terça-feira, 5 de abril de 2016

Nova eleições? É golpe, sim. Nem Dilma, nem Marina, nem Lula.

Marina Silva: avatar do lulopetismo.
Não morro de amores pelo PMDB, nem pelo seu novo presidente, senador Romero Jucá, nem pelo vice-presidente Michel Temer, mas a única saída sem traumas do horror lulopetista só pode acontecer com o pleno mandato de Temer, completando o governo desastrado de Dilma. Realismo não faz mal: queiram ou não, o PMDB ainda é o maior partido nacional. Hienas de vários partidos, como a Rede (auxiliar do lulopetismo), querem eleições já, pensando que podem vencê-las com a sanha oportunista que cultivam: 

Em seu primeiro discurso no plenário como presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) rebateu nesta terça-feira, 5, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que mais cedo havia dito ver com "bons olhos" a realização de eleições gerais para superar a crise política.
Num duro pronunciamento, o senador classificou como "golpe" uma solução dessa forma, advogou o uso do instituto do impeachment como saída para o impasse e ainda saiu em defesa de Michel Temer, a quem diz ficar numa "situação difícil" de ao mesmo tempo ser vice-presidente e dirigente do maior partido do País.
"A saída está na regra, está na Constituição (o impeachment). Qualquer outra saída mirabolante, desculpem-me, aí sim é golpe, aí sim é golpe. Eleições gerais para todo mundo está na Constituição? Não. Todo mundo renuncia está na Constituição? Não. Traduzindo para a população, a regra tem que ser cumprida. Para saber se a regra é cumprida não precisa ir no Supremo não", afirmou.
Na fala, o peemedebista - que já declarou publicamente ser a favor do afastamento da Dilma - fez uma digressão para apontar fatores que levaram o partido a decidir, na semana passada, pela entrega dos cargos de ligados à legenda no governo federal. Ele lembrou que, na eleição de 2014, o PMDB decidiu manter Temer como vice de Dilma, mesmo ele pessoalmente tendo anunciado o voto no tucano Aécio Neves.
Em uma provocação ao governo, que tem criticado o vice, Jucá afirmou que na campanha passada Temer não fez ataque a ninguém. Mas, como economista, disse que após as eleições de 2014 ruiu o "castelo de cartas" e o quadro se desnudou com o não cumprimento de promessas feitas. Para ele, o governo perdeu as condições de oferecer credibilidade, segurança jurídica e previsibilidade para a economia e se transformou desde então numa "eternidade de incompetência".
Desembarque. O novo presidente do PMDB disse que, na semana passada, 82% do diretório partidário aprovou a saída da base e a entrega imediata dos cargos que ocupam no governo Dilma. E questionou Renan Calheiros, que presidia a sessão durante o discurso sem citá-lo nominalmente, que a decisão da legenda havia sido "precipitada".
"Alguns levantaram que a decisão seria precipitada ou até pouco inteligente. Pois bem, não acho que a posição foi precipitada. Aliás, minha posição foi antecipada em 2014. Acho que a posição (do PMDB) veio na hora certa", defendeu Jucá, ao destacar que a sociedade que estava nas ruas esperava uma posição do maior partido do País.
Impeachment. Para o peemedebista, o governo quer dar um cheque pré-datado para partidos da base aliada para depois da votação do impeachment na Câmara. Ele disse que é uma incógnita saber se o pedido de afastamento vai passar, mas, se a solução não sair de dentro da própria esfera política, sairá de fora com uma "bravata" ou um "outsider" sem saber para onde o País vai. "Vamos pagar um preço maior", disse.
O presidente do PMDB afirmou que cabe ao Congresso encontrar uma saída nos dois anos e meio, mas ressalvou estar enganado quem acredita que resolve o problema barrar um impeachment com 180 votos - são necessários ao menos 172 dos 513 na Câmara para impedir a abertura.
No discurso, Jucá ressaltou que não vai descredenciar, como presidente do partido, quem pensa diferente dele. O senador disse que o PMDB não está pregando o golpe e que ainda não decidiu como votará no pedido de afastamento da presidente. O peemedebista afirmou que não se pode cobrar o PMDB pela crise econômica e afagou Renan ao mencionar que o correligionário ajudou o governo em uma série de votações e propostas.
Para o presidente do PMDB, o partido não pilotou esse avião e Temer não era o copiloto - "estava fora da cabine". "Nós éramos do PMDB (…) comissários de bordo. A gente segurava as pessoas, mandava apertar o cinto e dava um saquinho para vomitar", disse.
Frenético. Em aparte a Jucá, o senador do PT Lindbergh Farias (RJ) disse que a saída do vice da presidência do partido é uma "ação tardia para disfarçar o indisfarçável". Para o petista, o vice está há muito tempo articulando "freneticamente" o impeachment de Dilma a partir de uma chapa Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu na Operação Lava Jato.
“O Eduardo Cunha não é o PMDB. O Eduardo Cunha faz parte do PMDB, ele tem o direito de se defender e o Supremo Tribunal Federal, no momento apropriado, vai tratar dessa questão. Essa não é uma questão do partido. Essa é uma questão do Supremo e da investigação da Lava Jato que nós apoiamos. Nós apoiamos, o PMDB apoia a investigação da Lava Jato e entende que todos devam ser investigados”, disse Jucá.
O peemedebista comentou as declarações feitas na semana passada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso que se espantou com a fotografia em que mostraram peemedebistas, de mãos para o alto, comemorando a decisão do desembarque. Para ele, Barroso deveria "fulanizar" nas críticas e, se foi com ele, não teme investigações por não dever nada a ninguém.
"Então, as palavras do ministro Barroso não me atingem, não me colocam em nenhuma outra posição. Ao contrário, me estimulam. Acho que o ministro Barroso e o Supremo podem prestar um grande serviço. E se tivesse rabo preso, eu não estaria assumindo a Presidência do PMDB, porque eu vou me expor. Alguém aqui tem dúvida de que eu vou voltar a ser alvo, de que vão bater em mim, vão vir para cima?", questionou Jucá, ao ressaltar que vai enfrentar de cabeça erguida qualquer debate como presidente do partido. (Estadã0).

3 comentários:

Anônimo disse...

UM MEME DO MBL QUE SINTETIZA A QUESTÃO DAS NOVAS ELEIÇÕES GERAIS

Espalhe !!!!! É precisamente disto que se trata


http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/um-meme-do-mbl-que-sintetiza-a-questao-das-novas-eleicoes-gerais/



Chris/SP

Orlando Tambosi disse...

Obrigado, Chris, já tá no blog.

Anônimo disse...

Será difícil manter o sistema eleitoral do modo que está. Estas smartmatics não são confiáveis, tanto que nas próximas eleições municipais (além das opções horrendas de candidatos) eu vou justificar meu voto. Não sei para quem vai meu voto, mesmo se votar nulo (é o que faria nesta próxima eleição municipal) não sei se meu voto vai para alguém. Tenho zero confiança no sistema eleitoral brasileiro e nas tais instituições. Qualquer eleição agora é suspeitíssima.