domingo, 23 de outubro de 2016

Ideologia é coisa de autoritários e seus currais

Vi que alguém acessou um antigo post, do qual nem me lembrava, sobre Kenneth Minogue. As ideias do filósofo, praticamente desconhecido no Brasil, continuam atualíssimas. Ideologia para quê? Segue o post de 2012 (Minogue faleceu no ano seguinte):

Professor na London School of Economics, o neo-zelandês Kenneth Minogue (que, no Brasil, conta com apenas um opúsculo traduzido - excelente, aliás) traça uma importantíssima distinção entre doutrinas políticas e ideologias. Aí vai um trecho esclarecedor:

"As ideologias, em contraste com as doutrinas políticas, reivindicam uma verdade exclusiva. Elas explicam não apenas o mundo, mas as falsas crenças dos adversários também. Os ideólogos possuem o conhecimento há muito buscado sobre como abolir a política e criar a sociedade perfeita. Como se poderia colocar à prova tal pretensão? O próprio Marx escreveu nas suas Teses sobre Feuerbach, de 1846, que os problemas teóricos encontravam solução na prática. O caráter lógico do marxismo, como de outras ideologias, é por esse teste revelado nas ações dos seus seguidores quando chegam ao poder. O que invariavelmente fizeram foi instituir um reino da verdade, no qual a discussão desaparece e nada além da ideologia é ensinado nas escolas, universidades, meios de comunicação, tribunais, em toda parte. E essa característica do marxismo é uma verdade universal não afetada pela cultura. Entre os hispano-americanos de Cuba, em muitos Estados da África, na China e sobretudo na União Soviética, até a sua extinção, adotou-se exatamente a mesma política, pois ela decorre diretamente da própria ideologia."
(Política - uma brevíssima introdução, RJ, 2007).

Essa distinção, obviamente, não é feita nas universidades brasileiras, sempre servis às ideologias. E nem é feita pelos partidos políticos.

Um comentário:

Roberto Vieira Cavalcanti disse...

Boa noite Tambosi, o tempo urge, reproduzo comentário feito hoje em:

http://www.diariodopoder.com.br/artigo.php?i=46043195616

"Roberto Vieira Cavalcanti · Belo Horizonte, Brazil
"Tá negativo, tá desfavorável", tá tudo dominado.

Até hoje não vi ninguém da imprensa, aqueles blogs que lutaram pelo impeachment, oantagonista, que se transformou no o FINANCISTA, que chegou ao cumulo de propor um abaixo assinado pela aprovação da PEC, para sacrificar a população em benefício dos banqueiros, o Reinaldo Azevedo, que passou a ser o bloguista politicamente correto e não publica comentários criticando com fundamento essa PEC suicida, o Augusto Nunes, que apesar da minha insistência, com argumentos consistentes, me mandou esperar sentado, o Rodrigo Constantino onde, para cobrar uma posição, tive o cuidado de ver se tinha tido esse cuidado, não achei nada, que tivessem pelo menos a responsabilidade de questionar essa PEC.
Parece que o controle de gasto tem que acontecer de qualquer jeito, não importando a falta de demonstração do que se pretende com isso, com NÚMEROS e ao longo do tempo, não levando em conta que no Brasil em situação muito pior, com falta de divisa, com o mundo em crise, inflação de até 80% ao mês, caçando boi no pasto, ninguém ousou propor esse absurdo, do jeito que está sendo proposto. Para exemplo basta ver a aceitação do senador Cristovam Buarque, como uma Pollyana procurando ver o lado bom da PEC, inocentemente achando que ao longo do processo haverá uma correção, dependendo de força política, que serão feitas reformas da constituição todas as vezes que surgir um impasse.Para começar já cito um, começa pela Previdência logo ali na virada do ano, não existirá dinheiro para mais nada se, como de lei? os benefícios atuais forem corrigidos pela inflação e levando em conta que os funcionários da previdência receberam um aumento de 11,7% em duas parcelas, a primeira nesse ano, uma pequena parte afetando pouco o aumento dos gastos nesse mesmo ano, e o restante em 2017, além de misturar alhos (despesa com benefícios) com bugalhos ( despesas de custeio), nada impedindo que se faça o mesmo que ocorre no judiciário onde eles se auto concedem todos os tipos de benefício, as bolsas isso e aquilo. Mais grave ainda, não estão levando em conta o aumento da população ao longo dos 20 anos, deduzidas as baixas naturais, fazendo com que o investimento per capta seja reduzido na mesma proporção desse número (aumento - baixas).
Outra coisa séria é não dizer o que pretendem fazer com a absurda diferença entre o aumento da arrecadação e a inflação, que só no período de 2000 a 2012 foi de 120%, já deduzida a alta na carga tributária que foi de ~14%, de ~ 29,3% do PIB em 2000 para ~ 33,4% em 2012, ninguem sabe, só eles que estão apenas dando uma garantia escandalosa para os especuladores e nem preocupam em projetar a redução das taxas de juros. Estão apenas procurando tirar o maior lucro possível antes que essa PEC provoque um estrago maior do que o do governo petista."