quinta-feira, 21 de julho de 2016

Contra o terrorismo islâmico, apenas repressão, a imprescindível repressão.

Enquanto as esquerdas politicamente corretas falam, a cada novo atentado, na necessidade de "defender a liberdade e a igualdade", o que se impõe, na verdade, é a repressão a esses bárbaros antiocidentais. Como diz Paulo Tunhas no Observador (cito abaixo alguns trechos do artigo "O islamismo e o pecado da esquerda"), "o que se deve opor ao terrorismo islâmico, com vista à defesa da liberdade, é a mais firme e determinada repressão":


(....) Fez o acaso que, no próprio dia do atentado de Nice, tivesse começado a ler aquela que é geralmente reconhecido como a mais detalhada análise da história, da estrutura e da ideologia do Estado Islâmico, o livro de Michael Weiss e Hassan Hassan, Isis. Inside the Army of Terror, publicado em 2015 e reeditado em 2016. A coincidência não é, infelizmente, particularmente misteriosa, dada a frequência com que os atentados do Estado Islâmico se sucedem. Em todo o caso, o livro de Hassan e Weiss (que estará em Portugal a 11 de Setembro próximo, no Festival Literário de Cascais) ilumina grandemente o padrão que preside aos atentados do Estado Islâmico, como o de Nice.

Começa com a descrição das actividades daquele que é visto como o precursor da ideologia e da prática do Estado Islâmico, o jordano Abu Musab al-Zarqawi. Um puro criminoso de delito comum, contrabandista de álcool, proxeneta, drogado e violador de jovens (de ambos os sexos), até se ter transformado em criminoso religioso, com apetite notório pela filmagem de degolações. Rompendo com a Al-Qaeda e Bin Laden, al-Zarqawi criou o trilho que conduziria a Abu Bakr al-Baghdadi e ao Estado Islâmico tal como hoje o conhecemos. A partir daí, Weiss e Hassan dedicam-se à descrição da rede de relações que permitiram ao Estado Islâmico prosperar (particularmente interessantes são os apoios recebidos da Turquia do simpático Erdogan) e dos seus vários sucessos e insucessos militares.

Dois aspectos são singularmente esclarecedores nesta história, embora não constituam de modo algum as partes mais originais do livro. O primeiro é como, naquelas cabeças, todos os tempos e todos os espaços se confundem, algo que era já patente na Al-Qaeda, e, antes, no mais eminente teórico da Irmandade Muçulmana, Sayyed Qutb. Vivemos, aparentemente, no tempo das Cruzadas. Não há, propriamente falando, história: há sim a repetição de uma oposição imemorial e fundadora entre crentes e infiéis. Uma repetição que se repetirá, perfeita e absoluta, até à derradeira vitória do Islão e à destruição definitiva dos infiéis.

O segundo é a formidável regressão e a grotesca infantilização do pensamento. Uma e outra coisa encontram-se ligadas entre si, é claro. Por mais equívoca que seja a ideia de progresso, alguns dos seus elementos constitutivos permitem-nos adquirir a capacidade para nos distanciarmos de nós mesmos e para nos afastarmos da paixão perversa de uma restituição integral do passado na sociedade contemporânea. Viver como adulto implica saber isso. Nada assim com aquela gente. O passado deve ser revivido integralmente no presente: é o mesmo tempo. E o espaço, também ele, deve sofrer a mesma abolição de diferenças. A geografia torna-se irrelevante, notam Weiss e Hassan. O espaço é só um: o do Estado Islâmico. O Islão passa a ser a única referência societária. E também aqui o processo de regressão, de infantilização, é notório. Viver como adulto significa, entre outras coisas, respeitar os lugares dos outros como espaços distintos dos nossos. Aquilo que Kant chamava “hospitalidade universal”, um ideal cosmopolítico, supõe exactamente isso. Devemos poder circular pela terra inteira, mas isso na condição de sabermos respeitar a especificidade dos lugares, as diferenças que os singularizam.

A infantilidade grotesca do Estado Islâmico encontra-se exibida na perfeição na descrição que Hassan e Weiss fazem do ataque ao Bataclan, em Paris, a 13 de Novembro de 2015. Um sobrevivente notou como os terroristas se divertiam: riam-se enquanto matavam as pessoas. Um passo é particularmente ilustrativo. Quando a polícia, pelas dez da noite, entrou na sala de espectáculos, alvejou um dos terroristas, Samy Amimour. “Ele caiu ao chão, depois levantou a cabeça, um instante antes de activar o seu cinto suicida. A sua cabeça e uma das pernas foram projectadas para o palco e pedaços da sua carne na cabeça de um espectador. Os seus cúmplices, Ismail Mostefai e Foued Mohamed Aggad, acharam a coisa hilariante. «Fê-los rir», contou o espectador ao Le Monde. «Disse-me a mim mesmo que eram atrasados mentais»”.

