terça-feira, 22 de novembro de 2016

Presidente Trump. E basta, esquerdinhas.

O ex-embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa, faz uma análise sensata da chegada de Donald Trump ao poder. E adverte os alarmistas: uma coisa é a campanha, outra é o exercício da presidência. O politicamente correto obamista vai para o beleléu, mas haverá pragmatismo: medidas realistas, "não ideológicas e radicais". Aliás, acrescento: ideologia é com o Partido Democrata:


Donald Trump não é político e jamais ocupou nenhum cargo público. Um estranho no ninho tornado candidato, um outsider, venceu nas primárias 16 oponentes, políticos experientes, governadores e congressistas. Fazendo questão de não ser politicamente correto e criticando duramente o sistema político de Washington por não representar adequadamente os mais pobres, a campanha vitoriosa de Trump ajudou a manter o domínio republicano na Câmara e no Senado e vai permitir também o controle do Judiciário.

Foi o único candidato a captar o sentimento de frustração dos trabalhadores, da classe média branca sem educação superior, afetados pela crise de 2008 e pela globalização, que concentrou a renda. Sua agenda populista, com forte dose de voluntarismo e personalismo temperamental, é, no essencial, a agenda conservadora do Partido Republicano: a defesa do comércio justo, o fair trade, em vez do livre-comércio. E que foca na aplicação da lei de imigração, em trazer de volta empregos para a economia americana, no não ao aborto e na expansão dos gastos de defesa.

Há dois cenários para entender, em grandes linhas, as novas prioridades do governo que se inicia em 20 de janeiro: implementação das duras e agressivas promessas de campanha ou sua aplicação temperada pela limitação das realidades do poder. Ambas influenciadas pela personalidade e pelo estilo do presidente eleito.

As primeiras indicações são de que o governo Trump vai apresentar mudanças profundas em relação ao ideário do Partido Democrata, mas adotará medidas pragmáticas e realistas, não ideológicas e radicais. Uma coisa é a campanha eleitoral, outra coisa é assumir o governo.

Na política interna, as primeiras medidas buscarão reformar a legislação de imigração, com o aumento das deportações (2 milhões a 3 milhões) de imigrantes ilegais e condenados (traficantes de drogas e criminosos comuns); modificar as regras da previdência social; alterar a política econômica com medidas fiscais para apoiar o crescimento (redução de impostos, desregulamentação e investimento em infraestrutura) e, na política monetária, acelerar o aumento da taxa de juros. Em pauta também a modificação na legislação sobre política energética (uso do carvão, exploração do petróleo na costa leste e retomada da construção do oleoduto entre o Canadá e os EUA), além do combate ao terrorismo, com o extermínio do Estado Islâmico. Deverão ser seguidas ainda outras medidas que afetarão o establishment de Washington: restauração da segurança pública e do Estado de Direito constitucional (porte de armas); combate à corrupção e aos interesses especiais (relação com as grandes companhias e com Wall Street); congelamento na contratação de funcionários públicos, reforma do serviço público para permitir a demissão de pessoas incompetentes, corruptas ou que infrinjam a lei, estabelecimento de quarentena para que funcionários públicos possam sair do governo e passar a atuar como consultores do setor financeiro e industrial. 

Na política externa, a tendência será o governo Trump ser mais isolacionista do que internacionalista, como ocorreria no caso de vitória de Hillary Clinton. Os interesses norte-americanos continuarão a ser preservados pela continuidade, sob muitos aspectos, da estratégia da política externa de Barack Obama. A segurança europeia deverá ser preservada com a manutenção da Otan, cujos membros terão de despender mais recursos para garantir a integridade da região. A China continuará como o principal foco de atenção de Washington. Os atuais focos de atrito poderão ampliar-se em consequência da política expansionista no Mar do Sul e do Leste da China, pela disputa territorial com o Japão, pela situação em Taiwan e pelas questões comerciais – dificilmente haverá aumento de tarifas nos produtos chineses – e pela possível mudança de posição no tocante ao Acordo de Paris sobre mudança de clima. 

A Rússia deverá ter tratamento menos duro que com Obama e as sanções econômicas poderão ser atenuadas. Na Síria, poderá haver mudança de estratégia, pela qual os EUA, juntamente com a Rússia, focalizarão em primeiro lugar o fim do Estado Islâmico. A política de mudança de regime na Síria poderá passar para um segundo momento, quando se procurará pacificar o país com a saída do presidente Bashar Assad. No Iraque, a presença dos EUA deverá reduzir-se. Na Coreia do Norte, Washington buscará manter o apoio da China para acalmar Kim Jong-un. Com o Irã, o tratado sobre o programa nuclear deverá ser mantido por suas implicações geopolíticas na região, apesar das pressões de Israel.

O conflito entre Israel e Palestina poderá vir a ser um dos pontos em que Trump queira deixar sua marca nos próximos anos. Em termos de comércio exterior, os acordos com o México e o Canadá deverão ser mantidos, com ajustes cosméticos, e o acordo EUA-Ásia, com o Japão e países asiáticos e latino-americanos do Pacífico, ficará congelado por algum tempo, mas será eventualmente examinado e aprovado pelo Congresso em razão do interesse das empresas norte-americanas.

E o Brasil? 

Se a política econômica de Trump for aplicada equivocadamente e vier a provocar uma recessão global e a desaceleração da economia americana, o Brasil será atingido indiretamente, o que dificultará a recuperação da economia brasileira. Imigrantes brasileiros ilegais poderão ser expulsos e alguns produtos de exportação poderão ser afetados. Os vistos continuarão a ser limitados. No mais, nada mudará, porque, em termos de política externa, a América do Sul e o Brasil não têm prioridade na agenda dos EUA. Se quisermos ampliar nossas relações econômicas e comerciais com Washington, teremos de pôr a casa em ordem, aprovar as reformas estruturais, reduzir o desemprego e voltar a crescer com ampliação da segurança jurídica para os investidores internos e externos. (Estadão).

Um comentário:

Anônimo disse...

Imigrante ilegal como o próprio nome diz esta ilegalmente no país. Na imensa maioria são cidadãos defectivos em seus próprios países que invadem nações ricas na esperança de viverem de políticas de bem estar social. O mundo chegou numa situação tão retardada por conta do viés esquerdista da imprensa e do mundo acadêmico que o simples fato de um presidente propor expulsar ilegais do país vira um escândalo interminável. Espero que Trump faça o que prometeu: expulsar os imigrantes ilegais, cortar a imigração do terceiro mundo para os Estados Unidos, construir a grande muralha de Trump e cortar a novilíngua do vocabulário americano começando por voltar a dizer Merry Christmas novamente.