sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ou voto distrital ou ditadura consentida


Não se deixe enganar: a reforma lulopetista da política quer introduzir o voto-legenda, que roubará a decisão dos eleitores. Com ela, as cúpulas partidárias é que escolherão os eleitos. Você terá de volta gente como José Dirceu e outros réus. Assine o manifesto da campanha:
Algumas propostas da reforma política serão votadas por uma comissão especial nesta quarta,05 de outubro. Entre elas há o distritão, a lista fechada e o financiamento público. Não deixe que as opções que diminuem o poder do eleitor sejam escolhidas.
Vamos colocar o VOTO DISTRITAL em pauta, pois é a reforma que interessa o povo. Somos 100 mil e queremos um sistema político que seja mais respeitoso ao voto do eleitor. Por isso, propomos que até quarta todos enviem mensagens para os deputados federais que participarão da comissão.
ENVIE UMA MENSAGEM PARA UM DEPUTADO
Encontrar quais são os deputados que pertencem a comissão não é tão simples. Depois de muitos clicks achamos a lista dos 40 participantes. Então, acesse ela para escolher os seus deputados e use nossa ferramenta “FALE COM DEPUTADOS” para enviar uma mensagem para eles de um jeito rápido e fácil.
Sugerimos que você fale com pelo menos algum destes cinco que estão liderando a comissão:
Presidente: Almeida Lima (PMDB/SE)
1º Vice-Presidente: Edinho Araújo (PMDB/SP)
2º Vice-Presidente: William Dib (PSDB/SP)
3º Vice-Presidente: Ronaldo Caiado (DEM/GO)
Relator: Henrique Fontana (PT/RS)


Siga a campanha aqui.

Share/Bookmark

Justiça em crise


Editorial do Estadão:
Diante da forte reação da opinião pública e das críticas ao corporativismo do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) agiu com sensatez ao adiar o julgamento da ação de inconstitucionalidade impetrada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) questionando as prerrogativas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para investigar e punir juízes acusados de desvios de conduta.
Até terça-feira, a tendência da Corte era acolher o recurso da AMB, abrindo caminho para que o órgão responsável pelo controle externo do Judiciário só examinasse denúncias já julgadas pelas corregedorias dos tribunais. Mas, diante das reações da opinião pública e, principalmente, do Senado ao bate boca entre o presidente do STF e a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, os ministros concluíram que não havia clima para tomar qualquer decisão.
Dias antes, Eliana Calmon havia afirmado que é preciso combater a impunidade dos "bandidos que se escondem atrás da toga". Ela também disse que o presidente da AMB, Nelson Calandra, estaria agindo de comum acordo com Peluso. E classificou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), no qual ambos foram colegas, como o maior foco da resistência corporativa à punição de juízes. "Sabe quando vou inspecionar o TJSP? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro", disse ela.
Em nota de repúdio às declarações da corregedora, Peluso cobrou uma retratação. A ministra não só se recusou a se retratar, como aumentou o tom de suas críticas, acusando as corregedorias dos tribunais de "camuflarem suspeitos" e de serem lentas nas investigações para permitir a prescrição dos processos. Calmon disse ainda que tramitam na Corregedoria Nacional de Justiça 115 processos contra juízes de primeira instância e 35 contra desembargadores. Lembrou que há dias pediu a abertura de uma investigação para apurar denúncias de envolvimento da presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins, desembargadora Willamara de Almeida, num esquema de venda de sentenças. E afirmou que, se o STF acolhesse o recurso da AMB, as investigações sobre as denúncias de irregularidades cometidas por esses magistrados seriam suspensas. (Continua).

Share/Bookmark

Procurado pela Interpol, Maluf é réu em nova ação no STF.


O processo é contra Maluf e famiglia.

Share/Bookmark

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dudu Beleza, o bom filho.

Neto de Miguel Arraes (o político mais carrancudo que o Brasil já teve), o governador pernambucano Eduardo Campos - que é também presidente nacional do PSB - mobilizou uma máquina de guerra para botar a mãe no Tribunal de Contas da União. Conseguiu, claro. Eis o socialismo à brasileira. Tudo pela família.


À parte a surpresa de 17 senadores terem votado contra a homologação do nome da deputada Ana Arraes, do PSB pernambucano, para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), ante 48 a favor e uma abstenção, a ratificação era apenas, como sempre foi, uma formalidade. Aos 64 anos, filha do lendário governador populista Miguel Arraes (1916-2005) e mãe do atual, Eduardo Campos, tendo sido no ano passado a candidata mais votada em seu Estado para a Câmara, ela não vinha propriamente se destacando no exercício do mandato. Quaisquer que sejam os méritos de sua biografia e as qualificações para a função vitalícia que irá assumir, a sua escolha em votação secreta, prevalecendo sobre quatro outros candidatos - entre eles o ex-presidente da Casa Aldo Rebelo, do PC do B -, resultou exclusivamente do rolo compressor posto em marcha pelo filho.
Presidente nacional do PSB, reeleito para o governo de Pernambuco com 83% dos votos válidos, Campos vinha já emergindo, aos 46 anos, como o primeiro entre os seus pares da nova geração de políticos brasileiros. "Dudu Beleza", como os conterrâneos o apelidaram, precisava, no entanto, de uma oportunidade para demonstrar poder e prestígio além dos limites de seu Estado e do Nordeste. A vacância, por aposentadoria do titular, da cadeira do TCU que cabia à Câmara preencher, veio a calhar. Patrocinou o nome da genitora e foi um filho exemplar como articulador político. Mas não um exemplo para o decoro e a integridade das instituições políticas. (Continua).

Share/Bookmark

As diferenças históricas entre ciência e tecnologia


Um dos posts mais acessados neste blog (desde maio do ano passado) é um trecho do meu livro A cruzada contra as ciências (quem tem medo do conhecimento?), lançado em2010 (ver seção Livros, à margem direita). Reproduzo-o aqui, em homenagem aos visitantes que não o leram e aos meus novos alunos - aos quais jamais recomendei o livro.

Bene, quem quiser conhecer o resto da história, que vá adiante...

