segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Atenção, retrógrados doutrinadores do Pedro II: China ignorou o aniversário da Revolução Cultural.

Texto de Christopher Bodeen, correspondente da Associated Press em Pequim, afirma que o "marco histórico" do sanguinário maoísmo passou praticamente ignorado pelos jornais chineses. Aqui, como se sabe, doutrinadores do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, celebraram o aniversário. Tomem, estúpidos ideológicos:


Há exatos 50 anos, a China iniciava aquilo que ficou formalmente conhecido como Grande Revolução Cultural Proletária, uma década de tumultos lançada por Mao Tse-tung para reviver os ideias comunistas e forçar um igualitarismo radical.

O marco histórico passou em geral ignorado pela mídia chinesa, refletindo a delicadeza persistente de um período que mais tarde foi declarado catastrófico.

Em 16 de maio de 1966, o Politburo, órgão dirigente do Partido Comunista, que governa a China, se reuniu para expurgar um quarteto de funcionários que haviam caído em desgraça junto a Mao. A reunião resultou em um documento que anunciava o início da Revolução Cultural, um esforço de uma década de duração para promover a guerra de classes e alistar a população em movimentos políticos de massa.

O início da Revolução Cultural não foi alardeado e nem era compreendido amplamente, na época. No entanto, em breve o movimento começou a seguir uma agenda caracterizada por extrema violência e levou à queda de funcionários importantes, disputas entre facções, comícios de massa e ao exílio rural de jovens de alto nível educacional. O processo terminou por ameaçar severamente a legitimidade do domínio do Partido Comunista.

VESTÍGIOS

A despeito do repúdio formal do partido ao movimento, cinco anos depois de seu fim, vestígios da Revolução Cultural continuam a ecoar no sistema político autoritário da China, na intolerância à dissidência e no apoio acrítico à liderança, disse a experiente jornalista Gao Yu, que em 1966 era estudante universitária.

Gao disse que seu entusiasmo inicial pela Revolução Cultural desapareceu depois que fanáticos Guardas Vermelhos invadiram sua casa e acusaram seu pai, no passado um importante líder do partido, de deslealdade a Mao. A violência do período era impossível de evitar, ela disse. "Vi muitos professores respeitados sendo espancados, nas universidades e escolas", afirmou Gao.

O movimento era menos uma disputa política de alto perfil do que uma imensa campanha contra a humanidade. Crítica persistente do partido, Gao, 72, foi autorizada a voltar para casa no ano passado por motivos médicos, em liberdade condicional, depois de ser condenada por violação da lei de segredos oficiais ao publicar um documento do partido sobre controles ideológicos.

Gao e outros dizem que ainda persiste cinismo na sociedade chinesa por obra da Revolução Cultural, quando estudantes eram estimulados a denunciar figuras poderosas, entre as quais professores e até mesmo seus pais. A moral e política tradicionais foram alvos de ataque, e templos budistas foram depredados ou destruídos.

NOSTALGIA E TÍMIDAS COMEMORAÇÕES

Não foram realizados eventos oficiais para celebrar o aniversário da segunda-feira, ainda que os neomaoístas tenham realizado celebrações fechadas. Muitos deles são motivados pela nostalgia por uma era mais simples, e se sentem alienados pela crescente disparidade de riqueza causada pela adoção da economia de mercado por um governo que abandonou a antiga economia de planejamento central, que garantia empregos e assistência aos cidadãos mesmo que a pobreza fosse generalizada.

Os jornais monitorados em Pequim não publicaram virtualmente coisa alguma sobre o aniversário a não ser pequenos artigos sobre a demanda por antiguidades que datem da era.

Estimulados por vagos pronunciamentos de Mao, estudantes e jovens trabalhadores, sempre carregando o famoso Livrinho Vermelho que expunha os pensamentos do líder, formaram facções rivais da Guarda Vermelha, a partir de 1966, e elas combatiam entre si quanto à pureza ideológica, ocasionalmente usando armas pesadas tomadas das forças armadas. Pouca gente tentava se opor a eles, dada a aprovação de Mao e a popularidade de slogans tais como "a revolta é justificada" e "revolução não é crime".

A crescente violência posteriormente forçou os líderes a empregar o exército para reafirmar o controle das autoridades, já que muitas funções do governo estavam suspensas e líderes veteranos do partido haviam sido enviados a fazendas e fábricas para trabalhos forçados, ou estavam detidos em cadeias improvisadas.

Para pôr fim à violência e ao caos, milhões de estudantes foram enviados ao campo para trabalhar e viver com o camponeses, entre os quais o atual presidente Xi Jinping, que viveu em uma caverna por diversos anos, na província de Shaanxi, de onde vem sua família.

Boa parte do país esteve em pé de guerra no período, com Mao cada vez mais debilitado e as relações tensas com a União Soviética, antiga aliada da China, resultando em choques de fronteira. Radicais aliados à chamada Camarilha dos Quatro, formada por Jiang Qing, a mulher de Mao, e seus aliados, lutavam com representantes da velha guarda do partido, desesperados por acabar com o caos na economia, nas escolas e nas instituições do governo.

O FIM

A Revolução Cultural por fim acabou com a morte de Mao, em 9 de setembro de 1976. Logo depois, Deng Xiaoping emergiu como líder supremo do país, dando início a quatro décadas de desenvolvimento e ao repúdio gradual do marxismo ortodoxo. A China encerrou oficialmente o período com um documento do Partido Comunista aprovado por Deng em 1981, declarando que a Revolução Cultural havia sido uma catástrofe para a nação mas em geral inocentando Mao, cujo retrato continuar a enfeitar o mitológico Portão de Tiananmen, no coração de Pequim, e consta das cédulas do dinheiro chinês.

O currículo nacional oferece aos estudantes um relato mínimo dos acontecimentos, ainda que diversos dos antigos guardas vermelhos tenham escrito sobre suas experiências e alguns tenham se desculpado diante das pessoas que perseguiram.

A despeito do silêncio oficial, os últimos anos viram uma ascensão das discussões informais, online, em revistas privadas e em ocasiões sociais, por parte daqueles que viveram esses acontecimentos. Canções e óperas revolucionárias do período também continuam populares, embora hoje muitas vezes divorciadas de seu contexto original. (FSP).

Um comentário:

Anônimo disse...

Enquanto isso, 200.000 cristãos protestam nas ruas de Paris.

http://shoebat.com/2016/10/17/200000-christians-take-the-streets-of-paris-and-fight-against-the-religion-of-the-antichrist-and-the-enemies-of-christianity/

Atentem para o surgimento do 4º reich na Alemanha e sua a aliança com os muçulmanos.