terça-feira, 13 de setembro de 2016

A derrota do leninismo tropical: em defesa de um governo republicano.

Em artigo publicado no jornal O Globo, o historiador Marco Antônio Villa faz uma crítica do governo Temer, reconhecendo onde acertou e onde está errando  - e sugere algumas iniciativas que é preciso tomar. Exorta Temer a nada temer: "a maioria da população brasileira quer que seu governo dê certo":


O governo Michel Temer tem apenas duas semanas. Não parece. Dá sinais de envelhecimento precoce. O curioso é que a área econômica vai bem. O mesmo se aplica às relações exteriores. Já no restante dos ministérios vai muito mal. A falta de coordenação política sinaliza para a sociedade que Temer ainda é apenas o presidente interino. Cada ministro administra a sua pasta como se não houvesse uma autoridade maior, o presidente da República. Continuam enclausurados, não viajam, não divulgam suas ações e, mais grave, priorizam cada um o seu projeto político. Assim, o ministério assemelha-se a uma federação de ministros, isolados uns dos outros, sem uma ação coletiva.

Paradoxalmente, a relação com o Congresso Nacional vai bem. Temer tem maioria nas duas casas. Até o momento, a desarticulação no interior do governo não se refletiu no outro lado da Praça dos Três Poderes. Mas a necessidade de dar um rumo seguro é indispensável para garantir apoio congressual às reformas e demais ações do governo. Nenhum Congresso apoia presidente fraco — ou, quando isto ocorre, há uma sarneyzação, uma paralisia do Executivo. E na situação que vivemos — em plena depressão econômica — não há cenário pior que esse. A economia necessita da estabilidade política. É uma condição sine qua non para retirar o país da crise e buscar, no ano que vem, um crescimento positivo do PIB.

Hoje, a instabilidade não é produto da insatisfação na sociedade. As ações do PT e de seus asseclas eram esperadas. Afinal, perderam milhares de cargos na estrutura de Estado e as facilidades para negócios lesivos ao interesse público, como vimos no mensalão e no petrolão. Não há resistência ideológica. Nada disso, a resistência é financeira. Perderam a boquinha, daí a ira. No conjunto da sociedade, as manifestações têm pouco expressão. Mas desqualificá-las significa dar a elas um protagonismo que não têm. Depois do impeachment, a sociedade aguarda um governo responsável, atuante, que respeite as leis, garanta a ordem pública e que enfrente a crise. A preocupação do governo não deve ser com os representantes do derrotado projeto criminoso de poder. Não. Seu foco é o povo brasileiro, especialmente os pobres, os que mais sofrem com a crise produzida pelo petismo.

É inegável que a tarefa de Michel Temer não é fácil. O panorama de hoje é muito distinto em relação à 1992. Naquele momento, Itamar Franco assumiu e formou um governo de união nacional. Permaneceram na oposição o PT e Antonio Carlos Magalhães. Agora, a situação é mais complexa. O PT não é o PRN. Dilma conseguiu 20 votos contra o impeachment, Collor apenas três. E o leninismo tropical tomou durante 13 anos e cinco meses o aparelho de Estado. Usou, abusou e deixou na estrutura estatal seus militantes-funcionários não só nos cargos de confiança, mas também como servidores concursados. Despetizar o Estado é tarefa essencial não apenas para o sucesso do governo, como também para a sobrevivência da democracia no nosso país.

É inegável que nestas duas semanas o governo se comunicou mal, muito mal. Os boatos espalhados pelo PT tomaram conta do país. E a pecha de que Temer pretende acabar com os direitos sociais e trabalhistas acabou assumindo ares de verossimilhança. É evidente que o país precisa urgentemente das reformas. A questão central é como construí-las dialogando com a sociedade e apresentando seus benefícios. Isso é mais importante do que obter — o que não acontecerá — o apoio das centrais sindicais. Enfrentar as corporações é uma tarefa democrática. Mas é preciso demonstrar que governa para todos e que não admite qualquer tipo de privilégio, independentemente de quem é favorecido.