(...) É importante distinguir ciência e tecnologia, cujas motivações são diferentes. Ambas estão hoje tão imbricadas que já se tornou comum aplicar-lhes a sigla C&T, ofuscando algumas diferenças fundamentais. Em poucas palavras, ciência produz idéias, teorias, informações; tecnologia produz objetos, bens, voltados para as necessidades e demandas do mercado. Uma busca simplesmente conhecer; outra, visa a fins práticos. Ambas envolvem processos cognitivos, mas seus resultados são diferentes. O produto final de uma atividade científica inovadora, em geral, é uma declaração escrita, um paper anunciando uma descoberta experimental ou uma nova teoria. Já o produto final de uma inovação tecnológica é, tipicamente, um acréscimo à realidade material: um relógio, uma máquina, um aparelho de barbear, um telefone celular. Fundamental, para a tecnologia, é o artefato - artefatos são seus meios e seus fins. 

Convém observar que a tecnologia é muito mais antiga que a ciência e possui uma história própria. O historiador da tecnologia George Basalla lembra que ela é tão antiga quanto a própria humanidade, sendo um equívoco defini-la como aplicação de teorias científicas para a resolução de problemas práticos. A tecnologia não é “serva da ciência”. Para ficar num só exemplo, a tecnologia egípcia era superior à dos gregos, criadores da ciência. Igualmente sem o auxílio de conhecimento científico, a antiga tecnologia chinesa realizaria expressivas conquistas (o papel, a imprensa, a bússola e a pólvora, entre outras). No entanto, embora fossem hábeis engenheiros e atentos observadores dos fenômenos celestes, os chineses deixaram poucas contribuições em termos de conhecimento científico. O fato é que eles cultivavam uma “visão mística do mundo”: o universo é concebido como algo organizado hierarquicamente, em que cada parte reproduz o todo. “O homem é um microcosmo que corresponde ao inteiro universo: o corpo humano reproduz o esquema do cosmo.” Joseph Needham, o grande estudioso e entusiasta da cultura chinesa, também se refere a essa concepção holística. “A concepção mecânica do mundo”, escreve ele, “não se desenvolveu no pensamento chinês e, pelo contrário, a idéia organicista segundo a qual cada fenômeno está conectado a todos (...) os demais, segundo uma ordem hierárquica, foi universal entre os pensadores chineses”. 

A investigação racional sobre o homem e sobre a natureza, como ressalta Pellicani, “é uma criação especificamente e exclusivamente grega”, fruto da ruptura entre mito e razão (Logos), que possibilitou o florescimento do pensamento filosófico e científico e a passagem da sociedade fechada à sociedade aberta. Trata-se de um rompimento com os valores sacros da tradição - a fé dos ancestrais - de que não se tem notícia em outras culturas. A análise é corroborada pelo historiador das ciências Charles Gillispie: 

A ciência deriva, em últimas palavras, do legado da filosofia grega. É certo que os egípcios desenvolveram técnicas de agrimensura e realizaram certas operações cirúrgicas com notável finesse. Os babilônios dispunham de artifícios numéricos de grande engenhosidade para prever os modelos dos planetas. Mas nenhuma civilização oriental foi além da técnica e da taumaturgia para chegar à curiosidade sobre as coisas em geral. Entre todos os triunfos do gênio especulativo grego, o mais inesperado, o mais verdadeiramente novo foi precisamente a concepção racional do cosmo (....). A transição grega do mito para o conhecimento foi a origem da ciência e da filosofia. 

Num livro tão admirável quanto provocativo, o matemático e historiador das ciências Lucio Russo compartilha essas interpretações sustentando que não havia “ciência” nos antigos impérios, nem mesmo na Grécia do século V a.C. e nem sequer nas obras de Platão e Aristóteles, embora este último tenha antecipado algumas características das ciências empíricas. O método científico só despontaria no curso do século III a. C., sendo “uma característica essencial da civilização helenística”, cujo ponto de origem é o império de Alexandre Magno. Traçando um panorama histórico da ciência grega desde o nascimento até a decadência, com o advento do Império Romano (e a conseqüente regressão da civilização a um estado pré-científico, que perduraria até o século XVII), o autor demonstra que a revolução científica moderna - a partir de Copérnico, Galileu e Newton - foi em parte uma retomada do que se perdera com a destruição da civilização grega: Aristarco de Samos, por exemplo, já desenvolvera a hipótese heliocêntrica no referido século III a. C. 

Em resumo, todos os povos produziram tecnologias, mas só o povo grego criou a ciência e a filosofia de que somos herdeiros. Basalla demonstra que, até o século XIX, a ciência exerceu pouco impacto sobre a tecnologia. Sem auxílio da ciência, a tecnologia gerou a agricultura, os artefatos de metais, as conquistas da engenharia chinesa e até mesmo as catedrais do Renascimento. Essas imponentes catedrais, com suas enormes cúpulas e altas naves, foram erguidas por engenheiros que se baseavam na experiência prática, aprendendo diariamente com os erros, e não em teorias científicas. Prevalecia então, como sugere outro autor, o “teorema dos cinco minutos” – se uma estrutura permanecesse de pé por cinco minutos depois de retirados os suportes, presumia-se que se manteria de pé para sempre. 

O recente matrimônio entre ciência e tecnologia pode ser ilustrado com a história da comunicação radiofônica. As ondas eletromagnéticas não foram descobertas por experimentação, mas a partir das equações elaboradas pelo físico escocês Maxwell (1831-79). Em 1887, Hertz (1857-94) demonstraria a propagação de tais ondas, sem atentar, contudo, para a sua importância para as comunicações. Coube ao italiano Marconi (1874-1937), um autodidata, lançar as bases para seu aproveitamento industrial e comercial: foi ele o primeiro a estabelecer comunicação entre a Europa e os Estados Unidos. Desde o final do século XIX, portanto, C&T andam de mãos dadas – com as bênçãos da indústria, que na mesma época fundaria as primeiras empresas baseadas em conhecimento científico (nas áreas de química e eletricidade). Hoje, nada de realmente novo existe que não seja resultado da pesquisa científica. (copy: Orlando Tambosi)

Share/Bookmark

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Racialismo, uma doutrina fascista.

A doutrina racialista, introduzida no Brasil pelo lulismo, com forte apoio de vertentes acadêmicas relativistas nas ciências humanas (antropólogos na linha de frente), sempre foi defendida pelo fascismo. Só para resumir, cito um trecho do livro de Andrew  Heywood ( Ideologias políticas. Do liberalismo ao fascismo, Ática, 2010):


O racialismo é, de modo geral, a crença de que conclusões políticas ou sociais podem ser obtidas com base na ideia de que a humanidade é dividida em "raças" biologicamente distintas. As teorias racialistas se apoiam em duas premissas. A primeira é de que existem diferenças fundamentais genéticas ou de espécie entre os povos do mundo. A segunda é que essas divisões genéticas se refletem em diferenças culturais, intelectuais e/ou morais, tornando-as significativas nos aspectos político e social. 


