terça-feira, 8 de novembro de 2016

Não existe liberal-conservador

João Luiz Mauad, do Instituto Liberal, retoma o texto Hayek para afirmar que não existe, de fato, o liberal-conservador, embora muitos assim se considerem:


Conheço um monte de gente que se diz “liberal-conservadora”. Geralmente, essas pessoas afirmam ser liberais em economia e conservadores nos costumes. Pretendo aqui tentar esclarecer que a expressão “liberal-conservador” é um oximoro, uma contradição em termos.

Em seu famoso manifesto “Por que não sou conservador”, Hayek imaginou um triângulo eqüilátero no qual, sobre cada um dos vértices, situavam-se liberais, conservadores e socialistas. O triângulo de Hayek visava contrapor a ideia de que os liberais se encontram no meio de uma linha em que os extremos são ocupados, à direita, por conservadores e, à esquerda, por socialistas.

Malgrado existam liberais, conservadores e socialistas de diversos matizes, distribuídos ao longo de cada um dos lados do triângulo, a verdade é que podem ser traçadas fronteiras bem nítidas entre essas três correntes. Assim como os ditos socialistas podem ser mais ou menos radicais (comunistas ou social-democratas), o mesmo ocorre com os conservadores e com os próprios liberais. Entretanto, nenhuma dessas correntes ou ideologias se funde com a outra. Assim como não existe “social-liberalismo”, também não acho adequado falar de “liberal-conservadorismo” ou “social-conservadorismo”.

Embora certos nichos neoconservadores mais radicais ainda prezem o nacionalismo e, por conseguinte, apoiem medidas protecionistas (tanto em relação ao comércio quanto à imigração), além do aumento da tributação para financiar o fortalecimento das forças armadas, de forma geral a doutrina conservadora observa o liberalismo econômico como um valor, ainda que lhe atribuam um peso bem menor que os próprios liberais. Portanto, se você é liberal apenas em economia, mas conservador no resto, você não é “liberal-conservador”, mas apenas conservador. Da mesma forma, a defesa da liberação das drogas, da prostituição, da eutanásia, etc. não o torna um “social-liberal”, mas, pura e simplesmente, liberal.

Por outro lado, muitos liberais autênticos se consideram conservadores pelo simples fato de defenderem valores morais rígidos. Gente que é avessa ao consumo de drogas, à prostituição, à eutanásia, ao aborto, à pornografia, bem como professa valores religiosos e familiares rigorosos, por exemplo, não raro se considera conservadora. Na verdade, você pode ser tudo isso e, ainda assim, ser um liberal radical, bastando apenas que você não defenda o uso dos poderes de polícia do estado para impor aos demais os seus valores ou obrigá-los a rezar pela sua cartilha.

Este que vos fala é considerado por muitos um sujeito bastante careta. Entre outras coisas, está casado há 32 anos com a mesma mulher, não consome drogas, não é chagado à pornografia, nem a prostitutas. Entretanto, defende o direito dos outros de fazer tudo isso e acha que o Estado não tem o direito de impor seus próprios valores aos demais.

Ninguém explicou essa questão melhor do que Hayek. Segundo o austríaco, “Em termos gerais, poderíamos afirmar que o conservador não se opõe à coerção ou ao poder arbitrário, desde que utilizados para fins que ele julga válidos. Ele acredita que, se o governo for confiado a homens probos, não deve ser limitado por normas demasiado rígidas”.

Como se vê, o que determina se alguém é liberal ou conservador não é, de maneira nenhuma, os valores morais segundo os quais essa pessoa decidiu viver, mas a sua visão sobre os limites dos poderes do estado. Portanto, a diferença não está propriamente nos valores, mas precisamente nos princípios que cada um defende. Mas deixemos que o próprio Hayek sintetize:

“Como o socialista, o conservador preocupa-se menos com o problema de como deveriam ser limitados os poderes do governo do que com o de quem irá exercê-los; e, como o socialista, também se acha no direito de impor às outras pessoas os valores nos quais acredita. Quando digo que o conservador carece de princípios, não quero com isso afirmar que ele careça de convicção moral.

