursos naturais não mudaram muito no planeta, mas atualmente temos bilhões de habitantes, e o petróleo não vai acabar em breve! O problema da China não é o crescimento acelerado, mas a falta de liberdade econômica. O lado ruim é justamente a herança comunista, não as pitadas de capitalismo que fizeram milhões saírem da miséria.

Por fim, resta mencionar quem foi o “filósofo” brasileiro que ajudou a divulgar o evento com Zizek: Emir Sader. Para quem não lembra, Sader é aquele que até hoje defende o regime cubano, a mais longeva ditadura do mundo, responsável pela morte de milhares de inocentes. Talvez seja a tal violência necessária para as mudanças sociais, que um dia ainda hão de chegar! Sader escreveu um artigo para enaltecer a vinda de Zizek, em que diz: “Sua nova vinda ao Brasil será, sem dúvida, um grande acontecimento intelectual e político. É um provocador, no melhor sentido da palavra – de provocar o debate, a revisão de clichês, de saber se situar contra a corrente, de enfrentar temas que outros abandonaram, sob a pressão da mídia conservadora. Vale sempre a pena ler e ouvir Zizek, interlocutor obrigatório de quem não tem medo da realidade do presente, do passado e do futuro”.

Como vocês podem ver, é o “novo comunismo”, sem nenhuma ligação com aquele velho, carcomido e putrefato junto com os milhões de cadáveres que produziu. Quem for louco o suficiente que compre estas novas embalagens para os mesmos sonhos utópicos de antes, que deixaram apenas um enorme rastro de sangue e miséria. De minha parte, fico com este “maldito” liberalismo democrático, que tem seus defeitos sim, como qualquer modelo de sociedade com seres humanos imperfeitos, mas que é infinitamente mais justo e eficiente, como a história mostrou. Reformas e mudanças, sempre! Afinal, trata-se de um modelo vivo, uma sociedade aberta, que deve progredir gradualmente, por tentativa e erro. Mas “soluções” mágicas, ainda mais o resgate do mais que ultrapassado comunismo, isso nem pensar!

O filósofo e psicanalista Zizek costuma encantar as esquerdas. É o marxista pop, como alguns já o chamaram. Ser popular com a esquerda festiva que adora viajar a Paris e com jovens revolucionários que odeiam “tudo que está aí” e querem destruir o “sistema” não é mérito algum para mim. Prefiro todos os anônimos ou impopulares que lutam diariamente para construir, de fato, um mundo melhor e mais justo, com respeito às liberdades alheias e, por tabela, repúdio ao comunismo, novo ou velho.

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2014? Não tenho em quem votar.

Cochichando com o Boca-de-Caçapa FHC, lá estão o pernambucano Sérgio Guerra, presidente dos tucanos, e Aécio Traiçoeiro das Neves, que ambiciona a presidência.

O PSDB se torna, definitivamente, um partido nordestino (embora Aécio seja mineiro, claro). Nisto, segue o defunto DEM.

Bye, bye, Serra, que vira as costas a 44 milhões de eleitores.

Como em certas tribos do passado, o Psdb agora já tem seu "Conselho de Anciões".

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Tarde demais, Dilma.

Depois da volta do bravateiro de São Bernardo, que falou pelos cotovelos, Dilma tenta mostrar que seu governo não está paralisado. Agora não adianta mais, Dilmuda.

Sem conseguir resolver o apagão na articulação política do Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff comandará uma série de reuniões, a partir desta semana, na tentativa de provar que o governo não está paralisado pela crise envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Dilma não gostou da repercussão do "socorro" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e quer mostrar que não é teleguiada.

Apesar de acatar os conselhos de Lula, que assumiu as rédeas políticas do governo após o desastrado telefonema no qual Palocci ameaçou o vice-presidente Michel Temer com a demissão dos ministros do PMDB, Dilma avalia que a entrada de seu padrinho em cena foi usada pela oposição para desqualificá-la. Ficou contrariada com comentários sobre a anemia de sua equipe e está disposta a sair da defensiva.

Na terça-feira, depois de voltar de uma viagem ao Uruguai, onde vai tratar de obras de infraestrutura, Dilma comandará uma reunião com governadores e prefeitos de capitais que serão sede da Copa de 2014. Na quarta, terá almoço com senadores do PMDB, em mais uma tentativa de evitar nova rebelião de sua base no Congresso. No mesmo dia está previsto um encontro com o Conselho Político, que abriga presidentes de partidos aliados e só se reuniu uma única vez até agora. O lançamento do programa Brasil sem Miséria, vendido como vitrine social, deve ocorrer na quinta-feira. (Continua).