Ora, a ciência demonstrou que não há diferenças genéticas entre os seres humanos. Constituímos todos uma única espécie. As diferenças são apenas de pigmentação da pele. "Raça" não é conceito científico, e por isso mesmo o racismo é um preconceito.


Racialismo é ideologia. E, pior, ideologia fascista.


Share/Bookmark

Nenhuma instituição é perfeita. Todas têm seus bandidos.

Está certo o ministro Gilmar Mendes, do STF, ao apoiar a atuação da corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon. Nenhuma instituição é impoluta, assim como nenhuma sociedade é perfeita. A ideia de sociedade perfeita sempre conduziu ao despotismo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes saiu nesta quarta-feira, 28, em defesa da corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, e admitiu que o Judiciário, como qualquer outra instituição, enfrenta casos isolados de desvios de conduta. O ministro disse não ver más intenções nas declarações de Eliana - de que a magistratura "está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga" - e atribuiu a frase ao envolvimento dela com a atuação na corregedoria. "Acredito até que a ministra está muito estimulada com seu trabalho. Quem lida com problemas concretos certamente se empolga e quer resolvê-los", afirmou Mendes, que participou de seminário sobre guerra fiscal realizado na capital paulista. (Continua).

Share/Bookmark

O objetivo da reforma política lulista: dinheiro e poder.

Dora Kramer analise, no Estadão de hoje, a nefasta reforma política engendrada pelo lulopetismo. O único objetivo é arrecadar dinheiro e se manter no poder. A democracia que se dane. Afinal, nunca foi um valor cultivado pela seita petista.


A reforma política que o PT está propondo à Câmara dos Deputados e que o ex-presidente Lula já encampou como bandeira de luta serve ao partido do poder, mas não serve ao eleitor nem serve para mudar, muito menos para melhorar, o sistema eleitoral vigente no País.
Em alguns aspectos, piora, e por isso é de suma importância que a sociedade se engaje nessa discussão com a mesma disposição com que se alistou no debate sobre a Lei da Ficha Limpa.
É certo que a exigência de vida pregressa sem contas abertas na Justiça para candidatos a representantes populares corre risco. O Supremo Tribunal Federal está para votar a constitucionalidade da lei e pode derrubá-la.
Mas, ainda assim, valeu a pena. Não fosse a pressão exercida sobre o Congresso no início do ano passado, o assunto continuaria fora da pauta nacional, seria apenas uma abstração. A manifestação do STF seja qual for obrigará a algum tipo de solução para o problema.
A dita reforma política engendrada pelo PT é desses assuntos que requerem toda atenção do público. Mais não fosse porque mexe no bolso de todos.
São dois os pontos principais: a instituição do voto em lista mitigado mediante um confuso método misto de escolhas partidárias e nominais e o financiamento das campanhas eleitorais.
Não há no horizonte da proposta nada que favoreça a correção do sistema representativo. O foco é dinheiro e poder.
Quando o PT fala em financiamento público de campanha busca construir um álibi para o julgamento do processo do mensalão no Supremo, baseado no principal argumento da defesa de que não houve corrupção, mas apenas adaptação do partido às exigências impostas pela realidade que obriga partidos e candidatos recorrerem a dinheiro de caixa 2.
Mas não é financiamento público de fato o que propõe o partido. É a constituição de um fundo partidário composto por dinheiro do Orçamento da União, a ser abastecido também por doações de pessoas físicas e jurídicas.
E sem o limite determinado. Hoje as pessoas físicas podem doar o equivalente a até 10% da renda declarada no IR e as jurídicas até 2% do faturamento anual.
Ou seja, ao sistema atual (piorado) acrescenta-se o financiamento público. De quanto? O TSE determinaria o montante, segundo o projeto. Mas, é possível fazer um cálculo aproximado, com base nos R$ 7 por eleitor já propostos em outras ocasiões.
Levando em conta os 135 milhões de eleitores registrados em 2010, teríamos quase R$ 1 bilhão reservado do Orçamento às campanhas. Somado aos atuais R$ 300 milhões do Fundo Partidário e aos cerca de R$ 800 milhões resultantes da renúncia fiscal das emissoras pela transmissão do horário eleitoral gratuito, o gasto público com os partidos ultrapassaria os R$ 2 bilhões.
Isso sem garantia de que não haveria caixa 2.
As doações do fundo dito público seriam distribuídas da seguinte maneira: 5% igualmente a todos os partidos, 15% a todas as legendas com representação na Câmara dos Deputados e 80% divididos proporcionalmente ao número de votos obtidos na eleição anterior.
Ou seja, os maiores partidos de hoje levam a maior parte do dinheiro, o que assegura que continuem sendo os mais fortes. Favoreceria o PT e o PMDB. (Continua).

Share/Bookmark

terça-feira, 27 de setembro de 2011

América Latina: farol virado para trás.

O jornalista argentino Andrés Oppenheimer, que acaba de lançar o livro Basta de Histórias  (ver seção Livros, à margem direita), critica a obsessão latino-americana por sua própria história. Este blogueiro costuma dizer que vemos as coisas pelo retrovisor. Melhor, mesmo, é a imagem suscitada por Roberto Campos em A Lanterna na Popa (também na seção Livros): em vez de iluminarmos a proa do barco latino-americano, iluminamos a traseira. É por isso que sempre naufragamos.


