domingo, 22 de maio de 2016

Por que os intelectuais são anticapitalistas? Ou: por que os "artistas" brasileiros querem ministério?

Convém reler, a propósito do desmembramento da "cultura" do MEC (não houve extinção, como dizem os oportunistas), o artigo do saudoso filósofo norte-americano Robert Nozick, que mencionei aqui em 2005: "Por que os intelectuais são anticapitalistas?". Relevo, porém, que não considero intelectuais os canastrões que berram por um ministério para chamar de seu:


É surpreendente que os intelectuais se oponham ao capitalismo. Outros grupos de status socioeconômico comparável não demonstram o mesmo grau de oposição. Estatisticamente, portanto, os intelectuais constituem uma anomalia.

Nem todos os intelectuais estão na esquerda. Como ocorre com outros grupos, suas opiniões se estendem ao longo de uma curva. Mas, no caso deles, a curva desce e contorce para a esquerda política. A proporção exata do que denominamos anticapitalista depende de como se fixam os limites: de como se interpreta a postura anticapitalista ou de esquerda e de como se distingue o grupo dos intelectuais. As proporções podem ter mudado um pouco nos últimos tempos, mas na média os intelectuais se situam mais à esquerda dos que tem o mesmo status econômico. Por quê?

Não entendo por intelectuais todas as pessoas inteligentes com certo grau de instrução, mas aqueles que, por vocação, lidam com as idéias, expressam-se em palavras, moldando o fluxo de palavras que outros recebem. Esses forjadores de palavras incluem poetas, romancistas, críticos literários, jornalistas e numerosos professores. Não incluem aqueles que primordialmente criam e transmitem informação formulada de maneira quantitativa ou matemática (os forjadores de números) ou os que trabalham com meios visuais, pintores, escultores, câmeras. Contrariamente aos forjadores de palavras, as pessoas que se dedicam a essas profissões não se opõem ao capitalismo de maneira desproporcionada. Os forjadores de palavras de concentram em certos âmbitos de ocupação: as instituições acadêmicas, os meios de comunicação de massa, a administração.

Os intelectuais forjadores de palavras se desenvolvem bem na sociedade capitalista; nela dispõem de ampla liberdade para formular, desenvolver, propagar, ensinar e debater as idéias novas. Há demanda por suas habilidades profissionais, estando sua renda muito acima da média. Por que, então, se opõem ao capitalismo de uma maneira tão exagerada? De fato, alguns dados indicam que quanto mais próspero é um intelectual e quanto mais êxito tem, mais provável é que se oponha ao capitalismo. Essa oposição ao capitalismo procede principalmente da “esquerda”, mas não exclusivamente. Yeats, Eliot e Pound se opunham à sociedade de mercado a partir da direita.

A oposição dos intelectuais forjadores de palavras ao capitalismo é um fato de transcendência social. Dá forma a nossas idéias e imagens da sociedade; estabelece as alternativas de atuação que analisam as administrações. Entre tratados e lemas, eles nos proporcionam as frases com que nos expressamos. Sua oposição é importante, especialmente em uma sociedade (usualmente denominada “pós-industrial”) que cada vez depende mais da formulação explícita da propagação da informação.

Devemos realmente buscar uma explicação específica da razão pela qual os forjadores de palavras se opõem de maneira desproporcional ao capitalismo? Consideremos a resposta direta que se segue: o capitalismo é mau, injusto, imoral ou inferior aos intelectuais, aos seres inteligentes, que se dão conta disso e, portanto, opõem-se a ele.

Essa explicação simples não tem validade para aqueles que, como eu, não pensam que o capitalismo, o sistema de propriedade privada e do livre mercado seja mau, injusto, malvado ou imoral. Os leitores que discordam devem observar que uma crença verdadeira não pode ter uma explicação direta: poder-se-ia crer nela devido a alguns fatores distintos de sua veracidade, tais como a socialização e a integração cultural.

Creio que há algo no modelo de oposição de muitos intelectuais que indica que não se trata só de se tomar consciência da verdade sobre o capitalismo. Porque, quando se refuta uma ou outra das queixas concretas sobre o capitalismo (talvez a de que conduza ao monopólio, ou à contaminação, ou à desigualdade exagerada, ou a de que implica a exploração dos trabalhadores, ou que deteriora o meio ambiente, ou que cause guerras, ou que impede o trabalho responsável, ou que trata por todos os meios de satisfazer os desejos das pessoas, ou que estimula a falta de honradez no mercado, ou que produz em função dos lucros e não da utilidade, ou que freia o progresso para aumentar os lucros, ou que conduz à superprodução, ou à subprodução), quando se demonstra e se aceita que a queixa tem uma lógica imperfeita ou hipóteses imperfeitas em termos dos fatos, da história ou da economia, aquele que se queixa não muda de opinião, apenas abandona um tema e rapidamente se lança a outro. (“Mas e o trabalho infantil, ou o racismo, ou a opressão das mulheres, ou os bairros decaídos das cidades, ou que em épocas menos complicadas podíamos viver sem planejamento, mas agora tudo é tão complicado que... Ou a propaganda seduzindo as pessoas para que comprem coisas, ou...). No debate se abandona um ponto após o outro. O que não se abandona é a oposição ao capitalismo. Porque a oposição não se baseia nesses pontos ou queixas, e desse modo não desaparece quando eles desaparecem. Há uma ojeriza oculta contra o capitalismo. Essa ojeriza suscita as queixas. As queixas racionalizam a ojeriza. Depois de alguma resistência, pode ser que se abandone uma queixa concreta e, sem voltar os olhos, se apresentarão outras tantas com a finalidade de desempenhar a mesma função: racionalizar e justificar o ódio do intelectual ao capitalismo. Se o intelectual estivesse simplesmente reconhecendo as falhas ou os erros do capitalismo, não encontraríamos essa ojeriza. A explicação dessa oposição necessitará de uma explicação menos simples, que leve em conta a ojeriza.