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Cabeça pré-científica dá nisso!

Burrice ideológica, analfalbetismo em ciências e credulidade só podem ter mesmo este desfecho brutal: a continuidade de doenças infecciosas que podem ser debeladas pelas vacinas. Kant tinha razão: o homem não é racional, é apenas "racionável". Ponto.

Boatos, mitos e teorias conspiratórias tornaram-se um dos maiores obstáculos à erradicação de doenças infecciosas como sarampo e poliomielite, para as quais existem vacinas eficazes e seguras. Essa "revolta da vacina" pode atingir tanto países ricos como pobres, segundo dossiê sobre o tema na última edição da "Nature".
"O que faz um receio contra uma vacina se instalar? É uma complexa inter-relação de fatores no contexto histórico, social e político de um país", afirma a cientista social Julie Leask, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Sydney, Austrália.
Foi assim no Rio de 1904, quando a população se revoltou contra a obrigatoriedade da vacina antivaríola. E o Reino Unido tem dois bons exemplos modernos de "revoltas da vacina".
Autismo
Em 1998, o médico Andrew Wakefield divulgou a noção de que a vacina tríplice contra sarampo, caxumba e rubéola estava ligada ao aumento de casos de autismo.
Carismático, ele passava a imagem de um clínico que se importava com as pessoas, em comparação com as autoridades de saúde inflexíveis.
A "revolta" contra a vacina tríplice fez a cobertura das crianças cair de 92% em 1996 para 80% em 2004. Na Inglaterra e no País de Gales, o número de casos de sarampo saltou de menos de cem em 2005 para 1.400 em 2008.
O contexto em que esse tipo de revolta acontece pode ser ainda mais complexo. Em 2003, os EUA embarcaram na invasão do Iraque, um país muçulmano.
Na época, o laboratório Pfizer estava sendo processado nos EUA por supostos procedimentos não éticos em testes clínicos de um antibiótico na Nigéria, lembram dois pesquisadores, Heidi J. Larson e Isaac Ghinai, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.
Nesse caldo de cultura, brotou o boato falso de que a vacina contra a poliomielite era uma conspiração americana para disseminar o vírus HIV e causar infertilidade entre muçulmanos.
Isso levou ao boicote da vacina na Nigéria, com população predominantemente muçulmana, em 2003.
Os casos da doença saltaram ""mais de cinco vezes de 2002 a 2006: de 202 para 1.143. E, mostrando como o combate a doenças deve ser globalizado, foram achadas linhagens do vírus nigeriano da pólio em 15 países ""alguns eram livres da doença.
A poliomielite ainda é endêmica no Afeganistão, na Índia, na Nigéria e no Paquistão; foram 1.351 casos no mundo todo em 2010.
Os números caíram nos três primeiros países, mas aumentaram 62% no Paquistão.
"Asif Ali Zardari, o presidente do Paquistão, realizou uma reunião no mês passado para enfrentar mais um revés para a sua problemática nação. O foco não era nem o ressurgimento da Al-Qaeda, nem as pobres relações diplomáticas com os Estados Unidos ""era a poliomielite", publicou a "Nature" no dossiê.
O Paquistão está tentando lidar com o problema agora. Enquanto a doença persistir em um país, nenhuma região do planeta estará segura. (Ricardo Bonalume, Folha de S.Paulo).

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A tradição antiliberal e autoritária da América Latina tem um pé na Inquisição


Não parece haver dúvida de que a cultura autoritária prevalecente na América Latina - em detrimento da cultura das liberdades - seja, pelo menos em parte, herança que a Península Ibérica deixou às suas ex-colônias. O historiador inglês Toby Green, autor de Inquisição - O reinado do medo, obra que acaba de ser lançada no Brasil pela Editora Objetiva, insinua algo semelhante.

O livro, que abrange um período de 300 anos, não trata da Inquisição medieval ou italiana - estas, controladas pelo papado e seus representantes, os bispos -, mas da Inquisição na Espanha e em Portugal, controladas diretamente pelos reis (Fernando de Aragão e Isabel de Castela; João III).

