sábado, 2 de abril de 2016

PGR incluirá Lula no inquérito principal da Lava-Jato no STF. Investigação é sobre formação de quadrilha.

O chamado inquérito-mãe, que apura o crime de formação de quadrilha em relação aos desvios na Petrobras, deve incluir o ex-presidente, que é o político mais citado na delação de Delcídio - há oito acusações ao chefe petista:


A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja investigado no principal procedimento da Operação Lava-Jato na Corte, o inquérito-mãe que apura crime de formação de quadrilha no esquema de desvios de recursos da Petrobras. O grupo de trabalho responsável pela Lava-Jato na PGR prepara os primeiros pedidos de abertura de inquérito a partir da delação premiada do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), já homologada pelo STF e tornada pública no último dia 15 de março. Parte das citações a Lula seria encaminhada ao procedimento já existente, conforme um pedido em análise no Ministério Público Federal. O ex-presidente é o político mais citado na delação de Delcídio: são, ao todo, oito acusações ao petista.

A Lava-Jato já resultou em quase 40 inquéritos abertos no STF para investigar autoridades com foro privilegiado e outros políticos conectados às acusações apuradas. Entre eles estão deputados e senadores dos principais partidos que integram ou integraram a base de apoio do governo federal e os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A delação de Delcídio vai ampliar a quantidade de inquéritos da Lava-Jato no STF. Além de Lula, a PGR estuda pedir a abertura de procedimentos para investigar a presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer e o principal líder da oposição, Aécio Neves (PSDB-MG).

O inquérito número 3989, com 39 políticos investigados, é considerado como o principal em curso no STF, dentre os procedimentos relacionados à Lava-Jato. É o único que investiga o crime de formação de quadrilha e que conecta parlamentares do PP, do PMDB e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso em Curitiba. Este inquérito-mãe é visto como oportunidade para se investigar o suposto funcionamento de uma organização criminosa no fatiamento das diretorias da Petrobras entre partidos da base aliada, com pagamentos de propina a partir de contratos superfaturados, em troca de suporte político a diretores.

A delação de Delcídio já foi fatiada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no STF, em 19 petições. Este é o passo prévio ao pedido de abertura de inquéritos. No caso de Lula, fontes próximas às investigações consideram “provável” tanto o pedido de remessa de acusações ao inquérito-mãe quanto solicitações de novos inquéritos. Esta possibilidade já existia antes da delação de Delcídio. Investigações em curso apontavam para uma conexão de Lula — sem foro privilegiado — a irregularidades associadas a autoridades com foro, o que motivaria uma apuração em conjunto no STF.

Nos depoimentos da delação, Delcídio chegou a afirmar que o ex-presidente foi um “grande ‘sponsor’ (patrocinador) dos negócios do BTG”, como consta no termo de colaboração número 16. A narrativa mais detalhada diz respeito à tentativa de se evitar a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O ex-líder do governo ficou preso preventivamente por tentar interferir na colaboração de Cerveró, com proposta de ajuda financeira a familiares e até mesmo um plano de fuga para o ex-diretor. Segundo Delcídio, partiu de Lula um pedido para que intercedesse por José Carlos Bumlai, lobista preso e amigo do ex-presidente.

O pedido teria sido feito no Instituto Lula, em maio de 2015, conforme o delator. “Lula manifestou grande preocupação com a situação de José Carlos Bumlai em relação às investigações da Lava-Jato. Lula expressou que Bumlai poderia ser preso em razão das colaborações premiadas que estavam vindo à tona, particularmente de Fernando Baiano e Cerveró e que por conta disso Bumlai precisava ser ajudado”, disse Delcídio. A partir dessa conversa, ainda conforme a narrativa do delator, o filho de Bumlai, Maurício Bumlai, foi procurado, “momento em que transmitiu o recado e as preocupações de Lula. “O pedido de Lula para auxiliar Bumlai, no contexto de ‘segurar’ as delações de Cerveró, certamente visaria o silêncio deste último e o custeio financeiro de sua respectiva família”, interpretou o delator.

O senador afirmou ainda que “Lula já tinha o nome de Cerveró” para a Diretoria da Área Internacional da Petrobras, com cota de indicação atribuída ao PMDB. Um capítulo da delação trata das “participações de Lula e (ex-ministro Antonio) Palocci na compra do silêncio de Marcos Valério no mensalão”.

A força-tarefa da Lava-Jato já investigava o ex-presidente na primeira instância, em Curitiba. Por conta de grampos telefônicos com citações a autoridades com foro, entre elas Dilma, os processos foram remetidos ao STF. A nomeação de Lula como ministro da Casa Civil está suspensa por decisão liminar do ministro Gilmar Mendes.

O Instituto Lula, por meio da assessoria, disse que “não comenta falatórios”. “Quem quiser levantar suspeitas em relação ao ex-presidente Lula que o faça diretamente e apresente provas, ou não merecerá resposta.” A assessoria do instituto lembrou que o ex-presidente já prestou depoimento no âmbito do inquérito-mãe da Lava-Jato. (O Globo).

3 comentários:

Anônimo disse...

Aiaiai. O crime de formação de quadrilha não já tem jurisprudência do mensalão. Não houve formação de quadrilha. Não são quadrilheiros. kkkkkkk.

Anônimo disse...

Lula tem que ser condenado pelas mortes de Celso Daniel e Toninho ex-prefeito de Campinas - SP. Os dois crimes estão ligados a Lula.

Anônimo disse...

Bidu...