Abaixo, a entrevista de Oppenheimer à revista Época:

O senhor diz que há uma obsessão pelo passado na América Latina. Como ela se manifesta?
Andrés Oppenheimer – Os países latino-americanos vivem em revisão de suas histórias. Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez mudou o nome do país para um ridículo “República Bolivariana da Venezuela”. Ele discursa em frente a uma imagem de Simón Bolívar (militar que liderou a independência de vários países da região no século XIX). E diz que toda a sua política é baseada no que Bolívar disse. Usa o passado para dar legitimidade histórica a suas ações. Mas Bolívar viveu há quase dois séculos. Ele morreu 150 anos antes da invenção da internet e 40 anos antes do telefone. Ele pode ter sido um grande herói de seu tempo, mas vivemos num mundo novo.
Isso não ajudaria nos desafios atuais…
Oppenheimer – Claro que não. Ele não é a resposta para os desafios de um mundo globalizado. Estive em países como Índia e China, que têm histórias milenares, e não vi ninguém ficar falando no passado. Em meu livro, falo sobre minha surpresa quando cheguei a Cingapura, um dos países com maior renda per capita do mundo. Um exemplo é a moeda local (dólar de Cingapura). No dinheiro deles há a imagem de uma universidade com o professor e os alunos e, abaixo, uma palavra: educação. Na América Latina, como nos Estados Unidos, temos nossos heróis da independência. Nós olhamos para trás. Eles olham para a frente.
Por que isso ocorre?
Oppenheimer – Talvez porque os países latino-americanos sejam relativamente jovens, e idolatrar o passado é uma forma de criar um senso de coesão ou identidade nacional. O problema é que nós exageramos. Não estou dizendo que devemos esquecer nossa história. O que digo é que essa obsessão nos distrai de tarefas mais relevantes e urgentes como investir em educação, ciência, tecnologia, assuntos do futuro.
O senhor diz que a educação é a chave para o futuro. Mas esse pensamento não existe desde o século XX?
Oppenheimer – Sempre medimos nosso sucesso pelo crescimento econômico. Mas, sem uma boa educação, o crescimento da economia não reduz a pobreza nem a desigualdade, pelo menos não tão rapidamente como quando vem acompanhado de crescimento educacional. Os dois devem caminhar juntos. A razão é simples: quando a economia cresce, as pessoas que se beneficiam são as que tiveram boa educação e têm empregos formais. A mulher que vende limão na rua e não teve boa educação não vai conseguir ascender. Uma das coisas que proponho no livro é medir nosso sucesso pela educação, como um PIB para a educação, o Produto Educacional Bruto, o PEB.
E como está o PEB da América Latina?
Oppenheimer – Terrível. Não há uma única universidade da América do Sul entre as 200 melhores do mundo, segundo um ranking feito pelo jornal britânico The Times. No Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), os países latino-americanos estão na parte de baixo do ranking, em que participam 65 países. O Brasil está na 53a posição em matemática. O resultado é que nós, na América Latina, não registramos patentes, não inventamos nada. A Coreia do Sul, um pequeno país asiático que há 40 anos era mais pobre que o Brasil, no ano passado registrou 8.800 patentes nos Estados Unidos. O Brasil, muito maior que a Coreia, registrou só 100. Não é coincidência que a renda per capita lá seja maior que no Brasil.
Quais países vão um pouco melhor na região?
Oppenheimer – O Brasil e o Chile vão melhor na educação superior. O Brasil lidera nesse quesito. Forma 10 mil doutores por ano, tem indústrias de alta tecnologia, como a Embraer. E anunciou recentemente que vai pagar 100 mil bolsas de estudo para alunos estudarem fora. O Brasil está indo muito melhor do que outros países da América Latina. Mas, ainda assim, está muito pior do que outros países com quem quer competir, como Índia ou China. Há muito a ser feito. Digo que é um “gigante com pés de barro”: tem boas universidades e péssimas escolas.
O que o Brasil precisa fazer?
Oppenheimer – Primeiro, criar uma cultura de inovação, que resulte em invenções e registro de mais patentes. Estamos no começo de uma era da economia do conhecimento. Se o Brasil quiser se destacar nesse cenário, terá de produzir muito mais artigos de alta tecnologia. No livro, cito como exemplo uma xícara de café brasileiro vendida na rede Starbucks nos Estados Unidos. Só 3% do que se paga pela xícara vai para os agricultores brasileiros. Os outros 97% vão para quem processou o café, para o marketing etc. De qual lado o Brasil quer estar?
Como pensar em novas tecnologias se o Brasil vai mal no ensino primário e não valoriza o professor?
Oppenheimer – Difícil. Quando estive na Finlândia e perguntei por que o país vai tão bem, me responderam: “Bons professores”. Para alguém ser um professor na Finlândia, é preciso estar entre os 10% com melhor desempenho escolar. Lá, eles são valorizados. Precisamos formar bons professores, dar status à profissão, avaliar seus desempenhos e pagar bons salários.
Mesmo com os problemas educacionais, o Brasil hoje cresce, a pobreza diminui e a classe média aumenta.
Oppenheimer – Sim, mas esse crescimento não é sustentável, está baseado na alta do preço das commodities. E quando o preço das matérias-primas cair? E quando a China parar de comprar soja e aço?
Por que não há revoluções educacionais na América Latina?
Oppenheimer – Porque confiamos demais na exportação de matérias-primas. Fomos amaldiçoados com abundância de matérias-primas. Não é coincidência que os países com maior renda per capita do mundo, como Luxemburgo, Liechtenstein ou Cingapura, não têm recursos naturais. Por outro lado, países ricos em recursos naturais, como Nigéria ou Venezuela, estão entre os mais pobres. Deveríamos fazer como a Noruega, que coloca o dinheiro obtido com a venda de recursos naturais num fundo que, no caso da América Latina, poderia ser usado em educação e tecnologia.

Fonte: revista “Época”


Share/Bookmark

Estado rapineiro: extorsão aumenta a cada ano.

A liberdade econômica, por aqui, é estrangulada pelo Estado, segundo artigo de Paulo Roberto de Almeida:

Os brasileiros pagaram mais impostos em 2010 do que eles haviam pago em 2009; mas eles já haviam pago mais impostos em 2009, comparativamente a 2008; aliás, 2008 também já tinha representado um aumento em relação a 2007, assim como 2007 tinha seguido essa mesma tendência, e assim por diante (ou, neste caso, assim para trás), até onde a vista alcança no passado.

Desde a promulgação da Constituição de 1988, os brasileiros pagam progressivamente mais impostos a cada ano, quase como a “crônica de uma extorsão anunciada”. Mas não se pense que, antes, o cenário de espoliação fosse mais ameno para os contribuintes brasileiros; eles já vinham sendo espoliados de forma relativamente eficiente um pouco mais a cada ano, desde o início do regime militar. A Constituição de 1988 apenas consolidou esse processo, ao “encomendar” despesas sempre crescentes, a partir de todas as “bondades” prometidas a todos e a cada um.