Escreve Green: "Uma das melhores razões para se concentrar na Inquisição em Portugal e na Espanha é o fato de que se trata de uma história de poder e abuso de poder, e não uma desculpa para reprisar a propaganda anticatólica do passado. Durante o estabelecimento da Inquisição em Portugal, o papado foi sempre mais benevolente do que o governo português de João III: o rei proibiu os judeus convertidos de deixarem Portugal em 1532, enquanto o papa Clemente VII lhes concedeu indulto em 1533; após a criação da Inquisição, em 1536, João quis que o bispo de Lamego indicasse um português para o cargo de inquisidor-geral, mas o papado se recusou, temendo que ele fosse violento demais; e quando, em 16 de julho de 1547, o papa Paulo III (...) finalmente outorgou à Inquisição portuguesa as mesmas liberdades que sua correspondente espanhola, ele o fez com a condição de que, pelo período de um ano, todos os que quisessem poderiam deixar Portugal livremente para escapar da perseguição."

O fato é que os abusos na Península Ibérica eram mais políticos do que religiosos, o que leva o historiador a dizer - mas seria preciso outro livro para estabelecer essas conexões - que a Inquisição foi "a primeira semente dos governos totalitários".

Será mesmo? "Não há dúvida", responde o autor, "de que ela teve inúmeros sucessores, ao menos por analogia. Houve a rede de informantes da Stasi (...), que durante a Guerra Fria se espalhou pela Alemanha Oriental como familiares inquisitoriais para monitorar os politicamente incorretos; e os carrascos de Mao Tse-tung, que amputavam a laringe de suas vítimas para que não pudessem protestar, assim como as vítimas dos autos de fé eram amordaçadas, e que cobravam das famílias dos mortos as balas usadas para executá-los, assim como as vítimas da Inquisição tinham que pagar pela tarefa de seus torturadores."

No caso espanhol, a influência das práticas inquisitoriais perdurou até o fim do franquismo (nos anos 70), com suas execuções públicas dos prisioneiros pelo "Garrote vil". No caso português, até o fim do salazarismo. Note-se que o general Franco a Antônio Salazar foram os últimos ditadores na Europa, que já enterrara o fascismo e o nazismo, mas conviveria ainda com o comunismo até 1989-91.

O antiliberalismo na América Latina, que certamente se deve em parte a essa herança ibérica, é responsável pelas frequentes recaídas autoritárias que o continente viveu no século passado e apresenta ainda em pleno século XXI, cujo exemplo mais retrógrado é a Venezuela chavista. Acrescente-se que, por aqui, ainda sobrevivem as ideias comunistas, das quais o resto do mundo já se desvencilhou.

Com esse tipo de cultura política, a democracia estará sempre em risco.
(Na foto, Torquemada, primeiro inquisidor-geral da Espanha).

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O retorno do Lula bolivariano


O Pequeno Timoneiro já arrota como Chávez, ameaçando o Congresso. Quer empurrar uma "reforma política" aos moldes do autoritarismo bolivariano, inclusive através de uma Constituinte. Sabe-se que Lula, com vocação para tiranete sindicalista, nunca teve respeito pelo Legislativo. Alguém tem que mandar esse golpista calar a boca! Se Dilma não o fizer, teremos uma séria crise institucional.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje a intenção de promover uma grande plenária, composta por trabalhadores, sindicalistas e representantes de movimentos sociais e partidos políticos, para forçar o Congresso Nacional a aprovar uma reforma política ampla.

A informação é de líderes de centrais sindicais que se reuniram na manhã de hoje com o petista no Instituto Cidadania, zona sul da capital paulista. "Ele acha que, se deixar do jeito que vai indo, com tantas divergências no Congresso, a tendência é de que não tenha reforma nenhuma", disse o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho.

Na avaliação do ex-presidente, segundo Paulinho, a tendência é ser realizada uma reforma menor que a ideal. De acordo com o deputado, Lula defendeu que, caso o Congresso não aprove uma grande reforma, será necessário realizar uma mini Assembleia Constituinte para tratar exclusivamente da questão eleitoral, com regras para 2014. "Ele acha que tem muitas opiniões divergentes no Congresso, que não há um consenso e que o ideal é que a gente pudesse mobilizar a sociedade brasileira", disse Paulinho. "Ele avalia fazer uma plenária e, se não funcionar, acha até que deveria ser feita uma eleição para uma Constituinte exclusiva para a questão eleitoral".