O Ministério é ruim. Necessita ser modificado. A justificativa para a sua formação — a aprovação do impeachment — já passou. Os ministros têm de estar afinados com as reformas e com o espírito do governo. E serem competentes, o que poucos são. Por outro lado, o presidente tem de evitar, neste momento, deslocamentos ao exterior. A viagem à China foi em má hora e teve um péssimo efeito interno. Foi um anticlímax após a grande vitória do impeachment. Quem assumiu? Rodrigo Maia. Muitos se perguntaram: Rodrigo o quê? E agora Temer ameaça ir à ONU. Que importância tem discursar na ONU? E, pior, na eventual ausência de Maia, quem assumirá o governo será Renan Calheiros!

Ainda há tempo para Temer efetuar os acertos necessários. Necessita apresentar ao país a situação em que encontrou o governo. É fundamental retirar do PT a bandeira recém-alçada de defesa dos direitos dos trabalhadores. Entregaram o país com 12 milhões desempregados e em meio à maior crise econômica da nossa história. É preciso se lembrar da Lava-Jato e de que altos dirigentes petistas foram condenados pela Justiça, alguns pela segunda vez em um lustro — como José Dirceu.

Faz bem para o governo exercer a autoridade — e ainda mais ao Brasil. É preciso dar um basta à baderna. Os criminosos derrotados pelo impeachment não podem ditar o ritmo das mudanças. São uma minoria barulhenta, é verdade, mas apenas uma minoria. Cabe ao governo assumir a direção das reformas, explicá-las à população, convencer os brasileiros de que elas são indispensáveis para o futuro do país. Mas também deve mostrar que não transigirá frente ao grande capital espoliador. Tem de eliminar as benesses recebidas pela burguesia petista, a do capital alheio. E pode começar esta tarefa revelando os criminosos empréstimos do BNDES.

Michel Temer, não tema. A maioria da população brasileira quer que seu governo dê certo.

4 comentários:

O MESMO de SEMPRE disse...

O grande fato é que a POLITICA do OCASO do IMPÉRIO ROMANO prevalece até os tempos atuais:

A invenção do cristianismo se deu exatamente na decadência do Império. Afinal o Império cresceu demais e as disputas internas pelo Poder e o ALTO CUSTO de o "Estado" manter-se hegemônico na conquista de mentes e corações tornou-se tarefa impossível. Assim, a idéia foi EMULAR SUN TZU e partir para a infiltração e para a difusão da CIZÂNIA na "tropa inimiga" sem esquecer da PRESSÃO MORAL para DESANIMAR o inimigo ou enfraquece-lo moralmente.

Essa estratégia se deu exatamente porque já não havia mais grandes conquistas a serem feitas para saquear novos povos. Devido a isso os custos do PODER deveriam ser cobrados da própria população, que poderia rebelar-se ainda mais com mais elevação de impostos - atente-se para tal fato na Bíblia, que menciona a questão impostos como descontentamento do povo, assim a bíblia quando não os apoia ou disfarsa sua opinião com evasivas.

A estratégia do SINCRETISMO com o judaísmo em uma nova ideologia farisaica inventada para o momento político, estabeleceu a divisão e o antagonismo dentre a ppropria população através de uma NOVA MORAL que não mais insensaria o GUERREIRO, mas sim o insensando o ESCRAVO.

Com essa nova estratégia, baseada na pressão moral, o objetivo era induzir a população pagadora de impostos a ACEITAR A SUBMISSÃO como um valor moral. Ao mesmo tempo induzia-se a maioria da população a ANTIPATIZAR COM OS RICOS PAGADORES DE IMPOSTOS. Assim surgiu o falatório contra a GANÂNCIA, contra a AVAREZA e contra o EGOÍSMO. Foi exatamente a estratégia de FABRICAR INIMIGOS para FAZER AMIGOS: se "João é seu inimigo, junte-se a mim na luta contra João". Com isso a sociedade dominada pelo governo romano foi dividida através da MANIPULAÇÃO aproveitando-se da VAIDADE HUMANA (onde todos querem ser possuidores dos "valores" propagandeados e deixam-se manipular, fazem a vontade alheia, para se enquadrarem nos valores que lhes são oferecidos em troca da anuência).

