quinta-feira, 26 de maio de 2016

A tarefa, agora, é enterrar a "lulocriminalidade".

Em postagem exclusiva para seu blog, o historiador Marco Antônio Villa analisa "a derrota do PT e seu significado político". O PT acabou, conclui ele, e Lula "é carta fora do baralho da política". O novo governo tem que despetizar o Estado:


O PT nunca esteve tão fraco como agora. E também Lula. Por que? Perderam o poder. Tiveram duas derrotas históricas: uma, na Câmara, com a autorização de abertura do processo de impeachment; e a segunda, no Senado, com a expressiva votação de 55 senadores – muito acima do necessário – recebendo e iniciando o processo.

Se não tem mais apoio congressual, também perderam espaço na estrutura de Estado. E que não era pequeno, muito pelo contrário. Os milhares de cargos permitiram ao PT receber quantia considerável, através do dízimo partidário, além de impor sua política – incluindo, claro, o desvio sistemático de recursos públicos.

Na sociedade, o projeto criminoso de poder nunca esteve tão fraco. Se esvaiu a legitimidade, especialmente nos setores mais pobres. Entre os empresários, onde, em certo momento, obteve relativo sucesso – e os generosos empréstimos do BNDES jogaram papel fundamental -, hoje ninguém quer ter qualquer tipo de identificação com o PT. E a classe média foi se distanciando do governo a cada denúncia de corrupção. Não deve ser desconsiderado que a disparada na taxa de desemprego isolou ainda mais os “lulocriminosos.” A tríade corrupção-inflação-desemprego foi se transformando no principal instrumento de desgaste do governo.

As recentes manifestações anti-Temer não demonstram força. São manifestações de desespero. A mobilização é muito pequena. Não encontra guarida na sociedade. Além do que, a Lava Jato vai, ainda neste semestre, atingir mais fortemente o PT e seus asseclas. Não há liderança na sociedade que deseje, por exemplo, ser vista ao lado do chefe do petrolão. Lula é carta fora do baralho da política. O PT acabou.

Cabe agora ao novo governo enterrar politicamente a “lulocriminalidade.” Para isso tem de despetizar o Estado, realizar auditoriais nos ministérios, bancos e empresas estatais e expor aos brasileiros uma radiografia do que encontrou. E concentrar esforços para que o Senado conclua rapidamente o processo de impeachment. A partir da condenação de Dilma – e o PT vai ficar para todo o sempre com o carimbo de partido da corrupção – a temperatura política tenderá a diminuir e o governo vai ter maior margem de manobra no Congresso, o que facilitará a gestão e o caminho para sairmos mais rapidamente da crise.

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