domingo, 7 de agosto de 2016

Dalrymple é lembrado pelos críticos da abertura das Olimpíadas

O escritor britânico Theodore Dalrymple (pseudônimo do psiquiatra Anthony Daniels), cujos livros têm sido - felizmente - traduzidos no Brasil, é lembrado em artigo publicado no site Sulconnection. Discordo de algumas apreciações do site em relação aos "esquecidos" dos jogos (bem esquecidos, aliás), principalmente Elba Ramalho. Lamento, rapaziada, vocês ignoraram o principal: o enterro do Sul, colonizado por alemães e italianos, que foi dispensado na festança de enterro do lulopetismo e sua estética de gambiarra:

No excelente “A Vida na Sarjeta”, lançado no Brasil em 2014 pela editora É Realizações, o psiquiatra britânico Theodore Dalrymple discorre sobre como a cultura de elite em busca de vítimas e a glamourização da mediocridade acabam sendo fatores relevantes para a manutenção de certos grupos e pessoas na pobreza.

No artigo “É chique ser grosseiro”, um dos muitos presentes no livro, Dalrymple expõe que “Pela primeira vez na história as classes média e alta é que aspiram a ser tomadas pela classe social inferior, uma aspiração que (na opinião deles) necessita do mau comportamento. [...] A propaganda agora confere glamour à subclasse e a sua postura diante o mundo”. Ainda, segundo o psiquiatra, não é raro ver aristocratas de nascimento adotando posturas e expressões faciais de hostilidade a tudo e todos ou ainda renegando as pronúncias e gramática corretas da língua inglesa.

A inversão é tamanha que se nota um certo desespero por parte de pessoas que frequentaram os melhores colégios britânicos em não demonstrarem ser egressas de tais instituições; nota-se o empenho em não parecer culto e bem-educado, como se tais características fossem um demérito. Isso sem falar no relativismo pregado pelos intelectuais, propagando a ideia de que nada é melhor que nada, apenas diferente, o que acaba por fomentar a ideia de que o que é pior seria melhor apenas por ser mais popular.

Com isso, de acordo com Dalrymple, “as pessoas mais pobres foram privadas tanto de um senso de hierarquia cultural como de um imperativo moral para conformar suas condutas a qualquer padrão [...] A intelligentzia britânica, sentindo-se culpada pelos próprios antecedentes [...] sente-se obrigada a agradá-la (a subclasse) pela imitação e convenceu o restante da classe média a fazer o mesmo”, o que acaba por reduzir toda a sociedade ao menor denominador cultural comum.

E o que foi visto na abertura da Rio 2016 basicamente expôs isso que Dalrymple critica em seu texto: o nivelamento por baixo, o tratamento do comportamento da subclasse como parâmetro comportamental a ser almejado por todos, a tentativa de mostrar a cultura da subclasse como a única genuína de um povo. E tudo isso promovido pela intelectualidade local, a boa e velha intelectualidade culpada que, em vez de promover o acesso à alta cultura para as classes mais baixas, impede que as classes mais baixas descubram a alta cultura, descubram gostos e interesses distintos daqueles predominantes nas periferias.

Mais que isso, vimos na abertura olímpica os imigrantes italianos, espanhóis e alemães tendo sua relevância para a formação do povo brasileiro sumariamente ignorada e os portugueses sendo apontados como meros carrascos da colonização. Uma encenação obviamente ideológica, promovida para deslumbrar e encantar a intelectualidade esquerdista – o que incluiu um bloco Esquenta!, com Regina Casé e tudo. E isso é inegável, considerando o infeliztweet de Fernando Meirelles, no qual ele dizia com certa prepotência que abertura fora planejada para desagradar“Bolsonaros e Trumps”. 

Ademais, como pode um espetáculo que pretende celebrar a diversidade que constitui o Brasil ignorar a diversidade cultural que compõe a nação? Ignoraram o grandioso Villa-Lobos, ignoraram Chiquinha Gonzaga, ignoraram a música de raiz de cantores como Sergio Reis e Almir Sater e a belíssima Romaria de Renato Teixeira, músicos e músicas que tão profundamente tocam o brasileiro comum. Ignoraram as sanfonas, a Asa Branca de Gonzagão, ignoraram Elba Ramalho. Ignoraram a catira, ignoraram o frevo. Os verdadeiros patrimônios culturais brasileiros foram ignorados em nome da glamourização da pobreza, da malandragem, dos favoritos dos globais, da patota da Rouanet, do politicamente correto, da intelectualidade esquerdista.

Alguns dizem que “ah, mas é Rio e Rio é bossa nova, samba e funk mesmo”, mas não aceito essa escusa. Países que sediam Olimpíadas geralmente aproveitam a cerimônia de abertura para celebrar a história de seus países, a cultura de seus povos, e não apenas as características marcantes da cidade-sede. Como teria sido belo ver uma apresentação característica de cada região do país, que mostrasse a riqueza que forma a nação e uma parte histórica sobre imigrantes que constituíram o Brasil que não excluísse os imigrantes e suas respectivas origens. Preferiram reforçar o estereotipo samba-malandro-favelado com o qual o Brasil já é internacionalmente identificado, em vez de mostrar que somos muito mais que isso.

O exposto por Dalrymple aplica-se com perfeição à intelectualidade brasileira e mais ainda a maneira como fomos apresentados ao mundo por Meirelles e cia. na abertura da Rio 2016. Ainda que a pirotecnia tenha sido bela, só posso sentir vergonha pela mensagem transmitida.

