quarta-feira, 2 de março de 2016

Réquiem para um país em decomposição

Artigo do professor Bolívar Lamounier, publicado no Estadão, vai ao ponto: enquanto Dilma, Lula et caterva continuarem no poder, "no fundo do poço haverá outro poço. Sob os escombros, mais escombros". O  cientista político toca num ponto que me é caro em relação ao lulopetismo, herdeiro, de fato, da tradição autoritária brasileira que vai do fascismo, na primeira metade do século XX, ao marxismo na segunda metade:

Não nos iludamos: com Dilma, Lula et caterva, no fundo do poço haverá outro poço. Sob os escombros, mais escombros. Ainda temos muito chão pela frente.
A verdade, sejamos claros, é que a enganação ideológica iniciada há 36 anos prossegue. Ainda hoje mal compreendida, continua a produzir seus efeitos nefastos e parece conservar algum poder de fogo para as eleições de 2016 e 2018.
Uma breve recapitulação pode ser útil. Trinta e seis anos atrás, uma mescla desconjuntada de estudantes e professores universitários, trotskistas e ex-guerrilheiros, clérigos, sindicalistas que se apresentavam como reformistas e modernizadores – e outros de que já não me lembro –, resolveu passar o País a limpo. Onde houvesse clientelismo e corrupção, passaria a haver ética. A injustiça social estava com os dias contados. O ar de um país em decomposição não tardaria a se tornar respirável.
Aqui surge uma indagação inevitável. Como foi que tantos milhões se deixaram levar pela cantilena da “ética política”? Do “povo em luta contra as elites”? De um país descoberto há cinco séculos, mas que só passou de fato a existir com a chegada do PT o do grande condutor de massas?
Muitas respostas têm sido aventadas, mas algumas delas devem e precisam ser descartadas sem a menor cerimônia. Por favor, não me digam que a culpa é dos milhões de baixa renda e baixa escolaridade que supostamente “não sabem votar”. É verdade que, entre eles, um Lula politicamente moribundo ainda respira. Situações parecidas têm ocorrido em outros países. No Brasil, com as avançadas tecnologias do marketing eleitoral, muito dinheiro e programas sociais paternalistas, Lula, Duda Mendonça e João Santana organizaram um culto sistemático à mentira, jogando uma parte da sociedade contra a outra, numa guerra de verdade, cínica e devastadora.
O misto de indigência ideológica, populismo e trapaça que hoje denominamos lulopetismo surgiu na virada dos anos 1970 para os 1980. Que passasse despercebido nos três ou quatro primeiros anos, até que se poderia compreender: vivíamos a era do dualismo militares x civis, estes abrigados na chamada “frente de oposições”, o MDB.
Mas de 1982, quando Lula, candidato a governador, atirava mais em Montoro, um dos grandes líderes da resistência civil, do que nos remanescentes do regime militar, até 1994, quando pôs seus interesses eleitorais à frente da estabilização da economia e bateu de frente contra o Plano Real, ele passou a personificar a identidade definitiva do partido, notoriamente avesso a compartilhar responsabilidades.
Salta, pois, aos olhos que a tendência a passar a mão na cabeça do PT, acarinhando-o com elogios melífluos ou sinceros – tanto faz –, evidenciava total desnorteio de ampla parcela das camadas médias e do próprio empresariado.
A obrigação de destrinchar a “ideologia” lulopetista e apontar os riscos que ela representava para o desenvolvimento brasileiro, obviamente, não era das camadas educacionalmente menos privilegiadas. Quem quiser entender esta afirmação como “elitista”, fique à vontade: noblesse oblige. É evidente que tal responsabilidade cabia, e cabe cada vez mais, às camadas mais escolarizadas, aos universitários, aos profissionais liberais, ao alto clero e assemelháveis. É delas a obrigação de tentar esclarecer certas dúvidas comezinhas que os petistas nunca se dignaram a tratar com seriedade.
O PT é um partido socialista? Que tipo de socialismo? Como pretende implantá-lo no Brasil? Tem uma linha de pensamento econômico diferente do implementado pela sra. Dilma Rousseff e pelo dr. Guido Mantega, com os resultados que estão aí à vista de todos? Tem uma política educacional digna de tal designação, diferente, por exemplo, das sandices que vem propondo como novo currículo de História?
Frisar a importância desta última pergunta parece-me desnecessário. Qualquer cidadão que tenha dedicado ao menos 15 minutos à questão sabe que o sistema educacional brasileiro precisa ser arejado, modernizado, revolucionado de alto a baixo; não precisa das sucessivas pilhérias que nos foi dado apreciar nos oito anos de Lula e cinco de Dilma Rousseff.
Como disse antes, a continuidade da situação atual só servirá para aumentar a montanha de escombros em que o Brasil se está transformando. Mas nem tudo é tragédia. Hoje, boa parcela da equipe mobilizada pelo PT para construir um País mais ético está em Curitiba ou na Papuda. Este ponto é de suma importância. O combate enérgico que finalmente estamos dando à corrupção é quase um milagre.
Até pouco tempo atrás, no Brasil e talvez em toda a América Latina, a cultura política das camadas de alta escolaridade ostentava um forte traço de “amoralismo”: uma espécie de vergonha de tentar intervir na esfera pública por motivos “meramente morais”. Toda avaliação da política fundada em critérios morais soava meio ridícula, coisa de gente incapaz de compreender as grandes estruturas materiais da sociedade. Coisa de otário.
Isso em parte se devia ao transplante do absolutismo e do catolicismo ibéricos na era colonial, mas, sobretudo, à maciça entrada do fascismo na primeira parte do século passado e do marxismo na segunda. Nesse composto ideológico de índole autoritária, juízos morais são meras manifestações do “moralismo pequeno-burguês”, esquecidas de que os fins justificam os meios. Ninguém ignora que o lulopetismo se formou ingerindo fortes doses dessa maçaroca, e ainda conserva muito dela, quando já poderia respirar ares menos poluídos.