Os dirigentes sindicais informaram que o ex-presidente disse que essa plenária deve realizada nos próximos meses. No encontro, Lula defendeu, segundo os sindicalistas, o financiamento público de campanha e que a reforma política determine que eleições municipais e gerais sejam realizadas no mesmo ano, com diferença de dois meses. De acordo com os dirigentes sindicais, o ex-presidente informou que nos próximos dias deve se reunir com lideranças dos partidos políticos que fazem parte da base de apoio do governo federa. (Continua).


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STF chega ao "Direito achado na rua"

Por sugestão do blog do PRA, reproduzo artigo do professor de Filosofia da UFRJ, Mário Guerreiro, membro do Instituto Liberal do RJ. Ele observa que o STF também já adotou o tal do "direito alternativo", monstrengo gramsciano-schmittiano engendrado nos laboratórios ideológicos de alguns professores da UnB (e da UFSC), nos anos 80. É aquilo que chamo de "Direito achado na rua". Ao texto:

STF adotou o “direito alternativo”
Mario Guerreiro (26/05/2011)

Há alguns dias uma decisão do STF, por maioria absoluta, reconheceu a constitucionalidade da união estável entre homossexuais. Todos a favor, nenhum contra. Coisa raríssima no STF! Parece que nenhum dos ministros queria ser voto vencido. E não vou indagar os motivos pelos quais não queria tal coisa. Nem vou dizer aqui o que pensava Nelson Rodrigues sobre toda unanimidade...
É verdade que a Constituição fala em união estável “entre homens e mulheres” e nada diz sobre a legalidade ou não de outras possíveis formas de união, como, por exemplo, a união estável entre seres humanos e animais em práticas de zoofilia.
Embora demasiadamente prolixa, metendo seu nariz em tópicos típicos da legislação ordinária, a volumosa Constituição de 88, não aprova nem reprova semelhantes uniões aberrantes: simplesmente se silencia. Como então que poderia ser justificada a decisão do STF?
Por mais que eu faça uma aeróbica dos meus neurônios, não consigo vislumbrar mais do que 2 justificativas. (1) Mediante uma hermenêutica capciosa, o STF entendeu que a expressão “união estável entre homens e mulheres” comportava não só uniões entre um homem e uma mulher, mas também uniões entre um homem e um homem, bem como entre uma mulher e uma mulher, ou seja: as assim chamadas “uniões estáveis entre gays”.
Qualquer pessoa medianamente culta e agraciada por Deus ou pelo código genético (ou mesmo por ambos) com a excelsa virtude do bom senso - ainda que não entenda patavina de Direito Constitucional e de hermenêutica jurídica – há de considerar escabrosa essa interpretação do texto constitucional.
A referida passagem do mesmo é clara como um dia ensolarado de verão nos trópicos e, seguindo o sábio adágio jurídico romano: In claris cessat interpretatio.
(2) Pondo de lado o texto constitucional, os ministros do Supremo resolveram fazer o que há muito tempo já fazem alguns juízes de primeira instância: adotaram o assim chamado “direito alternativo” – uma excrescência jurídica! - quando decidiram não embasados na lei, mas sim naquilo que eles entendem como “justiça”.
Em qualquer das duas alternativas e, sinceramente, não consigo vislumbrar uma terceira, a decisão do STF é simplesmente desastrosa. Numa linguagem mais contundente poderia ser dito que eles rasgaram a Constituição que tinham por missão preservar. E como não é possível recorrer a uma instância superior, sob a alegação de inconstitucionalidade, resta-nos tão-somente exercer o consagrado “jus sperniandi”.
Houve protestos no Congresso Nacional sob a alegação de que o STF ultrapassara os limites de sua competência - que consiste em decidir sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei – e invadiram os limites da competência do Poder Legislativo, que consiste em fazer ou desfazer leis, aprovar ou não emendas à Constituição.
Diz a Folha de São Paulo (7/5/2011): “Mas como a Constituição prevê essa união ‘entre homens e mulheres’, deputados e senadores dizem que seria prerrogativa do Congresso aprovar emenda constitucional para modificá-la”.
E ainda: “O Supremo fez uma atualização da lei que o Congresso se recusou a fazer. Mais uma vez o Congresso foi atropelado, ficou para trás e fica pequeno do tamanho que está”, diz o líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO).”