“O conservador típico é, de fato, geralmente um homem de convicções morais muito fortes. O que quero dizer é que ele não tem princípios políticos que lhe permitam promover, junto com pessoas cujos valores morais divergem dos seus, uma ordem política na qual todos possam seguir suas convicções. É o reconhecimento desses princípios que possibilita a coexistência de diferentes sistemas de valores, a qual, por sua vez, permite construir uma sociedade pacífica, com um emprego mínimo da força. Sua aceitação significa que podemos tolerar muitas situações com as quais não concordamos.

“Há muitos valores conservadores que me atraem mais do que muitos valores socialistas, porém a importância que um liberal atribui a objetivos específicos não lhe serve de justificativa suficiente para obrigar outros a submeter-se a eles. Não duvido que alguns de meus amigos conservadores ficarão chocados com as “concessões” às opiniões modernas que eu teria feito na Parte III deste livro. Contudo, embora possa não gostar, tanto quanto eles, de algumas das medidas mencionadas e até votasse contra elas, não conheço nenhum princípio geral ao qual recorrer para persuadir os que têm opinião diferente de que tais medidas são inaceitáveis na sociedade que eu e eles desejamos. Para conviver com os outros é preciso muito mais do que fidelidade aos nossos objetivos concretos. É necessário um comprometimento intelectual com um tipo de ordem em que, até nas questões que um indivíduo considera fundamentais, os demais têm o direito de buscar objetivos diferentes.”

É isso aí!

6 comentários:

Catellius disse...

Saudações, Tambosi!


Palmas para o João Luiz Mauad.
Esse "fusionismo" não me agrada (adotar o discurso religioso-conservador para não ser confundido com um socialista).
Se as pessoas ignorantes confundem ser liberal com ser libertino, isso depõe contra elas. Querer provar a elas que não somos libertinos atacando a libertinagem, é uma concessão que essa gente não merece. Que nos rotule como quiser.
Mas também não gosto de extremos.

Sobre aborto: Em pesquisas de opinião com católicos, a esmagadora maioria declarou que não acha justo mandar a mãe que abortou para a cadeia, condenada por assassinato. Mas a esmagadora maioria é contra o aborto. A coisa, então, fica num limbo legal. Eu já prefiro encarar o problema pragmaticamente. Sou contra o aborto. Mas acho que se deve definir um limite de, digamos, 10 semanas para ele. Aborto após 10 semanas, mesmo em caso de estupro, é assassinato. A mãe, médico, enfermeira, mãe da mãe, todos devem ser condenados a até 30 anos na cadeia. Mas se for dentro do prazo de 10 semanas, a mulher primeiro irá assistir a várias palestras, vendo fotos de abortos, será levantada a opção de dar a criança para a adoção, ela aprenderá a importância da prevenção de uma gravidez, e deverá, por exemplo, voltar a esse local 2 vezes por ano para assistir mais palestras, etc. Mas o aborto será feito legalmente, com assepsia, sala de recuperação, etc. No caso de um segundo aborto, o número de palestras dobrará, ela deverá se apresentar de mês em mês para conversar com um agente público, deverá fazer serviços comunitários. No caso de um terceiro aborto, será presa como assassina. Algo assim.

No caso das drogas, o problema, ao meu ver, é que uma pequena atitude fruto da liberdade individual - dar a primeira cheirada - pode gerar anos de escravidão ao traficante e à própria dependência química. Além da guerra aos traficantes, acho que devia ser crime consumir. Aí, aqueles que têm algo a perder - os riquinhos da Zona Sul do Rio, por exemplo - tenderiam a pensar duas vezes antes de ir atrás de droga...

No caso das armas, sou a favor de condições para se ter porte e posse. Ausência de antecedentes criminais, de histórico de brigas - mesmo no segundo grau e no trânsito - etc.

Ou seja: não sou completamente liberal em todas as questões.

C. Mouro disse...

A questão do aborto é atualemente absolutamente politiqueira.

A disputa é por "QUEM É MAIS BONZINHO" e todos querem ser mais bonzinhos e impor suas manias e vontades aos demais.

