sábado, 20 de agosto de 2016

Arqueologia do impeachment: as ruas estavam certas.

Artigo do historiador Marco Antônio Villa publicado na Istoé traça a arqueologia do impeachment, observando que as ruas é que deram o rumo dos acontecimentos. "Ao invés da conciliação, o enfrentamento. E estavam certas":


Depois de muita luta estamos sepultando o projeto criminoso de poder. A mobilização da sociedade civil foi o fator decisivo da vitória histórica. Não custa lembrar que a defesa do impeachment, em meados do ano passado, era considerado um sonho – ou, para alguns, uma ação irresponsável, que poderia levar o País à guerra civil. Dilma Rousseff iniciou seu segundo mandato ainda com razoável capital político. As elites empresarias continuavam satisfeitas. Não se viu à época nenhuma manifestação da oposição. Tudo indicava que o PT governaria tranquilamente por mais quatro anos. Contudo, a ânsia de poder absoluto do petismo levou a cometer um grave erro ao lançar candidato próprio à presidência da Câmara. Perderam. E ganharam em Eduardo Cunha um adversário. Foi em fevereiro. No mês seguinte, convocadas pelos movimentos independentes, em todo o País ocorreram manifestações, a 15 de março. Foi um sucesso. Em São Paulo, centro principal de oposição ao projeto criminoso petista, a avenida Paulista foi tomada, de ponta a ponta, por milhares de manifestantes.

Em Curitiba, a Operação Lava Jato continuava a pleno vapor. E atingia o coração do PT ao desvendar o maior escândalo de desvio de recursos públicos da história, o petrolão. As sucessivas revelações foram desgastando o que tinha sobrado de capital ético do PT. As provas eram evidentes – e envolviam a direção partidária, chegando até Lula e Dilma.

Porém, a oposição parlamentar fazia ouvidos de mercador. Timidamente se posicionava frente à quadrilha petista. Temia a mobilização popular – e alguns receavam serem atingidos pela Lava Jato. Mesmo após outras três grandes manifestações de rua (abril, agosto e dezembro), a oposição ainda vacilava. Dava ao PT um poder de mobilização que, há anos, não tinha. Pintava Lula como um perigoso líder de massas, o que não correspondia à realidade. Temiam os movimentos sociais, instrumentalizados pelo PT, e as centrais sindicais, ignorando o peleguismo e a escassez de apoio popular. No fundo, a oposição não queria cumprir o seu papel. Imaginava ser possível desgastar o governo, para, daí sim, vencê-lo em 2018. Era a tática equivocada adotada em 2005, quando da crise do mensalão. Mas, dessa vez, as ruas é que deram o rumo. Ao invés da conciliação, o enfrentamento. E estavam certas.

3 comentários:

ceica disse...

Vitória do povo nas ruas! Enfim livres destes PTistas corruptos.

ceica disse...

Vitória do povo nas ruas! Enfim livres destes PTistas corruptos.

Anônimo disse...

Artur Nogueira diz:
Não, não estamos livres da súcia, da corja chamada lulopetismo.
Eles estão inseridos, há muito tempo, nas instituições públicas, na mídia, nas mais de 200 estatais, nos sindicatos, na Igreja católica, etc.
Verdadeira psicopatologia do século XXI no Brasil.