O pagamento de impostos, contudo, é apenas uma das categorias retidas pelo Fraser Institute, de Vancouver (Canadá), em cooperação com o Cato Institute, de Washington, para classificar os países segundo o critério básico das liberdades econômicas noEconomic Freedom of the World: 2011 Annual Report (disponível: http://www.freetheworld.com/2011...; para os outros anos: http://www.freetheworld.com/reports...). A metodologia utiliza mais de quatro dezenas de critérios, organizados em cinco grandes categorias, para atribuir uma pontuação comparativa a quase uma centena e meia de países, indo do mais livre (Hong Kong) até o mais “oprimido” (o Zimbábue, na 141a., e última, posição).
(Continua).
Share/Bookmark

Para salvar a Europa, Agente 51!



Share/Bookmark

Justiça: de costas para o país.


Do historiador Marco Antônio Villa, no Globo de hoje:

Justiça no Brasil vai mal, muito mal. Porém, de acordo com o relatório de atividades do Supremo Tribunal Federal de 2010, tudo vai muito bem. Nas 80 páginas — parte delas em branco — recheadas de fotografias (como uma revista de consultório médico), gráficos coloridos e frases vazias, o leitor fica com a impressão que o STF é um exemplo de eficiência, presteza e defesa da cidadania. Neste terreno de enganos, ficamos sabendo que um dos gabinetes (que tem milhares de processos parados, aguardando encaminhamento) recebeu “pela excelência dos serviços prestados” o certificado ISO 9001. E há até informações futebolísticas: o relatório informa que o ministro Marco Aurélio é flamenguista.


A leitura do documento é chocante. Descreve até uma diplomacia judiciária para justificar os passeios dos ministros à Europa e aos Estados Unidos. Ou, como prefere o relatório, as viagens possibilitaram “uma proveitosa troca de opiniões sobre o trabalho cotidiano.” Custosas, muito custosas, estas trocas de opiniões. Pena que a diplomacia judiciária não é exercida internamente. Pena. Basta citar o assassinato da juíza Patrícia Acioli, de São Gonçalo. Nenhum ministro do STF, muito menos o seu presidente, foi ao velório ou ao enterro. Sequer foi feita uma declaração formal em nome da instituição. Nada.


Silêncio absoluto. Por que? E a triste ironia: a juíza foi assassinada em 11 de agosto, data comemorativa do nascimento dos cursos jurídicos no Brasil. Mas, se o STF se omitiu sobre o cruel assassinato da juíza, o mesmo não o fez quando o assunto foi o aumento salarial do Judiciário. Seu presidente, Cézar Peluso, ocupou seu tempo nas últimas semanas defendendo — como um líder sindical de toga — o abusivo aumento salarial para o Judiciário Federal. Considera ético e moral coagir o Executivo a aumentar as despesas em R$ 8,3 bilhões. A proposta do aumento salarial é um escárnio.


É um prêmio à paralisia do STF, onde processos chegam a permanecer décadas sem qualquer decisão. A lentidão decisória do Supremo não pode ser imputada à falta de funcionários. De acordo com os dados disponibilizados, o tribunal tem 1.096 cargos efetivos e mais 578 cargos comissionados. Portanto, são 1.674 funcionários, isto somente para um tribunal com 11 juízes. Mas, também de acordo com dados fornecidos pelo próprio STF, 1.148 postos de trabalho são terceirizados, perfazendo um total de 2.822 funcionários. Assim, o tribunal tem a incrível média de 256 funcionários por ministro. (Continua).
Share/Bookmark

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Metaleiros no Rio, mensaleiros em Brasília.



Share/Bookmark

Campanha contra a sacola plástica não passa de embuste dos falsos salvadores do planeta


O ambientalismo ongueiro, essa praga politicamente correta,
espalha pelo país a campanha contra as sacolas plásticas. 
Alguns Estados já proibiram oficialmente seu uso, 
forçando os cidadãos a comprar sacolões. 
Quem não compra, tem que sair pelas ruas carregando caixas. 
Leiam no Estadão uma boa crítica a mais esse engodo 
dos falsos "salvadores do planeta".
Quem não tem “saco” para ler algumas verdades inconvenientes, como diria o 
biodesagradável Al Gore, é melhor parar por aqui. Bom. Dado o aviso, 
siga adiante por sua conta e risco.
No tempo do politicamente correto, a onda é navegar em campanhas ecológicas 
bem produzidas e que possuem um forte apelo emocional. 
Nelas, o cidadão é arrebatado pelo chamado da consciência e motivado 
a contribuir heroicamente para a salvação do planeta.

Campanha: USE MAIS PAPEL HIGIÊNICO E GANHE ECOBAGS!
Muito bem. Muito bonito. E muito inútil e ardiloso também.
Inútil por que em momento algum essas companhas instigam o consumidor a refletir 
sobre o seu padrão de consumo. Sobre a real necessidade de adquirir 
esse ou aquele produto.
Ardiloso por que, na base dessas campanhas, está um preceito muito caro 
para as empresas: o consumo. Então, munidos de apelos sentimentais, 
os marqueteiros se lançam a convencer o consumidor a comprar produtos 
ecologicamente corretos. Eu disse, e repito: comprar!
E ai está o segredo que sustenta o interesse da maioria das empresas 
nessa onda ambientalmente correta: comprar mais. 
Elas descobriram um novo filão para aumentar as suas vendas e, de quebra,
ainda dão um suporte psicológico para que o consumidor possa gastar
seu dinheiro acreditando que o está fazendo por uma boa e justa causa.
Aposto que o leitor nunca viu um anúncio dizendo: Você vai trocar de carro? 
Não, não faça isso. Será que o seu carrão não dura mais um pouco?
Faça revisão, mas não compre um novo agora não. A realidade é outra.
A mensagem do anunciante é: COMPRE o novo carro X que polui menos! 
COMPRE o xampu Y que é feito com essências da Amazônia.
COMPRE. COMPRE. COMPRE.
Lamento, caro leitor, mas na onda do politicamente correto, 
você faz o papel de trouxa. Ou pelo menos é assim que muitas empresas 
e certas ONGs enxergam você. (Continua).

Share/Bookmark

Sarney, o dono do Brasil.



