quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Antiamericanismo, a marca dos autoritários.

Editorial do Globo observa que governos autoritários, em todo o mundo (acho que a América Latina, nesse caso, sempre esteve na linha de frente), revelam seu viés antiamericano. Aliás, o totalitarismo do passado está aí para provar: fascismo, comunismo e nazismo foram não apenas antiamericanos, mas antiliberais e anticapitalistas. A ralé ideológica repete os erros do passado:


Desde o ano passado, o mundo testemunha uma intensa mobilização geopolítica entre potências regionais em torno de alianças estratégicas que têm em comum um posicionamento contra os Estados Unidos. Nem sempre aliados no passado, esses países se aproximam ao compartilhar um sentimento antiamericanista. São todos, sem exceção, regimes autoritários, onde as liberdades civis estão sob constante ameaça.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, por exemplo, se acercou de Moscou poucos meses após as Forças Armadas turcas terem derrubado um caça russo, matando os dois pilotos, o que levou Moscou a impor sanções. Esta reaproximação pode parecer estranha, uma vez que o presidente russo, Vladimir Putin, é aliado de Bashar al-Assad, presidente sírio e inimigo de Erdogan; e também porque os EUA são um importante aliado da Turquia, onde operam uma estratégica base aérea. O país, ademais, é membro da Otan. Mas, as relações entre Ancara e Washington azedaram após a tentativa frustrada de golpe de Estado no mês passado. O presidente turco acusou o governo americano de apoiar o levante.

Putin e Erdogan negociam o uso por caças russos da base aérea turca hoje utilizada pelos EUA para atacar posições do Estado Islâmico na Síria, o que implicaria a retirada das tropas americanas do país. Ao mesmo tempo em que a Turquia dá uma guinada à iraniana, apontando o os EUA como o “grande satã”, o regime recrudesce o autoritarismo e as violações de direitos humanos.

Outra aliança improvável que vem se desenhando no mapa mundi geopolítico em contraposição aos EUA é expressa pela realização de operações militares conjuntas entre Irã e Rússia. Além de um acordo para a compra de armamento de última geração, inclusive usinas nucleares russas, os dois países realizaram exercícios militares conjuntos no Mar Cáspio. E o Irã autorizou na semana passada que uma bases aérea sua fosse usadas por caças russos para realizar ataques na Síria, embora a divulgação desse acordo pelo Kremilin tenha levado à sua suspensão por Teerã. Moscou e Pequim também se uniram, num pacto incomum, para realizar exercícios militares de suas marinhas no Mar do Sul da China, área que vem sendo disputada pelo governo chinês e outros países asiáticos na região.

Essas alianças na Ásia e no Oriente Médio, guardadas as devidas proporções, são espelhos de um movimento semelhante nos últimos anos na América Latina. O lulopetismo, no Brasil; o kirchnerismo, na Argentina; o chavismo na Venezuela; e o bolivarismo em geral em Equador, Nicarágua e Bolívia, ideologias autoritárias e populistas, nutriram uma retórica antiamericana, que remonta aos tempos da Guerra Fria. Menos mal que, pelo menos neste lado do planeta, tal retórica vem perdendo força.

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