terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A crise e a visão curta das elites

Bolívar Lamounier, no Estadão: "O peixe não vê a água":


Jejuno em piscicultura, tomo como verdadeira a afirmação que faço no título deste artigo, reproduzindo um velho ditado espanhol. Quem o inventou certamente queria dizer algo sobre o comportamento das sociedades e de suas elites dirigentes em tempos de crise. Sugeriu, com efeito, que as instituições públicas e os agentes diretos do drama político perdem a capacidade de apreender os problemas com que se defrontam e seus possíveis desdobramentos numa perspectiva de conjunto e no longo prazo.

Tal ditado, no entanto, por instigante que seja, contém um defeito crucial. Quanto eu saiba, não ver a água jamais causou dano sério a algum peixe ou cardume. Na sociedade humana, perder a noção de conjunto e a capacidade de agir em função dele pode fazer a diferença entre uma situação muito ruim e um completo desastre. 

Como é óbvio, o que desejo fisgar neste texto não são peixes, mas uma hipótese sobre a situação em que o Brasil se encontra. As causas iniciais da crise são de conhecimento geral, mas poucos analistas têm tentado decifrar o encadeamento que se estabeleceu a partir do impeachment de Dilma Rousseff ou prever como e quando terminará. Meu pressuposto, como antecipei, será o de que uma crise grave produz um estreitamento dramático do campo de visão das elites dirigentes, e tal estreiteza passa a atuar como um fator autônomo, retroalimentando a crise.

Para manter uma perspectiva abrangente e de longo prazo, os sistemas políticos dispõem basicamente de três mecanismos: 1) o amplo compartilhamento de cenários bem fundamentados, indicando relações de causa e efeito e projetando possíveis desdobramentos da situação existente – essa tarefa é normalmente desempenhada por políticos de grande tirocínio e por economistas, cientistas sociais e outros profissionais qualificados; 2) a existência de uma instância institucional incumbida de propor uma agenda macro (há quem prefira a expressão “projeto nacional”) – em nosso caso, essa instância é, evidentemente, a Presidência da República; 3) os momentos sucessórios, ou seja, eleições gerais e, em nosso caso, notadamente a sucessão presidencial, que funcionam como cortes políticos temporais capazes de forçar a revisão e eventual alteração das políticas em curso.

Sobre cenários amplamente compartilhados, não precisamos ir tão longe. Na virada dos anos 80 para os anos 90, na esteira de vários choques heterodoxos, o controle da inflação foi definido como a prioridade das prioridades e levado de forma eficaz ao centro do sistema decisório. Hoje, em contraste, não há imagens de futuro claramente delineadas – exceção feita ao debate sobre reformas estruturais, às quais retornarei adiante.

Claro, exercícios e projeções são continuamente elaborados, mas permanecem à margem dos acontecimentos, como uma arcana acadêmica, sem efeito estratégico no plano da política prática. Com as exceções de praxe, nossos senadores e deputados, nossas lideranças sindicais e nosso alto clero ignoram que, crescendo em média 3% ao ano, o Brasil precisará de uma geração inteira para igualar o produto interno bruto (PIB) per capita dos países mais pobres da Europa – da Grécia e de Portugal, por exemplo. E que lá chegaremos, provavelmente, com uma distribuição de renda muito pior que a dos países citados.

Por frágil que seja, o presidente Michel Temer tem proposto e conseguido aprovar medidas importantes no Congresso Nacional, com destaque para a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto de Gastos, já aprovada, e as reformas da Previdência e da legislação trabalhista, em fase inicial de tramitação. Mas numerosos analistas têm afirmado que o presidente dificilmente chegará a bom porto sem um começo razoável de recuperação da economia. Sinais de debilitação de seu governo têm sido captados pelas pesquisas de opinião pública.

O risco, evidentemente, é o círculo vicioso que parece estar se constituindo. A não ocorrência rápida da recuperação debilita o presidente da República. As investigações da Operação Lava Jato, que no atacado devem ser vistas de forma altamente positiva, produzem desgastes no varejo, de um lado, por terem chegado à soleira do Planalto, de outro, por manter a corrupção nas manchetes, turbinando o azedume da sociedade contra todo o sistema político. A própria advertência da crônica política – no geral bem intencionada – quanto à debilitação do governo pela crise econômica pode alimentar uma self-fulfilling prophecy (uma profecia que se autorrealiza), dificultando a percepção dos acertos do governo.