Share/Bookmark

Adeus à ideologia

Bom artigo do professor Denis Rosenfield, no Estadão:


Enquanto, para muitos, o marxismo vigia como a grande doutrina do século 20, os que compartilhavam essa visão estavam relativamente tranquilos por fazerem parte de um mundo acomodado, onde todas as peças se encaixavam. Não importava que a realidade fosse totalmente diferente. Nesse mundo teoricamente acomodado, a luta de classes estruturava tudo, ancorada que estava numa classe, o proletariado, que teria a missão de resgatar a humanidade da opressão capitalista.
Com a derrocada do comunismo/socialismo, os que continuaram, apesar de tudo, seguindo a doutrina marxista partiram para a busca de novos agentes históricos, criando um arremedo de luta de classes, agora focado em minorias. Não valia mais a oposição entre burgueses e proletários, mas entre "ricos" e "pobres", as "elites" e os "trabalhadores", e assim por diante.
A agenda das minorias foi sendo assumida pela esquerda, embora historicamente não lhe fosse uma pauta própria. A questão indígena foi um exemplo dessa apropriação, tornando-se as tribos símbolos de resistência ao capitalismo, que teria destruído a sua situação originária, identificada a uma espécie de comunismo primitivo.

Os indígenas reais, com seus problemas urgentes de integração a uma sociedade não indígena, que os atrai e não os trata como iguais, foram sendo progressivamente abandonados. Em vez do equacionamento de uma questão social, com saúde, educação e moradias de qualidade, outra agenda entrou em pauta, a da luta contra o capitalismo, contra os produtores rurais, contra o agronegócio.(Continua).

Share/Bookmark

domingo, 25 de setembro de 2011

Uma nova dupla: Chico & Sarney.



Share/Bookmark

sábado, 24 de setembro de 2011

Ministério do Turismo? Não, ministério do desperdício.


Mais um retrato do Grotão lulista:

Entre 2007 e este ano, o Ministério do Turismo emitiu empenhos para entidades sem fins lucrativos num total de R$ 828 milhões. O curioso é que o ano com maior volume de dinheiro transferido foi 2010, ano eleitoral, com R$ 272 milhões. R$ 100 milhões a mais que em 2007 (R$ 160 milhões).


Share/Bookmark

Comissão da Mentira



Share/Bookmark

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Escândalo Sarney: Câmara quer explicações do STJ.

Tem razão o deputado que pediu explicações dos desembargadores: a decisão do STJ em favor do filho do imperador José Sarney aumenta a insegurança jurídica e a sensação de impunidade:


Os ministros da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) serão convidados a debater no Congresso a decisão, tomada na semana passada, de anular provas da Operação Boi Barrica, rebatizada de Faktor, que investiga o empresário Fernando Sarney, acusado de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Requerimento nesse sentido foi apresentado nesta sexta-feira, 23, à Comissão de Segurança Pública da Câmara pelo deputado Fernando Francischini (PSDB-PR).

Segundo o parlamentar, a anulação de provas dessa e de outras grandes operações realizadas pela Polícia Federal envolvendo políticos, empresários e gente poderosa está causando insegurança jurídica e sensação de impunidade no País. Fernando é filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A sentença do STJ anulou os diálogos telefônicos interceptados na operação e o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que detectou movimentações financeiras atípicas do empresário. (Continua).


Share/Bookmark

Obesidade mundial



Share/Bookmark

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Há uma juíza no STJ


Enfim, alguém no STJ se preocupa com a censura às investigações policiais. Bom sinal - principalmente diante das tentativas de esvaziar o poço de falcatruas do mensalão, cujas provas podem ser desqualificadas.
A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, disse ontem que está preocupada com o esvaziamento de operações da Polícia Federal.
Indagada se casos como a Boi Barrica - missão da PF que o STJ anulou porque considerou ilícitas as provas colhidas -, podem enfraquecer o poder de investigação policial, ela foi taxativa. "Acho, e acho preocupante. Alguma coisa está errada."
"Ou a Polícia Federal está inteiramente errada, jogando fora o dinheiro da Nação, fazendo investigações temerárias, ou a Justiça está errada", assinalou.
Ela sugeriu: "Então eu acho que nesse momento nós precisamos parar para raciocinar sobre o que nós estamos fazendo com o dinheiro do contribuinte". Em São Paulo, Eliana Calmon participou do encerramento de um ano do mutirão Judiciário em Dia, no Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3), o maior do País - foram julgados nesse período 88 mil processos.

Share/Bookmark

Pela democracia, voto distrital.


Trecho de um artigo do sociólogo Luiz Felipe Dávila no jornal O Globo - e nada mais é preciso dizer:
A reforma política que tramita na Câmara vislumbra criar um sistema eleitoral inusitado. Trata-se do voto proporcional misto com lista fechada. Em nome do “bem comum”, caçariam o nosso direito de escolher os deputados, obrigando-nos a votar apenas no partido. Os candidatos seriam selecionados pela cúpula partidária, o que asseguraria a eleição permanente dos caciques da legenda; eles encabeçariam o topo da lista partidária e teriam cadeira cativa na Câmara. Em nome do “bem comum”, seria instituído o financiamento público de campanha. Seremos convocados a pagar todas as campanhas políticas com o dinheiro dos nossos impostos. Renunciaríamos a parte dos recursos que financiam a saúde, a segurança e a educação pública para custear as campanhas políticas. Não seria uma surpresa se criassem mais um imposto - a CPMF das Eleições. Mas os defensores desta proposta alegam que a preservação do “bem comum” requer o sacrifício da liberdade de escolha do eleitor e da utilização dos nossos impostos para criarmos um sistema eleitoral capaz de fortalecer os partidos e de diminuir o peso do poder econômico nas eleições.


Na direção oposta, propomos a substituição do sistema atual pelo voto distrital. No novo sistema, cada Estado seria dividido em distritos com algumas centenas de milhares de eleitores; cada distrito elegeria um único deputado pelo voto majoritário de seus eleitores. Desta forma, o voto distrital prioriza o fortalecimento das instituições democráticas, atacando o problema central que vem corroendo a credibilidade do Poder Legislativo: a falta de responsabilização - accountability - dos nossos deputados. Hoje, apenas 36 dos 513 deputados federais se elegem com voto próprio; a maioria necessita das artimanhas do voto da legenda, das coligações partidárias e das celebridades que “puxam” votos para conquistar uma cadeira no Congresso. O voto distrital acaba com o deputado “genérico” que vaga pelo Estado em busca de votos e que prioriza os interesses corporativistas. Gostaria de ver um parlamentar aumentar o seu próprio salário ou votar o aumento de imposto e voltar ao seu distrito para prestar contas aos seus eleitores. O voto distrital permite ao eleitor cobrar e fiscalizar o seu representante e julgar com mais propriedade o seu desempenho no Congresso. A reeleição do deputado dependerá exclusivamente dos seus feitos; não há coeficiente eleitoral ou legenda partidária que irão livrá-lo da derrota nas urnas se o seu desempenho político for rejeitado pelo eleitor. (Continua).