Aconteceu-me já ler vários livros sobre organizações terroristas islâmicas: Al-Qaeda, Hamas, Hezbollah, etc. Por estrita obrigação e, por mais bem feitos que fossem, e este é muito bem feito, sem prazer algum. Por uma razão simples. Os personagens que ocupam a boca de cena são invariavelmente destituídos de qualquer interesse ou mistério humano. São, como notou o sobrevivente do Bataclan, atrasados mentais. Atrasados mentais criminosos, não crianças, e atrasados mentais por um processo culturalmente induzido e passível de ser descrito com um certo rigor. Uma criação social – embora uma monstruosa criação social. O principal interesse nestas leituras é o de nos ajudarem a perceber a monstruosidade da cultura que os engendra, isto é, o buraco negro do islamismo contemporâneo, resultado de uma espécie de colapso gravitacional de uma antiga civilização, colapso que Bernard Lewis estudou, livro a livro, em detalhe. Cultura que, no caso do Estado Islâmico, como notam Weiss e Hassan, inspira mesmo aos noviços o sentimento de contacto com um profundo “intelectualismo” (expressão de um aderente referida no livro).

Não quero crer que esta nossa esquerda se sinta particularmente atraída por tão fascinante “intelectualismo” de atrasados mentais criminosos. Tem, apesar de tudo, “intelectualismos” próprios, que, por frustes que sejam, possuem um grau de sofisticação superior. Mas o seu cepticismo de princípio, muito postiço, e parcialmente resultante desses tais “intelectualismos” próprios, serve-lhe de antecâmara para contextualizações sortidas. A isto convém responder que tal atitude, nestes casos, representa um obsceno desrespeito pelas vítimas, um desrespeito que prolonga, à sua maneira, a barbárie e a idiotia dos assassinos. É o islamismo – a doutrina e a prática do atraso mental convertido em ideologia criminosa – que é responsável pelo massacre. O islamismo contém em si um princípio de actividade: não é pura reacção resultante da actividade que define a nossa própria existência. Omitir isto é, literalmente, omitir tudo.

Em segundo lugar, declarar que se deve opor à brutalidade (“brutalidade” é, de resto, obviamente pouco) “a luta pela liberdade e pela igualdade” é, sem mais, uma abstracção irresponsável, que quase gramaticalmente parece absurda. O que se deve opor ao terrorismo islâmico, com vista à defesa da liberdade, é a mais firme e determinada repressão. Qual a mais eficaz, pode-se e deve-se discutir. Mas a palavra imprescindível é mesmo: repressão. (...)

Um comentário:

O MESMO de SEMPRE disse...

...Pois é....

...mas o milenar politicamente correto se impôs absoluto no sec XX, quando conseguiu arruinar completamente a filosofia estóica e sua moral para substitui-la pela moral ascética do capitulacionismo enobrecedor.

Sim, a moral que os governos desejam para seus SÚDITOS é aquela moral que, já no Império Romano decadente, foi preconizada como o "caminho da luz" ou da salvação consagradora. Sim, como o governo romano (o estamento estatal) precisava explorar a própria população, dada a escassez e custo de novos povos a conquistar.

Assim surgiu a moral do "politicamente correto" romano, que preconizava o DESPREZO pelo INDIVÍDUO que tornou o EGOÍSMO um defeito moral para exoticamente incentivar o EGOCENTRISMO que prospera nos COLETIVISMOS. Afinal, na idéia coletivista cada indivíduo deseja fazer dos demais uma ferramenta ou objeto para seus anseios: o invejoso dele se utiliza com o objetivo de arruinar o sucesso alheio ou condena-lo moralmente. Já o espertalhão vê no coletivismo o meio de sua liderança sobre os invejosos e sedentos das mesuras alheias (qdo deseja convencer-se pela opinião alheia, poisa prória não pode enganar).

O resultado da moral ascética, consagrado no sec XX, é o que chama-se de "politicamente correto":
O valor moral que deve ser louvado pelos "bons" é:

- Oferecer a outra face a quem lhe agride
- Perdoar sempre
- Amar o inimigo, já que amar os amigos e aos bons não revela mérito.
- Tirar de si para ajudar os outros, por obrigação moral (o altruísmo)
- Pensar mais nos outros do que em si mesmo (os egocênctricos adoraram)
- Aceitar a dor e o sofrimento com resignação.
- Obedecer ao seu senhor, sobretudo aos maus (não há merito em obedecer e amar os bons)
- Pagar os impostos, pois que toda autoridade assim o é por vontade divina (Epístoas de Paulo ou Romanos) ainda afirmado pelo "dai a César o que é de César".

Enfim, todo esse politicamente correto exigia a SUBMISSÃO aos líderes como valor moral.
Não por acaso o tanto que se fala em OBEDIÊNCIA e SUBMISSÃO (Islã).

Ideologias salvadoras SEMPRE preconizam OBEDIÊNCIA e SUBMISSÃO aos líderes salvadores (governantes ideológicos).