sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Pobre, negro, gay e liberal? Para a esquerda, é um escândalo.

As esquerdas, que sempre se consideraram defensoras exclusivas de pobres e minorias, não conseguem digerir Fernando Holiday (MBL), um dos vereadores mais votados em São Paulo: como pode um pobre, negro e gay ser "de direita"? A propósito, segue texto de Leandro Narloch (Veja.com):


“Como pode um homem gay, negro e pobre ser de direita?”

A esquerda voltou a se debater com essa pergunta desde a vitória de Fernando Holiday na eleição em São Paulo. Aos 20 anos, o rapaz foi o 13º candidato mais votado a vereador.

Há respostas das mais variadas. “Ele encarnou um capitão do mato, é um negro contra os negros”, diz a explicação mais comum. Um daqueles sites patrocinados pelo governo Dilma solucionou a questão com uma sacada criativa: concluiu que o rapaz, na verdade, não é negro, pois “ser negro não é uma condição dada, a priori. É um vir a ser”. Pronto, um problema a menos, Fernando Holiday é branco!

A esquerda não consegue entender a existência de Holiday porque acredita ter o monopólio da defesa dos negros, pobres e “oprimidos” em geral. Se um negro luta contra a esquerda, então há algo de errado com ele. Ou não seria realmente negro ou teria algum problema psicológico, uma anomalia que o faria agir contra a própria identidade. Oras, se a esquerda está do lado do povo, por que o povo estaria contra a esquerda?

Militantes mais embrutecidos acreditam também que para beneficiar os pobres é preciso prejudicar os ricos (com impostos sobre fortunas, por exemplo). Por isso um negro e pobre jamais se alinharia a partidos dos ricos. Mas Fernando Holiday, um liberal, é contra a ideia do conflito irreconciliável entre as classes. Acredita que a prosperidade beneficia tanto pobres quanto ricos, e que ideias econômicas de esquerda prejudicam todos, incluindo gays e negros.

Há ainda um terceiro motivo. Assim como a direita mais tacanha, a esquerda menos sofisticada gosta de achar que seus adversários se resumem a estereótipos ridículos ou políticos radicais. A direita seria apenas a senhora racista da praia do Rio de Janeiro, o empresário engomado que se incomoda com pobres no aeroporto, o deputado-pastor contrário ao casamento gay.

É mais confortável, para militantes da esquerda, ignorar a existência de adversários com mais nuances. O rosto de Fernando Holiday, um gay, negro, defensor de privatizações e antipetista radical, não poderia ser mais indigesto.

2 comentários:

danir disse...

Ninguém tem que ser enquadrado em grupo étnico ou por preferência sexual, por razões políticas e ideológicas. Ele é um ser humano que tem opinião, sustenta suas posições e assume as consequências de seus atos. Em suma um cidadão. Aqueles que tentam criar rótulos para negros, homosexuais, feministas e outras tranqueiras ideológicas, são os verdadeiros racistas, homofóbicos e aproveitadores das minorias. Usam despudoradamente a ingenuidade dos outros em proveito próprio. Eu não gosto nem de usar o têrmo "gay" por acreditar que é uma criação ideológica para edulcorar uma condição humana peculiar. Criam com isto uma "classe" para ser manipulada em nome da luta contra as injustiças. Os cadáveres do socialismo/comunismo que o digam. Vá em frente Fernando Holliday, mostre que você é um ser humano de qualidade e de princípios.

Anônimo disse...

Nesse caso fica confirmado que os vermelhos são mesmo psicopatas. Vale lembrar que o feminismo é uma criação da KGB russa que implantou essa teoria nos EUA bem como o dia internacional das mulheres. E vai por ai ...

Índio/SP