Ainda insisto que a questão política é MORAL e não econômica.

Quando a política resolveu por focar na moral ela conquistou mentes e corações.
O ser humano quanto mais inseguro, quanto mais se frustra consigo mesmo, mais ele ambiciona uma moral conveniente. Ou seja ele ambiciona o APOIO da COMUNIDADE.

Se não falha-me a memória, C. Jung bem observou que o homem com o apoio de seu grupo é capaz de atrocidades que não se permitiria fazer solitariamente. Esse é o apoio moral que os economicistas e utilitaristas tanto desprezam.

As ideologias são antes de tudo APELOS MORAIS e por tal justificam os meios pelos fins em sua moral falaciosa. TODAS as IDEOLOGIAS prometem Paraísos futuros através de sua receita justificada por estes FINS REDENTORES.

Assim o objetivo não é mais a razão, mas EMOCIONAR a sua vitima.
A emoção é tanto um FREIO quanto um MOTOR.
Um indivíduo pode deter-se em trucidar outro ao deste se apiedar ou refletir que tal outro não o merece.

Claro que num momento torna-se tolo ficar se envolvendo em reflexões complexas e a emoção oferece uma opção imediata. Emoções CONTAGIAM, mas a RAZÃO não. Não é por acaso que DROGAS ALUCINÓGENAS fazem sucesso dentre recalcados, inseguros e demais imbecis de todos os matizes.

Como não me canso de homenagear o brilhante Schopenhauer, volto a menciona-lo em sua clara percepção de que alguns homens almejam ter a seu favor a opinião alheia muito mais que a própria. Me deleitei quando li sua menção às medalhas inúteis e sem valor material como recompensa àqueles que arricam suas vidas. Não menos quando criticou a estupidez de vaidosos estúpidos darem suas vidas pelo prazer que imageinarem-se glorificados no futuro, na história. Esta também apontada por Spinoza.

Enfim, com a propaganda moral valorizando a servidão, a pobreza, o auto desprezo e o desprezo pelo indivíduo como maiores valores humanos, capazes de fazer de qualquer lixo humano um glorioso pedaço de um coletivo qualquer a representa-lo, esse objetivo moral tomou conta dos inseguros e recalcados que só podem se perceber valiosos através de valores meramente propagandeados e de facílima simulação.

Eis aí o antagonismo entre discruso e prática que tanto grita em nossos ouvidos e cobre nossos olhos. Esse comportamento foi muito bem resumido por Bertrand Russel ao sentenciar que o ser humano possui DUAS MORAIS: UMA QUE PRATICA e outra QUE EXIGE dos OUTROS (individuos ou grupos, conforme a conveniencia do momento).

(continua...)

C. Mouro disse...

(continuando...)

Claro que matar um inocente não é justo. Porém um feto tem que ter percepção de si mesmo ou características humanas. Não basta ser um punhado de celulas.

Nas primeiras semanas após a fecundação NÃO HÁ um SER HUMANO, mas apenas um punhado de células. Isso é tão evidente que até os maníacos conservadores (pouco diferentes dos socialistas) admitem que é APENAS UM SER HUMANO EM POTENCIAL. Assim se ostentam os MAIS BONZINHOS defendendo até aquilo que ainda não é, mas que poderá ser.

A PROVA da CANALHA HIPOCRISIA é que estas BONDOSAS PESSOAS e por tal MAAAARAVILHOOOOSAS mercedeoras de admiração e afeto, defendem as guerras onde morrem adultos, crianças e BÊBES formados e não punhados de células.

O que mais tivemos foi antio-abortistas que defenderam a guerra de Bush no Iraque. ...HIPÓCRITAS! ...RAÇA de VÍBORAS!!!

Uma mulher ou menina grávida de um facínora, segundo os mais puristas da bondade, não deveria abortar e assim carregar em seu próprio corpo a descendencia do facínora a tortura-la por 9 (NOVE) meses.

tais HIPÓCRITAS não se dão a princípio algum, entregam-se a uma auto glorificação moral não apenas FALACIOSA, mas sobretudo MENTIROSA: "adversário da morte de inocentes" ...mesmo que ainda não passem de um punhado de células sem sistema nervoso, cérebro, percepção ou qualquer humanidade.