O senador - que antes de ingressar na carreira política foi membro do Ministério Público - sabe o que está dizendo e está coberto de razão. Penso até que ele usou um eufemismo ao dizer que “o Supremo fez uma atualização da lei” quando, em bom português, o que ele fez foi uma usurpação de uma prerrogativa do Congresso Nacional a quem cabe fazer emendas à Constituição. Ao Supremo cabe tão-somente decidir – quando, e somente quando, provocado – a constitucionalidade das emendas.
Alguns alegam que o Supremo foi levado a fazer o que fez em virtude da morosidade do Congresso. Sabe-se que, nos últimos 16 anos, foram produzidos mais de 20 projetos em defesa do homossexualismo, mas impasses políticos e a lentidão da tramitação das matérias não permitiram que os projetos fossem postos em votação.
Ora, todo mundo sabe que o Poder Legislativo é demasiadamente lento - assim como o próprio Poder Judiciário - mas isto não justifica que o primeiro venha a decidir alegações de inconstitucionalidade, nem que o segundo passe a fazer leis. Insisto que o aspecto mais grave da questão é os ministros do Supremo desconsiderarem um artigo claríssimo da Constituição e fazerem uma emenda constitucional – precedente este da mais alta gravidade institucional!
Se era justo ou injusto o reconhecimento estável de casais homossexuais, esta era uma questão a ser decidida pelo Congresso Nacional. O Supremo deveria se silenciar sobre um assunto alheio à sua competência. Como disse Percival Puggina em www.rplib.com.br em 6/5/2011:
“Quase não dormi. Embora creia que o Estado não tem por que tutelar todos os tipos de relações afetivas que se manifestem na sociedade, e que se restringe à família, por ser a instituição fundamental, o espaço reservado à sua proteção, não considero que o reconhecimento de direitos previdenciários às uniões homossexuais vá abalar os fundamentos da sociedade.
O que me manteve alerta, insone, foram algumas coisas que ouvi saírem da boca dos senhores ministros do STF durante o julgamento de ontem, quando, a toda hora, alguém pegava o microfone para dizer que o STF não estava se substituindo ao Congresso Nacional. Certamente o diziam por saberem, todos, que era exatamente isso que estavam fazendo.” (O grifo é meu).
Como se sabe, há muito que as várias Constituições brasileiras – assim como todas as Constituições das nações democráticas – adotaram a separação dos Três Poderes de Montesquieu. Mas, em Terra Brasilis, foi adotada a separação, porém fartamente desrespeitadas as atribuições específicas de cada qual dos Poderes.
Assim sendo, o Poder Executivo costuma legislar (mediante resoluções, portarias e outros tipos de norma feitas por burocratas), o Poder Legislativo costuma fazer julgamentos (mediantes CPIs e CPMIs que geralmente acabam em pizza com guaraná) e o Poder Judiciário agora passou a fazer leis e aprovar emendas à Constituição. Diante disso, Percival Puggina (em www.rplib.com.br em 6/5/2011) concluiu acertadamente:
“Foi uma coisa alarmante porque de duas uma: ou havia um vazio legislativo a ser "colmatado" e o STF legislou em contradição com a Constituição, ou era preciso declarar a inconstitucionalidade do parágrafo 3º do art. 226 da Carta da República, que estaria em contradição com aqueles princípios constitucionais que eles mastigavam sem dar satisfação para ninguém. É bom lembrar aos onze o ensinamento do ex-ministro Francisco Campos, para quem "repugnava ao regime de constituição escrita a distinção entre leis constitucionais em sentido material e formal. Em tal regime são indistintamente constitucionais todas as cláusulas constantes da constituição, seja qual for seu conteúdo ou natureza".
“Ademais, nas claríssimas palavras do doutrinador Jorge Miranda (também constituinte na democratização portuguesa), sequer os "órgãos de fiscalização instituídos por esse poder (constituinte) seriam competentes para apreciar e não aplicar, com base na Constituição, qualquer das suas normas. É um princípio de identidade ou de não contradição que o impede". Mude o Congresso a norma constitucional, se 3/5 de seus membros o desejarem. No Estado Democrático de Direito as coisas são feitas assim. Mas, para o bem desse mesmo Estado, nunca mais repita o STF tão arbitrária conduta!”
Acontece, porém, que no Brasil, como já dissemos em outro artigo, a lógica é alvo de grande desprezo: ninguém leva a sério o vetusto Princípio de Não-Contradição estabelecido por Aristóteles e permanecendo de pé há mais de 2.000 anos! Nem mesmo os ministros do Supremo!
Brasil: se cercar vira hospício e se jogar lona em cima vira circo.