O governo romano não mais precisava de uma MORAL do GUERREIRO para empreender conquistas de outros reinos e povos para serem dvencidos e saqueados, mas sim precisava da MORAL do ESCRAVO para inibir reações de seu próprio povo contra o governo que o explorava. Daí a NOVA IDEOLOGIA, que "salvaria os fiéis para um Paraíso e mandaria os malvados para o inferno" atribuiu mérito à pobreza (majoritária) e demérito à riqueza dos avarentos e ganânciosos, egoístas malvadões que se revoltavam contra os elevados IMPOSTOS e mesmo eram responsabilizados pela elevação do preços (inflação de preços) devida ao governo misturar outros metais ao ouro e prata para assim aumentar seu acesso aos bens em oferta. Evidentemente um Império decadente, envolto em grandes custos para sua manutenção e em meio a disputas políticas pelo Poder não poderia valer-se de outra alternativa que não a de DIVIDIR o a SOCIEDADE para ASSIM DOMINA-LA e EXPLORA-LA.

A nova ideologia em seu necessário sincretismo com ideologia vigente (judaísmo) passou então a estabelecer uma nova moral onde o VALOR estaria na SERVIDÃO e no desprezo por si mesmo. O altruísmo - negar a si em benefício alheio - deu origem ao COLETIVISMO, onde o valor moral é SERVIR ao coletivo sobretudo em detrimento próprio. Sendo moralmente depreciativo o egoísmo, onde o indivíduo não admite favorecer os demais ao custo do desfavorecimento próprio. Não confundir egoísmo com egocentrismo. Pois egocentrismo é exatamente quando o indivídu almeja SERVIR-SE dos OUTROS.

Dialéticamente o e nem tão paradoxalmente o ALTRUÍSMO incentiva o EGOCENTRISMO, uma vez que atribui ao necessitado um arbiotrário direito sobre os outros. A reivindicação desse "direito cristão" é exatamente o exercício do EGOCENTRISMO.

...continua

O MESMO de SEMPRE disse...

Em tal caldeirão politico não surpreendeu que os cristãos se tenham unido aos bárbaros a fim de se alçarem ao Poder do "Estado", até porque os bárbaros também possuiam um "Paraíso" como prêmio ao guerreiro - o Walhala - e nesse emaranhado ideológico onde CONTRADIÇÕES se COMPLEMENTAM em OXIMOROS bem aceitos, o resultado foi a perseguição aos infiéis por parte daqueles cujo deus e líder moral pregava "oferecer a outra face a quem o agride". Daí implantando-se os novos REIS e hierarquia da NOBREZA que abolindo a propriedade das terras transformou os camponeses em SERVOS de GLEBA. Sob a moral de que SERVIR aos UNGIDOS de DEUS lhes atribuia valor moral e salvação os SERVOS de GLEBA eram EXPLORADOS pelo novo sistemna de governo. Um novo sistema onde as perseguições e as piores torturas foram dialeticamente patrocinadas por uma ideologia que preconizava o "oferecer a face direita a quem lhe bate na esquerda", "dar a quem te pedir", "se roubarem o que é teu não o reclames" em plena defesa da INOFENSIVIDADE. Parece paradoxal, mas é apenas SUN TZU: abalar o moral da tropa alheia ou tornar o inimigo inofensivo.

Este foi o objetivo da invenção do cristianismo:
Tornar o povo moralmente abalado e cheio de culpa, desmotivado para reaguir contra seu algoz (governo) e orgulhoso de sua SERVIDÃO.

O cristianismo é a MORAL do ESCRAVO, que valoriza a servidão como uma glória.

Anônimo disse...

E falando em relações internacionais, tem gente que não aprende:
http://noticias.ufsc.br/2016/09/celso-amorim-e-o-convidado-para-aula-magna-de-relacoes-internacionais-dia-21/

roberto7c disse...

A partir de hoje vou publicar esse golpe até detonar o meu teclado.

Controle do Gasto Público

O golpe do controle do gasto público, "o Produto Interno Bruto (PIB) no período de 2000 a 2012 cresceu 273,3%. Na mesma base de comparação, o aumento na carga tributária per capita foi de 284,3% e a inflação (IPCA), apenas 137,9%,~o dobro, muito dinheiro para fazer a alegria do mercado financeiro, em apenas 12 anos, imaginem em 20 anos e dane-se a população.