terça-feira, 11 de outubro de 2016

O que é um governo totalitário?

O que caracteriza um governo totalitário, escreve Luiz Felipe Pondé na FSP, não é desejar o mal para seus súditos, mas querer tomar conta de sua vida. É o antiliberalismo dos regimes fascistas e comunistas. Deus nos livre de prefeitos com projetos grandiosos:


A vocação totalitária em política não é algo fácil de se entender. O primeiro erro é achar que o governo totalitário o é porque deseja o mal para seus súditos. Não: o que caracteriza um governo totalitário é querer cuidar cada vez mais da vida de seus súditos.

Se você perguntar para um prefeito totalitário a razão de ele querer mandar em sua vida, ele dirá apenas que você não o entende e que ele quer apenas o seu bem. O totalitarismo moderno é o pecado dos governantes que têm grandes projetos para sua vida. E isso é muito difícil de entender, porque quase todo mundo hoje pensa que governantes com projetos de mundo ou sociedade são bons.

O filósofo britânico Michael Oakeshott (século 20), um desconhecido entre nós, costumava dizer que se mede a qualidade positiva de um governante pela ausência de teorias de mundo em sua mente.

A rigor, um governante "ideal" seria alguém que não tem qualquer projeto para a sociedade que governa a não ser manter a ordem, a infraestrutura, a garantia de que a economia seja livre (sem protecionismos ou assistencialismos). Enfim, o "ideal" seria garantir que ele atrapalhará a vida das pessoas o mínimo possível.

Nesse sentido, a pior coisa do mundo seria um governante que tem uma "visão de cidade", uma "visão de sociedade" ou uma "visão de educação" para seus súditos. O totalitarismo é fruto de um projeto de bem social e político. A primeira marca de um totalitário é ele ter certeza que representa o bem para todos.

O filósofo romeno Emil Cioran (século 20) costumava dizer que vizinhos muito preocupados com o prédio se tornam facilmente vizinhos autoritários. Basta alguém achar que sabe como você deveria viver para essa pessoa ou governo se tornar totalitário.

O que ninguém quer entender é que o fascismo sempre se viu como um projeto para o bem do mundo. Enquanto o "amor" que o fascismo nutria pelo mundo não for reconhecido plenamente, o risco da "bondade do bons" jamais será plenamente identificado. É necessário vermos o prefeito fascista com os olhos que ele (e seu seguidores) o veem: com os olhos do "amor" que ele nutre em ensinar a você como você deve viver.

Vejamos um exemplo dramático disso. A cidade de Roterdã, na Holanda, tem um novo projeto de lei proposto por um dos tipos mais totalitários do mundo moderno: o "educador". Segundo esse projeto, mulheres "incapazes para a maternidade" serão obrigadas a tomar contraceptivos. Essas mulheres são mulheres que usam drogas, que não têm domicílio fixo, portadoras de alguma doença importante diagnosticada ou prostitutas. Os "inteligentinhos", na pobreza de espírito que os caracteriza, não percebem aqui o totalitarismo porque na Holanda se anda de bike.

Essas mulheres seriam "acompanhadas" por psicólogos e assistentes sociais a fim de determinar a capacidade delas em exercer uma possível maternidade.

Os proponentes da lei entendem que há um risco totalitário na ideia, porém "escolhem respeitar o direito das crianças" em detrimento do direito das mulheres de serem mães. Você pode, talvez, se perguntar onde estariam essas crianças cujo direito deveria ser respeitado. Você pergunta isso porque não entendeu (e a culpa não é sua, é duro mesmo perceber quais crianças são essas a serem respeitadas) que o direito aqui em jogo é "o direito de uma criança não nascer".

Evidente que estamos aqui muito além do aborto. Estamos aqui diante de uma lei que decide quem deve ou não nascer em nome de um estatuto que diz cuidar dos direitos das crianças.

A intenção por trás desse blá-blá-blá é limpar a cidade de crianças que poderão custar caro para o Estado. Mas, de novo, os "inteligentinhos" ficam confusos porque na Holanda se anda de bike e, quando se anda de bike, creem eles, sempre se carrega o bem no coração.

A mentira é que não se trata de "direito" de criança nenhuma, mas, sim, de um forma de higienizar o mundo. O "amor" pelo mundo melhor é uma das maiores misérias modernas. Não confio em gente que "ama" o mundo. Uma obsessão que custará a passar, mas passará, como tudo mais.

3 comentários:

O MESMO de SEMPRE disse...

Não se trata de pensar nas criancinhas e MUITO MENOS em higienização do mundo,. MAS SIM pensar em não responsabilizar uns pela irresponsabilidade de outros.

Pais que não são capazes de cuidar de seus filhos não deveriam tê-los. Porém, não fazem essa opção e os geram para que OUTROS se responsabilizem por eles. ISSO É INJUSTO!!!

Ou seja, todas as opções possíveis são:

- deixar os filhos de pais irresponsáveis sofrerem por culpa da irresponsabilidade de seus pais

- lançar a responsabilidade pelos filhos dos irresponsáveis NAS COSTAS ALHEIAS.

Ocorre que o DIREITO de ter filhos, que todos possuem, se faz acompanhar do DEVER de cria-los responsávelmente.
Ocorre que a miséria é o MELHOR CAPITAL DAS IDOLOGIAS, pois em nome do bem, da caridade e do altruísmo, os canalhas se locupletarão sob a égide das "boas intenções" ao EXPLORAREM UNS em nome do BEM de OUTROS. Foi assim que a Igreja Católica se tornou a maior e mais rentável empresa do mundo: VENDENDO BONDADE CRISTÃ. ...cuisp!!!

Portanto, que não se apresenta capaz de criar seus filhos deveria ser castrado por uma questão de JUSTIÇA:

- NÃO É JUSTO QUE:

- as inocentes crianças geradas não devem pagar pela irresponsabilidade de seus pais.

- as inocentes pessoas responsáveis e produtivas sejam responsabilizadas pela irresponsabilidade alheia.

A miséria SEMPRE FOI O MELHOR CAPITAL DA POLÍTICA ou IDEOLOGIAS (são a mesma coisa, pois que ambas se baseiam nos FINS REDENTORES que prometem como justificativas dos meios).

Anônimo disse...

Parabéns, sr. O Mesmo de Sempre, o sr. acaba de matar Beethoven, filho de um pai alcoólatra (de origem holandesa, por ironia do destino).

Anônimo disse...

Nos Países Baixos você pode fazer virtualmente tudo, mas experimente não mandar seu filho à escola! Eles querem inculcar a porralouquice geral desde a mais tenra infância.