segunda-feira, 12 de setembro de 2016

PF investiga pagamentos a "garçom de Lula" e sobrinho de Delfim Netto

Barbaridade! A podridão envolve até o garçom do tiranete. Segue matéria do Estadão:


A Polícia Federal negocia com donos da Schahin uma nova colaboração premiada, nas investigações da Operação Lava Jato, em Curitiba. O objetivo é esclarecer pagamentos identificados do grupo empresarial para investigados como Carlos Roberto Cortegoso, segundo maior fornecedor da campanha de reeleição de Dilma Rousseff, e para o sobrinho do ex-ministro do milagre econômico, Delfim Netto.

Um dos donos do Grupo Schahin confessou ter feito, em 2004, empréstimo de R$ 12 milhões para o PT, em nome do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos destinos do dinheiro, segundo descobriu a Lava Jato, foi o empresário de Santo André (SP) Ronan Maria Pinto – condenado por corrupção no governo do prefeito assassinado Celso Daniel (PT) -, que usou parte do valor para a compra do jornal Diário do Grande ABC.

O caso virou processo criminal, aberto pelo juiz federal Sérgio Moro e tem como réu, ainda, o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares – ambos também pegos no mensalão. Nesta segunda, o publicitário Marcos Valério será interrogado, em Curitiba, pelo juiz da Lava Jato. Ele participou da lavagem desses recursos.


Paralelo à ação penal, em fase final, a Lava Jato tem um inquérito que tem a Schahin como alvo e pode ampliar os focos de investigação sobre envolvimento em corrupção na Petrobrás e fora dela. Desde julho, no entanto, o delegado Filipe Hille Pace, da equipe da PF em Curitiba, comunicou a defesa do grupo para uma reunião para tratar de eventual colaboração complementar.

Nela, o delator ou outro executivo do grupo teriam que explicar os pagamentos feitos a um grupo de 13 empresas considerados suspeitos de ocultarem propinas, em inquérito com laudos periciais ainda pendentes.

A PF informa em despacho que foi requisitado perícia financeira e contábil sobre os pagamentos feitos pelo Grupo Schahin e por consórcios que suas empresas integram. Apesar do laudo não ter ficado pronto, o delegado relaciona “algumas transferências realizadas pelo grupo Schahin a empresas já investigadas na Operação Lava Jato, bem como a outras que, ao que parece, podem ter sido utilizadas de maneira ilícita”.

Entre elas a CRLS Consultoria e Eventos, de Cortegoso, a LS Consultoria Empresarial Agro Pecuária e Comercial, de Luiz Appolonia Neto, sobrinho de Delfim que já confessou usar a firma para receber valores para o tio, e outras como a Rock Star Marketing e a Rock Star Produções Comércio e Serviços, do lobista e operador de propinas Adir Assad, e a Oliveira Romano Sociedade de Advogados, do ex-vereador do PT e delator Alexandre Romano, o Chambinho.


Delação. Salim Schahin fechou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, no âmbito da ação penal em que foi acusado junto com o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, pelo empréstimo fraudulento dos R$ 12 milhões ao PT, pago ao banco de forma ilícita com contrato dirigido da Petrobrás para operação do navio-sonda – usado para exploração de petróleo em alto mar – Vitoria 10000, em 2009, negócio de US$ 1,6 bilhão.

O empresário afirmou no processo que Bumlai levou a reunião com o banco o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que teria dito que o empréstimo estava “abençoado” por Lula. Delúbio também é réu e será ouvido nesta segunda por Moro.

“O delegado informa a defesa do grupo que, “nada obstante a celebração de acordo de colaboração premiada com Salim Taufic Schahin”, “há interesse público, sob o ponto de vista da presente investigação criminal conduzida pela Polícia Federal, em que sejam esclarecidos possíveis relacionamentos da Schahin com pessoas físicas e/ou jurídicas que possam ter praticado e/ou auxiliado na prática de, dentre outros, crimes no âmbito da Petrobrás”.

