domingo, 6 de novembro de 2016

Com Trump ou com Hillary, Brasil é carta fora do baralho.

O Financista entrevistou Rubens Barbosa - embaixador em Washington de 1999 a 2004 -, que adverte: ganhe quem ganhar as eleições norte-americanas, o efeito será o mesmo para o Brasil: nenhum. Do ponto de vista comercial, o país não é prioritário - numa região igualmente não prioritária:


Para Rubens Barbosa, estreitar relações com o país não é prioridade de nenhum candidato à Casa Branca.

Por Márcio Juliboni

Às vésperas da eleição presidencial nos Estados Unidos, cresce a incerteza sobre quem sucederá a Barack Obama. Enquanto os partidários de Hillary Clinton e Donald Trump reúnem argumentos para convencer os indecisos, o clima de Fla-Flu contamina o Brasil.

Mas, do ponto de vista estritamente comercial, tanto faz quem vencerá na terça-feira. A avaliação é de Rubens Barbosa, embaixador do Brasil em Washington entre 1999 e 2004. O motivo é simples: somos um país não prioritário, numa região não prioritária, para os EUA.

Veja os principais trechos da conversa com O Financista:

O Financista: O que representaria um governo Trump para o Brasil?

Rubens Barbosa: Acho que, para a América do Sul e para o Brasil, nada vai mudar. A região não é prioridade para a política externa dos Estados Unidos. Se você fizer uma lista com as 15 prioridades americanas, não estaremos lá. Para chamarmos novamente a atenção dos Estados Unidos, temos que arrumar a casa e voltar a crescer.

O Financista: E com Hillary na Casa Branca?

Barbosa: Hillary conhece mais o Brasil, porque já esteve aqui. Mas, mesmo com ela, não haverá nenhum interesse especial dos americanos pelo país.

O Financista: Alguns dizem que republicanos seriam melhores para o Brasil, pois valorizam a abertura de mercado.

Barbosa: A ideia de que republicanos e democratas são diferentes, em termos de política comercial, é uma grande falácia. Isso não existe há 25 anos. Eles divergem em questões de política interna, mas são muito próximos na política comercial. Na verdade, Hillary e Trump têm posições negativas nessa área. Ambos são contra o Acordo de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) e são críticos da globalização. Mas, para o Brasil, o efeito negativo será pequeno. Além disso, nenhum mexerá na política comercial nos primeiros anos de governo.

O Financista: Mesmo que o Brasil não seja afetado diretamente, há algum efeito indireto da eleição?

Barbosa: Independentemente de quem vencer, o Fed já mostrou que elevará os juros. O pouco investimento que vem para o Brasil vai voltar para os Estados Unidos.

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