segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Uber tornou a regulamentação obsoleta

A Uber causou polêmica em todas as cidades do mundo em que passou a atuar. Problemas com o corporativismo dos taxistas e a fúria arrecadadora das prefeituras, que tudo querem regulamentar. Para os usuários, quanto mais concorrência, melhor. A Uber é bem-vinda num terreno em que impera, em geral, a grosseria, a desconsideração pelos clientes. Bem dizia o saudoso Paulo Francis: taxista merece ser fervido em óleo. Óleo escaldante à parte, merece atenção o artigo publicado no Insurgente por Carlos Guimarães Pinto (os taxistas portugueses também estão infernizando os cidadãos por causa da concorrência):


Os defensores dos méritos da regulação estatal tinham no sector dos táxis uma boa bandeira. Num sector concorrencial normal será de esperar que a concorrência entre os diversos prestadores de serviços baixe os preços e aumente a qualidade do serviço. Mas se o sector estiver de tal forma pulverizado que a probabilidade de o mesmo cliente poder escolher o mesmo prestador de serviço duas vezes é muito pequena, então a concorrência exercerá pressão no sentido oposto. Era isto que acontecia no sector dos táxis. Como era um sector de quasi-concorrência perfeita com muitos prestadores e muitos clientes, em muitas localizações, a probabilidade de um cliente poder punir/premiar um mau/bom prestador de serviços no futuro era próxima de zero. Ao contrário dos modelos teóricos de concorrência perfeita, isto dava um incentivo aos taxistas para prestarem um mau serviço porque nunca veriam aquele cliente novamente. O cliente também não podia saber à partida a qualidade do motorista do táxi para o qual estava a entrar. Isto era particularmente relevante nas zonas turísticas, onde os turistas, ainda menos que os locais, têm poucas possibilidades de antecipar a qualidade dos taxis e a rota que devem tomar.

Sem regulação, isto levaria a que apenas os piores motoristas sobrevivessem: aqueles que mais roubassem os clientes e gastassem menos na manutenção do automóvel teriam mais lucros, expulsando do sector os taxistas honestos. Por isso, a regulação fazia algum sentido para melhorar a qualidade do serviço e criar punições. Cursos e testes psicológicos faziam sentido. Não ajudou muito, é verdade, mas terá contribuído alguma coisa para que o serviço não fosse ainda pior.

Mas a chegada da Uber alterou tudo isso. Os motoristas são avaliados no final de cada viagem, a rota e preço fica registada na base de dados, garantindo que os motoristas desonestos ficam sem negócio e que apenas sobrevivem aqueles que prestam o melhor serviço ao menor preço. Deixou de fazer qualquer sentido a regulação que existia antes. Um mau motorista que entre no negócio, rapidamente sairá dele porque nenhum cliente quer um motorista com más avaliações, nem aceitará uma rota/preço diferente daquela surgerida pela app. As praças de táxi deixaram de ser necessárias, o que também eliminou a necessidade de limitar as licenças. Poderá fazer sentido terem seguro para passageiros, mas toda a restante regulação tornou-se obsoleta. É isso que taxistas e governantes deveriam entender. E, a bem da circulação nas cidades, quanto mais rápido o entenderem, melhor.

Um comentário:

César de Castro Silva disse...

Nada mais justo do que elle pedir exilio a Cuba e ir lecionar nas universidades de lá.