terça-feira, 25 de outubro de 2016

Até quando Renan será mimado?

O senador Renan Calheiros começou a vida política em Alagoas ligado ao obsoleto PCdoB e depois, mudando de partido, foi se firmando como liderança que age em nome de si próprio, servindo - e sendo mimado - por vários governos. Já é hora de dar um basta a tanto mimo (ainda mais às custas do contribuinte). Texto de Mário Sabino:


Renan Calheiros é o garoto mimado da República. Como todo garoto mimado, ele só tem um lado: o seu próprio.

Fernando Collor o projetou nacionalmente como líder do governo. Quando veio à tona o esquema de PC Farias, Renan abandonou o barco e se salvou.

No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, foi presenteado com o Ministério da Justiça. Sim, você talvez não se lembre, mas Renan Calheiros foi ministro da Justiça de FHC — e, com isso, ganhou respeitabilidade, digamos, e aumentou a sua influência.

Sob o PT, Renan Calheiros se tornou um garoto ainda mais voluntarioso, porque se vendeu como essencial para a governabilidade. Virou um dos meninos donos da bola.

No segundo governo Lula, para não ser cassado depois que descobriram que ele pagava a pensão de sua amante com dinheiro da Mendes Júnior, renunciou ao mandato de senador — e voltou, mimado pelas generosas urnas alagoanas.

Até o último momento, Renan Calheiros foi acarinhado por Dilma Rousseff. Atraído por Michel Temer, ele fez doce, mas acabou votando pelo impeachment da petista.

Sob o PMDB, ele continua a ser considerado “peça estratégica”. Todos dizem em Brasília que, sem Renan Calheiros, é impossível passar as reformas e governar o Brasil. Eu acho que, também por isso, ele é mimadíssimo pelo STF. Renan Calheiros tem oito inquéritos que correm no tribunal. Quer dizer, que andam a passo de tartaruga ou estão completamente parados.

Acuado pela prisão dos cangaceiros legislativos pela Polícia Federal, Renan Calheiros acusou a PF de “fascismo”, afirmou que o magistrado que emitiu o mandado era um “juizeco de primeira instância” e chamou o ministro da Justiça de “chefete de polícia”.

Hoje, noticiou-se que Michel Temer “acalmou” Renan Calheiros.

Até quando o veremos ser mimado (e com o nosso dinheiro)?

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