Por último, mas não menos importante, a eleição de 2018. Diferentemente de 1989, quando o restabelecimento da eleição direta para presidente foi saudado como uma fórmula mágica para a redenção do País, hoje poucos se animam a especular sobre a sucessão presidencial. Um evento previsto para daqui a um ano e dez meses parece um corpo celeste, situado nos confins do universo. É outro claro indício do encurtamento do horizonte temporal a que antes me referi. Mas essa distância sideral não impede que a chamada conexão eleitoral opere a todo vapor. A prioridade de todo político eletivo é se reeleger, ou se posicionar adequadamente para a próxima eleição. Daí Rodrigo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados, ter acenado aos governadores com a dispensa das contrapartidas estaduais na negociação da ajuda federal. O triunvirato tucano não faz por menos: Aécio Neves e José Serra mexem suas peças e Geraldo Alckmin reage ameaçando sair do PSDB.

5 comentários:

O MESMO de SEMPRE disse...


O politicamente correto tem certa pertinência com uma pseudo lógica, ou falácia, efetiva de que "nada vem de graça" e com isso, para se obter algo, há que se dar algo. Assim, quem não tem nada que possa oferecer em troca do ambicionado, OFERECE até a PRÓPRIA DOR como se tal fosse a remuneração ao doador.

Assim, a DOR, a HUMILHAÇÃO e o sofrimento em geral se tornaram MOEDA de TROCA pelos favores ambicionados.

Não há uma real lógica nisso, pois somente alguém com uma mente doentia, acometido de sadismo pode satisfazer-se com o sofrimento de inocentes e exigir-lhes o sofrimento em troca da realização de suas ambições.

Essa é a idéia do homem primitivo que, sem conhecimento ou ciência, inventa os "MEIOS" sobrenaturais de alcançar seus objetivos: IMPOR-SE CONTRARIEDADES ao valorizar MORALMENTE o sofrimento ou QUALQUER TIPO de ANTI NATUREZA, diga-se CONTRARIEDADES em GERAL.

Essa valorização do MAL VIVER como ostentação de mérito moral empurrou os exageradamente VAIDOSOS (Narcisos) para a aceitação da estupidez como ostentação de "VALOR PESSOAL".
Assim tornam-se presas fáceis de qualquer PROPAGANDA MORAL potencializada pela ESPIRAL do SILÊNCIO, que é uma velha conhecida dos doutrinadores há milênios: impedir a crítica, ou o JULGAMENTO, é algo do milenar conhecimento para se doutrinar a massa sempre vaidosa. Pois que quanto menor a autoestima, maior a vaidade, ou a BUSCA DESESPERADA PELA ESTIMA ALHEIA.

A moral é exatamente um meio de estabelecer uma ESCALA de VALOR para os indivíduos no meio em que esta se faz a regra de conduta propagandeada como valorizadora do indivíduo no meio em que vive.
As morais são ARBITRÁRIAS e se formam pela PROPAGANDA e não pela reflexão sobre o comportamkento justo. Tanto é assim que as leis com pretensão de justiça desprezam muitos postulados morais onde a razão ainda se faça presente. Somente onde a demência assumiu a realeza através das PROMESSAS IDEOLÓGICAS de USUFRUTOS FANTÁSTICOS, além da valorização moral no meio em que o seguidor se inserere, é capaz de aniquilar a razão e estabelecer o reino da propaganda, que paradoxalmente condena a saudável atividade de JULGAR.

Assim, sem JULGAR, resta ao envaidecido sectário apenas a tarefa de SEGUIR SEM QUESTIONAR. Seja para obter a aceitação e mesmo a valorização pessoal perante os demais e/ou em busca de Paraisos ou Utopias prometidos para um futuro SEM DATA e INCERTO, apenas para os fiéis que se curvarem a MORAL ARBITRADA segundo os CAPRICHOS daqueles que elaboram o, sempre, FUNESTO CONJUNTO de IDÉIAS que PROMETEM CONDUZIR aos Paraísos, ou Utopias, concebidos como expressão objetiva do tal "BEM COMUM" que decorre da concepção SUBJETIVA dos líderes ideológicos que elaboram as receitas para seus Paraísos mal explicados para permitir que cada um conceba subjetivamente o Paraíso objetivo.

