sábado, 17 de setembro de 2016

A lógica perversa da alta dos juros

Sob a alegação de aumento da inadimplência, os juros dos empréstimos estão em patamares estratosféricos, principalmente no cheque especial e cartão de crédito, que abrem facilidades. Editorial do Estadão:


Nova elevação das taxas de juros cobradas das empresas e das pessoas físicas – a 23.ª alta mensal consecutiva – foi registrada em agosto pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Mas, ainda que as instituições financeiras tentem justificar a prática de juros crescentes com o aumento do risco de inadimplência e com a deterioração da situação financeira dos tomadores, são claros os males que taxas altíssimas provocam na economia, retardando a retomada e afetando o emprego.

A taxa média mensal cobrada das pessoas físicas em seis tipos de crédito (comércio, cartões, cheque especial, CDC, empréstimos pessoais em bancos e em financeiras) atingiu 8,13% em agosto, correspondendo a 155,48% ao ano. Em relação a agosto do ano passado, a taxa avançou quase um ponto porcentual (era de 7,14% ao mês ou 128,78% ao ano), num período em que ficou inalterada em 14,25% ao ano a taxa básica de juros.

Em geral, os bancos são seletivos na oferta de crédito, mas reportagem do Estado mostrou as facilidades disponíveis para os tomadores das linhas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial. “O crédito pré-aprovado já está na conta, não precisa de autorização, e o consumidor acaba sendo fisgado pela facilidade e se enrola facilmente”, alerta Renata Pedro, técnica da Proteste. Os juros do cheque especial são em média de 12,16% ao mês e do rotativo do cartão de crédito, de 15,29% ao mês ou 459,53% ao ano, a maior taxa desde outubro de 1995.

As empresas também pagam juros altíssimos, média de 4,75% ao mês ou 74,52% ao ano, comparados aos 4,09% ao mês e 61,77% ao ano cobrados em agosto do ano passado. O menor custo é o das operações de capital de giro (2,74% ao mês) e o maior, das contas garantidas, espécie de cheque especial das empresas, de 8,29% ao mês ou 160,05% ao ano.

Em todos os casos, são juros cobrados nos mercados livres, o que explica a demanda pela alternativa: empréstimos direcionados com taxas reguladas ou subsídios como no crédito rural, imobiliário ou linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os níveis vigentes dos juros do crédito livre são incompatíveis com a renda da maioria das famílias ou com os resultados das empresas. Para os tomadores, parece longe do fim a espera pela queda da inflação e do juro básico para que recuem também as taxas do mercado.

Um comentário:

TERMINATOR disse...

Resumo da ópera: podem montar sem dó nas costas dos bananeiros que eles podem até dar alguns pulinhos mas depois vão ficar mansinhos, mansinhos...