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Dilmarionete


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Estudantes ganham a WikiCiências

Uma boa iniciativa da Casa das Ciências, de Portugal, que inicia o projeto WikiCiências, destinado ao ensino básico e secundário, com verbetes sobre as ciências fundamentais. Cientistas renomados participam do projeto como editores setoriais. Bom também para a pesquisa de estudantes brasileiros. (Fonte).


A internet é hoje um recurso de uso universal. É ali que todos procuramos a resposta às nossas questões, seja a simples hora do filme que tencionamos ir ver seja a última experiência em curso no CERN. Todas as revistas científicas estão hoje disponíveis, embora o acesso dependa do pagamento de uma assinatura. Está em curso um grande esforço para digitalização de livros mas o futuro é ainda incerto e a maioria dos livros recentes só pode ser acedida em papel. A realidade é que os estudantes fazem hoje um uso muito amplo da internet para o acompanhamento do seu estudo mas as têm muito poucas fontes de confiança em português. Para o ensino básico e secundário, esta é uma carência que foi identificada como muito relevante e a que a Casa das Ciências está a dar uma resposta.

Num estudo prévio, foram identificados os termos básicos presentes nos programas das disciplinas científicas e este constitui o acervo inicial que a Casa das Ciências se propõe reunir. Na fase inicial, a Casa das Ciências convidou cientistas reconhecidos a participar neste projecto como editores sectoriais. Todas as entradas ficam permanentemente registadas e disponíveis para consulta mesmo depois de substituídas. A identidade dos autores e dos editores será pública e servirá de primeiro garante da qualidade da entrada. Uma vez aprovada, fica livremente disponível e exposta à crítica havendo uma hierarquia de editores que lidarão com todas as sugestões de melhoria que sejam apresentadas.


Tendo como Editor-Chefe o Professor José Ferreira Gomes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e como Comissão Editorial a mesma da Casa das Ciências, o Corpo editorial tem 2 Editores de Geologia, 3 de Matemática, 2 de Física, 2 de Geologia, 3 de Química, 3 de Biologia e 2 de Ciências dos computadores.


Dispõe nesta primeira fase de cerca de 650 entradas das quais 250 já se encontram “abertas” para toda a gente. Todas as outras estão em fase de avaliação para poderem ser editadas e publicadas dentro dos prazos habituais nestas circunstâncias.


Estima-se que até ao fim do ano estejam disponíveis para leitura universal cerca de 1000 entradas que, segundo os estudos prévios que foram efectuados, correspondem a uma dimensão aceitável para o universo de conceitos essenciais que são utilizados nos níveis de ensino a que a WikiCiências prioritariamente se destina.


Segue-se um exemplo da Física, ilustrativo do tipo de entradas que se podem encontrar nesta componente da casa das Ciências: aqui.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

A boneca desinflada


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Ofuscada por Lula, Dilma tenta sair da sombra. Tarde demais.

Mas pouco adianta. O que fica mesmo é a ideia de crise, que Dilma não soube debelar. O fato é que o Pequeno Timoneiro já vai tomando as rédeas, demonstrando a fragilidade do governo, que ainda não chegou ao seu primeiro semestre de vida.

Bom, depois do que disseram o historiador Villa e o senador Demóstenes Torres, nada há a acrescentar:

Se na primeira crise simples já foi preciso chamar um ex-presidente para apagar o incêndio como se fosse bombeiro, é porque a situação é grave", afirmou. "A presidente não soube conviver com a pressão nos primeiros cinco meses de mandato, imagina se houver uma crise forte de verdade.” Villa diz ser negativo para o país que Lula, sem mandato, sem ser ministro nem exercer uma função diretiva oficial no PT, atue institucionalmente no governo. “Nunca antes na história deste país isso aconteceu, aliás, como a jabuticaba, essas coisas só são vistas aqui mesmo”.

Para o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), o governo foi terceirizado. “O Lula já não pode ser chamado de ex-presidente, porque ele passou a dividir o poder com a Dilma, diante da omissão dela em gerenciar a crise política”, critica. “A Dilma virou o cavalo de santo dele – a entidade baixa nela e manda. Daqui a pouco ele vai poder nomear pessoas e seu poder vai só aumentando”. (Continua).

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SBPC critica aprovação do Código Florestal. Em nome da ciência ou da política?