Claro que o POLITICAMENTE CORRETO É APENAS UMA NOVA MORAL propagandeada como a "moral vigente no Paraíso" e assim propagandeada como a "MORAL CERTA" e por tal não se admite julga-la racionalmente, por mais anti natural e estúpida que seja. Logo, a defesa de tal "moral certa" não se realiza através de argumentos racionais, mas sim através de um comportamento HISTÉRICO que de antemão atribui nocividade ao contestador, um BLASFEMO, provando-se isso com CARETAS de INDIGNAÇÃO e GRITOS de HORROR ante o crítico ou contestador. Como se o comportamento TEATRAL fosse um argumento em contrário a possíveis críticas ou meras questões levantadas. Deste modo tanto as questões não são JULGADAS quanto axiomas não são aceitos por mera indução de que tal impediria o USUFRUTO das maravilhas apregoadas para o futuro. Ou seja, assim surgem os TABUS e espanta-se questionamentos com CARETAS de INDIGANAÇÃO e GRITOS de HORROR ante qualquer racionalidade que ponha em dúvida a MORAL IDEOLÓGICA (que surge como receita de comportamento nos Paraísos prometidos para futuros).

...continua...

O MESMO de SEMPRE disse...

...continuando:


O culto a tal democracia como TABU é só mais um quesito do POLITICAMENTE CORRETO e diante disso a tal Democracia se tornou uma FONTE MORAL, onde os governantes e postulantes a TUDO se permitem propor desde que em nome da democracia ou eleições de ditadores AQUADRILHADOS. Desta forma, questionar a Democracia demonstrando que esta EM TUDO DIFERE e SE OPÕE à LIBERDADE produz como "debate", a HISTERIA, para acusar de má índole o questionador, em meio a CARETAS de INDIGNAÇÃO e GRITOS de HORROR para osatentar o "BOM MOCISMO" MORALÓIDE.

Assim, as acusações de racismo, sexismo, xenofobia, islamofobia, ganância, arrogância e etc. tornam-se os ÚNICOS "argumentos" dos POLITICAMENTE MORALISTAS, que provam a "verdade" de suas alegadas convicções com uma TEATRAL HISTERIA moralóide.


Essa estupidez foi capaz de fazer os totos confundirem Democracia com Liberdade e, deste modo, NÃO MAIS QUEREM LIBERDADE, mas apenas Democracia.

E AI DAQUELE QUE OUSA CRITICAR A DEMOCRACIA, é imediatamente xingado de fascista, racista, nazista e um ditador autoruitário.

Afinal, os arrebanhados ideológicos não querem argumentar mas apenas OSTENTAREM-SE maravilhoso DEMOCRATAS e assim "COÇAREM UNS AOS OUTROS" (asinus asinum fricat) em grande histeria para embotarem em si a razão. Afinal, segundo a envaidecedora propaganda os democratas são a elite humana, mesmo que a democracia não garanta a liberdade e tão pouco a eleição de bons administradores de serviços estatais. Até mesmo a tirânia democrática é louvada, desde que os descontentes se possam manifestar e exibir sua inconformidade numa MANADA semi uniformizada e portando símbolos cultuados que, desta forma, atribuem valor moralóide aos ostensivos participantes arrebanhados democraticamente para manifestações ou PROCISSÕES que os exibem à contemplação dos não tão engajados na defesa da pureza democrática.

Anônimo disse...

Democracia funcionou em alguns lugares por determinado tempo. Desde que o sufrágio universal foi imposto (como sempre oligarcas e magnatas apoiaram e financiaram os movimentos sufragistas mundo afora) a democracia morreu. O voto universal é um erro. As restrições sempre tiveram um propósito: homens acima de 30 anos proprietários de terra e (ou) que serviram ao exército. Comprometimento por sacrificar a vida pela terra e pela nação, a propriedade de terra também cria raízes. A ideia de qualquer idiota porque simplesmente nasceu a na adolescência ganha magicamente o direito de voto sem nenhuma exigência levou o ocidente onde está. Qualquer um chega a uma cidade/Estado/País vindo de onde for e já ganha direito de voto. Pessoas que não possuem identidades, interesse ou apresso com a terra saem decidindo a esmo quem deverá governar.
O sufrágio universal foi o começo do fim da democracia. Basta observar o Brasil e ocidente todo: políticos que servem uma agenda e vão contra os interesses da população. Os atuais líderes da Europa: Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Espanha, Suécia e etc. sacrificando a vida e o bem estar de seu povo ao permitir milhares de estrangeiros hostis em suas terras por apoiarem uma causa impostos por oligarcas globalistas como Soros, Rothschild, Koch, cujo o propósito e governar e destruir qualquer identidade nacional, cultural, religiosa ou racial para que não haja nenhum tipo de união ou identificação entre as pessoas para que se oponha contra eles e seus esquemas.

Anônimo disse...

desculpe pelo apresso. Apreço caso contrário vão pensar que é Lula digitando.

intervenção civil e militar disse...

Trump vem ai...