sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Renan sai em defesa de policiais do Senado suspeitos de embaraçar a Lava-Jato

O presidente do Senado Renan Calheiros disse que o MP e a PF "devem guardar seus limites". Com a nota em apoio dos policiais legislativos, Renan se torna, na verdade, suspeitíssimo:


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou nota em que defende a legalidade de varreduras realizadas pela Polícia Legislativa da Casa. Na manhã desta sexta-feira, 21, uma ação da Polícia Federal prendeu quatro policiais legislativos do Senado que são suspeitos de tentar dificultar investigações contra senadores.

"A Polícia Legislativa exerce suas atividades dentro do que preceitua a Constituição, as normas legais e o regulamento administrativo do Senado Federal", escreveu Renan. 

Ele ressalta que as varreduras não acarretam em outros tipos de monitoramento. "Atividades como varredura de escutas ambientais restringem-se à detecção de grampos ilegais, sendo impossível, por falta de previsão legal e impossibilidades técnicas, diagnosticar quaisquer outros tipos de monitoramentos que, como se sabe, são feitos nas operadoras telefônicas", argumenta.

O presidente do Senado afirma que o órgão manterá postura colaborativa e aguardará as investigações, mas aproveitou para provocar o Ministério Público e a Polícia Federal ao dizer que as instituições devem "guardar seus limites". 

"As instituições, assim como o Senado Federal, devem guardar os limites de suas atribuições legais. Valores absolutos e sagrados do Estado democrático de direito, como a independência dos poderes, as garantias individuais e coletivas, liberdade de expressão e a presunção da inocência precisam ser reiterados", escreveu Renan.

A Polícia Federal deflagrou hoje a Operação Métis para desarticular associação criminosa armada responsável por embaraçar a Operação Lava Jato e outras investigações da PF. A ação tem o apoio do Ministério Público Federal e mira em servidores da Polícia Legislativa do Senado. Quatro policiais legislativos foram presos temporariamente, incluindo o diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho. Ele e os subordinados foram pegos em ações de contrainteligência para ajudar senadores que estão sendo investigados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). (Estadão).

Um comentário:

César de Castro Silva disse...

Confissão clara de que sabia de tudo e foi com sua autorização.

Sei não, quando vai surgir um Magistrado(com M maiúsculo) com coragem para prender esse sujeito???????