Assim se OSTENTAM em busca de valorização moral e NÃO por consciência de ÉTICA.
Ansiosos apenas por se PAVONEAREM antes os olhos de seus pares que numa "ESPIRAL da GRITARIA" glorificam-se mutuamente.

Fossem seguir piamente aquilo que sobresaltam em sua ideologia putrefata e se sacrificariam ante os perversos a fim de não matarem inocentes e nem mesmo os culpados, como parece ser a receita de sua ideologia para a glória suprema no fim dos tempos.

Ideologias são todas aparentadas:
- não espanta islamicos cretinamente afirmem que o islamismo é uma religião da paz e do amor. Por mais que se mostre a eles o seu livro sagrado gritando em contrário, eles se aterão a alguns trechos e a hermeneuticas absurdas-

- Cristãos igualmente citarão o mandamento "não matarás", mesmo que o javé que o forneceu a Moises não tenha economizado em mandar MAATAR HOMENS MULHERES e CRIANÇAS até de peito. Como lá esta no livro sagrada em inúmeras passagens e em vários de seus "sub-livros", capitulos e lá mais o raio que seja.

- Socialistas m nada diferem e os discursos são os mesmos dos demais ideolíogicos que oferecem suas receitas para atingir fins propagandeados que justificariam a própria receita. Embora tais fins não tenham data e tão pouco se pode garantir num futuro qualquer:

a cenoura na ponta da vara que amarram ao corpo dos asnos que assim ao comando de MANÍACOS ou FACÍNORAS que os ARREBANHAM e deles se valem como SERVOS bem ADESTRADOS com a oferta de PETISCOS num FUTURO sem data e INCERTO.

C. Mouro disse...

Grande Catellius!

A internet precisa que alguns bons (no sentido malvado, não os bonzinhos) se sacrifiquem prazerosamente para enriquecer os debates.

É um sacrificio e um prazer, pois assentir com maníacos, oportunistas, soberbos e imbecis vaidoso, crapulas e canalhas de toda sorte causa ainda uma dor maior. ...hehehe!!!

Não sei se parabenizo ou se ofereço pêsames pela volta.
Um bom guerreiro não é coisa que se possa desprezar.

Revolta essa hipocrisia destes farsantes que se apegam em afirmações dogmáticas e falaciosas para se PAVONEAREM.

Não diferem os ideológicos, pois socialistas que amaldiçoam PINOCHET xingando-o de ditador "assassino" (por REAGIR) e, VESTIDOS COM A CAMISA DE CHE GUEVARA, glorificam e se solidarizam com FIDEL que assassinou mais de 5 vezes o numerário de baixas causadas por Pinochet na tropa de BANDIDOS GUERRILHEIROS.

Fidel não assassinou apenas guerrilheiros e militares. Os assassinato com condenação sumária, as TORURAS até hoje nas MERDÀCIAS não se resumem a combnatentes armados, mas desde camponeses indefesos até trabalhadores dos tempos atuais. E os crápulas defendem Fidel e vestidos com a camiseta de Chê. ...estão abiaxo dos vermes.

Ideologias são virus que causam doenças morais pela DETERIORAÇÃO MENTAL.

Basta que simplesmente se veja que onde estes maníacos socialistas assumem o poder o resultado é a mais infame MISÉRIA daqueles a quem alegam defender em nome de um altruístico desejo de faze-los felizes.

...mas a pratica é vista na VENEZUELA, em CUBA, na CORÉIA do NORTE e ainda em alguns PAISES AFRICANOS.

Quem pode acreduitar em sinceridade destes facínoras mentirosos, hipócritas e perversamente farsantes??? ...quem???


Catellius disse...

Grande Mouro!
Clap clap clap

Sempre bom ler suas sábias palavras!
Saudações!

Orlando Tambosi disse...

Salve, Mouro,

bom ver você de volta.
Abs.