segunda-feira, 21 de março de 2016

Fora da lei está o PT, não a Lava-Jato.

Editorial do Estadão sobre a perversa retórica dos petistas, que tentam criminalizar o juiz Moro, algo que não tem respaldo nos tribunais e nas próprias ruas:

Em várias ocasiões – e muito especialmente no julgamento do mensalão –, o Partido dos Trabalhadores (PT) tentou vender a ideia de que as atividades ilícitas de seus membros não eram assim tão ilícitas. Seriam “apenas” caixa 2. Seriam “apenas” a manutenção de práticas já existentes desde os tempos do Brasil colônia. De vez em quando, os petistas tentavam ir um pouco mais longe, dizendo que as ações da tigrada seriam na verdade meritórias. Desse delírio partidário nasceu o ridículo ímpeto de proclamar como heróis do povo brasileiro alguns réus condenados na Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Agora, o PT mostra que é capaz de ir ainda mais longe em sua perversa retórica. Diante dos avanços da Operação Lava Jato, o partido não tem se contentado em dizer que o que fez não foi ilegal ou que seu líder e seu séquito não são criminosos. Apregoam abertamente a ideia de que os criminosos estão do outro lado do balcão. Nessa tresloucada visão, os contrários à lei seriam a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário – muito especialmente o juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Fernando Moro.
É uma completa inversão de valores – como se os petistas estivessem do lado da lei e fossem as instituições as descumpridoras da lei. Haja descaramento. Sem conseguir apresentar uma explicação convincente para as inúmeras denúncias e escândalos em que estão implicados, os líderes petistas partem para o ataque.
Parece maluquice, mas é apenas a exacerbação da sem-vergonhice: o PT anda querendo criminalizar a Operação Lava Jato. Tal tentativa só pode ser a reação desesperada de quem não tem fatos nem argumentos a apresentar em sua defesa. Afinal, responde pelo saque do Brasil. Manifesta completo desespero, pois o movimento de criminalizar o Poder Judiciário, a Polícia Federal e o Ministério Público não tem qualquer respaldo jurídico, nem muito menos apoio popular.
É evidente que a sociedade está do lado de quem cumpre a lei. As manifestações do dia 13 de março foram suficientemente elucidativas quanto a isso. A população respeita e admira a Operação Lava Jato, vislumbrando no trabalho realizado em Curitiba um Brasil sério, que trabalha, que funciona, que não se detém diante de poderosos políticos ou de influentes empresários. Pôr-se contra esse esforço anticorrupção, como vem fazendo o PT, é nada mais nada menos que um suicídio político.
No aspecto jurídico, é um absoluto despautério a tentativa do PT de criminalizar a Operação Lava Jato e, em concreto, a atuação do juiz Sergio Moro. Vige no País a garantia do duplo grau de jurisdição – tem-se sempre a possibilidade da revisão de uma decisão de um juiz monocrático por um órgão colegiado. Na verdade, o problema do PT não é tanto com o juiz de primeira instância, mas com os tribunais, que têm reconhecido sobejamente a correção das decisões de Moro.
Nos últimos dias, a campanha contra o juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba recrudesceu sensivelmente, após a retirada do sigilo do processo envolvendo o ex-presidente Lula e a consequente divulgação de áudios gravados. Como o que foi revelado não agradou nem a Lula nem a Dilma – afinal, a cafajestagem explícita nas conversas faz corar frades de pedra –, o PT e o Palácio do Planalto tentaram tratar como criminosa a decisão de Moro.
Pura encenação. Sabe-se bem que as escutas foram feitas de acordo com a lei e, portanto, podem ser usadas em juízo como prova contra Lula. A tentativa de criminalizar a decisão de Moro de levantar o sigilo das gravações é coisa de aloprados. Entre os pilares da isenção do Poder Judiciário está o princípio do livre convencimento do juiz. Pretender que uma decisão judicial fundamentada – com amplos e sólidos argumentos, diga-se de passagem – seja tratada como se fosse um crime, pela simples razão de haver produzido efeitos políticos contrários aos interesses dos inquilinos do Palácio do Planalto, equivale a querer que o País volte aos tempos do absolutismo. Um Estado Democrático de Direito tem muitas garantias, mas entre elas não está a imunidade para o ilícito.

8 comentários:

César de Castro Silva disse...

Demais disso, quem conversa com suspeitos que estão sendo monitorados pela Justiça, concorda plenamente com as sandices que eles propalam(caso dos objetos do palácio),está sujeito à divulgação, pois o grampeado era o suspeito e não a 'otoridade' com foro privilegiado, o qual deve ser extinto ou reduzido a juizes, membros do MP e policiais, visto que suas ações atraem muitos inimigos, por isso precisam de proteção extra. Os políticos, como disse o juiz Moro, não devem agir nas sombras e, quando o fazem, a população tem de tomar conhecimento, pois, afinal, somos nós que pagamos seus salários e mordomias, além dos abusos e desvios de recursos públicos. Eles, seja quais forem os postos ocupados, tem de prestarem contas à população, doa a quem doer.

Pra frente, Doutor Moro, o Brasil está do seu lado!

Anônimo disse...

Artur Nogueira:
Para os militantes, idólatras et caterva do PT e assemelhados, se a corrupção, o crime, a mentira, a violência, forem em nome da causa, tá valendo.
Vide excelente artigo -"ponham barba e batons de molho" - de Luiz Felipe Pondé, hoje(21/3/16) na Gazeta do Povo.

Anônimo disse...

Artur Nogueira :
E vem aí a segunda tentativa de blindagem do Lula: a primeira tinha o Marcio Thomaz Bastos e agora vem um rol de advogados e juristas da esquerda uspiana.
É o topa tudo por dinheiro ( do nosso bolso, off course).

Marcus Vinícius - ortodontista disse...

Belíssimo artigo. Abraço.

Marcus Vinícius - ortodontista disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Quem será que escreve os melhores entre os bons editoriais do Estadão? Deve ser o Zé Nêumane.

Anônimo disse...

OFF - Do Blog O Antagonista

A DEBANDADA

O Vem Pra Rua fez um Mapa do Impeachment.
Ele mostra o voto de cada deputado a respeito do afastamento de Dilma Rousseff.
Desde que a ferramenta foi inaugurada, no mês passado, 97 parlamentares mudaram de lado e passaram a apoiar o impeachment.
***

Escrevam aos Deputados dos Estados, ainda indecisos, para se posicionarem A FAVOR DO IMPEACHMENT!!!! Segue link:

http://www.mapa.vemprarua.net/


Eu fiz a minha parte, já escrevi!!!! Colaborem e compartilhem com seus amigos esta iniciativa!!!



Chris/SP

Anônimo disse...

Sabe porque tudo isso?A morosidade da nossa justiça!Olha o exemplo:Lula já deveria estar na cadeia!Fala que não tem bastante prova contra ele?Só obstrução da justiça!!!!Já renderia cana!Esse chove não molha é que dá respaldo pra eles inventarem tanta coisa!Bota a jararaca no xilindró pra ver!Mete o exército na rua quando eles começarem a arruaça!Vão voltar de fininho pra toca!Semana boa essa!Tá na hora de enjaular os da silva!