quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

País sem oposição vive ditadura consentida


O historiador Marco Villa chama atenção para o silêncio da oposição, que em nenhuma outra época foi tão omissa. Como tem insistido este blog, já vivemos uma ditadura consentida.

O silêncio da oposição incomoda. Desde 1945 - incluindo o período do regime militar - nunca tivemos uma oposição tão minúscula e inoperante. Vivemos numa grande Coreia do Norte com louvações cotidianas à dirigente máxima do país e em clima de unanimidade ditatorial. A oposição desapareceu do mapa. E o seu principal partido, o PSDB, resolveu inventar uma nova forma de fazer política: a oposição invisível.


A fragilidade da ação oposicionista não pode ser atribuída à excelência da gestão governamental. Muito pelo contrário. O país encerrou o ano com a inflação em alta, a queda do crescimento econômico, o aprofundamento do perfil neocolonial das nossas exportações e com todas as obras do PAC atrasadas. E pior: o governo ficou marcado por graves acusações de corrupção que envolveram mais de meia dúzia de ministros. Falando em ministros, estes formaram uma das piores equipes da história do Brasil. A quase totalidade se destacou, infelizmente, pela incompetência e desconhecimento das suas atribuições ministeriais.


Mesmo assim, a oposição se manteve omissa. No Congresso Nacional, excetuando meia dúzia de vozes, o que se viu foi o absoluto silêncio. Deu até a impressão que as denúncias de corrupção incomodaram os próceres da oposição, que estavam mais preocupados em defender seus interesses paroquiais. Um bom (e triste) exemplo é o do presidente (sim, presidente) do PSDB, o deputado Sérgio Guerra. O principal representante do maior partido da oposição foi ao Palácio do Planalto. Numa democracia de verdade, lá seria recebido e ouvido como líder oposicionista. Mas no Brasil tudo é muito diferente. Demonstrando a pobreza ideológica que vivemos, Guerra lá compareceu como um simples parlamentar, de chapéu na mão, querendo a liberação de emendas que favoreciam suas bases eleitorais.


Em 2011 ficou a impressão que os 44 milhões de votos recebidos pelo candidato oposicionista incomodam (e muito) a direção do PSDB. Afinal, estes eleitores manifestaram seu desacordo com o projeto petista de poder, apesar de todo o rolo compressor oficial. Mas foram logrados. O partido é um caso de exotismo: tem receio do debate político. Agora proclama aos quatro ventos que a oposição que realiza é silenciosa, nos bastidores, no estilo mineiro. Nada mais falso. Basta recordar o período 1945-1964 e a ação dos mineiros Adauto Lúcio Cardoso ou Afonso Arinos, exemplos de combativos parlamentares oposicionistas.


E pior: o partido está isolado, fruto da paralisia e da recusa de realizar uma ação oposicionista. Desta forma foi se afastando dos seus aliados tradicionais. É uma estratégia suicida e que acaba fortalecendo ainda mais a base governamental, que domina amplamente o Congresso Nacional e que deve vencer, neste ano, folgadamente as eleições nas principais cidades do país. (Continua).

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3 comentários:

Maria do Espírito Santo disse...

Gosto muito do estilo do Villa. Ele sempre põe o foco no que é verdadeiramente importante para a política nacional.

Não há democracia sem haver oposição firme e decidida. O PSDB - jeito mineiro de fazer política o cacete - está fazendo o país passar pela pior doença crônica que já acometeu o Brasil: a aecice albicans.

Anônimo disse...

PRIMEIRO, É PRECISO ENTENDER, "QUEM" VCS ENTENDEM QUE É OPOSIÇÃO ? O PSDB ? AI É GOZAÇÃO!
SÃO DOIS PARTIDOS IGUAIS O PSDB E O PT. O PSDB É COMPOSTO DE MARXÍSTAS.O PT DE MAOÍSTAS E LENINISTAS....

Anônimo disse...

O interessante é quem situação existe. Existem bajuladores, adesistas e omissos.
Tato que quando alguém resolve falar mais grosso, com mais assertividade, sofre críticas pesadas e sofre ostracismo.
Uma outra vertente é constituída pelos "vaselinas", aqueles que não são nada mas estão em tudo. Este, já é o maior partido do Brasil.