Share/Bookmark

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Lula tem casco duro, sim. E cara-de-pau também.


O falastrão de Garanhuns, que fala bobagens até pelos cotovelos, andou dizendo que os políticos (leia-se: os corruptos) precisam ter casco duro. Cara-de-pau é o que não falta a esse tagarela.
Lula deveria ler Sobre a tagarelice, de Plotino. Ah, mas isto é coisa de "elitista", isto é, daqueles que não são doutores apenas honoris causa - estes recebem título de mão beijada.


Share/Bookmark

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Alô, políticos profissionais, prestem atenção!


Que isto se espalhe pelo país:

Um protesto contra a corrupção reúne no início da noite desta terça-feira cerca de 2.500 pessoas na Cinelândia, centro do Rio, segundo estimativas da Polícia Militar. O manifesto, convocado pelo grupo Contra Corrupção pelas redes sociais, tinha confirmação de presença de mais de 34 mil pessoas no Facebook.

No local do protesto, os integrantes do Contra Corrupção tentam comandar o público a partir de um carro de som, de onde listam suas reivindicações e frisam o caráter apartidário do protesto. (continua).



Share/Bookmark

Darwin sobrevive nas ciências. Marx, só nas ideologias.

A esquerdizada academia brasileira ainda não acertou as contas com um raciocínio simples: Marx e as variantes do marxismo pensaram fazer ciência, mas não geraram mais que ideologia.


O problema do marxismo é lógico-metodológico: confundir lógico com ontológico, isto é, pensamento e realidade. Como bom aluno de Hegel, Marx {e sucessores} assumiu a dialética do alemão carrancudo, isto é, seu "método dialético".


Ora, assumindo a dialética hegeliana, Marx confundiu a contradição (que é apenas do pensamento, da ideia) com a realidade (o ontológico), que só admite oposição. Para contradizer, é preciso dizer. 


Em miúdos: contradição só se dá no pensamento, nas ideias, nas declarações. Na realidade, o que impera é a oposição, o conflito etc. A realidade jamais se contradiz, porque nada fala. Repito: a realidade não fala nem pensa.


Apenas um jogo de palavras? Não, com esta operação, o marxismo introduz o finalismo na história: a história fatalmente se resolverá no fim das contradições, com a sociedade perfeita, ou seja, a sociedade comunista.


Marx, que admirava Darwin, não percebeu que tanto a história quanto a natureza são um processo cego. Darwin tinha certeza disso.


Darwin sobrevive nas ciências. Marx, só nas ideologias.


P.S.: tratei desse tema no meu livro sobre O declínio do marxismo.
Share/Bookmark

"Doutor" Lula ofende quem estuda

Lula, o Pequeno Timoneiro do PT, ao receber outro título de doutor honoris causa, desta vez na UFBA (bah!):

Sobre a condecoração oferecida pela UFBA, Lula disse já ter aceitado 67 títulos como esse. "E vou continuar aceitando os que me forem oferecidos", afirmou. "Certamente existe uma parcela da elite retrógrada deste País que não se conforma. Se eles souberem que vou receber, no dia 27, o título de doutor honoris causa da Sciences Po Paris (Instituto de Ciências Políticas de Paris) é que eles vão ficar doentes. Eu serei o primeiro latino-americano a receber esse título."

As declarações do falastrão de Garanhuns são ofensivas aos que estudaram por muitos anos para alcançar o título de doutor. "Elite retrógrada" é a sindicalista, petista, que o apedeuta encastelou no poder e horroriza o país com a corrupção oficializada. 

Para roubar dos cofres públicos, de fato, não é necessário ter doutorado. (Leia aqui).


Share/Bookmark

Grotão lulista: banditismo até na estrada.



Share/Bookmark

Sarney, um oligarca protegido pela Justiça.


Editorial do Estadão, no alvo: STJ acode o clã Sarney.
Quatro anos de trabalho policial acabam de ir para o ralo com a decisão da 6.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de invalidar as provas colhidas pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre os negócios do clã do presidente do Senado, José Sarney. Com base em interceptações telefônicas e no acesso a movimentações financeiras da família, autorizados pela Justiça do Maranhão, a PF abriu cinco inquéritos que resultaram no indiciamento do filho do oligarca, Fernando Sarney, por desvio e lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha. O ponto de partida da inicialmente denominada Operação Boi Barrica e, depois, Faktor, foi a descoberta de um saque de R$ 2 milhões em dinheiro da conta do casal Fernando e Teresa Sarney, às vésperas da eleição de 2006, quando a irmã do empresário, Roseana Sarney concorria (pela terceira vez) ao governo maranhense.
As conversas captadas pelos federais registraram, além de fortes indícios de transações escusas, a desenvoltura com que os Sarneys exerciam a política de patronagem no governo Lula, reproduzindo na esfera federal, com a maior naturalidade, os padrões de controle oligárquico sobre o seu Estado de origem reduzido a capitania hereditária. Em 2009, a pedido de Fernando Sarney, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal - e amigo do patriarca Sarney -, proibiu este jornal de continuar divulgando as evidências levantadas pela PF. A aberração da censura prévia imposta ao Estado completa hoje 781 dias. Enquanto essa ilicitude se perpetua, o STJ resolveu considerar que a decisão judicial que permitiu conhecer de perto as traficâncias sarneysistas, mediante quebras de sigilo bancário, fiscal e de dados telefônicos, carecia de fundamentação.
Formalmente, isso não significa o fim da investigação, muito menos equivale a um atestado de inocência dos investigados. Mas a volta à estaca zero, no caso, "abre a porta para a impunidade", como diz o presidente do Sindicato dos Delegados Federais em São Paulo, Amaury Portugal. "A PF respeita as decisões judiciais, mas o trancamento da Boi Barrica é temerário", alerta. O órgão policial sente-se diretamente atingido no cumprimento das suas atribuições, na medida em que a anulação das provas possa sugerir que a PF "forçou a barra" junto ao Judiciário maranhense para obter a prorrogação das interceptações por 18 vezes. "A PF não inventa, ela investiga nos termos da lei e sob severa fiscalização", retruca o diretor de Assuntos Parlamentares da Associação Nacional dos Delegados da PF, Marcos Leôncio Sousa Ribeiro. Ele se refere ao controle do Ministério Público Federal, "fiscal da lei", e do Judiciário, "garantidor de direitos".
Share/Bookmark

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Scruton: o pensamento utópico abraça um objetivo sem ver a viabilidade do projeto.