Em post publicado aqui há quase uma semana, afirmei que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) havia sucumbido ao lulismo, e mais ajoelhada ficará quando o físico e militante Pinguelli Rosa se tornar presidente da entidade, defendendo algo como uma "ciência nacional".

Com luvas de pelica, a entidade lançou ontem uma "Nota sobre a decisão da Câmara dos Deputados sobre o Código Florestal", criticando a decisão do Legislativo em termos não muito diferentes dos de Marina Silva, dos petistas e das ongs verdolengas, com seu discurso de "sustentabilidade". Note-se que a SBPC também queria protelar a discussão do código florestal por mais dois anos para, supostamente, dar-lhe sustentação "científica e tecnológica".

A direção diz que nada ter a ver com "movimentos ambientalistas ou ruralistas", mas, tal como os perdedores, joga a bolinha para o Senado, apelando para mudanças. Aí vai o trecho final do documento:

Desta forma, a SBPC e a ABC consideram precipitada a decisão tomada na Câmara dos Deputados, pois não levou em consideração aspectos científicos e tecnológicos na construção de um instrumento legal para o país considerando a sua variabilidade ambiental por bioma, interação entre paisagens urbanas e rurais que propiciem melhores condições de vida para as populações com uma produção agrícola ambientalmente sustentável.

Esclarecem também que esta decisão não tem nenhum vínculo com movimentos ambientalistas ou ruralistas, pois o mais importante é a sustentabilidade do País.

Reafirmam que estão dispostas a colaborar na construção de um código florestal/ambiental justo e que confiam que o Senado considere os aspectos científicos e tecnológicos na análise do substitutivo aprovado na Câmara dos Deputados. (São Paulo, 25 de maio de 2011).


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Santander dá mais um nó na corda de Palocci

O Banco Santander informou hoje ter contratado o impoluto braço-direito de Dilma, Antonio Palocci, para palestras, análises econômicas e financeiras etc. Obviamente, não revelou valores, mas o fato é que, para o banco espanhol, a série de palestras foi altamente instrutiva e, sobretudo, lucrativa:

O Santander é parceiro do governo federal. Em agosto de 2010, o banco comprou seis jatos da Embraer via o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao governo, para alugar à empresa aérea Azul numa operação inédita de financiamento. O negócio, avaliado em US$ 250 milhões, é conhecido como "spanish leasing", no qual o Santander comprou as aeronaves com 80% de financiamento do BNDES. O banco ainda é um dos parceiros da Petrobrás num programa para facilitar a oferta de crédito aos fornecedores.

Fontes do mercado confirmaram ao Estado que a Projeto Consultoria Econômica e Financeira prestou serviços ao banco entre 2008 e 2010. O ano de 2008 ficou marcado por uma grave crise econômica mundial, quando o governo Lula adotou medidas para contê-la no Brasil.

Em janeiro de 2009, Lula recebeu no Palácio do Planalto o presidente mundial do Grupo Santander, Emilio Botín. Naquele encontro, os dois discutiram os efeitos da crise e o banco anunciou investimentos de R$ 2,5 bilhões no País. Hoje, o Santander tem cerca de 23 milhões de clientes no Brasil.

Sugestão para o carnaval do ano que vem: "Ei, ei, ei, Tonico /ensina a gente a ficar rico"...


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Uma jornalista sensitiva em Brasília

Natuza Nery (eita, nome!), nova repórter da Folhona em Brasília, é uma jornalista que capta, "sente" as coisas no ar. Ela não sai atrás de notícias. As notícias chegam até ela, misteriosamente. Fontes? Hum, entidades do poder que sopram em seu ouvido - das quais, tão íntima, ouve até "queixas". O título do texto, aliás, é "Planalto se queixa de silêncio de Palocci sobre empresa". Ora, até parece que não temos presidente por lá. Presidente, manda, ordena, não faz queixas de seus subordinados.

E, cá pra nós, isso aí é matéria jornalística?:

Integrantes do Planalto têm se queixado da falta de explicações detalhadas por parte do ministro Antonio Palocci sobre as movimentações da Projeto, empresa criada por ele quando deputado federal.

Segundo relatos de três interlocutores, até a presidente Dilma teria comentado que não ouviu de seu principal ministro o tamanho do negócio, apenas sabia da existência da consultoria.

O faturamento bruto da empresa, de R$ 20 milhões em 2010, foi antecipado pela Folha. Só então o assunto teria chegado oficialmente ao gabinete presidencial.

