segunda-feira, 18 de abril de 2016

Muito além do impeachment, a maior batalha: contra o domínio esquerdista da cultura.

Tem razão Luiz Felipe Pondé ao dizer, em artigo publicado na FSP, que a mais longa batalha a ser travada é contra o domínio das mentalidades mantido pelo PT e pelas esquerdas. O que temos, nas escolas e universidades, é exclusivamente "A história do Brasil do PT". Mãos à obra, liberais:


A "batalha do impeachment" é a ponta do iceberg de um problema maior, problema este que transcende em muito o cenário mais imediato da crise política brasileira e que independe do destino do impeachment e de sua personagem tragicômica Dilma.

Mesmo após o teatro do impeachment, a história do Brasil narrada pelo PT continuará a ser escrita e ensinada em sala de aula. Seus filhos e netos continuarão a ser educados por professores que ensinarão esta história. Esta história foi criada pelo PT e pelos grupos que orbitaram ao redor do processo que criou o PT ao longo e após a ditadura. Este processo continuará a existir. A "inteligência" brasileira é escrava da esquerda e nada disso vai mudar em breve. Quem ousar nesse mundo da "inteligência" romper com a esquerda, perde "networking".

Ao afirmar que a "história não perdoa as violências contra a democracia", José Eduardo Cardozo tem razão num sentido muito preciso. O sentido verdadeiro da fala dos petistas sobre a história não perdoar os golpes contra a democracia é que quem escreve os livros de história no Brasil, e quem ensina História em sala de aula, e quem discorre sobre política e sociedade em sala de aula, contará a história que o PT está escrevendo. Se você não acredita no que digo é porque você é mal informado.

O PT e associados são os únicos agentes na construção de uma cultura sobre o Brasil. Só a esquerda tem uma "teoria do Brasil" e uma historiografia.

Esta construção passa por uma sólida rede de pesquisadores (as vezes, mesmo financiada por grandes bancos nacionais), professores universitários, professores e coordenadores de escolas, psicanalistas, funcionários públicos qualificados, agentes culturais, artistas, jornalistas, cineastas, produtores de audiovisual, diretores e atores de teatro, sindicatos, padres, afora, claro, os jovens que no futuro exercerão essas profissões. O domínio cultural absoluto da esquerda no Brasil deverá durar, no mínimo, mais 50 anos.

Erra quem pensa que o PT desaparecerá. O do Lula, provavelmente, sim, mas o PT como "agenda socialista do Brasil" só cresce. O materialismo dialético marxista, mesmo que aguado e vagabundo, com pitadas de Adorno, Foucault e Bourdieu, continuará formando aqueles que produzem educação, arte e cultura no país. Basta ver a adesão da camada "letrada" do país ao combate ao impeachment ao longo dos últimos meses.

Ao lado dessa articulada rede de agentes produtores de pensamento e ação política organizada, que caracteriza a esquerda brasileira, inexiste praticamente opção "liberal" (não vou entrar muito no mérito do conceito aqui, nem usar termos malditos como "direita" que deixam a esquerda com água na boca).

Nos últimos meses apareceram movimentos como o Vem Pra Rua e o MBL que parecem mais próximos de uma opção liberal, a favor de um Brasil menos estatal e vitimista. Ser liberal significa crer mais no mercado (sem ter que achá-lo um "deus") e menos em agentes públicos. Significa investir mais na autonomia econômica do sujeito e menos na dependência dele para com paternalismos estatais. Iniciativas como fóruns da liberdade, todas muitos importantes para quem acha o socialismo um atraso, são essencialmente incipientes. E a elite econômica brasileira é mesquinha quando se trata de financiar o trabalho das ideias. Pensa como "merceeiro", como diria Marx. Quer que a esquerda acabe por um passe de mágica.

O pensamento liberal no Brasil não tem raiz na camada intelectual, artística ou acadêmica. E sem essa raiz, ele será uma coisa de domingo a tarde.

A única saída é se as forças econômicas produtivas que acreditam na opção liberal financiarem jovens dispostos a produzir uma teoria e uma historiografia do Brasil que rompa com a matriz marxista, absolutamente hegemônica entre nós. Institutos liberais devem pagar jovens para que eles dediquem suas vidas a pensar o país. Sem isso, nada feito.

Sem essa ação, não importa quantas Dilmas destruírem o Brasil, pois elas serão produzidas em série. A nova Dilma está sentada ao lado da sua filha na escolinha.

5 comentários:

Anônimo disse...

Nem tudo está perdido. A moral da classe artística nunca esteve tão em baixa como agora. Afinal todo mundo sabe que eles mamam nas tetas do governo. De idealistas eles só tem o discurso. O mesmo acontece em relação aos professores esquerdistas. Depois do fiasco do experimento socialista, a tendência é que pais e alunos passem a questionar os ideólogos de esquerda.

Anônimo disse...

Artur Nogueira diz:
Os brasileiros sempre foram seduzidos pelas idéias esquerdistas e antiliberais.Criticam os políticos, criticam as instituições e no entanto adoram o Estado.Verdadeira estadolatria.
Agora, na área das Ciências Humanas, a doutrinação ideológica com viés marxista/gramscista vem sendo executada há pelo menos meio século.O estrago é enorme.

Anônimo disse...

"A "inteligência" brasileira é escrava da esquerda" - triste verdade! Mas só o fato de enunciá-la já é um bom início de batalha no rumo da nova abolição.

Paulo Robson Ferreira disse...

Prezado Tambosi, essa capacidade que certas pessoas tem em venerar esses movimentos sectários, a psicologia moderna explica com muita clareza. Chama-se a isso baixo nível de inteligência emocional. Isso, de forma simplificada se explica assim. Nossas opções ao longo da nossa jornada vivencial ou se faz pela razão ou se faz pela via emocional. O indivíduo inteligente emocionalmente sabe com clareza quando usar a razão e quando pode se envolver emocionalmente, porém aquele que não dispõe dessa faculdade desenvolvida mistura as estações.
A principal característica dessas doutrinas sectárias é que elas oferecem utopias e devaneios para capturar seus militantes, que normalmente são indivíduos idealistas mas de baixa inteligência emocional. Enquanto isso seus líderes e manipuladores, são indivíduos profundamente carentes cujo objetivo cego é o poder, seja ele conseguido da forma que for.
O indivíduo de baixa inteligência emocional não necessariamente tem baixa inteligência operacional (QI), mas são profundamente sensíveis às emoções e são facilmente cooptados por propostas com grande apelo emotivo, mesmo que sejam completamente irracionais.
Isso explica porque doutrinas que não deram certo em canto nenhum do planeta, ainda poluem a mente de pseudo intelectuais. Vale lembrar ainda que o sentimentalismo, para essas pessoas é festejado como uma virtude, embora, do ponto de vista da psicologia, trata-se de um estado claro de imaturidade psíquica.

Anônimo disse...

A classificação de dilmente como personagem tragicômica é muito apropriada.