Do filósofo britânico Roger Scruton, em entrevista à revista Veja desta semana (ah, sim, os petistas vão dizer que é "reacionário"):

- Os baderneiros de Londres são, pelos padrões do século XVIII, ricos. Desculpe-me, mas é resultado de exclusão depredar uma cidade porque você tem só um carro, um apartamento pequeno pelo qual não paga aluguel, recebe mesada do governo sem ter de fazer nada para embolsá-la, compra três cervejas, mas gostaria de beber quatro, e acha que ter apenas um televisor em casa é pouco?


- O pensamento utópico sobrevive porque não se trata de uma ideia de fato, mas de um substituto de uma ideia, algo que serve de alívio para a difícil - e geralmente depressiva - tarefa de ver as coisas como elas realmente são (...). O pensamento utópico nos remete diretamente para um objetivo, passando por cima da viabilidade do projeto. 


- A esquerda transformou a proteção do meio ambiente em uma causa, em um movimento que necessita de intervenções estatais, em um assunto no qual há culpados e vítimas. No caso, os culpados são os capitalistas e a vítima é o planeta. A esquerda adora o culto à vítima.


- Em todo o mundo, as universidades têm uma declarada inclinação pela esquerda. É difícil explicar o motivo dessa propensão esquerdista, algo que persiste desde o Iluminismo.  Na minha tentativa de desvendar este mistério, cheguei à seguinte conclusão: quando uma pessoa começa a pensar sobre as grandes questões que afligem o homem e a sociedade, tende a aceitar as posições de esquerda, pois elas parecem oferecer soluções. Ao pensar além, ao se aprofundar, a pessoa aprende a duvidar e rejeita o argumento esquerdista. Nas universidades muita gente pensa, mas poucas refletem profundamente.


Share/Bookmark

IPI dos carros importados: outra herança maldita do falastrão de Garanhuns.

De José Serra, em seu blog:


Há muito tempo parecia inevitável que o governo Dilma elevasse tributos sobre produtos industriais importados, como fez agora com o setor automobilístico, com a duração prevista até o final de 2012.  Isso porque recebeu uma grande herança maldita do governo Lula: a taxa de câmbio hipervalorizada, produto das maiores taxas de juros reais do mundo.

Sem saber como enfrentar as causas — a herança —, o governo se limita a combater as consequências. Já tinha tentado fazer isso com medidas de restrição ao ingresso de dólares, que se revelaram praticamente inócuas,  e o programa Brasil Maior, envolvendo uma sopa de pedras de pequenas medidas pontuais, em alguns casos ridículas, como na área de inovações tecnológicas. Um dos tópicos desse programa ilustra bem sua natureza de atuar sobre as consequências: subsídios fiscais para compensar os efeitos da valorização exagerada do dólar. (Continua).

Share/Bookmark

Justiça cega, mas...



Share/Bookmark

Villa: vivemos um dos piores momentos da história do Brasil republicano.

Em entrevista ao Instituto Millenium, o historiador Marco Antônio Villa afirma que o sistema democrático é ameaçado pela corrupção e pela impunidade. Vivemos, de fato, um dos piores momentos da história do Brasil. 
O Instituto Millenium entrevistou o historiador Marco Antonio Villa sobre a corrupção do sistema político brasileiro e a impunidade, que, na opinião do especialista, ameaça o sistema democrático e inibe manifestações que contestam os acontecimentos políticos. Há, no Brasil, uma descrença na democracia? A participação civil na política brasileira se restringe às eleições, de dois em dois anos?
Villa criticou a falta de mecanismos que permitam uma reação popular à política no país e considera as novas tecnologias, como redes sociais, e até as novelas, importantes formas para discutir e contestar os governantes do Brasil.
Imil: Qual o impacto da recente onda de corrupção para a percepção da política?
Marco Antonio Villa: Estamos vivendo um dos piores momentos da história do Brasil republicano. Há uma sucessão de denúncias com gravações, documentos, coisas que são consideradas em qualquer país democrático como provas. O pior de tudo é que não há qualquer apuração e muito menos punição dos envolvidos e a cada semana ou a cada quinzena um novo caso é divulgado. O processo não anda, não chega a julgamento, e você acaba fortalecendo a impunidade e com a impunidade. Sem a punição aos que desviam os recursos públicos, estimula-se mais desvios e nós ficamos nessa bola de neve. Desta forma, a política passa ser sinônimo de corrupção, a ideia de enriquecimento rápido - o que é péssimo para a democracia. Assim, nós estamos afastando dezenas, centenas de jovens que gostariam de ter uma participação ativa na política, mas não o fazem com receio de se misturar com esses corruptos que dominam os partidos políticos. Grande parte deles tem lideranças corruptas com políticos (que passaram até pela Presidência da República) envolvidos em gravíssimos atos de corrupção e, o que é pior, sem que tenham sido punidos por isso. Isso é muito grave. Mais corrupção, mais impunidade significa menos democracia.


Imil: Tais fatos podem gerar uma descrença na democracia, afastando ainda mais a população da política?
Marco Antonio Villa: Nós vivemos um momento sui generis. Não há um Estado autoritário, mas há um status autoritário no Brasil. As pessoas estão passivas porque não encontram conduto legal para manifestar sua insatisfação. Não é que elas estejam concordantes, em absoluto. Porém, não há mecanismos institucionais pra que elas possam manifestar sua profunda insatisfação frente à impunidade. E a democracia acaba virando um exercício a cada dois anos, simplesmente pelo voto. Porque a participação no decorrer da vida política entre as eleições não ocorre. Os partidos políticos são fechados, as câmaras municipais, assembléias legislativas e o Congresso Nacional também o são. A sociedade civil não tem espaços efetivos de participação e decisão nos grandes negócios públicos. Então nós temos um regime com eleições sucessivas, há alguma alternância, porém em relação à participação efetiva do cidadão e interesse pela política – que é fundamental para a formação de uma sociedade democrática – infelizmente nós vivemos, volto a dizer, um dos piores momentos da história do Brasil republicano. (Continua).



Share/Bookmark