domingo, 13 de novembro de 2016

Acordo nuclear com o Irã: outra bomba deixada por Obama.

Obama tolerou as violações do acordo feitas pelo regime dos aiatolás. O presidente eleito, Donald Trump, não está disposto a fechar os olhos para esse problema criado pelo caneludo:


Uma das conquistas do presidente Barack Obama na política externa, o acordo nuclear do Irã, está em risco. Na quarta-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica alertou que o Irã excedeu o limite de armazenamento de “água pesada”, substância usada para esfriar reatores de plutônio, pela segunda vez desde que o acordo entrou em vigor.

Quando isso ocorreu, em fevereiro, o governo Obama adquiriu o excesso produzido, regularizando a situação do Irã. Desta vez, a Casa Branca recorreu à semântica. O porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, disse que a não obediência do limite pelo Irã não representava uma “violação” do acordo, o que poderia, teoricamente, disparar um processo de reaplicação de sanções. Ele disse que os iranianos estavam trabalhando com outras partes para resolver o problema.

Se Hillary Clinton tivesse vencido as eleições, o excesso de “água pesada” provavelmente permaneceria na situação de não cumprimento. Mas o novo presidente será Donald Trump, e ele prometeu aplicar rigorosamente o acordo de 2015.

O comitê consultivo sobre Israel da campanha de Trump divulgou nota este mês, afirmando: “Os EUA têm que reagir às violações do Irã.” A declaração também prometeu que Trump implementaria novas sanções para controlar as ameaças iranianas a seus vizinhos e a continuada proliferação.

Na quinta-feira passada, republicanos me disseram que as violações mais recentes do Irã seriam mais investigadas por um governo Trump do que pelo atual. “Não é surpresa que o Irã esteja mais uma vez testando os limites do acordo nuclear para ver com que pode se safar”, disse o senador Tom Cotton, do Arkansas, aliado de Trump. “O governo Obama encorajou exatamente este tipo de comportamento quando comprou o equivalente a US$ 8,6 milhões em ‘água pesada’ do Irã.”

No ano passado, Cotton organizou uma carta de seus colegas republicanos no Senado para os líderes do Irã, alertando que o próximo presidente tinha a prerrogativa de implementar ou não o acordo nuclear que os diplomatas de Obama estavam negociando. Em seguida, o chanceler iraniano, Javad Zarif, disse que os EUA e seus parceiros estavam pretendendo garantir o relaxamento das sanções do acordo por meio de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU (a Casa Branca não enviou o acordo nuclear para o Senado como um tratado, o que exigiria uma maioria de dois terços para sua ratificação).

Há agora uma grande incerteza sobre o que Trump fará quando assumir a Presidência. Segundo Cotton, “em janeiro, o presidente Trump e um Congresso republicano vão iniciar uma nova política em relação aos aiatolás”. Outros republicanos com quem falei não estavam convencidos de que Trump rasgará o acordo, como muitos candidatos nas primárias prometeram.

Uma razão para isso é que os EUA já cumpriram boa parte de suas obrigações: suspender as sanções. Os EUA também pagaram ao Irã em dinheiro pela liquidação de pleitos referentes à venda de armas pelos EUA ao regime deposto em 1979. Outras receitas devidas ao Irã por venda de petróleo foram descongeladas. Assim, a esta altura, uma decisão dos EUA de rasgar o acordo nuclear apenas afetaria as obrigações do Irã, tais como o monitoramento internacional de seu programa nuclear.

Defensores do acordo nuclear com o Irã temem que uma abordagem de pressão para que o país cumpra rigorosamente o tratado poderia enfraquecer o presidente iraniano e seu ministro de Relações Exteriores, que negociaram internamente o pacto com o regime iraniano. Sem um apoio como o de Obama, o Irã poderá se sentir tentado a abandonar o tratado como um todo. O presidente Donald Trump certamente vai testar essa hipótese. Mas vale a pena indagar quem será o culpado se o Irã abandonar o acordo, pois é o presidente dos EUA quem aplica seus termos. Será Trump ou o Irã que terão destruído o legado de política externa de Obama? (Eli Lake, Bloomberg News - O Globo).

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