6 comentários:

Anônimo disse...

Orlando,

Esse artigo do professor Bolívar Lamounier é muito oportuno, muito esclarecedor. Não é só a massa ignara a responsável pela ascensão do lulo-petismo. Me lembro de algumas pessoas conhecidas, com formação superior, que acreditaram e votaram no PT e hoje estão extremamente arrependidas. Vale ressaltar aqui o quanto as pessoas são manipuladas e enganadas através da engenharia social, da propaganda e também o tempo que demoram para entender as coisas, o que realmente está acontecendo. Por outro lado, não foi só a omissão das classes mais esclarecidas, os militares também têm uma parcela de responsabilidade nisso tudo uma vez que estavam mais preocupados com a criação da infraestrutura e o crescimento econômico do país na época, relegando a importância da questão ideológica e dessa forma deixando florescer um grupelho com ideias socialistas-marxistas, modelo que nunca deu certo em lugar nenhum, prejudicando o futuro da nação. Pior de tudo é que se pararmos para pensar sobre o futuro, não vislumbraremos nenhuma luz no fim do túnel pois, hoje, não existe nenhum projeto de nação para o Brasil. Não existe nenhum partido político com um projeto forte de nação. Surgiu recentemente o partido Novo, vamos ver do que será capaz, pelo menos os valores que protagonizam são aqueles que a população brasileira almeja. Vamos agir.

Índio Tonto/SP

Anônimo disse...

Excelente artigo, professor! Certifique-se de que será lido pelo sr. FHC, o Dr. Jekyll de lullalau.

Anônimo disse...

Assim como vimos nos recentes movimentos de sucessão de governo em Portugal e Espanha Antonio Costa e agora Pedro Sánchez graças às ações do Bloco de Esquerda e Podemos respectivamente, financiado por Chávez da Venezuela, que não estranharíamos se também recebeu dinheiro do esquema empreiteiras/BNDES/lula-dilma. O eixo a cada eleição caminha para mais e mais esquerda. Como explicar o fenômeno Podemos?

Anônimo disse...

Pensando mais sobre essa situação: o título "réquiem para um país" serve para Portugal, Espanha, Alemanha, Suécia, EUA e também para o Brasil. Será uma coincidência? Absolutamente não. O mundo é gerenciado em níveis de pirâmide. Não vemos quem está nos degraus mais altos, ou melhor, não queremos admitir que vemos o rei nu.

Anônimo disse...

Faço minha as palavras do General Mourão Filho:- " Ponha-se na presidencia qualquer mediocre , louco ou semi analfabeto , e , 24 horas depois a HORDA de aduladores estará a sua volts , brandindo o elogio como arma , convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem , e de que tudo faz está certo . Em pouco tempo o elemento se transforma de ignorante em sábio , de louco , transforma-se em gênio equilibrado , um primário em um estadista . e , um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder práticamentr sem limites , embriagado pela bajulação , transforma-se num monstro perigoso ".

Anônimo disse...

E que mostro virou este lula e sua gangue...