Provas. Em despacho de 8 de julho, o delegado defende o instrumento da colaboração premiada e o direito da polícia fazê-lo. “Esclareço que a colaboração premiada é técnica de investigação, verdadeiro meio de obtenção de provas, não sendo um mero fim em si mesmo e tão pouco o único elemento a ser utilizado para fundamentar propositura de ações penais e eventuais condenações criminais”, registra o delegado Pace.

“Nesse sentido, por prerrogativa que lhe é conferida por lei e pela plenitude das atribuições constitucionais investigativas expressamente conferidas à Polícia Federal, esclareço que serão realizadas tratativas visando a possibilidade de celebração de acordo de colaboração premiada com executivos do grupo Schahin.”


PT. Os pagamentos para Cortegoso são um risco para o PT. Conhecido como o “garçom de Lula”, o empresário de São Bernardo do Campo virou o fornecedor principal dos palanques e materiais de campanha para o partido. Na disputa de reeleição em 2014, recebeu R$ 24 milhões dos petistas – valor abaixo apenas dos R$ 73 milhões pagos ao marqueteiro João Santana.

Cortegoso presta serviços para o PT, principalmente, por sua empresa Focal Comunicação Visual. A CRLS foi aberta em 2009 e passou a movimentar valores acima dos declarados. O empresário é réu em processo aberto em São Paulo, resultado da Operação Custo Brasil, que apurou corrupção e desvios em contratos de empréstimos consignados dos servidores federais, via Ministério do Planejamento. O ex-ministro Paulo Bernardo chegou a ser preso.


O ex-ministro – e sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) – são acusados de receberem propinas da empresa Consist Software, pelo contrato milionário intermediado pelo ministério. A CRLS, de Cortegoso, foi uma das empresas que teria recebido os valores dessa corrupção, na cota que era dirigida ao PT, segundo acusa o Ministério Público Federal, em São Paulo. A apuração do suposto envolvimento da senadora com o caso corre em Brasília, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fornecedores. Além de doações oficiais usadas para ocultar propina das empreiteiras beneficiadas com contratos na Petrobrás, a Lava Jato descobriu que pagamentos de fornecedores dos partidos e suas campanhas eram feitos como forma de movimentação do dinheiro da corrupção da Lava Jato e da Custo Brasil.

Cortegoso e o marqueteiro do PT, João Santana, foram dois dos supostos beneficiados pelo esquema, sustentam os procuradores da Lava Jato e da Custo Brasil – aberta como desmembramento das investigações do escândalo Petrobrás.

COM A PALAVRA, DEFESA DA SCHAHIN

O criminalista Guilherme San Juan Araújo, que defende os irmãos Salim e Milton Schahin, informou que não poderia comentar o caso. (Continua no Estadão).

Um comentário:

Anônimo disse...

12 de SETEMBRO É MAIS IMPORTANTE QUE 31 DE AGOSTO - O MAREMOTO POLÍTICO.
Aparentemente, poucos analistas políticos se dão conta ou concordam com aquilo que eu venho repetindo há alguns dias: 

HOJE é, do ponto de vista do futuro do Brasil, um dia mais importante do que aquele em que Dilma Rousseff sofreu impeachment. 

Dilma, quando caiu, já não tinha mais importância nem mesmo dentro do seu próprio partido (se é que algum dia teve). Seus contatos eram nulos. Ela não corre risco IMEDIATO de ir para cadeia e, aparentemente, não vai delatar ninguém. Mais do que isso - não coloca em risco o Governo Temer se contar aquilo que sabe. 

Com Eduardo Cunha a situação é COMPLETAMENTE diferente. Ele será cassado, sim. O STF Petralha não vai defendê-lo como fez com Lula e Dilma e ele VAI para cadeia. Quando isso acontecer, teremos um maremoto político no Brasil. 
Postado por Milton Simon Pires