É possível objetar que a explicação é simplesmente a óbvia: as pessoas inteligentes podem ter apenas uma tendência natural a olhar em seu redor e criticar o que está mal. O que faz parte da natureza da atividade criativa e inovadora é o fato de gerar uma mente cética, que rechaça a ordem estabelecida. Mas por que, entre os inteligentes, são especialmente os forjadores de palavras, e não os forjadores de números, os que se inclinam para a esquerda? Se são os de temperamento crítico, por que os forjadores de palavras são normalmente tão pouco críticos dos programas “progressistas”? Se a atividade inovadora e criativa é a causa, por que deve conduzir ao ceticismo e à descoberta de virtudes sutis nas crenças e doutrinas estabelecidas? (Não se dedicaram Dante, Maimônides e São Tomás de Aquino à atividade intelectual criativa?) Por que deve expressar-se o ceticismo sobre a ordem estabelecida, e não sobre os planos para alternativas globais que, supõe-se, melhorarão essa ordem? Não, da mesma maneira que a idéia de que o capitalismo é simplesmente mau e que os intelectuais estão suficientemente preparados para se dar conta disso, a explicação de que os intelectuais são críticos e céticos por natureza não é satisfatória. Essas “explicações” são demasiado interessadas; não encaixam com os detalhes da situação. Devemos buscar a explicação em outro lugar. No entanto, não nos deveria surpreender que as explicações que ocorrem aos intelectuais resultem ser autocomplacentes. Quando se dão explicações, são os intelectuais que as dão. Podemos distinguir dois tipos de explicação para a proporção relativamente alta de intelectuais que se opõem ao capitalismo. O primeiro considera que há um fator exclusivo nos intelectuais anticapitalistas. O segundo tipo de explicação identifica um fator aplicável a todos os intelectuais, uma força que os impulsiona para os pontos de vista capitalistas. O que leva um intelectual concreto ao anticapitalismo dependerá das outras forças que atuam sobre ele. Em conjunto, não obstante, já que fez com que o anticapitalismo seja mais provável em cada intelectual, tal fator dará lugar a uma proporção maior de intelectuais anticapitalistas. Pensemos no número maior que o normal, de pessoas que vão à praia em um dia de sol. Pode ser que não sejamos capazes de prever se um indivíduo concreto irá – isso depende de todos os fatores restantes que atuam sobre ele, mas o sol torna mais provável que cada pessoa vá, e dessa forma leva a um número total maior de pessoas que vão à praia. Nossa explicação será desse segundo tipo. Identificaremos um fator que, em geral, faz com que os intelectuais se inclinem em favor de atitudes anticapitalistas. (Continua).

2 comentários:

Paulo Robson Ferreira disse...

Para mim a razão que leva um intelectual a ser anticapitalista é bem simples. Ser anticapitalista faz parte do arquétipo do intelectual padrão. O rótulo "intelectual conservador" não tem glamour nenhum. Agora, vale ressaltar, que o capitalismo tem defeitos, indiscutivelmente, só que os outros sistemas são infinitamente piores. Como diria o Antônio Carlos Jobim, o capitalismo é uma "m e r d a" mas é muito bom, e o socialismo é muito bom mas é uma "m e r d a".

Anônimo disse...

Caro Tambosi,

muito cômodo ser da "esquerda caviar".

Elles tem todas as mordomias possíveis e imagináveis. Porém, compactuam com a miséria, ignorância, e penúria para o povo ignorante que fica amordaçado pelos tiranos. Quem pensa diferente dos vermelhos não tem direito à existir.

Por isso, proponho aqui uma solução para nos livrarmos desses canalhas:
BOICOTE!

Boicotemos absolutamente tudo que se refere aos artistas comunistas que infestam nosso país:

1. teatro e cinema - não coloquemos nossos pés em suas ações "artísticas"! Os anfiteatros tem que ouvir o som das moscas!
2. digam adeus porcarias de novelas da rede Globo e outras afins. Aqui em casa já o fizemos há longa data.
3. CDs, DVDs e outros produtos artísticos derivados de qualquer comunistinha que se diz artista.


Pelo contrário, prestigiemos e apoiemos as Suzanas Vieiras da vida, que nos apoiam e estão ajudando o Brasil a se livrar da escumalha comunista!

Cuidado com os enrustidos. André Trigueiro seria um deles?
Fez um escândalo sobre o fato de não haver mulheres nos ministérios de Temer...

Sigamos adiante apesar das dificuldades, confiantes de que o início do fim desta CanalhaPetralha, a ORCRIM que se infiltrou no Brasil, está aí. É uma questão de tempo, paciência, e coragem de nossa parte.
Não podemos facilitar pois elles não desistirão facilmente. Estão roubando bilhões de nossos cofres para se manterem eternamente no poder!

Flor Lilás