6 comentários:

O MESMO de SEMPRE disse...

Tudo isso não é novidade e vejo dois padrões que se completam:

1 - A compensação da pretensa superioridade com concessões humilhantes aos pretensos mais fracos. Ostentando assim uma aparência MAGNÂNIMA somente possível aos plenamente superiores. Tais concessões validas apenas para OSTENTAÇÃO uns ante outros como auto afirmação. Em rivado fica valendo a imposição de sua pretensa superioridade seja lá em que sentido for.

Este é o caso das mesuras para o sexo feminino, onde se afirmava a fragilidade e mesmo inferioridade feminina dedicando-lhe privilégios e tratamento de extrema concessão, exibindo grande comiseração para com elas. Porém, em privado o homem a tiranizava e proibia-lhe decisões.b Afinal um "ser fragil e inferior" deveria viver sob a "proteção" da superioridade masculina, devendo-lhe gratidão e SUBMISSÃO.

2 - A compensação à dor da inveja ao estabelecer uma MORAL onde tudo que é forte, inteligente, belo, rico, firme e digno, qualquer razão de ORGULHO, tornou-se moralmente inferior. Assim, o BEM VIVER tornou-se um motivo de inferioridade moral. Sim, pois na moral estabelecida se tem que louvar a DOR como motivo de MÉRITO. Ou seja, a pobreza, a fraqueza, a feiura, a deficiência e etc., diga-se o MAL VIVER, tornou-se meritório na moral propagandeada.

Assim, com essa moral sob medida para os recalcados e inconformados com o fracasso em suas ambições e consequente feridos em sua vaidade tanto maisor suas ambições e insegurança sobre a opinião sobre si próprio. Afinal, para o vaidoso a ambição de superioridade é imensa ao ponto de uma MANIA. Assim a frustração fomenta a INVEJA que nada é senão um ardente desejo de que NINGUÉM perceba a INFERIORIDADE percebida por si mesmo e POR TAL o desejo doentio de DESTRUIR TUDO QUE É INVEJÁVEL ou pelo menos DESTRUIR TAIS VALORES como VALORES, glamurizando tudo que é inferior como se superior fosse. ESSA É A VINGANÇA dos INVEJOSOS, daqueles que não se conformam com a OPINIÃO que possuem SOBRE SI MESMOS e que tentam compensa-la MOLDANDO a OPINIÃO ALHEIA SOBRE SI.

No final das contas, em AMBAS observações, em privado reconhecem os VALORES OBJETIVOS que tentam SUBVERTER através de SUBJETIVIDADES PROPAGANDEADAS ou MASSIFICANTES pela REPETIÇÃO INSISTENTE, embora descolada da realidade: a LAVAGEM CEREBRAL.

silvio cavalheiro disse...

eu também tinha essa opinião, até ouvir uma explicação que a olimpíada é da CIDADE DO RIO DE JANEIRO, é sobre ela e suas esquisitices, que a abertura teria como tema. somente isso, justifica a regina casé; a idolatria das favelas; o funk, as alegorias à la escolas de samba; etc.

lgn disse...

Um flagrante contramão com as conquistas do conhecimento. O sentido e a velocidade com que se buscam aperfeiçoamentos através da tecnologia expõem claramente essa dicotomia. Cada vez mais temos confortos materiais em detrimento da qualidade humana. Não está longe de se perceber que a tecnologia servirá ao crime como uma luva a se continuar com essa cretinice. O homem está perdendo o senso do razoável, matando rapidamente o bom senso sem se dar conta para onde está levando a sociedade. Uma inversão de valores que custará caro a todos e somente quando ela chegar ao ápice haverá possibilidade de reversão. O sofrimento parece ser a válvula que comanda esse retorno à moral e a ética. Parodiando Lula, nunca antes homens tão medíocres estiveram comandando toda uma sociedade. E nunca uma sociedade aceitou ser levada á situação de miséria espiritual.

lgn disse...

Há na matemática o que se chama demonstração por absurdo. Observo no aparecimento do marxismo as condições necessárias e suficientes para demonstrar que essa vertente ideológica tem essa finalidade. Onde quer que ele seja aplicado, ao longo do tempo, as condições demonstram claramente sua inaptidão às condições humanas. Fosse apenas uma teoria e tudo estaria razoavelmente posto, mas ela demonstra sua falsidade através da dor, do sofrimento, da escassez. Pode ocorrer também que o marxismo não passe de uma foram de expiação, de catarse, para um incremento de consciência no homem. Toda vez que se toma esse caminho a realidade mostra,inequivocamente, que não é por aí.

Blue Mary disse...

Não assisti a abertura pois já previa que seria isto, hoje o ódio ao europeu e ao branco é a tônica da mainstream mídia no mundo todo. O Brasil seria mostrado como uma imensa Africa, os Estados Unidos já são retratados assim, os brancos são mostrados como colonizadores cruéis. Faz tempo que para esta elite brasileiro é sinônimo de negro ou mestiço. Basta ver os comerciais dos patrocinadores da Olimpíada a maioria é gravado fora e os protagonistas (retratados como brasileiros) são negros e mestiços.

Anônimo disse...

O ponto mais decepcionante da cerimônia de abertura foi a execução do Hino Nacional. O demérito não é do Paulinho da Viola. O Hino foi cantado fora do andamento do que a lei determina. Se cantado, deve-se cantar as duas partes. Só a primeira parte, no caso de ser orquestrado, além do que a execução tradicional teria muito mais brilhantismo, com todos os presentes participando. Ficou um hino chocho. Lamentável.