Apesar de comentar com aliados que desconhece previamente os valores obtidos pela consultoria, Dilma desencorajou qualquer rumor de insatisfação interna.

Motivo: o Planalto já conhece nos bastidores que o desgaste de Palocci contamina o governo.

Senadores do PT também reclamaram ao ex-presidente Lula. Queixaram-se de serem chamados a defender enfaticamente o ministro sem nunca ter ouvido explicações por parte dele.

Desde as primeiras revelações sobre seu patrimônio, Palocci tem dito que o serviço de consultoria foi prestado de forma regular.

Em jantar anteontem no Palácio da Alvorada, Lula aconselhou Palocci a dar satisfações sobre seu negócio ao PT e aos mais próximos. Isso evita um bombardeio desnecessário dentro do quintal da base do governo.

Ele prepara explicações à Procuradoria-Geral da República. (Fonte).

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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Lula nos deixou o crack; Dilma nos legará o oxi.

(Pedras de oxi, a "rapadura do lulismo).

Em oito anos, o governo do demagogo Lula nada fez para combater a disseminação do crack, que ceifou vidas e aumentou a criminalidade. O falastrão não estabeleceu qualquer política de combate às drogas. Sua omissão incentivou a bandidagem, que hoje se sente tão arrogante e blindada pela impunibilidade quanto o próprio.

A sucessora, Dilmuda, em nome da qual só não falou ainda o jardineiro do palácio, viu o oxi invadir o norte e o centro-oeste e se espalhar pelo Brasil (hoje foi encontrado também em Florianópolis), e muda está, tão omissa quanto seu antecessor e mentor.

Não é demais lembrar que a base dessas duas drogas mortíferas é a coca - no caso do oxi, acrescida de gasolina, querosene, cal etc. De onde vem a coca, todo mundo sabe: da Bolívia, governada pelo cocaleiro Evo Morales, pretenso representante do "indigenismo", jargão ideológico que mal esconde sua verdadeira face: o narcotráfico bolivariano.

Amigo de Lula, o cocaleiro não hesitou em tomar bens da Petrobras na Bolívia, sem que o então presidente e agora milionário palrador de Garanhuns esboçasse qualquer reação.

No prontuário do lulismo, que terá o volume de uma enciclopédia, também constará a leniência com o narcotráfico.


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Sai daí, Haddad!

O ministro da Educação, Fernando Haddad, é um colecionador de desastres desde os escândalos do Enem. Outro escândalo foi o "Kit homofobia", distribuído em nome do MEC, mas que Haddad diz não ser do ministério. Dilma mandou suspender o kit, por considerá-lo inadequado, e chamou o ministro para explicações.

Bene, Haddad só não vai dizer que é incompetente. Mas é incompetência cometer tantos erros em duas gestões (sim, ele é herança do Lula) - e dupla incompetência deixar que o ministério seja usado por ongs interessadas na pregação gay. Não basta lavar as mãos.

Sai daí, Haddad!

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Máfia petista tenta calar procurador sobre crimes em Campinas

Conspurcar, corromper, perseguir é com os petistas. Não fizeram outra coisa em mais de oito anos de poder. Por mais que tapem, um dia o esgoto será aberto por futuros historiadores que não têm o rabo preso com um dos períodos mais negros da história brasileira.

Em estado de alerta com os rumos da investigação que coloca nomes ligados ao partido no centro de suposto esquema de corrupção e desvio de verbas públicas na Prefeitura de Campinas (SP), o PT partiu para o tudo ou nada e bateu às portas da Procuradoria-Geral de Justiça. Cinco deputados da bancada estadual da sigla se reuniram na tarde desta terça-feira, 24, com Fernando Grella Vieira, o procurador-geral.

Eles disseram aos repórteres, à saída da audiência, que o partido não vai admitir "especulações políticas" em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi citado em escuta telefônica da inteligência do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil em meio à devassa na gestão do prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), amigo de Lula.

O encontro com o procurador-geral durou 40 minutos. Os deputados pediram explicações sobre os motivos que levaram ao requerimento de prisão temporária do vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), foragido desde sexta feira. "Apoiamos irrestritamente a investigação, mas não existe um único dado que justifique o pedido de prisão do companheiro Demétrio, que tem uma história vinculada aos movimentos sociais e não pode ser condenado publicamente", protestou o deputado Edinho Silva, presidente estadual do PT. (Continua).


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